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  • Fábrica de ração própria: como um projeto bem dimensionado reduz custos e aumenta a produtividade na pecuária

    Fábrica de ração própria: como um projeto bem dimensionado reduz custos e aumenta a produtividade na pecuária

    Na criação de animais, grande parte das perdas operacionais não está na qualidade do manejo. Está na estrutura adotada. Em especial, a fábrica de ração é um dos pontos mais críticos dessa equação. Quando mal projetada, ela compromete a eficiência de toda a atividade e eleva o custo por tonelada produzida, muitas vezes sem que o produtor perceba.

    Por isso, conceber uma fábrica de ração como sistema integrado é o que diferencia uma operação eficiente de uma operação onerosa. Não basta somar equipamentos.

    Fábrica de ração própria: engenharia a serviço da produtividade

    Produzir a própria ração é uma decisão estratégica. No entanto, essa vantagem só se concretiza quando a planta é sustentada tecnicamente. Uma fábrica bem estruturada precisa contemplar taxa de moagem compatível com o volume diário, granulometria adequada à espécie e fase produtiva e sistema de dosagem preciso em macro e microingredientes. Além disso, o tempo de mistura deve ser suficiente para baixo coeficiente de variação, com fluxo contínuo entre moagem, mistura e expedição.

    Juntos, esses fatores garantem homogeneidade elevada. O impacto é direto na conversão alimentar, no ganho médio diário e na uniformidade de lote. Também é importante considerar picos sazonais e projeção de expansão. Fábricas que operam no limite reduzem a vida útil dos equipamentos e aumentam a manutenção corretiva.

    Por que investir em um projeto personalizado?

    Na produção pecuária intensiva, a ração é o maior centro de custo. Dessa forma, pequenas ineficiências estruturais viram perdas recorrentes ao longo dos ciclos. Plantas genéricas tendem a gerar moagem incompatível com a demanda real e mistura com variação acima do ideal. Além disso, criam fluxo operacional com retrabalho e operação constante no limite da capacidade.

    Em contrapartida, uma planta eficiente considera regime produtivo, estratégia nutricional, giro de matéria-prima e projeção de crescimento. O dimensionamento correto de silos, transportadores e sistemas de dosagem garante estabilidade operacional. Como resultado, reduz-se o consumo energético, o desgaste de equipamentos e a variação de formulação.

    Fábricas compactas: eficiência sem grandes estruturas

    O conceito de fábrica compacta ganhou espaço na pecuária brasileira. O modelo integra verticalmente os processos em estrutura otimizada, racionalizando espaço e reduzindo perdas. Com isso, os produtores alcançam eficiência de fluxo e melhor controle operacional, sem grandes complexos estruturais.

    Além disso, o mesmo cuidado se aplica aos sistemas de confinamento. Pequenas variações na oferta de ração geram impacto direto no desempenho do lote. Nesse contexto, sistemas automatizados permitem controle exato por lote, registro de consumo diário e ajustes nutricionais com base em desempenho real. O erro humano também diminui.

    Quando tudo é bem dimensionado, a operação gera dados confiáveis para decisões estratégicas. O resultado é menos inconsistência nutricional, mais previsibilidade zootécnica e uma fábrica de ração que funciona como centro de controle da margem operacional.

  • Certificação de ração animal para exportação fica mais rápida no Brasil

    Certificação de ração animal para exportação fica mais rápida no Brasil

    O prazo para emissão do certificado sanitário de exportação de ração animal caiu de 15 para 5 dias no Brasil. Ou seja, a redução resulta de medidas de desburocratização adotadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), garantindo economia de tempo e redução de custos para exportadores.

    A implementação do Portal Único do Comércio Exterior acelerou o processo, com participação do MDIC, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Receita Federal. O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou a agilidade conquistada. “O que levava 15 dias, agora é feito em cinco, mantendo todas as garantias sanitárias. Estamos reduzindo prazos e facilitando a vida do setor produtivo”, afirmou.

    Entenda o processo

    Antes das mudanças, o procedimento exigia etapas burocráticas, como abertura de processo no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e envio manual de documentos. Porém, agora, a solicitação e emissão ocorrem de forma automatizada no Portal Único, sem necessidade de anexar PDFs. A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, ressaltou que a documentação fica centralizada e integrada, garantindo segurança e eficiência ao processo.

    Além disso, o certificado sanitário internacional assegura que os alimentos atendem aos padrões exigidos pelos países importadores. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou os impactos positivos da mudança. “Essa eficiência gera novas oportunidades, dinamiza a comercialização, estimula investimentos e cria empregos”, disse.

    Exportação de ração

    Em 2024, as exportações brasileiras de ração para pets cresceram 14% em relação a 2023. Em geral, os principais destinos são Colômbia, Uruguai e Chile. Já a Indonésia lidera a compra de ração para pecuária de corte, especialmente para frangos de abate.

    O Brasil ocupa a terceira posição na produção mundial de ração animal. Em 2024, a fabricação nacional cresceu 3% em comparação ao ano anterior, alcançando um recorde de 85 milhões de toneladas.

    Portal Único

    Criado para reduzir burocracia e custos no comércio exterior, o Portal Único substitui gradualmente o antigo Siscomex. Desde 2014, o governo federal implementa o sistema de forma modular. Atualmente, 100% das exportações utilizam a nova plataforma, que será totalmente integrada às importações até o fim do ano. Portanto, a expectativa é que as mudanças gerem uma economia anual superior a R$ 40 bilhões para os operadores privados.

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  • Ovo atinge preço mais alto em 22 meses no Brasil

    Ovo atinge preço mais alto em 22 meses no Brasil

    O preço do ovo no Brasil alcançou o patamar mais elevado em 22 meses, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Em fevereiro de 2025, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos chegou a R$ 227, um aumento de 61% no mesmo período . O cenário combina fatores climáticos, custos de produção e demanda sazonal, criando um desafio para consumidores e produtores.

    As ondas de calor recordes no verão brasileiro afetaram diretamente a produtividade das galinhas. Com temperaturas acima de 40°C em algumas regiões, as aves sofrem estresse térmico, desviando energia para regular a temperatura corporal e reduzindo a postura em 5% a 10%. Para mitigar o problema, granjas investiram em climatização, mantendo os galpões a 10°C, mas o custo adicional pressionou ainda mais os preços.

    Milho e soja: ração mais cara eleva custo

    A ração, composta principalmente por milho (60%) e soja (30%), registrou aumentos significativos. A saca de milho de 60 kg subiu 32% desde setembro de 2024, alcançando R$ 79 em fevereiro. Somam-se a isso os custos de embalagens, que dispararam mais de 100% em oito meses, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) 68. “O repasse aos preços finais tornou-se inevitável”, destacou o Instituto Ovos Brasil.

    A proximidade da Quaresma (5 de março a 17 de abril) tradicionalmente impulsiona o consumo de ovos, já que muitos católicos substituem carnes vermelhas por proteínas brancas. Além disso, o retorno das aulas aumentou a demanda por merendas escolares, enquanto a alta nos preços da carne bovina levou consumidores a optarem pelo ovo como alternativa.

    Exportações e produção interna: impacto limitado, mas em alerta

    Embora as exportações de ovos brasileiros para os EUA tenham crescido 22,1% em janeiro (220 toneladas), elas representam menos de 1% da produção nacional. A ABPA ressalta que o mercado interno ainda é prioritário, com expectativa de produzir 59 bilhões de unidades em 2025. No entanto, especialistas alertam que um aumento contínuo nas vendas externas poderá tensionar a oferta doméstica. Ainda mais com a  crise do preço dos ovos que ocorre nos Estados Unidos.

    Perspectivas: quando o preço deve cair?

    A ABPA projeta normalização dos preços a partir de meados de abril, após o fim da Quaresma, com o reequilíbrio entre oferta e demanda. Para 2025, estima-se aumento de 3,4% na produção, o que pode estabilizar os valores. Além disso, a expectativa de maior oferta de milho e soja no mercado interno deve aliviar os custos de ração.

    Impacto no bolso do consumidor

    • Consumo per capita: Em 2025, o brasileiro deve consumir 272 ovos/ano, ante 242 em 2023.
    • Peso dos ovos: Nova regulamentação reduziu o peso médio em 10 gramas por unidade, afetando o custo-benefício.

    Enquanto isso, supermercados relatam alta de até 40% nos preços atacadistas, com cartelas sendo vendidas a R$ 30 em algumas regiões. Para especialistas, o cenário reforça a importância de políticas que equilibrem custos de produção e acesso a alimentos essenciais.

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  • Farelo de mamona pode revolucionar alimentação de bovinos

    Farelo de mamona pode revolucionar alimentação de bovinos

    Um estudo inovador da Embrapa está avaliando o farelo de mamona destoxificado como uma alternativa ao farelo de soja na alimentação de bovinos de corte. A pesquisa, realizada na Embrapa Pecuária Sul em Bagé, Rio Grande do Sul, em colaboração com a Embrapa Algodão e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), investiga não apenas o consumo e a digestibilidade do farelo, mas também seu potencial para reduzir as emissões de metano entérico, um gás que contribui para o aquecimento global.

    A mamona, planta cuja extração de óleo gera o farelo como subproduto, contém ricina, uma substância tóxica. No entanto, após um processo de destoxificação industrial, o farelo se torna uma fonte nutritiva para ruminantes, apresentando até 45% de proteína bruta — cerca de 10% a mais do que o farelo de soja — e com custos mais baixos. Segundo Bruna Machado, zootecnista responsável pelo estudo e doutoranda na UFSM, a pesquisa busca estabelecer condições seguras para a introdução do farelo no mercado pecuário brasileiro. “Esperamos que o farelo de mamona possa ser utilizado tanto em pastagens quanto em confinamento”, afirmou.

    Sem efeitos adversos

    Os testes prévios com pequenos ruminantes mostraram que o farelo destoxificado não causa efeitos adversos na alimentação desses animais. Contudo, ele continua impróprio para monogástricos como aves e suínos. Liv Severino, pesquisador da Embrapa Algodão, destacou que a pesquisa marca um avanço significativo no uso do farelo de mamona na alimentação animal. Uma vez que países como Índia e China, grandes produtores da planta, ainda não conseguiram implementar essa prática.

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    O projeto de doutorado de Bruna Machado é intitulado “Uso seguro do farelo de mamona como alimento para animais ruminantes e para a redução das emissões de metano entérico”. A metodologia envolve 20 fêmeas da raça Brangus, divididas em quatro grupos. E cada grupo recebeu diferentes níveis de inclusão do farelo em substituição ao farelo de soja. Os tratamentos variam entre 10%, 20% e 30% de inclusão.

    Redução das emissões de metano

    Além dos benefícios nutricionais, a pesquisa também visa avaliar como o uso do farelo pode contribuir para a redução das emissões de metano pelos bovinos. A zootecnista Bruna enfatizou que “a formulação de dietas mais eficientes é essencial para que o Brasil cumpra seus compromissos internacionais na redução das emissões desse gás”.

    Com essa iniciativa, a Embrapa busca não apenas melhorar a eficiência da pecuária brasileira, mas também contribuir para práticas mais sustentáveis no setor agropecuário.

  • Exportações por outros estados pelo Porto de Paranaguá crescem 70%

    Exportações por outros estados pelo Porto de Paranaguá crescem 70%

    O volume de exportações por outros estados via Porto de Paranaguá subiu 70% entre 2019 e 2024. Nesse período, o total transportado passou de 6,6 milhões para 11,3 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).

    Porto de Paranaguá

    Reconhecido pela agilidade nas operações, o Porto de Paranaguá tornou-se um importante canal para o escoamento de cargas de diversos estados. Além disso, o crescimento reflete a eficiência logística e a integração do porto com outros modais, como as redes viária e ferroviária paranaenses.

    Além do aumento no volume, houve um salto significativo nos valores movimentados. Em 2019, as exportações de outros estados somaram US$ 3,2 bilhões. Em resumo, em 2024, o montante alcançou US$ 7,9 bilhões, um crescimento de 143%. Além disso, o número de estados que utilizam o porto também aumentou, de 20 para 26.

    O diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, destacou os investimentos feitos no porto nos últimos anos. “O Porto de Paranaguá facilita tanto as exportações paranaenses quanto as de outros estados”, afirmou. Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, ressaltou que os números demonstram a confiança do setor produtivo na infraestrutura paranaense.

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    Estados

    Entre os estados que mais utilizaram o porto, Mato Grosso do Sul lidera, com 5,1 milhões de toneladas exportadas em 2024, um crescimento de 105% em relação a 2019. São Paulo aparece em segundo, com 2,5 milhões de toneladas, alta de 175%.

    Os principais produtos exportados pelos outros estados foram grãos (4,4 milhões de toneladas), açúcares (2,6 milhões), alimentos para animais (1,7 milhão) e carnes (791 mil toneladas).

    Portanto, com esses resultados, o Porto de Paranaguá se consolida como um dos principais hubs logísticos do Brasil, ampliando sua competitividade mesmo em um cenário de crescente concorrência entre os portos brasileiros.