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  • Funcafé libera R$ 7,3 bilhões para fortalecer cafeicultura na safra 2026/2027

    Funcafé libera R$ 7,3 bilhões para fortalecer cafeicultura na safra 2026/2027

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21) a portaria que define o direcionamento dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o financiamento da cafeicultura no Ano Safra 2026/2027. Ao todo, o governo destinou R$ 7,368 bilhões ao setor.

    Os valores já tinham recebido aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) por meio da Resolução nº 5.289, divulgada em 26 de março de 2026. Dessa forma, o governo fortalece o suporte à cadeia produtiva do café, uma das mais relevantes do agronegócio brasileiro.

    Comercialização concentra maior volume de recursos

    A linha de Comercialização ficou com a maior parcela dos recursos aprovados. O governo direcionará R$ 2,713 bilhões, valor que corresponde a 37% do total disponibilizado. Com isso, o setor busca ampliar a estabilidade do mercado e fortalecer as vendas da produção cafeeira.

    Além disso, a linha de Aquisição de Café receberá R$ 1,708 bilhão, o equivalente a 23% do orçamento. Essa modalidade atende diferentes segmentos da cadeia produtiva e contribui para sustentar o mercado.

    Já os financiamentos de Custeio contarão com R$ 1,616 bilhão, representando 22% dos recursos totais. Enquanto isso, o segmento de Capital de Giro terá acesso a R$ 1,150 bilhão, quantia que equivale a 16% do montante aprovado.

    Por sua vez, a linha de Recuperação de Cafezais contará com R$ 180 milhões, o que representa 2% do orçamento da safra.

    Distribuição dos recursos seguirá critérios do governo

    Segundo a portaria, o governo distribuirá os recursos entre as instituições financeiras com base em critérios que a autoridade competente ainda definirá em ato normativo específico.

    A Secretaria de Política Agrícola do Mapa, responsável pela gestão do Funcafé, reforçou a importância dos incentivos à produção nacional. Além disso, o órgão destacou o reconhecimento internacional do café brasileiro, conhecido pela qualidade e pela força econômica da cafeicultura.

    Funcafé também investe em pesquisa e sustentabilidade

    Além de financiar produtores e empresas do setor, o Funcafé garante liquidez ao mercado, amplia a previsibilidade financeira e permite respostas mais rápidas diante de crises climáticas ou oscilações econômicas. Ao mesmo tempo, o fundo incentiva práticas mais sustentáveis na produção cafeeira.

    Os investimentos também abrangem pesquisa, capacitação de produtores e técnicos e ações de promoção do café brasileiro no mercado internacional. Parte desse trabalho ocorre por meio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

    Com essa parceria, o setor amplia a competitividade do produto brasileiro e fortalece a sustentabilidade e a qualidade do café nacional no exterior.

    Edital para instituições financeiras

    O governo também publicou o edital de chamamento para contratar instituições financeiras integrantes do Sistema Nacional de Crédito Rural, que atuarão como agentes financeiros do Funcafé.

    De acordo com o edital, as propostas deverão ser enviadas ao e-mail oficial do programa entre 1º de junho de 2026, às 8h, e 15 de junho de 2026, às 18h.

    A análise dos documentos acontecerá entre os dias 16 e 22 de junho. Já a divulgação da lista de instituições habilitadas está prevista para ocorrer entre 23 e 26 de junho de 2026. A relação será disponibilizada no Portal de Compras do Governo Federal.

  • Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Você sabe por que o milho tem “cabelo”?

    Quem olha rápido para uma espiga de milho pode até achar que aqueles fios dourados são apenas uma camada incômoda antes do preparo. Mas é justamente ali que acontece uma das etapas mais importantes da produção.

    https://youtube.com/shorts/fAmsEiJp3Vw?si=zTKUYadcn5J2OpSM

    O chamado “cabelo” do milho, conhecido tecnicamente como estigma ou seda, funciona como a parte feminina da planta. Na prática, isso significa que uma espiga só consegue formar um grão quando aquele fio específico recebe o pólen vindo do pendão, a estrutura masculina localizada no topo da planta.

    Um fio pode definir produtividade

    O processo parece simples, mas é extremamente sensível. O pólen cai sobre o cabelo do milho e percorre o interior do fio até alcançar o óvulo na espiga. A partir daí, ocorre a fecundação que origina o grão.

    É por isso que falhas na polinização costumam aparecer diretamente na espiga, deixando espaços vazios entre os grãos. Em muitos casos, calor excessivo, estiagem ou baixa emissão de pólen comprometem essa etapa silenciosa da lavoura.

    Além disso, a quantidade de cabelos visíveis também serve como um indicativo do potencial produtivo da espiga. Quanto mais fios férteis e bem polinizados, maior a chance de uma formação completa de grãos.

    Também está nos chás e receitas

    Apesar de quase sempre ir para o lixo, o cabelo do milho também tem modos de uso variados. Em várias regiões, ele é utilizado em chás e preparos caseiros por conta das propriedades associadas à ação diurética, antioxidante e anti-inflamatória.

    Além dos usos medicinais populares, algumas receitas incorporam a seda em saladas, caldos e sopas. Ainda assim, a maior importância continua ligada ao desenvolvimento da planta.

  • Por que o El Niño preocupa a agricultura no Sul do Brasil?

    Por que o El Niño preocupa a agricultura no Sul do Brasil?

    Você que planta no Sul do Brasil sabe bem: quando o El Niño aparece, o céu desaba e o campo vira um mar de lama. Agora, em maio de 2026, previsões do INMET e CPTEC apontam probabilidade acima de 60% de formação do fenômeno entre maio e julho, saltando para mais de 90% no segundo semestre. Chuvas excessivas no inverno e primavera ameaçam soja, trigo, milho e pastagens, com encharcamento do solo, doenças fúngicas e atrasos operacionais que podem custar bilhões aos produtores.

    O que é o El Niño e por que ele mira o Sul?

    O El Niño surge quando águas quentes do Pacífico equatorial se espalham, alterando ventos e chuvas globais. No Brasil, ele seca o Norte e Nordeste, mas no Sul provoca o oposto: precipitação acima da média, especialmente de junho a dezembro. Histórico mostra perdas pesadas, como no Paraná em ciclos passados, onde trigo perdeu 980 mil toneladas e prejuízos bateram R$ 1 bilhão só nessa cultura, além de R$ 2,5 bilhões totais em safras afetadas. Anomalias de chuva superaram 300 mm em Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul em eventos recentes, e 2026 pode repetir o filme.

    Chuvas torrenciais enchem o campo e travam máquinas

    Produtores enfrentam solos encharcados que impedem o plantio e a colheita, com máquinas atoladas e erosão acelerada. O excesso hídrico atinge fases críticas das culturas, como floração, enchimento de grãos e maturação, reduzindo drasticamente a produtividade.

    Doenças fúngicas explodem na umidade alta, atacando folhas e raízes sem misericórdia, enquanto pragas se multiplicam com temperaturas elevadas associadas. No Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, rios como Uruguai e Ibirapuitã já viram alertas de cheia, complicando ainda mais o acesso às lavouras.

    A soja, carro-chefe do Sul, também sofreu com chuvas em setembro-outubro, período de enchimento de grãos, o que compromete rendimento e qualidade. Estimativas passadas indicam perdas de até 1,5 milhão de toneladas em estados sulinos, com grãos rebaixados para ração animal.

    Preços sobem e mercado sente o tranco

    Com produção menor, preços de grãos disparam, mas o produtor sulista arca com custos extras de manejo e replantio. O fenômeno pressiona a inflação de alimentos, como já alertam analistas para a safra de grãos 2026. Café e cana no Sudeste ganham com seco, mas o Sul paga a conta, com qualidade de grãos chuvados e ATR em queda na cana afetada indiretamente. Mercados globais observam, e o Brasil pode exportar menos, apertando o câmbio.

    Estratégias urgentes pro produtor esperto

    Monitore boletins do INMET, CPTEC e Embrapa diariamente pra ajustar plantios e usar sementes resistentes a fungos. Opte por variedades de ciclo curto na soja, espaçamentos maiores no trigo pra ventilação, e fungicidas preventivos no milho. Diversifique culturas, invista em drenagem de solos e planeje safrinha com margem de segurança. Bancos como BB oferecem crédito consciente pro agro climático; use pra mitigar riscos agora. Assim, você transforma ameaça em oportunidade, sem deixar o El Niño mandar no seu campo.

  • Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    Clima irregular ameaça milho safrinha e pode elevar preços no Brasil

    O clima irregular já começa a redesenhar o cenário do milho safrinha no Brasil em 2026, e os efeitos podem chegar diretamente ao bolso do consumidor no segundo semestre.

    Após um início de ano marcado por chuvas mal distribuídas em importantes regiões produtoras, especialistas acendem o alerta para impactos na produtividade e possível pressão sobre os preços nos próximos meses.

    Clima irregular desafia o milho safrinha

    O desenvolvimento do milho safrinha depende de uma janela climática bastante específica. Plantado após a colheita da soja, o grão precisa de chuvas regulares nas fases iniciais e clima mais seco na colheita.

    Neste ano, porém, o comportamento do clima foge do padrão. Regiões como Paraná, Mato Grosso do Sul e partes do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem intercalados com chuvas irregulares, o que compromete o desenvolvimento das lavouras.

    Além disso, o atraso no plantio da soja em algumas áreas reduziu a janela ideal para o milho, aumentando o risco de exposição a condições adversas, como frio precoce e déficit hídrico.

    Produtividade sob pressão

    Com menos água disponível em fases críticas, como germinação e enchimento de grãos, a tendência é de queda na produtividade em diversas regiões.

    Analistas do setor já revisam projeções, indicando que, mesmo com uma área plantada significativa, o rendimento médio pode ficar abaixo do esperado. Esse cenário reduz a oferta efetiva do grão no mercado.

    A situação preocupa especialmente porque o milho safrinha representa cerca de 70% a 75% da produção total de milho no Brasil. Ou seja, qualquer quebra impacta diretamente o abastecimento nacional.

    Impacto nos preços no segundo semestre

    Com a possibilidade de menor oferta, o mercado já começa a reagir. A lógica é simples: menos milho disponível tende a elevar os preços, principalmente no segundo semestre, quando a demanda segue firme.

    O grão tem papel estratégico na cadeia produtiva, sendo base para ração animal. Por isso, qualquer alta no milho afeta também os custos da produção de proteínas como frango, suínos e até carne bovina.

    Além disso, o Brasil mantém forte presença nas exportações. Caso a produção fique abaixo do esperado, o país pode reduzir volumes exportados ou priorizar o mercado interno, o que também influencia a formação de preços.

    Mercado atento ao clima e à demanda

    O comportamento do clima nos próximos meses será decisivo. Caso as chuvas se normalizem em algumas regiões, parte das perdas pode ser mitigada. No entanto, se a irregularidade persistir, o cenário de pressão sobre os preços tende a se consolidar.

    Ao mesmo tempo, a demanda internacional, especialmente da China, segue como fator-chave. Uma combinação de oferta menor e demanda aquecida pode intensificar ainda mais a valorização do milho.

    Tecnologia e gestão como resposta

    Diante desse cenário, produtores investem cada vez mais em tecnologia para reduzir riscos. Monitoramento climático, uso de sementes mais resistentes e manejo eficiente do solo tornam-se essenciais.

    Ainda assim, o clima continua sendo uma variável fora do controle — e, em 2026, ele volta ao centro das decisões no campo e no mercado.

    O desempenho do milho safrinha nos próximos meses não deve afetar apenas o agronegócio, mas toda a cadeia de alimentos, reforçando como eventos climáticos se conectam diretamente à economia.

  • Volta da crise hídrica? Reservatórios da grande SP despencam para 55,3%

    Volta da crise hídrica? Reservatórios da grande SP despencam para 55,3%

    Os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo registram queda alarmante nos níveis. O volume útil dos sistemas chegou a 55,3% do ideal nesta semana de abril de 2026. Assim, a seca persistente, agravada pelo calor intenso e aumento no consumo de água, gera pressão extra sobre produtores rurais, indústrias e a população da região metropolitana.

    Níveis críticos nos mananciais

    O Sistema Cantareira, essencial para cerca de 9 milhões de habitantes, continua como o mais preocupante, com apenas 43,1% de sua capacidade. Portanto, chuvas irregulares de março não conseguiram reverter a tendência de queda, mesmo com alguma melhora em fevereiro. Além disso, a Sabesp mantém restrições noturnas na pressão da água desde agosto do ano passado, o que já economizou 103 bilhões de litros até o momento.

    Represa Jaguari-Jacareí, que compõe o sistema Cantareira, com apenas 45,8% de sua capacidade máxima.
    (Foto: Reprodução/Danilo Verpa)

    Por outro lado, o Sistema Integrado Metropolitano como um todo soma esses 55,3%, operando na faixa 2 de contingência. Assim, níveis abaixo de 57,23% ativam protocolos de alerta automático. No Alto Tietê, por exemplo, os reservatórios giram em torno de 53%, enquanto Guarapiranga e Rio Grande apresentam melhora relativa, embora ainda insuficiente.
    A situação exige monitoramento diário para evitar agravamento, especialmente com o consumo disparando até 60% em picos de calor.

    Impacto direto no agronegócio paulista

    Produtores de hortaliças, frutas e cultivos irrigados na Grande SP já sentem os efeitos da estiagem prolongada. Afinal, essa seca figura entre as piores dos últimos dez anos e compromete plantações periurbanas com frequência crescente. Indústrias agroindustriais, por sua vez, enfrentam racionamento indireto que eleva custos operacionais de forma significativa.

    O governo estadual alerta para o consumo consciente da população a fim de evitar perdas maiores na rede e no abastecimento geral. Sem adesão ampla, perdas por vazamentos e mau uso podem acelerar o colapso dos mananciais, como ocorreu em crises passadas. Para o setor agropecuário, portanto, os riscos se multiplicam: safras reduzidas demandam mais bombeamento de água, encarecendo a produção em um momento delicado para o mercado paulista.

    Plano de contingência ganha reforço

    Medidas como a diminuição de pressão por 8 horas noturnas seguem ativas em diversos municípios da região. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional monitora transposições entre bacias para decisões técnicas rápidas e eficazes. Historicamente, os reservatórios já caíram abaixo de 20% no início do ano, com recuperação parcial graças a chuvas esporádicas em março.

    No entanto, as chuvas de outono agora se tornam cruciais para qualquer alívio real e sustentável. A Arsesp, por exemplo, só avalia afrouxar restrições após 14 dias de estabilidade nos níveis. Assim, a Sabesp intensifica campanhas de uso racional, recomendando banhos rápidos e evitando desperdícios em piscinas ou lavagens. Para o público do agroemcampo, fica o questionamento: esses volumes baixos, pressionados por calor e estiagem, prenunciam o retorno da crise hídrica de 2014-15?

  • Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Os números que saíram da alfândega chinesa nesta semana deixaram pouca margem para dúvida: a China está comprando commodities agrícolas em ritmo acelerado, e o açúcar lidera essa corrida com folga. No primeiro trimestre de 2026, as importações do adoçante saltaram 320% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Em volume, o país absorveu 620 mil toneladas entre janeiro e março. Só em março, entraram 100 mil toneladas, 41,9% a mais do que em março de 2025.

    Para quem acompanha o setor sucroenergético, esse sinal importa. A China é o maior país do mundo em população e uma das economias que mais cresce em consumo de alimentos processados. Quando ela acelera as compras de açúcar nessa magnitude, o impacto chega rápido ao mercado internacional e, inevitavelmente, ao Brasil, maior exportador global do produto.

    O que está por trás de uma alta de 320%

    Não existe uma causa única para um salto desse tamanho. O cenário combina produção interna chinesa abaixo do esperado, aumento no consumo doméstico e uma estratégia de recomposição de estoques que o governo chinês vem adotando com mais frequência desde 2024. A pressão sobre os preços internacionais do açúcar bruto já reflete parte desse movimento.

    Para o setor canavieiro brasileiro, que abre agora a safra 2026/27, a notícia chega em boa hora. A demanda aquecida da China tende a sustentar as cotações e pode favorecer a decisão das usinas pelo mix mais voltado ao açúcar em detrimento do etanol, pelo menos nos primeiros meses da safra.

    Milho e fertilizantes também disparam nas compras chinesas

    O açúcar não está sozinho nessa tendência. As importações chinesas de milho em março chegaram a 220 mil toneladas, uma alta de 177,4% frente ao mesmo mês de 2025. Em valor, o crescimento foi de 150%, totalizando US$ 56,6 milhões só no mês. No acumulado do trimestre, o volume atingiu 770 mil toneladas, com avanço de 198% na comparação anual e valor total de US$ 197,6 milhões.

    Os fertilizantes também entraram forte no radar das importações. Em março, a China comprou 1,68 milhão de toneladas, alta de 26,5% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre, o total chegou a 5 milhões de toneladas, crescimento de 30,5%. Esse dado tem relevância direta para o produtor brasileiro: a demanda chinesa por fertilizantes pressiona preços globais e pode encarecer os custos de produção das próximas safras.

    Soja avança no mês, mas recua no trimestre

    A soja apresentou um comportamento mais dividido. Em março, as importações chinesas alcançaram 4,02 milhões de toneladas, crescimento de 14,7% frente ao mesmo mês de 2025, com valor de US$ 1,93 bilhão, alta de 19,9%. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, o volume recuou 3,1%, para 16,58 milhões de toneladas. Em valores, o crescimento foi modesto, de 1,7%, somando US$ 8,03 bilhões.

    Isso significa que março foi forte, mas janeiro e fevereiro ficaram aquém do ritmo do ano passado, puxando o resultado trimestral para baixo. O cenário reforça a importância de não interpretar um único mês de alta como uma tendência consolidada.

    Óleo de soja: alta no mês, queda no trimestre

    O comportamento do óleo de soja seguiu lógica parecida. Em março, as importações chinesas somaram 10 mil toneladas, avanço de 45,1% na comparação anual, com valor de US$ 7,6 milhões, alta de 59%. Porém, no acumulado do primeiro trimestre, as compras caíram 35,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando 180 mil toneladas.

    A oscilação indica que a China ajusta suas compras de derivados de soja de forma estratégica, aproveitando janelas de preço, o que torna esse mercado mais volátil e imprevisível para os exportadores brasileiros.

    O que o produtor brasileiro precisa observar daqui para frente

    Os dados do primeiro trimestre entregam uma mensagem clara: a China ainda é o termômetro mais importante do agronegócio global. Quando compra mais, move mercados. Quando recua, derruba cotações. O movimento atual, especialmente no açúcar e no milho, favorece o produtor brasileiro no curto prazo. Mas a assimetria entre o desempenho mensal e o trimestral da soja e do óleo de soja serve de alerta: a demanda chinesa pode ser intensa em um mês e fraca no seguinte.

    Para o setor sucroenergético, o cenário de abertura de safra é animador. A demanda está aquecida, e a China sinaliza que quer comprar mais. A pergunta que fica é quanto tempo esse ritmo se sustenta, e se a oferta global vai conseguir acompanhar.

  • Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio nacional, enxergou nos primeiros 15 dias de abril alguma melhora na adimplência das operações de custeio. O banco, porém, mantém a cautela. O setor acumula uma escalada de recuperações judiciais e agora ainda precisa lidar com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os custos da próxima safra.

    Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (23) por executivos do BB durante o BB Day. O fluxo de vencimentos do agro soma R$ 155,6 bilhões em 2026, com 59,4% concentrados no período de abril a setembro. Do total, R$ 87,8 bilhões correspondem a crédito de custeio.

    A carteira muda, mas o passado ainda pesa

    O vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar, Gilson Bittencourt, explicou que mais de 80% do que o banco recebe em custeio neste mês ainda vem de operações contratadas entre abril e junho do ano passado. Ou seja, boa parte do que vence agora carrega a marca das condições antigas de concessão de crédito.

    No entanto, a fatia da carteira originada com alienação fiduciária e reforço de garantias já mostra um desempenho visivelmente melhor em adimplência. Essa parcela ainda representa cerca de 20% do recebimento de custeio, mas o banco vê nela um sinal encorajador.

    Recuperação em U ou em W? O BB não sabe ainda

    A maior incógnita no horizonte está na trajetória de recuperação das renegociações de crédito. O vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias, admitiu que o banco ainda não tem resposta sobre como essa curva vai se desenhar.

    “Ainda estamos observando o comportamento de como as renegociações dentro do agro vão performar, a nova safra que vai ser colhida, se essa recuperação tende a ser uma recuperação em U ou em W. Ainda não sabemos, eu suspeito que talvez seja mais uma recuperação em W”, afirmou.

    Uma recuperação em W significa que o setor pode sofrer uma nova piora depois de uma melhora inicial. Para o produtor rural, isso se traduz em mais incerteza no acesso a crédito futuro e condições possivelmente mais rigorosas na hora de contratar financiamento.

    No âmbito da MP 1314, que autoriza renegociações de dívidas, o fluxo de vencimentos soma R$ 36,5 bilhões. Desse total, 91,8% têm garantia de imóvel e mais de 72% estão vinculados a alienação fiduciária. Já na carteira prorrogada, os vencimentos chegam a R$ 64,5 bilhões.

    Recuperações judiciais caem, mas produtores buscam saída

    O volume de novos processos de recuperação judicial recuou de forma consistente nos últimos trimestres. No primeiro trimestre de 2026, os pedidos somaram R$ 1,34 bilhão. No terceiro trimestre do ano passado, esse número chegou a R$ 1,84 bilhão, ou seja, uma redução considerável. O número de novos registros também caiu: foram 162 no primeiro trimestre de 2026, ante 209 no terceiro trimestre de 2025.

    O vice-presidente de gestão de risco, Felipe Prince, chamou a atenção para um dado que revela a pressão que os produtores endividados estão sentindo. Alguns deles chegam ao banco querendo encerrar o processo de recuperação judicial porque estão sem acesso a crédito para a nova safra.

    “Eles estão no momento de fazer os investimentos para a nova safra e não encontram crédito. E aí têm nos procurado para que possamos apoiar nesse processo de saída das recuperações judiciais”, relatou Prince.

    Prince também ressaltou que a carteira da safra 2025/26 apresenta um perfil de vencimentos mais equilibrado e com saldo menor, resultado de uma política mais criteriosa na concessão de crédito. “E aí passamos a entregar safras (de crédito) melhores”, reforçou.

    Guerra no Irã e o risco para a safra 26/27

    Um fator externo ganhou espaço na discussão: a guerra no Oriente Médio. Por ora, o impacto sobre os custos dos produtores da safra atual é limitado. Prince explicou que os insumos já estavam nas fazendas quando o conflito eclodiu e a produção da safra 2025/26 está em fase de encerramento. No entanto, a próxima safra é outra história.

    “Agora, sim, pode trazer um efeito para a próxima safra”, afirmou Prince. O BB acompanha os desenvolvimentos do conflito para ajustar os modelos de concessão de crédito da safra 2026/27, prevendo uma possível elevação de custos conforme o conflito se prolongue ou não.

    Bittencourt, por sua vez, fez questão de colocar ponderação na análise. Segundo ele, qualquer afirmação sobre margens apertadas ou dificuldades dos produtores neste momento é, nas palavras dele, “estudo de futurologia”. A maior parte dos insumos para a próxima safra será comprada a partir de junho e julho. “Pode ser sim, se chegarmos em junho e a guerra ainda estiver em andamento, o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda estiver com limitações de transporte, pode sim (ter um impacto) e estamos nos preparando para isso”, concluiu.