Tag: Rio tiete

  • Milhares de camarões mortos aparecem às margens do Rio Tietê

    Milhares de camarões mortos aparecem às margens do Rio Tietê

    Milhares de camarões de água doce foram encontrados mortos às margens do Rio Tietê, em Igaraçu do Tietê, interior de São Paulo, desde a segunda-feira (2 de fevereiro). O fenômeno foi registrado na prainha local, área de lazer próxima à barragem da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, e chamou a atenção de moradores que registraram vídeos da cena impressionante.

    A Secretaria de Meio Ambiente municipal informou que o fenômeno excepcional foi ocasionado pela redução do oxigênio dissolvido na água, uma condição complexa que pode envolver múltiplos fatores ambientais.

    De acordo com Juarez Sbeghen, responsável pela fiscalização municipal, os pitus começaram a se acumular na prainha por volta das 17h de segunda-feira. “A gente já tinha visto mortandade de peixes, que são até frequentes, mas de camarão nunca tinha acontecido”, declarou o fiscal.

    Operação de limpeza mobiliza equipes da prefeitura

    Funcionários da Prefeitura realizaram nesta quarta-feira (4) a remoção dos milhares de crustáceos mortos. Os animais foram ensacados e transportados para o aterro sanitário de Barra Bonita. Uma retroescavadeira foi utilizada para retirar camarões que estavam no meio do rio.

    Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) vistoriaram a prainha na tarde de terça-feira (3). E coletaram amostras da água e dos espécimes. O material foi encaminhado para análise laboratorial com o objetivo de identificar as causas exatas do fenômeno.

    A Cetesb orientou que a população não pesque nem se banhe no local até a conclusão das investigações.

    Múltiplas causas podem estar relacionadas ao fenômeno

    O Grupo Macrófitas, que reúne representantes da sociedade civil, operadores de barcos e especialistas, destacou que a mortandade pode estar associada à poluição orgânica, eutrofização, descargas químicas e variações ambientais bruscas.

    O grupo também observou um aspecto peculiar: apenas camarões foram afetados, pontualmente na Praia de Igaraçu, sem que nenhuma outra espécie aquática tenha sido impactada.

    A Auren Energia, operadora da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, negou qualquer conexão entre a manutenção preventiva da eclusa da usina e a mortandade dos camarões. A empresa comunicou a Cetesb assim que tomou conhecimento da situação e se colocou à disposição para colaborar com as investigações.

    Espécie é comum na região

    Os camarões encontrados mortos são da espécie pitu (gênero Macrobrachium), crustáceos de água doce nativos que ocorrem em águas correntes desde o sudeste dos Estados Unidos até o sul do Brasil.

    O episódio ilustra a fragilidade do ecossistema do Tietê e a urgência de implementar uma gestão integrada para a preservação do rio, alertam especialistas. A comunidade aguarda os resultados das análises da Cetesb para compreender melhor as causas do fenômeno e evitar que situações similares se repitam.

    A Prefeitura de Igaraçu do Tietê reafirmou seu compromisso com a preservação dos recursos hídrico. E informou que continuará monitorando a área, mantendo a população informada sobre os desdobramentos do caso.

  • Sucuri gigante vira atração inesperada no Rio Tietê

    Sucuri gigante vira atração inesperada no Rio Tietê

    No miolo do estado de São Paulo, onde o Rio Tietê desliza preguiçoso entre matas e turbinas, uma visitante inusitada roubou a cena na última semana: uma sucuri gigante resolveu dar o ar da graça na eclusa da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, deixando boquiabertos turistas, moradores e estudantes em excursão.

    A aparição não foi só um susto, foi uma aula. Com o sol refletindo nas águas e os celulares a postos, o que era pra ser só mais um passeio virou um encontro direto com o selvagem. Professores aproveitaram o momento para explicar, ali mesmo, a importância da coexistência com a fauna brasileira.

    O réptil, que pode ultrapassar 6 metros e pesar mais de 100 quilos, surgiu enrolado, deslizando lentamente como se soubesse que era estrela do dia. A sucuri gigante, normalmente avessa a encontros humanos, se apresentou no palco menos provável. Mesmo sendo um animal típico de áreas mais afastadas, a sucuri encontrou ali um ponto de passagem.

    A eclusa, com seus 148 metros de comprimento e 12 de largura, foi projetada para permitir que embarcações superem o desnível de 26 metros do rio em apenas 12 minutos. Inaugurada em 1973, a estrutura é usada, por exemplo, tanto para navegação como para fins turísticos — sendo a primeira da América do Sul a receber visitantes com esse objetivo.

    O Rio imponente

    O Tietê, esse velho conhecido dos paulistas, nasce em Salesópolis, na Serra do Mar, e corta o estado por 1.136 quilômetros até desaguar no Paraná. Por séculos, serviu de caminho aos bandeirantes. Hoje, ainda sofre — e muito — com a poluição nas regiões mais urbanizadas. Mas em Barra Bonita, onde o rio reencontra um pouco da dignidade perdida, ainda é possível pescar, remar e até esbarrar com uma sucuri.

    O episódio portanto não passou despercebido pelos operadores da usina, que reforçaram a importância de manter o equilíbrio entre o progresso e a preservação.

    Foto: Memória do Transporte Brasileiro

    A eclusa, que já era símbolo da inteligência humana para driblar os obstáculos da natureza, agora carrega um novo significado: o de que, mesmo cercada por máquinas, a vida insiste. E aparece. Grande, molhada e silenciosa. Como um poema escorregadio, que nos lembra que, por mais concreto que se derrame, o bicho ainda mora logo ali.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Rainha do Pantanal, onça-pintada dá salto de cinema em MT

    + Agro em Campo: Cabras que viveram 200 anos sem água deixam ilha na Bahia

  • Governo de SP libera R$ 2,5 milhões para pescadores afetados no Rio Tietê

    Governo de SP libera R$ 2,5 milhões para pescadores afetados no Rio Tietê

    O Governo de São Paulo anunciou uma linha de crédito emergencial de R$ 2,5 milhões destinada a pescadores e piscicultores prejudicados pela mortandade de peixes no Rio Tietê e seus afluentes. A medida, que entra em vigor na próxima segunda-feira (14), busca apoiar famílias que dependem da pesca como principal fonte de renda.

    O recurso será disponibilizado pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) com condições facilitadas. Juros zero e limites de até R$ 5 mil para pescadores artesanais e até R$ 20 mil para piscicultores. Interessados poderão solicitar o crédito nas unidades da Casa da Agricultura dos municípios afetados. Os endereços estão disponíveis no site da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).

    Investigação e monitoramento ambiental

    Desde o início do problema, equipes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) intensificaram o monitoramento das causas da mortandade. Que incluem alterações na qualidade da água e despejos irregulares de poluentes. Para reforçar as ações, o governo criou o Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê), que já percorreu 948,30 km do rio e fiscalizou mais de 86 mil hectares de áreas preservadas.

    As operações resultaram em 135 Termos de Vistoria Ambiental (TVAs), 66 Termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRAs), além da emissão de 19 Autos de Infração Ambiental (AIAs), totalizando R$ 73.198 em multas.

    Combate a despejos irregulares

    Para enfrentar os despejos ilegais no Rio Tietê, o governo anunciou um plano conjunto com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e a Polícia Ambiental. Operações recentes identificaram fontes poluidoras em municípios como Zacarias, no interior paulista.

    A Cetesb lançou uma sonda para monitorar a qualidade da água a jusante da Barragem de Barra Bonita, parte de um investimento total de R$ 8,6 milhões em seis novas estações ao longo do ano. Duas delas serão instaladas na região do Baixo Tietê e quatro na bacia do Rio Piracicaba.

    Entre as ações previstas estão a instalação de boias para isolar áreas navegáveis na Barragem de Barra Bonita. E iniciativas com produtores rurais para implementar práticas sustentáveis que reduzam o escoamento de resíduos para os rios.

    Este conjunto de medidas reflete o compromisso do estado com a recuperação ambiental e o suporte às comunidades impactadas pela crise no Rio Tietê.

    Leia mais:

    + Agro em Campo: Azeite da Serra da Mantiqueira leva ouro em prêmio internacional

    + Agro em Campo: Nematoides podem causar perdas bilionárias ao agronegócio brasileiro