Tag: restauração florestal

  • Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    A bio e a nanotecnologia estão ampliando as alternativas para recuperar áreas degradadas na Amazônia. Nesse contexto, o projeto NanoRad’s reúne empresas e instituições de pesquisa para acelerar o desenvolvimento de plantios florestais. A iniciativa é liderada pela Krilltech em parceria com a Shell Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a Bioflore e outros parceiros estratégicos. Além disso, o projeto conquistou a medalha de prata no Energy Summit Awards, durante evento realizado em junho, no Rio de Janeiro.

    O reconhecimento reforça o potencial da tecnologia brasileira para apoiar a restauração ambiental. Ao mesmo tempo, evidencia a importância da cooperação entre ciência e iniciativa privada. Com isso, o projeto ganha visibilidade como uma solução voltada à recuperação de ecossistemas amazônicos.

    Tecnologia busca acelerar a recuperação florestal

    O NanoRad’s utiliza soluções de biotecnologia e nanotecnologia para estimular o crescimento das plantas. Dessa forma, o projeto pretende tornar mais eficiente o processo de restauração florestal. Além disso, a tecnologia contribui para a regeneração de áreas degradadas na Amazônia.

    Segundo os responsáveis pela iniciativa, a proposta amplia o desempenho dos plantios florestais. Ao mesmo tempo, fortalece ações voltadas à conservação ambiental. Por isso, o projeto integra um conjunto de soluções baseadas na natureza para recuperar ecossistemas.

    O NanoRad’s também faz parte do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad). O centro foi lançado em abril de 2026 com investimento da Shell Brasil. Os recursos são provenientes da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Centro reúne pesquisadores e empresas

    O Cibrad reúne pesquisadores, empresas, startups e instituições científicas. Assim, cria uma rede colaborativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias para a recuperação ambiental. O trabalho contempla os nove estados da Amazônia Legal.

    Além disso, o centro conecta pesquisa científica, inovação tecnológica e soluções baseadas na natureza. Com isso, busca ampliar iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, fortalece projetos com potencial de gerar impactos ambientais positivos.

    A conquista no Energy Summit Awards reforça esse trabalho conjunto. Segundo a Krilltech, o reconhecimento demonstra o potencial da inovação brasileira para enfrentar desafios ambientais. Além disso, destaca a importância da colaboração entre empresas e instituições de pesquisa.

    Para Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech, a premiação reconhece o esforço coletivo para desenvolver novas tecnologias voltadas à restauração ambiental.

    “O reconhecimento do NanoRad’s evidencia a força da colaboração entre diferentes atores do ecossistema de inovação. Acreditamos que tecnologias sustentáveis, aliadas ao conhecimento científico, são fundamentais para acelerar a restauração da Amazônia e construir novos caminhos para uma economia de baixo carbono”, destaca.

    Por fim, a premiação amplia a visibilidade de iniciativas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Dessa maneira, projetos como o NanoRad’s reforçam o papel da inovação na recuperação de áreas degradadas e na conservação da Amazônia.

  • BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    O Brasil acaba de abrir mais uma frente na recuperação de suas florestas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou cinco operações de crédito do Fundo Clima Florestas. Ao todo, os financiamentos somam R$ 834 milhões e devem destravar R$ 2,7 bilhões em investimentos.

    Os projetos abrangem Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Juntos, eles preveem a recuperação de mais de 65,6 mil hectares de áreas degradadas. Além disso, incluem o plantio de mais de 108 milhões de árvores nativas e a criação de mais de 27 mil empregos verdes.

    Fundo Clima mobiliza R$ 2,7 bilhões para recuperar áreas degradadas

    A imagem mostra a sede do BNDES e com árvores na frente
    Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

    Com as novas operações, o BNDES alcança R$ 8,2 bilhões em recursos mobilizados para reflorestamento desde a criação do Fundo Clima.

    O anúncio ocorreu durante a Semana do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o banco assinou contrato com a BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG). Além disso, entregou cartas de aprovação aos grupos Systemica, Biomas, Courageous e RRG Soluções Baseadas na Natureza.

    Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a restauração florestal deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Hoje, também representa uma oportunidade econômica.

    “Não estamos falando de plantar uma única espécie. Estamos falando de reconstruir florestas nativas, gerar emprego, produzir alimentos e capturar carbono”, afirmou.

    Projetos vão plantar 108 milhões de árvores e criar 27 mil empregos verdes

    Os projetos também devem gerar receitas com créditos de carbono, produtos florestais e bioeconomia. Ao mesmo tempo, os investimentos transformam áreas degradadas em ativos produtivos.

    Plantação de árvores e Cupuaçu
    Foto: Embrapa/Vinicius Braga Soares

    No Mato Grosso do Sul, a Camapuã Agropecuária, controlada pela BTG Pactual TIG, receberá R$ 200 milhões. O objetivo é restaurar e conservar 49,4 mil hectares de Cerrado. Desse total, 24,8 mil hectares serão recuperados. Outros 24,6 mil hectares permanecerão preservados. Além disso, a iniciativa poderá gerar cerca de 36 milhões de créditos de carbono.

    Como resultado dessa estratéfia, a Systemica contará com R$ 180 milhões para recuperar a Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, no Pará. O projeto prevê o plantio de 1,5 milhão de mudas e o uso de 100 toneladas de sementes nativas.

    Crédito de carbono, cacau e sistemas agroflorestais ganham impulso

    Ministro do Ambiente, João Paulo Capobianco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ao fundo, com chefe do Departamento Jurídico da RRG Soluções, Stefano Gianini, o diretor financeiro da Courageous, Frederico Oliveira, a diretora da Carbon2Nature, Flávia Antunes, o presidente da Biomas, Fábio Sakamoto, e o diretor de desenvolvimento da Systêmica, Cyril Perrin, após a assinatura das cartas de aprovação no valor total de R$ 633,5 milhões para projetos de SAF e restauro florestal
    Foto: Divulgação BNDES

    Na Bahia, o Projeto Muçununga receberá R$ 87,2 milhões. A iniciativa é desenvolvida pelos grupos Biomas e Carbon2Nature Brasil em áreas da Veracel Celulose. Mais de 100 espécies nativas serão plantadas. Assim, a proposta pretende recriar corredores ecológicos e favorecer espécies ameaçadas de extinção.

    Em Roraima, a Courageous Land implantará sistemas agroflorestais em 2 mil hectares degradados em Rorainópolis. O projeto combinará a produção de café, açaí e espécies madeireiras. Além disso, a iniciativa prevê capturar cerca de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono em 42 anos.

    Por fim, a RRG Soluções Baseadas na Natureza receberá R$ 250 milhões para desenvolver 2,5 mil hectares de produção sustentável de cacau na Bahia. Parte da área ficará em Teixeira de Freitas e outra parte em Casa Nova. Dessa forma, o projeto reforça uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: produzir, conservar e restaurar podem avançar juntos.

  • Amazônia ganha centro para recuperação de áreas desmatadas e degradadas

    Amazônia ganha centro para recuperação de áreas desmatadas e degradadas

    A Amazônia Legal acaba de receber um centro inovador dedicado à recuperação de áreas desmatadas e degradadas. Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira) reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições nacionais e internacionais, incluindo universidades, órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e comunidades locais.

    Com um investimento de R$ 14 milhões, o projeto foi aprovado pelo CNPq no âmbito do programa Pró-Amazônia, que visa fomentar pesquisas estratégicas para o desenvolvimento sustentável da região.

    O Capoeira terá um hub na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, e atuará de forma virtual, integrando laboratórios e grupos de pesquisa em estudos socioeconômicos, ecológicos e bioculturais.

    Fragmentos de floresta em plantações de soja no município de Belterra.
    Foto Marizilda Cruppe/Divulgação

    Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do centro, o objetivo vai além da produção científica: “Queremos articular uma transformação positiva na região, substituindo a cultura da destruição pela da restauração.”

    Amazônia em crise: desmatamento e degradação

    A Amazônia já perdeu 18% de sua cobertura original (846 mil km²), área equivalente a quase todo o estado de Mato Grosso, segundo dados do Inpe. Além disso, 370 mil km² (mais que o território da Alemanha) sofrem com degradação por incêndios, extração ilegal de madeira e fragmentação florestal.

    Esses distúrbios causam:

    • Emissões massivas de gases de efeito estufa
    • Perda de biodiversidade
    • Alterações no regime de chuvas
    • Aumento de conflitos socioambientais

    Estratégias de restauração em foco

    Os pesquisadores analisarão dados de mais de 100 áreas de estudo na Amazônia Legal, incluindo:

    • Florestas secundárias
    • Áreas degradadas
    • Sistemas Agroflorestais (SAFs)
    • Recuperação de sistemas aquáticos

    As técnicas avaliadas incluem:

    • Regeneração natural
    • Regeneração assistida (plantio de espécies nativas)
    • Plantio total (em áreas sem cobertura vegetal)

    Os SAFs são a estratégia mais estudada (37,88%), combinando produção agrícola e recuperação ambiental.

    Laboratórios vivos

    O projeto inclui “living labs” (laboratórios vivos) em três regiões estratégicas:

    • Santarém (PA) – Floresta Nacional do Tapajós e Resex Tapajós-Arapiuns
    • Mosaico do Gurupi (PA/MA) – Unidades de Conservação e Terras Indígenas
    • Nordeste Paraense – Municípios como Bragança, Paragominas e Tomé-Açu

    Esses espaços promoverão troca de conhecimentos entre cientistas e comunidades locais, fortalecendo ações de restauração biocultural.

    Restauração como solução para as mudanças climáticas

    O Brasil assumiu no Acordo de Paris o compromisso de recuperar 12 milhões de hectares até 2030, sendo 38% na Amazônia. A COP 30, que ocorrerá em Belém em 2025, deve ampliar o debate sobre o tema.

    “A restauração florestal é crucial para reduzir emissões e combater as mudanças climáticas”, afirma Joice Ferreira.

    Um levantamento da Aliança pela Restauração (2020) identificou 2.773 iniciativas de recuperação na Amazônia, cobrindo 113,5 mil hectares. A maioria (59%) são SAFs, seguidos por plantio de mudas (26%).

    “Laboratórios vivos” vão promover trocas de experiências e conhecimentos em três territórios amazônicos. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Apesar de avanços em políticas como o Planaveg, os pesquisadores destacam a necessidade de esforços conjuntos entre governo e sociedade para ampliar a escala da restauração.

    O Capoeira surge como uma esperança para a Amazônia, integrando ciência, comunidades e políticas públicas em busca de um futuro sustentável. Com a COP 30 no horizonte, o centro pode se tornar um modelo global de recuperação ambiental.

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