Um pirarucu de 2,45 metros foi capturado por um grupo de amigos durante uma pescaria no Rio Teles Pires, em Sinop (MT), na última segunda-feira (17).
Nativo da bacia amazônica e considerado um dos maiores peixes de escamas de água doce do mundo, o pirarucu (Arapaima gigas) chamou a atenção dos pescadores pelas dimensões.
Segundo o empresário e barista Felipe Barp Rossetto, o peixe foi fisgado pelo engenheiro Júnior Santin, que estava em um caiaque. Felipe, o policial científico Lucas Cambrussi e Vilson Rossetto, aposentado e responsável pela organização da viagem, acompanhavam a pescaria em um barco próximo.
“Quando o Júnior viu que um peixe grande mordeu a isca, ele começou a gritar. Então, fomos até lá e descobrimos que era um pirarucu”, relata Felipe.
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Grupo levou mais de uma hora para retirar peixe da água
Após perceberem o tamanho do pirarucu, os amigos iniciaram o trabalho para retirá-lo da água. Segundo Felipe, a tarefa demorou mais de uma hora e exigiu a participação de todo o grupo.
“Foi uma sensação surreal, um misto absurdo de adrenalina, emoção e alegria. A energia tomou conta, foi simplesmente indescritível. Quase não conseguimos tirá-lo da água de tão grande e pesado.”
A pesca faz parte das viagens realizadas pelos amigos catarinenses há anos. O objetivo, segundo Felipe, era justamente encontrar um exemplar de grandes proporções em Mato Grosso.
“Era um sonho realmente. Nós vamos sempre ao Mato Grosso para tentar capturar um peixe grande, só não imaginávamos que seria tão grande assim.”
Por que o pirarucu não será considerado recorde?
Apesar dos 2,45 metros, a captura não deverá ser homologada como recorde pela Brazilian Game Fish Association (BGFA).
De acordo com as informações apresentadas pelo grupo, o atual recorde da espécie na entidade é de 2,33 metros, pertencente a Luiz Eduardo Quadro Moraes, após uma captura no Rio Guariba, em Apuí (AM).
O novo exemplar, portanto, seria 12 centímetros maior. O grupo, porém, não cumpriu dois requisitos necessários para a homologação.
O primeiro problema foi a medição. Os pescadores tinham uma trena convencional e uma régua da BGFA que permitia registrar exemplares de até 1,50 metro. Para um peixe de 2,45 metros, seria necessária uma fita de medição oficial adequada a animais maiores.
Outro impedimento foi a impossibilidade de soltura do pirarucu.
Regra do Ibama determina abate em áreas onde espécie é invasora
O grupo afirma ter abatido o exemplar em cumprimento à Instrução Normativa Ibama nº 7/2026, publicada em março deste ano.
A norma declara o pirarucu como espécie exótica invasora quando encontrado fora de sua área de ocorrência natural e estabelece regras para o controle populacional.
Nas áreas abrangidas pela medida, os exemplares capturados não devem ser devolvidos ao ambiente natural e precisam ser abatidos.
“A portaria fala, inclusive, que o pescador tem por obrigação fazer o abate. Para nós, que sempre pescamos esportivamente e soltamos os peixes, até causa uma sensação estranha ter que abater um peixe assim tão grande, mas é necessário por ser uma espécie invasora e para ajudar no controle populacional”, afirma Felipe.
A norma alcança dez regiões hidrográficas:
- Atlântico Nordeste Ocidental;
- Parnaíba;
- Atlântico Nordeste Oriental;
- São Francisco;
- Atlântico Leste;
- Atlântico Sudeste;
- Paraná;
- Uruguai;
- Atlântico Sul;
- Paraguai.
Também está incluída a porção superior da bacia hidrográfica do rio Madeira, a montante da barragem de Santo Antônio, em Rondônia.










