O rodeio brasileiro perdeu nesta semana um dos maiores nomes de sua história. O touro Bipolar, da Cia. Paulo Emílio, morreu de causas naturais aos 18 anos na Fazenda Santa Martha, em Icém, interior de São Paulo. A partida deixa um vazio nas arenas e uma marca permanente na história do esporte.
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Ao longo de seis anos competindo no topo absoluto, Bipolar dominou as arenas com performances de alto nível ininterruptas, uma longevidade raramente vista no esporte. O próprio dono, o empresário Paulo Emílio Marques, traçou a comparação: “Geralmente, os touros competem de três a quatro anos, mas ele é diferente. Manteve o alto nível desde o início da carreira e continuou assim durante seis anos.”
O nome não surgiu por acaso. Dócil no dia a dia, mas extremamente explosivo durante as competições, essa característica inspirou o apelido. Mais Fora da arena, o animal exigia cuidados específicos: Paulo Emílio conta que Bipolar não podia ficar isolado, mas também não podia dividir espaços pequenos com outros touros para evitar acidentes.
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Sua conformação física potente, aliada a uma capacidade fora do comum de manter intensidade durante toda a apresentação, fazia com que cada montaria fosse um verdadeiro teste para os peões. O comentarista Kaká, com 38 anos de rodeio, sintetizou bem: “Ele sabe usar a frente como nenhum touro que eu já vi na minha vida inteira.”
Recordes e conquistas
Bipolar acumulou 13 fivelas de melhor touro pela PBR (Professional Bull Riders) e mais de 80 em campeonatos ao longo da carreira. Recebeu o título de Melhor Touro do Ano em 2012, 2016 e 2017.
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Em 2013, durante um rodeio em Londrina (PR), atingiu a nota de 94,38 pontos, a maior já registrada na história da PBR Brasil. O feito o catapultou ao cenário internacional: seu desempenho excepcional o colocou entre os três melhores touros do mundo segundo o ranking do Probullstats, tornando-o o primeiro touro brasileiro a alcançar tal posição. O órgão cataloga as notas de 500 touros participantes das maiores competições do planeta. E Bipolar chegou a figurar atrás apenas dos norte-americanos SweetPro’s Bruiser e Old Fort Days.
Paulo Emílio resume a grandeza do animal em poucas palavras: “Não era um boi de fazer desafio, era um boi de chegar na final, pular melhor que todos os touros e ganhar a fivela.”
A despedida nas arenas
A aposentadoria, em 2018, não poderia ter sido mais digna. Na final da 63ª Festa do Peão de Barretos, o maior rodeio da América Latina, Bipolar desbancou o favorito Danilo Torres Sobrinho em apenas quatro segundos, recebeu ovação do público e conquistou a fivela de melhor touro do evento.
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O proprietário não esconde a admiração: “De todos os touros que tive e já vi, não só da Cia. Paulo Emílio, mas de todos do rodeio, o Bipolar foi o mais completo no mundo que vi pular. Pular por sete anos, no mesmo nível. Ele entrou já como boi de final no primeiro ano, e no sétimo saiu como o melhor touro do ano em Barretos.”
Legado genético
Depois das arenas, Bipolar abriu um novo capítulo igualmente relevante. Na Fazenda Santa Martha, tornou-se reprodutor e passou a ser considerado o touro que mais produziu genética comprovada no Brasil, com descendentes que hoje brilham em competições por todo o país. Herdando sua explosão na saída do brete, regularidade de desempenho e alto nível de dificuldade para os competidores.
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“Bipolar produziu muitos filhos. Inclusive, criadores que tinham sêmen dele produziram touros de pulo”, contou Paulo Emílio. A linhagem segue nos bretes de norte a sul do país.
A Cia. Paulo Emílio se despediu com uma nota: “Mais do que um campeão, o Bipolar foi um verdadeiro fenômeno, responsável por elevar o padrão das arenas e marcar definitivamente a história do rodeio brasileiro.”








