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    Querosene de aviação sobe 55%: o que a guerra no Irã tem a ver com o preço da sua passagem

    O conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã está deixando de ser apenas uma crise geopolítica distante. Gradualmente, ele se transforma em um problema concreto para quem precisa viajar, transportar carga ou produzir no Brasil. O barril de petróleo atingiu US$ 116 nesta semana. Isso representa uma alta de 50% desde o início das hostilidades. Diante disso, analistas de Wall Street já discutem a possibilidade de o preço chegar a US$ 200 caso a guerra se prolongue.

    A consequência mais imediata para os brasileiros é sentida pelo ar. A partir desta quarta-feira, 1º de abril, o querosene de aviação passou a custar 55% mais caro.

    O que travou o mercado global de petróleo

    O principal gatilho para a disparada foi o fechamento parcial do Estreito de Ormuz. Essa rota estratégica escoa grande parte do petróleo exportado do Golfo Pérsico. Com o bloqueio, o barril ultrapassou a marca de US$ 100 e, em seguida, continuou subindo.

    Somam-se a isso os ataques houthis contra Israel, a escalada militar americana contra o Irã e o impasse diplomático entre Washington e Teerã. Juntos, esses fatores criaram um ambiente de incerteza intensa. Historicamente, mercados de commodities reagem mal a esse tipo de combinação. Por isso, os preços dispararam. Caso o bloqueio do estreito se prolongue, analistas alertam que o fluxo global de petróleo pode cair de forma drástica. Nesse cenário, indústrias, transportes e a produção agrícola dependente de diesel e insumos do petróleo sentirão o impacto diretamente.

    55% mais caro: o que muda para quem voa

    A Petrobras reajustou o querosene de aviação em 55% a partir de 1º de abril. A medida é consequência direta da alta internacional do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Atualmente, esse combustível responde por até 36% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.

    A Vibra Energia, distribuidora de QAV nos aeroportos do país, já confirmou o repasse do reajuste. Além dela, a Air BP e a Raízen também sinalizaram ajustes. No entanto, nenhuma das duas divulgou percentuais, devido à volatilidade diária dos preços.

    Para o consumidor final, a matemática é direta. Segundo executivos da holding Abra, que reúne Gol e Avianca, cada aumento de US$ 1 por galão no combustível exige um repasse de cerca de 10% nas tarifas para preservar a rentabilidade. Na prática, a Azul já elevou suas tarifas em mais de 20% em apenas três semanas. Além disso, a empresa reduziu capacidade operacional para conter custos.

    Os dados oficiais confirmam essa tendência. Segundo o IBGE, as passagens aéreas subiram 5,94% na primeira quinzena de março. Entre todos os itens medidos, esse foi o de maior impacto individual na inflação do período.

    O impacto no agronegócio

    Para o setor agropecuário, a crise do petróleo vai além do preço da passagem. O frete aéreo de produtos de alto valor também sofre pressão direta. Flores, frutas frescas e carnes exportadas estão entre os itens mais vulneráveis. Além disso, o aumento do petróleo empurra para cima o diesel, o gás e os fertilizantes nitrogenados. Todos esses insumos dependem, direta ou indiretamente, da cadeia do petróleo.

    Com o barril em patamares historicamente elevados, produtores que usam aviação para escoar produção perecível ou acessar regiões remotas precisam monitorar seus custos operacionais de perto. Por enquanto, o cenário aponta para meses de pressão sobre margens. Para quem não tem contratos de frete fixados, o risco é ainda maior.

    O que vem pela frente

    O presidente Donald Trump afirma que um acordo com o Irã pode estar próximo. Contudo, suas ações práticas apontam na direção oposta. Washington avalia operações militares de alto risco na região, incluindo ações que poderiam atingir diretamente a infraestrutura energética iraniana.

    Nesse contexto, o mercado aguarda com apreensão. Quando o querosene sobe de forma expressiva, as companhias aéreas dificilmente conseguem absorver o impacto sozinhas. Por isso, o repasse ao consumidor tende a ser inevitável. Assim sendo, quem planeja viajar nos próximos meses deve considerar antecipar a compra de passagens antes que novos reajustes cheguem.

    Para o agronegócio, a lição é mais ampla. Conflitos a milhares de quilômetros do Brasil conseguem afetar desde o custo do frete aéreo até o preço do fertilizante. Por isso, em um setor cada vez mais integrado ao mercado global, monitorar a geopolítica já faz parte da boa gestão rural.