Tag: Seab

  • Abóbora movimenta R$ 106 milhões e ganha espaço no Paraná

    Abóbora movimenta R$ 106 milhões e ganha espaço no Paraná

    A abóbora se consolida como uma das principais culturas da olericultura paranaense. Em 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura alcançou R$ 106,5 milhões, segundo o boletim conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O cultivo está presente em 330 dos 399 municípios do estado, com produção de 50,7 mil toneladas em 2,8 mil hectares.

    Experimento no Oeste apresenta resultados 50% acima da média em produção de abóboras e contribui para a segurança alimentar da região. Foto: IDR-Paraná

    A região de Curitiba lidera os indicadores estaduais com 33,9% do total, seguida por Jacarezinho (12,6%) e União da Vitória (9,5%). No atacado da Ceasa Curitiba, o quilo da abóbora seca custa em média R$ 2,50, alta de 25% em relação a março de 2025.

    Para o agrônomo Paulo Andrade, do Deral, o cultivo da abóbora fortalece a renda de pequenos e médios produtores e amplia a diversificação das propriedades rurais. “O produto mantém preços estáveis e atende diferentes usos, especialmente na culinária”, explica.

    Milho e trigo mantêm ritmo de produção

    A colheita da primeira safra de milho 2025/26 alcança 54% da área total de 341 mil hectares, com expansão de 21,5% na área plantada em relação ao ciclo anterior. O Sudoeste do Paraná se destaca com alta de 55,1% no cultivo.

    Já o trigo reforça sua importância industrial: o estado possui capacidade de moagem de 4 milhões de toneladas, com 87% desse potencial utilizado em 2024 para atender à forte demanda interna.

    Proteínas e lácteos em ritmos distintos

    A suinocultura brasileira fechou 2025 com recorde histórico de 5,598 milhões de toneladas produzidas e exportadas. Em contrapartida, o setor lácteo paranaense enfrenta queda nos preços: o litro pago ao produtor atingiu média de R$ 2,11 em fevereiro.

    A pesca também mostra sinais de retomada, com a normalização das atividades após o fim do período de defeso (Piracema) em 28 de fevereiro.

    Mel paranaense lidera exportações

    O Paraná iniciou 2026 como o maior exportador nacional de mel “in natura”, com receita de US$ 1,608 milhão em janeiro. O setor de apicultura busca recuperação após o fim das tarifas recíprocas de 50% impostas pelos Estados Unidos. Com a taxa global reduzida para 15%, o mel paranaense volta a ganhar competitividade no mercado internacional.

    Segundo o Deral, o agronegócio do Paraná mantém projeções otimistas para 2026, com novos recordes esperados na produção de carnes e avanço da segunda safra de milho, que já cobre 62% da área estimada. O estado aposta no fortalecimento do parque moageiro e na expansão de mercados de nicho hortifrutigranjeiros para compensar a redução da área de culturas de inverno como o trigo.

  • Criação de comitê gestor deve impulsionar ações do programa Pecuária Moderna

    Criação de comitê gestor deve impulsionar ações do programa Pecuária Moderna

    O programa Pecuária Moderna, iniciativa para impulsionar a bovinocultura no Paraná, ganha novo fôlego com a criação de um comitê gestor e a reativação de comitês regionais. A ação, definida em conjunto por representantes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Além  do Sistema Faep e do Sistema Ocepar, busca modernizar o setor e aumentar a competitividade dos produtores paranaenses.

    O comitê gestor será responsável por liderar a reestruturação do programa, que visa ações mais estruturadas e assertivas. A primeira ação do comitê é identificar e cadastrar os produtores interessados em participar do projeto, para que possam iniciar as ações de capacitação e modernização.

    Reativação dos comitês regionais

    Além do comitê gestor, foram reativados os comitês regionais nas áreas de destaque da bovinocultura paranaense. Os comitês regionais visam estabelecer estratégias específicas para as demandas de cada região. E contam com a estrutura dos sindicatos rurais para reuniões e iniciativas necessárias. Os comitês foram estabelecidos em Santo Antônio da Platina, Guarapuava, Campo Mourão, Maringá e Umuarama.

    Masaru Sugai, médico veterinário do Deagro/Seab, destaca a importância dos comitês regionais para o programa. Segundo ele, os comitês regionais, compostos por representantes de entidades ligadas à pecuária em cada região. Eles serão responsáveis por estabelecer contatos com os pecuaristas para elaboração de um Plano Regional de Desenvolvimento da Pecuária. Sugai também ressalta que serão utilizadas ferramentas como vídeos educativos e informativos, métodos grupais como Dia de Campo e Unidades de Referência, como incentivo para a adoção de tecnologias na exploração pecuária.

    Como participar do programa

    Os produtores interessados em participar do programa devem entrar em contato com os técnicos do IDR-Paraná ou com os Sindicatos Rurais de seus municípios.

    O Plano Integrado de Desenvolvimento de Bovinocultura de Corte no Paraná – Pecuária Moderna tem ações voltadas para a capacitação do produtor e para a modernização da bovinocultura no Estado. O programa é uma parceria público-privada que envolve todos os segmentos da cadeia produtiva: produtores rurais, assistência técnica, extensão rural, pesquisa, ensino e indústria.

    O programa também deve apostar na difusão de informações técnicas por meio de ferramentas digitais, como vídeos explicativos.

    Leia mais
    + Agro em Campo: Granação: entenda como processo afeta seu café
    + Agro em Campo: Pitaya – eventos para produtores da fruta no Paraná e Santa Catarina

  • Paraná propõe Plano Safra 2025/26 de R$ 597 bilhões ao Governo Federal

    Paraná propõe Plano Safra 2025/26 de R$ 597 bilhões ao Governo Federal

    O governo do Paraná apresentou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) uma proposta para o Plano Safra 2025/26, com a sugestão de liberar R$ 597,1 bilhões para atender às necessidades de crédito, investimentos e garantia dos produtores. O valor é superior aos R$ 475,5 bilhões liberados pelo governo federal para a safra que se encerra em junho deste ano.

    A proposta paranaense, que já se tornou uma tradição anual, sugere a seguinte distribuição dos recursos:

    • Créditos de Custeio e Comercialização: R$ 417 bilhões
    • Investimentos: R$ 180,1 bilhões

    Dentro dessa divisão, os recursos seriam distribuídos da seguinte forma:

    • Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf): R$ 90 bilhões
    • Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp): R$ 86 bilhões
    • Demais Agricultores: R$ 421 bilhões

    O documento foi assinado pelos representantes dos principais órgãos e entidades do agronegócio paranaense: Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná), Federação da Agricultura (Faep), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) e Sistema Ocepar.

    Desafios e prioridades

    O secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza, destacou que a proposta considera os desafios enfrentados pelos produtores, como as variações climáticas e a volatilidade de preços. “Os valores apresentados e as sugestões de como aplicá-los para dar mais tranquilidade para o produtor fazer o que sabe, que é produzir alimento, estão dentro da realidade vivida no campo”, afirmou.

    O documento enviado ao governo federal destaca a necessidade de:

    • Elevar o montante de recursos para custeio, comercialização e investimento.
    • Recompor o orçamento para subvenção ao prêmio de seguro rural.
    • Promover o reequilíbrio do teto de renda bruta da agricultura familiar.
    • Analisar as taxas de juros, considerando o cenário econômico nacional.

    Custeio e comercialização

    A proposta sugere a disponibilização de R$ 417 bilhões para custeio e comercialização, com os seguintes limites de contratação e taxas de juros:

    • Pronaf: R$ 400 mil, com juros de 0,5% a 5,5% ao ano
    • Pronamp: R$ 2 milhões, com juros de 7% ao ano
    • Demais Produtores: R$ 4 milhões, com juros de 11% ao ano

    Além disso, é proposta uma linha especial para produtores de leite, visando a retenção de matrizes e a aquisição de alimentos para o rebanho.

    Investimento

    Para investimento, a proposta contempla a aplicação de R$ 180,1 bilhões, priorizando programas como:

    • Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA): R$ 11,5 bilhões
    • Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada e ao Cultivo Protegido (Proirriga): R$ 3 bilhões
    • Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro): R$ 4,5 bilhões
    • Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro): R$ 10 bilhões

    A proposta sugere taxas de juros pré-fixadas e menores para esses programas, além de prazos de reembolso mais longos.

    Para mitigar os impactos de condições climáticas adversas, pragas e oscilações de mercado, a proposta inclui a liberação de R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

    Agricultura Familiar

    Para os agricultores familiares, a proposta sugere:

    • Aumento do volume de recursos para custeio e comercialização de R$ 41 bilhões para R$ 45 bilhões.
    • Aumento do volume de recursos para investimento de R$ 35 bilhões para R$ 45 bilhões.
    • Financiamento de até R$ 400 mil, com prazo de dez anos para reembolso e dois anos de carência.
    • Aumento de R$ 500 mil para R$ 750 mil na renda bruta de enquadramento.
    • Simplificação dos procedimentos para acesso ao Programa de Garantia de Preços para Agricultura Familiar (PGPAF).

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Crise do café: solução pode vir da África
    + Agro em Campo: ExpoLondrina 2025 acontece de 04 a 13 de abril

  • Embrapa identifica áreas suscetíveis a impactos climáticos extremos no Paraná

    Embrapa identifica áreas suscetíveis a impactos climáticos extremos no Paraná

    A Embrapa Florestas, em colaboração com diversas instituições, está desenvolvendo uma pesquisa para identificar áreas suscetíveis a eventos climáticos extremos no Paraná. A iniciativa visa criar uma base de dados que integre informações sobre geologia, geomorfologia, solos e vegetação. E contribuir para o aprimoramento do sistema de alerta da Defesa Civil no estado.

    Com base nos eventos climáticos que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024, o Paraná busca estratégias para minimizar os impactos de desastres naturais, como enchentes e deslizamentos. O sistema GeoDC da Defesa Civil paranaense será fortalecido com os dados coletados pela Embrapa, melhorando a resposta emergencial em situações críticas.

    Ação conjunta para prevenção de desastres naturais

    A pesquisa conta com a participação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), Defesa Civil, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e outras entidades estaduais e federais. O objetivo é desenvolver estratégias eficazes de mitigação e resposta a eventos climáticos extremos, utilizando diagnósticos técnicos e lições aprendidas com as tragédias climáticas recentes.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: BiomaPhos: absorção de fósforo impulsiona agricultura brasileira
    + Agro em Campo: Doença pode reduzir 13% produção de trigo no mundo

    No final de novembro, a Embrapa Florestas coordenará uma discussão sobre áreas vulneráveis sob a perspectiva geopedológica. O pesquisador Gustavo Curcio destaca que as semelhanças entre o relevo e os solos do Paraná e do Rio Grande do Sul podem intensificar os impactos das chuvas intensas. “Com nosso conhecimento sobre geologia, solos e vegetação do Paraná, podemos identificar áreas de risco iminente”, afirma Curcio.

    Mapas de solos e vegetação

    A análise dos mapas de solos e vegetação, tanto antigos quanto atuais, será fundamental para embasar as decisões da Defesa Civil. O Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil no Paraná (PronaSolos PR) e a Ação Integrada de Solo e Água (AISA) estão elaborando mapas detalhados que visam melhorar o uso sustentável dos recursos naturais.

    O trabalho está integrado ao sistema GeoDC da Defesa Civil paranaense, considerado um dos mais completos do Brasil. Anderson Gomes das Neves, chefe do Centro Estadual de Gerência de Riscos da Defesa Civil, afirma que os novos dados aumentarão a precisão das respostas emergenciais no estado. “O GeoDC é o sistema mais robusto de defesa civil do país. Com os dados da Embrapa, poderemos validar informações com nosso banco de dados e tomar decisões mais assertivas”, conclui Neves.

    Sistema GeoDC amplia monitoramento e prevenção de desastres no Paraná

    O GeoDC reúne mapas detalhados de rodovias, redes hidrográficas e áreas municipais vulneráveis a vendavais, alagamentos, enchentes e estiagens. Futuras atualizações incluirão informações sobre os tipos de solo em cada região.

    A iniciativa é conduzida por um amplo consórcio, incluindo a Secretaria de Agricultura (Seab), Defesa Civil, Embrapa e Itaipu Binacional, que defendem estratégias para minimizar impactos climáticos, como evacuações, sinalização de áreas de risco e soluções ambientais.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Gás natural argentino e a produção de fertilizantes
    + Agro em Campo: Produção de soja no Brasil deve crescer 9,4% em 2025, diz Abiove

    Inspirado no trabalho de diagnóstico realizado no Rio Grande do Sul após enchentes, o sistema utiliza dados regionais para prever desastres com maior precisão. Estudos sobre solos e vegetação, somados ao cruzamento de informações paranaenses e gaúchas, ajudam a mapear áreas de maior risco, permitindo planejamento preventivo eficaz.

    “O planejamento integrado entre governo e iniciativa privada é essencial para evitar tragédias como as ocorridas no Rio Grande do Sul”, destacou Breno Menezes de Campos, da Seab.

    Abordagem integrada é essencial para mitigar riscos climáticos no Paraná

    José Gustavo de Oliveira Franco, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, destaca a importância de uma abordagem integrada para enfrentar os riscos climáticos no estado. Ele defende a criação de um modelo de planejamento baseado em políticas públicas que assegurem que os municípios considerem esses riscos ao planejar a infraestrutura e o uso do solo. “Precisamos estabelecer planos de contingência, infraestrutura de evacuação e, principalmente, políticas públicas que ajudem a mitigar os impactos de eventos extremos”, afirma Franco.

    União de esforços para aumentar a resiliência

    A criação de um núcleo de planejamento interinstitucional é vista como uma estratégia fundamental para aumentar a resiliência do Paraná diante de eventos climáticos extremos. Izabella Brito, coordenadora da Casa Civil, afirma que o estado está comprometido em desenvolver estratégias sustentáveis e eficientes. “Estamos criando um planejamento para garantir que as comunidades mais vulneráveis estejam preparadas para os desafios climáticos. E também fortalecer a capacidade de resposta do estado diante de desastres”, declara.

    Brito acredita que a colaboração entre diferentes entidades e o uso de dados científicos têm o potencial de transformar o Paraná em um exemplo de prevenção e preparação para desastres climáticos. Ela ressalta que a interação entre a Defesa Civil, universidades, Embrapa e outras instituições não apenas melhora a precisão das previsões, mas também fortalece a rede de ações em resposta e recuperação.

    Importância do planejamento interinstitucional

    Breno Menezes de Campos, diretor do Departamento de Florestas Plantadas da Seab e coordenador do Grupo Gestor Estadual de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC+), enfatiza a necessidade da união entre as instituições. “Para saber como agir e evitar surpresas, como ocorreu no Rio Grande do Sul, é preciso planejamento. A cooperação interinstitucional é crucial e deve envolver mais secretarias para ampliar sua abrangência”, prevê.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Pesquisa da Embrapa desenvolve feijão mais saudável
    + Agro em Campo: Brasil conquista novos mercados na China para produtos agropecuários

    Durante as reuniões, foram apresentados cenários hipotéticos que podem ocorrer em eventos climáticos extremos, destacando que a formação geológica do Paraná pode resultar em desastres significativos. “Fomos sensibilizados a iniciar esse trabalho”, conta Menezes.

    Previsão e planejamento eficazes

    Os pesquisadores explicam que projeções sobre chuvas intensas são fundamentais para prever processos destrutivos como fluxos de massa e deslizamentos, que podem devastar vilas e cidades em regiões vulneráveis. “Assemelham-se ao Rio Grande do Sul em termos de relevo e solos”, afirma Gustavo Curcio. Ele ressalta que a parceria estabelecida pode gerar mapas que identifiquem áreas críticas e suas interações com diversos atributos das paisagens paranaenses.

    A iniciativa busca construir um planejamento estratégico que envolva todos os níveis de governo – federal, estadual e municipal – além da iniciativa privada. Isso inclui a análise das infraestruturas existentes e a criação de planos de contingência para evacuação quando necessário. “O planejamento conjunto entre instituições públicas e privadas pode ser a chave para evitar os impactos de eventos extremos”, conclui Breno Menezes.

  • Produção de laranja – governo amplia emergência fitossanitária

    Produção de laranja – governo amplia emergência fitossanitária

    O governo do Paraná prorrogou por 180 dias a emergência fitossanitária no estado para intensificar o combate ao greening, uma das principais pragas que afetam a citricultura no mundo. A medida busca dar maior mobilidade e agilidade às ações de controle da doença, que vem se agravando nos últimos anos.

    Desde que as ações de combate se iniciaram, há cerca de dois anos, o governo erradicou quase 280 mil plantas cítricas e ornamentais nas regiões Noroeste e Norte do estado.

    As boas práticas recomendadas contra a doença incluem a erradicação de plantas doentes e o plantio de mudas sadias de viveiros registrados. Além disso, o controle eficiente do inseto vetor (psilídeo Diaphorina citri) com produtos biológicos e químicos também é recomendado.

    Decreto fitossanitário

    “Em primeiro lugar, o decreto de emergência fitossanitária é um instrumento forte e necessário, desejado por toda a cadeia da citricultura. Isso possibilita medidas efetivas para controlar o problema e garantir a continuidade da citricultura, importante para a economia e sociedade do Paraná,” afirmou o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza.

    Um balanço das ações foi apresentado na última semana durante reunião da Câmara Técnica de Citricultura em Paranavaí, em complemento ao decreto de emergência fitossanitária. “Buscamos reforçar o envolvimento dos técnicos de empresas públicas e privadas. O objetivo é garantir que a atuação política respalde e fortaleça o trabalho realizado,” disse a citricultora e engenheira agrônoma Marlene Calzavara.

    Foto: Divulgação – AEN/Jaelson Lucas

    Um grupo de trabalho foi criado para tratar do greening, detectado no Brasil recentemente. Com o recrudescimento da doença a partir de 2022, a discussão foi intensificada e o grupo transformado na Câmara Técnica da Citricultura em 2023. “Antes, o índice de contaminação era de 1%, aceitável, mas subiu para 10% e, em alguns casos, até 20% da propriedade,” salientou Marlene.

    Operação Big Citrus

    A operação envolveu conscientização, fiscalização e reforço nas medidas de prevenção e controle do greening.  40 servidores atuaram em 24 municípios dos núcleos de Apucarana, Cornélio Procópio, Ivaiporã, Londrina, Maringá, Paranavaí e Umuarama.

    Desde então, a equipe de fiscalização realizou 409 inspeções em propriedades comerciais de citros, 376 em áreas não comerciais e duas em viveiros clandestinos.

    Além disso, eles aplicaram mais de 200 notificações para que os proprietários erradicassem as plantas sintomáticas ou apresentassem um plano de manejo para controlar o HLB (Huanglongbing) e o inseto vetor.

    “O setor público reforça a importância de o setor privado contribuir integralmente para seu próprio sucesso,” afirmou Paulo Marques, chefe da Divisão de Sanidade da Fruticultura da Adapar. Ele também destacou o trabalho do setor público contra o comércio irregular de mudas cítricas, que fomenta a implantação de pomares sem acompanhamento técnico, arriscando toda a atividade. O setor público também emitiu 20 autos de infração.

    O greening

    O greening é uma praga grave que afeta severamente a citricultura devido à sua rápida disseminação e dificuldades de controle. A bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas) é o principal agente causal da doença, no Brasil e ataca diversas espécies cítricas. A transmissão acontece pelo psilídeo asiático dos citros Diaphorina citri Kuwayama.

    A praga causa queda prematura dos frutos, reduzindo a produção e podendo levar à morte precoce das plantas.

    Por exemplo, os frutos ficam menores, deformados, com sementes abortadas, açúcares reduzidos e acidez elevada, depreciando o sabor e o valor comercial, tanto para consumo in natura quanto para processamento industrial.

    Renato Rezende Young Blood, chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar, explicou que o greening atinge com mais intensidade os primeiros 50 metros dos pomares. “As pequenas propriedades são mais afetadas, pois têm mais borda proporcional às suas áreas,” disse ele. “Por isso, é importante um bom trabalho de controle nas bordaduras, onde a Adapar age com mais efetividade.”

    Atualmente, além da proibição de mudas de viveiros irregulares, o uso de quebra-ventos, adensamento do plantio, adubação, irrigação de qualidade e cobertura vegetal ajudam no desenvolvimento rápido da planta. Isso reduz a exposição ao inseto, pois a transmissão é mais comum em brotos.

    Controle biológico

    A Tamarixia radiata, uma vespa parasitoide criada em laboratório, é um inimigo biológico eficaz no controle do psilídeo dos citros. Desde 2016, mais de 10 milhões de vespas foram liberadas no Paraná em áreas marginais a aproximadamente 60 municípios com propriedades citrícolas comerciais.

    No campo, as vespas procuram os ninhos da Diaphorina citri para se reproduzir, depositando ovos embaixo das ninfas, que servirão de alimento para as larvas.  Ou seja, cada vespa pode eliminar até 500 psilídeos, reduzindo significativamente o número de vetores e, consequentemente, a incidência da doença do greening.

    A liberação de T. radiata no entorno dos pomares pulverizados é um importante aliado no controle da doença em áreas abandonadas, sítios e residências com árvores cítricas no quintal ou com as plantas ornamentais. Portanto é importante eliminar  tambpem vetores de transmissão comuns em áreas públicas e cemitérios, que também são focos de psilídeos.

  • Leite longa vida e leite em pó registram tendência de alta

    Leite longa vida e leite em pó registram tendência de alta

    Os dois dos principais derivados lácteos ficaram mais caros no varejo paranaense. O leite em pó e o leite longa vida subiram 1,61% e 5,86%, respectivamente, no mês de maio. No entanto, quando comparados a maio de 2023, os valores estão mais baixos.

    O maior custo de produção e o volume de captação reduzido nessa época do ano costumam contribuir para elevar os preços pagos aos produtores. Consequentemente, faz com que o consumidor pague mais caro no supermercado. Segundo a estimativa, é provável que a alta ainda se estenda inverno adentro. O impacto é a limitação da demanda e diminuição do espaço desses alimentos na mesa da população.

    Apesar disso, na comparação com maio de 2023, os preços estão 5,73% e 4,71% mais baixos para o leite em pó e o leite longa vida, respectivamente. É provável que os aumentos sejam contidos; com a previsão de um inverno menos rigoroso e com os menores preços dos grãos em 2024. Sendo assim, diminui o risco de atingir patamares como os de 2022, quando o preço do litro de leite longa vida chegou a R$ 6,96 na média estadual, durante o auge da estação.

    As informações sobre o preço do leite são do Boletim de Conjuntura Agropecuária elaborado pelos técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab.

  • Inovação para uma agricultura mais sustentável

    Inovação para uma agricultura mais sustentável

    A transformação vivenciada no setor agrícola com a revolução tecnológica foi o tema principal da Connect Week 2024. Automação, inteligência artificial, big data, rastreabilidade e bioinsumos, entre outras inovações, também foram destaques do painel para uma agricultura mais sustentável.

    O diretor-técnico da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Benno Henrique Doetzer, reafirmou o compromisso do Sistema Estadual de Agricultura (Seagri) com a promoção de práticas agrícolas avançadas e sustentáveis. ” Antes de tudo, devemos posicionar o agronegócio brasileiro na vanguarda das inovações tecnológicas globais”, disse.

    Divulgação: Foto – Alessandro Casagrande/Adapar

    O gerente de Inovação do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná), Sérgio José Alves, destacou que as tecnologias emergentes precisam estar à disposição das novas gerações. Segundo ele, é a partir da adoção do moderno no meio rural que os jovens lá permanecerão. “Em primeiro lugar, essas tecnologias não apenas aumentam a eficiência, mas promovem uma agricultura mais sustentável e responsável, essencial para atender as demandas de uma população mundial crescente”, afirmou.

    Meio ambiente e Bioinsumos

    A pesquisadora em Fitopatologia do IDR-Paraná, Sandra Cristina Vigo, salientou a importância dos bioinsumos para uma proteção mais sustentável das lavouras. Em primeiro lugar o foco é promover uma agricultura mais ecológica e eficiente no combate a pragas e doenças. “Os bioinsumos interferem positivamente no crescimento, no desenvolvimento, no mecanismo de resposta de plantas e são ótimos defensores contra pragas”, afirmou.

    Divulgação: Foto – Giuliana Artigas/IDR-Paraná

    O advogado e doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rafael Ferreira Filippin reforçou a importância da tecnologia aliada à criatividade humana. Sendo assim, o objetivo é garantir a transparência e a conformidade dos produtos agrícolas com as exigências ambientais internacionais.

    No entanto, ele ressaltou que apenas as tecnologias não bastam. “As plataformas tecnológicas não conseguirão demonstrar aos mercados europeus que os produtos brasileiros estão livres de desmatamento se não existirem profissionais capacitados”, concluiu.

    A Connect Week 2024, em Curitiba, é um dos maiores eventos do país voltados à tecnologia e conta com apoio do Governo do Paraná. Além da tecnologia, tem foco no processo de melhoria da sustentabilidade, produtividade e competitividade no campo.