Tag: Pseudomonas aeruginosa

  • Anvisa proíbe energéticos e recolhe lotes de água contaminados

    Anvisa proíbe energéticos e recolhe lotes de água contaminados

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu, nesta quinta-feira (16/7), a venda de dois lotes da Água Mineral Mamba Water e de todos os energéticos da marca Mister Hemp. As determinações foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) e proíbem a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos em todo o país.

    Agua Mineral Mamba Water

    A empresa HNK BR Indústria de Bebidas Ltda. (CNPJ: 50.221.019/0001-36), responsável pela marca Mamba Water, comunicou à Anvisa o recolhimento voluntário dos lotes 13 e 14 da Água Mineral sem Gás Mamba Water 350 ml. Testes de controle de qualidade, realizados pela própria fabricante, identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa no produto.

    A parceira industrial Bebidas Poty S.A. produziu os lotes afetados em 3 e 4 de abril de 2026, com validade até 3 e 4 de abril de 2027, respectivamente. Segundo a Mamba Water, a empresa bloqueou preventivamente cerca de 82% do volume desses lotes antes mesmo da publicação da medida. E não há registro de consumidores afetados até o momento.

    A legislação sanitária brasileira determina que a água mineral destinada ao consumo humano esteja livre da presença de Pseudomonas aeruginosa. A bactéria é um microrganismo oportunista, encontrado naturalmente em ambientes como água e solo. E pode causar gastroenterite, com sintomas como diarreia, náusea, vômito e dor abdominal, além de infecções mais graves em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

    Terceiro episódio da mesma bactéria em poucos meses

    Este é o terceiro caso envolvendo a Pseudomonas aeruginosa identificado em produtos brasileiros desde abril. O primeiro ocorreu com mais de 100 lotes de produtos de limpeza da marca Ypê, que motivou o recolhimento de detergentes, sabão líquido e desinfetantes e levou à suspensão da produção na fábrica da Química Amparo, no interior de São Paulo. O segundo episódio, em junho, envolveu um lote da água mineral Crystal, também recolhido pela Anvisa.

    O que fazer com os produtos recolhidos

    A Anvisa orienta quem possui unidades dos lotes 13 e 14 da Mamba Water a interromper imediatamente o consumo. Inclusive para preparo de alimentos ou bebidas, e a verificar o número do lote impresso na embalagem antes de qualquer uso. Os demais lotes da marca não foram incluídos na medida e seguem à venda normalmente.

    Para solicitar troca ou reembolso, a fabricante disponibiliza atendimento. Ou pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone 0800 888 1090, de segunda a sábado, das 9h às 21h.

    Anvisa suspende toda a linha de energéticos Mister Hemp

    Uma segunda resolução publicada no mesmo dia determina o recolhimento e suspende a venda, a fabricação, a distribuição, a divulgação e o uso de todos os energéticos da marca Mister Hemp, fabricados pela G. Freitas Alimentos (CNPJ: 20.945.688/0001-90).

    Mr. Hemp

    A Anvisa constatou que as empresas comercializaram os produtos sem realizar estudos de estabilidade capazes de comprovar a manutenção das características de segurança, composição e qualidade até o fim do prazo de validade informado nos rótulos. A agência também apontou que o fabricante não comprovou a regularização da linha junto ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), condição obrigatória para a fabricação e a venda de bebidas energéticas no país.

    Diferentemente do caso da Mamba Water, a suspensão dos energéticos Mister Hemp abrange a totalidade da linha, sem distinção entre lotes.

  • Casca de romã revela potencial para combater infecções de pele

    Casca de romã revela potencial para combater infecções de pele

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovaram a eficácia de extratos da casca de romã para combater bactérias que causam infecções em feridas cutâneas. O material demonstrou forte ação antimicrobiana, inclusive contra a Pseudomonas aeruginosa, um patógeno conhecido por sua alta resistência a tratamentos convencionais.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    O estudo, coordenado pelo pesquisador Mauricio Ariel Rostagno e liderado pela engenheira de alimentos Thaís Carvalho Brito Oliveira, contou com apoio da FAPESP. A equipe testou inicialmente extratos de 11 resíduos da indústria alimentar. A casca de romã se destacou por apresentar a maior atividade antimicrobiana e o maior teor de compostos fenólicos, potentes antioxidantes.

    Simulação computacional

    Para maximizar o potencial do resíduo, os cientistas empregaram uma ferramenta de simulação computacional. O objetivo era identificar solventes “verdes” (ecologicamente corretos) mais eficientes para extrair o ácido elágico, principal composto antimicrobiano da casca. Após selecionar solventes como acetona e álcool isopropílico diluídos em água, a equipe realizou uma validação laboratorial.

    “Produzimos novos extratos com esses solventes otimizados e testamos novamente sua atividade antimicrobiana em laboratório para confirmar o aumento da eficácia”, explica Thaís Oliveira, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp.

    Os resultados, publicados no Journal of Food Processing and Preservation, abrem um amplo campo para pesquisas futuras. Os próximos passos incluem a análise de compostos puros, o estudo de combinações sinérgicas, testes de citotoxicidade e a aplicação dos extratos otimizados em curativos inteligentes.

    O estudo ainda se encontra em fase de pesquisa e desenvolvimento laboratorial, com ensaios in vivo planejados para o futuro. A meta dos pesquisadores é dupla: oferecer uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos, cujo uso indiscriminado gera resistência bacteriana,  e transformar um descarte da indústria alimentar em um produto de alto valor agregado para a saúde humana.

    Thais Szegö | Agência FAPESP