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  • Anvisa proíbe venda de sal “para atletas” sem registro sanitário

    Anvisa proíbe venda de sal “para atletas” sem registro sanitário

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta semana a apreensão de seis marcas de sal comercializadas pela internet: Quanqton Ocean Salts, Sal Integral Quanqton, Sal Perfeito, New Quantic, Endurance e Sal Marinho Integral. A agência atribui a fabricação dos produtos a uma empresa não identificada e proíbe, a partir de agora, sua produção, importação, distribuição, venda, divulgação e uso em todo o território nacional.

    Lojas virtuais anunciavam os itens em embalagens de 250g, 1kg e 2kg, mas nenhum deles possui registro junto à Anvisa. A ausência de regularização impede a agência de garantir a segurança e a qualidade do que estava sendo vendido ao consumidor.

    Rótulos traziam promessas não autorizadas

    A fiscalização também identificou propagandas que extrapolam o que a legislação permite para esse tipo de produto. Os fabricantes descreviam os sais como fórmulas “com concentração elevada de magnésio”, voltadas a atletas que precisam de “reposição mineral real durante e após o esforço físico intenso”.

    Outras alegações prometiam benefícios como prevenção de cãibras e fadiga muscular, reposição mineral em treinos longos e provas, “hidratação celular real” e recuperação mais rápida após exercícios intensos. Esse tipo de promessa terapêutica ou de desempenho físico exige comprovação técnica e aprovação prévia da Anvisa, o que não ocorreu nos casos analisados.

    Com a medida, comerciantes e plataformas de e-commerce devem retirar os seis produtos de circulação imediatamente. Consumidores que já compraram esses itens não devem consumi-los, já que a agência não pode assegurar sua composição nem sua segurança sanitária.

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  • Conheça a região que abastece 95% do sal marinho consumido no Brasil

    Conheça a região que abastece 95% do sal marinho consumido no Brasil

    O Rio Grande do Norte consolidou uma posição única e estratégica na economia brasileira. O estado detém o controle absoluto da produção de sal marinho no país, respondendo por impressionantes 95% de todo o volume nacional. Essa hegemonia transforma o RN no verdadeiro coração da indústria salineira brasileira, superando sozinho a soma de todos os demais estados produtores.

    O protagonismo potiguar não acontece por acaso. A região da Costa Branca, localizada no litoral oeste do estado, reúne condições naturais raras que a tornam praticamente imbatível na extração de sal marinho. O clima semiárido encontra o litoral em uma combinação geográfica única no Brasil, criando o cenário perfeito para a cristalização do sal.

    Os números climáticos explicam a vantagem competitiva: a região registra temperaturas médias em torno de 28°C, chuvas concentradas em apenas três a quatro meses do ano e evaporação anual que ultrapassa 2.000 milímetros. Quase três vezes superior à precipitação, que gira em torno de 700 milímetros anuais. Ventos constantes e secos aceleram o processo de evaporação, enquanto a salinidade natural das águas estuarinas varia entre 3,5 e 5 graus, produzindo um sal com teor de pureza que alcança 99,88%.

    As planícies flúvio-marinhas dos rios Apodi-Mossoró e Piranhas-Açu oferecem outro diferencial decisivo: solos de baixa permeabilidade e extensas áreas planas no nível do mar. Essas características naturais eliminam a necessidade de investimentos pesados em infraestrutura de drenagem e permitem a operação de salinas em escala industrial com custos competitivos.

    Macau e Mossoró concentram mais de 60% de toda a produção nacional

    A distribuição geográfica da produção salineira potiguar revela a força de dois municípios específicos. Macau e Mossoró, juntos, contribuem com mais de 60% de todo o sal marinho produzido no Brasil. Areia Branca, Grossos, Galinhos, Guamaré e Porto do Mangue completam o mapa produtivo da região.

    A produção anual do Rio Grande do Norte oscila entre 5,8 e 6,5 milhões de toneladas de sal, dependendo das condições climáticas de cada safra. Apenas a maior empresa do setor, a Salinor, extrai 2,5 milhões de toneladas por ano, operando salinas em Macau e Mossoró e respondendo por mais de 40% de todo o sal marinho brasileiro.

    A concentração industrial também impressiona: 76% da produção estadual está nas mãos de apenas seis empresas. Duas de grande porte e quatro de médio porte. Esse modelo empresarial combina produtores integrados, arrendamentos de estruturas e empresas que operam apenas refino ou marcas, sem manter salinas próprias.

    Indústria salineira gera 15 mil empregos diretos e movimenta 3,5% do PIB estadual

    O impacto econômico da indústria salineira ultrapassa os limites das salinas. O setor gera cerca de 15 mil empregos diretos e 50 mil empregos indiretos, sustentando famílias em toda a região da Costa Branca. A atividade contribui com 3,5% do Produto Interno Bruto do Rio Grande do Norte, posicionando o sal como um dos pilares da economia estadual.

    A movimentação logística durante a safra demonstra a dimensão da cadeia produtiva. Estima-se que aproximadamente 300 carretas circulam diariamente transportando sal das cidades produtoras e beneficiadoras. Mossoró destaca-se como o principal centro de beneficiamento, moagem, refino e comercialização de sal do país, agregando valor ao produto bruto extraído das salinas.

    Em janeiro de 2025, o setor salineiro foi incluído no Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (PROEDI) do Rio Grande do Norte, atendendo uma demanda histórica das empresas. O incentivo fiscal garante competitividade, previsibilidade e segurança jurídica ao setor até a implementação completa da Reforma Tributária, prevista para 2032.

    Exportação para EUA, Europa e África coloca o sal potiguar no mercado global

    O sal produzido no Rio Grande do Norte não abastece apenas o mercado interno brasileiro. Parte significativa da produção segue para exportação, com destinos nas Américas do Norte e do Sul, Europa e África. A qualidade e a pureza do sal marinho potiguar conquistaram reconhecimento internacional, fortalecendo a presença brasileira no mercado global.

    O Brasil ocupa atualmente a nona posição no ranking mundial de produção de sal, com média anual de 7,6 milhões de toneladas. Volume do qual o Rio Grande do Norte responde por quase a totalidade. As exportações brasileiras aproximam-se de 1 milhão de toneladas anuais, movimentando dezenas de milhões de dólares.

    O Terminal Salineiro de Areia Branca, conhecido como Porto-Ilha, desempenha papel estratégico nesse fluxo comercial. Trata-se de uma estrutura offshore construída em alto mar, distante cerca de 14 milhas náuticas do litoral de Areia Branca. Dedicado exclusivamente à exportação de sal marinho, o terminal permite o embarque de grandes volumes em navios de longo curso.

    Entre os principais mercados consumidores estão países de clima temperado como Estados Unidos, Canadá e nações europeias, que utilizam o sal brasileiro para derreter o gelo acumulado nas estradas durante o inverno. Essa aplicação específica garante demanda constante e adiciona um componente de segurança viária ao valor estratégico do produto.

    Desafios ambientais e tarifas internacionais ameaçam o setor

    Apesar da posição dominante e da importância econômica, a indústria salineira potiguar enfrenta desafios complexos que podem comprometer seu futuro. A questão ambiental ocupa o centro das preocupações, com empresas pressionadas a regularizar ocupações em Áreas de Preservação Permanente (APPs), especialmente em regiões de manguezais, apicuns e salgados.

    Em 2013, a Operação Ouro Branco, deflagrada pelo Ibama, resultou na autuação de 35 salinas por ocupações irregulares. Foram aplicadas 112 multas que somaram cerca de R$ 80 milhões, além de 19 áreas embargadas e 45 notificações. O Ministério Público Federal propôs acordos de regularização que preveem desocupação de APPs e compensação ambiental pelos danos causados ao longo de anos de operação em desacordo com as normas legais.

    O cenário internacional também apresenta ameaças concretas. Os Estados Unidos impuseram tarifa de 50% sobre importações de sal brasileiro, medida que coloca em risco até 4 mil empregos diretos no setor, segundo estimativa do sindicato local. Países concorrentes como Chile, Egito, Namíbia e México enfrentam tarifas menos drásticas no mercado americano, criando desvantagem competitiva para o produto potiguar.

    Internamente, o setor sofre com a baixa inovação tecnológica, diversidade de legislações conflitantes, custos elevados de processos judiciais e falta de capital subsidiado pelo governo. A ausência de uma estrutura organizacional coesa, com disputas entre órgãos reguladores como Ibama, Idema e Ministério Público, dificulta avanços mais estruturais e investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

    História

    A história da indústria salineira no Rio Grande do Norte remonta ao período colonial. Documentos do início do século XVII já destacavam as riquezas das salinas potiguares e a excelência do sal ali existente. A atividade ganhou impulso econômico a partir do século XX, especialmente após 1889, com o regime republicano. Na década de 1960, incentivos fiscais da Sudene promoveram a mecanização da produção, com grupos nacionais e estrangeiros modernizando o parque salineiro de Mossoró, Grossos, Areia Branca e Macau.

    A atividade salineira transformou a paisagem, a cultura e a economia de toda a região da Costa Branca. O sal deixou de ser apenas um produto comercial para se tornar elemento identitário do povo potiguar. As salinas moldaram o desenvolvimento urbano, geraram tradições e sustentaram comunidades por gerações.

    O futuro desse “império do sal” dependerá da capacidade de equilibrar produção econômica, sustentabilidade ambiental e competitividade internacional. A equação envolve manter mercados, proteger empregos, modernizar infraestrutura e resolver impasses regulatórios. Desafios que decidirão se o Rio Grande do Norte continuará brilhando como o coração salineiro do Brasil ou se enfrentará retração sob pressões externas e internas.