Tag: Rússia

  • Rússia reconhece status sanitário do Brasil e impulsiona exportações do agro

    Rússia reconhece status sanitário do Brasil e impulsiona exportações do agro

    O agronegócio brasileiro ganhou essa semana mais um aliado estratégico no Leste. A Rússia reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O avanço sanitário consolida a confiança internacional no sistema de defesa agropecuária do país e abre espaço para novas categorias de produtos e maior volume de exportações ao mercado russo.

    O movimento não é isolado. A China fez anúncio semelhante no início deste mês, e ambas as decisões seguem a certificação concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em 2025. O contraste com o Ocidente é evidente: enquanto Rússia e China ampliam o acesso ao mercado brasileiro, os Estados Unidos mantêm tarifas elevadas sobre produtos agrícolas do Brasil, e a União Europeia impõe barreiras regulatórias e restrições que dificultam as exportações nacionais, com destaque para as regras sobre desmatamento, que ameaçam travar negócios bilionários.

    Missão oficial percorre três cidades russas

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou uma delegação à Rússia nos últimos dias, com agenda em São Petersburgo, Kirovsk e Moscou. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, liderou o grupo. Que contou ainda com o adido agrícola do Brasil em Moscou, Marco Túlio Santiago, e o coordenador de Articulação, Rafael Requião.

    A missão começou durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, um dos principais eventos de diálogo econômico da Rússia. Lá, o secretário Luís Rua participou de painéis sobre as relações econômicas entre Brasil, Rússia e os países do Brics. A agenda incluiu reuniões bilaterais com ministros e vice-ministros da Agricultura e da Economia de países como Uruguai, Uzbequistão, Belarus e Vietnã, além de encontros com o setor privado.

    Fertilizantes na pauta: Brasil é mercado prioritário para empresas russas

    A missão também tratou de fertilizantes, insumo estratégico para o agronegócio brasileiro. A delegação visitou a operação de fertilizantes fosfatados da PhosAgro em Kirovsk, localizada nas Montanhas Khibiny, uma das principais regiões produtoras de rocha fosfática da Rússia. No local, conheceu a estrutura de mineração e processamento responsável pela produção de concentrado de apatita, matéria-prima dos fertilizantes fosfatados.

    Além da visita à PhosAgro, a delegação se reuniu com quatro das principais empresas russas do setor. As conversas deixaram clara a percepção de que o Brasil ocupa posição prioritária entre os mercados atendidos pelas companhias russas.

    Moscou avança em cooperação sanitária e habilitação de estabelecimentos

    A etapa final da missão, em Moscou, reuniu a delegação com o Ministério da Agricultura da Federação Russa e o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor). As reuniões abordaram cooperação sanitária, habilitação de estabelecimentos brasileiros, ampliação das exportações agropecuárias e novas oportunidades comerciais.

    A relação bilateral já acumula avanços recentes. Três estabelecimentos brasileiros de pescado receberam habilitação para exportar ao mercado russo. E a Rússia abriu as portas para as exportações brasileiras de castanhas.

    US$ 10 bilhões e complementaridade econômica

    Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Rússia superou, pelo segundo ano consecutivo, a marca de US$ 10 bilhões. A relação se baseia na complementaridade: o Brasil exporta carnes, café e amendoim, enquanto importa fertilizantes e trigo.Esses insumos são essenciais para a produção agrícola nacional.

    Em Moscou, a delegação participou ainda do Brazilian Beef Dinner, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela ApexBrasil, voltado à promoção da carne bovina brasileira junto a importadores russos. O secretário Luís Rua participou também de evento organizado pela Embaixada do Brasil para discutir governança global e o papel dos Brics.

    A atuação coordenada entre o Mapa, o Ministério das Relações Exteriores, a Embaixada do Brasil em Moscou e a ApexBrasil revela uma estratégia deliberada. Diante das barreiras crescentes do Ocidente, o agronegócio brasileiro aposta no Sul Global para sustentar e ampliar suas exportações.

  • Rússia suspende exportações de fertilizante e afeta Brasil

    Rússia suspende exportações de fertilizante e afeta Brasil

    A Rússia interrompeu as exportações de nitrato de amônio por um mês, até 21 de abril. O país tomou a decisão para garantir estoques durante o plantio de primavera. A medida ocorre em meio à crise global causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Esse corredor concentra cerca de 24% do comércio mundial de amônia.

    A Rússia controla até 40% do comércio global de nitrato de amônio. Além disso, lidera o fornecimento de fertilizantes ao Brasil. Em 2025, o país respondeu por 25,9% das importações brasileiras de adubos químicos.
    Os dados são do Ministério do Comércio Exterior.

    O governo russo suspendeu todas as licenças de exportação do produto. No entanto, manteve apenas contratos governamentais já firmados. O Ministério da Agricultura da Rússia afirmou que priorizará o mercado interno.
    A decisão atende à demanda crescente durante a temporada de campo.

    Rússia e o nitrato de amônio

    A Rússia produz cerca de um quarto do nitrato de amônio mundial. Ainda assim, não consegue ampliar a produção neste ano. O país enfrenta limitações em meio à crise global de abastecimento. Além disso, ataques recentes afetaram a produção local.

    Em fevereiro, drones ucranianos atingiram a fábrica de Dorogobuzh. A unidade responde por cerca de 11% da produção russa do insumo. A planta deve retomar totalmente as operações apenas em maio. Por isso, o mercado global pode sentir impactos no curto prazo.

    O nitrato de amônio é essencial no início do plantio agrícola. Além disso, o produto também possui uso na indústria de explosivos. A Rússia exporta o fertilizante para países como Brasil, Índia e Peru.
    Também atende mercados na África, Ásia e América do Norte.

    Dependência externa preocupa o agronegócio brasileiro

    O Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes. O país importa cerca de 95% do nitrogênio utilizado na agricultura. Além disso, compra 75% do fosfato no exterior. No caso do potássio, a dependência chega a 91%.

    A escassez de matérias-primas limita a produção nacional. O país possui poucas reservas de insumos essenciais. O potássio, por exemplo, se concentra em países como Canadá e Rússia. Essas nações dominam o mercado global do produto.

    A produção de nitrogenados exige gás natural barato. Por isso, o Brasil perde competitividade frente a grandes produtores. As reservas de fosfato também apresentam menor qualidade. Além disso, o custo de exploração é mais elevado.

    A demanda agrícola intensifica essa dependência externa. O solo brasileiro possui baixa fertilidade natural. Assim, os produtores precisam adubar com frequência. Culturas como soja, milho, café e cana lideram o consumo. Os custos logísticos também pesam no mercado interno. Importar fertilizantes ainda sai mais barato para o produtor.

    Plano Nacional de Fertilizantes

    O governo criou o Plano Nacional de Fertilizantes em 2022. A estratégia busca reduzir a dependência externa até 2050. A meta prevê produção interna entre 45% e 50% da demanda. Para isso, o país deve investir mais de R$ 25 bilhões até 2030.

  • Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode agilizar a entrada de fertilizantes e outros insumos agrícolas no Brasil. A proposta estabelece registro automático para produtos que já possuem certificação válida das autoridades dos países membros do BRICS.

    Deputado Max Lemos (PDT-RJ). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O PL 823/25, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), altera a lei que regula o setor de fertilizantes. O objetivo central é reduzir os custos de produção no campo. Com insumos mais baratos, a expectativa é que o preço final dos alimentos no prato do consumidor também caia.

    “O barateamento dos insumos rurais geraria benefício direto para a população com a redução do preço do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos”, defendeu Lemos na justificativa do projeto.

    Como funcionaria o registro automático

    Pelo texto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) terá um prazo máximo de 15 dias para conceder o registro, contados a partir do pedido da empresa. Se o ministério não emitir o documento nesse período, a empresa poderá comercializar o produto normalmente, sem risco de multas.

    A medida também simplifica a atuação de distribuidoras e representantes de fabricantes estrangeiras. Elas não precisarão mais abrir uma empresa específica no Brasil (pessoa jurídica), bastando manter uma representação legal regularizada no país.

    Próximas etapas e tramitação

    O bloco do BRICS reúne atualmente 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A certificação por parte desses países servirá como aval para o processo rápido no Brasil.

    O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões da Câmara. Isso significa que não precisa passar pelo plenário, a menos que haja recurso. As comissões responsáveis pela análise são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Após a Câmara, a proposta ainda precisará de aprovação do Senado Federal e, posteriormente, sanção presidencial para se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Brasil e Rússia fortalecem parceria estratégica no agronegócio em reunião ministerial

    Brasil e Rússia fortalecem parceria estratégica no agronegócio em reunião ministerial

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e a ministra da Agricultura da Rússia, Oksana Lut, conduziram uma reunião bilateral estratégica nesta quarta-feira (4). O diálogo reforçou a parceria entre os dois países no setor agropecuário e preparou o terreno para a próxima reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível.

    Foto: Mapa

    A reunião contou com a presença de autoridades-chave de ambos os lados, incluindo o chefe do Serviço Veterinário e Fitossanitário russo, Sergey Dankvert, e secretários do Ministério da Agricultura brasileiro (Mapa).

    Carlos Fávaro destacou o papel da Rússia como um parceiro estratégico e principal fornecedor de fertilizantes para o Brasil. “Manter este diálogo contínuo e técnico é crucial para gerar previsibilidade e estabilidade no nosso comércio bilateral”, afirmou o ministro.

    Oksana Lut ressaltou a importância de aprofundar os laços de amizade e confiança mútua para uma cooperação de longo prazo.

    Agenda concreta: barreiras sanitárias e modernização

    Os ministros trataram de temas práticos que impactam diretamente o fluxo comercial:

    • Carnes aviárias: as partes concordaram sobre a necessidade de reconhecer sistemas de regionalização sanitária. Este procedimento evita que um foco localizado de doença interrompa todo o comércio, seguindo padrões internacionais.
    • Pescado: a Rússia manifestou interesse em habilitar mais plantas brasileiras para exportar pescado ao seu mrcado.
    • Certificação eletrônica: Fávaro reafirmou o compromisso do Brasil com a certificação veterinária eletrônica, um sistema que moderniza processos, reduz riscos e aumenta a eficiência para ambos os países.

    Intercâmbio

    Outro ponto da pauta foi o estímulo ao intercâmbio de estudantes brasileiros e russos. A iniciativa busca promover a troca de experiências e conhecimentos sobre os diferentes modelos de produção agropecuária dos dois países.

    O encontro reforça a relação bilateral em um momento geopoliticamente sensível, com ambos os lados sinalizando interesse em normalizar e expandir a cooperação técnica e comercial no setor.

  • Crise EUA-Venezuela gera alerta no mercado de fertilizantes, mas impacto na oferta de ureia é limitado

    Crise EUA-Venezuela gera alerta no mercado de fertilizantes, mas impacto na oferta de ureia é limitado

    As tensões geopolíticas recentes entre Estados Unidos e Venezuela trouxeram preocupações ao mercado internacional sobre possíveis rupturas na cadeia de fertilizantes nitrogenados. No entanto, a participação limitada do país no comércio global de ureia deve conter os efeitos sobre os preços e a oferta mundial, conforme análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, países grandes produtores de petróleo costumam ter relevância também na produção de fertilizantes nitrogenados — que dependem do gás natural como insumo principal. “Rússia, Argélia, Irã e Catar são exemplos claros. Já a Venezuela, apesar de sua extensa produção petrolífera, tem presença modesta no mercado de ureia”, explica.

    Dados de 2024 mostram que a Venezuela ocupou apenas a 18ª posição entre os maiores exportadores globais de ureia, com embarques de pouco mais de 560 mil toneladas. O equivalente a cerca de 1% do total mundial. Em comparação, a Rússia foi responsável por aproximadamente 18% das exportações no mesmo período.

    Fornecimento ao Brasil existe, mas não é estratégico

    Embora a Venezuela seja um fornecedor de ureia para o Brasil, sua importância é secundária. Em 2024, cerca de 6% das importações brasileiras do produto vieram do país vizinho. Entre janeiro e novembro de 2025, essa fatia recuou para menos de 5%.

    Atualmente, os principais fornecedores de ureia do Brasil são Nigéria (23%), Rússia (16%) e Catar (15%), o que demonstra uma matriz diversificada e reduz a dependência de uma única origem.

    “Até agora, não há sinais de impactos diretos na capacidade produtiva ou exportadora de fertilizantes da Venezuela”, destaca Pernías. “O que se observa são pressões pontuais nos custos logísticos, com relatos de aumento nos fretes marítimos devido ao cenário de incertezas na região”, conclui o especialista.

  • Agronegócio brasileiro amplia acesso a novos mercados

    Agronegócio brasileiro amplia acesso a novos mercados

    O agronegócio brasileiro segue ampliando suas fronteiras comerciais. O governo federal anunciou novas aberturas de mercado na União Econômica Euroasiática, no Japão e na Nicarágua, consolidando o total de 507 acessos liberados desde o início de 2023, resultado direto das negociações conduzidas entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    Na União Econômica Euroasiática, bloco formado por Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, com mais de 183 milhões de habitantes, foi aprovada a exportação da castanha de baru brasileira. O fruto, nativo do Cerrado, é reconhecido pelo potencial nutricional e pelo papel socioeconômico para comunidades locais. Em 2024, o bloco importou US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para soja, carnes e café.

    O Japão, por sua vez, autorizou a entrada de frutas congeladas e desidratadas produzidas no Brasil. A medida abre espaço para produtos de maior valor agregado em um mercado exigente e em expansão no consumo de frutas processadas. Com 124 milhões de habitantes, o país asiático comprou mais de US$ 3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2024.

    Já a Nicarágua aprovou a importação de arroz beneficiado do Brasil. Com população estimada em 6,9 milhões de habitantes, o país importou US$ 55 milhões em produtos agropecuários brasileiros entre janeiro e novembro de 2025. Um crescimento de 8,5% em comparação a 2024.

    As novas aberturas de mercado reforçam a estratégia brasileira de diversificação de destinos e produtos agropecuários, incluindo itens com valor agregado e maior competitividade internacional.

  • Preço do enxofre dispara 90% nos portos em 2025 e pressiona custo dos fertilizantes

    Preço do enxofre dispara 90% nos portos em 2025 e pressiona custo dos fertilizantes

    O preço do enxofre nos portos brasileiros acumula uma alta de aproximadamente 90% desde janeiro de 2025, de acordo com relatórios semanais da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    Apenas na última semana de setembro, a cotação subiu cerca de US$ 30 por tonelada, intensificando uma valorização que já preocupa importadores e agricultores. O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, destaca que os preços atuais não eram vistos desde 2022, no auge da guerra entre Rússia e Ucrânia.

    Dois fatores principais explicam a disparada: a demanda internacional aquecida e uma oferta global restrita. Países como China e Índia continuam comprando grandes volumes do insumo, enquanto a disponibilidade no mercado permanece limitada. “Esse cenário mantém os preços em níveis elevados e pode se estender nos próximos meses”, projetou Pernías.

    Impacto em cadeia na produção de fertilizantes

    O enxofre é uma matéria-prima estratégica para a produção de ácido sulfúrico e ácido fosfórico, componentes essenciais dos fertilizantes fosfatados usados massivamente na agricultura brasileira. A valorização do insumo, somada à alta de outros componentes como a amônia, pressiona diretamente os custos de fabricação desses adubos.

    Embora esse aumento nem sempre chegue imediatamente ao agricultor, ele gera um efeito dominó: reduz as margens de retorno da indústria, limpa a produção e aumenta a incerteza no mercado. Custos elevados também fazem as empresas evitarem promover cortes de preços no varejo, mantendo a firmeza das cotações mesmo sem um repasse integral.

    Cenário desafiador para a safra 2025/26

    Para a próxima safra, importadores e agricultores terão que lidar com custos de produção elevados e relações de troca pouco atrativas. Nesse contexto, muitos produtores já planejam reduzir o uso de fertilizantes para conter despesas, uma medida que pode comprometer a produtividade das lavouras.

    A situação preocupa porque o Brasil depende das importações do insumo. Entre janeiro e agosto de 2025, o país comprou 1,6 milhão de toneladas de enxofre, um volume 8% maior que no mesmo período de 2024, mas a preços significativamente mais altos. Pernías resume: “o momento exige que o produtor adote um gerenciamento de custos e de riscos ainda mais rigoroso”.

  • Mercado: oferta abundante pressiona preços do milho e trigo

    Mercado: oferta abundante pressiona preços do milho e trigo

    O cenário macroeconômico global mantém foco nas expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos. O Federal Reserve sinaliza possíveis cortes de juros a partir de setembro. Esse movimento impactaria diretamente o fluxo cambial global.

    A perspectiva de queda na taxa americana tende a fortalecer moedas emergentes, especialmente o real. A ampliação do diferencial de juros favorece essa tendência. O real apresenta trajetória de valorização desde janeiro, movimento que pode se intensificar nos próximos meses.

    O Brasil enfrenta fatores adicionais de risco. O processo eleitoral de 2026 já começa a influenciar o mercado. Historicamente, a proximidade do calendário eleitoral gera maior volatilidade cambial, principalmente no último trimestre do ano anterior.

    Tensões comerciais globais mantêm incertezas relevantes. As medidas protecionistas e retaliações entre EUA e China afetam os fluxos internacionais de commodities.

    “O mercado de grãos opera sob forte influência não apenas de fundamentos agrícolas, mas também do ambiente macroeconômico”, avalia Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado de Grãos & Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets.

    Milho 2025/26 inicia com expectativa de oferta robusta

    A produção mundial deve crescer mais de 60 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. Os Estados Unidos puxam esse crescimento. A demanda também avança significativamente, sustentada pelo consumo para ração e crescimento do uso industrial, principalmente para etanol.

    O quadro global sinaliza abundância de oferta, mas apresenta nuances importantes. Qualquer descompasso climático na América do Sul ou aumento inesperado da demanda chinesa pode alterar o balanço.

    Brasil revisa safra de milho para 138,2 milhões de toneladas

    A Hedgepoint revisou a safra total 24/25 para 138,2 milhões de toneladas. O número fica acima da estimativa de junho (+3,7 milhões de toneladas) e do USDA (132 milhões de toneladas). Produtividades recordes em várias regiões do Centro-Oeste explicam essa revisão, segundo Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado.

    A empresa projeta estoques finais de 11,6 milhões de toneladas, mais folgados que o ciclo anterior. O consumo interno em expansão impulsiona o setor de etanol de milho. Na temporada 2024/25, cerca de 24 milhões de toneladas devem abastecer a produção de etanol. Esse volume pode dobrar em poucos anos com novas usinas entrando em operação.

    As exportações alcançam estimativa de 42 milhões de toneladas, mas enfrentam risco de redução. A forte competitividade do milho americano explica essa pressão.

    A comercialização da segunda safra segue lenta (43% versus 50% da média histórica). Produtores seguram parte do volume esperando preços melhores.

    Os preços domésticos em Campinas ficam em torno de R$ 64-65 por saca. A ampla oferta pressiona esses valores (dados até 29/08).

    O Brasil terá de competir também com a Argentina, que deve ampliar exportações no próximo ciclo, avalia o analista.

    Estados Unidos projetam safra recorde de 425 milhões de toneladas

    O USDA surpreendeu o mercado em agosto ao projetar safra recorde de 425 milhões de toneladas. Essa estimativa fica muito acima das expectativas médias (406-407 milhões de toneladas). Trata-se da maior safra já registrada no país.

    Os estoques devem subir de 33 milhões de toneladas para 53 milhões de toneladas. Isso amplia a pressão sobre os contratos em Chicago, que já romperam o piso de US$ 4,30 por bushel. Atualmente trabalham próximos a US$ 4,00 por bushel.

    As exportações mantêm ritmo forte. Mais de 18 milhões de toneladas já foram vendidas para 2025/26, praticamente o dobro do ano anterior no mesmo período.

    O clima favoreceu todo o desenvolvimento da safra. Os índices vegetativos (NDVI) ficaram acima da média histórica. Boas condições marcaram o início da colheita.

    Eventuais revisões de produtividade pelo USDA em setembro/outubro podem reduzir parcialmente a estimativa. Ainda assim, o quadro permanece confortável.

    China mantém potencial para ampliar importações

    A China projeta estoques finais em queda. Produção estável e crescimento do consumo explicam esse cenário.

    As margens da suinocultura permanecem em patamares baixos. Isso limita estímulos para aumento imediato do uso de ração. O rebanho permanece elevado e estável.

    O governo chinês pode optar por recompor estoques estratégicos (em torno de 190-200 milhões de toneladas). Há espaço para importações adicionais, criando oportunidade para Brasil e Argentina. Em 2023/24, o Brasil exportou mais de 20 milhões de toneladas para a China.

    No curto prazo, o milho americano tende a continuar mais competitivo. Isso pode impactar as exportações brasileiras.

    Argentina ganha competitividade após unificação cambial

    A produção atual fica estimada em 50 milhões de toneladas, com possibilidade de aumento para 2025/26. As margens do milho superam as da soja. A expectativa é de crescimento da área.

    O câmbio unificado pelo governo argentino reduziu distorções e aumentou previsibilidade. Isso incentiva a comercialização antecipada. Produtores já venderam cerca de 5% da nova safra (versus 1% no mesmo período do ano passado).

    As exportações devem crescer, competindo diretamente com o milho brasileiro no segundo semestre.

    O risco climático permanece relevante. A NOAA projeta 60% de chance de La Niña ainda em 2025. Isso pode trazer seca na Argentina e Sul do Brasil, afetando produtividades.

    Trigo mundial apresenta oferta abundante com pressão baixista

    A produção tende a superar a do ano anterior. União Europeia e Rússia puxam principalmente esse crescimento. A Ucrânia permanece limitada pela guerra.

    Os estoques globais não crescem no mesmo ritmo e devem permanecer próximos aos níveis de 2024/25. Isso sugere equilíbrio, mas ainda com pressão baixista devido à oferta abundante, segundo a Hedgepoint.

    Estados Unidos mantêm produção estável

    A produção fica um pouco abaixo da safra passada, devido à menor área. Boas produtividades sustentam os números.

    As exportações podem crescer levemente (até 24 milhões de toneladas). Os estoques permanecem elevados.

    Chicago continua pressionado. O peso da ampla disponibilidade global e forte concorrência internacional explicam esse cenário.

    União Europeia amplia produção significativamente

    A safra alcança estimativa de 138 milhões de toneladas, contra 122 milhões de toneladas no ciclo anterior.

    As importações devem cair de 11 para cerca de 6 milhões de toneladas. As exportações devem aumentar.

    O ganho de competitividade europeia pressiona também as exportações da Ucrânia. Estas já sofrem com restrições logísticas e impostos reestabelecidos pela UE.

    A produção argentina fica projetada próxima de 20 milhões de toneladas, com exportações em crescimento.

    No Brasil, a área de trigo permanece limitada por margens pouco atrativas. Isso afeta especialmente o Sul (RS e PR). O país mantém dependência das importações de trigo argentino.

    Ucrânia enfrenta múltiplas limitações

    A produção fica estimada entre 20-23 milhões de toneladas, bem abaixo do pré-guerra (33 milhões de toneladas).

    Além das restrições logísticas, o retorno dos impostos de importação na UE reduz o acesso do trigo ucraniano ao mercado europeu. As exportações devem voltar a cair.

    Rússia consolida posição de maior exportador

    A produção permanece em expansão. As exportações ganham impulso com a retirada (quase total) dos impostos de exportação.

    Apesar de problemas pontuais de clima durante o desenvolvimento da safra, as colheitas indicam produtividades acima da média. Isso consolida a Rússia como maior exportador mundial.

  • Rússia e outros três países reduzem restrições à carne de frango do Brasil

    Rússia e outros três países reduzem restrições à carne de frango do Brasil

    Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão anunciaram a flexibilização das restrições às exportações de carne de aves provenientes do Brasil. E restringiram temporariamente as limitações apenas ao estado do Rio Grande do Sul. Essa decisão ocorre após a identificação de um foco de gripe aviária em uma granja localizada no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul.

    Desde a semana passada, diversos países adotaram suspensões totais às exportações brasileiras de carne de aves, como medida preventiva para evitar a disseminação da doença. Entre os países que mantêm a suspensão total estão China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka e Paquistão.

    Além disso, alguns países restringem as importações apenas ao estado do Rio Grande do Sul. Entre eles a Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia. Já Emirados Árabes Unidos e Japão mantêm a suspensão apenas para o município de Montenegro.

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) segue em constante diálogo com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas detalhadas e transparentes sobre o caso. As medidas adotadas visam garantir a segurança sanitária e a retomada segura das exportações brasileiras o mais breve possível.

    O Mapa reforça que o consumo de carne de aves e ovos provenientes do Brasil não apresenta risco à saúde dos consumidores, assegurando a qualidade e segurança dos produtos nacionais.

    Restrições e a gripe aviária

    A gripe aviária é uma doença viral que afeta aves domésticas e selvagens, podendo causar impactos econômicos significativos no setor avícola. O foco identificado no Rio Grande do Sul levou à adoção de medidas rigorosas para conter a disseminação do vírus e proteger a saúde pública e animal.

    O acompanhamento e controle da situação são realizados por órgãos oficiais, garantindo a transparência e a eficácia das ações.

    A flexibilização das restrições por parte da Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão representa um avanço importante para o setor avícola brasileiro. Ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de manter os protocolos sanitários rigorosos para garantir a segurança das exportações e a saúde dos consumidores.

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  • Brasil: de importador a gigante na exportação de alimentos em 50 anos

    Brasil: de importador a gigante na exportação de alimentos em 50 anos

    Nas últimas cinco décadas, o cenário global de exportação de alimentos passou por transformações notáveis, com o Brasil emergindo como um dos principais players. Este artigo analisa a evolução dos maiores exportadores de alimentos (frutas, verduras, cereais, carne, ovos, azeites) no mundo, com foco na trajetória do Brasil, que saltou de um volume de exportação de 3 milhões de toneladas na década de 1970 para mais de 100 milhões de toneladas atualmente.

    A ascensão do Brasil no cenário global

    Até meados da década de 1970, o Brasil era um importador de alimentos. No entanto, nos últimos 25 anos, o país se transformou em uma das maiores potências agrícolas mundiais. Esse fenômeno se deve à combinação de alta produtividade agrícola, preservação ambiental e uso de tecnologia moderna.

    Na década de 1970, o Brasil já despontava como um grande exportador. Atualmente, o país ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores de produtos agropecuários do mundo, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos. Estima-se que o Brasil assuma a liderança mundial na exportação de produtos agrícolas a partir de 2024.

    O crescimento da área plantada, estimado em 20% em relação à média do biênio 2012/2014, é resultado da expansão da produção agrícola sobre áreas de pecuária degradada, áreas de abertura e, principalmente, com o aumento do plantio da segunda safra no Centro-Oeste e no MATOPIBA (região produtiva nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) desempenhou um papel fundamental nesse processo, adaptando sementes ao solo tropical existente no país. A soja continua sendo o principal produto agrícola exportado pelo Brasil, que atualmente ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

    Maiores exportadores de alimentos no mundo

    Embora os Estados Unidos tenham sido a superpotência mundial dos grãos após a Segunda Guerra Mundial e na década de 1990, sua posição foi suplantada pela Rússia nas exportações de trigo e pelo Brasil na soja. A China se tornou um grande importador de grãos.

    Outros importantes exportadores de alimentos incluem:

    • União Europeia
    • Canadá

    Apesar do impressionante crescimento, o Brasil ainda enfrenta desafios para consolidar sua posição como líder na exportação de alimentos. É necessário investir em infraestrutura, logística e tecnologia para aumentar a eficiência da produção e distribuição.

    O aumento do consumo interno de soja e a necessidade de preservar o meio ambiente também são fatores que exigem atenção. A busca por práticas agrícolas sustentáveis e a diversificação da produção são estratégias importantes para garantir o futuro do agronegócio brasileiro.

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