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  • Brasil registra 77,8 milhões de raios por ano

    Brasil registra 77,8 milhões de raios por ano

    O Brasil registra cerca de 77,8 milhões de descargas elétricas para o solo a cada ano Inpe, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A posição geográfica do país e o clima tropical explicam a liderança mundial no fenômeno. A República Democrática do Congo aparece em segundo lugar, com 43,2 milhões de raios anuais, seguida pelos Estados Unidos, com 35 milhões.

    Tocantins lidera o ranking estadual com maior densidade de raios, registrando 19,8 descargas por quilômetro quadrado ao ano. Amazonas, Acre, Maranhão e Pará completam as posições seguintes. As regiões Norte e Centro-Oeste concentram os maiores índices devido às condições climáticas favoráveis à formação de tempestades.

    Bovinos entre as principais vítimas das descargas atmosféricas

    Levantamento do INPE aponta que entre 2010 e 2019 morreram 2.973 cabeças de gado atingidas por raios no Brasil. O número representa perdas 3,3 vezes maiores que as mortes humanas pelo mesmo fenômeno no período analisado.

    Diferentemente dos casos envolvendo pessoas, onde geralmente morre uma vítima por evento, no caso dos animais a média é de 18 cabeças de gado por ocorrência. A perda estimada pelas mortes dos animais no período alcança cerca de R$ 15 milhões, com prejuízo médio de R$ 5 mil por animal aos criadores.

    Mato Grosso lidera o ranking dos dez estados com maior número de mortes de animais, registrando 437 óbitos, seguido por São Paulo (361) e Mato Grosso do Sul (358). Tocantins, Rondônia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Paraná completam a lista, totalizando 86% das mortes no país.

    Comportamento animal aumenta vulnerabilidade aos raios

    Os bovinos buscam proteção da chuva embaixo de árvores isoladas nos pastos, que também funcionam como pontos de atração para as descargas elétricas. Quando o raio atinge a árvore, a corrente elétrica percorre o solo e eletrocuta os animais que estão ao redor.

    Foto: divulgação – Embrapa / Vanderley Porfírio

    O maior número de animais mortos por um único raio foi de 103 bovinos, em 16 de março de 2018, em Cacoal (RO). Os animais tentavam se abrigar embaixo de uma árvore durante a tempestade quando foram atingidos.

    As estações de primavera e verão concentram a maior parte das mortes (67%), períodos mais quentes do ano com maior número de tempestades e raios. Estas também são as épocas de maior disponibilidade de pastagens para alimentação animal.

    Seguro pecuário oferece proteção contra prejuízos

    O seguro pecuário mitiga riscos com a cobertura “Eletrocussão, Incêndio, Insolação e Raio”, que considera qualquer ocorrência de raios e contato do animal com fios de alta tensão.

    O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permite subvencionar até 40% do prêmio do seguro pecuário, limitado ao valor máximo de R$ 24 mil ao ano por CPF cadastrado. O subsídio governamental torna a contratação mais acessível aos produtores rurais.

    Segundo o INPE, 26% das fatalidades com raios acontecem em áreas rurais. A exposição constante dos trabalhadores e animais a céu aberto aumenta a vulnerabilidade.

    Instalações elétricas adequadas reduzem riscos

    Especialistas recomendam aterramentos corretos a cada 200 metros de cerca, com instalação adequada de para-raios. Profissionais estimam que 90% das cercas rurais estão mal instaladas, com reaproveitamento de metal oxidado e aterramentos inadequados.

    Projeções do INPE indicam que entre 2081 e 2100 o Brasil deve aumentar de 70 para 100 milhões a ocorrência de raios ao ano. A Região Norte deve liderar o crescimento, com aumento de 50% na incidência de descargas elétricas.

  • Tempestade de raios encanta e assusta interior de São Paulo

    Tempestade de raios encanta e assusta interior de São Paulo

    Na noite deste sábado, dia 15, um fenômeno encantou os moradores do interior paulista. Uma tempestade de raios dentro das nuvens, conhecida como descarga intranuvem, foi avistada em várias cidades da região de São Carlos e Araraquara.

    Vários moradores registraram as imagens, que durou mais de 1 hora e encantou quem assistia.

    O espetáculo não foi acompanhado de trovões, como se espera ao ver um relâmpago. Isso pode ocorrer em tempestades intranuvem, onde as descargas elétricas acontecem dentro das próprias nuvens. Nesses casos, a distância entre o observador e a descarga elétrica pode ser tão grande que o som do trovão não chega aos ouvidos.

    O trovão é o som gerado pela expansão violenta do ar ao longo do caminho percorrido pela descarga elétrica. Além disso, em tempestades secas, onde a precipitação evapora antes de atingir o solo, os relâmpagos podem ocorrer sem a presença de trovões audíveis.

    Muitos vídeos e fotos foram compartilhados nas redes sociais, e alguns ilustram essa matéria.

    Entendendo as descargas elétricas intranuvem

    As tempestades de raios são fenômenos atmosféricos intensos, marcados por descargas elétricas, ventos fortes e chuvas intensas. No entanto, quando os raios ocorrem apenas dentro das nuvens, sem atingir o solo, recebem o nome de descargas intranuvem. Essas descargas são comuns em tempestades convectivas, onde as nuvens cúmulo-nimbos se desenvolvem verticalmente, podendo alcançar alturas de até 18 km.

    Os raios intranuvem ocorrem quando há uma separação de cargas elétricas dentro da própria nuvem. A base da nuvem geralmente acumula cargas negativas, enquanto o topo acumula cargas positivas. Quando a diferença de potencial entre essas cargas se torna muito grande, o ar entre elas é ionizado, permitindo a passagem de uma descarga elétrica intensa.

    Características das descargas intranuvem

    Essas descargas são frequentes em tempestades convectivas, onde o movimento intenso de massas de ar dentro das nuvens gera atrito entre moléculas de água e gelo, separando as cargas elétricas. Embora os raios intranuvem não atinjam o solo, eles são importantes para entender a dinâmica das tempestades e podem ser indicativos de uma tempestade intensa.

    As descargas intranuvem são mais frequentes do que as descargas nuvem-solo e desempenham um papel crucial na distribuição de cargas elétricas dentro das nuvens. Elas também podem influenciar a formação de outros fenômenos meteorológicos, como trovões e relâmpagos, que são visíveis mesmo quando os raios não atingem o solo.

    O Brasil é um dos países mais atingidos por raios no mundo, devido à sua localização na zona tropical e à grande extensão territorial. A região amazônica é particularmente propensa a tempestades intensas, com milhões de raios ocorrendo anualmente.

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