Tag: segunda safra

  • Soja ganha competitividade apesar de prêmio em baixa

    Soja ganha competitividade apesar de prêmio em baixa

    Os prêmios de exportação do óleo de soja seguem em níveis historicamente baixos, apesar da recuperação observada na última semana. Segundo o Cepea, os valores permanecem entre os menores da série histórica iniciada em junho de 2004.

    O cenário reflete a ampla oferta de óleo de soja na América do Sul. Além disso, a demanda por biodiesel no Brasil continua abaixo das expectativas do mercado. Mesmo com a pressão externa, a queda dos prêmios aumentou a competitividade do óleo brasileiro. Com isso, os embarques ganharam força no mercado internacional. Ao mesmo tempo, esse movimento limitou os efeitos de baixa sobre os preços domésticos.

    Colheita pressiona mercado do milho

    O início da colheita da segunda safra continua pressionando os preços do milho. Compradores atuam tanto no mercado interno quanto nos portos.

    De acordo com o Cepea, as médias parciais de junho, até o dia 18, são as menores do ano em várias regiões produtoras. Os consumidores acompanham o avanço da colheita e mantêm estoques suficientes para o curto prazo. Por isso, muitos agentes adiam novas negociações.

    As recentes quedas dos preços internacionais também reduziram a paridade de exportação. Enquanto isso, vendedores sem necessidade imediata de caixa restringem os negócios. Os produtores que ainda possuem espaço nos armazéns também negociam com cautela.

    El Niño pode afetar próxima safra de milho

    O fenômeno El Niño foi confirmado no Brasil e pode influenciar o desenvolvimento das próximas safras. No Sul, o clima pode elevar os volumes de chuva. Já no Centro-Oeste, o fenômeno pode provocar irregularidade das precipitações e aumento das temperaturas.

    Segundo o Cepea, esse cenário preocupa o setor em um período importante para a safra de verão. No Sul, o excesso de chuva pode prejudicar a semeadura do milho. No Centro-Oeste, atrasos na safra de verão podem comprometer o calendário da segunda safra. Nesse caso, o plantio poderá ocorrer fora da janela considerada ideal.

     

  • Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    O milho safrinha 2025/2026 entra em uma fase decisiva no Sul de Minas Gerais, exigindo atenção redobrada dos produtores diante de desafios que podem impactar diretamente a produtividade das lavouras. A irregularidade das chuvas, o avanço de pragas e os reflexos do plantio realizado fora da janela ideal estão entre os principais fatores de preocupação nesta etapa do ciclo produtivo.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam expectativa de produção de 108,4 milhões de toneladas para a segunda safra de milho no Brasil. Na região sul-mineira, porém, o cenário apresenta diferentes realidades, com lavouras em estágios variados de desenvolvimento devido aos atrasos registrados na colheita da soja, que influenciaram o calendário de semeadura em diversas propriedades.

    Segundo Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, empresa especializada em armazenagem e comercialização de grãos, o momento exige acompanhamento frequente das áreas cultivadas para evitar perdas e garantir melhores resultados na colheita.

    “Cada produtor vive uma realidade diferente nesta safrinha. Quem conseguiu semear dentro da janela adequada tem lavouras mais uniformes e com melhor potencial produtivo. Quem atrasou o plantio precisa estar ainda mais atento ao clima e ao avanço de pragas, porque qualquer descuido nessa fase pode comprometer o resultado final”, afirma.

    Clima e pragas aumentam preocupação no campo

    Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores está a instabilidade climática. A ocorrência irregular de chuvas durante fases importantes da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, pode reduzir significativamente o potencial produtivo, principalmente nas áreas semeadas mais tarde.

    Além disso, as condições de calor e umidade observadas em parte da região favorecem a proliferação de pragas. A lagarta-do-cartucho continua sendo uma das principais ameaças ao milho safrinha, exigindo monitoramento constante e rápida adoção de medidas de controle quando identificada nas lavouras.

    De acordo com Castelli, a combinação entre planejamento e acompanhamento técnico é fundamental para minimizar riscos ao longo do ciclo produtivo.

    “O milho é uma cultura com grande importância econômica para o Sul de Minas. Planejamento, acompanhamento constante e decisões rápidas no campo fazem diferença para que o produtor consiga aproveitar melhor o potencial da safra e as oportunidades de comercialização”, destaca.

    Mercado também requer atenção

    Além dos desafios agronômicos, os produtores acompanham com atenção o comportamento do mercado. A volatilidade dos preços do milho continua sendo influenciada pelo desempenho da segunda safra em âmbito nacional. Fator que pode alterar estratégias de comercialização ao longo dos próximos meses.

    Nesse contexto, especialistas recomendam que o produtor mantenha acompanhamento não apenas das condições das lavouras, mas também das cotações do cereal. A definição do melhor momento para negociar a produção pode contribuir para ampliar a rentabilidade e reduzir impactos provocados pelas oscilações do mercado.

    Com lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento e um cenário ainda dependente das condições climáticas das próximas semanas, a safrinha de milho no Sul de Minas segue cercada de desafios. O acompanhamento técnico permanente e a tomada de decisões rápidas serão determinantes para o desempenho da safra. E para os resultados econômicos obtidos pelos produtores da região.

  • Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    Irrigação inteligente ganha espaço com pressão por alimentos

    A Valley, marca da Valmont Industries, colocou a irrigação no centro do debate sobre o futuro da produção agrícola durante apresentação realizada em 29 de abril de 2026, na Agrishow. Na ocasião, a empresa apontou que o avanço da população mundial e a pressão por alimentos exigem aumento consistente de produtividade. Além disso, destacou que a tecnologia no campo será decisiva para atender essa demanda crescente.

    A análise foi conduzida por Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil, que apresentou o cenário global. Segundo ele, a população mundial deve atingir 10,4 bilhões de pessoas até 2100. Dessa forma, a necessidade de produção agrícola tende a crescer de maneira contínua. Ao mesmo tempo, o consumo de energia também avança. Nesse sentido, as fontes renováveis se destacam pelo crescimento acelerado nas últimas décadas.

    No Brasil, a Valley ressaltou o protagonismo do país no mercado internacional de commodities. Atualmente, o país lidera a produção e exportação de produtos como soja e açúcar. Além disso, ocupa posições relevantes em milho, algodão, etanol e proteína animal. No entanto, o ambiente econômico segue desafiador. Em especial, as margens dos produtores vêm sendo pressionadas entre 2023 e 2025, tanto no Sul quanto no Cerrado.

    Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley no Brasil – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Valley aposta em tecnologia para sustentar crescimento

    A estratégia da Valley, segundo Jonas Proença, diretor de Marketing e Desenvolvimento de Rede da empresa, está diretamente ligada ao aumento de produtividade sem expansão de área. Nesse contexto, o executivo ressaltou que o Brasil saiu de cerca de 1 tonelada por hectare, em 1977, para aproximadamente 4 toneladas por hectare em 2023. Como resultado, o país evitou a abertura de cerca de 230 milhões de hectares.

    Além disso, Proença afirmou que essa evolução deve continuar até 2030. Isso porque o avanço será impulsionado pelo uso intensivo de tecnologia e pela recuperação de áreas degradadas. Dessa maneira, a irrigação ganha protagonismo ao permitir maior eficiência no uso da terra. Ao mesmo tempo, viabiliza múltiplas safras na mesma área.

    Atualmente, o Brasil possui 851,5 milhões de hectares, com predominância de pastagens. Portanto, o crescimento da produção depende mais de eficiência do que de expansão territorial. Nesse cenário, a irrigação surge como ferramenta central para ampliar o uso produtivo das áreas já disponíveis.

    Irrigação inteligente reduz custos e aumenta produção

    As soluções da Valley em irrigação por pivô central foram apresentadas como um dos principais caminhos para enfrentar a variabilidade climática. De acordo com André Stanciola, gerente de Desenvolvimento de Negócios da empresa, a tecnologia permite elevar a produtividade e garantir maior previsibilidade. Além disso, contribui para o uso racional dos recursos naturais.

    Os ganhos são expressivos. Por exemplo, em áreas irrigadas, a produtividade pode aumentar até 100% em frutas. Da mesma forma, culturas como milho e cereais registram crescimento superior a 70%. Já soja, café e cana também apresentam incrementos relevantes. Consequentemente, a irrigação possibilita mais de uma safra na mesma área, o que amplia o retorno econômico ao produtor.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Outro ponto enfatizado pela Valley foi a integração com conectividade. Nesse sentido, sistemas digitais permitem reduzir o uso de água em até 20%. Além disso, o consumo de energia pode cair até 30%. Ao mesmo tempo, a automação reduz a necessidade de mão de obra em até 80%. Com isso, o produtor passa a contar com monitoramento contínuo das operações.

    Por fim, a presença global da Valley também foi destacada. A empresa conta com 375 distribuidores e mais de 548 mil pivôs instalados no mundo. Desse total, cerca de 47% pertencem à marca. Assim, a companhia reforça sua estratégia de consolidar um ecossistema integrado, que combina equipamentos, dados e gestão.

    Diante desse cenário, a Valley indica que deve ampliar sua atuação no Brasil. Para isso, aposta na irrigação inteligente como base para unir produtividade, eficiência e sustentabilidade no agronegócio.

  • Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    O calendário agrícola no Sudoeste de Goiás mudou de lógica: já não se fala mais em “safrinha”, mas em segunda safra como parte essencial da renda do produtor. Em 2026, o ciclo começou sob pressão, com atraso de até 15 dias no plantio e mais nove dias perdidos na colheita por excesso de chuvas em fevereiro, cenário que tirou parte das lavouras da janela ideal. Ainda assim, a expectativa é de recuperação com clima favorável em abril e início de maio, mantendo o potencial produtivo das áreas.

    A avaliação é de Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura, que acompanha de perto a dinâmica da região durante a Tecnoshow Comigo 2026, realizada em Rio Verde. Segundo ele, o produtor conseguiu reagir rapidamente aos imprevistos, reduzindo um atraso superior a 20 dias para cerca de uma semana.

    “O agricultor hoje está muito bem estruturado e equipado. Mesmo com adversidades, ele conseguiu encurtar esse intervalo e manter a operação dentro de um limite aceitável”, afirma.

    O impacto inicial veio do atraso no plantio da soja, provocado por chuvas no início da safra e períodos nublados que prolongaram o ciclo da cultura. Isso empurrou a colheita para além da janela ideal, coincidindo com chuvas intensas na primeira quinzena de fevereiro, período crítico para a retirada dos grãos do campo.

    Segunda safra deixa de ser complemento e vira pilar

    Mais do que um ajuste de calendário, a mudança reflete uma transformação estrutural no agronegócio. A segunda safra deixou de ser uma cultura de cobertura e passou a ser determinante para a rentabilidade anual.

    “O produtor não pensa mais em culturas isoladas. Ele trabalha com um calendário produtivo completo, seja soja e milho ou soja e sorgo. A segunda safra é fundamental para fechar essa conta”, explica Castro.

    Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com custos elevados, especialmente de fertilizantes, a margem do produtor está mais apertada. Nesse contexto, manter produtividade nas duas safras tornou-se condição básica para viabilidade econômica.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento reforçam a relevância do estado no cenário nacional. Goiás deve produzir mais de 36 milhões de toneladas de grãos, ocupando posição de destaque no país, embora com leve recuo na produtividade nesta temporada.

    Pressão de pragas cresce com “ponte verde”

    Outro desafio típico da região é a chamada “ponte verde”, resultado da sucessão contínua de culturas ao longo do ano. Esse cenário favorece a sobrevivência e multiplicação de pragas.

    No milho, a cigarrinha segue como principal preocupação, mas divide espaço com um novo protagonista: o pulgão, que ganhou relevância, especialmente em regiões mais quentes do Cerrado.

    “Hoje, o pulgão já está no mesmo nível de importância da cigarrinha. É uma praga que aparece cedo e exige atenção redobrada”, alerta.

    Para enfrentar esse cenário, a aposta está em tecnologia e inovação. Entre as soluções, o inseticida Efficon se destaca pelo efeito imediato no controle de pragas vetoras, reduzindo a transmissão de doenças como o enfesamento. No campo das doenças, o foco está no controle da Bipolaris, com novos fungicidas baseados na tecnologia Revysol.

    Além da proteção química, a escolha de sementes com genética avançada também é estratégica. Cultivares mais resistentes a estresses climáticos e doenças ajudam a garantir estabilidade produtiva, mesmo em anos adversos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Clima pode aliviar pressão no fim do ciclo

    Apesar dos desafios iniciais, a previsão climática traz alívio. A expectativa é de chuvas dentro da normalidade em abril e início de maio, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras que ficaram fora da janela ideal.

    Esse cenário reforça a importância do manejo integrado e da tomada de decisão baseada em dados, prática cada vez mais comum entre produtores da região.

    Durante a feira, considerada uma das principais vitrines tecnológicas do país, empresas apresentam soluções que vão desde sementes até plataformas digitais de monitoramento, consolidando o evento como referência na difusão de conhecimento técnico.

    “A agricultura é dinâmica e cada região tem sua particularidade. Aqui, a intensidade do sistema produtivo exige soluções específicas e um olhar atento para cada detalhe”, conclui Castro.

    A Tecnoshow segue até o dia 10 de abril, reunindo produtores, técnicos e empresas em busca de alternativas para elevar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica das lavouras.

  • Sorgo impulsiona rentabilidade da segunda safra no Brasil

    Sorgo impulsiona rentabilidade da segunda safra no Brasil

    O sorgo avança nas propriedades brasileiras com foco na segunda safra, ampliando as oportunidades de lucro no campo. A cultura atrai produtores principalmente nas regiões próximas às usinas de etanol e indústrias de ração, que utilizam o grão tanto para biocombustível quanto para alimentação animal.

    Resiliente a períodos de seca, o sorgo adapta-se bem a áreas com baixa disponibilidade hídrica. Apesar de gerar menos palhada que outras culturas, contribui para a formação de matéria orgânica e para a manutenção da fertilidade do solo, aspectos que reforçam a sustentabilidade da lavoura.

    “A produtividade do sorgo cresceu significativamente. Antes, a média girava em torno de 50 sacas por hectare. Hoje, muitos produtores colhem entre 80 e 90 sacas por hectare. Esse avanço ocorre graças ao manejo adequado e ao uso de tecnologias que otimizam a nutrição e a eficiência dos fertilizantes”, destaca Sabrina Coneglian, gerente de Desenvolvimento de Mercado Nacional da Mosaic.

    Expansão do sorgo na segunda safra em Mato Grosso do Sul

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) evidenciam o crescimento do sorgo na segunda safra, principalmente em Mato Grosso do Sul. A área plantada saltou de 137,8 mil para 160,4 mil hectares, um aumento de 16,4% na safra 2025/26.

    Apesar da leve redução na produtividade média — de 4.097 kg/ha para 3.894 kg/ha — a produção total subiu 10,6%, alcançando 624,6 mil toneladas. Essa expansão reflete a adoção crescente de alternativas mais resilientes e versáteis, equilibrando a demanda por alimentação animal e produção de etanol.

    Investir em manejo técnico e soluções nutricionais adequadas permite que o sorgo se imponha como uma alternativa viável, sustentável e rentável para produtores que buscam se adaptar às condições climáticas da safrinha e ampliar a lucratividade.

  • Bionutrição pode impulsionar segunda safra de milho no Cerrado brasileiro

    Bionutrição pode impulsionar segunda safra de milho no Cerrado brasileiro

    O cerrado brasileiro se destaca na produção de milho, especialmente durante o período desafiador da segunda safra, que ocorre de janeiro a março. A escassez de chuvas nesse período provoca estresse hídrico nas plantas, tornando essencial o uso de microrganismos para garantir um desenvolvimento vigoroso e aumentar a tolerância ao estresse hídrico.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de milho na segunda safra 2024/25 atinja 94.631,3 mil toneladas. Isso representa um aumento de 4,8% em relação ao ciclo anterior. A nutrição das culturas com insumos biológicos não apenas promove a sustentabilidade das práticas agrícolas, mas também é uma estratégia vital para incrementar a produtividade e o retorno financeiro dos agricultores.

    Importância da bionutrição

    O déficit hídrico pode afetar vários estágios do desenvolvimento do milho. Especialmente durante a floração e o enchimento dos grãos, resultando em menor produção de carboidratos e redução do volume de matéria seca. “A bionutrição pode ajudar as plantas a se tornarem mais tolerantes ao estresse hídrico”, explica Eduardo Aires, agrônomo sênior da Mosaic Biosciences. O produto forma um gel ao redor do sistema radicular, mantendo as raízes hidratadas por mais tempo.

    Além disso, o microrganismo Azospirillum brasilense tem uma forte afinidade com o milho, auxiliando no crescimento das plantas e na utilização do nitrogênio atmosférico. “Esse microrganismo promove o desenvolvimento do sistema radicular e da parte aérea da planta, permitindo uma melhor absorção de nutrientes e água do solo”, acrescenta Aires.

    Cultivo estratégico

    Os produtores geralmente plantam o milho da segunda safra após colherem a soja no outono e inverno, otimizando a área inicialmente usada para a soja. A associação entre Azospirillum brasilense e Pseudomonas fluorescens aumenta a eficiência dos nutrientes no solo. O Pseudomonas ajuda a liberar fósforo preso no solo, tornando-o disponível para as plantas.

    Os agricultores utilizam soluções de bionutrição formuladas com aminoácidos essenciais para aumentar a produtividade do milho. Essas soluções são aplicadas diretamente nas folhas durante o estado vegetativo, promovendo um crescimento saudável e equilibrado. “O milho acumula reservas durante o ciclo vegetativo que são transferidas para os grãos na fase reprodutiva”, explica Aires.

    A bionutrição se apresenta como uma estratégia inovadora e eficaz para impulsionar a segunda safra de milho no cerrado brasileiro. Com o uso de microrganismos benéficos e práticas sustentáveis, os agricultores podem aumentar sua produtividade e garantir colheitas mais abundantes, contribuindo para um agronegócio mais sustentável e rentável. À medida que as técnicas de manejo evoluem, espera-se que a bionutrição desempenhe um papel ainda mais central na agricultura brasileira.

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  • Produção: segunda safra deve crescer em 2025

    Produção: segunda safra deve crescer em 2025

    A segunda safra tem se tornado cada vez mais relevante na agricultura brasileira. De acordo com a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta terça-feira (14), a produção de milho para a temporada 2024/2025 deve crescer, alcançando 119,6 milhões de toneladas no total das três safras, o que representa um aumento de 3,3% em relação à temporada anterior. A chamada “safrinha” é responsável por cerca de 80% dessa produção.

    No que diz respeito ao algodão, a área cultivada deve alcançar 2 milhões de hectares, com uma produção estimada em 3,7 milhões de toneladas, sendo a maior parte proveniente da segunda safra.

    Para maximizar o potencial produtivo, os produtores devem estar atentos a diversos fatores. Sérgio Zambon, gerente de Desenvolvimento de Tecnologias Brasil da BASF Soluções para Agricultura, enfatiza que o sucesso da segunda safra começa no manejo adequado da safra anterior. “É fundamental evitar altas infestações de pragas como nematoides e mosca branca, além de planejar todas as necessidades do cultivo da safrinha”, afirma Zambon.

    Dicas para aumentar a produtividade

    Zambon recomenda que os agricultores semeiem na melhor janela de plantio e escolham sementes certificadas e tratadas. Além disso, é essencial realizar o manejo adequado de pragas e doenças para evitar perdas. Entre as dicas do especialista estão:

    • Combater a cigarrinha do milho logo no início com produtos eficientes.
    • Escolher produtos de alta qualidade e rotacionar inseticidas, fungicidas e herbicidas para evitar resistência.

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    • Usar fungicidas preventivos com multissítios para proteger a produtividade.
    • Optar por cultivares geneticamente modificados que facilitem o controle de pragas e doenças.

    Manejo do algodão

    No cultivo do algodão, é importante controlar o crescimento excessivo das plantas. “Os reguladores de crescimento ajudam a manter o algodoeiro sob controle, favorecendo as operações de manejo fitossanitário e colheita”, explica Zambon.

    Com as previsões positivas para a segunda safra e as orientações dos especialistas, os produtores têm a oportunidade de maximizar sua produtividade e rentabilidade. A adoção das melhores práticas agrícolas e o uso de tecnologias avançadas são fundamentais para garantir uma colheita bem-sucedida na próxima temporada.

  • Sistema Antecipe: inovação de impacto na agricultura brasileira

    Sistema Antecipe: inovação de impacto na agricultura brasileira

    O Sistema Antecipe, desenvolvido pela Embrapa, tem se destacado como uma inovação tecnológica de grande impacto na agricultura brasileira, especialmente na produção de milho durante a segunda safra. Em um experimento realizado em Marianópolis, no Tocantins, a técnica apresentou resultados impressionantes: um aumento de 287% na produtividade de grãos de milho, em comparação ao plantio convencional após a colheita da soja, com rendimento médio de 3.062 quilos por hectare.

    Essa abordagem, que otimiza o calendário agrícola ao permitir o cultivo intercalar do milho antes da colheita da soja, representa um avanço significativo para a produtividade do setor e a redução de riscos climáticos associados à segunda safra tardia.

    Estratégia de cultivo intercalar e antecipação

    O Sistema Antecipe possibilita a semeadura do milho nas entrelinhas da soja durante o estádio fenológico R6, uma fase em que a soja já está em processo de enchimento de grãos. Com isso, os produtores podem iniciar o plantio do milho safrinha até 20 dias antes do método convencional, sem prejudicar a produtividade da soja.

    Durante a colheita da soja, os agricultores cortam o milho, reduzindo a área foliar, mas preservando o ponto de crescimento, que fica abaixo da superfície do solo. Essa estratégia garante que as plantas de milho continuem a crescer e se desenvolver normalmente. Aproveitando as condições climáticas mais favoráveis do início da estação de chuvas.

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    Ao antecipar o plantio, os agricultores conseguem reduzir os riscos de perdas provocadas pelas condições climáticas desfavoráveis do final do verão e início do outono, aumentando a eficiência do uso da terra e a rentabilidade da safra.

    Resultados no Tocantins e outras regiões

    O Tocantins, estado líder na produção de grãos da região Norte do Brasil, apresenta características que tornam o Sistema Antecipe ainda mais relevante. Predominantemente composto por áreas de sequeiro, o estado enfrenta alto risco climático para o cultivo da segunda safra, especialmente após o verão. Atualmente, a soja ocupa 74% das áreas agrícolas do estado, enquanto o milho safrinha é cultivado em apenas 28% dessas áreas.

    Com a aplicação do Antecipe, a segunda safra de milho torna-se mais viável e produtiva, mesmo em áreas onde o cultivo tardio era desafiador. Além do Tocantins, a técnica foi validada em estados como Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

    Um exemplo de sucesso ocorreu em Rio Verde (GO), durante a segunda safra de 2021. Lá, o Sistema Antecipe proporcionou uma produtividade de 66 sacas de milho por hectare. Enquanto o plantio tradicional, realizado após a colheita da soja, registrou apenas 28 sacas por hectare.

    Sustentabilidade e benefícios econômicos

    A adoção do Sistema Antecipe traz vantagens operacionais, econômicas e ambientais. Entre os benefícios destacam-se:

    • Redução de Custos: A técnica elimina a necessidade de dessecação da soja para antecipar a colheita, o que diminui custos de insumos e operações.
    • Sustentabilidade: O cultivo intercalar é realizado em sistema de plantio direto, reduzindo a emissão de carbono e promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis.
    • Flexibilidade: Além do milho, outras culturas, como sorgo, milheto, gergelim e pastagens, podem ser cultivadas, dependendo das necessidades do produtor.

    O pesquisador Emerson Borghi, da Embrapa, destaca o impacto ambiental positivo da técnica. “Ao integrar o plantio direto com cultivos intercalares, o sistema não só aumenta a produtividade. Mas também contribui para uma pegada de carbono mais eficiente, fortalecendo a posição do Brasil como líder em produção agrícola sustentável,” afirma.

    Tecnologia e equipamentos inovadores

    A implementação do Sistema Antecipe exigiu o desenvolvimento de equipamentos específicos. Em parceria com a empresa Jumil, a Embrapa criou uma semeadora-adubadora patenteada que realiza o plantio do milho nas entrelinhas da soja sem causar danos às plantas ou perdas de produtividade.

    Esse equipamento permite o plantio convencional e intercalar, sendo adaptável para diferentes culturas e tamanhos de propriedade. Durante a safra de 2020/2021, os pesquisadores testaram a tecnologia em condições reais de produção e realizaram ajustes finais antes de disponibilizá-la ao mercado.

    “Nosso objetivo era criar uma ferramenta acessível para pequenos e médios produtores, ampliando a competitividade, reduzindo riscos e aumentando a produtividade,” explica Fabrício Rosa de Morais, diretor-presidente da Jumil.

    Expansão e futuro do Sistema Antecipe

    O Sistema Antecipe representa um marco para o agronegócio brasileiro, possibilitando a expansão da segunda safra de milho para áreas antes consideradas inviáveis. Além disso, a antecipação do plantio permite o uso mais eficiente dos recursos naturais, como a água, e melhora a sustentabilidade do sistema produtivo.

    Com resultados consistentes em diferentes regiões do país, a técnica demonstra potencial para transformar a dinâmica do cultivo de grãos no Brasil. Além disso, garante maior segurança aos agricultores diante das adversidades climáticas e aumentando a eficiência do uso da terra.

    A tecnologia, lançada em 2020, é fruto de mais de uma década de pesquisas da Embrapa, reforçando o papel da inovação no fortalecimento da agricultura nacional. O Sistema Antecipe, além de impulsionar a produtividade do milho safrinha, também contribui para que o Brasil consolide sua posição como líder global na produção de alimentos sustentáveis.