Tag: segurança energética

  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • Energia solar reforça segurança energética no agro

    Energia solar reforça segurança energética no agro

    A busca por eficiência energética e redução de custos no campo ganha espaço na Expocitros 2026, em Cordeirópolis, interior de São Paulo, com a participação da Azzon Energia Solar. A empresa apresenta soluções voltadas à geração de energia limpa e ao armazenamento energético, com foco na segurança operacional das propriedades rurais e na diminuição da dependência de geradores a diesel.

    Fundada em 2018 pelo engenheiro eletricista Lucas Fernandes, a Azzon nasceu com a proposta de oferecer atendimento especializado e soluções completas em energia fotovoltaica. Além disso, a empresa aposta em tecnologia para atender diferentes perfis de produtores rurais. Com experiência no setor elétrico desde 2012, incluindo atuação na GE no desenvolvimento de produtos para hidrelétricas, petroleiras e energia eólica, Fernandes identificou a demanda crescente por alternativas energéticas mais econômicas e sustentáveis no agronegócio.

    Durante a Expocitros, a empresa destaca sistemas de energia solar e também o BESS (Battery Energy Storage System), tecnologia de armazenamento de energia em baterias que garante o fornecimento energético em situações de queda de energia.

    “O sistema serve para trabalhar nos momentos em que falta energia, trazendo segurança energética para o produtor”, afirma Lucas Fernandes, CEO da Azzon Energia Solar.

    Segundo ele, o sistema armazena energia em baterias e auxilia diretamente operações essenciais da fazenda, como irrigação, bombeamento e demais estruturas elétricas da produção agrícola.

    “Se a luz acabar, o BESS está ali para suprir tudo isso. Se tem energia solar, ela carrega o BESS. Caso não tenha energia da rede, ele continua ali para ajudar”, explica.

    Tecnologia reduz dependência de diesel no campo

    A proposta da empresa é substituir gradualmente o uso de geradores movidos a diesel, comuns em propriedades rurais que sofrem com oscilações ou interrupções no fornecimento de energia elétrica.

    “A gente trouxe essa solução justamente para que o produtor não dependa mais de gerador a diesel. Estamos falando de meio ambiente, de lavouras, de agricultura”, destaca Fernandes.

    Além da questão ambiental, o executivo ressalta que a tecnologia elimina problemas relacionados ao armazenamento e transporte de combustível. Dessa forma, também reduz a emissão de gases poluentes.

    “É um sistema que veio para revolucionar a energia no campo”, afirma.

    A energia solar também surge como alternativa para reduzir os custos fixos das propriedades. De acordo com a empresa, os sistemas fotovoltaicos possuem longa durabilidade, com eficiência estimada em até 25 anos, além de baixa necessidade de manutenção.

    Equipe Azzon na Expocitros – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Mesmo em dias nublados, os painéis seguem produzindo energia, já que utilizam os raios solares que atravessam as nuvens. Além disso, a manutenção preventiva deve ocorrer cerca de duas vezes por ano, principalmente em regiões com grande concentração de poeira ou fuligem.

    Outro ponto destacado pela Azzon é a possibilidade de compensação energética prevista na Lei 14.300/2022. A regulamentação permite que créditos de energia gerados em uma unidade consumidora sejam utilizados em outros imóveis do mesmo titular e dentro da mesma concessionária.

    Solução atende pequenos e grandes produtores

    O custo-benefício do sistema varia conforme o dimensionamento realizado para cada propriedade. Ainda assim, a empresa avalia que o investimento substitui despesas frequentes com diesel, manutenção de geradores e perdas provocadas por falhas energéticas.

    “Basicamente, ele troca a conta do gerador, daquele diesel, daquela manutenção e das várias vezes que o produtor perdeu algum insumo ou produção porque o gerador não funcionou”, afirma o CEO.

    Segundo Fernandes, a economia gerada e a estabilidade no fornecimento de energia contribuem diretamente para a continuidade das operações agrícolas e para a proteção da produção.

    Além dos benefícios financeiros, o sistema também amplia a segurança energética das propriedades rurais. Com isso, o produtor consegue manter equipamentos e estruturas funcionando mesmo em situações de interrupção no fornecimento de energia.

    A Azzon atende produtores de diferentes portes e aposta no crescimento da demanda por soluções energéticas sustentáveis no campo.

    “A Azzon Energia está aqui no campo para trazer solução e segurança para o produtor rural”, finaliza Lucas Fernandes.

  • Como a cana-de-açúcar pode garantir energia limpa durante a seca

    Como a cana-de-açúcar pode garantir energia limpa durante a seca

     

    A bioeletricidade produzida a partir do bagaço de cana-de-açúcar emerge como alternativa estratégica para garantir o abastecimento energético brasileiro durante períodos críticos de estiagem. Estudo coordenado pela Embrapa, em parceria com instituições internacionais, demonstra que essa fonte renovável pode complementar as hidrelétricas justamente quando os reservatórios atingem níveis alarmantes.

    Durante a estação seca, quando a geração hidrelétrica despenca devido à queda nos níveis dos reservatórios, a energia da cana entra em cena para suprir o sistema elétrico nacional. O diferencial está no timing: a colheita da cana coincide exatamente com o período de estiagem no Centro-Sul do país.

    Além disso, a bioeletricidade pode ser gerada durante a noite, complementando a energia solar fotovoltaica, que tem seu pico de produção apenas durante o dia. Essa sinergia fortalece a matriz energética brasileira e reduz o risco de instabilidade no fornecimento.

    Emissões baixíssimas em ciclo renovável

    Pesquisa publicada na revista científica Renewable Energy revela que a bioeletricidade do bagaço apresenta pegada de carbono de aproximadamente 0,227 kg de CO₂ equivalente por kWh. O número é significativamente inferior ao das termelétricas a diesel, que podem emitir até 1,06 kg de CO₂ equivalente por kWh.

    O aspecto mais relevante é que essas emissões não adicionam carbono novo à atmosfera. A cana absorve CO₂ durante a fotossíntese, transformando-o em biomassa. Quando o bagaço é queimado para gerar energia, libera apenas parte do carbono previamente capturado, enquanto novas plantações já reiniciam o ciclo de absorção.

    “A bioeletricidade do bagaço se mostra uma fonte renovável de baixíssimo impacto em emissões, ao mesmo tempo em que fortalece a diversificação e a resiliência da matriz elétrica brasileira”, afirma Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP).

    Alerta: vulnerabilidades ameaçam potencial estratégico

    Apesar do potencial promissor, o estudo internacional publicado na revista Environmental Advances, conduzido pela Embrapa em parceria com a Universidade das Nações Unidas e a Universidade de Bonn, identifica gargalos estruturais que podem comprometer a contribuição da bioeletricidade em momentos críticos.

    Entre os principais desafios estão:

    • Infraestrutura hídrica insuficiente: a escassez de barragens para armazenamento de água da chuva limita a capacidade de enfrentar estiagens prolongadas, resultado de falta de crédito e dificuldades no licenciamento ambiental.
    • Baixo investimento em irrigação: a dependência excessiva das chuvas aumenta a vulnerabilidade dos canaviais em regiões cada vez mais afetadas por variações climáticas.
    • Seguros agrícolas frágeis: a proteção contra secas não reflete os riscos reais enfrentados pelos produtores, deixando-os expostos a prejuízos severos.
    • Ausência de sistemas de alerta precoce: a falta de mecanismos robustos de monitoramento impede respostas rápidas e eficazes diante de cenários de risco.

    “A bioeletricidade da cana tem um papel único porque sua produção coincide exatamente com o período de estiagem, quando a geração hidrelétrica cai. Mas, para mantermos essa contribuição estável, precisamos enfrentar as fragilidades estruturais e institucionais que ainda limitam o setor”, defende Bufon.

    Soluções para fortalecer o setor sucroenergético

    A pesquisa aponta caminhos concretos para reduzir riscos e aumentar a resiliência do setor:

    • Expansão da irrigação em áreas estratégicas
    • Modernização e digitalização dos sistemas de irrigação existentes
    • Aprimoramento de estratégias de manejo hídrico integrado
    • Fomento a políticas públicas de incentivo ao setor
    • Estímulo à inovação e difusão tecnológica
    Foto: Leandro dos Santos Morais/Embrapa

    Bufon ressalta que muitas dessas soluções já estão em desenvolvimento nas pesquisas da Embrapa. “Nosso foco é contribuir para uma agricultura climaticamente inteligente, que não apenas aumente a produtividade, mas também fortaleça a capacidade de adaptação às mudanças climáticas e contribua para a redução das emissões de gases de efeito estufa”, explica.

    Bioeletricidade e agricultura climaticamente inteligente

    As medidas propostas se alinham ao conceito de Agricultura Climaticamente Inteligente, que busca conciliar três objetivos: elevar de forma sustentável a produtividade agrícola, fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

    A bioeletricidade da cana vai além do setor energético, conectando-se a uma agenda mais ampla de sustentabilidade e segurança alimentar. Ao utilizar resíduos agrícolas para gerar energia, o setor contribui para a economia circular e fortalece a bioeconomia, reduzindo a dependência de fontes fósseis.

    Como um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo, o Brasil possui vantagens comparativas únicas para consolidar a bioeletricidade como parte central da matriz elétrica. O avanço dependerá, no entanto, de investimentos contínuos em infraestrutura, inovação tecnológica e políticas públicas integradas de longo prazo.

    “Quando as hidrelétricas reduzem sua geração, as termelétricas a biomassa de cana assumem papel decisivo para garantir a estabilidade do sistema elétrico. É um recurso firme, capaz de oferecer suporte confiável justamente nos períodos mais críticos do ano”, reforça Bufon.

    Para o pesquisador, o setor sucroenergético pode desempenhar papel decisivo não apenas no fornecimento de energia, mas também na transição para uma economia de baixo carbono. “Se conseguirmos fortalecer a resiliência da bioeletricidade, estaremos dando um passo importante para garantir a segurança energética do País e para cumprir os compromissos internacionais de mitigação climática”, conclui.

    O estudo foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Universidade das Nações Unidas (Alemanha) e a Universidade de Bonn. O trabalho também integrou o doutorado de Jasmim Zevallos, com participação de Zita Sebesvari e Jakob Rhyner. Os resultados foram publicados na revista científica Environmental Advances (Elsevier).

  • Governo firma acordo para integrar agricultura irrigada e segurança energética

    Governo firma acordo para integrar agricultura irrigada e segurança energética

    Os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), de Minas e Energia (MME) e da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) assinaram, nesta quarta-feira (5), um Acordo de Cooperação Técnica (ACT). Em resumo, o objetivo é fortalecer a integração entre agricultura irrigada e segurança energética. Além disso, a iniciativa está alinhada à Política Nacional de Irrigação (Lei nº 12.787/2013) e busca impulsionar práticas sustentáveis no setor agropecuário.

    O acordo pretende superar desafios como a falta de infraestrutura energética e a baixa adoção de tecnologias modernas. Ou seja, a proposta prioriza ações compatíveis com o Plano ABC+ (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), ampliando a produtividade e gerando empregos. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância do projeto para o desenvolvimento sustentável.

    “Este ACT mostra que o governo tem uma estratégia clara para crescer e gerar oportunidades. Vamos expandir a agricultura irrigada de forma sustentável, promovendo inclusão socioeconômica e segurança energética”, afirmou Fávaro.

    Aliança pelo Desenvolvimento Energético dos Polos e Projetos de Irrigação do Brasil

    Durante o evento, os ministérios também lançaram a Aliança pelo Desenvolvimento Energético dos Polos e Projetos de Irrigação do Brasil. A iniciativa busca ampliar o acesso à energia e incentivar o uso eficiente da irrigação. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou os benefícios da medida para os agricultores.

    “A Aliança garante uma ação concreta para milhões de brasileiros. Vamos levar energia robusta ao campo e incentivar práticas sustentáveis para aumentar a produtividade”, destacou Silveira.

    Atualmente, o Brasil utiliza apenas 8,5 milhões de hectares para irrigação, embora o potencial estimado seja de 54 milhões de hectares, segundo estudos da Esalq/USP e do MIDR. Em geral, a ampliação do setor pode permitir até três safras anuais na mesma área, gerando até 1,2 empregos por hectare irrigado e aumentando a renda dos produtores.

    Além do impacto socioeconômico, a maior oferta de alimentos no mercado tende a estabilizar e reduzir preços, beneficiando a população e reforçando a segurança alimentar. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ressaltou o compromisso do governo com a produção sustentável.

    “Este acordo é resultado do esforço de muitas pessoas dedicadas. Ele reforça o compromisso do governo Lula com a política de irrigação, a produção sustentável e a redução das desigualdades”, afirmou Góes.

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