Tag: Selo Arte

  • Doce de leite com frutas do Cerrado: agroindústria de Bonito recebe certificação nacional

    Doce de leite com frutas do Cerrado: agroindústria de Bonito recebe certificação nacional

    O doce de leite produzido no Assentamento Santa Lúcia, em Bonito, agora pode chegar a qualquer estado brasileiro. A Agroindústria Pé da Serra recebeu o Selo Arte para cinco variedades do produto, certificação que permite a comercialização em todo o território nacional.

    O secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), entregou os certificados ao lado do secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, e do coordenador de Pecuária, Marivaldo Miranda.

    Diferente de outras certificações, o Selo Arte pertence ao produto, não ao estabelecimento. A legislação, criada em novembro de 2019, permite que alimentos artesanais de origem animal com inspeção municipal vendam para todo o Brasil, desde que atendam aos padrões sanitários exigidos. A certificação preserva a identidade do produto artesanal e garante a procedência da matéria-prima.

    Em Mato Grosso do Sul, a Semadesc e a Iagro respondem pela certificação. O estado já conta com 24 produtos certificados, incluindo linguiça de Maracaju, torresmo, manteiga ghee, queijo meia cura e diferentes tipos de doce de leite.

    Família produz 100 litros por dia em propriedade de 16 hectares

    A Agroindústria Pé da Serra conquistou o selo para o doce de leite tradicional (claro e escuro) e para as versões com jeracatiá, guavira e umbu, frutas típicas do Cerrado regional.

    A produtora Noêmia Nogueira dos Santos, 58 anos, comanda o negócio com os dois filhos em uma área de 16 hectares, dividida entre fruticultura e atividade leiteira. A família trabalha atualmente com 20 vacas em lactação, que produzem cerca de 100 litros de leite por dia.

    “Comecei a produzir leite há cerca de 15 anos. No início, caminhávamos sem orientação e sem saber como colocar o produto no mercado”, relembra Noêmia. A virada veio com o apoio de entidades como Iagro e Senar em Bonito. “Hoje conquistamos o Selo Arte. É uma gratidão muito grande.”

    A produção atual gira entre 60 e 70 potes por dia, vendidos apenas em Bonito. “Agora quero vender para fora e, com esse selo, vou conseguir”, destaca a produtora, que também fabrica geleias regionais como acerola com pimenta, jabuticaba, manga e combinações com frutas do Cerrado.

    Certificação exigiu três anos de adequações

    O processo para obter o Selo Arte contou com acompanhamento técnico do Senar/MS e durou cerca de três anos. A especialista em certificação Emylia Gabriella explica que a formalização começou por demanda da Vigilância Sanitária.

    Foto: Mairinco de Pauda/ Semadesc

    “Primeiro regularizamos pelo consórcio de inspeção e, depois, protocolamos o pedido do Selo Arte. Fizemos adequações estruturais, ajustes de fluxo e análises dos produtos, sempre com orientação da Iagro”, detalha.

    O secretário Jaime Verruck destacou a parceria entre poder público e produtor rural durante a entrega da certificação. “Sabemos do esforço que existe por trás de cada conquista. O processo é longo e exige dedicação, mas quando há comprometimento, os resultados aparecem. O mérito é seu.”

    Rogério Beretta complementa: “Com essa habilitação, a Agroindústria Pé da Serra passa a integrar o grupo de empreendimentos sul-mato-grossenses aptos a levar produtos artesanais de origem animal para além das fronteiras estaduais, agregando valor à produção familiar e fortalecendo a economia regional.”

  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Parceria promete turbinar produtividade de pequenas agroindústrias brasileiras

    Parceria promete turbinar produtividade de pequenas agroindústrias brasileiras

    Uma parceria estratégica firmada nesta quarta-feira (6) entre o Sebrae e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) promete revolucionar o cenário das pequenas agroindústrias brasileiras. O acordo tem como meta aumentar a produtividade em até 20% e beneficiar inicialmente cerca de 2,5 mil estabelecimentos rurais em todo o país.

    A iniciativa foca no fortalecimento do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI) e do Selo Arte, instrumentos fundamentais para que pequenos produtores possam comercializar seus produtos em escala nacional com qualidade e segurança garantidas.

    Inclusão e desenvolvimento sustentável no campo

    “O mercado não foi feito para os pequenos, por isso precisa de processos protetivos e principalmente de políticas de um estado social”, destacou Décio Lima, presidente do Sebrae, durante o evento de assinatura do acordo. “Essa parceria é justamente para garantir a inclusão da pequena agricultura e o desenvolvimento da economia dos pequenos dentro dessa lógica de poder ter longevidade e fazer escala no mercado.”

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    A parceria surge em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Atualmente, o SISBI possui 3.526 estabelecimentos registrados, mas apenas 1.061 estão habilitados para comercialização nacional através do cadastro geral SISBI-POA. O novo acordo visa ampliar significativamente esse número.

    Capilaridade e tecnificação: a fórmula do sucesso

    O Sebrae atuará nos serviços de inspeção municipal dos aproximadamente 800 consórcios existentes no país, promovendo a adesão ao SISBI e simplificando processos burocráticos. A estratégia aproveita a reconhecida capilaridade da instituição para chegar até os pequenos produtores.

    “O selo SISBI garante a inspeção, a qualidade do alimento e, com isso, sua comercialização em todo o território nacional”, explicou o ministro Carlos Fávaro. “O Sebrae, com sua capilaridade, acessa esses empreendedores para que possam atender às novas demandas, conquistar o Selo Arte e gerar mais oportunidades no meio rural.”

    Formalização e inserção na economia global

    Um dos principais objetivos da parceria é combater a informalidade no setor. “Queremos fazer com que as pequenas agroindústrias possam se formalizar para se inserir inclusive no contexto da globalização econômica”, enfatizou Décio Lima.

    Carlos Fávaro e Décio Lima apostam na capilaridade do Sebrae para ampliar o atendimento. Foto: Maicon Felipe./Sebrae

    O diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick, ressaltou o potencial transformador da iniciativa: “Só tem uma coisa que segura o filho do produtor no campo: a industrialização da sua produção. Isso vai mudar a pequena agricultura no Brasil.”

    A parceria fortalecerá diversos programas já existentes:

    • Selo Arte: Reconhece produtos artesanais de origem animal e já conta com mais de 2 mil registros
    • Indicações Geográficas (IG): 139 reconhecimentos em todo o país que valorizam identidade regional
    • Programa Mais Leite Saudável: Foca na profissionalização do setor leiteiro
    • Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite: Visa elevar padrões de qualidade

    Números que impressionam

    O impacto da parceria pode ser dimensionado pelos números do Sebrae no campo. Nos últimos dois anos, a instituição realizou cerca de 1,1 milhão de atendimentos em parceria com mais de 250 mil produtores rurais.

    As propriedades de agricultura familiar representam dados expressivos na economia nacional:

    • 23% do valor bruto da produção agropecuária brasileira
    • 67% das ocupações no campo
    • Aproximadamente 10,1 milhões de trabalhadores empregados

    Para o ministro Fávaro, a parceria representa uma oportunidade única de democratizar o acesso ao mercado nacional. “A partir do selo de inspeção instalado nos municípios, o Ministério passará a ter, por intermédio do Sebrae, acesso direto aos empreendimentos rurais. Ninguém tem mais capilaridade e competência para qualificar e prepará-los para agregar valor ao produto.”

    A iniciativa promete não apenas aumentar a produtividade, mas também fortalecer as economias locais, reduzir desigualdades e criar novas oportunidades de desenvolvimento sustentável no meio rural brasileiro.

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  • Empreendedorismo: jovem transforma herança em queijaria certificada

    Empreendedorismo: jovem transforma herança em queijaria certificada

    João Paulo de Assis Caixeta, de Ibiá (MG), encontrou no legado familiar o caminho para empreender. O produtor acaba de obter o registro oficial do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para sua queijaria Realeza do Jersey. Com a certificação, o Queijo Minas Artesanal (QMA) agora pode ser vendido em todo o Brasil, graças também ao Selo Arte.

    A região de Araxá, da qual Ibiá faz parte, é referência na produção de QMA. “Recebemos suporte da Emater-MG desde a elaboração até a construção da queijaria. O apoio técnico foi fundamental”, destaca João Paulo. O trabalho envolveu treinamento em boas práticas, rotulagem e orientação sobre bovinocultura.

    Segundo Rayanne Soalheiro de Souza, coordenadora técnica da Emater-MG, a regularização segue etapas rígidas, considerando as necessidades de cada produtor. Já Lilian Cristina Andrade de Araújo, especialista da Rede de Queijos Artesanais da Emater-MG, lembra que o selo de inspeção assegura qualidade e procedência, além de garantir a venda nacional.

    Foto: Divulgação/Emater-MG

    A produção começou informalmente há mais de cinco anos. A família vendia queijos para amigos e vizinhos. Agora, com a habilitação sanitária, João Paulo espera aumentar a produção, disputar concursos e alcançar novos mercados.

    Sucessão, tradição e inovação

    A inspiração veio da bisavó, famosa por seus queijos. Incentivado pelos pais, João Paulo deixou um emprego em uma multinacional para apostar no negócio, começando em uma pequena queijaria de quatro metros quadrados. Hoje, ao lado da esposa, Ádila Caixeta, ele produz cerca de 40 queijos semanais, todos com 14 dias de maturação. Novos testes devem chegar a 30 e 60 dias em breve. Por mês, a produção já ultrapassa 200 quilos, com vendas em Ibiá, Nova Ponte e Uberaba.

    Os queijos trazem sabor que remete à memória afetiva da família. O diferencial dos produtos está no leite de vacas Jersey, além do cuidado com o bem-estar animal. Os animais vivem em ambiente sombreado e tranquilo. A fazenda investe em coleta seletiva de lixo e esterqueira líquida.

    A Realeza do Jersey participa ainda do Projeto Queijo Minas Legal, que busca ampliar a qualidade e o número de queijarias regularizadas em Minas Gerais.

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  • Queijos artesanais de Santa Catarina ganham reconhecimento

    Queijos artesanais de Santa Catarina ganham reconhecimento

    Santa Catarina se destaca no cenário nacional pela produção de queijos artesanais únicos, resultado de tradição, qualidade e inovação. A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) atua diretamente na valorização desses produtos, auxiliando produtores na qualificação, legalização e comercialização.

    Três queijos artesanais catarinenses já possuem regulamentação e certificações que garantem qualidade e origem:

    • Queijo Artesanal Serrano – possui Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) e Indicação Geográfica (IG) na região Campos de Cima da Serra.
    • Kochkäse – queijo cozido típico de Blumenau, com RTIQ e em processo para obter IG.
    • Queijo Diamante – produzido em Major Gercino, já conta com Selo Arte e busca IG.

    A Indicação Geográfica, concedida pelo INPI, assegura que o produto tem características únicas, influenciadas pelo clima, relevo e técnicas locais. “A IG protege o nome do produto e garante que apenas produtores da região, seguindo padrões de qualidade, possam usá-lo”, explica Telma Tatiana Köene, coordenadora do Programa Gestão de Negócios e Mercados da Epagri.

    Já o Selo Arte, regulamentado em 2020, permite a venda em todo o Brasil. Atualmente, 82 queijos catarinenses possuem essa certificação.

    Capacitação e concurso estadual elevam padrão de qualidade

    A Epagri oferece cursos e assistência técnica para aprimorar a produção. Em 2024, 1,7 mil famílias receberam orientações, e 2,1 mil pessoas participaram de capacitações.

    Cursos gratuitos oferecidos pela Epagri qualificam as famílias rurais na produção de queijos. Foto: Epagri

    Além disso, o Concurso Estadual de Queijos Artesanais se tornou um marco para o setor:

    • 2023 (Lages): 138 queijos avaliados, com 68 medalhas distribuídas.
    • 2024 (Rio do Sul): 172 queijos inscritos, 110 premiados.

    “Os produtores ganham visibilidade, e os que não medalham recebem feedbacks para melhorar”, destaca Telma.

    Sucesso na prática: Queijaria Semprebom

    José Carlos Semprebom, de Nova Veneza, viu sua produção crescer após vencer o concurso em 2023. Sua queijaria, inaugurada em 2022, produz mil quilos de queijo por mês, todos com Selo Arte, e atrai turistas interessados em degustar os produtos.

    “A Epagri foi essencial, desde os cursos até a legalização do negócio”, afirma José Carlos, que mantém a tradição herdada dos avós italianos.

    Com feiras, simpósios e apoio contínuo da Epagri, os queijos artesanais de Santa Catarina conquistam cada vez mais espaço no mercado, unindo tradição, inovação e qualidade reconhecida.

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