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  • Justiça homologa maior recuperação extrajudicial da história do Brasil

    Justiça homologa maior recuperação extrajudicial da história do Brasil

    A Raízen (RAIZ4) informou nesta quinta-feira (30) que o Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central do Foro de São Paulo homologou o Plano de Recuperação Extrajudicial apresentado pela companhia em 5 de junho de 2026. A decisão torna efetiva a renegociação de aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras e consolida a maior recuperação extrajudicial da história do país em volume financeiro.

    O plano recebeu a adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários da companhia, ou seja, aqueles sem garantias específicas. Um percentual que superou o mínimo exigido para a homologação judicial. Nenhum credor do Grupo Raízen apresentou impugnação ao pedido.

    O que a homologação muda para a Raízen

    Com o aval da Justiça, os termos do plano passam a valer para todos os credores abrangidos pela reestruturação, mesmo aqueles que não aderiram formalmente à proposta. A empresa também assume um novo cronograma obrigatório de pagamento das dívidas renegociadas.

    “A homologação do Plano reforça a confiança dos stakeholders na solução consensual e estruturante do endividamento do Grupo Raízen, conciliando suas necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital adequada e sustentável no longo prazo”, afirma a companhia em comunicado.

    A partir de agora, a Raízen dará sequência às medidas previstas no plano. Entre elas está a possibilidade de credores converterem parte dos valores a receber em participação na companhia, por meio da emissão de units, conjunto de ações negociado em bolsa, além do recebimento de novos títulos de dívida garantidos.

    Aumento de capital e reorganização societária

    A empresa também pretende realizar um aumento de capital entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. A Shell Brasil Petróleo integralizará a operação. E a Aguassanta Participações, empresa controlada pela família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan, poderá aderir à iniciativa.

    Além disso, a Raízen prevê uma reorganização de sua estrutura, que inclui a separação dos negócios de distribuição de combustíveis e de energia, a venda de ativos e outras medidas estabelecidas no plano. A companhia informou ainda que divulgará, oportunamente, as regras para que os credores escolham as opções de pagamento previstas.

    “A Raízen manterá seus acionistas e o mercado informados acerca de quaisquer desdobramentos relevantes relacionados a este tema. O plano segue disponibilizado no site de relações com investidores da companhia e no sistema da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], nos termos da regulamentação aplicável”, diz o comunicado da empresa.

    Como a Raízen chegou à recuperação extrajudicial

    Em março, a Raízen anunciou o pedido de recuperação extrajudicial enquanto buscava um acordo com os credores para reestruturar suas dívidas e reforçar o caixa da companhia. Segundo a empresa, a medida visava dar mais segurança às negociações e facilitar a reorganização do endividamento do grupo. Na época, a Raízen registrava dívidas financeiras de cerca de R$ 65,1 bilhões, além de obrigações entre empresas do próprio grupo.

    O pedido ocorreu em meio à deterioração da situação financeira da companhia. A Raízen atribuiu o cenário a uma combinação de fatores: o elevado volume de investimentos realizados nos últimos anos, condições climáticas adversas que prejudicaram as safras de cana-de-açúcar, oscilações nos preços do açúcar e juros elevados, que aumentaram o custo da dívida e pressionaram o caixa.

    Ao fim de dezembro, a dívida líquida da empresa havia alcançado R$ 55,3 bilhões. No terceiro trimestre da safra 2025/26, encerrado em dezembro de 2025, a Raízen registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões. Destes, R$ 11,1 bilhões resultaram de um ajuste contábil que reduziu o valor de parte de seus ativos. Sem esse efeito, o prejuízo teria somado aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

    Por que o caso da Raízen reforça um instrumento em ascensão

    A homologação recoloca em evidência um instrumento que vem ganhando espaço entre grandes empresas para reorganizar dívidas sem recorrer à recuperação judicial. Para especialistas, o caso demonstra que a recuperação extrajudicial deixou de ser uma alternativa pouco usada. E passou a integrar a estratégia de companhias que ainda conseguem negociar diretamente com seus principais credores antes que a situação evolua para uma recuperação judicial.

    “A recuperação judicial ou extrajudicial pode ser um importante e valioso instrumento para ajudar na solução de qualquer empresa que está quase quebrada, podendo auxiliar em muitos aspectos, principalmente na cobrança de débitos devidos, liberação de penhoras e na reorganização do passivo e da administração da empresa”, explica Denis Barroso Alberto, sócio do Barroso Advogados Associados.

    Um procedimento que exige planejamento e negociação prévia

    A recuperação extrajudicial está prevista na Lei nº 11.101/2005 e depende de ampla negociação com os credores, seguida de homologação judicial. Na prática, a empresa negocia previamente as condições de pagamento com grupos específicos de credores. E após atingir o percentual mínimo exigido por lei, submete o plano ao Judiciário para que ele passe a produzir efeitos sobre todos os envolvidos.

    “A recuperação deve ser utilizada em momentos e aspectos específicos que precisam ser avaliados caso a caso. Se usada corretamente, com profissional técnico especializado, pode trazer enormes benefícios e evitar que a empresa quebre”, destaca Barroso.

    Entre as principais características da recuperação extrajudicial estão a menor interferência judicial, maior preservação da imagem da empresa e maior flexibilidade para negociação. Por outro lado, o modelo não suspende automaticamente execuções, normalmente não alcança créditos trabalhistas e depende da adesão de parcela significativa dos credores.

    O que a crise da Raízen ensina sobre gestão financeira

    Para Benito Pedro Vieira Santos, da Avante Assessoria Empresarial, a homologação do plano evidencia que os processos de recuperação começam muito antes da formalização perante a Justiça. “Empresas não entram em crise no dia em que protocolam um pedido de recuperação. A crise começa antes, quando a deterioração do caixa começa a pressionar a estrutura financeira e decisões difíceis acabam sendo adiadas”, afirma.

    Segundo ele, a recuperação extrajudicial costuma indicar que ainda existe capacidade de coordenação entre a empresa e seus principais credores. “Quando a empresa consegue organizar informações confiáveis, segmentar o passivo e construir diálogo com credores estratégicos, ainda existe espaço para uma solução negociada. A recuperação extrajudicial não significa ausência de crise, mas demonstra que ainda há capacidade de articulação antes de uma ruptura mais ampla”, explica.

    No caso da Raízen, o plano concentrou-se nas dívidas financeiras e preservou as operações da companhia, sem atingir fornecedores, clientes, parceiros comerciais ou empregados. “Quando a companhia delimita a reorganização apenas à estrutura de capital, tenta evitar que a crise financeira contamine a operação. Ainda assim, o recurso a um mecanismo formal de reorganização indica pressão relevante sobre alavancagem, custo da dívida e geração de caixa”, avalia Benito Pedro.

    Recuperação judicial ou extrajudicial: quais as diferenças

    Embora compartilhem o objetivo de preservar a atividade empresarial e reorganizar passivos, recuperação judicial e recuperação extrajudicial guardam diferenças importantes. Na recuperação judicial, a empresa solicita proteção ao Judiciário, obtém suspensão temporária das execuções e penhoras (stay period), recebe a nomeação de um administrador judicial e submete o plano à aprovação em assembleia de credores, processo que pode incluir créditos trabalhistas.

    Já na recuperação extrajudicial, a empresa conduz as negociações diretamente com os credores antes da homologação judicial, com menor intervenção do Judiciário e foco, na maior parte dos casos, em dívidas financeiras específicas. A escolha entre os dois modelos depende do estágio da crise, do perfil do endividamento e da capacidade de negociação da empresa.

    A reestruturação começa antes de chegar à Justiça

    Para os especialistas, casos como o da Raízen mostram que o sucesso de uma reestruturação depende menos do instrumento jurídico escolhido e mais da capacidade da empresa de reconhecer precocemente suas dificuldades financeiras, organizar informações confiáveis e negociar com seus credores.

    “A recuperação empresarial não deve ser encarada apenas como um mecanismo legal para empresas em crise. Mas como parte de uma estratégia de gestão voltada à preservação da atividade econômica. Em um cenário de juros elevados, crédito restrito e custos financeiros crescentes, a rapidez na tomada de decisões e a qualidade da governança podem definir se a empresa conseguirá reorganizar seu passivo por meio de uma negociação estruturada ou precisará recorrer a mecanismos mais complexos de reestruturação”, conclui Denis Barroso.

  • Como a Raízen planeja reorganizar R$ 65 bilhões em dívidas sem declarar falência

    Como a Raízen planeja reorganizar R$ 65 bilhões em dívidas sem declarar falência

    A Raízen, uma das maiores empresas de energia do Brasil, protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. A empresa apresentou o plano depois de obter apoio inicial de credores que representam mais de 40% do passivo, percentual exigido pela legislação para formalizar esse tipo de processo.

    O movimento acontece em um momento de pressão crescente sobre o endividamento corporativo no país. Dados da Serasa Experian mostram que os pedidos de recuperação judicial cresceram mais de 26% no primeiro semestre de 2025, reflexo dos juros elevados, da restrição de crédito e da deterioração do fluxo de caixa em diferentes setores.

    Empresa tem caixa, mas age antes que o problema escape do controle

    A Raízen ainda mantém cerca de R$ 17 bilhões em caixa. O pedido, portanto, não indica incapacidade imediata de pagamento. Mas uma tentativa de reorganizar a estrutura financeira antes que a pressão da dívida comprometa as operações.

    Para Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial, essa postura é estratégica. “Quando uma empresa desse porte busca reorganizar o passivo antes de perder o controle da situação, ela adota uma postura estratégica de gestão de crise. O objetivo da recuperação extrajudicial é preservar a operação e renegociar dívidas de forma estruturada”, afirma.

    O plano prevê um período de negociação com os credores antes da homologação, etapa comum em processos extrajudiciais que permite discutir condições de pagamento, prazos e eventuais ajustes enquanto a empresa conduz a reestruturação.

    Metade da dívida está com bancos; outra parte envolve mercado de capitais

    A estrutura do passivo explica a complexidade da negociação. Aproximadamente metade das dívidas da Raízen está concentrada em bancos e instituições financeiras. A outra parcela envolve investidores institucionais e detentores de títulos emitidos no mercado de capitais.

    Entre as medidas previstas está a conversão de parte da dívida em participação acionária, cerca de 40% do passivo pode se transformar em capital da empresa. A estratégia reduz o endividamento e fortalece o balanço financeiro. Com a operação concluída, a expectativa é que a alavancagem caia para cerca de três vezes o Ebitda.

    “A conversão de dívida em capital permite reduzir a pressão financeira sem interromper a atividade da empresa. Os credores passam a participar do resultado futuro e o negócio ganha tempo para se reorganizar”, explica Pelozato.

    Recuperação extrajudicial não é falência

    Apesar dos valores expressivos, o pedido não significa falência nem paralisação das operações. A recuperação extrajudicial é um instrumento previsto na legislação brasileira para renegociar dívidas diretamente com credores, sem acionar um processo judicial mais amplo.

    “Existe um estigma muito grande no Brasil em relação à recuperação. Muitos associam automaticamente à falência, mas são situações completamente diferentes. A recuperação é um mecanismo criado justamente para preservar empresas viáveis e proteger empregos”, diz o especialista.

    O que muda para o consumidor e para o mercado

    Para o mercado, o pedido da Raízen reforça a percepção de que empresas intensivas em capital e altamente alavancadas seguem vulneráveis ao ambiente de crédito restritivo. Nos últimos anos, o custo do crédito elevou significativamente o peso das dívidas corporativas. Especialmente em companhias com ciclos longos de investimento.

    Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial. Foto: Divulgação

    Para o consumidor final, o impacto tende a ser limitado. Como a recuperação extrajudicial preserva as operações, a produção e o fornecimento de energia e combustíveis continuam normalmente.

    “O objetivo da recuperação é justamente evitar uma ruptura na cadeia produtiva. Quando a reestruturação ocorre de forma bem conduzida, ela protege fornecedores, clientes e trabalhadores”, afirma Pelozato.

    Como evitar chegar a esse ponto

    Na avaliação do especialista, crises desse tipo raramente surgem de forma repentina. São resultado de deterioração gradual de indicadores, acúmulo de passivos e ausência de medidas preventivas.

    Monitorar o nível de endividamento, renegociar passivos com antecedência e manter um planejamento financeiro estruturado estão entre as principais estratégias para evitar uma reestruturação de emergência.

    “A pior decisão em uma crise é esperar o problema crescer. Empresas que monitoram indicadores, renegociam dívidas com antecedência e mantêm disciplina financeira conseguem atravessar períodos turbulentos sem precisar recorrer a medidas mais drásticas”, conclui Pelozato.

    Para ele, a gestão preventiva se tornou uma necessidade,não apenas uma boa prática. “Reestruturação não deve ser vista só como resposta a uma crise, mas como parte da estratégia de gestão financeira de longo prazo das empresas.”

  • Com dívida de R$ 65 bi, Raízen aciona recuperação extrajudicial e busca apoio

    Com dívida de R$ 65 bi, Raízen aciona recuperação extrajudicial e busca apoio

    A Raízen (RAIZ4) protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo para reestruturar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. A joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell construiu o plano em acordo com seus principais credores quirografários (aqueles sem garantia real) e já obteve adesão expressa de detentores de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual mínimo exigido para protocolar o pedido.

    O processo tem escopo estritamente financeiro. Dívidas com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais ficam fora do plano e continuarão sendo honradas normalmente, conforme os contratos vigentes.

    O que o plano prevê

    Segundo a companhia, o plano de reestruturação pode incluir injeção de capital pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em participação acionária, alongamento de prazos de pagamento, mudanças na estrutura societária e venda de ativos.

    A Raízen terá 90 dias, a partir do processamento da recuperação extrajudicial, para atingir o percentual mínimo necessário à homologação do plano. Uma vez homologado, o acordo passa a vincular 100% dos créditos sujeitos às novas condições de pagamento. Inclusive aqueles cujos detentores não aderiram voluntariamente.

    Shell e família Ometto entram com R$ 4 bilhões

    Parte central do processo é a capitalização de R$ 4 bilhões liderada pela Shell. O plano prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões da petroleira britânica e mais R$ 500 milhões de um veículo de investimento ligado à família do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan. O capital reforçaria o caixa da empresa enquanto ela renegocia as dívidas com os credores.

    Foto: Divulgação Raízen

    A Cosan, por sua vez, não deve participar diretamente da capitalização, embora acompanhe as negociações na condição de acionista. “Nós como acionistas e conselheiros temos acompanhado esta evolução e acreditamos que nos próximos dias a gente deva ter novos desdobramentos desse plano”, afirmou o CEO da holding, Marcelo Martins, em teleconferência com analistas.

    Como a Raízen chegou até aqui

    A situação financeira da Raízen se deteriorou ao longo dos últimos anos sob o peso de investimentos elevados em expansão, instabilidade climática nas safras de cana-de-açúcar e juros altos no Brasil. Fatores que corroeram o caixa da maior produtora de etanol de segunda geração do mundo. A dívida líquida da empresa alcançou R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro de 2024, segundo dados divulgados anteriormente pela companhia.

    Nos dias que antecederam o anúncio, a Cosan já sinalizava ao mercado que uma solução estava próxima. O CEO Marcelo Martins descreveu as conversas com credores e acionistas como “bastante avançadas”. “Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, disse o executivo.

    Foto: Divulgação – Raízen

    Em fevereiro, a própria Raízen já havia comunicado ao mercado que avaliava a recuperação extrajudicial como caminho para reorganizar o endividamento.

    O que é recuperação extrajudicial?

    Diferente da recuperação judicial, processo mais amplo que envolve o Judiciário desde o início. E suspende execuções, a recuperação extrajudicial permite que empresas negociem diretamente com credores e levem o acordo ao juiz apenas para homologação. O mecanismo, previsto na Lei 11.101/2005, é mais célere e preserva melhor a imagem da companhia perante o mercado, segundo especialistas em direito empresarial.

    A Raízen é uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, com operações em açúcar, etanol, incluindo etanol de segunda geração a partir do bagaço de cana, e distribuição de combustíveis. A companhia opera mais de 35 usinas no Brasil e está presente em mais de 6.000 postos de combustíveis sob as bandeiras Shell e Raízen.

  • Família Yamada conquista recuperação extrajudicial

    Família Yamada conquista recuperação extrajudicial

    O juiz Davi Vilas Verdes Guedes Neto homologou a recuperação extrajudicial da Família Yamada, grupo de cinco produtores rurais que cultiva 4 mil hectares em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. A decisão da 1ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo Cíveis e Comerciais permite que a família quite R$ 75,6 milhões de um total de R$ 131,5 milhões em dívidas.

    O escritório Celso Cândido de Souza Advogados conduziu as negociações com os credores e apresentou o plano de recuperação extrajudicial ao juiz. Segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial, o Brasil registrou apenas 57 processos dessa modalidade até dezembro, contra 1.921 recuperações judiciais até novembro.

    Modalidade rara exige consenso entre credores

    A recuperação extrajudicial acontece fora do ambiente jurídico e depende da concordância dos credores, que têm liberdade para recusar propostas. O juiz homologa o acordo somente depois que os produtores apresentam o plano aprovado pela maioria dos envolvidos.

    “É o mesmo que ocorre quando as partes fazem um acordo em uma audiência de conciliação, desafogando o judiciário e dando mais celeridade à resolução da questão”, explica Fabrício Cândido Gomes de Souza, CEO do escritório responsável pelo caso. “Mas essa modalidade não é utilizada com frequência porque é muito difícil fazer os credores chegarem no denominador comum.”

    O advogado Fabrício Cândido Gomes de Souza. Foto: Arquivo pessoal.

    A Família Yamada obteve a adesão de 55,41% dos credores, que representam 57,46% do total das dívidas. O plano seguiu a via impositiva, que exige aprovação de mais da metade dos credores e de mais da metade do valor total devido.

    Trajetória de 40 anos no Matopiba

    Os Yamadas saíram do Paraná na década de 1980 e apostaram no potencial agrícola do Matopiba, região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A família levou tecnologias de correção de solo para terras ainda improdutivas e contribuiu para transformar a região em importante polo produtor de soja, milho, sorgo e feijão.

    Nos últimos anos, os produtores enfrentaram problemas conjunturais agravados pela variação cambial, alta de insumos e mudanças climáticas. Em 2019, os advogados da família solicitaram recuperação judicial, mas o processo não avançou. A assessoria jurídica identificou então a possibilidade de seguir pela via extrajudicial.

    Diferença entre as modalidades

    A recuperação extrajudicial oferece duas vias: a voluntária, quando o devedor negocia com alguns credores específicos, e a impositiva, que exige aprovação de mais da metade dos credores e mais da metade do valor da dívida. Somente na segunda modalidade o acordo se estende a todos os envolvidos.

    Com a homologação judicial, a Família Yamada ganha fôlego para reorganizar as finanças e manter a operação agrícola na região oeste da Bahia.

  • Lavoro firma acordo de recuperação extrajudicial de R$ 2,5 bilhões

    Lavoro firma acordo de recuperação extrajudicial de R$ 2,5 bilhões

    A Lavoro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do Brasil, protocolou na Justiça de São Paulo um acordo de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 2,5 bilhões em dívidas comerciais com fornecedores estratégicos. Isso inclui os gigantes do setor como BASF, FMC Agrícola e UPL Brasil. O plano ocorre após meses de negociações entre várias partes. E tem como objetivo garantir o fornecimento de insumos para as próximas safras, em meio a um cenário de inadimplência crescente no agronegócio nacional.

    O acordo de recuperação extrajudicial esta previsto na Lei nº 11.101/2005. E permite que a empresa renegocie condições de pagamento diretamente com parte dos credores, com posterior homologação judicial. No caso da Lavoro, os credores participantes receberão 100% do valor devido em cinco parcelas semestrais, de outubro de 2025 a setembro de 2027. A medida abrange apenas a operação de varejo agrícola no Brasil e a subsidiária Perterra, deixando de fora outras unidades da companhia e credores financeiros.

    A Lavoro ainda negocia separadamente cerca de R$ 1 bilhão em dívidas financeiras, incluindo R$ 420 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), além de débitos com bancos como Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Citi. A empresa também busca obter waiver dos detentores dos CRAs para evitar inadimplência nesses títulos.

    Impactos e contexto do agronegócio

    A reestruturação ocorre em um momento de forte pressão financeira no setor agropecuário brasileiro. O agronegócio enfrenta alta inadimplência, queda nos preços das commodities e restrição de crédito, fatores que levaram a um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial em 2024 e 2025. Empresas concorrentes, como Agrogalaxy e Portal Agro, também recorreram à recuperação judicial recentemente.

    A Lavoro, apoiada pelo Pátria Investimentos, já adotou medidas de ajuste operacional, reduzindo 30% de suas lojas e sinalizando possíveis novos cortes para alinhar tamanho e eficiência ao plano de reestruturação. No segundo trimestre fiscal de 2025, a receita da companhia caiu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactada pela escassez de estoque e cancelamento de reservas, o que também afetou a receita de defensivos agrícolas. O lucro bruto consolidado recuou 28% na mesma base de comparação.

    Segundo o CEO Ruy Cunha, a recuperação extrajudicial foi escolhida por ser o instrumento que traz mais segurança para todas as partes envolvidas. Além de garantir a continuidade das operações e mitigar os efeitos da escassez de produtos no mercado. A expectativa é que o acordo permita à Lavoro atravessar o período de turbulência financeira, mantendo o abastecimento do setor. E assim, evitar impactos mais severos na cadeia produtiva do agronegócio.

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  • Unigel conclui processo de recuperação extrajudicial

    Unigel conclui processo de recuperação extrajudicial

    A Unigel anunciou a conclusão do seu processo de recuperação extrajudicial nesta quinta-feira, 30 de janeiro de 2025. A empresa iniciou o processo em fevereiro de 2024 e o finalizou após atender a todas as condições acordadas, o que resultou no encerramento da reestruturação financeira e na melhoria do capital da companhia.

    Com o fechamento da operação, a Unigel garantiu uma nova linha de crédito no valor aproximado de R$ 600 milhões, dos quais 30% serão destinados à finalização da construção da planta de ácido sulfúrico, que está em fase final. Além disso, a empresa conseguiu reduzir sua dívida financeira em mais de 50%.

    Mudanças na governança

    A Unigel inicia uma nova fase marcada pela implementação de uma estrutura de governança renovada e multicultural. O Conselho de Administração, eleito em assembleia extraordinária, agora conta com sete membros. Três representantes da família fundadora, três representantes dos credores e um membro independente. A transição também inclui a nomeação de Dario Gaeta como novo CEO, substituindo Roberto Noronha Santos, que agora faz parte do Conselho.

    Com essas mudanças, a Unigel se posiciona para iniciar 2025 como uma empresa revitalizada, pronta para continuar seu plano estratégico focado na cadeia de estireno e no projeto de ácido sulfúrico. A companhia também se dedica ao fornecimento de produtos para o setor agrícola, contribuindo para a eficiência e sustentabilidade das práticas agropecuárias. Apesar do ambiente desafiador do mercado, a Unigel mantém seu compromisso com a excelência e o legado na indústria química brasileira.

    Fundada em 1966, a Unigel se destaca no Brasil e na América Latina como uma das principais empresas químicas. Com operações nos estados da Bahia, Sergipe e São Paulo, a empresa fornece insumos essenciais para diversos setores. Isso incluí eletrodomésticos, automotivo, tintas e revestimentos, construção civil, papel e celulose, embalagens, saúde e beleza, além de produtos voltados para a agricultura.

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