Tag: safra brasileira

  • Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (18) uma nova legislação que amplia os instrumentos do governo para enfrentar os impactos do El Niño no campo e reforçar os estoques públicos de alimentos.

    Entre as principais mudanças está a possibilidade de o governo comprar determinados produtos agrícolas por valores até 25% superiores ao preço mínimo estabelecido para a safra.

    A medida abre caminho para ampliar os estoques administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em um período de preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre a produção e o abastecimento.

    A estratégia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) prevê a compra de até 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.

    Caso seja necessário para viabilizar a formação dos estoques, o governo poderá pagar acima do preço mínimo, respeitando o limite estabelecido pela nova legislação.

    O que muda nas compras da Conab

    Até então, a legislação condicionava a aquisição para formação de estoques à situação em que os produtos estivessem negociados abaixo do preço mínimo.

    O mecanismo funcionava principalmente como instrumento de sustentação de preços e renda do produtor. Entretanto, essa condição restringia a atuação da Conab quando os preços estavam acima desse patamar, mesmo diante da necessidade de recompor estoques.

    Com a mudança, o governo ganha maior margem para realizar compras públicas voltadas ao abastecimento.

    Na prática, a alteração permite que a política de estoques seja utilizada não apenas quando há pressão de baixa sobre os preços recebidos pelos produtores, mas também diante da necessidade de garantir disponibilidade de produtos para períodos posteriores.

    El Niño aumenta preocupação com abastecimento

    A mudança ocorre em meio à preparação do governo para os possíveis impactos do El Niño sobre a produção agropecuária brasileira.

    O fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura e pode produzir efeitos diferentes entre as regiões produtoras. Por isso, eventuais impactos sobre as safras dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da localização das lavouras.

    Nesse cenário, a formação de estoques de arroz e milho funciona como instrumento adicional da política de abastecimento.

    Os estoques públicos podem ser utilizados pelo governo para aumentar a disponibilidade de determinados produtos no mercado quando houver necessidade, dentro das regras estabelecidas para cada programa.

    Mais produtos entram no programa para pequenos criadores

    A nova legislação também amplia a cesta de produtos que poderá ser adquirida pela Conab e posteriormente comercializada pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB).

    O programa atende principalmente pequenos criadores de animais, facilitando o acesso a produtos destinados à alimentação dos rebanhos.

    Até agora, o ProVB disponibilizava milho. Com as novas regras, a Conab poderá trabalhar também com:

    • sorgo;
    • caroço de algodão;
    • farelo de soja;
    • farelo de milho;
    • outros produtos destinados à alimentação animal.

    A diversificação pode ampliar as alternativas disponíveis aos pecuaristas, especialmente em períodos de pressão sobre a oferta ou os preços dos insumos utilizados na alimentação animal.

    Cooperativas poderão comprar até 80 toneladas por mês

    O limite mensal para os pequenos criadores permanece em até 27 toneladas.

    A legislação também passa a contemplar cooperativas e associações, que poderão adquirir até 80 toneladas por mês, conforme as regras do programa.

    Outra mudança importante é o fim do limite de 200 mil toneladas anuais que existia para o abastecimento do ProVB.

    A partir de agora, o volume destinado ao programa deverá ser estabelecido conjuntamente pelo MDA, Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério da Fazenda, considerando a disponibilidade orçamentária e financeira.

    Esses ministérios também ficarão responsáveis por estabelecer as condições para as vendas destinadas às cooperativas de produção agropecuária e associações da agricultura familiar, em articulação com a Conab.

    Estoques também poderão abastecer programas sociais

    A nova legislação ainda autoriza a venda direta de produtos dos estoques públicos da Conab para atender programas sociais, ações de abastecimento e iniciativas relacionadas à segurança alimentar.

    Entre os beneficiários previstos estão micro e pequenas indústrias de alimentos, micro e pequenas empresas do varejo alimentar, cooperativas e associações.

    A regulamentação dessa modalidade ficará a cargo dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; e da Fazenda.

    Já a Conab deverá estabelecer os critérios de adesão e credenciamento dos beneficiários, além da metodologia para definição dos preços.

     

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    Mercado global de café deve ter ‘turbulência’ até avanço da safra brasileira

    O mercado internacional de café ainda deve atravessar semanas de instabilidade até que a nova safra brasileira chegue de forma mais consistente aos principais destinos consumidores. A avaliação é de Alex Perk, chefe da área de café na Europa da Comexim Trade Group, durante conversa com jornalistas à margem do Seminário Nacional do Café.

    Segundo o executivo, a expectativa da empresa é de que o Brasil colha cerca de 71 milhões de sacas de 60 quilos em 2026. Desse total, aproximadamente 48 milhões de sacas devem ser de café arábica, enquanto outras 23 milhões correspondem ao conilon e robusta.

    A projeção supera os números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que revisou nesta quinta-feira (21) sua estimativa para 66,7 milhões de sacas. Conforme a estatal, a produção brasileira deve incluir 45,8 milhões de sacas de arábica e 20,9 milhões de robusta/conilon.

    Clima, eleições e logística elevam preocupação

    Apesar da perspectiva positiva para a safra brasileira, Perk alertou que o mercado segue cercado de fatores de risco. Entre eles, estão as questões climáticas, o cenário político brasileiro e os impactos no câmbio.

    “Acreditamos que a safra brasileira é muito boa, mas temos riscos climáticos pela frente, eleições no Brasil, que pode influenciar o mercado de câmbio. Enquanto vejo a produtividade brasileira muito boa, vejo riscos que não deveriam ser ignorados”, afirmou.

    Além disso, o especialista destacou que os baixos estoques globais ajudam a sustentar os preços internacionais. Nesta quinta-feira, o contrato do café arábica para julho na bolsa de Nova York avançou 1,9%, encerrando o dia cotado a US$ 2,7340 por libra-peso. Já o contrato para setembro registrou alta de 1,92%, negociado a US$ 2,6550.

    Segundo Perk, o atraso natural entre a colheita e a chegada efetiva do café brasileiro aos mercados consumidores mantém a pressão sobre as cotações.

    “Uma das razões para esse patamar elevado de preços é o baixo nível de estoque mundial. A safra brasileira ainda vai demorar alguns meses até chegar aos mercados de destino. Isso, e os riscos climáticos por vir, estão ajudando a suportar o preço no momento”, avaliou.

    Risco de geadas e impacto do El Niño

    O executivo também ressaltou que ainda é cedo para prever uma tendência definitiva para os preços internacionais. Embora o Brasil caminhe para uma safra robusta, ele acredita que o volume pode não ser suficiente para equilibrar totalmente a oferta e a demanda global.

    Além disso, Perk lembrou que o país está próximo do inverno, período que aumenta o risco de geadas em regiões produtoras. Em algumas áreas onde a colheita já começou, as chuvas também vêm desacelerando os trabalhos no campo.

    Outro ponto de atenção envolve o avanço do fenômeno climático El Niño, que pode afetar principalmente a produção de café robusta no Sudeste Asiático: “Se tivermos uma queda de produção de robusta no sudeste asiático, vai forçar a demanda para o arábica e alterar o equilíbrio. Mas precisamos esperar”, explicou.

    Guerra no Oriente Médio pressiona fretes

    O cenário logístico global também preocupa o mercado cafeeiro. Conforme Perk, a guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz elevaram em cerca de 30% os custos do frete marítimo.

    Segundo ele, o comportamento dos preços dependerá diretamente dos impactos da guerra sobre os custos globais de energia. Dessa forma, o mercado pode tanto continuar sustentando os atuais níveis de preços quanto limitar eventuais quedas provocadas pelo aumento da oferta.

    Consumo segue resiliente

    Durante o painel do seminário, Perk descartou uma possível retração relevante na demanda mundial por café. Na avaliação dele, o consumo segue resiliente, mesmo diante dos preços elevados, e mantém tendência de crescimento.

    A visão é compartilhada por Danilo Pucci, CEO da Volcafé Brasil. Participando do mesmo debate, o executivo afirmou que o consumo só se tornaria motivo de preocupação diante de uma disparada extrema nos preços, semelhante ao ocorrido recentemente no mercado de cacau.

    “A minha maior preocupação é o clima, com El Niño. E o impacto pode ser maior no robusta do que no arábica”, concluiu.

  • Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    A produção brasileira de grãos deve atingir 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 8º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 1,6% em relação ao ciclo anterior, com incremento de 5,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do sorgo.

    A soja lidera o avanço e pode atingir produção recorde de 180,1 milhões de toneladas, superando em 0,5% a estimativa anterior. Com 98,3% da área já colhida, a oleaginosa deve crescer 5% na comparação com a safra passada, o equivalente a 8,6 milhões de toneladas a mais. O resultado marca o sétimo aumento em dez ciclos consecutivos.

    O milho também mantém desempenho relevante. A primeira safra deve alcançar cerca de 28,5 milhões de toneladas, avanço de 3,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela expansão da área plantada. No total das três safras, a produção do cereal deve chegar a 140,2 milhões de toneladas, configurando o segundo maior volume da série histórica.

    A segunda safra de milho, já totalmente semeada, deve produzir 108,5 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,6%. O impacto climático em estados como Goiás e Minas Gerais explica parte da redução, apesar do aumento de 2,1% na área plantada em nível nacional.

    Sorgo como alternativa estratégica

    O sorgo desponta como alternativa estratégica no campo e pode registrar crescimento de até 23,8%, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas. A expansão da área cultivada ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde o avanço chegou a 50,7%. Em Goiás, maior produtor nacional, a produção deve superar 2,2 milhões de toneladas, alta de 40,3%.

    Segundo a Conab, a substituição do milho pelo sorgo em áreas fora da janela ideal de plantio explica o movimento. A cultura apresenta maior tolerância ao déficit hídrico e oferece versatilidade de uso, incluindo alimentação animal e produção de etanol.

    Entre os alimentos básicos, o arroz deve registrar leve queda de 0,3%, com produção estimada em 11,1 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da diminuição de 13,7% na área plantada. Ainda assim, a produtividade aumentou e alcançou 7.281 quilos por hectare, com 94,6% da área já colhida.

    A produção de feijão também deve recuar 5,2%, somando 2,9 milhões de toneladas nas três safras. A primeira safra apresentou ganho de produtividade de 4,3%, com produção próxima de 969 mil toneladas. Mesmo com a retração, a Conab descarta risco de desabastecimento no mercado interno.

    Algodão tem queda na na produção

    No algodão, a expectativa é de produção de aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao ciclo anterior, reflexo da redução de área e produtividade. Já o trigo deve somar 6,4 milhões de toneladas, com retração de 1,5 milhão de toneladas, influenciada pela menor área semeada no Rio Grande do Sul e no Paraná.

    No mercado, a demanda por milho deve crescer impulsionada pela indústria de etanol. O consumo interno tende a avançar 4,6%, alcançando 94,86 milhões de toneladas. As exportações também devem subir e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento da demanda, o estoque final deve ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas.

    Para a soja, as exportações acompanham o desempenho da safra e podem chegar a 116 milhões de toneladas, alta de 7,25% em relação à temporada anterior.

  • Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    Fávaro deixa o Ministério da Agricultura: o que muda para o agronegócio brasileiro

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Carlos Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária na última sexta-feira, 27 de março. A saída, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, acontece em um momento sensível para o setor produtivo e, portanto, coloca o agronegócio diante de um período de incerteza institucional.

    A exoneração de Fávaro tem motivação política direta. O ex-ministro retorna ao Senado Federal para participar da votação do relatório final da CPMI do INSS, comissão que recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

    Com a volta de Fávaro ao Senado, sua suplente, Margareth Buzetti, alinhada à oposição, perde a vaga na comissão. Em seguida, o primeiro suplente, Beto Faro, do PT, assume o lugar. Dessa forma, o movimento busca garantir ao governo votos suficientes para rejeitar o relatório, que precisava ser votado até ontem, sábado, 28 de março, prazo limite de funcionamento da CPMI após o STF negar a prorrogação dos trabalhos.

    Além disso, Fávaro ainda tem agenda no Ministério na próxima terça-feira, 31 de março, quando deve se despedir formalmente da pasta.

    O impacto direto no agronegócio

    A troca no comando do Ministério da Agricultura ocorre em um momento delicado. O setor enfrenta juros ainda elevados, pressão sobre custos de produção e necessidade de previsibilidade em políticas estratégicas como crédito rural, seguro agrícola e apoio à comercialização.

    Para produtores e entidades do setor, mudanças no comando do Mapa fora do ciclo tradicional de transição de governo tendem a gerar cautela. Afinal, decisões sobre financiamento de safra, programas de seguro e abertura de mercados dependem de continuidade técnica e orçamentária. Mudanças abruptas, portanto, podem atrasar decisões e aumentar o risco no campo.

    Paralelamente, a Conab também passa por troca de comando. Sílvio Porto assume a presidência no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul. A estatal é peça estratégica para o agronegócio, pois é responsável por levantamentos de safra, controle de estoques e execução de políticas de abastecimento que influenciam diretamente a formação de preços.

    Quem assume o Ministério da Agricultura?

    Nos bastidores, o PSD, partido de Fávaro liderado por Gilberto Kassab, atua para manter o controle da pasta. Por ora, o nome mais cotado é o do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, visto como alternativa para garantir a continuidade da legenda em uma das pastas mais relevantes para a economia brasileira.

    A eventual troca, contudo, acontece em meio a uma relação ainda irregular entre o ministério e parte do setor produtivo. Ao longo da gestão, Fávaro enfrentou resistência de segmentos do agro, especialmente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que cobrou maior alinhamento em pautas como política agrícola, defesa sanitária e abertura de mercados.

    Um momento de transição que o agro acompanha de perto

    A saída de Fávaro inaugura uma nova rodada de rearranjos políticos no governo. À medida que outros ministros deixam seus cargos para disputar as eleições, a “dança das cadeiras” na Esplanada tende a se intensificar nos próximos meses.

    Para o agronegócio, esse movimento ocorre em um cenário de margens mais apertadas e maior exposição a variáveis externas. Sendo assim, mais do que nomes, o que está em jogo é a condução da política agrícola em um momento de maior risco. E isso, o produtor rural acompanha com atenção redobrada.

  • Guerra no Irã ameaça a safra brasileira: diesel dispara 22% e produtores entram em estado de alerta

    Guerra no Irã ameaça a safra brasileira: diesel dispara 22% e produtores entram em estado de alerta

    Um mês após o início do conflito no Irã, os efeitos da guerra chegaram com força ao campo brasileiro. O diesel, combustível essencial para colheitadeiras, tratores e caminhões, saltou 22,53% em apenas quatro semanas, passando de R$ 6,08 para R$ 7,45 o litro. O valor é o maior desde julho de 2022. E o momento não poderia ser pior: o Brasil colhe soja e arroz em ritmo acelerado.

    O receio de novos reajustes e de possível desabastecimento já mudou a rotina de produtores rurais em todo o país. No interior de São Paulo, Azael Pizzolato, produtor rural e diretor da Aprosoja-SP, agiu rápido: triplicou sua reserva de diesel, de 10 mil para 30 mil litros.

    O motivo preocupa. Suas quatro propriedades somam cerca de 7 mil hectares entre cana-de-açúcar, amendoim, soja e milho, e consomem entre 5 mil e 6 mil litros de diesel por dia. Com o estoque atual, Pizzolato garante apenas cinco dias de operação em caso de desabastecimento.

    “Estamos em uma fase bem crítica aqui, porque estamos colhendo soja e amendoim, plantando cana, e são essas etapas que mais exigem volume de diesel. E no dia 2 de abril começa a safra de cana. Na colheita de cana, mais de 30% do custo é diesel”, alerta o produtor.

    Colheita atrasada, transporte travado: o efeito dominó no agro

    O problema vai além do custo. A escassez ameaça diretamente o ritmo da safra brasileira. Os dados da Conab de 23 de março mostram que o Brasil colheu apenas 67% da soja e 34,9% do arroz, índices abaixo do mesmo período do ano passado.

    Produtores de milho em sete estados já relatam dificuldade para adquirir diesel. Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e interior de São Paulo enfrentam o problema, segundo Daniel Rosa, diretor-técnico da Abramilho.

    “A soja está com cerca de 70% colhida, e o milho, em torno de 90% plantado na segunda safra. Esse produtor está pagando um frete mais alto do que previa no início da safra. No caso do maquinário para a segunda safra de milho, também há aumento de custo”, explica Rosa.

    O impacto ultrapassa a porteira. “Sem diesel, a colheita atrasa, o transporte trava, os custos aumentam. É um prejuízo imediato que não fica só no campo, a gente começa a ver o reflexo na cidade”, alerta Adriane Perin de Oliveira, presidente da Famurs.

    Do campo à cidade: o diesel que encarece tudo

    A alta do diesel já pressiona as transportadoras, e o bolso do consumidor sente o impacto. A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística registra alta média de 10% no frete em todo o país. Em algumas regiões, o aumento chega a 50%.

    Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a West Cargo já reajustou o frete em 12%. Como resultado, as reclamações dos clientes aumentaram. “Tivemos algumas reclamações de clientes dizendo que o preço está muito alto. Mas o mercado está volátil e tudo vem subindo”, afirma Luigi Rosolen, diretor da empresa.

    Isso acontece, sobretudo, porque o diesel responde por até metade dos custos operacionais do transporte de cargas. Dessa forma, cada centavo a mais no litro pressiona diretamente os preços de alimentos, insumos e produtos em geral. Em outras palavras, o que começa no campo termina no carrinho do supermercado.

    Um conflito distante, consequências muito próximas

    A guerra no Irã pode parecer distante da realidade do produtor rural brasileiro. Na prática, porém, seus efeitos já alcançam as lavouras de soja do Mato Grosso, os arrozais do Rio Grande do Sul e os canaviais do interior de São Paulo.

    O cenário exige ação imediata. Quando o diesel falta ou encarece, toda a cadeia sofre: da colheita ao transporte, do armazém ao supermercado. O agronegócio brasileiro, responsável por parcela expressiva do PIB nacional, não pode aguardar que a geopolítica se resolva para reagir.

  • Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e ameaça custos da safra brasileira

    Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio começaram a se traduzir em alta expressiva nos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo, com reflexos diretos no Brasil,país que importa cerca de 85% dos insumos agrícolas que consome. Nos portos brasileiros, a ureia registrou alta superior a 15% em uma semana, enquanto o nitrato de amônio avançou cerca de 28%, com valorização de mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período, segundo dados da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu nota oficial pedindo cautela ao mercado e orientando produtores rurais a evitar compras precipitadas. O ministro Carlos Fávaro foi direto: “É momento de cautela e de combate à especulação. A melhor forma de enfrentar a especulação é não comprar quando o preço está artificialmente elevado.”

    Por que os preços subiram tão rápido

    A volatilidade tem raízes tanto nas incertezas geopolíticas quanto em impactos concretos já verificados na cadeia global de fertilizantes. Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que, nos dias seguintes ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram ofertas do mercado à espera de maior clareza sobre a formação de preços. Ao mesmo tempo, ataques no Catar resultaram em redução da produção de nitrogenados no país, diminuindo a disponibilidade global de mercadorias.

    Outro fator de pressão é a situação logística na região. A navegação no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de insumos, foi prejudicada, comprometendo o escoamento de fertilizantes, gás natural e enxofre produzidos no Oriente Médio. A região responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia, segundo Pernías. “Qualquer interrupção prolongada pode gerar impactos significativos na oferta global, especialmente se o conflito se estender por semanas ou meses”, alerta o analista.

    A situação é agravada ainda pela interrupção temporária das exportações russas de nitrato de amônio, outro fator citado pelo próprio Mapa como elemento de instabilidade no mercado internacional.

    Brasil dependente e vulnerável

    A dependência brasileira de fertilizantes importados torna o país especialmente exposto a esse tipo de choque externo. Dados da Embrapa indicam que 85% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior. E no caso específico da ureia, utilizada em culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar, essa dependência chega a 90% do consumo nacional. Em 2025, o Brasil importou entre 7 e 8 milhões de toneladas do insumo, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. Parte relevante dessas compras tem origem justamente em países do Oriente Médio.

    Para o advogado especialista em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, o cenário pode pressionar ainda mais os custos de produção agrícola. “O impacto esperado é o aumento do preço dos fertilizantes, podendo gerar uma elevação de 15% a 20% no valor desses insumos”, afirma.

    O efeito tende a chegar primeiro às regiões mais dependentes do transporte rodoviário. Municípios com grande produção de grãos como Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde (MT), Cascavel, Toledo e Londrina (PR), além de Dourados e Maracaju (MS), podem sentir mais rapidamente o impacto no custo de colheita e transporte da safra.

    Governo orienta: aguardar antes de comprar

    Com a safra de inverno já plantada ou em fase final de implantação, o Mapa avalia que não há necessidade imediata de aquisição de fertilizantes. A próxima grande demanda ocorrerá apenas com o início do plantio da safra de verão, tradicionalmente a partir de setembro. O que, na avaliação do ministério, abre uma janela para que o mercado se estabilize.

    “Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, afirmou o ministro Fávaro.

    O ministério também destacou que existem alternativas tecnológicas e estratégias de manejo capazes de otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, reduzindo a exposição dos produtores às oscilações do mercado internacional.

    Incerteza permanece

    No curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir os efeitos da redução da oferta com mais rapidez, pois atravessam o período de preparação para a safra de primavera. Momento em que a demanda por fertilizantes costuma crescer de forma expressiva. Caso os preços internacionais mais elevados sejam repassados ao comprador norte-americano, existe risco de pressão sobre as margens dos agricultores em um momento sensível de planejamento.

    No Brasil, o impacto deve ser mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados geralmente se intensificam apenas nos meses finais do ano, em antecipação ao plantio da safrinha de milho. Diante disso, muitos importadores podem adotar postura mais cautelosa no curto prazo.

    Ainda assim, Pernías alerta que o nível de incerteza é alto. “A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento”, conclui o analista. O Mapa informou que seguirá monitorando permanentemente a cadeia de suprimentos e dialogando com atores do setor para avaliar alternativas de logística, importação e abastecimento.

  • Safra de noz-pecã 2026 deve crescer e chegar a 7 mil toneladas no Brasil

    Safra de noz-pecã 2026 deve crescer e chegar a 7 mil toneladas no Brasil

    A safra brasileira de noz-pecã em 2026 caminha para uma recuperação expressiva. A expectativa do setor é colher entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, impulsionada pela alta carga de frutos e pela maturação de novos pomares. O volume representa um salto significativo em relação à safra intermediária de 2025, que ainda sentiu os impactos das enchentes do ano anterior.

    Claiton Wallauer, presidente da IBPecan. Foto: Rejane Costa /AgroEffective Divulgação

    De acordo com o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), a produção deve se equiparar à de 2023, quando o setor colheu perto de 7 mil toneladas. “Há possibilidade de superarmos esse número”, afirma Claiton Wallauer, presidente da entidade.

    Mercado externo segura preços

    Apesar do aumento da oferta interna, a expectativa é de que os preços se mantenham estáveis, especialmente para as nozes de qualidade superior. O cenário internacional positivo funciona como um colchão para o mercado.

    “Nos últimos três anos, empresas e investidores de olho na exportação aqueceram o setor. O preço de referência da noz norte-americana está num patamar interessante, e Estados Unidos e México não formaram estoques significativos”, explica Wallauer. Essa dinâmica, segundo ele, reduz a volatilidade interna. “Com novos canais de venda, o preço não sofre quedas bruscas como em outras safras cheias”, completa.

    Chuva em excesso acende alerta fitossanitário

    O otimismo com a produção, no entanto, vem acompanhado de cautela. O coordenador técnico do IBPecan, Jaceguáy Barros, alerta para o comportamento climático atípico. Desde a primavera, os volumes de chuva superam a média histórica. Em dezembro, o acumulado chegou a 240 milímetros, repetindo o padrão em janeiro, com 236 milímetros.

    A combinação de alta umidade e calor aumenta a incidência de doenças. “Essas chuvas com temperaturas elevadas causam uma pressão muito grande. Nos últimos dias, observamos pomares com antracnose e queda de frutos”, relata Barros.

    Desafios operacionais e manejo

    Além do clima, o crescimento dos pomares impõe novos desafios. Com árvores de grande porte, a pulverização fitossanitária se torna mais complexa. “Precisamos de equipamentos mais potentes para uma cobertura adequada, e muitos produtores ainda enfrentam limitações”, pontua o coordenador.

    A previsão do tempo para os próximos meses adiciona mais uma camada de preocupação. Após um curto período de trégua no início de fevereiro, uma frente fria deve trazer novos volumes de chuva. A tendência para março e abril é de manutenção de chuvas irregulares, porém acima da média.

    Nesse cenário, o manejo da irrigação exige vigilância. “Quando chove entre 25 e 30 milímetros, o produtor pode suspender a irrigação por um ou dois dias, mas precisa retomá-la rapidamente para não comprometer o enchimento dos frutos”, orienta Barros.

    Por fim, a colheita surge como etapa decisiva. A janela para recolher os frutos do solo é curta, exigindo mão de obra e equipamentos eficientes para evitar perdas e garantir a qualidade final do produto. Apesar dos alertas, Barros reforça o potencial da safra: “A carga de frutos é elevada e os novos pomares em fase produtiva reforçam a expectativa de crescimento da oferta nacional”.

  • Brasil projeta avanços para 2025 e 2026 no mercado de açúcar

    Brasil projeta avanços para 2025 e 2026 no mercado de açúcar

    Mesmo enfrentando adversidades climáticas e desafios de safra, o Brasil consolidará sua posição de liderança no mercado global de açúcar em 2025 e 2026. Especialistas do setor destacaram essa projeção durante a nona edição da série de lives Conexão SCA Brasil, transmitida pelo YouTube. Entre os participantes, estavam Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil; Júlio Adorno, head da Alvean no Brasil; e Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting.

    Para o ciclo 2024-2025, a Alvean prevê uma produção de 39,5 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul do Brasil, número que pode variar dependendo das condições climáticas e das decisões sobre o encerramento de operações industriais. Para a safra seguinte, a expectativa é de alcançar 40 milhões de toneladas.

    O Brasil responde por 50% do fornecimento mundial de açúcar, e as exportações atingiram recordes históricos: 19 milhões de toneladas em 2023 e 26 milhões em 2024. Segundo Júlio Adorno, esse desempenho reflete a eficiência da indústria açucareira brasileira e a maior capacidade operacional nos terminais de grãos.

    “Os estoques globais de açúcar continuam baixos, sem reposição nos últimos dois anos. O açúcar brasileiro é rapidamente consumido, e o mundo depende cada vez mais dessa produção para atender à demanda”, enfatizou Adorno.

    Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting, compartilha dessa visão, destacando que o Brasil detém atualmente uma participação de 56,5% no mercado global. “Se o Brasil tiver uma ‘gripe’, o mercado mundial de açúcar sofrerá uma ‘pneumonia dupla’”, afirmou.

    Consumo e dependência global

    Os especialistas destacaram o crescimento do consumo de açúcar em mercados como Bangladesh, Paquistão e Indonésia, onde a demanda somada ultrapassa 1 bilhão de consumidores. Na Indonésia, por exemplo, o consumo per capita aumentou sete quilos em uma década.

    Por outro lado, fatores como preços elevados em 2023-2024 impactaram levemente o consumo em regiões como América do Norte e Ásia. Entretanto, Adorno prevê uma normalização no curto prazo, acompanhada por uma retomada do consumo global.

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    A Tailândia, tradicional concorrente no mercado, enfrenta baixa produtividade de cana e mandioca, limitando sua capacidade de recuperação nos próximos anos. Já a Índia, segunda maior produtora mundial, não deverá aumentar significativamente sua participação no mercado internacional.

    Impactos climáticos e safras futuras

    A atual safra brasileira enfrenta os efeitos de uma grave deficiência hídrica, estimada entre 400 e 500 milímetros nas regiões canavieiras, além de incêndios que destruíram 665 mil hectares de cana, sendo 465 mil somente em São Paulo. Como resultado, a moagem para a temporada 2024-2025 deve ficar entre 606 e 608 milhões de toneladas, segundo projeções da SCA Brasil.

    Martinho Ono alertou para os reflexos desses problemas na safra 2025-2026, que deve processar entre 565 e 585 milhões de toneladas de cana. “A próxima safra enfrentará desafios como germinações desiguais, redução no índice de tonelada de cana por hectare (TCH), morte de soqueiras e aumento de pragas e doenças. Isso exigirá mais replantio e reduzirá a área disponível para colheita”, explicou.

    O especialista Arnaldo Corrêa apresentou uma análise de preços do açúcar ao longo das últimas duas décadas. De acordo com seus cálculos, apenas 10% do tempo o mercado operou acima de R$ 2.956,00 por tonelada, enquanto em 90% permaneceu abaixo de R$ 1.609,00. Ele também prevê uma elevação no índice global de preços para as próximas safras, que pode variar de 300 a 400 pontos, ultrapassando os atuais 18 centavos de dólar por libra-peso.

    Impacto global e oportunidades para o Brasil

    Adorno e Corrêa também analisaram o papel do Brasil no cenário internacional frente a disputas comerciais entre grandes potências, como Estados Unidos e China. Segundo Corrêa, tensões entre esses países poderiam beneficiar o Brasil, aumentando as exportações de grãos e gerando novas oportunidades no mercado de etanol de milho.

    Com projeções robustas de crescimento e a manutenção de sua hegemonia no mercado global de açúcar, o Brasil reafirma sua relevância como principal fornecedor mundial, equilibrando eficiência industrial, resiliência climática e adaptação às demandas internacionais.

  • Preços do café robusta superam R$ 1.500 e dobram em 2024

    Preços do café robusta superam R$ 1.500 e dobram em 2024

    O café robusta atingiu um novo recorde de preço, superando os R$ 1.500 por saca de 60 kg, segundo o Cepea. Esse valor, registrado desde a semana passada, representa um aumento de 100% em comparação com o final de 2023, quando a saca valia R$ 740.

    Explicação para os R$ 1.500 por saca de 60 kg

    Pesquisadores do Cepea apontam que o clima adverso afetou a safra brasileira resultando no aumento do preço. O Vietnã, o maior produtor global de robusta, também deve ter a produção impactada. Além disso, problemas no fluxo de mercadorias pelo mundo aumentaram o custo do frete, dificultando as exportações da Ásia para a Europa.

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    Próxima safra

    O Cepea alerta ainda para as condições climáticas secas e quentes que podem comprometer a safra 2025/26 no Brasil. Ou seja, tanto para o café arábica quanto para o robusta devem ser prejudicados.

    Resumo da tendência de alta em 2024

    Os preços do café robusta, que já estavam em alta desde o último trimestre de 2023, continuam a bater recordes reais. Ou seja, em março, os valores atingiram novos patamares, e esses recordes vêm sendo superados com frequência. No fim de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do café robusta tipo 6, peneira 13 acima, alcançou R$ 1.378,89 por saca de 60 kg. Portanto, na época, foi o maior valor real registrado desde o início da série histórica do Cepea, em novembro de 2001.