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  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Brasil bate recorde na produção de carnes: 32,3 milhões de toneladas previstas para 2026

    Brasil bate recorde na produção de carnes: 32,3 milhões de toneladas previstas para 2026

    O agronegócio brasileiro se prepara para mais um ano de recordes. A produção das três principais proteínas animais do país – bovina, suína e de frango – deve atingir 32,3 milhões de toneladas em 2026, segundo projeções divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (18), durante o evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2025/26”, realizado em Brasília.

    O volume representa um novo marco na série histórica da estatal, superando a estimativa atual de 32,1 milhões de toneladas para 2024. Os números consolidam o Brasil como uma das principais potências mundiais na produção e exportação de proteínas animais.

    Frango e suína: motores do crescimento

    O desempenho excepcional é impulsionado principalmente pelas carnes de frango e suína, que devem alcançar volumes inéditos. A produção de frango está projetada para atingir 15,9 milhões de toneladas, enquanto a suína deve chegar a 5,8 milhões de toneladas – ambos os maiores registros da história.

    O setor avícola brasileiro mantém sua trajetória ascendente, beneficiado por uma demanda internacional aquecida e pelo crescimento consistente do mercado interno. Mesmo após o caso de Influenza Aviária registrado em maio no Rio Grande do Sul – rapidamente controlado –, o país preserva sua posição como principal fornecedor global da proteína.

    Para 2026, as exportações de frango devem alcançar 5,4 milhões de toneladas, enquanto a disponibilidade interna pode chegar a 10,6 milhões de toneladas. Isso resulta numa disponibilidade per capita estimada em 51,1 quilos por habitante, garantindo o abastecimento nacional.

    Carne suína: novos mercados impulsionam crescimento

    A suinocultura brasileira vive momento de expansão histórica. A produção recorde possibilita o aumento da disponibilidade interna para 4,3 milhões de toneladas em 2026, além de impulsionar as exportações.

    O setor se beneficia da competitividade do produto nacional e da diversificação de mercados asiáticos. As Filipinas ultrapassaram a China como maior comprador, seguidas por Japão, Coreia do Sul e Cingapura. Com essa nova dinâmica comercial, as vendas externas devem superar 1,5 milhão de toneladas.

    Carne bovina: transição do ciclo pecuário

    O setor bovino apresenta cenário distinto. Após atingir recorde histórico de 11,1 milhões de toneladas em 2024, a produção entra em fase de recomposição do rebanho.

    Para 2025, a Conab projeta leve retração para 10,9 milhões de toneladas, com tendência de recuo mais acentuado em 2026, quando a produção deve totalizar 10,6 milhões de toneladas. Essa redução resulta da menor disponibilidade de animais para abate, consequência da retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos.

    O presidente da Conab, Edegar Pretto, destacou o papel das políticas públicas no sucesso do setor. “Para nós da Conab é um orgulho ver que as políticas públicas executadas pela Companhia têm ajudado o setor agropecuário brasileiro a alcançar ótimos resultados”, afirmou.

    Os resultados projetados reforçam a importância estratégica do Brasil no cenário mundial de proteínas animais, consolidando o país como fornecedor confiável para mercados globais cada vez mais exigentes e diversificados.

    As projeções foram apresentadas durante o evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2025/26”, realizado pela Conab em Brasília, e baseiam-se em análises técnicas do mercado nacional e internacional de proteínas animais.