Tag: segurança rural

  • Tecnologia reforça combate a incêndios em canaviais

    Tecnologia reforça combate a incêndios em canaviais

    As queimadas na cana representam um dos principais desafios para a produção sucroenergética. Além de comprometerem a produtividade, elas colocam em risco trabalhadores, comunidades vizinhas e o meio ambiente. Nesse cenário, investimentos em prevenção, monitoramento e resposta rápida ganham cada vez mais importância para reduzir os impactos do fogo nas lavouras.

    A bp bioenergy informou que, entre 2019 e 2025, reduziu em 50% o número de incêndios registrados nas regiões próximas às suas 11 unidades agrícolas. No mesmo período, a área atingida pelo fogo caiu 77%, enquanto o tempo médio de resposta às ocorrências foi reduzido em 66%.

    Segundo a empresa, os resultados são consequência do Programa Brigada 4.0, criado em 2019 para integrar ações de prevenção, detecção e combate a incêndios nas áreas agrícolas. Desde então, mais de R$ 100 milhões foram investidos na iniciativa.

    Tecnologia amplia prevenção contra queimadas na cana

    O combate às queimadas na cana começa antes mesmo do surgimento das chamas. Por isso, a bp bioenergy ampliou as tecnologias voltadas à identificação precoce dos focos de incêndio durante a safra 2025/26.

    Além disso, a empresa atualizou o sistema de monitoramento em oito unidades. A equipe revisou as áreas de cobertura e instalou novos equipamentos em pontos estratégicos. Com isso, aumentou a capacidade de detecção e reduziu áreas com baixa visibilidade.

    Segundo o diretor agrícola da bp bioenergy, Rogério Bremm, a empresa definiu as melhorias após analisar os aprendizados acumulados nas últimas safras.

    “Esse trabalho nos permitiu ampliar a cobertura das imagens, reduzir pontos com menor visibilidade e aumentar significativamente a confiabilidade das informações utilizadas pelas equipes em campo. Quanto mais rápida e precisa é a identificação de um foco, maior também é nossa capacidade de resposta”, afirma.

    O sistema combina inteligência artificial com câmeras térmicas de alta definição instaladas em torres de monitoramento distribuídas pelas 11 unidades. Os equipamentos identificam colunas de fumaça em poucos segundos e monitoram um raio de até 50 quilômetros. Além disso, funcionam durante a noite e também sob neblina.

    SmartHub, centro integrado de monitoramento da bp bioenergy em São José do Rio Preto (SP) – Foto: Divulgação/ bp bioenergy

    Em seguida, o sistema envia todas as informações ao SmartHub, centro integrado de monitoramento localizado em São José do Rio Preto (SP). A equipe acompanha a operação agrícola durante 24 horas por dia e aciona imediatamente as brigadas responsáveis pelo combate aos incêndios.

    Dessa forma, o tempo de resposta diminui. Ao mesmo tempo, a operação reduz os impactos ambientais e operacionais provocados pelo fogo.

    Conectividade fortalece o combate aos incêndios

    A conectividade também desempenha papel importante na estratégia de prevenção. Para isso, a empresa expandiu sua infraestrutura digital nas regiões onde atua.

    Hoje, o projeto utiliza a rede 4G da TIM por meio de 98 torres instaladas nas áreas agrícolas. Assim, as equipes acessam informações em tempo real e conseguem tomar decisões com mais rapidez durante as ocorrências.

    Segundo a companhia, a cobertura alcança aproximadamente 3 milhões de hectares. Além disso, o sinal permanece disponível para usuários da operadora nas regiões atendidas.

    Capacitação reforça a atuação das brigadas

    A tecnologia, sozinha, não resolve o problema. Por esse motivo, a empresa também investe na qualificação permanente das equipes de combate ao fogo.

    Desde o fim de 2025, a bp bioenergy passou a realizar internamente o treinamento dos brigadistas. Para isso, supervisores e lideranças operacionais participam de uma formação com cerca de 70 horas. O conteúdo reúne técnicas de prevenção, combate e condução dos treinamentos.

    Capacitação interna prepara brigadistas para atuar com mais agilidade e segurança na prevenção e no combate a incêndios – Foto: Divulgação/bp bioenergy

    Desde fevereiro deste ano, os 22 multiplicadores formados pela companhia já capacitaram mais de 750 brigadistas. Além disso, a expectativa é treinar aproximadamente 900 profissionais por ano.

    Segundo Bremm, essa mudança aproxima os treinamentos da realidade enfrentada pelas equipes.

    “Quando a formação é conduzida por profissionais que conhecem profundamente os desafios e procedimentos da própria operação, o aprendizado se torna mais aderente à prática. Isso fortalece a preparação das equipes e contribui para decisões mais rápidas e assertivas durante as ocorrências”, destaca.

    Programa reúne tecnologia, estrutura e equipes

    Atualmente, o Programa Brigada 4.0 conta com mais de 1.050 brigadistas. Além disso, a estrutura inclui 97 caminhões-bombeiro com jatos de água automatizados, 16 caminhões-pipa e 12 caminhões-tanque.

    Segundo a empresa, a combinação entre tecnologia, conectividade e capacitação fortalece a prevenção. Como resultado, a operação reduz a área atingida pelo fogo, acelera o combate aos incêndios e amplia a segurança no campo.

    Por fim, Bremm afirma que a prevenção precisa fazer parte da gestão permanente das operações agrícolas.

    “Cada melhoria implementada aumenta nossa capacidade de antecipar riscos e responder com mais precisão quando necessário. Esse é um trabalho permanente, que combina tecnologia, preparo das equipes e aprendizado em campo para tornar nossas operações cada vez mais seguras e responsáveis”, conclui.

  • Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    Entenda por que a classificação do PCC e do CV como terroristas preocupa o agronegócio

    A decisão dos EUA de enquadrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode ampliar os riscos jurídicos e financeiros para empresas brasileiras. No agronegócio, a preocupação envolve principalmente cadeias produtivas ligadas a insumos, combustíveis, logística, armazenagem e financiamento.

    O anúncio partiu do Departamento de Estado dos EUA na quinta-feira (28). As duas facções receberam a classificação de Terroristas Globais Especialmente Designados e passam a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de junho.

    Embora a medida não represente um bloqueio automático aos produtos do agro brasileiro, ela aumenta o nível de fiscalização sobre empresas que mantenham relações, mesmo indiretas, com fornecedores, distribuidoras de combustíveis, transportadoras ou estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

    Além disso, investigações recentes apontam que organizações criminosas vêm ampliando sua atuação em atividades econômicas formais e semiformais. Em diversos casos, essas operações acabam se relacionando com empresas legítimas do setor agropecuário, muitas vezes sem que elas tenham conhecimento da ligação criminosa.

    Mercado de defensivos preocupa autoridades

    Uma das áreas consideradas mais vulneráveis é a de insumos agrícolas. Segundo dados da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgados em abril de 2026, produtos falsificados e contrabandeados já podem representar até 20% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil.

    Além disso, o volume de agrotóxicos apreendidos em rodovias federais alcançou 127 toneladas em 2025, mais que o dobro das 62,9 toneladas registradas em 2024.

    Da mesma forma, as apreensões realizadas pela Receita Federal apresentaram crescimento expressivo. Entre 2020 e 2025, o valor dos produtos irregulares confiscados aumentou 55%, atingindo R$ 16,4 milhões.

    Logística rural entra no radar

    A expansão das facções para o interior do país também preocupa entidades ligadas ao setor. Por isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu, em 2025, a votação de um pacote de medidas voltadas à segurança rural.

    Na ocasião, a bancada destacou que o meio rural passou a ter importância estratégica para grupos criminosos devido à intensa movimentação econômica, ao fluxo de cargas e à menor presença do Estado em determinadas regiões.

    Além disso, rotas fundamentais para o escoamento de commodities agrícolas frequentemente atravessam áreas com forte influência de organizações criminosas. Essas mesmas rodovias são utilizadas para o transporte de drogas em direção aos portos brasileiros e, posteriormente, para outros continentes, especialmente a Europa.

    Em alguns casos, as facções utilizam estruturas de empresas de logística aparentemente regulares para realizar essas operações. Um dos exemplos citados pelas autoridades é a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Federal em 2025.

    Como a decisão dos EUA pode afetar empresas brasileiras

    A reação de Washington pode ocorrer em diferentes frentes. A principal delas é a financeira.

    Com a designação como Terroristas Globais Especialmente Designados, pessoas e empresas norte-americanas ficam proibidas de realizar negócios com indivíduos, empresas ou estruturas ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho. Além disso, ativos sob jurisdição dos Estados Unidos podem ser bloqueados.

    Na prática, uma empresa brasileira não precisa possuir sede nos EUA para sentir os efeitos da medida. Caso seja incluída em listas de sanções ou mantenha relações comerciais relevantes com pessoas ou empresas sancionadas, poderá enfrentar dificuldades em operações realizadas em dólar.

    Por consequência, também podem surgir restrições impostas por bancos correspondentes, perda de acesso ao crédito internacional e obstáculos para manter contratos com compradores submetidos às regras norte-americanas.

    Exportações podem sofrer maior fiscalização

    O impacto tende a ser ainda mais significativo nas cadeias voltadas à exportação.

    Nesse cenário, tradings, agroindústrias, cooperativas, transportadoras, distribuidoras de combustíveis e fornecedores de insumos poderão passar por análises mais rigorosas de bancos, seguradoras e compradores internacionais.

    O objetivo dessas instituições é evitar qualquer vínculo, direto ou indireto, com empresas que possam ser associadas a organizações classificadas pelos EUA como terroristas.

    Risco penal também aumenta

    Por outro lado, a nova classificação abre espaço para a aplicação das normas norte-americanas relacionadas ao apoio material a organizações terroristas.

    Isso não significa que uma empresa será automaticamente responsabilizada por contratar um fornecedor que venha a ser investigado posteriormente. No entanto, a legislação dos EUA exige avaliação de fatores como o conhecimento prévio sobre a ligação com a organização designada ou sobre a atividade terrorista.

    Ainda assim, a medida aumenta a exposição de empresas que não consigam comprovar processos adequados de seleção e monitoramento de fornecedores e prestadores de serviços.

    Cadeias contaminadas podem gerar prejuízos

    Mesmo sem sofrer sanções formais, empresas inseridas em cadeias produtivas contaminadas podem ter contratos revisados por bancos, seguradoras, tradings e compradores globais.

    Dessa forma, situações como a compra de defensivos falsificados, o uso de combustíveis comercializados por redes investigadas, a contratação de transportadoras ligadas ao crime organizado ou a exportação de cargas contaminadas em portos passam a representar pontos de atenção para autoridades e agentes financeiros.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.