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  • Coco verde: estados e municípios poderão criar sistemas próprios de logística reversa

    Coco verde: estados e municípios poderão criar sistemas próprios de logística reversa

    A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, um projeto que autoriza estados e municípios a implantar sistemas de coleta seletiva e logística reversa do coco verde, de forma independente do serviço público de limpeza urbana. A medida representa um avanço importante para um país que produz quase 2 bilhões de frutos de coco por ano e ainda carece de uma política eficiente para lidar com esse resíduo.

    Deputado Fernando Monteiro. Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados

    O texto aprovado é de autoria do relator, deputado Fernando Monteiro (PSD-PE), e modifica o Projeto de Lei 616/24, apresentado originalmente pelo deputado Professor Reginaldo Veras (PV-DF). A proposta altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), legislação que já exige logística reversa para produtos como agrotóxicos, pilhas e pneus, para incluir o coco verde entre os resíduos passíveis desse tipo de gestão.

    A logística reversa abrange todo o ciclo pós-consumo: coleta, transporte, armazenamento, reciclagem e tratamento dos resíduos. O projeto também determina que o sistema inclua ações de educação ambiental e, sempre que possível, firme parcerias com cooperativas de catadores, setor fundamental para a cadeia de reciclagem no Brasil.

    Por que não tornar obrigatório em todo o país?

    O texto original do projeto obrigava produtores, distribuidores e comerciantes de coco verde a implantar os sistemas de coleta. O relator, no entanto, defendeu uma abordagem mais flexível. E justificou a mudança com dados do próprio mercado.

    “Uma exigência genérica aplicável a todo o território nacional acabaria, na melhor das hipóteses, não cumprida plenamente”, argumentou Monteiro. Segundo ele, cerca de 80% da produção de coco verde no Brasil se concentra no Nordeste. E em um mercado marcado pela informalidade e pelo comércio pulverizado.Desta forma, com características que dificultam a criação de um sistema nacional uniforme.

    Para o deputado, um modelo centralizado só funcionaria em ambientes controlados, como indústrias de processamento de água de coco ou grandes estabelecimentos comerciais. A solução aprovada, portanto, oferece a ferramenta legal sem impor a obrigação, permitindo que cada ente federativo adapte a política à sua realidade.

    Um mercado bilionário com passivo ambiental enorme

    O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de coco verde. O fruto movimenta um mercado estimado em bilhões de reais por ano. E sua casca, que representa até 85% do peso total do fruto, é um dos resíduos sólidos mais problemáticos nas cidades brasileiras. De decomposição lenta, o coco verde pode levar mais de 8 anos para se degradar em aterros sanitários.

    Apesar do potencial econômico, pois a casca serve como matéria-prima para produção de fibras, carvão ativado, substratos agrícolas e até biogás, grande parte desse material ainda vai direto para o lixo. A ausência de uma política estruturada de coleta é um dos principais entraves para o aproveitamento do resíduo e para a geração de renda por parte dos catadores.

    O projeto já passou também pela Comissão de Meio Ambiente e ainda precisa da aprovação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Portanto, para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Cascas de ovo e manipueira da mandioca podem gerar biogás e fertilizantes

    Cascas de ovo e manipueira da mandioca podem gerar biogás e fertilizantes

    O aproveitamento de resíduos agroindustriais, como a manipueira da mandioca e cascas de ovo, está no centro de uma pesquisa inovadora. Ela foi desenvolvida pela Universidade Tiradentes (Unit) em parceria com a Universidade de Sherbrooke, no Canadá. O estudo propõe soluções sustentáveis para o tratamento de resíduos, geração de energia renovável e produção de insumos agrícolas. Assim, contribuindo para a economia circular e a redução de impactos ambientais.

    A manipueira é um resíduo líquido gerado no processamento da mandioca. Ela possui alto potencial poluidor, mas pode ser transformada em fonte de energia limpa e fertilizantes orgânicos por meio da digestão anaeróbia. O diferencial do estudo está na adição de cascas de ovo ao processo. Isso otimizou a produção de biogás e estabilizou o sistema biológico, graças ao cálcio presente nesse resíduo.

    A pesquisa, conduzida pela doutora Ianny Andrade Cruz, desenvolveu um sistema automatizado de produção e monitoramento de biogás e digestato, integrando tecnologias de Internet das Coisas (IoT) para maior eficiência e controle. O digestato gerado tem potencial como fertilizante, embora testes iniciais apontem a necessidade de ajustes no tempo de digestão para evitar toxicidade em plantas como a alface.

    Impacto ambiental e social

    A mandioca é uma das culturas mais importantes para a agricultura familiar no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, gerando grandes volumes de resíduos. O aproveitamento desses subprodutos para produção de biogás e fertilizantes oferece alternativas para a autossuficiência energética rural, redução das emissões de gases do efeito estufa e valorização dos agricultores, que podem transformar resíduos em fonte adicional de renda.

    Segundo a pesquisadora, a conversão dos resíduos da mandioca em biogás não só contribui para a gestão sustentável dos resíduos. Mas também pode substituir combustíveis fósseis, como o gás de cozinha, promovendo benefícios econômicos, ambientais e sociais para as comunidades rurais.

    Internacionalização e inovação

    A pesquisadora realizou parte da pesquisa no Laboratório de Tecnologias da Biomassa da Universidade de Sherbrooke, no Canadá, durante seu estágio e pós-doutorado. O ambiente acadêmico canadense, focado em inovação e transição energética, proporcionou acesso a tecnologias avançadas e parcerias com a indústria, ampliando as possibilidades de aplicação dos resultados em larga escala.

    O estudo reforça o potencial do Brasil em liderar soluções sustentáveis para o aproveitamento de resíduos agrícolas,. Além de destacar a importância da inovação tecnológica e da integração entre universidade, indústria e produtores rurais. A produção de biogás a partir de manipueira e cascas de ovo representa um passo importante para a sustentabilidade no campo, redução da poluição e promoção da economia circular no agronegócio brasileiro.

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