Tag: saúde animal

  • Embrapa descobre nova bactéria ligada a doença em bovinos

    Embrapa descobre nova bactéria ligada a doença em bovinos

    Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico (IB), identificaram uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB).

    Conhecida entre produtores como mal do olho, doença do olho gordo ou pinkeye, a enfermidade afeta principalmente bovinos jovens e pode comprometer a visão dos animais.

    A nova espécie foi denominada Moraxella tarda e foi isolada da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais iniciais da doença.

    Nova espécie de bactéria foi identificada em bovinos

    A pesquisa envolveu equipes da Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Gado de Leite e Embrapa Gado de Corte.

    As coletas foram realizadas em campo, na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. Depois, as amostras foram encaminhadas para análises em laboratórios das unidades de Gado de Leite, em Minas Gerais, e Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.

    Segundo os pesquisadores, o trabalho começou em 2018, com as primeiras coletas realizadas em campo.

    “Essa conquista reflete uma jornada que começou em 2018 com as coletas em campo. O depósito nessas coleções valida definitivamente Moraxella tarda no catálogo global de microrganismos”, afirma a pesquisadora Marta Martins, autora correspondente da publicação.

    Ainda de acordo com a pesquisadora, a descoberta foi resultado da cooperação entre as equipes e instituições envolvidas no estudo.

    Bactéria tem características genéticas próprias

    As amostras passaram por análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas para determinar as características do microrganismo.

    O processo permitiu diferenciar a nova espécie de outras bactérias do gênero Moraxella já associadas à enfermidade, como M. bovis e M. bovoculi.

    O sequenciamento completo do genoma indicou que a bactéria possui identidade genética própria, característica utilizada pelos pesquisadores para sua classificação.

    Para que a descoberta fosse reconhecida internacionalmente, também foram seguidos os critérios taxonômicos necessários para a descrição de uma nova espécie bacteriana.

    Amostras foram depositadas em coleções microbiológicas

    Parte das amostras de Moraxella tarda foi depositada em coleções microbiológicas da Bélgica, de Portugal e do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

    Esse depósito faz parte do processo necessário para a validação científica de uma nova espécie bacteriana.

    O procedimento também permite que o microrganismo fique disponível para futuras pesquisas e análises científicas.

    A escolha do nome

    O nome Moraxella tarda está relacionado ao comportamento da bactéria durante o crescimento em laboratório.

    Segundo os pesquisadores, outras espécies do gênero costumam formar colônias em aproximadamente 24 horas. Já o novo microrganismo leva cerca de 48 horas para apresentar crescimento visível.

    A característica chamou a atenção da equipe durante as análises e levou à realização de investigações adicionais, que confirmaram tratar-se de uma espécie inédita.

    Descoberta pode ajudar no controle da doença

    A identificação da bactéria amplia o conhecimento científico sobre a ceratoconjuntivite infecciosa bovina e pode contribuir para novas pesquisas relacionadas ao diagnóstico, à prevenção e ao controle da enfermidade.

    O pesquisador da Embrapa Fernando Cardoso, um dos autores do trabalho, destaca que a descoberta pode contribuir para estudos envolvendo diferentes estratégias de controle.

    Segundo ele, o conhecimento sobre o microrganismo pode ser importante para o desenvolvimento de vacinas polivalentes, além de estratégias como seleção de animais mais resistentes e medidas de manejo.

    A descoberta, portanto, não significa que exista atualmente uma vacina específica disponível contra a nova espécie. Ela representa uma nova informação científica que pode subsidiar pesquisas futuras.

    O que é a ceratoconjuntivite infecciosa bovina?

    A ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB) é uma enfermidade ocular que afeta bovinos, principalmente bezerros e animais de raças europeias, também chamadas de taurinas.

    Entre os principais sinais estão:

    • inflamação nos olhos;
    • dor;
    • lacrimejamento;
    • lesões e úlceras na córnea;
    • comprometimento da visão.

    Em casos mais graves, a enfermidade pode provocar perda parcial ou total da visão.

    Além dos impactos sobre o bem-estar dos animais, a doença também pode trazer consequências para a produtividade do rebanho. A dor contínua tende a reduzir o apetite e o ganho de peso.

    O tratamento também exige manejo frequente dos animais, aumentando o trabalho necessário dentro da propriedade rural.

  • Dia dos Pais aquece vendas de carnes e reacende o ritual do churrasco em família

    Dia dos Pais aquece vendas de carnes e reacende o ritual do churrasco em família

    O Dia dos Pais volta a impulsionar as vendas de carne no Brasil. Neste ano, a data movimenta desde o varejo até restaurantes e churrascarias, em um cenário reforçado pelo desempenho recorde das exportações brasileiras de carne bovina e por um consumidor que segue priorizando o churrasco como programa central da comemoração.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    A VPJ Alimentos, um dos principais fornecedores de carnes nobres do país, projeta aumento de 10% nas vendas de cortes superpremium para o Dia dos Pais. Pedidos antecipados de supermercados, empórios, açougues, restaurantes e operadores de food service sustentam essa expectativa.

    Setor de bares e restaurantes também espera crescimento

    O movimento positivo se estende ao food service. Uma pesquisa da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostra que 76% dos estabelecimentos que abrem no Dia dos Pais esperam vender mais do que em 2025. A maior parte dos empresários, 65%, projeta crescimento de até 20%, enquanto 11% apostam em alta ainda maior. Na comparação com um domingo comum, o otimismo se mantém. 77% dos entrevistados esperam faturamento acima da média, e muitos restaurantes relatam que famílias inteiras escolhem o mesmo estabelecimento há gerações, transformando o almoço em tradição afetiva.

    No varejo alimentar, dados da Scanntech já haviam registrado crescimento de 8,2% no faturamento do Dia dos Pais de 2025 em relação a 2024. Puxado principalmente por carnes e itens voltados a refeições em família. Levantamentos recentes do setor supermercadista para 2026 também apontam alta expressiva em categorias associadas ao churrasco, como frango e suíno in natura, além de acompanhamentos tradicionais como pão de alho e maionese. Portanto, reforçando que o consumidor pensa a data como uma refeição completa, e não como itens isolados no carrinho.

    Exportações recordes sustentam a produção nacional

    O crescimento sazonal do consumo coincide com um momento histórico para a pecuária brasileira. No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou o melhor resultado da série histórica nas exportações de carne bovina. Foram 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$ 9,85 bilhões em receita, avanço de 15,5% em volume e 36,2% em faturamento frente ao mesmo período de 2025.

    O resultado consolida o país como um dos principais fornecedores mundiais de proteína bovina e evidencia a necessidade de uma cadeia produtiva cada vez mais eficiente e previsível.

    A preparação começa meses antes da data

    O consumidor percebe o aumento da demanda apenas no momento da compra, mas a produção de carne exige planejamento de longo prazo. A cadeia envolve manejo, nutrição, genética, biosseguridade e programas consistentes de prevenção de doenças. Fatores que garantem que os animais expressem seu potencial produtivo e cheguem ao frigorífico saudáveis.

    Carne na tábua
    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Nesse processo, a saúde animal cumpre papel estratégico. Investimentos em prevenção reduzem a ocorrência de enfermidades, diminuem perdas produtivas, favorecem o ganho de peso e aumentam a previsibilidade da produção. O que permite a pecuaristas e frigoríficos atender a picos sazonais de demanda com regularidade e qualidade.

    Para Daniel Miranda, gerente técnico da linha de Terminação da Zoetis Brasil, datas como o Dia dos Pais escancaram a importância do planejamento de toda a cadeia. Segundo ele, investimentos em vacinação, biosseguridade e manejo adequado dão mais previsibilidade ao produtor e ajudam a garantir que a proteína chegue ao consumidor com qualidade e segurança.

    Cadeia integrada garante proteína de qualidade na mesa

    Programas sanitários bem estruturados também contribuem para o uso mais racional dos recursos nas propriedades. Eles reduzem impactos econômicos decorrentes de doenças e fortalecem a sustentabilidade da atividade pecuária. Para um país que acumula recordes de produção e exportação, manter padrões sanitários elevados se torna diferencial competitivo diante das exigências dos mercados interno e externo.

    A integração entre pecuaristas, frigoríficos e empresas de saúde animal permite que toda a cadeia responda de forma coordenada aos períodos de maior consumo. Portanto, garantindo disponibilidade de proteína de qualidade e segurança alimentar. O churrasco do Dia dos Pais, afinal, começa muito antes da churrasqueira. Ele nasce no planejamento das fazendas e no compromisso de toda a cadeia com a saúde animal.

  • Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

    Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

    “Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

    Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

    “Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

    A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

    Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

    De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

    Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

    A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

    Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

    A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

    Diagnóstico molecular chega a outras doenças

    A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

    Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

    Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

    Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

    A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

    Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.

  • Mistério dos coelhos com ‘tentáculos’ volta a assustar nos EUA; entenda

    Mistério dos coelhos com ‘tentáculos’ volta a assustar nos EUA; entenda

    O aparecimento de coelhos com formações semelhantes a “tentáculos” voltou a repercutir nos Estados Unidos.

    Os novos relatos, compartilhados em redes sociais, reacenderam o interesse sobre o fenômeno que já havia viralizado anteriormente.

    Entenda o que está acontecendo

    Os primeiros registros amplamente divulgados ocorreram em 2025, no estado do Colorado, quando moradores relataram coelhos com crescimentos incomuns na região da cabeça.

    Na época, imagens dos animais circularam nas redes e geraram diversas especulações.

    Segundo autoridades ambientais, não se trata de tentáculos reais, mas de lesões causadas por infecção viral.

    Coelhos selvagens com ‘tentáculos’ na cabeça são fotografados nos EUA — Foto: Education Images/Universal Images Group

    Vírus é o responsável pelas alterações

    Os casos estão associados ao vírus do papiloma do coelho (CRPV), também conhecido como vírus de Shope, que provoca alterações na pele capazes de evoluir para verrugas e formações queratinizadas.

    A transmissão ocorre principalmente por meio de insetos vetores, como mosquitos e carrapatos, que levam o vírus entre coelhos em áreas de vida selvagem. A infecção começa com manchas avermelhadas na pele e pode evoluir para papilomas benignos, com risco, em casos mais graves, de progressão para carcinoma espinocelular.

    Recentemente, novos registros foram relatados em estados como Minnesota e Wisconsin.

    Risco para humanos é inexistente, dizem autoridades

    Apesar da aparência incomum dos animais, não há registros de transmissão do vírus para seres humanos.

    O Departamento de Parques e Vida Selvagem do Colorado reforça que o contato direto deve ser evitado apenas por precaução.

    A orientação oficial é não interferir na natureza e manter distância caso um animal apresente sinais da infecção.

  • Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    O diagnóstico molecular da brucelose ganha cada vez mais espaço na pecuária brasileira. A tecnologia acelera a identificação da doença e fortalece as ações de vigilância sanitária. Dados do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em outubro de 2025, mostram que a enfermidade ainda apresenta diferentes níveis de ocorrência entre os estados. Por isso, especialistas defendem métodos mais rápidos e precisos para ampliar o controle da doença.

    A classificação do PNCEBT considera o risco epidemiológico em cada estado. Para isso, o programa analisa a prevalência de focos e a efetividade das ações de defesa sanitária. Santa Catarina é o principal destaque. O estado registrou prevalência de apenas 0,9% dos focos e tornou-se o único do País enquadrado na categoria de menor risco para brucelose bovina e bubalina.

    Além dos prejuízos econômicos, a enfermidade preocupa por seu impacto na saúde pública. Isso ocorre porque a brucelose é uma zoonose e também pode atingir seres humanos.

    Diagnóstico molecular da brucelose amplia a precisão

    Segundo Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, o Brasil avançou nos programas de controle. No entanto, ainda existem diferenças importantes entre as regiões.

    “Embora o Brasil tenha avançado nos programas de controle da brucelose, os dados mostram que a doença ainda apresenta comportamentos distintos entre os estados. Por isso, é cada vez mais importante investir em diagnósticos mais rápidos e precisos, capazes de apoiar decisões sanitárias em tempo oportuno e reduzir a circulação do agente nos rebanhos”, afirma.

    A rapidez na identificação dos animais infectados faz diferença no combate à enfermidade. Quanto menor o tempo entre a coleta da amostra e o resultado do exame, mais rapidamente as equipes sanitárias conseguem agir. Dessa forma, elas isolam os animais positivos, realizam a investigação epidemiológica e evitam novos focos nas propriedades.

    Os laboratórios ainda utilizam amplamente os métodos sorológicos tradicionais. Entretanto, em algumas situações, esses exames exigem análises complementares. Como consequência, o diagnóstico pode demorar mais. Nesse cenário, o diagnóstico molecular da brucelose permite identificar diretamente o material genético da bactéria. Assim, os profissionais obtêm resultados com mais rapidez e precisão.

    Tecnologia fortalece a vigilância sanitária

    A bactéria do gênero Brucella provoca a doença e afeta principalmente bovinos e bubalinos. Entre os principais prejuízos estão abortamentos, nascimento de animais debilitados, redução das taxas de prenhez, descarte precoce de matrizes e queda da produtividade nas propriedades rurais.

    Apesar dos avanços nos programas sanitários, o MAPA aponta desafios importantes. Entre eles estão o tamanho dos rebanhos, a cobertura vacinal, os diferentes sistemas de produção e a estrutura dos serviços veterinários. Esses fatores influenciam o controle da doença em todo o País.

    Ao mesmo tempo, cresce a demanda por exames laboratoriais. Por isso, a modernização dos laboratórios tornou-se estratégica. A automação e o diagnóstico molecular da brucelose ampliam a capacidade de processamento das análises. Além disso, padronizam procedimentos e reduzem o tempo necessário para a emissão dos resultados.

    “As ferramentas moleculares e os sistemas automatizados estão transformando a rotina laboratorial ao permitir maior produtividade, padronização dos processos e rapidez na obtenção dos resultados. Isso fortalece os programas de vigilância sanitária e amplia a capacidade de resposta diante de doenças que impactam tanto a produção animal quanto a saúde pública”, destaca Tatiani.

    Por fim, especialistas avaliam que a combinação entre vacinação, monitoramento epidemiológico, fiscalização e diagnóstico molecular da brucelose fortalece o controle da enfermidade. Com isso, o setor reduz a circulação do agente infeccioso, protege os rebanhos e amplia a competitividade da pecuária brasileira.

  • Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    Pecuária dos EUA enfrenta praga considerada altamente perigosa

    A pecuária dos EUA voltou a acender o alerta sanitário após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmar um novo caso de mosca-varejeira-do-novo-mundo no estado do Texas. O animal afetado é um bezerro de apenas um mês de idade, localizado a cerca de 9 quilômetros do primeiro foco registrado na região.

    Segundo o USDA, a ocorrência já era esperada pelos especialistas que monitoram a disseminação da praga.

    “Todos os modelos previam a entrada da mosca-varejeira-do-novo-mundo no país em 2025”, afirmou Dudley Hoskins, subsecretário de marketing e programas regulatórios do órgão.

    Além disso, Hoskins destacou que a chegada da praga ao território americano era considerada provável pelos órgãos de vigilância. No entanto, ressaltou que a cooperação entre os estados e o setor privado tem contribuído para conter o avanço da infestação.

    Mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma praga perigosa, com potencial de causar grandes prejuízos — Foto: USDA

    Para reforçar o combate, o USDA informou que uma equipe especializada do serviço de inspeção foi enviada à área onde os focos foram identificados. Além disso, um entomologista passou a atuar diretamente na região para acelerar os processos de confirmação dos diagnósticos.

    Outra medida adotada pelas autoridades americanas envolve a liberação de mais de 2 milhões de larvas estéreis da mosca-varejeira-do-novo-mundo. Dessa forma, o governo busca interromper o ciclo reprodutivo do inseto e reduzir sua capacidade de propagação.

    Risco econômico para a pecuária

    A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das pragas de maior impacto para a produção animal. As larvas penetram na pele dos hospedeiros, provocando feridas, infecções, sofrimento e prejuízos produtivos.

    Além dos rebanhos comerciais, a praga também pode atingir animais domésticos e espécies silvestres. Por isso, as autoridades sanitárias mantêm vigilância constante para evitar a expansão dos focos.

    O USDA orienta produtores rurais e tutores de animais a observarem sinais como aumento de ferimentos, presença de larvas ou massas de ovos, comportamento de desconforto e lesões em áreas sensíveis, incluindo nariz, orelhas e região umbilical.

    Em relação à saúde humana, o órgão esclarece que os casos são incomuns:

    “Embora não seja comum em humanos, se você notar uma lesão suspeita em seu corpo ou suspeitar que possa ter contraído a mosca-da-berne, procure atendimento médico imediatamente”.

    Abastecimento de alimentos segue sem impacto

    Por outro lado, o USDA reforçou que não existem riscos para o abastecimento de alimentos nos Estados Unidos. Segundo o comunicado, a praga não afeta carnes, frutas ou hortaliças destinadas ao consumo.

    Além disso, os diagnósticos são confirmados durante processos de inspeção sanitária. Assim, produtos provenientes de animais infectados não chegam ao mercado consumidor, garantindo a segurança da cadeia de abastecimento.

     

  • Filhote de gorila nasce após cesariana rara; veja fotos

    Filhote de gorila nasce após cesariana rara; veja fotos

    Um procedimento veterinário incomum mobilizou especialistas em saúde animal e medicina humana nos EUA. A gorila Olympia, do Zoológico Woodland Park, passou por uma cesariana de emergência para dar à luz um filhote macho, em um caso considerado extremamente raro.

    A equipe responsável pela cirurgia atua, normalmente, em partos humanos. Além disso, entre os 17 nascimentos de gorilas registrados no zoológico, esta foi a primeira vez que uma cesariana precisou ser realizada. Em escala mundial, menos de uma dúzia de procedimentos semelhantes já foram documentados.

    Olympia pertence à espécie gorila-das-terras-baixas-ocidentais e este é seu segundo filhote. A gestação dos gorilas dura cerca de oito meses e meio, resultando em bebês que normalmente nascem com aproximadamente 1,8 quilo.

    Olympia no Zoológico, antes da gravidez — (Foto: Jeremy Dwyer-Lindgren/Zoológico Woodland Park)

    Exames apontaram complicações na gestação

    A decisão de realizar a cirurgia ocorreu após um ultrassom de rotina indicar alterações preocupantes. Diante dos resultados, a equipe médica precisou agir rapidamente para garantir a segurança da mãe e do filhote.

    “Tomamos a decisão crucial de anestesiar Olympia e chamar uma equipe de consultores médicos para avaliar o feto e determinar a melhor intervenção”, explicou o veterinário e diretor de Saúde Animal do Woodland Park, Dr. Tim Storms.

    Equipe que realizou o processo na gorila Olympia é especializada em partos humanos — (Foto: Nichole Hamilton/MFM Sonographe)

    Após ser anestesiada, Olympia foi transportada de ambulância até o hospital veterinário do zoológico. No local, especialistas realizaram um novo exame de ultrassom. O diagnóstico revelou redução do líquido amniótico e dilatação incompleta do colo do útero, quadro que indicava um trabalho de parto sem progressão adequada.

    Dessa forma, a equipe concluiu que o nascimento natural não seria possível.

    “Isso significava que Olympia não conseguiria dar à luz sem nossa ajuda, então tomamos a decisão crucial de realizar o parto por cesariana”, afirmou Storms.

    Segundo o diretor, além dos profissionais do zoológico, uma equipe obstétrica voluntária participou do procedimento.

    Cuidados intensivos

    Após o nascimento, os especialistas iniciaram imediatamente os protocolos de atendimento neonatal. A Dra. Sachita Shah, integrante do Departamento de Medicina de Emergência do Butterfly e da Universidade de Washington, destacou a importância da integração entre os profissionais envolvidos.

    “Quando o bebê nasceu, usamos a sonda para guiar os cuidados intensivos neonatais e a reanimação. Foi incrivelmente bem coordenado que todos visualizassem as mesmas informações na tela, o que permitiu a tomada de decisões compartilhadas com as equipes de saúde animal e de cuidados com gorilas do Zoológico Woodland Park”, relatou.

    Existem menos de meia dúzia de casos de cesarianas em gorilas registrados — (Foto: Nichole Hamilton/MFM Sonographe)

    Além disso, durante a primeira noite após a cirurgia, um tratador especializado em gorilas e um técnico veterinário permaneceram monitorando mãe e filhote. Os dois ficaram em uma área reservada, sem acesso do público, durante as primeiras 24 horas.

    De acordo com a equipe, esse período foi fundamental para permitir que Olympia se adaptasse à nova condição e fortalecesse os primeiros vínculos com o filhote.

    Outra gorila auxilia nos cuidados com o recém-nascido

    Outra fêmea do zoológico, chamada Jamani, que havia dado à luz uma semana antes, participou de uma etapa importante dos cuidados com o recém-nascido. Ela levou seu próprio bebê e também o filhote de Olympia até uma tela de proteção, permitindo que os tratadores realizassem sessões de alimentação com mamadeira.

    Esse comportamento foi resultado de um treinamento realizado durante sua gestação. Na época, os cuidadores ensinaram Jamani a levar uma boneca até a equipe sempre que fosse necessário simular um atendimento ao filhote.

    Agora, enquanto Olympia se recupera da cirurgia, os especialistas acreditam que Jamani continuará auxiliando nos cuidados com ambos os bebês.

    Segundo a equipe responsável pelo acompanhamento dos animais, o foco permanece na saúde dos filhotes e no processo de recuperação da mãe.

  • Agronegócio e pets impulsionam Brasil ao terceiro lugar no ranking global de saúde animal

    Agronegócio e pets impulsionam Brasil ao terceiro lugar no ranking global de saúde animal

    O Brasil consolidou sua posição como terceiro maior mercado de saúde animal do mundo, com faturamento de US$ 1,68 bilhão em 2023. O país fica atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram o ranking global, e da China, segundo dados do Health for Animals, entidade que representa desenvolvedores e fabricantes de produtos do setor.

    O mercado brasileiro representa 6% do faturamento global de saúde animal, estimado em US$ 28 bilhões. O agronegócio nacional, que responde por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) e exporta cerca de US$ 150 bilhões anualmente, impulsiona o crescimento do setor.

    Rebanho brasileiro sustenta demanda crescente

    O país mantém o maior rebanho bovino comercial do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças. Além disso, criadores brasileiros abatem 1,6 bilhão de aves por ano e mantêm aproximadamente 45 milhões de suínos. Esses números impõem a necessidade de padrões elevados de sanidade e produtividade, o que sustenta a procura por vacinas, medicamentos e soluções veterinárias de ponta.

    A demanda por tecnologias avançadas cresce à medida que produtores ainda pouco tecnificados adotam novas soluções. Especialistas projetam crescimento sustentável para os próximos anos, impulsionado por essa modernização do campo.

    Liderança na América Latina

    O Brasil lidera o mercado de saúde animal na América Latina e representa aproximadamente dois terços do faturamento regional, que alcançou US$ 3,3 bilhões em 2023. “O crescimento no mercado latino-americano, de 16,7% em relação a 2022, é impulsionado pelo protagonismo brasileiro”, afirma Emílio Salani, vice-presidente executivo do Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), parceiro do Health for Animals.

    O mercado de animais de companhia contribui significativamente para o avanço da saúde animal no país. Nos centros urbanos brasileiros, cães e gatos ocupam espaço cada vez mais importante no cotidiano das famílias, o que se reflete no aumento contínuo dos investimentos em saúde e bem-estar animal.

    Com aproximadamente 140 milhões de pets, o Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores mercados globais de animais de companhia. Fica atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. Tutores investem cada vez mais em serviços veterinários, ações preventivas, vacinação, medicamentos e atendimentos especializados, o que consolida o segmento como um dos mais dinâmicos da indústria.

    “A saúde animal é uma engrenagem fundamental tanto para o agronegócio como para o mercado pet. Os dois segmentos exigem cada vez mais qualidade e inovação e isso se reflete na busca por medicamentos que atendam a essas expectativas”, diz Salani.

  • Tecnologia no campo – conheça primeiro aplicativo de exame andrológico do país

    Tecnologia no campo – conheça primeiro aplicativo de exame andrológico do país

    A Embrapa apresentou ao mercado o primeiro aplicativo de exame andrológico do Brasil. Desenvolvido desde 2022, a nova ferramenta tem potencial para impulsionar a pecuária de corte no país. Além disso, ela vai auxiliar médicos-veterinários na seleção de reprodutores bovinos com melhor desempenho genético.

    A plataforma é gratuita e pode ser usada em dispositivos móveis e computadores em todo o território nacional. O app já está disponível para adoção por parceiros, em programas de melhoramento genético e empresas de equipamentos veterinários.

    “O aplicativo contém um conjunto de informações, organizadas e padronizadas, que auxiliam o médico-veterinário na realização de exames clínicos, físicos e morfológicos. Além disso, esses dados agilizam a emissão de laudos e o diagnóstico final para os proprietários”, explica a médica-veterinária Juliana Correa, coordenadora da iniciativa.

    Um dos principais benefícios do app é a padronização da qualidade dos exames andrológicos. Além disso, ele é capaz de gerar um banco de dados com informações relevantes para o setor, como quantidade de exames realizados por ano, idade dos touros, quantidade de patologias e regiões com mais problemas relacionados a enfermidades espermáticas.

    A importância do exame andrológico

    O exame andrológico é tão importante para os bovinos quanto os cuidados com a alimentação e a saúde. Um animal com problemas reprodutivos pode acarretar perdas de produção, além de transmitir essas características aos seus descendentes, comprometendo todo o rebanho.

    O exame é realizado nos bovinos machos que estão iniciando ou nos que já estão em idade reprodutiva. Ele consiste na avaliação clínica geral e da qualidade do sêmen para certificar o potencial reprodutivo do animal.

    Tecnologia ajuda no diagnóstico de bovinos.

    Além disso, os exames clínicos devem ser efetuados uma vez ao ano ou 60 dias antes da estação de monta – outubro a fevereiro. Um check-up completo pode detectar a causa da diminuição do potencial reprodutivo. Se confirmado o problema, o animal pode ser descartado a tempo.

    “Um touro infértil pode representar a perda de 25 a 50 bezerros, enquanto uma vaca infértil representa a perda de apenas um bezerro”, enfatiza a pesquisadora e especialista em reprodução animal Alessandra Nicacio. Ela lembra que cerca de 5% dos touros em serviço são inférteis e 20% a 40% são subférteis.

    O aplicativo foi desenvolvido por equipes da Embrapa Pantanal (MS) e Embrapa Gado de Corte (MS) utilizando tecnologia PWA (Progressive Web Application), o que permite que funcione perfeitamente em diversos dispositivos, com recursos de responsividade, atuação offline e usabilidade de gestos.