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  • Peixes do ES apresentam deformidades após o desastre de Mariana, diz pesquisa

    Peixes do ES apresentam deformidades após o desastre de Mariana, diz pesquisa

    Pesquisadores identificaram no litoral do Espírito Santo uma taxa recorde de anomalias em peixes costeiros brasileiros. Entre os 38 exemplares da espécie Stellifer naso analisados, 23 apresentaram alterações nos otólitos — o equivalente a 60,5% da amostra.

    Os animais foram coletados em maio de 2022 na foz do Rio São Mateus, próximo aos municípios de Conceição da Barra e São Mateus.

    O resultado supera os percentuais relatados anteriormente na literatura científica para peixes costeiros no Brasil. Até então, o maior índice registrado era de 27,11%, encontrado no bagre Cathorops spixii.

    O estudo foi publicado na revista científica Ocean and Coastal Research e levanta como uma das principais hipóteses a influência de alterações ambientais associadas aos rejeitos liberados após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

    O que são os otólitos

    As alterações foram identificadas nos otólitos, pequenas estruturas calcificadas encontradas no ouvido interno dos peixes.

    Elas participam de funções como equilíbrio, orientação espacial e percepção sonora.

    A forma e a composição química dos otólitos podem variar de acordo com fatores fisiológicos e ambientais, incluindo temperatura, salinidade e características da água.

    Por isso, alterações nessas estruturas podem ajudar pesquisadores a identificar sinais de estresse ambiental.

    Taxa de anomalias foi a maior já registrada no país

    Dos 38 exemplares estudados, 23 apresentaram otólitos com algum tipo de anomalia.

    Os pesquisadores encontraram alterações de diferentes formatos e dimensões. Em alguns casos, havia projeções anormais semelhantes a pequenos dedos.

    A análise também revelou que os otólitos classificados como anormais apresentavam maior variação morfológica em comparação aos considerados normais.

    Segundo o estudo, o percentual de 60,5% é o mais elevado já relatado na literatura para peixes costeiros brasileiros.

    Rejeitos de Mariana estão entre as principais hipóteses

    Uma das hipóteses investigadas pelos pesquisadores envolve os impactos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em novembro de 2015.

    O desastre lançou rejeitos de mineração no sistema do Rio Doce, que posteriormente alcançaram o Oceano Atlântico.

    O rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015 em Mariana (MG), foi o maior desastre socioambiental do Brasil (Foto: Divulgação)

    Stellifer naso vive principalmente em áreas estuarinas e associadas a fundos de sedimento, característica que pode aumentar o contato da espécie com contaminantes depositados no ambiente.

    Estudos anteriores citados pelos autores já registraram contaminação por ferro e bioacumulação de metais em organismos da região afetada pelo desastre.

    “Comparando com outros trabalhos similares no Brasil e também expandindo para outras regiões, o nosso trabalho teve um resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias, o que possivelmente está relacionado às marcas do desastre”, afirmou Jonas Andrade-Santos, pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos autores da pesquisa.

    Peixes foram coletados quase sete anos depois do desastre

    Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi o intervalo entre o rompimento da barragem e a coleta dos animais.

    O desastre ocorreu em novembro de 2015, enquanto os exemplares analisados foram capturados em maio de 2022, quase sete anos depois.

    Segundo os autores, metais e outros contaminantes transportados pelos rios podem permanecer no ambiente e ser novamente mobilizados ao longo do tempo, prolongando a exposição dos organismos aquáticos.

    Estudo não comprova causa das deformidades

    Apesar da possível associação com os rejeitos, os pesquisadores destacam que não é possível determinar ainda a origem exata das anomalias.

    Outros fatores ambientais, como alterações de temperatura e salinidade, além de fatores fisiológicos e genéticos, também podem interferir no desenvolvimento dos otólitos.

    Uma das principais limitações da pesquisa é a ausência de amostras da mesma região anteriores ao rompimento de 2015.

    Sem esse material, não é possível comparar diretamente a incidência de deformidades antes e depois do desastre.

    Pesquisadores vão analisar composição dos otólitos

    A próxima etapa deverá incluir análises químicas dos otólitos para identificar os minerais presentes nessas estruturas e verificar possíveis associações com as deformidades.

    Os pesquisadores também pretendem ampliar o estudo para procurar alterações externas nos animais, incluindo deformações nas nadadeiras.

     

  • Impulso Rio Doce lança segundo ciclo para transformação digital de empreendimentos na Bacia do Rio Doce

    Impulso Rio Doce lança segundo ciclo para transformação digital de empreendimentos na Bacia do Rio Doce

    O projeto Impulso Rio Doce, em parceria com o Instituto para o Desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica (IEBT), abriu as inscrições para seu segundo ciclo, com foco na transformação digital de empreendimentos na bacia do Rio Doce. O objetivo é capacitar até 240 negócios em Minas Gerais e Espírito Santo, impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em estratégias de transformação digital personalizadas para cada empresa.

    O programa, que ocorrerá entre agosto de 2024 e agosto de 2025, é dividido em duas fases. Na primeira, as empresas receberão consultoria para definir estratégias de transformação digital. Na segunda, 120 empreendimentos selecionados receberão aportes financeiros de até R$ 10 mil para implementar soluções digitais, como softwares de gestão, plataformas de comércio eletrônico e ferramentas de marketing digital.

    Durante ambas as fases, as empresas terão atendimento individualizado e presencial, além de capacitações e treinamentos coletivos. O objetivo é ampliar resultados a partir da implementação das ferramentas tecnológicas e aumentar a competitividade, lucratividade e expansão para novos mercados.

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    Ana Lage, coordenadora de Economia e Inovação da Fundação Renova, destaca que a tecnologia é fundamental para o sucesso dos negócios e que o Impulso Rio Doce fornece aos empreendedores as ferramentas e recursos necessários para se adaptarem ao mundo digital, abrindo oportunidades para o crescimento e prosperidade dos negócios locais.

    As inscrições para o segundo ciclo do Impulso Rio Doce estão abertas até 27 de junho e podem ser feitas no site impulsoriodoce.com.br.

    Quais são os critérios para seleção dos empreendimentos no Impulso Rio Doce?

    Os critérios para seleção dos empreendimentos no Impulso Rio Doce incluem:

    1 – Microempreendedores Individuais (MEI) e representantes de micro e pequenas empresas:

    A – Segmentos de comércio e serviços:

      • Base tradicional;
      • Social;
      • Coletiva (incluindo associações e cooperativas);
      • Tecnológica.

    B – Localização em regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo:

      • Impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

    2 – Capacitação e apoio financeiro:

    • Consultoria para definir estratégias de transformação digital;
    • Aportes financeiros de até R$ 10 mil para implementar soluções digitais;
    • Atendimento individualizado e presencial;
    • Capacitações e treinamentos coletivos.

    3 – Objetivos:

    • Ampliar resultados a partir da implementação das ferramentas tecnológicas;
    • Aumentar a competitividade, lucratividade e expansão para novos mercados;
    • Gerar impactos positivos no território.

    4 – Inscrições:

    • Abertas até 27 de junho;
    • Site impulsoriodoce.com.br.

    Esses critérios buscam capacitar e apoiar empreendimentos locais em sua transformação digital, estimulando o crescimento e a prosperidade econômica na região afetada pelo rompimento da barragem de Fundão.