Tag: serpentes

  • Cobra de 85 milhões de anos é encontrada no Brasil; veja como vivia

    Cobra de 85 milhões de anos é encontrada no Brasil; veja como vivia

    Uma cobra que rastejou pelo território brasileiro há até 85 milhões de anos está ajudando cientistas a entender como esses animais viviam quando os dinossauros ainda dominavam o planeta.

    Batizada de Tametara mirim, a espécie ganhou atenção dos pesquisadores após a descoberta de um fóssil em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O exemplar surpreendeu, sobretudo, pelo ótimo estado de conservação do crânio e de parte do esqueleto.

    A descoberta aparece no estudo “Exceptional brain and ecological diversity in the earliest snakes”, publicado em julho na revista científica Nature. A pesquisa reuniu cientistas de diferentes instituições e contou com a participação de pesquisadores brasileiros.

    Além disso, o material abriu uma oportunidade rara. Os cientistas conseguiram investigar uma região que dificilmente deixa vestígios depois de milhões de anos: o cérebro.

    Para isso, a equipe utilizou microtomografias computadorizadas de alta resolução. Dessa forma, conseguiu reconstruir estruturas internas do crânio e analisar características do cérebro, dos nervos cranianos e do ouvido interno da serpente.

    Cobra brasileira vivia debaixo da terra

    A Tametara mirim viveu entre 75 milhões e 85 milhões de anos atrás, durante o período Cretáceo. Pesquisadores encontraram o fóssil em 2020 no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente.

    O exemplar conserva parte do crânio e mais de 100 vértebras articuladas. Portanto, os cientistas tiveram acesso a uma quantidade de informações incomum para uma serpente tão antiga.

    “Trata-se de uma das serpentes mais antigas conhecidas e melhor preservadas, sendo o primeiro fóssil articulado de serpente encontrado no País”, explicou Annie Hsiou, professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, ao Jornal da USP.

    A boa conservação do material também permitiu que a equipe estudasse estruturas internas sem destruir o fóssil. Para isso, os pesquisadores recorreram à microtomografia computadorizada.

    Foi justamente essa análise que revelou uma das principais surpresas da pesquisa.

    Características do cérebro, do ouvido interno e da estrutura dos ossos indicam que a Tametara estava adaptada a escavar e passar boa parte da vida no subsolo. Os cientistas chamam animais com esse comportamento de fossoriais.

    Cérebro revelou como a cobra vivia

    Reprodução do vídeo com a cobra

    O crânio preservado se tornou uma das peças centrais da pesquisa. Afinal, fósseis de serpentes antigas geralmente aparecem fragmentados, o que limita a quantidade de informações disponíveis.

    Neste caso, porém, os pesquisadores conseguiram avançar.

    “Essa qualidade de preservação nos permite responder a perguntas que simplesmente não podem ser respondidas se você não tiver as partes certas do corpo preservadas”, afirmou Tiago Simões, paleobiólogo da Universidade de Princeton e principal autor do estudo, em entrevista à Science News.

    A reconstrução mostrou que o cérebro da Tametara apresentava diferenças em relação tanto a outras serpentes primitivas quanto às espécies atuais.

    Além disso, características do telencéfalo, do ouvido interno e da microestrutura dos ossos reforçaram a hipótese de uma vida subterrânea.

    Os cientistas, então, compararam a cobra brasileira com outra espécie antiga: a Dinilysia patagonica, encontrada na Argentina.

    Embora as duas tenham vivido durante o Cretáceo, elas aparentemente adotavam estratégias diferentes. Enquanto as características da Tametara apontam para hábitos subterrâneos, a Dinilysia apresenta sinais compatíveis com um modo de vida não fossorial.

    Essa diferença trouxe uma nova pista sobre a evolução das serpentes.

    Descoberta muda visão sobre primeiras cobras

    Durante décadas, pesquisadores tentaram responder a uma pergunta aparentemente simples: onde viviam as primeiras cobras?

    Uma das hipóteses relacionava características marcantes desses animais à adaptação para viver debaixo da terra. Por outro lado, pesquisadores também discutiram possíveis origens ligadas a ambientes aquáticos ou à vida sobre a superfície.

    Agora, a Tametara ajuda a mostrar uma história mais complexa.

    “Nós reformulamos o antigo debate sobre os fatores ecológicos por trás da origem das cobras”, afirmou Simões ao Museu de História Natural de Los Angeles.

    Segundo o pesquisador, as evidências indicam que as serpentes já apresentavam uma diversidade ecológica e neuroanatômica considerável há cerca de 80 milhões de anos.

    Portanto, esses animais provavelmente não seguiram apenas uma estratégia de sobrevivência durante as primeiras etapas de sua evolução.

    O estudo publicado na Nature reforça justamente essa interpretação. Os autores apontam que a evolução inicial das serpentes envolveu mudanças complexas no uso do habitat e também na ecologia sensorial.

    Assim, a diversidade entre as cobras antigas pode ter sido muito maior do que os fósseis conhecidos anteriormente sugeriam.

    Ela dividia espaço com dinossauros

    Preparação da cobra para pesquisa,

    O mundo da Tametara mirim também era completamente diferente daquele encontrado hoje no interior paulista.

    Na região que atualmente corresponde a Presidente Prudente, grandes dinossauros herbívoros de pescoço longo dividiam o ambiente com crocodilos, aves primitivas e outros animais.

    Enquanto esses gigantes ocupavam a superfície, a pequena serpente provavelmente encontrava proteção no subsolo.

    O fóssil preservado mede 41,9 centímetros. Entretanto, o animal completo era maior, pois os pesquisadores não encontraram toda a coluna e a cauda.

    Seu tamanho modesto, porém, contrasta com a importância científica da descoberta.

    Isso porque o exemplar brasileiro oferece aos cientistas uma rara janela para uma época em que as serpentes já começavam a explorar diferentes ambientes e desenvolver estratégias próprias de sobrevivência.

    Além disso, a descoberta mostra como fósseis encontrados no Brasil podem ajudar a responder questões sobre a evolução de animais que hoje vivem praticamente em todo o planeta.

    Há dezenas de milhões de anos, enquanto enormes dinossauros caminhavam pela superfície do que hoje é o Brasil, uma pequena cobra já havia encontrado uma estratégia bastante diferente para sobreviver: desaparecer debaixo da terra.

  • Vídeo de sucuri coberta de carrapatos no Pantanal viraliza; entenda

    Vídeo de sucuri coberta de carrapatos no Pantanal viraliza; entenda

    Um vídeo de uma sucuri-amarela coberta de carrapatos ganhou repercussão nas redes sociais e despertou a curiosidade de milhares de internautas. O guia de turismo e produtor de conteúdo do Pantanal Brazil, Zé Mineiro, registrou a serpente com diversos carrapatos concentrados na cauda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

    https://www.instagram.com/p/DbS1_yaRvqa/

    Apesar da aparência incomum para quem desconhece o comportamento desses animais, especialistas garantem que a cena integra a dinâmica natural do ecossistema. Embora esses parasitas estejam normalmente associados aos mamíferos, diversas espécies também utilizam aves e répteis como hospedeiros, entre eles lagartos, jabutis, jacarés e outras espécies de serpentes

    Escamas finas favorecem a fixação dos carrapatos

    A anatomia da sucuri facilita a instalação dos parasitas. Os carrapatos costumam se fixar em regiões onde as escamas são mais finas ou onde a pele apresenta pequenas dobras, o que facilita a perfuração e a alimentação. Esses pontos específicos do corpo, como a região da cauda, oferecem menos resistência para a picada e permitem que o parasita permaneça grudado por mais tempo.

    A quantidade expressiva de carrapatos observada no vídeo levanta uma pista sobre o comportamento recente do animal. Pela quantidade de parasitas observada, a serpente provavelmente permaneceu fora da água por um período prolongado, o que favoreceu o acúmulo dos carrapatos. Como a sucuri-amarela tem hábitos semiaquáticos, quanto mais tempo ela passa em terra, maior a exposição a esses aracnídeos.

    Como a sucuri elimina os parasitas sozinha

    A própria fisiologia da serpente trabalha a favor do controle da infestação. Ao mergulhar e permanecer submersa por períodos longos, o animal consegue se livrar de parte dos carrapatos, mesmo eles sendo bastante resistentes. Ainda assim, as serpentes seguem sujeitas à ação desses parasitas.

    A troca de pele, processo chamado de ecdise, funciona como um segundo mecanismo de limpeza. Durante a renovação da pele, muitos carrapatos saem junto com a camada antiga. Embora alguns parasitas firmemente fixados possam permanecer no animal até completarem a alimentação ou se soltarem por conta própria.

    Mesmo com o impacto causado pelas imagens, pesquisadores da fauna silvestre não classificam o episódio como raridade. Apesar de a cena causar estranhamento no público leigo, é comum que sucuris sejam parasitadas por carrapatos. A sucuri-amarela (Eunectes notaeus), símbolo do Pantanal sul-mato-grossense, segue como uma das espécies mais suscetíveis a esse tipo de infestação sazonal, sem que isso indique risco à saúde do animal.

  • Cobras exóticas são encontradas vivas em encomenda postal

    Cobras exóticas são encontradas vivas em encomenda postal

    Três cobras exóticas foram apreendidas após serem encontradas vivas dentro de uma encomenda postal em uma unidade dos Correios de Cambé, no Norte do Paraná.

    Os animais foram descobertos durante uma inspeção de rotina realizada com o auxílio de um aparelho de raio-X, que identificou movimentação suspeita dentro da embalagem.

    Segundo a Polícia Ambiental, as serpentes pertencem à espécie Corn Snake, originária da América do Norte.

    Como as cobras foram encontradas

    A encomenda havia sido postada na cidade de Umuarama, no Noroeste do Paraná, e tinha como destino um endereço em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

    Ao identificar imagens incomuns durante a inspeção, funcionários dos Correios acionaram a Polícia Ambiental para averiguar o conteúdo da remessa.

    Dentro do pacote, os agentes encontraram três serpentes acondicionadas em recipientes plásticos.

    Leia mais: Milho com fungo vale R$ 400 e vira iguaria no México

    Espécie é exótica no Brasil

    De acordo com a Polícia Ambiental, as serpentes apreendidas pertencem à espécie Corn Snake, nativa da América do Norte.

    Close-up portrait photo of a corn snake on a white background
    A cobra-do-milho é uma espécie norte-americana que subjuga sua presa por constrição — Foto: National Zoo

    A corporação informou que a criação e a comercialização desses animais são proibidas no Brasil sem autorização dos órgãos ambientais competentes.

    Espécies exóticas introduzidas fora de seu habitat natural podem causar impactos ambientais e representar riscos à fauna local caso sejam soltas na natureza.

  • Conheça a serpente temida na Ilha das Cobras no litoral paulista

    Conheça a serpente temida na Ilha das Cobras no litoral paulista

    A Ilha da Queimada Grande, localizada entre Itanhaém e Peruíbe, no litoral de São Paulo, ganhou fama internacional por abrigar a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie endêmica considerada uma das serpentes mais perigosas do planeta. No entanto, a chamada Ilha das Cobras também é lar de outra serpente bem menos conhecida: a dormideira (Sibynomorphus mikanii), uma espécie inofensiva que se alimenta principalmente de lesmas e caracóis.

    Além disso, a Queimada Grande é considerada a segunda ilha com maior densidade populacional de cobras do mundo. O local é o único habitat natural da jararaca-ilhoa. Já a dormideira também ocorre no continente e, segundo pesquisadores, apresenta poucas diferenças visíveis em relação aos exemplares encontrados fora da ilha.

    De acordo com o pesquisador do Instituto Butantan, Otavio Marques, a presença da dormideira desperta interesse científico porque, ao contrário da jararaca-ilhoa, a espécie não sofreu mudanças aparentes durante o período de isolamento geográfico.

    Segundo o pesquisador, seus hábitos noturnos e a alimentação baseada em lesmas permitiram que a serpente encontrasse na ilha condições muito semelhantes às existentes no continente. Dessa forma, a espécie manteve características praticamente inalteradas ao longo do tempo.

    Dormideira pode ser encontrada em hortas e áreas úmidas

    Conforme informações do Instituto Butantan, a dormideira é uma serpente de pequeno porte, terrestre e com hábitos predominantemente noturnos. Além disso, ela é totalmente inofensiva aos seres humanos.

    Sua dieta é composta principalmente por lesmas e caracóis, motivo pelo qual a espécie costuma ser encontrada em hortas, áreas de cultivo e locais com vegetação úmida, ambientes comuns em diversas propriedades rurais.

    Cobra dormideira na Ilha da Queimada Grande, entre Itanhaém e Peruíbe, SP — Foto: Instituto Butantan

    A serpente não possui veneno. Em contrapartida, desenvolveu adaptações específicas no crânio e na mandíbula que permitem retirar moluscos de dentro das conchas sem quebrá-las, característica que chama a atenção dos pesquisadores.

    Jararaca-ilhoa desenvolveu peçonha mais potente após isolamento

    Enquanto a dormideira costuma passar despercebida, a jararaca-ilhoa permanece como a principal protagonista da Ilha da Queimada Grande. Segundo o biólogo Eric Comin, a espécie figura entre as serpentes mais peçonhentas e perigosas do mundo.

    “Ela é uma jararaca de coloração meio esverdeada com tom voltado ao amarelo. Com isso, ela tem uma camuflagem muito boa”, disse Comin.

    A origem da espécie está diretamente relacionada ao isolamento geográfico provocado pela elevação do nível do mar há aproximadamente 11 mil anos. Com a formação da ilha, uma população ancestral de jararacas ficou separada do continente e passou a evoluir de forma independente.

    “Nesse isolamento, ela teve que caçar aves do continente que vão até a ilha. Para ela caçar essas aves, se ela pica a ave e a peçonha não é forte, a ave voa, vai embora e cai em outro lugar”, acrescentou o biólogo.

    Jararaca-ilhoa na Ilha da Queimada Grande, conhecida como 2ª com maior densidade de cobras do mundo — Foto: João Rosa

    Com o passar das gerações, a espécie desenvolveu uma peçonha cada vez mais eficiente para capturar aves, que representam a maior parte de sua alimentação. Assim, a seleção natural favoreceu indivíduos capazes de imobilizar rapidamente suas presas.

    “Dentro desse isolamento geográfico […] a peçonha dela se potencializou de uma tal forma que a partir do momento que ela dava o bote, a ave já morria e ficava no galho”, completou Comin.

    Por isso, a Ilha da Queimada Grande se tornou um dos mais importantes laboratórios naturais para estudos sobre evolução, adaptação de espécies e biodiversidade, temas de grande relevância para a conservação dos ecossistemas brasileiros.

  • Cobras invasoras colocam espécie rara em risco

    Cobras invasoras colocam espécie rara em risco

    A presença de cobras invasoras nas Ilhas Pitiusas, no Mediterrâneo, tem preocupado pesquisadores e ambientalistas. Um estudo recente revelou que a chamada cobra-ferradura passou a nadar em mar aberto para alcançar pequenos ilhéus onde ainda sobrevivem populações raras de lagartos endêmicos.

    O comportamento foi registrado em áreas próximas de Ibiza e Formentera, na Espanha. Segundo os cientistas, a expansão da espécie já ameaça o equilíbrio ecológico da região e pode causar impactos irreversíveis na biodiversidade local.

    Como as cobras chegaram às ilhas?

    Pesquisadores acreditam que as serpentes chegaram às Ilhas Baleares escondidas em oliveiras ornamentais importadas da Península Ibérica no início dos anos 2000.

    Na época, o número de indivíduos era pequeno e não gerava grande preocupação. No entanto, a situação mudou rapidamente. Em 2010, as cobras ocupavam menos de 5% de Ibiza. Já em 2016, estavam presentes em cerca de 40% da ilha.

    Hoje, segundo o biólogo Oriol Lapiedra, do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais (CREAF), a espécie já domina mais de 90% do território de Ibiza.

    Além disso, os pesquisadores descobriram que as serpentes não dependem mais de transporte acidental para chegar a novos locais. Vídeos e registros de campo confirmaram que elas conseguem nadar até ilhéus próximos em busca de alimento.

    Os cientistas acreditam que a escassez de presas em algumas regiões de Ibiza fez com que as cobras passassem a procurar novos ambientes, especialmente áreas isoladas onde os lagartos ainda vivem sem grandes defesas naturais.

    A cobra-ferradura é uma serpente não peçonhenta que se espalhou rapidamente pelas ilhas do Mediterrâneo — Foto: Parque Biológico Gaia

    Avanço ameaça lagartos raros

    A pesquisa aponta que diversos fatores ajudam na rápida expansão da cobra-ferradura pelo Mediterrâneo:

    • Grande capacidade de adaptação ao ambiente;
    • Alta oferta de alimento nos ilhéus menores;
    • Ausência de predadores naturais;
    • Facilidade de deslocamento entre pequenas ilhas.

    Os impactos já são considerados graves. Em algumas ilhotas, populações inteiras de lagartos desapareceram poucos anos após a chegada das serpentes.

    Um dos casos mais preocupantes ocorreu em Santa Eulària, onde dezenas de cobras foram capturadas entre 2023 e 2025.

    Desequilíbrio ecológico preocupa cientistas

    Além da redução drástica dos lagartos, os pesquisadores alertam para consequências ambientais em cadeia. Esses répteis desempenham funções importantes no ecossistema, como dispersão de sementes, polinização de flores e controle natural de insetos.

    Sem eles, o equilíbrio ecológico das ilhas pode ser comprometido.

    Entre os principais impactos apontados pelos cientistas estão:

    • Extinção local de espécies únicas de lagartos;
    • Alterações na cadeia alimentar;
    • Desequilíbrio ambiental nas ilhas;
    • Aumento do risco de pragas agrícolas.

    Diante da ameaça, autoridades ambientais iniciaram programas emergenciais para proteger as espécies restantes. Alguns lagartos ameaçados foram levados para o Zoológico de Barcelona, onde participam de projetos de reprodução em cativeiro.

    Apesar disso, especialistas reconhecem que eliminar totalmente as cobras invasoras é uma tarefa extremamente difícil. Por enquanto, os esforços estão concentrados em conter a expansão da espécie e preservar os ilhéus considerados essenciais para a biodiversidade mediterrânea.

  • Cobra-coral rara impressiona biólogo com cores surreais no Pantanal

    Cobra-coral rara impressiona biólogo com cores surreais no Pantanal

    As cores vibrantes de uma cobra-coral verdadeira chamaram a atenção do biólogo e guia do projeto Onçafari, Maurício Abib, durante um encontro raro em Miranda, no Mato Grosso do Sul. O profissional compartilhou o registro nas redes sociais para marcar o encerramento da temporada de grande aparição de serpentes no Pantanal.

    Segundo Abib, o vídeo havia sido gravado há algum tempo, mas ele decidiu publicá-lo apenas agora. Na postagem, ele destacou o comportamento pacífico do animal, apesar da fama perigosa da espécie. “Uma das serpentes mais peçonhentas do mundo, e uma das mais dibouinhas também, só quer paz”, escreveu.

    O biólogo atua na base do Onçafari localizada no Refúgio Ecológico Caiman e revelou que já encontrou a espécie apenas duas vezes desde 2018. De acordo com ele, os avistamentos ocorreram em períodos anteriores à seca no Pantanal.

    “Esse padrão de cores é surreal, hipnotizante, e demonstra que o animal não quer ser importunado por ninguém. Comedora assídua de outras serpentes, tem papel importante no controle dos parentes distantes”, afirmou.

    https://www.instagram.com/reel/DYpCz0kS3Nm/?igsh=NHQ3aTdiM2drMTM=

    Espécie rara e extremamente venenosa

    Conforme informações do Instituto Butantan, a cobra-coral verdadeira costuma permanecer escondida sob folhas, troncos ou até enterrada. Por isso, os encontros com o animal são considerados incomuns. Em geral, ela sai do esconderijo principalmente para caçar ou durante o período reprodutivo.

    Apesar de não apresentar comportamento agressivo, a espécie é considerada uma das mais perigosas do país devido ao veneno potente. Uma picada pode provocar sintomas graves rapidamente, entre eles visão borrada, queda das pálpebras, paralisia muscular e até parada respiratória em casos extremos.

    Enrolar a ponta da cauda é um comportamento de defesa da coral-verdadeira — (Foto: Instituto Butantan)

    Ainda assim, especialistas reforçam que a serpente não costuma atacar seres humanos espontaneamente. Na maioria das situações, ela reage apenas quando é pisada, encurralada ou manipulada.

    Predadora silenciosa de outras cobras

    A alimentação da cobra-coral também chama atenção. O principal alvo da espécie são outras serpentes, incluindo falsas-corais e até exemplares menores da própria família. Além disso, ela também se alimenta de lagartos, anfíbios e pequenos roedores.

    Para capturar as presas, a serpente utiliza o olfato para rastrear os movimentos. Em seguida, ela morde e mantém o ataque até que o veneno faça efeito. Esse comportamento faz da cobra-coral uma importante aliada no equilíbrio ambiental e no controle populacional de outras espécies no Pantanal.

  • Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Imagine só: uma cobra que passa o dia inteiro enrolada num galho a 15 metros de altura, tem o corpo verde com manchas brancas, barriga amarela e, quando filhote, é alaranjada. Parece criação de roteirista, mas a cobra-papagaio é real, vive nas florestas tropicais da América do Sul e carrega uma série de características que deixam até os especialistas impressionados. Além disso, ela não precisa de veneno para matar.

    Uma cobra de visual impactante e nome à altura

    Seu nome científico é Corallus batesii e ela pertence à família Boidae, a mesma das jiboias e sucuris. No Brasil, ganhou o apelido de cobra-papagaio por razão óbvia: sua coloração intensa em verde e amarelo lembra diretamente a ave mais tradicional do país. Mais precisamente, boa parte do corpo é verde com manchas brancas e o ventre é amarelo, segundo o Instituto Butantan.

    Em termos de tamanho, não há como ignorá-la. A cobra-papagaio pode chegar a até 2 metros de comprimento, o que a coloca entre as serpentes de porte médio-grande do continente. Apesar da aparência imponente, ela não é peçonhenta, ou seja, não possui veneno. Mas isso não significa que seja inofensiva para as suas presas.

    Sem veneno, mas com técnica mortal

    A ausência de veneno não representa nenhuma desvantagem para a cobra-papagaio na hora de caçar. Ela adota a mesma estratégia das sucuris e jiboias: a constrição. A serpente se enrola em torno da presa e aperta com força suficiente para impedir a respiração, matando o animal antes de devorá-lo. Eficiente, silenciosa e mortal, sem precisar inocular uma única gota de toxina.

    Com hábitos noturnos, a cobra-papagaio desce ao solo ao anoitecer para caçar marsupiais como gambás, roedores, morcegos e até algumas aves. Durante o dia, o comportamento é completamente diferente: ela sobe e permanece imóvel nos galhos mais altos, em repouso e camuflada. Suas pupilas verticais são adaptadas para enxergar melhor no escuro e regular a luminosidade.

    A cobra-papagaio muda de cor conforme cresce para garantir camuflagem perfeita em cada etapa da vida — (Foto: Divulgação/Instituto Butantan)

    A vida nas alturas: o hábito que mais surpreende

    Enquanto a maioria das cobras raseja pelo chão, a cobra-papagaio escolheu outro endereço. Ela é mais comumente encontrada no topo de grandes árvores, chegando a se instalar por horas em galhos a alturas de 12 a 15 metros, de acordo com o Instituto Butantan. Esse comportamento arborícola é raro entre as serpentes e contribui muito para o fascínio que a espécie desperta.

    A cobra-papagaio é endêmica de regiões com alta umidade arbórea, especialmente a floresta amazônica, e pode ser encontrada no Brasil, Peru, Suriname, Guiana, Colômbia, Venezuela e Equador. Em casos excepcionais, também aparece em áreas mais secas como savanas ou florestas secas de outras partes da América do Sul, sobretudo em períodos de seca, quando desce ao solo em busca de água.

    Uma cobra que muda de cor ao longo da vida

    Talvez a característica mais surpreendente da cobra-papagaio seja a transformação que ela passa ao longo do ciclo de vida. Quando filhote, ela não tem nada de verde. Nessa fase, possui coloração alaranjada para se disfarçar nos galhos finos e mais baixos das árvores, onde ainda não consegue subir. Conforme cresce e passa a habitar as partes mais altas das copas, a coloração vai se transformando progressivamente. À medida que se tornam adultas e alcançam as partes com folhagem, ficam cada vez mais verdes para se camuflar entre as folhas.

    Essa adaptação cromática ao longo da vida é uma estratégia sofisticada de sobrevivência. Cada fase do desenvolvimento exige uma camuflagem diferente porque o ambiente acessível ao animal muda conforme ele cresce. Nenhuma cor é aleatória: cada tom é uma resposta precisa ao ambiente e ao estágio de vida da serpente.

    Para quem se interessa por fauna silvestre, a cobra-papagaio é um lembrete de que a Amazônia ainda guarda animais cuja biologia rivaliza com qualquer ficção científica. Bela, letal à sua maneira e capaz de se reinventar ao longo da vida, ela é uma das joias menos conhecidas da biodiversidade brasileira.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • Megaoperação contra tráfico de animais silvestres resgata mais de mil espécies

    Megaoperação contra tráfico de animais silvestres resgata mais de mil espécies

    Uma operação conjunta entre o Ibama, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) e órgãos ambientais de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais desmantelou uma das maiores redes de tráfico de animais silvestres do Brasil. A ação resultou na apreensão de mais de mil animais – incluindo espécies ameaçadas de extinção – e na prisão de 16 suspeitos.

    A megaoperação cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em 12 cidades dos quatro estados. Entre os locais fiscalizados estavam residências, clínicas veterinárias e cativeiros clandestinos.

    Os investigados faziam parte de uma organização criminosa altamente estruturada, que atuava na venda ilegal de animais silvestres pela internet. Segundo as autoridades, o grupo utilizava grupos de mensagens com mais de 20 mil membros para negociar espécies nativas e exóticas, como:

    • Onças-pardas (filhotes e adultos)
    • Araras-canindé, tucanos e outras aves ameaçadas
    • Macacos, serpentes e aranhas
    • Axolotes (espécie de salamandra mexicana em risco de extinção).

    Além disso, os criminosos falsificavam documentos para legalizar a venda e usavam contas bancárias de laranjas para lavar dinheiro.

    Como funcionava o esquema de tráfico

    De acordo com o delegado Guilherme Dias, responsável pela investigação, a organização operava em células especializadas:

    • São Paulo: Centralizava a distribuição nacional
    • Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais: Abasteciam as regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

    Os animais eram transportados de diferentes formas:

    • Aplicativos de transporte e caminhoneiros (para entregas regionais)
    • Serviços postais (para espécies menores).

    Impacto ambiental e destino dos animais resgatados

    A bióloga Jéssica Jasinski, do Instituto Água e Terra (IAT), alertou que o tráfico causa desequilíbrio ecológico, especialmente quando envolve espécies ameaçadas, como uma espécie de arara criticamente em perigo no Paraná.

    Foto: Divulgação/Ibama

    Os animais resgatados passam por avaliação veterinária e, quando possível, são reintroduzidos na natureza. Os que necessitam de cuidados permanecem em santuários e centros de reabilitação.

    Lista de cidades onde os mandados foram cumpridos

    Penas podem chegar a 25 anos de prisão

    Os presos respondem por:

    • Tráfico de animais silvestres
    • Maus-tratos
    • Falsificação de documentos
    • Lavagem de dinheiro
    • Associação criminosa

    As penas somadas podem ultrapassar 25 anos de detenção.

    Esta operação reforça a articulação entre órgãos ambientais e policiais no combate ao tráfico de animais, um crime que movimenta bilhões anualmente no mercado ilegal. O Ibama destacou que novas fases da investigação estão em andamento para desarticular outros núcleos do esquema.

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  • Serpentes: saiba porque a surucucu-pico-de-jaca tem esse nome

    Serpentes: saiba porque a surucucu-pico-de-jaca tem esse nome

    A surucucu-pico-de-jaca é uma espécie solitária, de hábitos crepusculares e noturnos, encontrada em florestas densas da América Central e América do Sul, incluindo a Amazônia e remanescentes da Mata Atlântica no Brasil. Com comprimento que pode ultrapassar três metros, ela é considerada a maior cobra peçonhenta das Américas, sendo superada em tamanho apenas pela cobra-rei asiática.

    Mas porque ela tem esse nome? Por gostar de jaca? O vídeo publicado por Gabriel Souza, conhecido no Instagram como @gabrielnucleo, esclarece um dos maiores mitos sobre a surucucu-pico-de-jaca. Gabriel, que é referência em conteúdo sobre serpentes e atua como co-CEO do Serpentário NSG, utiliza sua plataforma para desmistificar informações e promover o conhecimento sobre a fauna silvestre brasileira.

    No conteúdo, Gabriel explica que o nome popular “pico de jaca” não tem relação com cheiro ou alimentação da serpente, como muitos acreditam. A surucucu, cujo nome científico é Lachesis muta, não se alimenta de jaca, pois é uma espécie carnívora, predadora de pequenos e médios mamíferos, como roedores, cutias e esquilos. O termo “pico de jaca” faz referência direta ao aspecto das escamas da serpente adulta. Elas apresentam textura pontiaguda e áspera, muito semelhante à casca da fruta jaca. Essa característica visual é tão marcante que inspirou o nome popular da espécie, reforçando a relação entre a natureza e a cultura local.

    Estratégia de caça

    Gabriel também destaca em seu vídeo que a surucucu costuma ser encontrada sob árvores frutíferas, não apenas jaqueiras. Essa estratégia faz parte de seu comportamento de predação: a serpente aguarda pacientemente a queda dos frutos, atraindo roedores e outros pequenos animais, que se tornam suas presas. Assim, a surucucu integra de forma eficiente a cadeia alimentar das florestas tropicais brasileiras, mostrando a complexidade do ecossistema onde vive.

    Além de compartilhar conhecimento científico, Gabriel Nogueira G. Souza utiliza sua experiência como resgatista de fauna silvestre e instrutor para polícias e bombeiros, ampliando o alcance de informações confiáveis sobre serpentes e contribuindo para a conservação desses animais muitas vezes incompreendidos. Portanto, sua atuação nas redes sociais é fundamental para combater mitos e promover o respeito à biodiversidade brasileira.

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