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  • Mercado de cacau oscila com risco climático e avanço do El Niño

    Mercado de cacau oscila com risco climático e avanço do El Niño

    O mercado global de cacau mantém pressão de fatores técnicos e da expectativa de superávit, mas segue altamente sensível ao clima nas principais regiões produtoras. A combinação entre fundamentos baixistas e riscos climáticos deve sustentar a volatilidade nas próximas semanas.

    Dados da Hedgepoint Global Markets indicam que previsões de chuvas abaixo da média na África Ocidental e o avanço das chances de El Niño podem alterar o comportamento dos preços, mesmo com sinais de maior oferta global.

    Na semana encerrada em 29 de maio, os contratos futuros do cacau fecharam a US$ 3.923 por tonelada em Nova York e £ 2.975 por tonelada em Londres. No acumulado do mês, as cotações subiram 12,3% e 13,5%, respectivamente.

    Apesar de projeções de safra maior na Costa do Marfim e preocupações com a qualidade das amêndoas na África Ocidental, os fundamentos do mercado não registraram mudanças relevantes.

    Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets. Foto: divulgação

    Segundo Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, o mercado reage rapidamente a ajustes técnicos e ao cenário macroeconômico. Movimentos como cobertura de posições vendidas e reposicionamento de investidores continuam influenciando os preços.

    Clima na África Ocidental entra no radar

    As condições climáticas seguem no centro das atenções. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, as chuvas permanecem acima do ciclo anterior e próximas da média histórica. Em Gana, o volume de precipitação também supera a média, o que favorece o desenvolvimento das lavouras, mas eleva o risco de doenças e impactos na colheita.

    Mesmo com cenário positivo até agora, previsões indicam redução das chuvas em partes da África Ocidental nas próximas semanas. O período é decisivo para a safra 2026/27, pois coincide com a fase de florescimento das plantas.

    Caso a estiagem avance ao longo de junho, o desenvolvimento das lavouras pode sofrer impacto direto, o que tende a dar suporte aos preços internacionais do cacau.

    El Niño aumenta incerteza no mercado

    Outro fator de atenção é o avanço das projeções para o El Niño. A NOAA elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho. Com possibilidade de continuidade durante o inverno 2026/27 no Hemisfério Norte.

    As projeções indicam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode ultrapassar 1,5°C e atingir até 2°C a partir de setembro, caracterizando um evento forte.

    Os impactos variam por região. Mas o padrão climático tende a provocar condições mais secas em áreas da África Ocidental e Central, além da América Central e do norte do Brasil. Por outro lado, países como Peru e Equador podem registrar aumento das chuvas.

    O fenômeno também pode intensificar ondas de calor na América do Sul e na África. A intensidade do El Niño, aliada a fatores locais como o Harmattan e a monção da África Ocidental, deve determinar os efeitos sobre a produção.

    Fatores técnicos e clima devem guiar preços

    No curto prazo, o mercado deve continuar reagindo à combinação entre fatores técnicos e notícias climáticas. A expectativa de superávit global e os estoques elevados em Nova York mantêm o viés baixista.

    No entanto, qualquer mudança nas condições climáticas pode gerar correções rápidas nos preços.

    Portanto, o mercado de cacau segue em alerta. A evolução do clima na África Ocidental, o comportamento do El Niño e a demanda global devem continuar como principais vetores para produtores, exportadores e investidores.

  • Zarc: novos zoneamentos climáticos ampliam produção de batata no Brasil

    Zarc: novos zoneamentos climáticos ampliam produção de batata no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou novas portarias que atualizam o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a batata. Desenvolvido pela Embrapa, o novo zoneamento cobre todo o território nacional. E detalha, por município, as áreas e períodos com menor risco climático para o cultivo, beneficiando tanto o mercado de consumo in natura quanto a indústria de processamento agroindustrial.

    O Zarc orienta produtores sobre as regiões e janelas de plantio mais seguras, considerando as especificidades do cultivo para batata de mesa e batata destinada à indústria. Para o mercado fresco, o ciclo da cultura dura cerca de 90 dias, priorizando aparência e qualidade visual dos tubérculos. Já para a indústria, o ciclo se estende de 120 a 130 dias, permitindo maior acúmulo de matéria seca e menor teor de açúcar, características que garantem crocância e cor clara ao produto processado.

    Segundo Arione Pereira, pesquisador da Embrapa, a batata para o mercado fresco precisa de pele lisa e boa aparência, enquanto a batata industrial deve completar o ciclo de maturidade para atingir os padrões exigidos pela indústria alimentícia. O zoneamento não diferencia cultivares específicas, pois o manejo define o ciclo da cultura em todas as regiões produtoras.

    Principais riscos e critérios do zoneamento

    O novo Zarc considera riscos climáticos como temperaturas extremas, variações de precipitação, incidência de granizo e geada. Além de fatores como qualidade do solo e altitude. Seca pode ser contornada com irrigação, mas o excesso de chuvas favorece doenças e reduz a produtividade. O sistema permite que produtores consultem, por município, as datas ideais de plantio e as variações de risco de perda de 20%, 30% e 40%, levando em conta a finalidade do plantio e as condições locais.

    A metodologia unificada substitui os antigos zoneamentos estaduais, ampliando a análise para todo o Brasil. O Painel de Indicação de Riscos do Mapa e o aplicativo Zarc Plantio Certo, da Embrapa Agricultura Digital, facilitam o acesso às informações. O novo zoneamento já identificou áreas de altitude elevada na Bahia com potencial produtivo, dentro dos parâmetros aceitos por programas de seguro rural. Mesmo em regiões que tradicionalmente não cultivavam batata.

    Antes de expandir para novas áreas, especialistas recomendam avaliar a disponibilidade de água, mão de obra, mercado e logística. O zoneamento serve como referência para o setor produtivo, para programas de seguro rural e para o Proagro. Assim, fortalecendo a tomada de decisão e a segurança do produtor.

    A elaboração do Zarc contou com a participação da Embrapa Clima Temperado, Embrapa Hortaliças, Embrapa Agricultura Digital e da Associação Brasileira da Batata (ABBA). O Brasil, quinto maior produtor mundial de batata, pode ampliar a produção e a eficiência do setor ao adotar as recomendações do novo zoneamento, reduzindo perdas e aumentando a competitividade no mercado interno e na indústria.

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