Tag: Rio de Janeiro

  • Cocaína é encontrada em tubarões na costa do Rio de Janeiro

    Cocaína é encontrada em tubarões na costa do Rio de Janeiro

    Pesquisadores identificaram resíduos de cocaína em tubarões e raias capturados na costa da zona Oeste do Rio de Janeiro. Além da droga, eles também encontraram antibióticos, anti-inflamatórios, pesticidas e outros contaminantes capazes de afetar os ecossistemas marinhos.

    A descoberta foi publicada na revista científica ScienceDirect por pesquisadores do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental da Fiocruz. Segundo o estudo, essas substâncias fazem parte do grupo conhecido como Contaminantes de Preocupação Emergente (CEC), compostos que ainda não são monitorados regularmente, embora possam representar riscos para a vida marinha e, indiretamente, para a saúde humana.

    O que o estudo encontrou

    Os cientistas analisaram amostras de fígado, cérebro e músculos de tubarões e raias coletados no mar do Recreio dos Bandeirantes. Ao todo, identificaram contaminantes em sete animais.

    Entre as espécies avaliadas estavam a raia-borboleta (Gymnura altavela) e os tubarões-martelo (Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena) — Foto: Portal dos Animais

    Uma das raias apresentou a maior diversidade de substâncias, incluindo cocaína, benzoilecgonina (principal metabólito da droga), além dos medicamentos diclofenaco, sulfametoxazol e piroxicam, e do pesticida fipronil.

    Contaminação pode estar ligada ao esgoto

    Além disso, a presença simultânea de cocaína e benzoilecgonina indica uma exposição recente aos contaminantes. Em duas raias, os níveis de cocaína foram superiores aos do metabólito, o que sugere contato contínuo com a substância.

    Segundo os autores, esse cenário pode estar relacionado ao despejo de esgoto na Barra da Tijuca e ao avanço da urbanização no Recreio dos Bandeirantes, fatores que aumentam a pressão sobre os ecossistemas costeiros.

    Descoberta acende alerta para a conservação

    Embora as concentrações encontradas tenham sido baixas, os pesquisadores ressaltam que essas substâncias são de origem humana e não deveriam estar presentes nesses animais.

    Por isso, a descoberta amplia as preocupações com espécies que já enfrentam ameaças como a degradação do habitat, o desenvolvimento costeiro e a captura acidental na pesca.

    Todos os exemplares foram doados por pescadores artesanais entre 2021 e 2023 e pertencem a espécies classificadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como vulneráveis, em perigo ou criticamente ameaçadas.

  • Queijo de cabra do RJ é eleito o melhor do mundo

    Queijo de cabra do RJ é eleito o melhor do mundo

    O Capril do Lago, de Valença, no sul do Rio de Janeiro, produziu o queijo de cabra Sapucaia, eleito o melhor queijo de cabra do mundo durante o 4º Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo. O setor de laticínios considera a premiação uma das mais importantes da área.

    O produto fluminense foi o único da categoria a chegar à final e superou concorrentes de 18 países, consolidando-se como referência internacional na produção de queijos finos. O reconhecimento reforça a qualidade da produção artesanal e o avanço do agronegócio no estado do Rio de Janeiro.

    Segundo a Secretaria de Agricultura do RJ, o resultado também reflete investimentos no setor, como o apoio do Agrofundo, programa voltado ao fortalecimento de pequenos e médios produtores rurais.

    “O prêmio reforça o potencial do Rio de Janeiro na produção de queijos artesanais de excelência. O incentivo ao produtor rural é essencial para ampliar casos de sucesso como este”, afirmou o secretário de Agricultura, Felipe Brasil.

    Décadas de investimento e dedicação

    Responsável pelo Capril do Lago, o produtor Fabrício Vieira destacou a trajetória e o trabalho dedicado à produção. Segundo ele, décadas de investimento e aperfeiçoamento resultaram no reconhecimento internacional.

    “É uma emoção ver um produto feito em Valença ser reconhecido como o melhor do mundo. Estamos nessa jornada desde 1986, com muito trabalho e dedicação. Esse prêmio comprova a consistência da nossa produção”, afirmou.

    O produtor também ressaltou que o queijo já havia conquistado o título de melhor do estado do Rio de Janeiro no ano anterior, além de acumular mais de 70 medalhas em competições. O produto possui ainda o Selo Arte, que permite sua comercialização em todo o território nacional.

    A conquista evidencia o crescimento da produção de queijos no Rio de Janeiro, que vem ganhando destaque pela qualidade, diversidade e adoção de práticas sustentáveis. O reconhecimento internacional abre novas oportunidades para produtores locais ampliarem sua presença no mercado global.

  • RJ: a natureza e o amor resistem aos pés do Cristo Redentor

    RJ: a natureza e o amor resistem aos pés do Cristo Redentor

    Imagine só: aos pés do Corcovado, no Rio de Janeiro, um casal de papagaios troca carinhos suaves, com o Cristo Redentor brilhando ao fundo. O fotógrafo Fernando Braga capturou esse instante raro, e a imagem viralizou pela pura ternura. Ele passeava pela área quando avistou os pássaros, que posaram como se soubessem da câmera. A cena une a vida selvagem à cidade de forma impecável, e você sente aquela paz instantânea só de olhar.

    Fiéis na selva de concreto

    Os papagaios-verdadeiro não estavam ali por acaso. Essa espécie forma pares duradouros, e o afeto entre eles aparece de forma clara no registro. Fernando Braga capturou o momento em que os dois se aproximam, trocam toques e permanecem alheios ao movimento da cidade.

    Foto: Reprodução/@fsbragaphotos

    Além disso, o cenário amplia o impacto da imagem. De um lado, a rotina acelerada do Rio. Do outro, uma cena silenciosa e quase íntima. Esse contraste transforma o clique em algo maior do que estética. Ele revela uma convivência possível, ainda que cada vez mais pressionada.

    Um olhar já treinado para o extraordinário

    O registro não veio por acaso. Fernando Braga fotografa, há anos, as paisagens cariocas e já construiu um portfólio marcado por ângulos únicos da cidade.

    Além disso, o Cristo Redentor já apareceu em diversas de suas imagens, sempre sob perspectivas pouco óbvias e visualmente impactantes. Esse histórico ajuda a explicar o timing preciso e a sensibilidade por trás do clique.

    https://www.instagram.com/p/DWqoebsDupP/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Natureza que resiste e ainda surpreende

    Espécies como o papagaio-verdadeiro continuam encontrando refúgio em áreas verdes urbanas, especialmente em regiões como o entorno do Corcovado. Isso mostra que a biodiversidade ainda resiste, mesmo em ambientes altamente urbanizados.

    Por outro lado, esse tipo de registro também levanta um alerta. A presença dessas aves depende diretamente da preservação desses espaços. Sem isso, encontros como esse tendem a se tornar mais raros.

    A partir daí, a imagem ganha outro significado. Ela deixa de ser apenas um momento bonito e passa a representar um equilíbrio delicado entre cidade e natureza.

    Quando um clique vira reflexão…

    Fernando Braga compartilhou o registro, e a reação foi imediata. O público se identificou, se emocionou e passou a compartilhar experiências semelhantes com a fauna urbana.

    A cena reforça um ponto simples, mas importante: a conexão com a natureza ainda existe, mesmo no meio do concreto. Preservar não é só uma pauta ambiental, mas uma forma de manter vivas cenas como essa.

  • Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    O Ibama multou empresas cosméticas e farmacêuticas em R$ 2,2 milhões por explorar ilegalmente conhecimentos tradicionais de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade. A Operação Guardiões da Biodiversidade, iniciada em março, fiscalizou 47 empresas em 12 estados e resultou em 51 autos de infração.

    Agentes do Ibama verificam estoque de insumos de indústria cosmética. Foto: Divulgação/Ibama

    Os agentes ambientais atuaram no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Fabricantes de pigmentos, saneantes e fitoterápicos estão entre os estabelecimentos notificados para se regularizar perante a Lei da Biodiversidade.

    “O foco da operação foi o desenvolvimento irregular de produtos cosméticos e farmacêuticos que utilizaram conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade, sem o devido consentimento prévio informado”, explicou Igor de Brito, coordenador de Fiscalização da Biodiversidade do Ibama.

    O que as empresas fizeram de errado

    As empresas autuadas acessaram conhecimento tradicional de origem identificável sem obter consentimento prévio informado. E deixaram de indicar a origem desse conhecimento em explorações econômicas ou pedidos de patentes. São condutas previstas nos artigos 83 e 84 do Decreto nº 8.772/2016.

    Entre os conhecimentos acessados irregularmente estão aqueles sobre o uso tradicional de espécies nativas como o urucum (Bixa orelana), a aroeira (Schinus terebinthifolia), o jagube (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis).

    Outras infrações incluíram a exploração econômica de produtos acabados sem notificação prévia ao SisGen, o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado. As multas previstas pelo Decreto nº 8.772/2016 variam de R$ 1 mil a R$ 10 milhões. Isso conforme a gravidade da conduta e a capacidade econômica do infrator.

    Por que essa lei existe

    O agente ambiental federal Isaque Siqueira, coordenador nacional da operação, destaca que a legislação reconhece formalmente povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares como guardiões da biodiversidade e de saberes ancestrais que impulsionam a inovação científica e industrial.

    “Ao garantir o direito de participação desses grupos na tomada de decisões e ao condicionar o acesso aos seus conhecimentos à obtenção de consentimento prévio informado, a lei protege sua integridade cultural e assegura que os lucros gerados retornem em forma de desenvolvimento sustentável”, afirmou Siqueira.

    Para as comunidades detentoras do conhecimento, o cumprimento das normas representa proteção contra a exploração indevida. E uma oportunidade de protagonismo na celebração de acordos que valorizam seus modos de vida e garantem recursos para a manutenção de seus territórios.

    O que diz a legislação

    A Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), referência internacional entre os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), estabelece o marco regulatório nacional para o acesso e uso do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado no Brasil.

    Entre as principais obrigações para pesquisadores e indústrias estão o cadastro obrigatório de todas as atividades de acesso no SisGen e a notificação prévia à comercialização de produtos desenvolvidos a partir desses recursos.

    Empresas de médio e grande porte também devem repartir parte da receita gerada com a exploração econômica da biodiversidade. Esses recursos vão ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB), que os aplica na conservação ambiental e na proteção do conhecimento tradicional.

    Nos casos em que a origem do conhecimento é identificável, a lei exige ainda a celebração de acordos específicos de repartição de benefícios, em formato monetário ou não monetário, diretamente com os detentores desses saberes, salvo exceções previstas na norma.

  • Evento no RJ reúne mais de mil amostras na 11ª Grande Prova Vinhos do Brasil

    Evento no RJ reúne mais de mil amostras na 11ª Grande Prova Vinhos do Brasil

    A Grande Prova Vinhos do Brasil 2026 (GPVB) abriu as inscrições e já registra alta adesão de produtores de todo o país. O principal concurso de vinhos nacionais acontece entre 9 e 12 de março, no Hotel Vila Galé Rio de Janeiro, na Lapa, e deve se firmar como a maior edição desde sua criação, em 2012.

    Reconhecida como a maior prova às cegas de vinhos brasileiros do mercado, a GPVB chega à 11ª edição com recorde de amostras, expansão de categorias e maior representatividade geográfica, refletindo o avanço e a diversidade da vitivinicultura brasileira.

    Segundo Marcelo Copello, presidente do júri, o evento se consolidou como a principal vitrine do setor. “Começamos com pouco mais de 200 amostras de quatro estados. Hoje, ultrapassamos mil amostras de dez estados e, nesta edição, teremos um recorde histórico de 80 categorias”, afirma.

    O júri da GPVB é composto por especialistas nacionais e internacionais. E as degustações são 100% às cegas, com auditoria independente para garantir transparência e credibilidade.

    Expansão reflete novas tendências

    A GPVB 2026 amplia e atualiza suas categorias para acompanhar a transformação do mercado nacional. Entre as novidades estão as castas híbridas, como Lorena; variedades italianas, como Refosco e Barbera; e os Vinhos de Baixa Intervenção. Outra inclusão de destaque é a dos Vinhos sem Álcool, segmento que cresce de forma acelerada.

    “A Grande Prova traduz os objetivos do Grupo BACO de reconhecer, divulgar e incentivar o vinho brasileiro. Acompanhamos o setor há mais de 30 anos, e é gratificante ver o reconhecimento dos produtores e do público”, comenta Sérgio Queiroz, sócio do Grupo BACO, organizador do evento.

    Premiação será durante a Wine South America

    Os vencedores serão conhecidos durante a Wine South America, realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). Segundo Marcos Milaneze, diretor da feira, unir os dois eventos fortalece o reconhecimento do vinho brasileiro. “A entrega dos certificados dentro da principal feira do setor amplia a visibilidade dos rótulos premiados. E conecta os produtores com compradores qualificados do trade”, destaca.

    A edição de 2026 contará com 80 categorias, abrangendo espumantes, vinhos brancos, tintos, rosés, frisantes, vinhos de baixa intervenção, vinhos sem álcool e sucos de uva integrais. Além das medalhas principais, a GPVB também entrega prêmios especiais, como o Best Buy (melhor relação qualidade/preço), Vinícola Revelação e Melhor do Estado, que valoriza os rótulos mais bem pontuados de cada região.

    Produtores interessados podem solicitar a ficha de inscrição pelo site oficial da Grande Prova Vinhos do Brasil ou pelo telefone/WhatsApp (51) 99827‑9198.

  • RJ inicia em novembro a atualização dos dados cadastrais do rebanho

    RJ inicia em novembro a atualização dos dados cadastrais do rebanho

    A Secretaria de Estado de Agricultura do Rio de Janeiro inicia, em novembro, a campanha obrigatória de atualização cadastral do rebanho. Todos os produtores rurais fluminenses, desde grandes criadores até quem tem produção para subsistência, devem regularizar sua situação perante a Defesa Agropecuária estadual. A medida é uma das bases para a vigilância sanitária e a manutenção do status sanitário conquistado pelo estado.

    Em maio de 2024, o Rio de Janeiro recebeu o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação, um avanço histórico para o agronegócio local. No entanto, esse título exige comprometimento contínuo.

    “O reconhecimento como zona livre sem vacinação é uma conquista que exige o comprometimento de todos. A atualização cadastral é uma das principais ferramentas para mantermos o controle sanitário. A participação de todos é imprescindível”, destacou o secretário de Agricultura, Dr. Flávio.

    Quem deve declarar e como fazer?

    A declaração é obrigatória para todos os produtores que criam:

    • Bovinos, bubalinos, suínos, ovinos, caprinos, equinos, asininos e muares.
    • Aves, animais aquáticos e abelhas.

    A atualização pode ser feita de duas formas:

    • Presencialmente: nos escritórios locais da Defesa Agropecuária ou em postos municipais conveniados.
    • Online: pelo sistema SiapecRJ, de forma prática e rápida.

    Riscos da não regularização

    Produtores que não cumprirem a obrigação dentro do prazo estarão sujeitos a penalidades. A principal delas é o bloqueio da propriedade para o trânsito de animais, impedindo a comercialização. Outras sanções previstas em lei também podem ser aplicadas.

    Paulo Henrique Moraes, superintendente de Defesa Agropecuária, explica a importância estratégica do cadastro: “Manter os dados do produtor e da propriedade atualizados é essencial para que a Defesa Agropecuária possa agir com rapidez e precisão diante de qualquer suspeita de enfermidade. Essas informações permitem que as ações de vigilância sejam mais assertivas e que o produtor tenha segurança sanitária em sua propriedade”.

    A campanha de atualização ocorre duas vezes por ano, sempre nos meses de maio e novembro. A iniciativa reforça o compromisso do estado com a sanidade dos rebanhos e com o fortalecimento da produção rural fluminense.

  • Fazenda Cabuçu de “Renascer” está à venda por R$ 2,6 milhões

    Fazenda Cabuçu de “Renascer” está à venda por R$ 2,6 milhões

    A porteira range devagar, como quem anuncia que o tempo ali tem outro ritmo. Do lado de dentro, a Fazenda Cabuçu, em Itaboraí, cidade do interior do Rio de Janeiro, parece suspensa no ar. O vento atravessa as janelas antigas e traz um cheiro de terra molhada, de madeira antiga e de lembranças que a ficção deixou para trás.

    Foi ali que o coronel Egídio, interpretado por Vladimir Brichta, viveu seus dias de glória e queda em Renascer. Lá também que Dona Patroa (Camila Morgado) enfrentou os silêncios do casamento e onde Eliana (Sophie Charlotte) chegou para desarrumar tudo. Hoje, o mesmo casarão que serviu de cenário para paixões e vinganças está à venda por R$ 2,6 milhões, segundo o anúncio de corretores locais.

    A fazenda onde o tempo ainda mora

    Reprodução: OLX

    A Cabuçu é mais que uma fazenda — é uma lembrança viva. Construída no século XVIII, ocupa 51 hectares de terra, o equivalente a mais de 70 campos de futebol. A propriedade fica a cerca de 30 quilômetros de Niterói, distância suficiente para parecer distante da cidade, mas perto o bastante para um passeio de final de semana.

    A sede principal, com 1.300 metros quadrados, tem 11 quartos, três salas, duas cozinhas e dois banheiros. As paredes revelam as marcas do tempo. As janelas de madeira deixam a luz da manhã entrar suave, quase preguiçosa. No entorno há casa de funcionários, lago, campo de futebol, curral, galinheiro e duas represas que espelham o céu de Itaboraí com uma calma que parece ensaiada.

    Reprodução: OLX

    O palco das emoções de Renascer

    Na novela, a fazenda foi o coração das disputas e ressentimentos. Cada corredor serviu de palco para uma tensão, cada varanda foi testemunha de um segredo. As câmeras da Globo transformaram o casarão em personagem: forte, imponente e cheio de cicatrizes.

    Quando as gravações acabaram, o silêncio voltou, mas a sensação de que algo ainda habita o lugar continua. Quem passa pela estrada diminui a velocidade. O casarão aparece ao longe, cercado de verde, e parece pedir atenção — como se ainda esperasse o próximo “ação!”.

    Entre o passado e o presente

    O preço pedido, R$ 2,6 milhões, não é apenas o valor da terra. É o valor da memória. Poucos lugares conseguem misturar com tanta naturalidade vida rural, história e ficção. Mesmo depois que as câmeras foram embora, a Cabuçu manteve o carisma e a força de cenário vivo.

    Reprodução: OLX

    Quem visitar o local não vai encontrar luxo. Vai encontrar atmosfera. O som da água correndo, o cheiro do mato, o canto dos pássaros e a sensação de que a fazenda respira — devagar, mas com orgulho.

    O último ato da casa do coronel

    Reprodução: OLX

    Vista de longe, a casa lembra um velho ator que se recusa a deixar o palco. Enquanto isso, as palmeiras se movem com o vento, num gesto silencioso de reverência. Logo depois, quando a porteira se abre, o ferro canta, e então o som se espalha lentamente pela tarde. Assim, o ar parece se encher de lembrança e expectativa. Por fim, é o anúncio claro de que o passado ainda vive ali, teimoso, à espera de um novo dono.

    Reprodução: OLX

    Por R$ 2,6 milhões, quem comprar a Fazenda Cabuçu não vai adquirir apenas um imóvel. Vai levar um pedaço da história da televisão brasileira, um retrato da alma rural do Rio de Janeiro e talvez a sensação de que, num entardecer qualquer, o coronel Egídio ainda possa surgir na varanda, ajeitando o chapéu e observando o sol cair sobre as montanhas de Itaboraí.

  • 32º Congresso Internacional do Trigo debate competitividade e sustentabilidade no setor

    32º Congresso Internacional do Trigo debate competitividade e sustentabilidade no setor

    O 32º Congresso Internacional da Indústria do Trigo vai reunir especialistas de diversos países no Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro (RJ), entre os dias 20 e 22 de outubro. O evento foca no fortalecimento da cadeia produtiva da triticultura brasileira e mundial, com debates, mesas-redondas e workshops sobre competitividade, gestão, desafios e mercado nacional e internacional.

    No dia 21 de outubro, o painel “A Competitividade do Negócio Trigo” abrirá a programação com a participação do CEO da J.Macêdo, Irineu Pedrollo; o vice-presidente da Falconi Consultores, André Paranhos; e o head de Procurement Brasil da Kellanova, Glauco Ferreira. O conselheiro da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Marcelo Vosnika, será o moderador.

    Marcelo Vosnika fará uma análise do desempenho econômico do setor moageiro nos últimos 10 anos. Em seguida, Pedrollo abordará os desafios gerenciais da indústria do trigo e explicará o sucesso da J.Macêdo nos últimos cinco anos.

    Paranhos apresentará os principais fatores que influenciam a performance do setor. E destacará a importância da capacitação, investimentos tecnológicos e gestão eficiente, além de uma pesquisa sobre a maturidade das organizações no ramo alimentício.

    Sustentabilidade como diferencial competitivo

    Glauco Ferreira trará a sustentabilidade como diferencial competitivo. Destacando o legado da Kellogg e reforçando que o trigo brasileiro é uma cultura de baixa emissão de carbono, segundo pesquisa da Embrapa. Ele também apresentará boas práticas agrícolas adotadas pelo setor para atender às demandas do mercado.

    No último dia, o painel “O Mercado do Trigo” trará o especialista da Safras & Mercado, Elcio Bento; o consultor Pablo Maluenda, responsável pela visão internacional do setor; e o chefe da Embrapa Trigo, Jorge Lemainsk. O evento será moderado por Junior Justino, vice-presidente do Negócio Trigo da Bunge na América do Sul.

    Maluenda vai analisar a situação global do trigo, apontar os fatores que influenciam os preços em 2025 e destacar as perspectivas para 2026, além da oferta no Mercosul. Bento explicará a queda dos preços no Brasil influenciada pelo mercado argentino e as condições do mercado interno. Lemainsk falará sobre genética, manejo, avanços científicos, qualidade do trigo brasileiro e suas aplicações além da panificação, incluindo matriz energética e nutrição animal.

    Serviço

    32º Congresso Internacional da Indústria do Trigo

    Data: 20 a 22 de outubro de 2025

    Local: Windsor Barra Hotel – Rio de Janeiro (RJ)

    Site e inscrições: https://congressoabitrigo.com.br

  • RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, deu um passo decisivo para se tornar um corredor de exportação de gado vivo para o Rio de Janeiro. Em uma visita técnica realizada nesta semana, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPPA) apresentou a produtores rurais e entidades do setor os detalhes do projeto que iniciará suas operações em escala experimental pelo Terminal Multicargas do porto.

    A iniciativa, considerada estratégica para o agronegócio fluminense, tem o objetivo de ampliar os mercados internacionais para a pecuária do estado, aumentando sua competitividade e rentabilidade. O encontro reuniu representantes do Sindicato Rural, da Federação de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), além de técnicos da Pesagro-Rio e da Superintendência de Defesa Agropecuária.

    De acordo com o secretário de Agricultura, Dr. Flávio, a medida é um marco para o setor. “Estamos criando condições para que os nossos produtores tenham acesso a novos mercados e possam competir com igualdade com outros estados exportadores. O Porto do Açu tem potencial para se tornar um grande corredor de exportação do nosso agro”, destacou.

    A primeira fase do projeto será crucial para o seu sucesso a longo prazo. Nesta etapa experimental, o foco será ajustar todos os protocolos operacionais, com ênfase no bem-estar animal e no rigoroso cumprimento das exigências sanitárias internacionais. O sucesso nessa fase é visto como fundamental para consolidar a confiança dos mercados importadores e garantir a sustentabilidade da operação.

    Parceria estratégica com o agro

    Para o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, a iniciativa fortalece a parceria com o setor agropecuário. “A proposta é possibilitar que os produtores utilizem o Porto do Açu para o escoamento de suas produções. O porto possui uma estrutura moderna e preparada. Nosso objetivo é ampliar a eficiência e a competitividade do setor, garantindo que os produtores tenham acesso a mercados internacionais, melhores preços e maior rentabilidade”, ressaltou Figueiredo.

    Foto: Divulgação

    A expectativa é que, uma vez consolidado, o novo corredor de exportação posicione o Rio de Janeiro não apenas como um player nacional no agronegócio. Mas também como uma referência emergente na exportação pecuária, trazendo novos investimentos e fortalecendo a economia local.

     

  • RJ amplia a integração lavoura-pecuária-floresta com novo acordo

    RJ amplia a integração lavoura-pecuária-floresta com novo acordo

    A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro firmou, na última quarta-feira (20), um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Associação Rede ILPF. O objetivo do acordo é fomentar a adoção e a expansão do Sistema Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) em todo o território fluminense.

    O acordo terá duração inicial de três anos. Entre as ações previstas, destacam-se a identificação de áreas com potencial para o sistema, especialmente pastagens degradadas. Também será realizado o desenvolvimento de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) e uma agenda ampla de capacitação técnica. Essa programação inclui dias de campo, palestras e treinamentos para difundir os benefícios socioambientais e econômicos do ILPF.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio de Janeiro possui 1,4 milhão de hectares dedicados ao uso agropecuário. Cerca de metade dessas áreas são pastagens, e 30% delas apresentam algum grau de degradação.

    Potencial carioca

    Francisco Matturro, presidente-executivo da Rede ILPF, destaca: “O Rio de Janeiro tem grande potencial para avançar na adoção do Sistema ILPF, principalmente em áreas de pastagens degradadas. Com o acordo, levamos conhecimento, tecnologia e apoio direto ao produtor rural. Mostramos que é possível produzir mais e melhor, respeitando o meio ambiente e aumentando a renda.”

    Matturro ainda ressalta que a ILPF permite ao produtor obter renda em curto, médio e longo prazo. “As lavouras de grãos e cereais garantem ganhos imediatos, a pecuária oferece retorno no médio prazo e a silvicultura se consolida a longo prazo.”

    O secretário estadual de Agricultura, Dr. Flávio, afirmou que o acordo marca um compromisso histórico do Rio de Janeiro com a agricultura sustentável. “Estamos saindo do campo das intenções e partindo para ações concretas que vão transformar a realidade do produtor fluminense. A tecnologia, capacitação e inovação vão recuperar áreas degradadas, aumentar a produtividade e gerar novas oportunidades para o setor.”

    Segundo ele, essa iniciativa fortalece a competitividade da agropecuária e reafirma o protagonismo do estado na transição para uma economia de baixo carbono.

    Sistema ILPF

    O Sistema ILPF integra culturas agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, combinando consórcio, sucessão ou rotação de culturas. Essa estratégia aumenta o uso sustentável da terra, protege o solo, reduz custos com insumos e eleva a produtividade. Além disso, diversifica a produção e as fontes de renda.

    O sistema apresenta baixa emissão de gases de efeito estufa, promove o sequestro de carbono e torna a produção mais resiliente às mudanças climáticas. As culturas agrícolas utilizadas incluem soja, milho e algodão. A pecuária foca principalmente na bovinocultura de corte e leite. Já a componente florestal prioriza o plantio de espécies como eucalipto.

    A ILPF se adapta a propriedades de todos os tamanhos e biomas brasileiros, derrubando o mito de que é apenas para grandes áreas.

    Com este novo acordo, os programas integrados da Rede ILPF passam a atuar em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul. A Rede também mantém convênio nacional com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).