Tag: robusta

  • Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

    Os embarques do setor cafeeiro somaram 3,122 milhões de sacas de 60 kg em abril de 2026. Um volume que implica leve crescimento de 0,6% em relação aos 3,105 milhões registrados no mesmo mês do ano passado. Em receita cambial, contudo, houve decréscimo de 17,7% no mesmo período comparativo. Com os valores recuando de US$ 1,347 bilhão para os atuais US$ 1,109 bilhão. Os dados constam no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    De acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, a elevação no volume embarcado reflete a chegada de alguns cafés da nova safra, principalmente os canéforas. Ao passo que o menor ingresso de dólares resulta do cenário internacional de preços.

    “Em abril, já foi possível observar a entrada de conilon e robusta colhidos neste ano, que se somam a alguns cafés remanescentes da colheita anterior. No tocante à queda da receita, ela se justifica pelo recuo observado nas cotações internacionais frente ao ano passado”, relata.

    Com o desempenho no mês passado, as exportações no acumulado dos 10 meses do ano safra 2025/26 somam 32,247 milhões de sacas, volume que implica queda de 19,4% na comparação com os embarques aferidos entre julho de 2024 e abril de 2025. A receita cambial, por sua vez, subiu 0,8% nesse intervalo, saltando para US$ 12,551 bilhões.

    Ano civil

    De janeiro ao fim de abril deste ano, as exportações de café do Brasil totalizam 11,619 milhões de sacas, situando-se 16,1% abaixo dos 13,843 milhões registrados no primeiro quadrimestre de 2025. A entrada de recursos com essas remessas soma US$ 4,490 bilhões, montante 14,4% inferior aos US$ 5,247 bilhões obtidos nos primeiros quatro meses do ano passado.

    “O declínio que observamos até agora em 2026, tanto em volume, quanto em receita, já era esperado a essa altura. Além da baixa entrada dos cafés da safra nova, o ano passado, que teve oferta menor, registrou um bom volume de exportações. Assim restaram poucos cafés remanescentes, particularmente os arábicas”, comenta Ferreira.

    Por outro lado, ele aponta que a exportação de robusta e conilon, em abril de 2026, representa uma alta de 374% quando comparada ao mesmo mês do ano passado. “Tendo em vista que a variedade canéfora representa valor absoluto por saca bem inferior ao arábica, o impacto na receita total nas exportações de café verde não vai na mesma direção do aumento substancial do volume dos canéforas”, explica.

    O presidente do Cecafé conclui que, com menor volume de exportação de arábica no mês e no quadrimestre, “automaticamente tivemos menos ingresso de dólares, a ressaltar, ainda, a atual queda substancial nas cotações internacionais para as duas variedades”.

    Principais destinos

    Alemanha segue como o maior importador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, com a aquisição de 1,563 milhão de sacas. Esse volume representa 13,4% dos embarques totais do país no período, apesar de implicar queda de 12,8% na comparação com o mesmo período de 2025.
    Os EUA aparecem na sequência, com 1,390 milhão de sacas importadas, o que significa um recuo de 41,5% ante os quatro primeiros meses de 2025 e representa 12% do total. Fechando o top 5, vêm Itália, com 1,182 milhão de sacas e alta de 3,2%; Bélgica, com 713.790 sacas e avanço de 15,4%; e Japão, com 612.720 sacas e queda de 29,7%.

    Tipos de café

    O café arábica, com 8,984 milhões de sacas, permanece como o mais exportado pelo Brasil entre janeiro e abril de 2026. Esse montante equivale a 77,3% do total embarcado, mesmo representando queda de 23,4% frente ao primeiro quadrimestre do ano passado.
    Na sequência, com o equivalente a 1,338 milhão de sacas remetidas ao exterior, aparece o segmento do café solúvel, que subiu 4,1% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. Esse tipo de produto responde por 11,5% das exportações totais no período atual.
    Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 1,284 milhão de sacas – alta de 58,8% e 11% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 14.259 sacas (-23,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.

    Foto: Agência Agro em Campo

    Cafés diferenciados

    Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 17,9% das exportações totais brasileiras de janeiro ao fim de abril deste ano, com a remessa de 2,076 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 36,3% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

    A um preço médio de US$ 443,03 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 919,888 milhões, o que correspondeu a 20,5% do obtido com todos os embarques de café no primeiro quadrimestre de 2026. No comparativo anual, o valor é 34,9% menor do que o registrado nos quatro primeiros meses do ano passado.

    A Alemanha também lidera o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 268.243 sacas. Isso é equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.

    Fechando o top 5, aparecem Itália, com 250.545 sacas e representatividade de 12,1%; EUA, com 240.825 sacas (11,6%). Depois Bélgica, com 220.979 sacas (10,6%). E Holanda (Países Baixos), com 145.189 sacas (7%).

    Foto: Divulgação – Ministério de Portos e Aeroportos / José Fernando Ogura / ANPr

    Portos

    O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre, com 8,678 milhões de sacas. E representatividade de 74,7% no total. Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 21,3% dos embarques ao remeter 2,476 milhões de sacas ao exterior. E o Porto de Paranaguá (PR), que embarcou 132.487 sacas e teve representatividade de 1,1%.

    O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a abril de 2026, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.

  • Preço do café recua em abril com expectativa de safra

    Preço do café recua em abril com expectativa de safra

    Os preços do café caíram em abril, pressionados pela expectativa de boa safra no ciclo 2026/27. O mercado reagiu ao otimismo com a oferta global, impulsionado pelas projeções positivas para a produção brasileira.

    Os valores do arábica e do robusta recuaram nos mercados interno e externo ao longo do mês. Apesar disso, fatores externos limitaram as quedas, conforme apontam pesquisadores do Cepea.

    Os baixos estoques certificados na Bolsa de Nova York e tensões no Oriente Médio sustentaram parte dos preços. Esses fatores ainda geram incertezas sobre o fluxo de café entre países produtores e consumidores.

    Arábica

    O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 registrou média de R$ 1.811,87 por saca em abril. O valor caiu R$ 102,02 por saca frente a março, o que representa recuo de 5,3%.

    Na comparação anual, a queda é mais intensa e chega a 26,8% em termos reais. Em abril de 2025, o indicador apresentou média de R$ 2.476,40 por saca. Os valores consideram correção pelo IGP-DI de março de 2026.

    Robusta

    Para o robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou média de R$ 917,15 por saca em abril. O valor recuou R$ 104,87 frente a março, o que equivale a queda de 10,3%.

    Na comparação com abril de 2025, a baixa atinge 40,1% em termos reais. Naquele período, o robusta apresentou média de R$ 1.549,59 por saca.

    Na Bolsa de Nova York, o contrato julho/26 do arábica encerrou abril em 285,55 centavos de dólar por libra-peso. O contrato acumulou queda de 525 pontos em relação ao fechamento de março.

    As expectativas de maior oferta e o avanço da colheita no Brasil pressionaram os preços ao longo do mês. Segundo o Cepea, esses fatores devem seguir influenciando o mercado no curto prazo.

  • Preço do café robusta tem menor média desde março de 2024

    Preço do café robusta tem menor média desde março de 2024

    Os preços do café seguem voláteis em abril, mas registram tendência predominante de queda no mercado brasileiro. Além disso, o recuo atinge principalmente o café robusta, pressionado pelo avanço gradual da colheita.

    Na parcial de 1º a 20 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta registra média de R$ 903,90 por saca. Esse valor representa o menor patamar desde março de 2024, em termos reais corrigidos pelo IGP-DI. Naquele período, a média havia sido de R$ 892,73 por saca de 60 kg.

    Além disso, o indicador atual está 11,55% abaixo da média registrada em março de 2026. Segundo o Cepea, a pressão sobre os preços está ligada ao avanço da colheita do robusta.

    As atividades no campo ganham ritmo mais rapidamente no robusta do que no café arábica. Por outro lado, fatores geopolíticos e cambiais também intensificam a volatilidade dos preços.

    Café arábica

    No caso do café arábica, os preços também recuam na parcial de abril. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica registra média de R$ 1.824,91 por saca de 60 kg.

    Esse valor representa queda de 4,6% em relação à média de março de 2026. A redução equivale a R$ 88,98 por saca no período analisado.

    Além disso, o preço do arábica atinge o menor nível desde julho de 2025. Naquele momento, o mercado atravessava o período de plena safra nacional.

  • Arábica ou Robusta? Entenda a diferença entre os tipos de café e como escolher o melhor grão

    Arábica ou Robusta? Entenda a diferença entre os tipos de café e como escolher o melhor grão

    O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por cerca de 33,3% de toda a produção global. Só no primeiro quadrimestre de 2026, o país enviou ao exterior 13,81 milhões de sacas, gerando uma receita de US$ 5,23 bilhões, segundo o Observatório do Café. Apesar disso, grande parte dos brasileiros desconhece o básico sobre o produto que está entre as bebidas mais consumidas no país, ficando atrás apenas da água.

    É nesse contexto que o Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, ganha relevância. A data serve como convite para entender o que há dentro da xícara.

    Arábica x Canéfora/Robusta: qual a diferença?

    O ponto de partida para quem quer entender o universo do café é conhecer as duas espécies mais comuns: o Arábica e o Canéfora, também chamado de Robusta ou Conilon. A explicação é de Joshua Stevens, co-fundador e coffee hunter do Café Cultura.

    O Arábica é a espécie mais cultivada no mundo e se destaca pelo perfil sensorial mais complexo. Isso se deve ao seu cultivo em altitudes superiores a 800 metros, onde a temperatura mais baixa, a maior umidade e a menor incidência de luz direta fazem com que os grãos amadureçam lentamente. O que resulta em sabores mais elaborados, com notas que vão do frutado ao floral, além de acidez equilibrada e doçura natural.

    Já o Canéfora/Robusta cresce em altitudes inferiores a 600 metros e apresenta características distintas: menos açúcar, corpo mais intenso e praticamente o dobro de cafeína em relação ao Arábica. Por essas razões, é amplamente utilizado na produção de cafés solúveis e em blends de espresso.

    Joshua Stevens apresenta os principais aspectos de cada tipo. Foto: Divulgação.

    “O Arábica é um café com perfil de sabor mais delicado, muito utilizado em cafeterias especiais. Já o Robusta tende a ser mais forte e amargo, e é mais encontrado em cafés solúveis ou blends para espresso”, explica Stevens.

    Café tradicional x café especial: o que muda na prática?

    Os chamados cafés tradicionais, aqueles vendidos em supermercados em pacotes de 250g ou 500g, são misturas de diferentes tipos de grãos, que podem incluir tanto Arábica quanto Canéfora/Robusta, ou uma combinação dos dois. O problema, segundo o especialista, está na qualidade do que vai para o pacote.

    “Esses produtos podem conter grãos verdes, defeituosos e outras impurezas. A torra excessiva e a moagem muito fina são estratégias usadas para mascarar esses defeitos. É por isso que não se encontra café tradicional em grãos no supermercado”, aponta Stevens.

    Os cafés especiais seguem um caminho oposto. Para receber essa classificação, os grãos precisam atingir pontuação acima de 80 pontos em uma escala sensorial de até 100, avaliada por especialistas certificados. O resultado é uma bebida com sabores limpos, doçura natural e aroma marcante e com origem rastreável.

    Por onde começar no mundo dos cafés especiais?

    Para quem está dando os primeiros passos, a recomendação de Stevens é começar com um café de torra média. “Se você está acostumado com o café tradicional, que é mais amargo, comece com um especial de torra média, que apresenta notas achocolatadas e corpo mais denso. Aos poucos, vá explorando diferentes origens e métodos de preparo, como o coado, a prensa francesa ou o espresso”, sugere.

    Para difundir essa cultura, o especialista tem realizado workshops sobre tipos de café em lojas do Café Cultura, com a primeira edição realizada na unidade flagship da rede, no bairro de Moema, em São Paulo.

  • Preços do café sobem com real forte e menor oferta no Brasil

    Preços do café sobem com real forte e menor oferta no Brasil

    Os preços do café voltaram a subir nesta sexta-feira (11) após a valorização do real frente ao dólar, movimento que estimulou cobertura de posições vendidas e interrompeu a sequência de quedas na semana. O contrato maio do café arábica (KCK26) subiu +6,05 pontos (+2,11%), enquanto o robusta na ICE (RMK26) teve alta de +18 pontos (+0,54%).

    A alta do real, que alcançou o maior valor em 23 meses, reduziu o apetite das exportações brasileiras e deu suporte às cotações internacionais. O câmbio mais forte tende a desestimular as vendas externas, já que os produtores recebem menos em moeda local.

    Expectativas de safra recorde no Brasil limitam ganhos

    Nos últimos dias, o mercado vinha recuando diante das previsões de uma safra recorde de café no Brasil em 2026/27. O Marex Group Plc estima produção de 75,9 milhões de sacas, superando a previsão da Sucafina (75,4 milhões). A StoneX também revisou para cima sua projeção, calculando 75,3 milhões de sacas. Bem acima da estimativa de novembro (70,7 milhões).

    A consultoria prevê aumento do excedente global para 10 milhões de sacas, o maior volume em seis anos.

    O aumento das exportações de café do Vietnã, maior produtor mundial de robusta, adiciona pressão de baixa aos preços. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, o país exportou 585 mil toneladas entre janeiro e março, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025.

    No ano anterior, as vendas externas vietnamitas cresceram +17,5%, atingindo 1,58 milhão de toneladas. A produção 2025/26 deve subir +6% e alcançar 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), o maior patamar em quatro anos.

    Fatores climáticos e logísticos influenciam o mercado

    O fechamento do Estreito de Ormuz elevou os custos de transporte e frete, encarecendo as importações e reduzindo a oferta global. Ao mesmo tempo, a falta de chuvas em Minas Gerais, principal região produtora de arábica, também dá sustentação às cotações. Segundo a Somar Meteorologia, o estado recebeu apenas 11,7 mm na última semana, o equivalente a 47% da média histórica.

    Os estoques monitorados pela ICE também refletem o quadro misto de oferta. Os volumes de robusta caíram para 4.045 lotes, menor nível em quase quatro meses. Já os estoques de arábica subiram para 585.621 sacas, o maior patamar em mais de seis meses, o que pressiona os preços dessa variedade.

    Exportações brasileiras em queda reforçam suporte

    Os embarques de café do Brasil recuaram em fevereiro. A Cecafé relatou queda de -27% nas exportações de café verde, somando 2,3 milhões de sacas. Dados do Ministério do Comércio confirmam redução de -17,4% nas exportações totais, para 142 mil toneladas.

    Em fevereiro, o arábica chegou ao menor valor em quase 17 meses, refletindo expectativas de superoferta. A Conab prevê safra brasileira recorde de 66,2 milhões de sacas (+17,2%), sendo 44,1 milhões de arábica (+23,2%) e 22,1 milhões de robusta (+6,3%).

    O Rabobank projeta produção global recorde de 180 milhões de sacas em 2026/27, cerca de 8 milhões acima da temporada anterior. Já a Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais recuaram -0,3%, para 138,6 milhões de sacas.

    Panorama do USDA confirma expansão da produção mundial

    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima aumento global de +2% na produção 2025/26, totalizando 178,8 milhões de sacas. A previsão indica queda de -4,7% na produção de arábica (95,5 milhões) e avanço de +10,9% na de robusta (83,3 milhões).

    Para o Brasil, o USDA projeta recuo de -3,1% (63 milhões de sacas), enquanto o Vietnã deve crescer +6,2%, chegando ao maior volume em quatro anos (30,8 milhões). Os estoques globais devem cair -5,4%, para 20,1 milhões de sacas.

  • Colheita de café pressiona preços, sobretudo do robusta

    Colheita de café pressiona preços, sobretudo do robusta

    A proximidade da colheita de café já influencia os preços do grão no Brasil. Mesmo assim, o setor prevê intensificação das atividades apenas a partir de meados de maio.

    Segundo os pesquisadores do Cepea, o movimento já impacta as cotações do café arábica.
    Assim, os preços do arábica recuam na maior parte dos dias desde o fim de março.

    Além disso, a pressão ocorre com mais força sobre o café robusta no mercado interno. Isso acontece porque os primeiros talhões do robusta começam a ser colhidos entre abril e maio. Nesse contexto, a liquidez do mercado de robusta segue limitada nas últimas semanas.

    Por outro lado, produtores comercializam apenas volumes pontuais no período. Eles realizam essas vendas, principalmente, para cumprir compromissos de curto prazo. Além disso, os produtores ajustam o planejamento para o avanço da colheita de café.

  • Café: arábica sobe em março e robusta recua no mercado

    Café: arábica sobe em março e robusta recua no mercado

    Os preços do café apresentaram movimentos distintos em março, segundo pesquisadores do Cepea. Enquanto o café arábica registrou valorização, o robusta seguiu em queda durante boa parte do mês.

    O arábica subiu devido à oferta limitada e às preocupações geopolíticas no cenário internacional. Além disso, esses fatores sustentaram os preços, mesmo diante de projeções positivas para a próxima safra brasileira. Por outro lado, o café robusta recuou, pressionado pela maior disponibilidade da variedade no mercado. A proximidade da colheita também contribuiu para a desvalorização do robusta ao longo de março.

    Pesquisadores do Cepea destacam que a alta do arábica superou o impacto das boas expectativas para a safra 2026/27. A colheita deve ganhar ritmo entre maio e junho nas principais regiões produtoras do Brasil. O setor aguarda essa safra com otimismo, pois ela pode marcar o primeiro recorde após cinco anos.

    Nos últimos ciclos, condições climáticas adversas limitaram o potencial produtivo do café arábica no País. Para o robusta, a expectativa indica entrada de novos volumes da safra 2026/27 entre abril e maio. Com isso, a maior oferta tende a manter os preços do robusta pressionados no curto prazo.

  • Café robusta amazônico: de “patinho feio” a trunfo do Brasil contra a crise climática

    Café robusta amazônico: de “patinho feio” a trunfo do Brasil contra a crise climática

    Em Rondônia, na fronteira entre Amazônia e Cerrado, um grão antes visto como “amargo” está ganhando protagonismo nas xícaras e nos debates sobre clima. O robusta amazônico, cultivado por povos indígenas e pequenos produtores. Mais adaptado ao calor do que o arábica, ele desponta como peça estratégica para manter a oferta global de café em um cenário de temperaturas em alta e eventos extremos cada vez mais frequentes.

    Dentro da Terra Indígena Sete de Setembro, entre Rondônia e Mato Grosso, o café não nasceu como tradição ancestral, mas como herança incômoda. As primeiras lavouras foram deixadas por colonos e invasores que ocuparam a região antes da demarcação, trazendo consigo desmatamento, violência e ruptura territorial.

    Diante desse legado, parte do povo Paiter Suruí quis arrancar os pés de café. Outra parte viu ali uma oportunidade de ressignificar a cultura e transformar a plantação em fonte de renda. E de proteção da floresta. Ao longo dos anos, com capacitações técnicas e parcerias, os indígenas aprenderam a manejar, fermentar e beneficiar o grão, elevando a qualidade da bebida e conquistando mercados de maior valor agregado.

    Hoje, cerca de 130 a 140 famílias Paiter Suruí produzem robusta amazônico em pequenas áreas, em um território de mais de 248 mil hectares, onde o modo de vida tradicional segue ligado à floresta e ao extrativismo. O grão cultivado ali já foi reconhecido como patrimônio cultural e imaterial de Rondônia. E vem se consolidando como um café de origem, com identidade própria.

    Robusta em alta em um planeta mais quente

    Historicamente, o robusta foi visto como um café de menor prestígio, associado a blends baratos e a uma bebida mais áspera. Isso quando comparado ao arábica. Mas a combinação entre ciência, manejo adequado e clima mais quente está mudando essa percepção, dentro e fora do Brasil.

    Pesquisas mostram que o robusta tolera temperaturas mais elevadas do que o arábica. E tende a ter papel crucial na manutenção da oferta, à medida que áreas adequadas para café encolhem com o avanço da crise climática. Entre o início dos anos 1990 e 2023, a participação do robusta no total produzido no mundo subiu de cerca de 28% para algo em torno de 44%. Este movimento foi impulsionado principalmente por Brasil, Vietnã e países da Ásia e da África.

    Ao mesmo tempo, relatórios recentes indicam que os principais países produtores já enfrentam mais dias de calor prejudicial à cultura do café, aumento de secas e maior pressão de pragas e doenças. Em cenários projetados até 2050, a área global com condições ideais para o cultivo de café, tanto arábica quanto robusta, pode cair pela metade ou mais, dependendo do nível de aquecimento e de adaptação tecnológica.

    Embrapa, genética e manejo de precisão

    No Brasil, a resposta passa por pesquisa genética, sistemas produtivos mais eficientes e integração com a floresta. Em duas décadas, programas da Embrapa e de instituições parceiras multiplicaram a produtividade do robusta, combinando materiais genéticos de conilon e robusta em cruzamentos voltados para maior rendimento, tolerância a calor e seca e aprimoramento sensorial.

    Hoje, dezenas de novos cruzamentos estão em teste em Rondônia e em outras regiões, buscando plantas mais resilientes a extremos climáticos, com melhor xícara e maior estabilidade de produção. Ao lado da genética, pesquisadores e técnicos reforçam que o salto de qualidade depende de colheita seletiva, pós-colheita cuidadosa e secagem adequada, práticas que podem transformar um robusta genérico em um robusta especial.

    Outro eixo é o manejo integrado com árvores e fragmentos florestais, que ajudam a regular temperatura, manter umidade, favorecer polinizadores e controlar pragas de forma natural. Esse desenho, mais próximo de sistemas agroflorestais, ganha destaque justamente na Amazônia, onde a pressão por abertura de áreas para pecuária ainda é forte.

    Pequenas propriedades mostram o caminho

    Na região das Matas de Rondônia, selo de Indicação Geográfica concedido ao território de cafés robusta de qualidade, cerca de 10 mil propriedades cultivam café, em sua maioria pequenas e conduzidas por famílias. Apesar de o café ocupar menos de 1% da área em alguns municípios, a cultura tem servido como alternativa à conversão de floresta em pasto quando associada a boas práticas ambientais.

    Um exemplo citado por técnicos e entidades do setor é o de famílias que adotam irrigação mais eficiente, plantio de árvores para proteger nascentes, criação de abelhas para reforçar a polinização e rotação de culturas com milho, feijão e outras espécies para recuperar o solo. Com esse modelo, é possível gerar renda significativa em poucos hectares, reduzindo a pressão por desmatamento e agregando valor via turismo rural, visitas guiadas e venda direta.

    Entre os Paiter Suruí, o robusta amazônico também já levou prêmios nacionais e internacionais. Incluindo notas máximas em protocolos específicos para avaliação de canephora e destaque em concursos de cafés especiais. O resultado é um produto que carrega, ao mesmo tempo, narrativa de território, conservação florestal e protagonismo indígena em cadeias de valor antes dominadas por grandes produtores.

    Risco de monocultura e desafio da escala

    O avanço do robusta, porém, não vem sem riscos. Especialistas e lideranças indígenas alertam que preços em alta podem estimular a expansão de monoculturas em larga escala. Portanto, substituindo sistemas diversificados de pequenos produtores por grandes áreas contínuas de café, com maior impacto ambiental.

    Cafeicultura em terras indígenas é sustentável e gera renda para essas comunidades. Foto: Aliny Melo/Embrapa

    Sem políticas públicas que valorizem quem mantém floresta em pé, o robusta pode se tornar vetor de novo ciclo de desmatamento em áreas amazônicas e de transição, caso seja tratado apenas como commodity de curto prazo. Daí a defesa por incentivos fiscais, crédito diferenciado e programas de compras públicas que priorizem café de origem sustentável, com rastreabilidade e participação de comunidades tradicionais.

    Outra frente é a mudança cultural no consumo. Pesquisadores e baristas vêm construindo uma nova gramática sensorial para o canephora, com rodas de aromas e sabores específicas, argumentando que robusta e conilon devem ser avaliados em seus próprios termos, e não pela régua do arábica. Isso abre espaço para que mercados especializados e cafeterias passem a apresentar o robusta não como “segunda categoria”, mas como um outro perfil de bebida.

    Iniciativas globais e papel do Brasil

    A preocupação com o futuro do café também mobiliza redes internacionais de pesquisa. A World Coffee Research (WCR) ampliou recentemente seu programa de melhoramento para incluir robusta em uma rede global de países como Vietnã, Gana, Índia, Indonésia, Ruanda e Uganda. Eles responsáveis por grande parte da produção mundial dessa espécie.

    O objetivo é testar materiais genéticos em diferentes condições de solo e clima, acelerar o desenvolvimento de variedades mais produtivas e resistentes e compartilhar dados entre instituições. Esse esforço vem ganhando peso à medida que o café se torna símbolo da vulnerabilidade da agricultura à crise climática. E ao mesmo tempo, campo de prova para estratégias de adaptação.

    No Brasil, pesquisadores, agricultores e lideranças indígenas destacam que o país, maior produtor de café do mundo, tem oportunidade de liderar uma transição para sistemas que combinem robusta de alta qualidade com conservação de florestas e valorização de produtos não madeireiros, como castanha-do-brasil, açaí, cacau e outras espécies nativas. Esses produtos ainda representam fatia muito pequena do PIB nacional, mas são apontados como caminho para uma economia florestal de longo prazo.

    A floresta, o café e quem vive nela

    Para os Paiter Suruí e outras comunidades amazônicas, o café é hoje mais do que uma mercadoria: é uma ferramenta de afirmação territorial. Ao transformar cafezais herdados de invasores em lavouras de robusta amazônico de alta qualidade, eles mostram que é possível gerar renda mantendo a floresta em pé e ampliando o reconhecimento de seus conhecimentos tradicionais.

    Lideranças indígenas lembram, contudo, que não se pode falar em futuro do café na Amazônia sem falar em quem vive dentro da floresta. A mensagem é clara: o grão robusta pode ser mais resistente ao calor, mas a verdadeira robustez do sistema depende de políticas públicas, consumo responsável e da capacidade de ouvir, e remunerar, os povos que há séculos manejam esses territórios.

  • Café recua com desvalorização do real e melhora da safra brasileira

    Café recua com desvalorização do real e melhora da safra brasileira

    Os preços do café fecharam em baixa nas bolsas internacionais, influenciados pela desvalorização do real e pelas previsões otimistas para a safra brasileira. O contrato de arábica para maio (KCK26) caiu 0,51%, enquanto o robusta para maio (RMK26) recuou 1,78% na ICE.

    A queda do real frente ao dólar, que atingiu o menor nível em um mês e meio, levou produtores brasileiros a aumentar as vendas externas, estimulando realizações de lucro nos contratos futuros.

    Além disso, as chuvas intensas em Minas Gerais, principal região produtora de arábica no Brasil, melhoraram as expectativas para a safra 2026. Segundo a Somar Meteorologia, o estado recebeu 78 mm de chuva na semana encerrada em 20 de fevereiro, 131% acima da média histórica.

    Perspectiva de oferta maior pressiona o mercado

    Nas últimas cinco semanas, o café acumula queda acentuada. O arábica atingiu o menor valor em 15 meses, e o robusta caiu ao patamar mais baixo em quase sete meses. A estimativa da Conab prevê uma produção recorde de 66,2 milhões de sacas em 2026, alta de 17,2% frente a 2025.

    O avanço é impulsionado pelo crescimento de 23,2% na colheita de arábica (44,1 milhões de sacas) e 6,3% no robusta (22,1 milhões). O Rabobank também projeta um novo recorde na produção global, com 180 milhões de sacas na safra 2026/27, cerca de 8 milhões a mais que no ciclo anterior.

    Vietnã amplia exportações e reforça pressão sobre preços

    O aumento das exportações do Vietnã, maior produtor mundial de robusta, intensificou o movimento de baixa. As vendas externas vietnamitas cresceram 38,3% em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 198 mil toneladas. Em 2025, o país exportou 1,58 milhão de toneladas, alta de 17,5% no ano.

    A colheita de 2025/26 deve atingir o maior volume em quatro anos, com 1,76 milhão de toneladas (29,4 milhões de sacas), segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã.

    Estoques e exportações reforçam sinal de equilíbrio no mercado

    Os estoques certificados pela ICE também mostraram recuperação. O arábica subiu para 524.139 sacas, maior nível em quase cinco meses, enquanto o robusta alcançou 4.662 lotes, o maior volume desde janeiro.

    Mesmo assim, o Ministério do Comércio informou queda de 42,4% nas exportações brasileiras de café em janeiro, totalizando 141 mil toneladas. Já na Colômbia, o segundo maior produtor de arábica do mundo, a produção de janeiro despencou 34%, para 893 mil sacas.

    Panorama global do café

    A Organização Internacional do Café (OIC) relatou que as exportações mundiais caíram 0,3% no atual ano-safra, totalizando 138,6 milhões de sacas.

    O relatório do Serviço de Agricultura Estrangeira (FAS/USDA) projeta aumento de 2% na produção global em 2025/26, para um recorde de 178,8 milhões de sacas. A produção de arábica deve cair 4,7%, enquanto a de robusta pode crescer 10,9%. O Brasil deve colher 63 milhões de sacas (-3,1%), e o Vietnã pode chegar a 30,8 milhões (+6,2%).

    Os estoques finais globais devem cair 5,4%, de 21,3 milhões para 20,1 milhões de sacas, sinalizando que o aumento da produção deve ser parcialmente absorvido pela demanda.

  • Café: chuvas aliviam arábica e preocupam produtores de robusta

    Café: chuvas aliviam arábica e preocupam produtores de robusta

    As chuvas mais volumosas recentes atingiram praticamente todas as regiões cafeeiras do Brasil. Segundo o Cepea, o aumento da umidade trouxe alívio aos produtores de café arábica. Isso porque, após o estresse climático do fim de 2025, a chuva favorece o enchimento dos grãos. Essa fase é decisiva para o bom desenvolvimento da safra de arábica.

    Por outro lado, as chuvas intensas geram preocupação entre produtores de café robusta. Os pesquisadores do Cepea destacam impactos negativos no norte do Espírito Santo. Em algumas áreas, talhões ficaram alagados, o que eleva o risco de perdas produtivas. Além disso, a maior umidade pode aumentar a incidência de doenças nas lavouras.

    Preços do café

    Enquanto isso, os preços do café seguem voláteis no mercado. O Cepea afirma que a instabilidade persiste até estimativas mais precisas da safra atual. Além do clima, o cenário macroeconômico global influencia as cotações. O ambiente cambial também segue impactando os preços internos e externos do café.