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  • Produtos orgânicos brasileiros ganham destaque na SIAL Paris

    Produtos orgânicos brasileiros ganham destaque na SIAL Paris

    Com consumidores cada vez mais atentos à saúde e à sustentabilidade, a demanda global por produtos orgânicos vem crescendo rapidamente. Isso tem gerado oportunidades importantes para o Brasil, que se destaca como um dos principais produtores e exportadores de alimentos. Visando capitalizar essa tendência, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) levou 18 empresas nacionais do setor de orgânicos para participar da SIAL Paris 2024, uma das maiores feiras internacionais de alimentos e bebidas, que ocorre entre 19 e 23 de outubro.

    “O Brasil é um grande exportador de alimentos, mas, além da capacidade produtiva, estamos avançando muito no compromisso com a sustentabilidade”, afirma André Müller, gerente de Agronegócio da ApexBrasil. Ele ressalta ainda o papel social do agronegócio sustentável no país. “Por trás de cada produto há uma família, há um sonho. E a ApexBrasil busca fomentar esse modelo de desenvolvimento que beneficia muitos produtores, especialmente as cooperativas.”

    Brasil na SIAL

    A presença do Brasil na SIAL Paris não é nova. Esta será a 10ª edição consecutiva em que a ApexBrasil organiza a participação nacional na feira. Este ano 96 empresas brasileiras estarão presentes, com 18 delas focadas no mercado de orgânicos. Rafaela Albuquerque, analista da ApexBrasil, destaca a importância do evento: “Levar empresários brasileiros para uma feira global como a SIAL Paris possibilita a abertura de novos mercados. Mostrando assim a qualidade e o potencial dos orgânicos brasileiros.”

    Demanda mundial por alimentos mais saudáveis gera oportunidades de negócios internacionais para o Brasil

    Empresas de várias regiões do Brasil, como a Amazon Açaí, do Pará, e a Itajá Organic Sugar, de Goiás, estão entre as selecionadas para participar da feira. Segundo Victor Brandão, supervisor de exportação da Amazon Açaí, a participação em eventos como esse, com apoio da ApexBrasil, é fundamental para expandir a presença dos produtos amazônicos no mercado internacional. Já a Itajá Organic Sugar, que exporta açúcar orgânico para mais de 20 países, espera conquistar novos mercados na Europa, como afirma sua gerente de exportação, Fernanda Castro.

    Brasil conta com 26 mil produtores de orgânicos

    De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Brasil conta com 26 mil produtores de orgânicos. E tem se consolidado como um fornecedor de destaque no mercado global. Especialmente por suas práticas de sustentabilidade e certificação. A sustentabilidade do agronegócio brasileiro foi apontada como uma vantagem competitiva em uma pesquisa da consultoria McKinsey, que classificou o setor como o mais sustentável do mundo.

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    O mercado de orgânicos, tanto no Brasil quanto na Europa, segue em crescimento. Segundo a Organis, o consumo de orgânicos no Brasil cresceu 16% entre 2021 e 2023. Na Europa, o segmento já está consolidado, com países como Suíça, Alemanha e França liderando o consumo responsável.

    A ApexBrasil também liderou a presença nacional na Biofach 2023, maior feira de produtos orgânicos do mundo, realizada em Nuremberg, Alemanha. Na ocasião, as empresas brasileiras geraram quase US$ 17 milhões em negócios, reforçando o papel do Brasil como protagonista no setor orgânico global.

    Com o aumento da demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis, o Brasil parece estar em uma posição favorável para expandir suas exportações de produtos orgânicos. Ganhando assim ainda mais destaque no cenário internacional.

  • Produtores de orgânicos buscam diversificação com apoio do Tecpar

    Produtores de orgânicos buscam diversificação com apoio do Tecpar

    O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) está incentivando produtores orgânicos a diversificarem suas atividades, permitindo que alimentos convencionais e orgânicos sejam produzidos na mesma linha de produção. De acordo com o Decreto Federal 6.323/2007, que regulamenta a agricultura orgânica no Brasil, essa prática é possível desde que certificadoras aprovem e monitorem o processo.

    Pedro Rossi, engenheiro agrônomo do Tecpar Certificação, explica que a produção paralela pode ocorrer nas unidades de produção que processam produtos orgânico. Isso desde que haja separação rigorosa dos processos produtivos. “Essa é uma oportunidade de ampliar os lucros sem aumentar consideravelmente os custos. Muitas empresas desconhecem que é possível produzir, por exemplo, suco de uva orgânico na mesma máquina que se usa para o suco convencional, seguindo as normas e passando pela auditoria do Tecpar”, destaca Rossi.

    O selo “Produto Orgânico do Brasil”, concedido após análise de conformidade realizada por um organismo credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), é um exemplo de reconhecimento que o Tecpar pode oferecer. O Tecpar foi o primeiro credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, em 2010.

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    Na auditoria, os técnicos verificam se a matéria-prima é orgânica e se o processo segue as normativas vigentes. “A legislação exige que todos os produtos sejam identificados corretamente e que os orgânicos sejam mantidos separados dos não orgânicos durante toda a produção e armazenamento”, ressalta Rossi.

    Produção paralela

    Um caso de sucesso é o do Sítio Santa Rita, em Bocaíuva do Sul, que, com apoio do Tecpar, adotou a produção paralela. Selma Maria de Andrade, produtora do sítio, relata que inicialmente produziam apenas doces e pães orgânicos, mas, com a baixa demanda local, passaram a produzir também pães e bolachas convencionais. “Produzimos primeiro os orgânicos e, depois, os convencionais, garantindo que não haja contaminação cruzada”, explica Selma.

    Produtos orgânicos produzidos no mesmo ambiente que convencionais. Selma Maria de Andrade e seu filho Guilherme de Andrade Cardoso produzem doces, geléias pães e frutas congeladas orgânicas. E conciliam com a produção de bolacha e pão integral com certificação do TECPAR. Brasil. Foto: Hedeson Alves/TECPAR

    O Tecpar também orienta sobre a inclusão de aditivos e conservantes permitidos em alimentos orgânicos industrializados. Para obter o reconhecimento como orgânico, um produto processado deve conter pelo menos 95% de ingredientes de origem orgânica. E os demais 5% não podendo incluir substâncias proibidas, como transgênicos.

    A diversidade de produtos que já receberam o Selo Orgânico Brasil pelo Tecpar inclui desde chás e sucos até carnes resfriadas e temperos. Isso demonstra o potencial e a confiança que os consumidores têm nos produtos certificados.

    Selma enfatiza a importância da certificação: “Ter o selo orgânico auditado transmite confiança aos clientes e aumenta a procura pelos nossos produtos.”

    Foto: Hedeson Alves/TECPAR