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  • Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    Tecnologia inédita contra nematoides é destaque na Tecnoshow

    A Corteva Agriscience apresentou, nesta terça-feira (7), durante a 23ª Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), o Reklemel, nova tecnologia voltada ao manejo de nematoides no solo. O produto surge como resposta a um problema bilionário no campo. Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas podem chegar a R$ 35 bilhões por ano no Brasil. Os nematoides atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

    Além disso, a proposta da empresa é oferecer controle seletivo dos fitonematoides. Dessa forma, a tecnologia preserva a biota do solo e contribui para o aumento da produtividade. O lançamento foi apresentado como uma nova ferramenta dentro do manejo integrado.

    Durante coletiva, o Líder de Portfólio de Inseticidas e Nematicidas da Corteva para Brasil e Paraguai, Thomas Scott, destacou que o Reklemel representa um avanço importante. Isso ocorre porque o produto atua com um novo modo de ação e um grupo químico inédito no mercado. “Hoje, muitos produtores ainda não diferenciam nematoides benéficos dos prejudiciais. O diferencial da tecnologia é eliminar o fitonematoide e manter os organismos que contribuem para a saúde do solo”, afirmou.

    Os nematoides são vermes microscópicos, de corpo cilíndrico, presentes no solo. No entanto, nem todos causam danos. Cerca de 70% são de vida livre e exercem papel importante na decomposição da matéria orgânica. Além disso, ajudam na ciclagem de nutrientes. Por outro lado, os fitonematoides parasitam plantas. Eles formam galhas nas raízes e reduzem a absorção de água e nutrientes.

    Manejo integrado ganha reforço com nova tecnologia

    A cientista de campo da Corteva, Marina Gomes, que participou do desenvolvimento da solução, explicou que o Reklemel atua como uma ferramenta complementar. Segundo ela, o produto protege o sistema radicular da planta. Ao mesmo tempo, mantém a microbiota do solo ativa. “Isso permite que fungos e outros agentes biológicos continuem contribuindo para o controle natural das pragas”, disse.

    Além disso, o uso combinado com soluções biológicas já adotadas pelo produtor potencializa os resultados. A aplicação do produto é feita diretamente no sulco de plantio. Dessa forma, a tecnologia permanece próxima à raiz. Isso aumenta a eficiência e reduz a quantidade utilizada por hectare.

    “Como a aplicação é concentrada no local de desenvolvimento da planta, o manejo se torna mais eficiente. Além disso, há redução de custos e maior sustentabilidade no sistema produtivo”, acrescentou Scott.

    O lançamento contempla diferentes culturas agrícolas. A molécula chega ao mercado sob três marcas. Lormelo é voltado para soja, milho, algodão e sorgo. Já o Salibro atende hortifrúti e café. Por fim, o Yeldana foi desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

    Problema generalizado exige estratégia contínua

    Atualmente, todas as culturas agrícolas são suscetíveis aos nematoides. No entanto, o nível de impacto varia conforme a espécie e a região. Por isso, o manejo adequado depende da identificação correta do tipo de nematoide presente na área.

    Além disso, o avanço da praga tem exigido maior adoção de tecnologias no campo. Regiões do Cerrado, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso, já apresentam uso mais intensivo das soluções. Dessa forma, o controle se torna mais eficiente ao longo do tempo.

    Marina e Thomas durante apresentação do Reklemel na 26ª Tecnoshow Comigo – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    A recomendação técnica é manter o manejo de forma contínua. Ou seja, ao longo dos ciclos produtivos e nos diferentes talhões da propriedade. “Quanto mais longo o manejo, melhores são os resultados. Não é uma solução pontual, mas um trabalho contínuo de construção da saúde do solo”, explicou Marina.

    Por fim, o uso de práticas integradas segue como estratégia essencial. Entre elas, estão a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos e o monitoramento constante. Assim, o produtor consegue reduzir os impactos dos nematoides e manter a produtividade.

    Com o Reklemel, a Corteva aposta em uma abordagem mais equilibrada. A tecnologia alia eficiência no controle dos fitonematoides à preservação dos organismos benéficos. A expectativa é ampliar as possibilidades de manejo e fortalecer sistemas produtivos mais sustentáveis no longo prazo.

  • Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    Projeto de lei propõe mapeamento digital do solo brasileiro para agricultura sustentável

    A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode transformar a gestão das terras no Brasil. O PL 4516/25 cria diretrizes para um programa nacional de monitoramento da saúde do solo, usando tecnologias modernas como sensoriamento remoto e análise digital.

    O autor do projeto, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), quer integrar a proposta à Lei da Política Agrícola. O objetivo central é padronizar a coleta e o armazenamento de dados sobre o solo em todo o país. O sistema integraria essas informações ao zoneamento agroecológico e a plataformas de gestão territorial.

    Dados públicos para todos os produtores

    Um dos pontos-chave do texto é a previsão de disponibilização pública das bases de dados. A medida facilitará o acesso de produtores rurais, de pequenos a grandes, a informações técnicas detalhadas sobre a qualidade de suas terras.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO), defendeu a aprovação. Ele argumenta que a falta de dados padronizados hoje prejudica o setor produtivo. “A ausência limita diagnósticos confiáveis, prejudica o manejo racional de insumos e reduz a eficiência produtiva”, afirmou Guimarães.

    Combate à degradação e ganho em sustentabilidade

    Segundo o relator, o novo sistema ajudará o país a combater problemas graves como erosão, perda de fertilidade e desertificação. Essas ameaças impactam diretamente a segurança alimentar e a biodiversidade.

    O projeto também prevê a criação de indicadores de qualidade do solo e sistemas de alerta precoce para degradação. A medida estimula a cooperação entre governo e instituições de pesquisa. Para Guimarães, a proposta “fortalece o manejo conservacionista, a agricultura de precisão e políticas públicas baseadas em evidências”.

    O relator da proposta, deputado Alexandre Guimarães (MDB-TO). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    O projeto tramita em caráter conclusivo. Agora, as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça analisam a proposta. Após esse trâmite, se aprovado, seguirá para o Senado Federal. Somente após passar pelas duas Casas o projeto pode se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias