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  • Dia Mundial da Água: iniciativas circulares fortalecem segurança hídrica no Brasil

    Dia Mundial da Água: iniciativas circulares fortalecem segurança hídrica no Brasil

    Neste Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o Brasil reforça a urgência de combater a crise hídrica: 48% dos municípios já enfrentaram problemas de abastecimento nos últimos anos, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Diante desse cenário, iniciativas circulares em setores como indústria, agronegócio e projetos sociais emergem como soluções-chave para preservar recursos hídricos. Confira exemplos que unem inovação e impacto positivo:

    Indústria: Lwart reduz consumo de água em 7% com reúso inteligente

    A Lwart Soluções Ambientais destaca-se na gestão hídrica com práticas que evitam a contaminação de rios e promovem eficiência. Um projeto de reúso permite reaproveitar água de processos fabris para lavagem de equipamentos, reduzindo 7% do consumo total. Além disso, a empresa trata 97% de seus efluentes, devolvendo água com qualidade superior às exigências legais.

    “A sustentabilidade é o coração do nosso negócio. Ao evitar a contaminação e otimizar o uso da água, protegemos ecossistemas e comunidades”, afirma Aylla Kipper, presidente da AMBIOLUC e Head de Sustentabilidade da Lwart.

    A empresa também evita danos ao rerrefinar Óleo Lubrificante Usado (OLUC): 1 litro desse resíduo pode poluir 1 milhão de litros de água.

    Agronegócio: PepsiCo corta 27% do uso de água na lavoura de batata

    No campo, a PepsiCo implementou um programa de boas práticas com produtores de batata em cinco estados. Resultados da safra 2023/2024 mostram:

    • 27% menos água usada em lavadores (vs. 2019/2020);
    • 83% dos lavadores reaproveitam água do processo;
    • 72% das fazendas captam água da chuva.

    No Paraná e São Paulo, sistemas de irrigação por aspersão e fertirrigação garantem eficiência em áreas de declive. Desse modo, são evitadas perdas de recursos hídricos com o vento e obtêm-se uma melhor uniformidade da irrigação. Também é possível unir a fertirrigação, garantindo uma distribuição mais eficiente dos insumos agrícolas.

    Bahia: Fundação Norberto Odebrecht recupera 10 nascentes e 472 hectares de mata ciliar

    Na Bahia, o Programa PDCIS, da Fundação Norberto Odebrecht, recuperou 10 nascentes e 472 hectares de mata ciliar em 2024, protegendo rios e aquíferos. A vegetação atua como filtro natural, reduzindo poluentes como agrotóxicos.

    “Proteger a água é essencial à vida. Em 2025, vamos plantar 200 mil árvores e distribuir kits de captação de água”, afirma Alexandre Baltar, superintendente da Fundação.

    Além disso, 119 famílias receberam sistemas de captação de água da chuva, e 95 propriedades rurais adotaram fossas sépticas ecológicas. “Antes, o esgoto ia direto para o rio. Agora, tratamos tudo aqui”, conta Marcos Jesus dos Santos, jovem beneficiário do programa.

    Óleo de cozinha vira insumo biodegradável e evita contaminação

    A ADN Bio transforma óleo vegetal residual em desengraxantes e saneantes biodegradáveis, combatendo um dos maiores vilões da poluição hídrica: 1 litro de óleo descartado na pia contamina 25 mil litros de água.

    “Cada litro coletado é um passo para preservar rios e reduzir químicos na indústria”, diz Adriana Machado, fundadora da empresa. O projeto “Coletar para Transformar” já engajou escolas e comunidades, ensinando sobre descarte correto.

    “A água é um recurso finito. Só com ações integradas entre setores evitaremos colapsos”, conclui Laís Caldas, engenheira ambiental da ADN Bio.

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  • Conheça os benefícios das barragens subterrâneas

    Conheça os benefícios das barragens subterrâneas

    As barragens subterrâneas vêm revolucionando o Semiárido brasileiro, transformando áreas historicamente secas e improdutivas em solos aptos para a agricultura familiar. Essa tecnologia social, desenvolvida pela Embrapa Solos, gerou impactos econômicos significativos, proporcionando um acréscimo anual de mais de R$ 7.361,10 por hectare aos agricultores que adotaram a prática.

    Além do benefício financeiro direto, a tecnologia também contribui para a recuperação ambiental e o fortalecimento da segurança hídrica na região, destacando-se como uma solução sustentável para a convivência com o clima árido.

    Segundo um estudo realizado pela Embrapa entre 2006 e 2023, cada real investido em barragens subterrâneas retornou R$ 2,27 à sociedade. Agricultores que implementaram a tecnologia observaram um aumento médio de 375 kg na produção anual, resultando em uma renda excedente que ultrapassa os R$ 7 mil por hectare.

    Esse crescimento econômico é impulsionado pela conversão de áreas antes improdutivas em solos agrícolas, permitindo a produção de alimentos para consumo próprio e comercialização. Atualmente, cerca de 3.050 barragens subterrâneas já foram instaladas em propriedades familiares no Semiárido nordestino, beneficiando diretamente pequenos agricultores.

    Como funciona a barragem subterrânea

    A barragem subterrânea utiliza lonas plásticas enterradas a profundidades de 3 a 5 metros, formando uma barreira que impede o escoamento da água da chuva. Isso mantém o solo úmido por até cinco meses após o período chuvoso, tornando-o apto para o cultivo de alimentos e forragem para animais.

    Essa tecnologia permite o cultivo contínuo em áreas que antes permaneciam improdutivas durante boa parte do ano. Em algumas localidades, as barragens subterrâneas possibilitam produções durante todo o ano, inclusive em períodos de estiagem prolongada.

    Entre os cultivos mais comuns estão milho, feijão, hortaliças e frutas, além de plantas forrageiras como palma e capim. Além disso, a tecnologia possibilita a criação de pequenos rebanhos de gado leiteiro, aves e porcos, que complementam a renda das famílias.

    Estudo de viabilidade e retorno econômico

    O estudo conduzido pela Embrapa avaliou a viabilidade econômica da tecnologia em dois cenários:

    • Com subsídios: Agricultores que investiram cerca de R$ 20 mil, com apoio governamental ou de ONGs, recuperaram o valor investido em aproximadamente três anos.
    • Sem subsídios: Aqueles que financiaram a construção de barragens subterrâneas de forma independente, com um custo médio de R$ 27 mil, tiveram o retorno do investimento em quatro anos.

    Em ambos os casos, a Taxa Interna de Retorno (TIR) foi superior à inflação oficial do país, comprovando a atratividade econômica do projeto.

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    Além do impacto econômico, as barragens subterrâneas promovem a recuperação ambiental de áreas degradadas. A retenção de água no solo reduz a erosão, evita a lixiviação de nutrientes e melhora a qualidade do solo, tornando-o mais produtivo.

    A valorização dos terrenos onde as barragens são instaladas é outro benefício observado. As propriedades que utilizam a tecnologia social têm se tornado referência na produção sustentável e na resiliência ao clima árido.

    Projeto GuardeÁgua: um novo passo para a sustentabilidade

    Para ampliar o impacto das barragens subterrâneas, a Embrapa e parceiros lançaram o Projeto GuardeÁgua, uma iniciativa que busca desenvolver sistemas de manejo mais eficientes para a água, o solo e os cultivos. Com início em 2023 e previsão de conclusão em 2026, o projeto inclui a criação de uma plataforma digital para auxiliar agricultores na escolha de locais ideais para a instalação das barragens.

    Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, líder do projeto, o objetivo é fortalecer a sustentabilidade dos agroecossistemas com barragens subterrâneas, reduzindo a dependência das famílias de políticas públicas compensatórias.

    Nas áreas onde a tecnologia está em pleno funcionamento, os agricultores cultivam uma ampla variedade de produtos, como milho, feijão, mandioca, hortaliças e frutas tropicais. Além disso, a criação de gado leiteiro, aves e outros animais complementa a renda das famílias.

    Em períodos de chuva, muitos agricultores conseguem excedentes para comercialização, como ovos, leite e até sementes crioulas. Alguns casos relatam rebanhos de até 30 cabeças de gado e criações de 50 aves, reforçando a importância da barragem para a segurança alimentar e econômica.

    A importância das barragens subterrâneas no semiárido brasileiro

    O Semiárido brasileiro, que abrange 38 municípios em Alagoas e outras áreas do Nordeste, enfrenta desafios como chuvas irregulares e alta evapotranspiração. Tecnologias sociais, como as barragens subterrâneas, têm se mostrado fundamentais para promover a inclusão produtiva e a autonomia das famílias agricultoras.

    A cientista Maria Sonia destaca que, embora a tecnologia já esteja consolidada, sua eficiência depende de suporte técnico e do uso de práticas agrícolas adequadas. A partir de iniciativas como o Projeto GuardeÁgua, espera-se que a adoção das barragens subterrâneas continue crescendo, trazendo benefícios econômicos, sociais e ambientais para o Semiárido.

    As barragens subterrâneas representam uma solução inovadora e sustentável para os desafios do Semiárido brasileiro. Além de gerar renda para os agricultores, a tecnologia melhora a qualidade de vida e promove a sustentabilidade ambiental na região.

    Com iniciativas como o Projeto GuardeÁgua, a expectativa é de que mais famílias sejam beneficiadas, contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar, a segurança hídrica e a resiliência climática no Semiárido.

    https://www.youtube.com/watch?v=ayz9uhFTRrc