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  • Pesquisadores descobrem duas novas espécies de escorpiões na Amazônia

    Pesquisadores descobrem duas novas espécies de escorpiões na Amazônia

    Uma expedição científica perto da Cachoeira do Evandro, em Mucajaí (RR), revelou duas espécies de escorpião que a ciência ainda não conhecia. Pesquisadores brasileiros batizaram os animais de Brotheas cernii e Cayooca puchus após coletá-los em uma área de floresta a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, point turístico frequentado por banhistas que nunca haviam reparado nos pequenos moradores das rochas ao redor.

    comparativo entre as novas especies de escorpião
    Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    A professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, em Araraquara, liderou o grupo que fez a descoberta. Durante as coletas, a equipe notou exemplares com características fora do padrão: coloração diferente, variações no tamanho do corpo e granulação distinta nas pinças. Essas pistas levantaram a suspeita de que os pesquisadores tinham encontrado espécies ainda não descritas. E as suspeitas viraram trabalho científico publicado na revista Diversity.

    A descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e também abre uma porta concreta: o veneno desses escorpiões pode conter moléculas com potencial para a indústria farmacêutica. “Os achados demonstram o quanto a floresta Amazônica, especialmente em estados como Roraima, ainda é pouco explorada cientificamente. Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?”, questiona Pucca.

    O trabalho marca a estreia do projeto AT-Biota — Desvendando a Riqueza Oculta de Aracnídeos e Triatomíneos em Regiões Inexploradas dos Biomas Brasileiros, coordenado pela própria pesquisadora e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

    Uma região pouco explorada e de grande potencial

    As duas espécies vivem em inselbergs, formações rochosas isoladas que se erguem em meio à floresta e funcionam como verdadeiras ilhas ecológicas. O isolamento prolongado dessas áreas, que se mantém por milhares de anos, favorece o surgimento de espécies exclusivas, adaptadas a condições ambientais bem específicas. O que explica por que ninguém havia encontrado esses escorpiões antes.

    A descoberta de Cayooca puchus chama ainda mais atenção porque o gênero Cayooca reúne pouquíssimos representantes conhecidos pela ciência, o que torna o achado raro mesmo para os padrões da taxonomia.

    escorpião em foto com efeito
    A equipe utilizou lanternas ultravioleta (UV) durante as expedições noturnas, facilitando a localização das novas espécies. Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    As novas espécies também impõem desafios para quem quer estudá-las de perto. Segundo Pucca, os animais são extremamente sensíveis a mudanças ambientais. Mesmo quando os pesquisadores tentam recriar em laboratório a temperatura e a umidade da floresta, alguns exemplares não resistem por muito tempo em cativeiro. “São animais altamente especializados e adaptados a um ambiente muito específico. Mesmo quando tentamos reproduzir essas condições em laboratório, nem sempre conseguimos garantir sua sobrevivência”, explica a docente.

    Anos de expedições até a confirmação

    Confirmar que os exemplares pertenciam a espécies novas exigiu um trabalho de quase uma década. As primeiras expedições à região aconteceram em 2016, quando Pucca ainda integrava o quadro da Universidade Federal de Roraima (UFRR). De lá para cá, as equipes retornaram ao local diversas vezes, em diferentes épocas do ano, para coletar machos, fêmeas, jovens e adultos. Um esforço necessário para reunir evidências suficientes e comparar os animais com todas as espécies já catalogadas.

    Detalhes da estrutura final da cauda, onde fica o ferrão do escorpião Brotheas cernii. Foto: Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP

    O professor André Lira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), conduziu as análises detalhadas que sustentaram a descrição das novas espécies. Outros dois especialistas, Antônio D. Brescovit, do Instituto Butantan, e Edmundo González-Santillán, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), validaram os resultados antes da publicação. “A descrição de novos exemplares exige um conjunto robusto de evidências e a validação por diferentes pesquisadores. É um trabalho minucioso que envolve análises morfológicas detalhadas”, afirma Pucca.

    Os nomes contam histórias pessoais

    A escolha dos nomes científicos guarda também um lado afetivo. Pucca escolheu batizar Brotheas cernii em homenagem ao marido, Felipe Augusto Cerni, pesquisador e professor da UFRR, e à filha do casal, que carrega o mesmo sobrenome. Cerni participou diretamente das expedições e colaborou com a pesquisa.

    nova especie de escorpião no mato
    Além da classificação biológica, a equipe está investigando as moléculas dos venenos dos escorpiões para potencial desenvolvimento de novos medicamentos. Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    Já o nome Cayooca puchus remete à expressão espanhola “pucheros”, usada para descrever uma expressão facial de espanto ou surpresa. A referência brinca com a reação do pesquisador André Lira, primeiro autor do artigo, ao perceber que tinha em mãos uma espécie nunca antes descrita.

    Da descoberta à busca por novos medicamentos

    A descrição taxonômica é só o primeiro capítulo de uma pesquisa mais ampla. Especialista em bioprospecção de moléculas presentes em venenos, Pucca já comanda um novo estudo voltado a investigar os compostos produzidos pelas duas espécies recém-descobertas. “Já estamos analisando os venenos desses escorpiões. Nossa expectativa é que, em breve, possamos publicar novos trabalhos a respeito”, adianta.

    Vista anatômica da estrutura articulada da região bucal do escorpião Cayooca puchus
    Vista anatômica da estrutura articulada da região bucal do escorpião Cayooca puchus, uma das novas espécies descritas. Crédito: Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP

    O interesse científico tem explicação biológica: como predadores de insetos, os escorpiões desenvolveram ao longo da evolução venenos com moléculas altamente especializadas. Esse arsenal químico desperta o interesse de pesquisadores que enxergam ali potencial para a criação de inseticidas biológicos e novos fármacos. “Esses animais vivem em ambientes extremamente desafiadores e desenvolveram, ao longo da evolução, moléculas ativas muito eficientes. Elas podem inspirar desde novos medicamentos até inseticidas biológicos mais seguros”, destaca a pesquisadora.

    Estudo regional

    Os exemplares vivos coletados nas expedições seguiram para a UFRR, em Boa Vista, onde Pucca já lecionou e mantém parcerias acadêmicas, e não para o laboratório da Unesp, em Araraquara. “Não podemos simplesmente trazer esses escorpiões vivos para o laboratório da Unesp. Além das exigências legais e ambientais, são espécies muito adaptadas às condições da floresta amazônica e bastante sensíveis às mudanças de habitat. Por isso, parte dos estudos precisa ser realizada na própria região onde eles ocorrem”, diz a pesquisadora.

    A equipe já planeja novas expedições a Roraima para ampliar o levantamento da fauna local. Além dos escorpiões, os pesquisadores pretendem investigar aranhas e barbeiros,  grupos de grande relevância ecológica e biomédica. “As maiores descobertas científicas muitas vezes surgem quando estamos explorando o desconhecido. Por isso, conhecer e preservar nossa biodiversidade é fundamental não apenas para a ciência, mas também para o desenvolvimento de soluções que podem beneficiar toda a sociedade”, conclui Pucca.

    Matéria de

    Jornal da Unesp

  • Lavradeiro: conheça o cavalo selvagem do Brasil que pode desaparecer

    Lavradeiro: conheça o cavalo selvagem do Brasil que pode desaparecer

    Nas savanas do extremo norte do Brasil, um cavalo diferente de qualquer outro galopa há mais de dois séculos. Os cavalos lavradeiros habitam as regiões do Lavrado, um ecossistema característico do nordeste de Roraima, abrangendo municípios como Amajari, Uiramutã, Normandia e Pacaraima. Formados pela seleção natural mais severa (seca prolongada, pastagem pobre e isolamento geográfico), esses animais carregam uma herança genética que o Brasil corre o risco de perder para sempre.

    https://www.instagram.com/p/DVGKZQyDj5L/?img_index=10&igsh=MTgzaGhpMXlwdTZ6dA%3D%3D

    Em 1789, cavalos vindos da Europa chegaram à região durante o início do povoamento de Roraima, quando o comandante Lobo D’Almada introduziu a pecuária na área. Alguns desses animais fugiram, e com o tempo foram se reproduzindo livremente, formando manadas de 200 a 300 animais. Desse processo nasceu o Lavradeiro, não por escolha humana, mas pela força da natureza.

    Os animais descendem de raças como garrano e andaluz. Há ainda uma participação considerável do puro-sangue inglês na formação do ecótipo, já que Roraima faz divisa com a Guiana, antiga colônia inglesa. Ao longo de gerações, apenas os mais resistentes sobreviveram. O resultado é um animal compacto, veloz e extraordinariamente adaptado. Os lavradeiros mantêm velocidade média de 60 quilômetros por hora durante 30 minutos. Um desempenho notável para um animal que se alimenta basicamente de capim de baixo valor nutritivo.

    Um patrimônio à beira do desaparecimento

    A população de cavalos lavradeiros está estimada em apenas 200 exemplares puros, número que vem diminuindo por causa das pressões da expansão humana. Queimadas, desmatamento e cruzamentos com outras raças comprometem a sobrevivência desse patrimônio genético.

    Atualmente, apenas 15% do universo de cavalos que se multiplicam livremente pelo lavrado atendem ao padrão do tipo lavradeiro. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) considera em “estado vulnerável” qualquer raça equina com menos de cinco mil fêmeas em reprodução. No caso dos lavradeiros, a estimativa é de que 60% dos 3.150 cavalos existentes sejam éguas em reprodução, o equivalente a apenas 1.890 fêmeas.

    O cavalo Lavradeiro não tem reconhecimento oficial como raça, mas sim como ecótipo, um tipo animal daquele ecossistema específico. Por não ter uma associação que determine suas características, tampouco registro oficial, o animal acaba tendo pouco valor comercial, o que reduz a atenção destinada à sua preservação, explica o veterinário e pesquisador da Embrapa Ramayana Menezes.

    A Embrapa na linha de frente

    Desde 1983, a Embrapa estuda os cavalos lavradeiros. Além disso, hoje, a Embrapa Roraima mantém um Núcleo de Conservação do cavalo Lavradeiro na Fazenda Resolução, no município de Amajari, a cerca de 170 km da capital Boa Vista, com 43 animais mantidos junto a rebanhos de criadores particulares. Seis garanhões foram transferidos para o campo experimental Fazenda Água Boa para adaptação e manejo.

    Foto: Jorge Macêdo/Divulgação

    O trabalho inclui caracterização genética, fenotípica e histórica dos animais, além de sensibilização de produtores e comunidades sobre o valor cultural e biológico do ecótipo. Com a conservação em bancos genéticos, por meio de amostras de sêmen e DNA, aliada à manutenção dos animais em núcleos de criação, a Embrapa busca garantir que esse tesouro genético continue sendo símbolo das futuras gerações de Roraima e do Brasil.

    Mas pesquisadores alertam que o esforço institucional ainda não é suficiente. Para o pesquisador Ramayana Menezes, é imprescindível a criação de uma associação de criadores do Lavradeiro para reduzir o risco de extinção desse importante patrimônio genético e cultural, com a implementação de formas concretas de conservação.

    Atualmente, as comunidades indígenas e pequenos produtores rurais são os principais responsáveis pela conservação e continuidade do ecótipo em Roraima. Proteger o Lavradeiro, portanto, vai além da preservação animal. É resgatar dois séculos de história brasileira gravados no DNA de um cavalo que aprendeu a sobreviver sozinho.

  • Tecnologias agrícolas substituem garimpo e levam produção de alimentos à Terra Yanomami

    Tecnologias agrícolas substituem garimpo e levam produção de alimentos à Terra Yanomami

    Onde havia garimpo, agora há alimento. O silêncio tomou o lugar do barulho das dragas e motores nas margens do rio Mucajaí, em Roraima. Onde antes operavam garimpeiros ilegais, agora brotam roças, viveiros e tanques de criação de peixes. A transformação ocorre dentro da Terra Indígena Yanomami, com a instalação das primeiras unidades demonstrativas de tecnologias agrícolas voltadas à soberania alimentar.

    Foto: Divulgação MDS

    Em Sikamabiu, comunidade com cerca de 400 indígenas, o governo federal inaugurou, no dia 2, a primeira unidade demonstrativa de produção sustentável, unindo recuperação ambiental e segurança alimentar. O projeto, executado pela Embrapa Roraima, tem apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Funai e Instituto Federal de Roraima (IFRR).

    Produção sustentável e capacitação

    A unidade modelo conta com aviário de 100 galinhas rústicas, viveiro com capacidade para 2 mil mudas nativas, roças comunitárias de mandioca e hortaliças, tanque de compostagem e sistemas agroflorestais (SAFs) que ajudam a recuperar áreas degradadas pelo garimpo. Também há um tanque escavado de piscicultura de 440 m² e dois antigos açudes convertidos em criadouros, abrigando 4 mil alevinos de tambaqui.

    “Onde antes corríamos risco de vida, hoje levamos estrutura e ferramentas para a autonomia alimentar”, afirma Rosemary Vilaça, pesquisadora da Embrapa Roraima e uma das responsáveis pelo projeto. Segundo ela, os testes realizados nos açudes confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, garantindo segurança para a produção.

    Expansão e investimentos

    O investimento aplicado em Sikamabiu chega a R$ 90 mil, dentro de um Termo de Execução Descentralizada (TED) entre o MDS e a Embrapa Roraima, com valor global de R$ 1,8 milhão. A previsão é implantar outras sete unidades em 2026, atendendo 18 comunidades Yanomami nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu.

    Outras 11 comunidades já manifestaram interesse em aderir ao projeto. A Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil, tem 9,6 milhões de hectares e abriga cerca de 31 mil indígenas.

    Criação de peixes e autonomia indígena

    O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) também atua em Sikamabiu, com a entrega de 10 tanques elevados contendo 4 mil alevinos adicionais, totalizando 8 mil peixes na comunidade. Os tanques, feitos em geomembrana, oferecem maior durabilidade e eficiência para a piscicultura.

    Em parceria com o IFRR, 34 indígenas foram capacitados para conduzir o cultivo e repassar o conhecimento à comunidade. “O objetivo é que os Yanomami tenham autonomia na criação e manejo, por isso a formação acontece dentro do território”, explica Fernanda Gomes de Paula, secretária nacional de Aquicultura do MPA.

    Segundo ela, o tempo mínimo para a primeira “despesca”, ou seja, a retirada dos peixes prontos para consumo, é de três meses. O programa será replicado em 14 polos Yanomami, com investimento total de R$ 12 milhões previstos pelo MPA.

    Uma nova realidade na Terra Yanomami

    Somadas, as ações do MDS e MPA devem garantir à comunidade de Sikamabiu produção de até 1 tonelada de proteína animal por ano até o final de 2026. As iniciativas fazem parte do Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami. Coordenado pela Funai, a ação tem o propósito de promover o “bem viver” dos povos Yanomami e Ye’kwana.

    “O impacto desta ação vai além da produção de alimentos. Representa reconquista e esperança em um território que antes era devastado pelo garimpo”, resume Rosemary Vilaça.

  • Expoferr 2025: Feira de Roraima pode superar R$ 1 bi em negócios

    Expoferr 2025: Feira de Roraima pode superar R$ 1 bi em negócios

    Foi lançado oficialmente a 44ª Expoferr Show, a maior feira agropecuária do Norte do Brasil. O anúncio aconteceu na última semana, no Palácio Senador Hélio Campos. O evento ocorre de 4 a 8 de novembro no Parque de Exposições Dandãezinho e tem uma ambiciosa meta: movimentar mais de R$ 1 bilhão em negócios, impulsionando empregos e renda em toda a cadeia produtiva do estado.

    A edição de 2025 espera receber 505 mil visitantes ao longo dos cinco dias. O público poderá conferir mais de 300 empresas expositoras, rodadas de negócios, palestras técnicas e um espaço exclusivo para agricultura familiar. A feira também é conhecida por suas grandes atrações, que incluem cinco shows nacionais, 13 apresentações locais e competições equestres.

    Pela primeira vez, a Expoferr conta com apoio direto do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo. Essa parceria inédita visa ampliar o alcance do evento e fortalecer seu eixo cultural e turístico.

    O governador Antonio Denarium celebrou a trajetória de crescimento recorde da feira. Ele destacou que o volume de negócios saltou de R$ 300 milhões em 2022 para R$ 700 milhões em 2024. “A Expoferr já é um patrimônio econômico do nosso povo. Este ano, esperamos ultrapassar R$ 1 bilhão. Serão cinco dias de oportunidades, com crédito direto ao produtor e a presença de agentes financeiros”, afirmou.

    Papel estratégico

    O secretário de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), Marcio Grangeiro, reforçou o papel estratégico do evento. “É um ambiente favorável para negócios, inovação e tecnologia. Além dos resultados econômicos, a Expoferr gera emprego e oportunidades para todos, desde o produtor até os prestadores de serviços”, explicou.

    A consolidação da feira como vitrine do agronegócio regional é resultado de uma parceria bem-sucedida entre o Governo de Roraima e a Faerr/Senar. O presidente do Sistema Faerr/Senar e da OCB-RR, Silvio de Carvalho, enfatizou a importância do trabalho coletivo. “Desde 2019, o governo fortalece o ambiente de negócios com políticas adequadas para o agro. A Expoferr valoriza tanto a agricultura empresarial quanto a familiar e indígena”, declarou.

    Com recursos federais e uma estrutura consolidada, a Expoferr Show 2025 se consolida não apenas como um evento agropecuário, mas como um motor de desenvolvimento econômico e cultural para todo Roraima.

  • Agricultura familiar de Roraima amplia produção com feijão-caupi

    Agricultura familiar de Roraima amplia produção com feijão-caupi

    Produtores da comunidade Jabuti, em Bonfim (RR), começarão o cultivo direto de feijão-caupi em uma área de 3 hectares. A ação integra um projeto que já abrange 270 hectares no município. O método reutiliza o mesmo solo usado para o milho verde, sem precisar aplicar novos fertilizantes como calcário e NPK. Técnicos do Iater orientam o plantio, que usa o maquinário para aproveitar os resíduos da safra anterior.

    O feijão-caupi, também conhecido como feijão-fradinho, é bastante diferente dos tipos mais comuns, como o feijão-preto e o feijão-carioca. Enquanto estes últimos são ricos em amido e usados no dia a dia, o feijão-caupi se destaca pelo alto teor de proteínas, fibras e vitaminas, além de ser mais resistente a condições de clima seco. Ele se adapta bem ao solo e às variações da região Norte do Brasil, sendo importante para a segurança alimentar.

    Na comunidade Jabuti, a expectativa é colher cerca de 120 sacas, beneficiando 22 famílias indígenas da etnia Macuxi. Essa prática melhora a qualidade do solo para as próximas safras, ajuda no controle de pragas e aumenta a produtividade do milho na sequência.

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    O projeto de grãos já beneficiou sete comunidades indígenas em Bonfim, incluindo a Jabuti, onde foram cultivados 90 hectares distribuídos em nove polos agrícolas. Anteriormente, a venda do milho que saiu dessas áreas apoiou a manutenção do maquinário local.

    A técnica da rotatividade de culturas evita problemas comuns em monoculturas, como o aumento de pragas e doenças. Além do feijão-caupi e do milho, os agricultores também cultivam café, macaxeira e capins, diversificando a produção e garantindo renda.

    O aumento da produção do feijão-caupi pode ampliar a oferta na mesa dos consumidores locais. Além do valor nutricional, o grão contribui com sistemas agrícolas mais sustentáveis e resistentes.

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  • Venezuela retoma isenção para produtos brasileiros após tarifação inesperada

    Venezuela retoma isenção para produtos brasileiros após tarifação inesperada

    A Venezuela retomou nesta semana a isenção de impostos para produtos brasileiros com certificado de origem. A decisão reverte uma medida surpresa que, na semana passada, taxou importações do Brasil em até 77%, gerando custos extras e insegurança jurídica para empresas.

    O sistema aduaneiro venezuelano, Sidunea, já foi ajustado e voltou a reconhecer os documentos de origem. O órgão tributário do país, Seniat, também retomou a emissão do benefício fiscal. “Praticamente todos os produtos estão com isenção de 100% novamente”, afirmou Eduardo Oestreicher, coordenador de Negócios Internacionais de Roraima.

    Impacto em Roraima e esforços diplomáticos

    A Venezuela é o principal destino das exportações de Roraima, respondendo por 46,1% das vendas do estado. O governador Antonio Denarium (PP) celebrou a retomada da isenção, destacando que a taxação poderia prejudicar empregos e a economia local.

    Na última terça-feira (22), a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio de Roraima pediu apoio diplomático à embaixada do Brasil em Caracas. Oestreicher afirmou que divulgará em breve um comunicado conjunto com autoridades venezuelanas para agradecer a solução do impasse.

    Falha no sistema ou mudança de política?

    Inicialmente, autoridades atribuíram a taxação a um possível erro no sistema aduaneiro da Venezuela. No entanto, um decreto publicado em junho havia extinguido isenções para vários produtos importados, incluindo açúcar e soja — itens essenciais na pauta de exportação brasileira.

    O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento acompanharam o caso, buscando esclarecimentos com o governo venezuelano. O Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), em vigor desde 2014, garante tarifa zero para a maioria dos produtos entre os dois países .

    Com a normalização, os exportadores recuperam a confiança no comércio bilateral, que movimentou US$ 1,6 bilhão em 2024.

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  • Governo de Roraima intensifica mapeamento agrícola

    Governo de Roraima intensifica mapeamento agrícola

    O Governo de Roraima está avançando no fortalecimento do agronegócio estadual com a intensificação do mapeamento das áreas de produção agrícola. A Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) coordena a iniciativa por meio da Rota dos Grãos. E conta com a parceria técnica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e abrange visitas a mais de 250 propriedades rurais em todo o estado.

    O objetivo principal é consolidar dados confiáveis sobre a produção de grãos, especialmente soja, milho, arroz e, pela primeira vez, algodão. Além de estimar a produtividade da safra de 2025. O levantamento foi dividido em duas etapas. E servirá de base para a publicação do relatório “Grãos em Roraima”, que trará um panorama detalhado do potencial agrícola local.

    Segundo Frankarlos Lopes, coordenador de campo da ação, a equipe formada por técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos percorre as principais áreas produtoras para coletar informações precisas. “Esses dados fortalecem o agronegócio e orientam políticas públicas, como o crédito rural. Além de ajudar o Governo de Roraima a agir com mais eficiência em áreas como infraestrutura e logística”, destacou.

    Potencial produtivo do estado

    O secretário de Agricultura, Márcio Grangeiro, ressaltou que a iniciativa é fundamental para divulgar o potencial produtivo do estado e identificar demandas específicas dos produtores. “Com esses dados, conseguimos atuar com mais agilidade e fortalecer o agronegócio roraimense”, afirmou.

    A parceria com a Conab busca padronizar metodologias, alinhar processos e construir uma base de dados representativa da realidade agrícola local. O acordo de cooperação técnica, em fase de articulação, deve ampliar o monitoramento agropecuário e as estratégias de armazenagem, reforçando o compromisso do estado com o desenvolvimento sustentável da agricultura.

    Em 2025, a expectativa da Seadi é de crescimento de 7% na área de plantio, totalizando cerca de 163 mil hectares. O destaque vai para a introdução do algodão como nova cultura comercial do estado. Só a soja deve ocupar 128 mil hectares, seguida por arroz (13 mil ha), milho (16 mil ha), feijão (5 mil ha) e algodão (1 mil ha).

    A atuação conjunta entre Seadi e Conab também contribui para o alinhamento das políticas públicas e para a atração de investimentos, beneficiando tanto grandes produtores quanto a agricultura familiar. A coleta de dados estratégicos impulsiona a competitividade do setor e garante o desenvolvimento sustentável do agronegócio roraimense nos próximos anos.

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  • Gohobby investe R$ 20 milhões para impulsionar uso de drones agrícolas

    Gohobby investe R$ 20 milhões para impulsionar uso de drones agrícolas

    A Gohobby, maior distribuidora de drones agrícolas da América Latina, anunciou um investimento estratégico de R$ 20 milhões na Região Norte do Brasil. O aporte será destinado à construção de um centro de distribuição, escritório e centro de treinamento em Porto Velho (RO), consolidando a presença da empresa nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. O objetivo é fortalecer o suporte técnico, comercial e logístico para revendas e produtores rurais, além de expandir a rede de parceiros locais.

    O novo centro de operações contará com equipe técnica e comercial própria, oficina de manutenção e estrutura dedicada à capacitação de operadores e revendedores. Inicialmente, a iniciativa vai gerar cinco empregos diretos, com expectativa de dobrar o quadro até 2027. A Gohobby já possui mais de 30 revendas ativas nos quatro estados. E prevê que a Região Norte represente cerca de 50% de sua operação agrícola nos próximos anos.

    Com mais de 2 milhões de km² de extensão e mais de 2 milhões de hectares cultivados, a Região Norte se destaca pela diversidade de culturas como soja, arroz, milho, café e frutas, além de 15 milhões de hectares de pastagens. A demanda crescente por tecnologia que aumente a produtividade e reduza custos operacionais torna o mercado regional um dos mais promissores para drones agrícolas no Brasil.

    Drones agrícolas: inovação e sustentabilidade no campo

    Os drones agrícolas da Gohobby, como os modelos DJI Agras T25 e T50, oferecem capacidades de pulverização de 20 a 40 litros e dispersão de sólidos de 25 a 50 kg, com preços que variam de R$ 120 mil a R$ 200 mil, dependendo da configuração. Essas tecnologias proporcionam monitoramento de precisão, redução de custos, menor consumo de insumos e impacto ambiental reduzido, tornando-se essenciais para o agronegócio moderno.

    Segundo Adriano Buzaid, CEO da Gohobby, o investimento reforça o compromisso da empresa com a modernização e sustentabilidade do agronegócio brasileiro. “Nosso foco é promover a modernização do setor com tecnologia de ponta, presença local e capacitação. Esse investimento é 100% Gohobby e reafirma nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e tecnológico do campo brasileiro”, afirma Buzaid.

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  • El Niño freia crescimento da castanheira-da-amazônia

    El Niño freia crescimento da castanheira-da-amazônia

    Um estudo conduzido na região de Caracaraí, em Roraima, aponta que o fenômeno El Niño impacta diretamente o crescimento da castanheira-da-amazônia (Bertholletia excelsa), espécie emblemática da floresta Amazônica e de grande importância econômica, histórica e cultural para a região.

    Segundo a pesquisa, períodos de estiagem provocados pelo El Niño resultam em uma redução significativa do crescimento em diâmetro dessas árvores. Maria Eduarda Guimarães, estudante de Engenharia Florestal da Esalq e bolsista da Embrapa Meio Ambiente, destaca que as castanheiras funcionam como verdadeiros arquivos do clima, permitindo resgatar informações históricas por meio da análise dos anéis de crescimento, técnica conhecida como dendrocronologia.

    Detalhes da pesquisa

    Foram analisadas amostras de 10 castanheiras coletadas de forma não destrutiva em uma área de castanhal nativo de nove hectares. Os exemplares avaliados apresentam, em média, 92 anos de idade, 17,5 metros de altura e diâmetro de 78 centímetros. O crescimento médio anual dos anéis foi de 3,87 milímetros.

    As cronologias de crescimento dessas árvores foram correlacionadas a dados de temperatura e precipitação local. Além de informações sobre a temperatura da superfície do oceano Pacífico, utilizadas para identificar eventos de El Niño e La Niña.

    De acordo com Patrícia Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do estudo, há uma forte relação entre o crescimento da castanheira e a quantidade de chuva na região. Quanto maior a precipitação, maior o desenvolvimento da árvore. Por outro lado, o aumento da temperatura do oceano Pacífico — característica do El Niño — desacelera o crescimento da espécie.

    A série histórica analisada (1951-2010) apresentou alta qualidade nos sinais climáticos registrados nas árvores. O professor Mário Tomazello Filho, coordenador do Laboratório de Anatomia e Identificação de Madeira, ressalta que a castanheira se mostrou um importante bioindicador, sensível às variações de precipitação e aos efeitos do El Niño.

    Importância para a conservação e economia

    Os resultados do estudo reforçam a necessidade de preservar as florestas. E também ampliam o conhecimento sobre como eventos climáticos extremos afetam a dinâmica das espécies amazônicas. Além disso, servem de alerta para possíveis impactos futuros no ecossistema e na economia regional, que depende fortemente da castanha-da-amazônia.

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  • Como eliminar o moko da bananeira

    Como eliminar o moko da bananeira

    Cientistas da Embrapa Amazônia Ocidental, em colaboração com a Embrapa Roraima, recomendam um período de 24 meses de vazio sanitário para bananeiras, visando a recuperação de áreas de terra firme afetadas pela murcha-bacteriana, também conhecida como moko da bananeira.

    A bactéria Ralstonia solanacearum raça 2 provoca essa doença, uma praga quarentenária que já se disseminou em diversos estados brasileiros, incluindo Amapá, Amazonas, Roraima, Pará, Pernambuco, Rondônia e Sergipe.

    O moko é uma das doenças mais devastadoras para as bananeiras cultivadas em áreas de várzea da Região Amazônica. As inundações anuais são um fator crítico para a propagação da bactéria, que se espalha pelos rios e contamina plantações localizadas a jusante dos bananais afetados. Nos municípios de Tabatinga e Manicoré, no Amazonas, a situação é alarmante, pois as plantações estão situadas em regiões vulneráveis à inundação.

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    Em áreas de terra firme, a bactéria tem um comportamento diferente, sobrevivendo por tempo limitado e não formando estruturas de resistência. Após o período recomendado de vazio sanitário de dois anos, é possível replantar bananeiras com mudas saudáveis.

    Doença de combate dífícil

    Os pesquisadores Luadir Gasparotto, Mirza Carla Normando e Daniel Schurt alertam que não existem cultivares resistentes ao moko e que o controle químico é ineficaz devido à natureza vascular da doença. A disseminação ocorre principalmente através do uso de mudas contaminadas e ferramentas infectadas. Para mitigar esse risco, medidas preventivas como o uso de mudas certificadas e a desinfecção de equipamentos são essenciais.

    A pesquisa realizada pela Embrapa incluiu um experimento que avaliou a sobrevivência da bactéria em diferentes tipos de solo durante dois anos. Os resultados mostraram que a bactéria pode sobreviver por até dez meses em solos do tipo Latossolo Amarelo e até oito meses em Argissolo.

    O moko é uma das doenças mais destrutivas das bananeiras cultivadas em áreas de várzea da Região Amazônica cujas inundações disseminam a bactéria. Foto: Luadir Gasparotto/Embrapa

    Para erradicar a o moko da bananeira, é crucial eliminar todas as bananeiras infectadas e cultivar outras culturas na área durante 24 meses. Nesse período, os resíduos orgânicos das bananeiras se decompõem, permitindo o plantio seguro após esse intervalo.

    As recomendações incluem:

    • Uso de mudas sadias (certificadas).
    • Desinfecção das ferramentas utilizadas nas operações agrícolas.
    • Eliminação do coração da bananeira para evitar a transmissão por insetos.
    • Controle das plantas daninhas com herbicidas.
    • Inspeção periódica dos plantios para detecção precoce da doença.

    Essas ações estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, promovendo práticas agrícolas sustentáveis e proteção da biodiversidade.