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  • Celesty Suruí e o protagonismo indígena no café especial

    Celesty Suruí e o protagonismo indígena no café especial

    Ao lado de microlotes premiados e experiências sensoriais únicas no São Paulo Coffee Festival 2025, uma presença se destaca pela força da sua história e pelo significado que carrega: Celesty Suruí, barista e cafeicultora do povo Paiter Suruí, de Rondônia. Representando a identidade indígena no universo dos cafés especiais, ela atua como embaixadora do Projeto Tribos, iniciativa da 3 Corações que conecta sustentabilidade, ancestralidade e qualidade na produção de Robusta Amazônico.

    Moradora da Terra Indígena Sete de Setembro, Celesty é uma das vozes mais potentes do projeto e compartilha aqui sua vivência, trajetória e os valores que carrega — no corpo, na fala e na xícara.

    Como você se apresenta para quem está te conhecendo agora?

    Eu sou Celesty Suruí, moro no território indígena 7 de Setembro, do povo Paiter Suruí, onde produzimos cafés especiais dentro do território.

    Qual foi o seu primeiro contato com o café?A

    minha relação com o café foi desde sempre, porque o café sempre fez parte da nossa história, da história do meu povo. Meu pai sempre trabalhou com café, e até hoje a gente continua trabalhando com a produção no território indígena.

    E como nasceu sua carreira como barista?

    Minha carreira como barista começou em 2019. A partir daí eu me aprofundei mais no café, me apaixonei mais, e nunca mais voltei.

    Além de barista, você também é cafeicultora. Como é viver essas duas frentes?

    Sou barista, cafeicultora, e hoje trabalho com a 3 Corações como representante dos cafeicultores indígenas que trabalham com a cafeicultura dentro do estado de Rondônia. Falo do projeto, dos trabalhos que a gente vem fazendo dentro do território — que inclui café, cacau, castanha, banana.

    A floresta está presente em tudo isso, certo?

    Sim. Trabalhamos como agrofloresta. A gente não derruba, a gente preserva. Usamos o café como uma forma de manter a Amazônia em pé, porque ela tem que fazer parte disso também, né?

    O que significa, para você, estar junto da 3 Corações no Projeto Tribos?

    Eu trabalho com a 3 Corações porque foi uma empresa que valorizou a nossa cultura, o nosso trabalho. E hoje temos esse projeto, que é o Projeto Tribos, que atua em três pilares: protagonismo indígena, proteção da floresta e produzir cafés de qualidade.

    E como era a realidade antes do projeto?

    Antes do Projeto Tribos, como cafeicultora, o nosso café não era valorizado. A gente vendia, mas não era reconhecido. Como barista, é muito emocionante pra mim fazer o nosso café — que é produzido na Amazônia — aqui para o pessoal do mundo. É gratificante, porque eu não tô aqui só como a Celesty, primeira barista indígena do Brasil. Eu tô aqui como a Celesty do povo Paiter Suruí, que é cafeicultora.

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  • SP Coffee Festival: 3 Corações revela café perfeito

    SP Coffee Festival: 3 Corações revela café perfeito

    Entre os aromas que preenchem a Bienal do Ibirapuera durante o São Paulo Coffee Festival 2025, um em especial tem provocado comoção entre baristas, especialistas e coffee lovers: o Café 100 Pontos. Inédito no mundo, o microlote foi produzido por indígenas do povo Suruí, na Terra Indígena Sete de Setembro (RO), e apresentado com exclusividade pela 3 Corações, que celebra o feito como marco histórico da cafeicultura brasileira.

    O café atingiu a nota máxima no protocolo de avaliação da Specialty Coffee Association (SCA), feito atestado por Silvio Leite, referência mundial em cafés especiais. “Nunca existiu um café com essa complexidade. Este é o café perfeito”, declarou o especialista, que também é embaixador do Projeto Tribos, iniciativa da 3 Corações criada para impulsionar o protagonismo indígena e valorizar os Robustas Amazônicos.

    Uma história que começa com escuta e respeito

    Gerente de cafés especiais da 3 Corações, Patrícia Carvalho relembra que o Projeto Tribos surgiu de forma orgânica, a partir de uma descoberta quase acidental na Semana Internacional do Café, em 2018. “Fomos apresentar o Projeto Florada, voltado às mulheres cafeicultoras, e encontramos um indígena expondo seu café em um estande minúsculo. Era o Dalton Tupari, ao lado da Embrapa. Aquilo nos encantou”, contou em entrevista ao portal Agro em Campo.

    Meses depois, em janeiro de 2019, a equipe da 3 Corações viajou até Cacoal (RO) e visitou as terras indígenas Paiter Suruí e Tupari. Lá, descobriram um cenário que unia agrofloresta, ancestralidade e potencial produtivo inexplorado. “Na época, apenas três famílias cultivavam café. Fizemos um censo com a Funai e mapeamos 169 famílias que já tinham pés plantados, herança do homem branco antes da demarcação”, explica Patrícia.

    Projeto Tribos beneficia 169 famílias indígenas – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes

    O projeto foi estruturado com base em três pilares: protagonismo indígena, proteção da floresta e qualidade do café. A partir daí, veio o concurso anual, que estimula a melhoria contínua, premia os melhores microlotes e garante a compra de 100% da safra. O resultado: Robustas Amazônicos com notas acima de 85 pontos e, agora, o lendário 100.

    Do território ao cristal de Murano

    Cultivado pelo cacique Rafael Suruí e apresentado por Celesty Suruí — a primeira barista indígena do Brasil — o Café 100 Pontos simboliza não apenas excelência técnica, mas uma revolução silenciosa na maneira de pensar a cadeia do café. “É doce, complexo, com retrogosto longo. Um café que emociona. Uma iguaria”, resume Patrícia. A bebida será lançada oficialmente em agosto, em embalagem artesanal feita com cristal de Murano, com tiragem limitada a 300 unidades.

    Celesty conduziu pessoalmente as degustações no evento e também ministrou a palestra “Projeto Tribos e a Cafeicultura dos Robustas Amazônicos” no espaço O Laboratório. “Ela é embaixadora do projeto, barista e filha de cafeicultores. Leva essa história na pele”, destaca Patrícia.

    Inovação e novas experiências sensoriais

    A 3 Corações ainda apresentou no festival outros destaques como o Florada Canéfora Rituais, produzido exclusivamente por mulheres, e o Cappuccino Frozen — sobremesa cremosa à base de café. No espaço A Cozinha, o casal Ana Carolina Lembo e José Luis Soares (@dopaoaocaviar) assinou uma receita harmonizada com o Café Rituais. Ativações interativas, como a Roleta Digital e harmonizações com snacks da NUU e Zaytas, também marcaram presença.

    Visitantes puderam experimentar diversos sabores no estande da 3 Corações – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes

    “O São Paulo Coffee Festival nos permite contar histórias reais, de pessoas que transformam o café em cultura, renda e identidade. Cada xícara que o público experimenta carrega isso”, afirma Anderson Spada, head de marketing do Grupo 3 Corações.

    Para além do marketing ou da inovação de produto, o protagonismo indígena, a agrofloresta e a valorização cultural emergem como novos vetores da cafeicultura contemporânea — e o Café 100 Pontos é, sem dúvida, seu maior emblema até agora.

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