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  • Safra recorde de soja causa filas de 30 km no porto de Miritituba (PA)

    Safra recorde de soja causa filas de 30 km no porto de Miritituba (PA)

    O escoamento da safra recorde de soja do Brasil enfrenta um gargalo logístico em Miritituba (PA), um dos principais polos de transporte fluvial do país. Milhares de caminhões aguardam para descarregar grãos nos terminais da região, refletindo as dificuldades de infraestrutura que ainda comprometem a eficiência do agronegócio brasileiro.

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    Neste início de colheita, motoristas relatam filas que ultrapassam 30 quilômetros, formadas por veículos vindos principalmente do Mato Grosso, estado responsável pela maior parte da produção nacional. O problema ocorre em meio a uma safra histórica, estimada em 180 milhões de toneladas, grande parte destinada à China.

    “Está uma vergonha aqui em Miritituba”, afirmou o caminhoneiro Jeferson Borges da Silva, que percorreu 1.200 quilômetros para entregar a carga. “Nós já estamos há dois dias na fila, e este ano foi o pior.”

    Protestos agravam gargalos no escoamento da soja

    Enquanto os caminhoneiros enfrentam longas esperas, protestos de comunidades indígenas em Santarém (PA) aumentaram a pressão sobre o sistema logístico. Os manifestantes ocuparam um terminal da Cargill em fevereiro, em ato contra o projeto de dragagem e ampliação da navegação na Bacia Amazônica.

    A ação levou o governo federal a revogar um decreto que simplificava o processo de ampliação das hidrovias da região, gerando incerteza entre os exportadores de grãos.

    Segundo o caminhoneiro Wellington Bressan, o medo de mais interrupções acelerou a chegada de motoristas a Miritituba. “O caminhoneiro vive de comissão. Se trabalha, ele ganha. Por isso todo mundo correu pra cá antes que parasse tudo”, relatou.

    A Cargill confirmou a suspensão temporária das operações em Santarém durante os protestos, mas afirmou nesta semana que está retomando as atividades. Em nota, a companhia agradeceu a “resiliência” dos colaboradores e reforçou o compromisso em transportar alimentos de forma segura e confiável.

    Estrutura precária limita crescimento do corredor logístico do Norte

    Para o pesquisador Thiago Pera, especialista em logística da Universidade de São Paulo (USP), a revogação do decreto atrasa os avanços necessários para melhorar o corredor de exportação do Norte, considerado estratégico para ampliar a competitividade do agro brasileiro.

    “O cenário está cada vez mais desafiador”, avaliou Pera. “A dragagem dos rios permitiria a passagem de embarcações maiores o ano todo, o que reduziria a dependência do transporte rodoviário e os custos de frete.”

    Atualmente, cerca de 60% das exportações agrícolas do Brasil utilizam caminhões. A falta de pátios adequados para estacionar os veículos agrava o problema. “Como é que você vai colocar mil caminhões num pátio que só comporta quinhentos?”, questionou a caminhoneira Sonia da Silva.

    Empresas como Cargill, Bunge e Amaggi operam os terminais fluviais de Miritituba, que movimentam cerca de 12 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho.

    Com o avanço da colheita, especialistas alertam que o país precisa acelerar investimentos em infraestrutura e planejamento logístico para evitar que o escoamento do recorde produtivo se transforme em caos nas estradas e portos.

  • Agricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul em Paris

    Agricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul em Paris

    Agricultores franceses voltaram a protestar em Paris nesta terça-feira contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. Pela segunda vez em uma semana, produtores rurais levaram tratores à capital francesa para pressionar o governo.

    Eles afirmam que o acordo ameaça a agricultura local ao ampliar a concorrência com produtos sul-americanos mais baratos. Além disso, os agricultores criticam diferenças nos padrões sanitários e ambientais exigidos dentro da União Europeia.

    Os produtores franceses e de outros países do bloco protestam há meses contra o acordo UE-Mercosul e pautas nacionais. A manifestação desta terça-feira contou com a organização da FNSEA, uma das principais entidades sindicais rurais da França.

    Segundo a FNSEA, o acordo permite importações de produtos que a França produz internamente com elevados padrões regulatórios. “O acordo foi aprovado sem manifestação do Parlamento Europeu”, afirmou Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA. De acordo com Greffin, os produtos importados não seguem as mesmas exigências impostas à agricultura francesa.

    Ainda assim, os agricultores mantiveram protestos em frente ao Parlamento francês durante todo o dia. Além disso, o grupo planeja nova manifestação no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no dia 20 de janeiro.

    Na sexta-feira, a maioria dos Estados-membros da União Europeia aprovou o acordo, apesar da oposição francesa. Essa decisão aumentou a pressão política sobre o governo, incluindo reações de partidos de oposição.
    Algumas legendas, inclusive, apresentaram moções de censura após a aprovação do acordo.

    Na semana passada, outro sindicato rural, a Coordination Rurale, também levou tratores a pontos turísticos de Paris. Na ocasião, produtores protestaram sob a Torre Eiffel e no Arco do Triunfo, em ato considerado surpresa.