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  • El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    O El Niño ameaça reduzir em até um quinto a safra recorde de café que o Brasil esperava colher neste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O calor excessivo e as chuvas irregulares já comprometem lavouras em diversas regiões produtoras do país.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção total de 66,7 milhões de sacas de 60 quilos de café arábica e canephora, categoria que inclui variedades como robusta e conilon. Mas a deterioração das condições climáticas durante o ciclo do El Niño pode derrubar drasticamente esse número, alerta o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva.

    “Estamos falando agora de uma perda de safra entre 15% e 20%, o que em um ano normal estaria dentro do esperado. Mas, no cenário atual, isso é uma notícia muito ruim”, afirmou Silva em entrevista.

    Produtores enfrentam o fenômeno com mais preparo

    Apesar do cenário desfavorável, os cafeicultores brasileiros chegam a este ciclo de El Niño mais preparados do que em episódios anteriores. Avanços tecnológicos tornaram a cultura mais resistente às variações climáticas, segundo Silva.

    “Fizemos avanços significativos e hoje conseguimos plantar e colher com mais eficiência”, destacou o executivo da Abic.

    Nos últimos anos, os produtores reforçaram a capacidade de mitigar riscos climáticos ao expandir rapidamente os sistemas de irrigação. O setor investiu fortemente nessa tecnologia para reduzir a dependência de chuvas cada vez mais irregulares. Um efeito direto das mudanças climáticas.

    Florada desuniforme preocupa cooperativas mineiras

    Ainda assim, especialistas esperam que o El Niño afete o ciclo biológico do café, especialmente durante o período de florada no segundo semestre de 2026. O calor excessivo e as chuvas irregulares podem provocar floradas desuniformes e mal-sucedidas.

    “A maturação irregular gera problemas de qualidade e torna a colheita mais desafiadora”, explicou Wellis Caixeta, gerente de compras de café da cooperativa Expocacer, em Minas Gerais.

    O precedente preocupa o setor. O El Niño de 2023/24, combinado a ondas de calor e chuvas irregulares, reduziu a safra brasileira de café de 2024: a estimativa inicial do governo, de 58,8 milhões de sacas, caiu para 54,2 milhões. Apesar do ciclo bienal positivo do arábica, a produção cresceu apenas 0,2%, enquanto a produtividade do conilon recuou 5,9%.

    O fenômeno já pode explicar algumas anomalias observadas neste ano, como as chuvas incomuns registradas no Sudeste do Brasil no último mês. A Expocacer estima que precipitações superiores a 50 milímetros nas regiões produtoras de arábica, cerca de 40 dias atrás, atrasaram a colheita e derrubaram uma quantidade significativa de frutos no chão, o que prejudicou a qualidade dos grãos.

    Espírito Santo teme prolongamento da seca até 2027

    O Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café canephora, também registrou clima irregular neste ano. Intervalos maiores entre chuvas se combinaram com precipitações mais curtas e intensas, segundo Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, maior cooperativa de canephora do país.

    Os produtores capixabas temem que o El Niño prolongue os períodos de seca e calor excessivo até janeiro de 2027, o que prejudicaria o enchimento dos grãos, afirmou Bastianello.

    A produção de conilon no estado já deve cair 15% neste ano por causa do ciclo bienal natural da cultura, que alterna entre anos de alta e baixa produtividade. Ainda assim, Bastianello considera cedo para prever o impacto real do El Niño em 2027.

    “O calor é o maior risco para perdas severas na safra. Acima de 27°C, o canephora reduz seu metabolismo, e a 35°C ele para completamente. Os danos muitas vezes superam os causados pela falta de água em si”, acrescentou o presidente da Cooabriel.

    Rondônia projeta safra recorde de robusta

    O cenário muda no Norte do Brasil, onde temperaturas e chuvas permaneceram, em grande parte, dentro dos padrões sazonais neste ano. Em Rondônia, os produtores projetam uma safra recorde de 3 milhões de sacas de 60 kg. Um volume que supera a previsão da Conab, de 2,77 milhões de sacas.

    O calor e a seca associados ao El Niño provavelmente não atingirão o robusta de Rondônia com a mesma intensidade que afeta as regiões produtoras de arábica, avaliou Juan Travain, presidente da associação estadual Caferon.

    “O café é altamente sensível às variações de temperatura, mas praticamente todas as lavouras de robusta são irrigadas, e algumas também utilizam sistemas de resfriamento com água. Muitas propriedades de arábica, por outro lado, ainda não possuem irrigação”, explicou Travain.

  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    A safra brasileira de café em 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 kg, alta de 18% em relação ao ciclo anterior, segundo o 2º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana. Se confirmado, o volume estabelecerá um novo recorde na série histórica da estatal, superando o desempenho de 2020, quando o país colheu 63,08 milhões de sacas.

    O avanço da produção reflete o ciclo de bienalidade positiva, a expansão das áreas em produção e as condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A área total destinada à cafeicultura deve crescer 3,9%, somando 2,34 milhões de hectares, dos quais 1,94 milhão já em produção e 401,7 mil em formação.

    A produtividade média nacional também apresenta recuperação relevante e deve atingir 34,4 sacas por hectare, avanço de 13% na comparação anual.

    Arábica lidera crescimento da safra

    A produção de café arábica deve somar 45,8 milhões de sacas, um salto de 28% em relação ao ano passado. O volume configura a terceira maior safra da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018.

    O desempenho reflete diretamente o efeito da bienalidade positiva, que favorece maior carga produtiva, além do clima mais regular ao longo do ciclo, especialmente em fases críticas como florada e enchimento de grãos.

    Conilon cresce com apoio da área cultivada

    Para o café conilon, a Conab projeta uma produção de 20,9 milhões de sacas, leve alta de 0,8% frente à safra anterior. O crescimento ocorre mesmo com a queda de 3,5% na produtividade média, estimada em 53,9 sacas por hectare.

    A expansão da área em produção, que deve atingir 388,22 mil hectares, sustenta o resultado positivo e compensa o recuo no rendimento das lavouras.

    Minas Gerais impulsiona produção nacional

    Minas Gerais, principal produtor de café do país, deve colher 33,4 milhões de sacas, considerando arábica e conilon. O volume representa um aumento de 29,8% em relação à safra passada.

    O estado se beneficia da bienalidade positiva e de uma melhor distribuição das chuvas, principalmente no período pré-florada, além de condições climáticas favoráveis até março, fatores que garantiram boa granação e elevaram a produtividade.

    Espírito Santo mantém estabilidade com destaque para arábica

    No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a produção total deve atingir 18 milhões de sacas, alta de 3%. O arábica lidera o crescimento, com avanço de 27,9% na produtividade e produção estimada em 4,4 milhões de sacas.

    Já o conilon deve registrar queda de 4,2%, com colheita prevista em 13,6 milhões de sacas. O recuo reflete o alto desempenho registrado em 2025 e as temperaturas abaixo da média durante o ciclo, que afetaram o desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, a produtividade segue como a segunda maior da série histórica no estado.

    Bahia, São Paulo e Rondônia ampliam produção

    Na Bahia, a safra deve crescer 5,9%, alcançando 4,7 milhões de sacas. O resultado combina clima regular, maior investimento em manejo e entrada de novas áreas em produção.

    Em São Paulo, onde predomina o cultivo de arábica, a produção pode atingir 5,9 milhões de sacas, alta de 24,6%.

    Rondônia, com produção exclusiva de conilon, deve colher 2,8 milhões de sacas, crescimento de 19,4%. O avanço resulta da renovação de lavouras com materiais clonais mais produtivos e das condições climáticas favoráveis desde o início do ciclo.

    Exportações caem no início do ano, mas devem reagir

    O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de café entre janeiro e abril de 2026, queda de 22,5% na comparação anual, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A redução reflete os baixos estoques internos, pressionados pela menor produção nos ciclos anteriores e pela demanda externa aquecida. Com a recuperação da safra, a expectativa é de retomada das exportações no segundo semestre.

    Produção global cresce, mas preços seguem sustentados

    No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de 178,8 milhões de sacas no ciclo 2025/26, alta de 2%.

    Mesmo com o avanço, os preços devem permanecer firmes, sustentados pelos baixos estoques globais e pela expectativa de crescimento de 1,3% na demanda, estimada em 173,9 milhões de sacas.

  • RS projeta safra recorde de noz-pecã e reforça liderança nacional

    RS projeta safra recorde de noz-pecã e reforça liderança nacional

    O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 90% da produção de noz-pecã consumida no Brasil, caminha para registrar uma safra histórica em 2026. A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta para uma colheita de 8 mil toneladas, volume muito superior às 5,2 mil toneladas alcançadas no ciclo anterior.

    De acordo com o gerente regional da Emater, Guilherme Passamani, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e impulsionaram o resultado esperado. Segundo ele, as chuvas ocorreram em períodos estratégicos, o que contribuiu diretamente para a formação da supersafra observada neste ano.

    Além das precipitações regulares, os produtores também se beneficiaram de dias ensolarados e ventos leves durante as fases de brotação e floração das nogueiras. Esse cenário criou condições ideais para elevar a produtividade dos pomares. Enquanto isso, a colheita segue até junho e ocorre de maneira mecanizada, com máquinas que sacodem as árvores para derrubar os frutos.

    Cultivo exige cuidados

    Na região Central do estado, uma propriedade localizada em Santa Maria mantém cerca de 20 mil nogueiras distribuídas em 120 hectares. Depois da colheita, os produtores encaminham as nozes para etapas de limpeza, seleção e classificação por tamanho.

    O produtor Eduardo Klumb ressalta que o manejo adequado tem papel decisivo no desempenho das plantações. Segundo ele, além de aproveitar os anos de maior produtividade, o cultivo exige adubação constante e aplicação correta de defensivos agrícolas para garantir bons resultados.

    Atualmente, Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Anta Gorda e Santa Maria concentram as maiores áreas de cultivo de noz-pecã no Rio Grande do Sul. Com o bom desempenho das lavouras, o setor acredita que novos produtores devem investir na cultura, ao mesmo tempo em que o mercado tende a ampliar sua demanda.

    Hoje, a Itália lidera as compras da noz-pecã produzida no estado, e a expectativa dos produtores segue positiva para os próximos anos. O presidente do Instituto Brasileiro de Pecan (IBPecan), Instituto Brasileiro de Pecan, Claiton Wallauer, afirma que o Rio Grande do Sul já possui entre 8 mil e 9 mil hectares plantados com nogueira-pecã. Além disso, ele projeta que a produção nacional poderá ultrapassar 15 mil toneladas até 2030.

    O retorno financeiro da atividade também impulsiona a expansão da cultura no estado. Conforme observa Guilherme Passamani, muitos produtores que iniciam o cultivo acabam ampliando suas áreas devido aos resultados positivos, o que também incentiva novos investidores a ingressarem no setor.

  • Safra recorde de soja causa filas de 30 km no porto de Miritituba (PA)

    Safra recorde de soja causa filas de 30 km no porto de Miritituba (PA)

    O escoamento da safra recorde de soja do Brasil enfrenta um gargalo logístico em Miritituba (PA), um dos principais polos de transporte fluvial do país. Milhares de caminhões aguardam para descarregar grãos nos terminais da região, refletindo as dificuldades de infraestrutura que ainda comprometem a eficiência do agronegócio brasileiro.

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    Neste início de colheita, motoristas relatam filas que ultrapassam 30 quilômetros, formadas por veículos vindos principalmente do Mato Grosso, estado responsável pela maior parte da produção nacional. O problema ocorre em meio a uma safra histórica, estimada em 180 milhões de toneladas, grande parte destinada à China.

    “Está uma vergonha aqui em Miritituba”, afirmou o caminhoneiro Jeferson Borges da Silva, que percorreu 1.200 quilômetros para entregar a carga. “Nós já estamos há dois dias na fila, e este ano foi o pior.”

    Protestos agravam gargalos no escoamento da soja

    Enquanto os caminhoneiros enfrentam longas esperas, protestos de comunidades indígenas em Santarém (PA) aumentaram a pressão sobre o sistema logístico. Os manifestantes ocuparam um terminal da Cargill em fevereiro, em ato contra o projeto de dragagem e ampliação da navegação na Bacia Amazônica.

    A ação levou o governo federal a revogar um decreto que simplificava o processo de ampliação das hidrovias da região, gerando incerteza entre os exportadores de grãos.

    Segundo o caminhoneiro Wellington Bressan, o medo de mais interrupções acelerou a chegada de motoristas a Miritituba. “O caminhoneiro vive de comissão. Se trabalha, ele ganha. Por isso todo mundo correu pra cá antes que parasse tudo”, relatou.

    A Cargill confirmou a suspensão temporária das operações em Santarém durante os protestos, mas afirmou nesta semana que está retomando as atividades. Em nota, a companhia agradeceu a “resiliência” dos colaboradores e reforçou o compromisso em transportar alimentos de forma segura e confiável.

    Estrutura precária limita crescimento do corredor logístico do Norte

    Para o pesquisador Thiago Pera, especialista em logística da Universidade de São Paulo (USP), a revogação do decreto atrasa os avanços necessários para melhorar o corredor de exportação do Norte, considerado estratégico para ampliar a competitividade do agro brasileiro.

    “O cenário está cada vez mais desafiador”, avaliou Pera. “A dragagem dos rios permitiria a passagem de embarcações maiores o ano todo, o que reduziria a dependência do transporte rodoviário e os custos de frete.”

    Atualmente, cerca de 60% das exportações agrícolas do Brasil utilizam caminhões. A falta de pátios adequados para estacionar os veículos agrava o problema. “Como é que você vai colocar mil caminhões num pátio que só comporta quinhentos?”, questionou a caminhoneira Sonia da Silva.

    Empresas como Cargill, Bunge e Amaggi operam os terminais fluviais de Miritituba, que movimentam cerca de 12 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho.

    Com o avanço da colheita, especialistas alertam que o país precisa acelerar investimentos em infraestrutura e planejamento logístico para evitar que o escoamento do recorde produtivo se transforme em caos nas estradas e portos.

  • Serra da Mantiqueira deve ter safra recorde de azeite em 2026

    Serra da Mantiqueira deve ter safra recorde de azeite em 2026

    A colheita de azeitonas iniciada há cerca de 30 dias na Serra da Mantiqueira já indica um cenário histórico para a olivicultura mineira. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), os resultados iniciais do serviço de extração de azeite no Campo Experimental de Maria da Fé superam as expectativas e reforçam a projeção de safra recorde em 2026.

    O coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura, destaca que a colheita atual confirma a tendência de alta iniciada em 2024, quando foram produzidos cerca de 150 mil litros de azeite. “A quantidade de frutos e a qualidade do óleo mostram que podemos ultrapassar o recorde da região. A safra é resultado direto da excelente florada de 2025, beneficiada pelas condições climáticas ideais do último inverno”, ressalta.

    Além das condições de clima e frio acumulado, a bienalidade da oliveira (alternância natural entre anos de menor e maior produtividade) explica o desempenho da atual colheita. Em 2025, a produção caiu para cerca de 60 mil litros, abrindo espaço para o ciclo de alta previsto para este ano.

    Crescimento da olivicultura mineira

    Com cerca de 100 produtores, 25 agroindústrias e 50 marcas próprias, a olivicultura da Serra da Mantiqueira vem consolidando sua presença no cenário nacional. A Epamig tem papel central nesse avanço, ao desenvolver e difundir tecnologias de extração e manejo que aumentam a qualidade dos azeites produzidos em Minas Gerais.

    Luiz Augusto, gerente dos Olivais de Quelemém — fazenda parceira da Epamig — destaca que a produção da Mantiqueira desperta atenção internacional. “Hoje, especialistas do Conselho Oleícola Internacional e azeitólogos de renome reconhecem a qualidade do nosso azeite. Essa visibilidade reforça o potencial da safra de 2026, que pode superar 300 a 400 mil litros na região”, afirma.

    Evento Azeitech 2026

    A Epamig realiza em 10 de abril a 6ª edição do Azeitech, no Campo Experimental de Maria da Fé, com participação gratuita. O evento reunirá o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura, com palestras, demonstrações e estações práticas focadas no dia a dia do produtor.

    Foto: Diego Vargas/Seapa

    “O Azeitech conecta o conhecimento das pesquisas da Epamig com a experiência dos produtores e empresas do setor. Participamos todos os anos, porque sempre há inovações relevantes para o campo”, destaca Luiz Augusto.

  • Exportações de café têm pior janeiro desde 2017/18

    Exportações de café têm pior janeiro desde 2017/18

    As exportações brasileiras de café registraram o menor volume para janeiro desde a safra 2017/18. Dados do Cecafé mostram que o Brasil embarcou 2,78 milhões de sacas de 60 kg em janeiro de 2026. O volume ficou 30,8% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.

    Além disso, o resultado representa o pior desempenho para janeiro em oito safras. Segundo pesquisadores do Cepea, a safra 2025/26 apresenta produção reduzida e estoques nacionais apertados. Por isso, a oferta limitada deve continuar restringindo as exportações brasileiras. Ainda conforme o Cepea, esse cenário deve persistir até o início da colheita 2026/27.

    Colheita

    A colheita e o beneficiamento da nova temporada devem ganhar ritmo apenas entre maio e junho. Enquanto isso, os preços elevados também pressionaram os embarques nos primeiros meses da safra 2025/26.

    Queda de preço no Brasil

    No mercado interno, o menor volume exportado se soma às expectativas de safra recorde. Com isso, os preços domésticos do café registram queda em 2026.  Desde o início do ano, o preço do café arábica acumula recuo de cerca de 14%.

    O Indicador CEPEA/ESALQ considera o tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista. Já o café robusta registra desvalorização ainda mais intensa no mesmo período. O Indicador CEPEA/ESALQ do robusta, tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, caiu 17% em 2026.

  • Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    O Brasil inicia a colheita das culturas de primeira safra projetando uma produção de 353,4 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/26. O volume representa um crescimento de 0,3% sobre o ciclo 2024/25 e mantém o país na rota de um novo recorde histórico, segundo o 5º Levantamento da Safra divulgado nesta quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Os agricultores brasileiros expandiram a área plantada para 83,3 milhões de hectares, um avanço de 1,9% que corresponde a 1,5 milhão de hectares adicionais. A produtividade média nacional, no entanto, registra queda de 1,5%, passando de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.244 quilos por hectare no ciclo atual.

    Soja lidera crescimento e estabelece novo marco produtivo

    A cultura da soja consolida sua posição como protagonista da safra brasileira. A Conab projeta uma colheita de 178 milhões de toneladas da oleaginosa, um incremento de 6,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo passado e um novo recorde para a cultura.

    As condições climáticas favoráveis impulsionam o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras. A colheita da soja já avança em 17,4% da área plantada, superando o mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso, maior estado produtor do grão, os agricultores já colheram 46,8% da área, e as produtividades alcançam os níveis estimados inicialmente.

    Milho prevê recuo na produção total, mas primeira safra cresce

    A produção total de milho deve atingir 138,4 milhões de toneladas, representando uma redução de 1,9% em relação ao ciclo anterior. Apesar da queda geral, a primeira safra do cereal apresenta desempenho positivo, com crescimento de 7,2% na área plantada, que chega a 4 milhões de hectares, e produção estimada em 26,7 milhões de toneladas — aumento de 7,1% sobre a safra anterior.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Para a segunda safra, os produtores destinam 17,9 milhões de hectares. O plantio já atinge 21,6% da área estimada na primeira semana de fevereiro, com projeção de colheita de 109,3 milhões de toneladas.

    Arroz reduz área plantada, mas garante abastecimento interno

    Com a semeadura praticamente concluída, a área destinada ao arroz atinge 1,6 milhão de hectares, 11,6% inferior ao ciclo anterior. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, as lavouras atravessam pleno desenvolvimento vegetativo. As chuvas recentes recuperaram os níveis dos mananciais, que enfrentavam redução hídrica nas regiões produtoras do estado.

    arroz
    Foto: Giovani Wrasse/Irga

    A Conab estima uma produção de 10,9 milhões de toneladas. Mesmo com a expectativa de queda, o volume garante o abastecimento do mercado interno.

    Feijão mantém estabilidade e Minas Gerais lidera primeira safra

    A produção de feijão deve se manter próxima a 3 milhões de toneladas, somando os três ciclos da leguminosa. A primeira safra registra redução de 11,4% na área plantada, totalizando 804,7 mil hectares, com expectativa de produção de 967,2 mil toneladas, 9% inferior à safra passada.

    Foto: Divulgacão/GovBA

    A região Sul, especialmente o Paraná, influencia a queda nos números. Em contrapartida, Minas Gerais prevê aumento de 9,5% na produção, chegando a 224,6 mil toneladas e assumindo a liderança como principal produtor de feijão no primeiro ciclo.

    Algodão reduz área plantada em 3,2%

    Os produtores de algodão destinam cerca de 2 milhões de hectares para o cultivo da fibra, redução de 3,2% em relação à safra anterior. A área cultivada deve resultar em uma produção de 3,8 milhões de toneladas de pluma. A Conab informa que os agricultores já semearam 88,1% da área total.

    Foto: divulgação – Embrapa/Fabiano José Perina

    Mercado de milho bate recordes em exportação e consumo interno

    A Conab consolida os dados da comercialização do milho da safra 2024/25. A produção recorde do ciclo passado impulsionou as exportações para 41,5 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A ampla oferta interna e a maior demanda internacional pelo grão elevaram as vendas ao mercado externo. O consumo interno também atingiu novo recorde histórico, saltando de 84 milhões de toneladas na temporada 2023/24 para 90,5 milhões de toneladas na safra passada. O aumento da utilização do milho na produção de etanol explica o crescimento, consolidando a relevância do cereal no setor energético.

    Para a temporada 2025/26, a expectativa aponta novo incremento tanto nas exportações quanto no consumo interno, com estimativas de 46,5 milhões de toneladas e 94,5 milhões de toneladas, respectivamente. Mesmo com a elevação, os estoques de passagem do grão devem se manter em torno de 12 milhões de toneladas em janeiro de 2027.

  • Produção de trigo na Argentina coloca qualidade do pão brasileiro em risco

    Produção de trigo na Argentina coloca qualidade do pão brasileiro em risco

    A Argentina se prepara para colher uma safra recorde de trigo de 24,5 milhões de toneladas na temporada 2025/26, assegurando o abastecimento para o Brasil, seu principal cliente. No entanto, a exuberante quantidade esconde uma preocupação que chegou aos ouvidos e olhos de representantes da indústria moageira brasileira: a queda na qualidade do grão.

    A projeção histórica, divulgada pela Bolsa de Comercio de Rosario, supera todos os recordes anteriores e coloca o país em posição de exportar cerca de 20 milhões de toneladas. Desse total, o Brasil, que deve importar aproximadamente 5 milhões de toneladas este ano, é o destino mais importante.

    “Temos grande otimismo com a comercialização externa, que dependerá da demanda do Brasil”, afirmou Bruno Ferrari, líder de análises econômicas da Bolsa de Rosario.

    Preocupação na prática: missão técnica confirma queda na qualidade

    O otimismo com o volume, porém, foi temperado pela realidade observada em campo. Entre os dias 18 e 20 de novembro, uma missão de representantes de moinhos brasileiros, o Giro Abitrigo – Argentina, percorreu lavouras, terminais portuários e reuniu-se com especialistas do setor na província de Santa Fé. A constatação foi unânime: a falta de segregação (separação por qualidade) na exportação e as condições climáticas devem resultar em um trigo de qualidade inferior.

    “O volume é muito alto, mas temos a expectativa de um grão inferior. Para o Brasil, isso significa que os moinhos precisarão estar atentos e buscar soluções para garantir a qualidade ao cliente final”, alertou Eduardo Assêncio, superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

    Impacto para a indústria brasileira e busca por soluções

    O cenário coloca os moinhos nacionais em estado de atenção. A Argentina é um fornecedor estratégico, responsável por grande parte do trigo importado pelo Brasil, especialmente no Nordeste, onde supre 85% do consumo.

    Para Fábio Augusto Lopes, diretor financeiro do Grande Moinho Cearense, que participou do Giro Abitrigo, a experiência foi essencial. “A troca de experiências e o contato direto com produtores ampliaram meu entendimento sobre o produto e suas especificidades técnicas. Isso é crucial para enfrentarmos os desafios da qualidade”, disse.

    Apesar das preocupações, há espaço para cautela. Um representante da ocrim notou que lotes recentes já mostram uma melhora, principalmente no teor de proteína. A competitividade de preços e o volume exportável da Argentina seguem como fatores atrativos inquestionáveis.

    Um ano de gestão estratégica

    O setor se vê diante de um paradoxo: uma oferta abundante e preços competitivos, porém com um desafio qualitativo. A missão técnica reforçou a necessidade de estratégias de gestão e negociação mais apuradas para a próxima temporada.

    “Finalizamos o Giro Abitrigo com um saldo muito positivo. O grupo pôde conhecer as condições da safra, o que possibilita uma melhor programação para a chegada dos lotes. Esse é o objetivo: oferecer conhecimento para que o negócio do trigo no Brasil siga crescendo em lucratividade e qualidade”, finalizou Eduardo Assêncio, da Abitrigo.

    A safra recorde argentina chega, portanto, como uma boa notícia que exige cuidado, transformando 2026 em um ano de teste para a resiliência e a expertise da indústria de moagem brasileira.

  • Soja, milho e arroz puxam safra recorde no Brasil

    Soja, milho e arroz puxam safra recorde no Brasil

    O agronegócio brasileiro confirma sua força e projeta um novo marco histórico para 2025. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de grãos no Brasil deve atingir o recorde de 341,9 milhões de toneladas. Um volume 63% superior ao registrado há dez anos. O desempenho é resultado da expansão da área plantada, que cresceu 41% na última década. E de significativos ganhos de produtividade, que subiu 15,6% no mesmo período.

    A evolução do setor fica clara ao comparar os dados. Em 2015, o país colheu 209,5 milhões de toneladas em 57,6 milhões de hectares, com uma produtividade média de 3,64 toneladas por hectare. Para 2025, a estimativa é de uma colheita de 341,9 milhões de toneladas, espalhadas por 81,3 milhões de hectares. Com uma produtividade média saltando para 4,21 toneladas por hectare.

    Um dos motores desse crescimento é a demanda internacional aquecida. Conforme a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), as exportações brasileiras de soja devem atingir 102,2 milhões de toneladas, superando os volumes de anos anteriores. A China se mantém como o principal destino, tendo importado 6,5 milhões de toneladas apenas em setembro, o que representa 93% do total exportado pelo Brasil no mês.

    Por trás dos números, está o investimento contínuo em inovação. Renato Francischelli, country director da Ascenza Brasil, destaca que “o uso de tecnologias, melhores sementes, insumos e práticas de manejo melhoradas são os condutores desse ganho de produtividade”. Ele ressalta que a proteção correta das plantas e o respeito ao meio ambiente são fatores decisivos para que o Brasil siga como líder na produção global de alimentos.

    Soja, milho e arroz lideram com 92,6% da produção

    A tríade de grãos que sustenta a produção nacional é formada por soja, milho e arroz. Juntos, eles respondem por 92,6% da estimativa da produção total e 88,0% da área colhida. As projeções do IBGE para 2025 são:

    • Soja: 165,9 milhões de toneladas
    • Milho: 138,4 milhões de toneladas
    • Arroz: 12,4 milhões de toneladas

    No mapa da produção, Mato Grosso se mantém como o maior produtor nacional, com participação de 32,4%. O estado é seguido pelo Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,4%), Mato Grosso do Sul (7,4%) e Minas Gerais (5,5%).

    Com expectativas de crescimento contínuo, inclusive com previsão do Ministério da Agricultura (Mapa) de expansão de 40% na área de soja na próxima década, o setor de grãos se consolida como um dos principais motores da economia brasileira, reforçando a resiliência e a competência do produtor rural nacional.