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  • Espírito Santo lança programa para financiar construção de pequenas barragens

    Espírito Santo lança programa para financiar construção de pequenas barragens

    O Governo do Espírito Santo lançou um programa pioneiro no Brasil para financiar a construção de pequenas barragens em propriedades rurais, visando fortalecer a agricultura familiar e ampliar a segurança hídrica nas áreas mais vulneráveis do Estado. A iniciativa é coordenada pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). E oferece uma linha de crédito operada pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), com suporte técnico da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf).

    O programa utiliza recursos do Fundo de Fortalecimento da Economia Capixaba (Fortec) para promover infraestrutura hídrica descentralizada e acessível. Cada produtor pode obter até R$ 150 mil com taxa de juros inicial de 7% ao ano, que pode cair para 4% para agricultores familiares e 6% para demais produtores, mediante bônus de adimplência. O prazo total para pagamento é de oito anos, incluindo três anos de carência, quando o produtor paga apenas os juros, e cinco anos para amortizar o valor investido.

    As barragens financiadas devem ter até 5 hectares de lâmina d’água e capacidade máxima de 50 mil metros cúbicos. A meta é construir até 1.362 barragens em 12 anos, aumentando a capacidade de reservação hídrica do Estado em mais de 68 milhões de metros cúbicos. Essa expansão beneficia diretamente a produção agropecuária, a geração de renda e o abastecimento de água em períodos de seca.

    Desenvolvimento sustentável do meio rural

    O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destaca que o programa reforça o compromisso do governo com o desenvolvimento sustentável do meio rural. Com isso, garante uma fonte estratégica de água para a agricultura, o que impacta a geração de renda, a segurança alimentar e a adaptação às mudanças climáticas.

    O edital do programa está aberto por 24 meses e permite a participação de produtores rurais capixabas regularizados, com limite de um projeto por CPF. A diretora de Operações do Bandes, Gabriela Vichi, ressalta que o financiamento oferece condições diferenciadas para mitigar os problemas de irrigação nas propriedades rurais.

    Thiago Orletti, presidente da Associação dos Irrigantes do Espírito Santo (ASSIPES), elogia a iniciativa, ressaltando que a água é o principal insumo da produção rural. E que o programa garante produtividade, renda e desenvolvimento sustentável no campo.

    De acordo com o Atlas Climatológico do Espírito Santo, o estado enfrenta balanço hídrico negativo, com evapotranspiração maior que a média de chuvas. Além disso, o estado sofreu uma crise hídrica severa entre 2014 e 2017, que afetou a agropecuária e o PIB estadual. O Espírito Santo lidera o país em propriedades rurais com sistemas de irrigação, com 43,3% das propriedades irrigadas, e investe em tecnologias eficientes de uso da água. O programa de crédito responde à necessidade de ampliar a infraestrutura hídrica para cultivos como café, olerícolas e frutas, enfrentando os efeitos das mudanças climáticas.

    Como participar do programa de financiamento para construção de barragens

    Podem participar agricultores familiares (preferencialmente) e demais produtores rurais do Espírito Santo.

    Benefícios do programa:
    • Crédito de até R$ 150 mil por propriedade.
    • Juros anuais de 7%, com bônus de adimplência que reduz para 4% para agricultores familiares e 6% para demais produtores.
    • Prazo de pagamento de 8 anos, incluindo 3 anos de carência com pagamento apenas dos juros e 5 anos para amortização.

    Dúvidas e informações:

    Financiamento: Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) – www.bandes.com.br

    Licenciamento Ambiental: Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) – www.idaf.es.gov.br

    Outorga e Cadastro de Segurança de Barragens: Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) www.agerh.es.gov.br

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  • Saiba o que é a pipericultura e como lucrar com isso

    Saiba o que é a pipericultura e como lucrar com isso

    A pipericultura é o cultivo da pimenta-do-reino (Piper nigrum), uma das especiarias mais antigas e valorizadas no mundo. Originária das montanhas Ghats Ocidentais, na Índia, a planta é uma trepadeira perene que produz frutos usados amplamente na culinária e na medicina. A pimenta-do-reino é comercializada em três formas principais: preta, branca e verde, sendo a preta a mais comum. Seu sabor picante e aroma característico provêm da piperina, um composto químico que também possui propriedades benéficas à saúde.

    Mercado de pipericultura

    O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de pimenta-do-reino no mundo, ocupando o segundo lugar global em produção, atrás apenas do Vietnã. Em 2020, o país produziu cerca de 114.749 toneladas, com destaque para o estado do Espírito Santo, responsável por 60% da produção nacional. A produtividade capixaba é superior à média nacional, atingindo 3,9 toneladas por hectare, enquanto a média brasileira é de 3,1 toneladas por hectare.

    A exportação brasileira também é significativa: mais de 67% do volume exportado tem origem no Espírito Santo. Em 2022, o Valor Bruto da Produção (VBP) da pimenta-do-reino no estado foi de R$ 976,9 milhões, representando 4% do VBP agropecuário capixaba. O cultivo no Brasil se beneficia de fatores climáticos favoráveis e avanços tecnológicos que aumentam a produtividade.

    No cenário mundial, os maiores produtores de pimenta-do-reino são Vietnã, Brasil, Indonésia e Índia. Juntos, esses países representam mais de 70% da produção global. Apesar de terem as maiores áreas cultivadas, Indonésia e Índia apresentam baixa produtividade em comparação ao Brasil e Vietnã. O Vietnã lidera em volume produzido e exportado graças a investimentos em tecnologia agrícola.

    Os Estados Unidos são os principais importadores globais de pimenta-do-reino, enquanto países como Alemanha atuam como revendedores sem produzir diretamente. A especiaria também desempenha um papel importante na economia global devido à sua alta demanda na indústria alimentícia e medicinal.

    Curiosidades e benefícios

    Além do uso culinário, a pimenta-do-reino tem propriedades medicinais reconhecidas. Estudos indicam que ela pode atuar como alimento termogênico, auxiliando na queima de calorias e contribuindo para o tratamento de doenças crônicas como obesidade. Rica em vitaminas A, C e E, além de minerais como zinco e potássio, a especiaria também estimula a liberação de endorfinas no organismo, promovendo sensação de bem-estar.

    A pipericultura é um setor estratégico tanto para o agronegócio brasileiro quanto para o mercado global. Com alta demanda e preços competitivos no mercado internacional, o cultivo da pimenta-do-reino representa uma oportunidade econômica significativa. No Brasil, o avanço tecnológico e as condições climáticas favoráveis consolidam o país como líder em produtividade e exportação dessa especiaria essencial.

    Espírito Santo impulsiona programa sustentável para consolidar liderança na produção

    O Espírito Santo deu mais um passo para consolidar sua posição como maior produtor e exportador de pimenta-do-reino do Brasil. Com foco em sustentabilidade e competitividade, o governo estadual, por meio da Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), está estruturando um programa inédito para impulsionar a pipericultura. A iniciativa, discutida em reunião técnica em fevereiro, visa replicar o modelo bem-sucedido do setor cafeeiro e alinhar a produção às demandas globais por práticas ambientais responsáveis.

    Estado lidera 61% da produção nacional

    O Espírito Santo responde por 61% da pimenta-do-reino produzida no Brasil, segundo dados oficiais. O condimento ocupa o 3º lugar na pauta de exportações do agronegócio capixaba, gerando receita e empregos em áreas rurais. A cadeia produtiva envolve mais de 3 mil produtores, concentrados principalmente no norte do estado.

    Replicar sucesso da cafeicultura

    O futuro Programa de Desenvolvimento Sustentável da Pipericultura Capixaba terá como base o currículo de sustentabilidade já aplicado na cafeicultura – setor em que o ES é referência internacional. A proposta inclui:

    • Assistência técnica para adoção de tecnologias de baixo impacto ambiental.
    • Pesquisas para aumento de produtividade e resistência a pragas.
    • Certificação sustentável para ampliar acesso a mercados internacionais.

    “Queremos transformar a pimenta-do-reino em um símbolo de agricultura sustentável, assim como fizemos com o café”, afirmou Michel Tesch, subsecretário de Desenvolvimento Rural da Seag, que coordenou os debates.

    Plano estratégico e próximos passos

    O programa está alinhado ao Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag-4), que prioriza a modernização de cadeias produtivas com foco em inovação e responsabilidade socioambiental. Segundo Antonio Elias Souza da Silva, diretor-geral do Incaper, as equipes já trabalham na elaboração de projetos de pesquisa e capacitação de produtores.

    “A pimenta-do-reino é estratégica para nossa economia. Com tecnologia e sustentabilidade, vamos fortalecer ainda mais esse setor”, destacou Silva.

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