Tag: reflorestamento

  • BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    O Brasil acaba de abrir mais uma frente na recuperação de suas florestas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou cinco operações de crédito do Fundo Clima Florestas. Ao todo, os financiamentos somam R$ 834 milhões e devem destravar R$ 2,7 bilhões em investimentos.

    Os projetos abrangem Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Juntos, eles preveem a recuperação de mais de 65,6 mil hectares de áreas degradadas. Além disso, incluem o plantio de mais de 108 milhões de árvores nativas e a criação de mais de 27 mil empregos verdes.

    Fundo Clima mobiliza R$ 2,7 bilhões para recuperar áreas degradadas

    A imagem mostra a sede do BNDES e com árvores na frente
    Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

    Com as novas operações, o BNDES alcança R$ 8,2 bilhões em recursos mobilizados para reflorestamento desde a criação do Fundo Clima.

    O anúncio ocorreu durante a Semana do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o banco assinou contrato com a BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG). Além disso, entregou cartas de aprovação aos grupos Systemica, Biomas, Courageous e RRG Soluções Baseadas na Natureza.

    Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a restauração florestal deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Hoje, também representa uma oportunidade econômica.

    “Não estamos falando de plantar uma única espécie. Estamos falando de reconstruir florestas nativas, gerar emprego, produzir alimentos e capturar carbono”, afirmou.

    Projetos vão plantar 108 milhões de árvores e criar 27 mil empregos verdes

    Os projetos também devem gerar receitas com créditos de carbono, produtos florestais e bioeconomia. Ao mesmo tempo, os investimentos transformam áreas degradadas em ativos produtivos.

    Plantação de árvores e Cupuaçu
    Foto: Embrapa/Vinicius Braga Soares

    No Mato Grosso do Sul, a Camapuã Agropecuária, controlada pela BTG Pactual TIG, receberá R$ 200 milhões. O objetivo é restaurar e conservar 49,4 mil hectares de Cerrado. Desse total, 24,8 mil hectares serão recuperados. Outros 24,6 mil hectares permanecerão preservados. Além disso, a iniciativa poderá gerar cerca de 36 milhões de créditos de carbono.

    Como resultado dessa estratéfia, a Systemica contará com R$ 180 milhões para recuperar a Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, no Pará. O projeto prevê o plantio de 1,5 milhão de mudas e o uso de 100 toneladas de sementes nativas.

    Crédito de carbono, cacau e sistemas agroflorestais ganham impulso

    Ministro do Ambiente, João Paulo Capobianco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ao fundo, com chefe do Departamento Jurídico da RRG Soluções, Stefano Gianini, o diretor financeiro da Courageous, Frederico Oliveira, a diretora da Carbon2Nature, Flávia Antunes, o presidente da Biomas, Fábio Sakamoto, e o diretor de desenvolvimento da Systêmica, Cyril Perrin, após a assinatura das cartas de aprovação no valor total de R$ 633,5 milhões para projetos de SAF e restauro florestal
    Foto: Divulgação BNDES

    Na Bahia, o Projeto Muçununga receberá R$ 87,2 milhões. A iniciativa é desenvolvida pelos grupos Biomas e Carbon2Nature Brasil em áreas da Veracel Celulose. Mais de 100 espécies nativas serão plantadas. Assim, a proposta pretende recriar corredores ecológicos e favorecer espécies ameaçadas de extinção.

    Em Roraima, a Courageous Land implantará sistemas agroflorestais em 2 mil hectares degradados em Rorainópolis. O projeto combinará a produção de café, açaí e espécies madeireiras. Além disso, a iniciativa prevê capturar cerca de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono em 42 anos.

    Por fim, a RRG Soluções Baseadas na Natureza receberá R$ 250 milhões para desenvolver 2,5 mil hectares de produção sustentável de cacau na Bahia. Parte da área ficará em Teixeira de Freitas e outra parte em Casa Nova. Dessa forma, o projeto reforça uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: produzir, conservar e restaurar podem avançar juntos.

  • Produtor rural planta 12 mil árvores nativas em Minas e cria modelo de renda sustentável

    Produtor rural planta 12 mil árvores nativas em Minas e cria modelo de renda sustentável

    Um projeto de reflorestamento em Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, demonstra como produtores rurais podem gerar renda com preservação ambiental. O engenheiro mecânico Fábio Garcia, proprietário da Fazenda Copaíba, plantou cerca de 12 mil mudas nativas em áreas que não geravam receita com lavoura ou pecuária. E transformou o passivo em ativo ambiental lucrativo.

    O advogado tributarista do agro Fernando Melo de Carvalho analisa o caso e aponta que a iniciativa revela o potencial do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Segundo ele, existe um caminho possível para conciliar produtividade, preservação e renda no campo, mas a falta de regulamentação ainda impede que o benefício alcance os mais de 6,3 milhões de pequenos produtores brasileiros.

    Pequenos produtores preservam mais, mas recebem menos incentivos

    O Brasil registra 6.382.832 propriedades rurais pequenas (com menos de 100 hectares), o que representa 93,2% do total de imóveis rurais do país, segundo dados oficiais do INCRA. As propriedades médias somam 343.977 unidades (5%) e as grandes, 123.579 (1,8%).

    “Quem mais preserva no Brasil recebe menos incentivo fiscal”, afirma Fernando Melo de Carvalho. O tributarista explica que, mesmo quando conservam áreas relevantes, os pequenos e médios produtores enfrentam barreiras para transformar a preservação ambiental em renda.

    “O produtor rural tem interesse direto em preservar o meio ambiente. Mas ele precisa de segurança jurídica e de incentivo real. Enquanto a legislação continuar incompleta, o país perde produtividade e sustentabilidade ao mesmo tempo”, destaca o advogado.

    Lei do PSA existe desde 2021, mas regulamentação emperra

    A Lei nº 14.119/2021 criou a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para remunerar propriedades rurais que conservam florestas, água, solo e biodiversidade. Na prática, porém, a ausência de regulamentação e de um cadastro nacional estruturado impede que os produtores usufruam completamente do benefício fiscal.

    “Temos mecanismos de proteção ambiental que funcionam como normas indutoras no direito. Se a lei oferecesse isenção de imposto pelas receitas geradas com preservação ou plantio de mata nativa, o produtor naturalmente se adequaria para ter ganho financeiro. Isso desonera, estimula e preserva ao mesmo tempo”, explica Fernando.

    O especialista aponta que atualmente o produtor rural que deseja restaurar áreas degradadas e fazer uso econômico dispõe quase que apenas do modelo baseado em créditos de carbono. Esses certificados custam caro, exigem validação no exterior e focam em projetos de grande escala.

    Como funciona o projeto de reflorestamento da Fazenda Copaíba

    A Fazenda Copaíba possui 275 hectares. Desse total, 70 hectares já abrigam matas nativas preservadas. Outros 30 hectares apresentam trechos de alta inclinação, áreas alagadiças e margens de represas — espaços que não geram receitas com lavoura ou pecuária.

    “A área era inviável economicamente para lavoura de soja e milho. Tenho 15% das minhas terras que não servem para plantio e só geram despesas de manutenção com zero de receita. Pensei: ‘Por que não transformá-las em ativos ambientais de matas nativas e obter receitas com elas?’”, relata Fábio Garcia.

    O produtor conta que encontrou referência na Prefeitura de Extrema (MG), que remunera pequenas propriedades por serviços ambientais desde 2001 com grande sucesso. “Pelo que conheço do Brasil, essa terra ociosa existe em quase todas as pequenas propriedades rurais. Nós adaptamos o modelo para o B2B”, explica.

    Contratos com empresas e prefeitura viabilizam o negócio

    Fábio criou uma empresa específica para plantar árvores em sua fazenda. Em seguida, ofereceu a área como solução de compensação ambiental para empresas com passivos ambientais — entre elas, indústrias, empreendimentos logísticos e o poder público municipal.

    Foto: Arquivo pessoal

    “Rapidamente fechamos três contratos com duas empresas de galpões logísticos e com a Prefeitura de Pouso Alegre, que tinham obrigações de plantios de compensação para licenciamentos ambientais. Desde 2024, plantamos 12 mil mudas e mantemos incrível índice de sobrevivência de 99%”, comemora o produtor.

    Tributarista orienta enquadramento jurídico como PSA

    Para transformar o projeto em modelo juridicamente sustentável, Fábio seguiu orientação do tributarista Fernando Melo de Carvalho. O advogado enquadrou a receita recebida pelo produtor como Pagamento por Serviços Ambientais — e não como prestação de serviço comum — com base na Lei nº 14.119/2021.

    O especialista aplicou a isenção prevista no contrato com ente público e sugeriu que a Fazenda Copaíba fizesse consulta específica à Receita Federal sobre outros contratos de PSA.

    “Na medida em que pequenos e médios produtores reflorestarem partes inutilizadas de suas propriedades, eles podem celebrar contratos de PSA e receber os valores com isenção fiscal já prevista na legislação”, explica Fernando.

    O tributarista esclarece que esse tratamento tributário diferenciado aumenta a remuneração obtida com o reflorestamento como forma de incentivar o serviço ambiental prestado pelo produtor rural.

    “Esse produtor planta e conserva novas matas nativas em sua fazenda, em áreas que sofreram desmatamento nos séculos passados, quando isso era normal e até estimulado por políticas públicas. É justo e correto que o produtor tenha receitas pelos benefícios ambientais dos investimentos realizados. É um negócio limpo, sustentável e que deveria receber estímulo por lei”, afirma Carvalho.

    Cadastro Nacional de PSA ainda não existe

    O tributarista esclarece que produtores que trabalham para preservar o meio ambiente deveriam ter isenção sobre o valor recebido, mas a legislação prevê um mecanismo que o governo ainda não disponibilizou.

    “A Lei nº 14.119/2021 criou o PSA, mas sem a criação do Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, o incentivo não chega aos pequenos e médios produtores. Não conseguimos aplicá-lo nos contratos entre particulares”, esclarece Carvalho.

    Segundo o advogado, o caso da Fazenda Copaíba ilustra exatamente o potencial do PSA no campo. O modelo mostra que existe um caminho possível para conciliar produtividade, preservação e renda, desde que o arcabouço legal acompanhe essa realidade.

    O produtor planta, conserva e recebe para manter a floresta viva. Enquanto isso, empresas e prefeituras cumprem suas obrigações de compensação ambiental de forma simples, transparente e alinhada à realidade local.

    Falta de regulamentação impede expansão do modelo

    O tributarista aponta que a ausência de regulamentação da lei federal impede que o modelo seja expandido em larga escala com segurança jurídica. Isso impossibilita que todas as propriedades rurais do país sejam beneficiadas com esse incentivo em todos os contratos.

    “No caso concreto, diversas empresas e particulares demonstram interesse, mas muitas vezes não conseguimos realizar os negócios pelo custo e incerteza com a tributação. A Lei do PSA é de 2021 e até hoje não temos o cadastro nacional. Isso barra diversos contratos por onerar o recebimento pelo produtor rural, o que ao fim leva ao seu desinteresse”, conclui Fernando Melo de Carvalho.

  • Maranhão anuncia lançamento de universidade indígena na COP30

    Maranhão anuncia lançamento de universidade indígena na COP30

    O Maranhão apresentou na Green Zone da COP-30 duas iniciativas que unem proteção ambiental e inclusão social: a criação do Programa de Agentes Ambientais Comunitários e o anúncio da primeira universidade em território indígena do Brasil. As medidas integram uma estratégia que reconhece os povos tradicionais como protagonistas na defesa dos biomas.

    A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) coordena o programa de agentes ambientais, que beneficiará 5 mil moradores de comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais. Os participantes receberão bolsas mensais de R$ 300 e passarão por capacitações técnicas em preservação de biomas, recuperação de nascentes, reflorestamento e combate a queimadas.

    “Queremos levar a agenda ambiental para dentro dos territórios, fortalecendo a presença do Estado e reconhecendo o papel das comunidades na proteção dos biomas. Esses agentes serão protagonistas de uma política ambiental participativa, com resultados concretos e permanentes”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Pedro Chagas.

    Universidade nasce de diálogo com lideranças indígenas

    O governador Carlos Brandão destaca que as iniciativas nasceram do diálogo direto com as comunidades. A universidade surgiu de uma proposta apresentada pela líder indígena Fabiana Guajajara e pelo Cacique Silvio.

    “Esse sonho nasceu de uma conversa com a Fabiana e o Cacique Silvio, que apresentaram o projeto da Universidade em Território Indígena. Nosso governo ouve as pessoas — é assim que construímos políticas que fazem sentido na vida real. O programa de agentes garante renda a quem vive na floresta para preservar o meio ambiente e sustentar sua família. Transformamos proteção ambiental em dignidade e oportunidade”, declara Brandão.

    A instituição será implantada no território Arariboia, seguindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige consulta livre, prévia e informada às comunidades. Lideranças do povo Guajajara idealizaram o projeto, que conta com apoio do governo estadual.

    Conhecimento ancestral vira formação acadêmica

    Fabiana Guajajara explica que a universidade nasce “do coração do território Arariboia” e tem como missão transformar o conhecimento ancestral em formação técnica, científica e cultural.

    “Há mais de 20 anos nossos guardiões e viveiristas atuam voluntariamente na proteção e no reflorestamento. A universidade vem para potencializar esse trabalho, dando visibilidade à nossa diversidade e fortalecendo a autossustentabilidade dos povos indígenas”, afirma a líder.

    Estado investe R$ 18 milhões em políticas integradas

    O Maranhão destina R$ 18 milhões para implantar o programa de Agentes Ambientais Comunitários. O estado integra políticas de meio ambiente, direitos humanos e educação em programas como o Floresta Viva e o Maranhão Sem Queimadas.

    O Floresta Viva recupera áreas degradadas com o plantio de juçara (açaí) em parceria com 16 multinacionais. Já o Maranhão Sem Queimadas conta com apoio do Fundo Amazônia.

    “Mesmo com poucos recursos, o Maranhão mostra resultados concretos. Reconstruímos florestas, formamos agentes e valorizamos o conhecimento tradicional. Isso é governar com propósito e amor pelo território”, conclui o governador Carlos Brandão.

  • Produtores cultivam mirtilo em área de reflorestamento

    Produtores cultivam mirtilo em área de reflorestamento

    A produção de mirtilo cresce na Serra Catarinense e atrai investidores que buscam alternativas lucrativas ao setor florestal tradicional. A fruta, ainda pouco cultivada na região mais fria do Brasil, apresenta alta rentabilidade e potencial de geração de empregos.

    Celso Claudino, um dos maiores produtores catarinenses da fruta, comprova a viabilidade do negócio. Ele cultiva três mil pés de mirtilo em área de reflorestamento no interior de Palmeira, município com 2,7 mil habitantes localizado a 40 quilômetros de Lages.

    Pomar está entranhado em uma grande área de reflorestamento. Foto: João Carneiro / Divulgação

    O empresário comercializa a produção em todo o território nacional. Consumidores exigentes pagam até R$ 60 por quilo no varejo. No atacado, Celso vende o produto sem embalagem por cerca de R$ 30 o quilo.

    Cada pé produz entre cinco e dez quilos da fruta anualmente. “Se produzir dez quilos, uma árvore rende R$ 300. O mirtilo oferece alta rentabilidade para pequenos e grandes produtores”, explica Celso.

    Fruta européia se adapta ao clima frio catarinense

    O mirtilo, conhecido também como blueberry, tem origem nas regiões frias da Europa e Estados Unidos. A fruta azul e arredondada concentra antioxidantes, fibras e vitaminas em sua composição.

    Foto: João Carneiro / Divulgação

    Celso e o genro João Carneiro, sócio na administração do pomar, criaram a marca Palm Berries em referência ao município de Palmeira. “Consumo diariamente e minha qualidade de vida melhorou muito. A fruta faz bem para a saúde e, para quem investe, também para o bolso”, afirma o produtor.

    O empresário destaca ainda o potencial turístico da atividade. “O pomar passa por várias fases de beleza, como a florada em setembro. Além de gratificante, pode atrair visitantes”, complementa.

    Epagri oferece suporte técnico e acesso a políticas públicas

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) apoia produtores estabelecidos e novos investidores interessados no cultivo de mirtilo.

    Celso e João recebem orientações técnicas sobre doenças no pomar, poda adequada das plantas e produção de mudas. A propriedade já conta com viveiro próprio para multiplicação das plantas.

    “Temos especialistas em fruticultura e programas que apoiam a implantação de pomares. Todos os escritórios municipais da Epagri prestam este tipo de assistência”, informa Clayrton Accacio Cruz da Silveira, extensionista rural da empresa em Palmeira.

    A Epagri planeja realizar evento na propriedade de Celso para divulgar a atividade. “Queremos mostrar que o mirtilo e outras frutas do mesmo contexto podem gerar boa renda para famílias, especialmente em pequenas propriedades”, conclui o técnico.

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  • Cientistas indicam onde e como reflorestar a Amazônia

    Cientistas indicam onde e como reflorestar a Amazônia

    Um estudo recente propõe soluções sustentáveis e baseadas na ciência para restaurar a floresta amazônica com espécies nativas.

    A pesquisa, publicada na revista científica Florestas, foi liderada por Lucieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental (PA). O trabalho apresenta o zoneamento topoclimático, metodologia que identifica as áreas mais adequadas para o plantio de espécies florestais nativas.

    Mapeamento da Amazônia

    A equipe mapeou regiões da Amazônia e indicou doze espécies com alto valor ecológico e econômico, como o angelim-vermelho, ipê-amarelo, copaíba e mogno-brasileiro.

    O estudo cruzou mais de 7.600 registros georreferenciados com dados climáticos, geográficos e topográficos, coletados entre 1961 e 2022. O resultado foi uma série de mapas que mostram o grau de adequação ambiental — alto, médio ou baixo — para o manejo de cada espécie.

    A análise estatística não hierárquica permitiu gerar modelos aplicáveis a diversos biomas. A metodologia pode orientar políticas públicas, restauração florestal, bioeconomia e adaptação climática. “O zoneamento topoclimático transforma ciência em estratégia de uso sustentável do território”, afirma Martorano.

    Destaques do estudo

    Entre os destaques do estudo, o angelim-vermelho (Dinizia excelsa) apresentou até 81% de alta adequação em áreas antropizadas, mostrando forte potencial de restauração. Já o marupá (Simarouba amara), espécie de alta plasticidade, pode ser usado em locais menos favoráveis, com manejo adaptativo.

    Além de mapear onde plantar, o zoneamento subsidia políticas públicas voltadas ao Acordo de Paris. A ferramenta apoia compromissos como o reflorestamento em larga escala e a conservação da biodiversidade.

    O estudo reforça a silvicultura com nativas como estratégia de combate às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, promove geração de renda, recuperação ecológica e resiliência frente a desastres naturais.

    A abordagem tem forte relação com a Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que remunera práticas conservacionistas. Com isso, a metodologia pode atrair recursos, fomentar a bioeconomia e incentivar projetos agroflorestais.

    Espécies certas, no lugar certo

    “O modelo ajuda a escolher as espécies certas, no lugar certo, com o manejo ideal”, explica Silvio Brienza Junior, da Embrapa Florestas (PR), coautor da pesquisa. Segundo ele, isso melhora a oferta de serviços ambientais, como regulação hídrica, térmica e sequestro de carbono. Brienza ressalta que o Brasil, ao definir com precisão onde reflorestar, cria condições para captar mais investimentos climáticos internacionais.

    A proximidade da Conferência do Clima da ONU (COP 30), marcada para novembro em Belém (PA), aumenta a relevância do estudo. O trabalho fortalece o papel da Amazônia como fonte de soluções climáticas baseadas na natureza.

    Zoneamento topoclimático

    O zoneamento topoclimático poderá direcionar recursos de restauração, orientar projetos com fundos verdes e contribuir para metas de carbono neutro. Os pesquisadores destacam que a metodologia pode ser ampliada para outras regiões e potencializada por tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial.

    O modelo também favorece espécies de alto valor ecológico e econômico. Isso permite um reflorestamento inteligente, que combina recuperação ambiental, inclusão social e geração de renda.

    Pagamento por Serviços Ambientais na Amazônia

    O PSA remunera produtores, comunidades e povos tradicionais por ações que preservam ou restauram ecossistemas.

    Entre os benefícios esperados estão:

    • incentivo à restauração ecológica orientada,
    • fortalecimento da bioeconomia florestal,
    • geração de renda com projetos de carbono,
    • conservação da água e da biodiversidade,
    • e resiliência climática em áreas degradadas.

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  • 260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    260 campos de futebol: projeto recupera Mata Atlântica com araucária

    A Fundação CERTI concluiu a primeira fase do projeto “Mais Floresta com Araucária”, restaurando 262 hectares de Mata Atlântica nas regiões da Serra e Meio Oeste de Santa Catarina. A iniciativa foifinanciada pelo BNDES por meio do edital Restauração Ecológica. E recuperou uma área equivalente a mais de 260 campos de futebol, com o plantio de cerca de 40 mil mudas de espécies nativas, incluindo a emblemática araucária (Araucaria angustifolia).

    O projeto  contou com a participação de mais de 100 agricultores locais e apoio técnico das universidades UDESC, UFSC e IFSC. E visa fortalecer a biodiversidade e promover a sustentabilidade econômica por meio da valorização de espécies como a erva-mate, goiabeira-serrana, imbuia e casca d’anta. As araucárias, além de símbolo do ecossistema local, contribuem para a produção do pinhão, importante fonte de alimento e renda para comunidades da região.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    Segundo Victor Augusto Moreira, coordenador de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, a restauração da Mata Atlântica traz benefícios ambientais como regulação climática, preservação de recursos hídricos e provisão de alimentos, além de impulsionar a economia local. “Nossa intenção foi contribuir para esse ecossistema tão importante, hoje reduzido a menos de 3% da cobertura original”, afirma Moreira.

    Além do reflorestamento, o projeto implantou módulos de sistemas agroflorestais em assentamentos da reforma agrária. E também promoveu capacitações em práticas agrícolas sustentáveis, ampliando as oportunidades para agricultores familiares. A rede de parceiros também viabilizou a criação de viveiros florestais, garantindo infraestrutura para futuras ações de restauração e conservação.

    Foto: DIvulgação Mais Floresta

    A restauração abrangeu Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPN) e áreas de Reserva Legal, consolidando um modelo viável de recuperação ambiental que alia conservação da biodiversidade, geração de renda e bem-estar para as comunidades rurais catarinenses.

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  • Conheça o Projeto Mangues da Amazônia

    Conheça o Projeto Mangues da Amazônia

    Pesquisadores do Projeto Mangues da Amazônia aplicam técnicas genéticas de ponta para recuperar a maior faixa contínua de manguezal do planeta,. Ela está localizada no nordeste do Pará. A iniciativa é inovadora, e integra ciência avançada e saberes tradicionais das comunidades locais. E visa o reflorestamento sustentável de áreas degradadas, fortalecendo a conservação desse ecossistema vital para o equilíbrio ambiental e a economia regional.

    O diferencial do projeto está no mapeamento da variabilidade genética das espécies nativas — Rhizophora mangle (mangue-vermelho), Avicennia germinans (mangue-preto) e Laguncularia racemosa (mangue-branco). Por meio da coleta e análise de DNA das plantas em 12 quadrantes da península de Ajuruteua, em Bragança (PA), os pesquisadores identificam as áreas com maior diversidade genética. Essa seleção estratégica permite utilizar sementes com maior capacidade de adaptação e resistência a impactos ambientais e climáticos. E aumenta a produtividade e a resiliência das novas gerações de mangues.

    “Quanto maior a variabilidade genética, maior a capacidade das plantas de se adaptarem e sobreviverem às mudanças ambientais”. É o que  explica Marcus Fernandes, coordenador do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e líder do projeto. Segundo ele, essa abordagem reduz perdas no reflorestamento e potencializa benefícios ambientais, como o aumento do estoque de carbono e a proteção da fauna local, incluindo o caranguejo-uçá.

    Resultados e metas do reflorestamento

    Desde 2021, o projeto já recuperou 18 hectares de manguezais degradados nos municípios paraenses de Tracuateua, Bragança, Augusto Corrêa e Viseu, com o envolvimento ativo das comunidades locais que dependem dos recursos naturais para seu sustento. A meta é alcançar 40 hectares reflorestados e monitorar 100 hectares na região nos próximos anos, alinhando-se ao Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC).

    John Gomes, gerente do projeto, destaca que o reflorestamento é “um gesto de sensibilização e conexão com a natureza”. Isso é essencial para despertar a consciência coletiva sobre a conservação dos manguezais, especialmente em um ano marcado pela realização da COP30 em Belém, que reforça a importância desses ecossistemas no combate às mudanças climáticas.

    Manguezais amazônicos: sumidouros de carbono e proteção ambiental

    Os manguezais da Amazônia são reconhecidos como grandes sumidouros de carbono, capazes de capturar de duas a três vezes mais carbono do que as florestas de terra firme, contribuindo significativamente para a mitigação dos gases do efeito estufa. Além disso, eles protegem as zonas costeiras da erosão, abrigam biodiversidade e sustentam comunidades tradicionais.

    O Projeto Mangues da Amazônia é uma iniciativa conjunta do Instituto Peabiru, Instituto Sarambuí e do Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA/UFPA). E conta com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e apoio do Governo Federal. O trabalho envolve pesquisa técnico-científica, educação ambiental e atividades socioculturais nas Reservas Extrativistas Marinhas (RESEX) da região.

    Ciência e conservação integradas para o futuro

    O biólogo Adam Bessa, responsável pelo mapeamento genético, ressalta que o projeto está na vanguarda da ciência aplicada à conservação dos manguezais. Além de subsidiar a seleção de sementes, os dados genéticos orientam o planejamento de corredores ecológicos que conectam fragmentos de vegetação nativa, fortalecendo a estrutura biológica e a resiliência do ecossistema.

    Com a continuidade das coletas e análises ao longo de 2025, o projeto reforça seu compromisso com a conservação e o uso sustentável dos manguezais amazônicos, promovendo um modelo que alia inovação científica, gestão ambiental eficiente e inclusão social das comunidades tradicionais.

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  • Carbono zero: Cecafé compensa emissão de GEE do 10º Coffee Dinner & Summit

    Carbono zero: Cecafé compensa emissão de GEE do 10º Coffee Dinner & Summit

    Com o plantio de árvores incentivando ações sustentáveis, proteção de nascentes e a manutenção de corredores ecológicos e da biodiversidade na Fazenda do Lobo, produtora de cafés especiais em Três Corações (MG), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) compensará a emissão de 9,8 toneladas de gases de efeito estufa (GEE) que serão geradas pelo 10º Coffee Dinner & Summit, um dos principais eventos da cafeicultura mundial, que a entidade realizará, de 2 a 4 de julho, no Royal Palm Hall, em Campinas (SP), para debater “O futuro do fluxo do comércio: protagonismo e liderança dos Cafés do Brasil”.

    A iniciativa vem ao encontro da atuação da entidade focada no respeito aos critérios ESG, em linha com as iniciativas do pilar de Responsabilidade Social e Sustentabilidade (RSS), o que rendeu o recebimento do Selo Verde Ecooar, através de parceria com a plataforma Ecooar Biodiversidade.

    Fazenda do Lobo em Três Corações (MG)

    “Após o cálculo das emissões de CO2 e equivalentes que serão geradas nos três dias do evento, o Cecafé realizou o plantio de 69 árvores nativas. Desta forma, contribuindo para o reflorestamento de Áreas de Preservação Permanente, para a recuperação da vegetação nativa e incentivando a continuidade de práticas regenerativas nos cafezais da Fazenda do Lobo, que fica situada na principal região produtora de café no Brasil, o Sul de Minas Gerais”, destaca o diretor-geral do Conselho, Marcos Matos.

    Governança socioambiental

    De acordo com ele, o futuro do fluxo do comércio está totalmente alinhado aos critérios da governança socioambiental, tema que será extremamente debatido nos painéis do 10º Coffee Dinner & Summit.

    “Nada mais lógico do que alinharmos nossas iniciativas voltadas a ESG com o assunto a ser abordado e, em especial, demonstrar isso na prática, incentivando o reflorestamento e o cultivo de cafés com práticas mais conservacionistas, contribuindo para a mitigação do aquecimento global e demonstrando o engajamento e o compromisso do Cecafé e dos exportadores associados com o respeito ao meio ambiente e às pessoas, visando à construção de um mundo melhor e mais sustentável às gerações futuras”, explica Matos.

    O Selo Verde obtido pelo Cecafé possui um QR Code exclusivo. Ele  direciona para informações sobre o local onde foi realizado o reflorestamento, assim como a quantidade e as variedades de árvores plantadas (confira aqui), permitindo uma auditoria pública on-line, de qualquer lugar do mundo.

    O diretor-geral da entidade completa que essa ação também está atrelada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Principalmente em relação a Ação contra as mudanças climáticas (13); Vida na água (14); e Vida terrestre (15).

    “Temos como um de nossos pilares de atuação o engajamento para que o planeta respeite os critérios ESG. Nesse sentido, seguiremos atuando para externar ao mundo que os cafés do Brasil, cada vez mais, investem, por meio de iniciativas das entidades de classe, como o Cecafé, para permanecer na vanguarda de qualidade, quantidade e, principalmente, sustentabilidade”, conclui.

    Coffee Dinner & Summit

    Realizado pelo Cecafé, o evento se destaca como um dos principais fóruns globais do setor cafeeiro. E reúne, a cada dois anos, mais de mil pessoas e líderes de todos os segmentos da cafeicultura brasileira e mundial. O objetivo é promover a prospecção de negócios, criar oportunidades comerciais, compartilhar experiências e fazer networking. E assim, aproximar players do agronegócio e apaixonados pelo café em um ambiente espaçoso e aconchegante.

    Sob o tema “O futuro do fluxo do comércio: protagonismo e liderança dos cafés do Brasil”, a 10ª edição do Coffee Dinner & Summit tem o objetivo de promover o debate e a reflexão sobre os desafios econômicos, climáticos, socioambientais, regulatórios e logísticos, que trazem desafios e oportunidades às nações cafeeiras, principalmente ao maior produtor mundial de café, o Brasil, no que tange a iniciativas sustentáveis estruturadas sob critérios ESG e o abastecimento global, na expectativa de analisar o futuro do fluxo do comércio. Mais informações: https://coffeedinner.com.br/.

    Apoio e patrocínio

    O 10º Coffee Dinner & Summit tem Patrocínio Ouro do Grupo Tristão e do Sicoob. Além de Patrocínio Prata da Bayer e da ofi até o momento. O evento também conta com apoio institucional da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), da Associação Comercial de Santos (ACS), dos Centros do Comércio de Café de Minas Gerais (CCCMG) e de Vitória (CCCV) e do Conselho Nacional do Café (CNC).

    Sobre a Ecooar

    Criada em 2008 com o objetivo de reflorestar Áreas de Preservação Permanente da Mata Atlântica e demais biomas, a Ecooar é uma plataforma inovadora de compensação voluntária de gases de efeito estufa. Com auditoria pública on-line e projetos adaptados às necessidades de cada parceiro, segue todos os princípios “Environmental, Social and Governance” (ESG).

    Signatária do Pacto Global da ONU, a Ecooar desenvolve projetos e auditorias de emissões de GEE, certificação de preservação de florestas e corredores ecológicos. Além de análise de processos de mitigação do aquecimento global e divulgação de ações sustentáveis para ampliação da Educação Ambiental. Assim une pessoas, empresas, organizações e serviços, a fim de preservar e proteger nascentes, fauna, flora e biodiversidade. E certifica essas ações através do Selo Verde Ecooar.

    Sobre c Cecafé

    Fundado em 1999, o Cecafé representa e promove ativamente o desenvolvimento do setor exportador de café nos âmbitos nacional e internacional. A entidade oferece suporte às operações do segmento por meio do intercâmbio de inteligência de dados, ações estratégicas e jurídicas. Além de projetos de cidadania e responsabilidade socioambiental. Atualmente, possui 126 associados, entre exportadores de café, produtores, associações e cooperativas no Brasil, correspondendo a 96% dos agentes desse mercado no país.

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  • Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Parceria amplia compromisso com a preservação da Caatinga

    Em celebração ao Dia Nacional da Caatinga, comemorado em 28 de abril, a M. Dias Branco reforça seu compromisso com a preservação desse bioma exclusivamente brasileiro por meio de sua parceria com a Associação Caatinga. Em 2024, a colaboração entre a companhia e a organização não governamental gerou avanços significativos na conservação ambiental, incluindo a remoção de 6.870,90 toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) da atmosfera e a manutenção de um estoque de 494.091,99 toneladas de CO₂e na vegetação da Reserva Natural Serra das Almas.

    O projeto está alinhado a compromissos globais de sustentabilidade, como a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as metas estabelecidas pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. A ação também contribui diretamente para o combate à desertificação, a redução do aquecimento global e a conservação da biodiversidade na Caatinga. O bioma é caracterizado por clima semiárido, vegetação adaptada à seca e elevada riqueza ecológica.

    Ampliação da área protegida e impactos ambientais positivos

    Desde o início da parceria com a Associação Caatinga, a M. Dias Branco mais que dobrou a área adotada dentro da Reserva Natural Serra das Almas, que passou de 800 hectares para 1.857 hectares em 2024. Localizada entre os municípios de Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), a reserva é a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do estado do Ceará e possui papel estratégico na proteção de espécies ameaçadas da fauna e da flora da Caatinga.

    Com o apoio da empresa, foram realizados 96 monitoramentos ambientais na área, cujos dados são repassados regularmente ao IBAMA e ao ICMBio. Desta forma, fortalecendo a gestão da unidade de conservação. Essas ações são conduzidas pela Associação Caatinga. Ela  atua há 26 anos na defesa dos recursos naturais do semiárido nordestino.

    Educação ambiental, reflorestamento e fortalecimento comunitário

    Em 2024, a M. Dias Branco também apoiou iniciativas de educação ambiental e engajamento comunitário, promovidas pela Associação Caatinga. Entre as atividades realizadas, destacam-se a exposição itinerante “Conheça e Conserve a Caatinga”, ações educativas com colaboradores e a realização de palestras e visitas guiadas sobre a importância do bioma.

    Outro destaque foi o monitoramento do plantio de 5 mil mudas de espécies nativas, realizado em 2023 na Fazenda Gameleira — área recentemente incorporada à Reserva Serra das Almas. O resultado foi promissor: a taxa de sobrevivência das mudas atingiu 78%, indicando boas condições de adaptação e crescimento. O projeto ainda teve impacto positivo nas comunidades vizinhas. Todas as sementes foram coletadas localmente e a mão de obra contratada para o plantio veio das comunidades próximas, gerando renda e fortalecendo a economia regional.

    Reconhecimento da importância ecológica da Serra das Almas

    A relevância da Serra das Almas ultrapassa fronteiras. Reconhecida pela Unesco como área-chave para a conservação da Caatinga, a reserva abriga diversas espécies listadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da Fauna Brasileira. Assim, consolidando-se como referência em conservação ambiental no semiárido.

    “Iniciamos a adoção da reserva com 800 hectares. Hoje, somos responsáveis por 1.857 hectares de proteção ativa. Esse esforço simboliza nosso compromisso com a biodiversidade e com a mitigação das mudanças climáticas”, destaca Tiago Timbó, gerente de Comunicação e Sustentabilidade da M. Dias Branco.

    A Associação Caatinga também celebra os avanços da parceria: “O apoio da M. Dias Branco fortalece nossas ações de conservação e contribui significativamente para o enfrentamento das mudanças climáticas. Estamos construindo juntos um futuro mais sustentável”, afirma a entidade.

    Sustentabilidade como diretriz corporativa

    A atuação da M. Dias Branco na preservação da Caatinga integra a estratégia ESG da companhia e reflete uma postura de responsabilidade ambiental que extrapola a cadeia produtiva da indústria alimentícia. A expectativa é de que os resultados positivos sirvam de incentivo para que outras empresas se juntem ao esforço coletivo de proteção dos biomas brasileiros.

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    Projeto registra biodiversidade em áreas reflorestadas

    Desde o ano 2000, a São Martinho desenvolve o Projeto Viva Natureza, iniciativa voltada à restauração de matas ciliares e à conservação da biodiversidade nas áreas de atuação da companhia. A ação já resultou na recuperação de mais de 2.580 hectares de vegetação nativa e no plantio de cerca de 4,3 milhões de mudas, fortalecendo os corredores ecológicos e criando condições favoráveis para o desenvolvimento da fauna local.

    Durante a safra 2024/2025, a empresa intensificou o monitoramento da fauna por meio de um protocolo estruturado de avistamento, que identificou 578 animais de 67 espécies diferentes nas áreas reflorestadas de suas quatro unidades. Os registros evidenciam a presença de espécies ameaçadas e quase ameaçadas de extinção, como a ariranha, a anta, a arara-vermelha e a onça-parda.

    Segundo dados levantados pela São Martinho, 59,34% dos animais observados são mamíferos, 26,64% aves e 14,01% répteis. A classificação do grau de ameaça segue a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A classificação das espécies registradas mostra que 49,83% se enquadram na categoria “menor preocupação”, como a coruja-buraqueira. Outras 18,51% pertencem ao grupo de espécies vulneráveis, como o lobo-guará, enquanto 1,9% aparecem como quase ameaçadas e 2,94% ainda não receberam avaliação.

    Jiboia. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    O assessor de Meio Ambiente da São Martinho, André Tebaldi, destaca que o projeto de avistamento de fauna busca monitorar de forma contínua a biodiversidade, avaliar eventuais impactos das operações da empresa e embasar ações voltadas à preservação ambiental. “A iniciativa fortalece nosso compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental, promovendo a convivência harmônica entre as atividades agrícolas e a conservação dos ecossistemas”, afirma.

    Registro fotográfico da fauna integra ação de educação ambiental

    Para ampliar a visibilidade do projeto, a São Martinho contratou o fotógrafo Miguel Biasoli, estudante de Ciências Biológicas na Unesp de Jaboticabal, para documentar a fauna presente nas áreas reflorestadas da Unidade São Martinho, em Pradópolis (SP). O trabalho de campo, realizado entre março de 2024 e janeiro de 2025, incluiu saídas semanais e uso de câmeras automáticas (“traps”) para registros noturnos.

    Ariramba-de-cauda-ruiva. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    Biasoli fotografou mais de 200 animais, com destaque para aves como arara-vermelha, seriema, picapauzinho-barrado e gavião-caboclo. Além de mamíferos como macaco-prego, cachorro-do-mato, cervo, cateto e espécies raras como a onça-parda, tamanduá-bandeira, jaguatirica e lobo-guará. Cobras como jiboia e sucuri também foram registradas.

    Jacaré-do-papo-amarelo. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    “As imagens revelam a riqueza ecológica das matas restauradas e comprovam a eficácia das ações de preservação da companhia”, comenta o fotógrafo. As fotos comporão um livro comemorativo bilíngue (português e inglês), com edições impressa e digital. A obra trará informações sobre os projetos ambientais da empresa e será distribuída gratuitamente, sem fins comerciais. Algumas imagens também passarão a decorar o Centro de Inovação da unidade.

    Arapapa. Foto: Miguel Biasoli/São Martinho

    O assessor de Inovação da São Martinho, Walter Maccheroni, destaca que o projeto reforça o valor ecológico e educativo da biodiversidade local. “Além de sensibilizar o público interno, as imagens ajudam a promover a conscientização ambiental. E a fortalecer a conexão entre nossas operações e a conservação dos recursos naturais”, conclui.

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