Tag: produtores de leite

  • Catupiry compra gigante dos queijos e amplia operação no Brasil

    Catupiry compra gigante dos queijos e amplia operação no Brasil

    A Catupiry avançou na expansão de sua atuação no setor de laticínios com a aquisição da Lactojara, operação brasileira da multinacional Leprino Foods. O negócio adiciona uma nova estrutura industrial à companhia e reforça sua estratégia de crescimento no mercado de queijos e ingredientes lácteos.

    A operação representa um movimento importante para a agroindústria brasileira. Isso porque, além de ampliar a capacidade produtiva da Catupiry, a aquisição também pode fortalecer a relação da empresa com produtores de leite e fornecedores da cadeia.

    Aquisição amplia estrutura produtiva

    A Lactojara corresponde às operações da Leprino Foods no Brasil. A multinacional norte-americana é reconhecida mundialmente pela produção de muçarela e pelo fornecimento de produtos lácteos destinados principalmente ao setor de alimentação fora do lar.

    Com a aquisição, a Catupiry incorpora uma nova planta industrial ao seu negócio. A empresa já possui um portfólio superior a 130 produtos e busca ampliar sua presença em categorias de maior valor agregado.

    A estratégia também mira o segmento de food service, que reúne restaurantes, pizzarias, redes de alimentação e outros estabelecimentos que utilizam produtos lácteos em escala comercial.

    Operação fortalece a cadeia do leite

    Um dos pontos de destaque do negócio está na relação com os produtores de leite. A estrutura adquirida pela Catupiry possui operações de captação de matéria-prima no Paraná, estado que concentra a produção industrial da Leprino Foods no país.

    A principal fábrica fica em Tapejara, no Noroeste paranaense. Além disso, a operação conta com pontos de captação de leite em Guaraniaçu e Santa Maria do Oeste.

    Segundo a companhia, a aquisição abre espaço para estreitar e fortalecer as parcerias com produtores de leite da região. Na prática, isso coloca a negociação dentro de um movimento mais amplo de integração entre indústria e produção agropecuária.

    Leprino Foods tem presença global

    Fundada em 1950, nos Estados Unidos, a Leprino Foods atua em dezenas de países e é considerada uma das principais empresas mundiais na produção de muçarela.

    A companhia também trabalha com ingredientes derivados do leite, incluindo soro, lactose e outros componentes utilizados pela indústria de alimentos.

    No Brasil, essas atividades eram conduzidas por meio da Lactojara Laticínios, agora incorporada à operação da Catupiry.

    Catupiry amplia presença no setor

    A aquisição marca uma nova etapa na estratégia de crescimento da Catupiry. Tradicionalmente associada ao requeijão, a empresa vem ampliando seu portfólio ao longo dos anos e atualmente comercializa produtos como queijos, cream cheese, manteigas, molhos, pães de queijo, salgados e itens voltados ao food service.

    Com a nova operação, a companhia ganha capacidade produtiva e pode ampliar sua participação em segmentos que exigem maior escala industrial.

    O movimento também reforça a transformação da indústria de alimentos brasileira, que busca ganhar eficiência, ampliar capacidade e agregar valor à matéria-prima produzida no campo.

  • Canchim on Dairy: nova certificação garante carne premium para produtores de leite no Brasil

    Canchim on Dairy: nova certificação garante carne premium para produtores de leite no Brasil

    A raça bovina Canchim acaba de conquistar um marco histórico para a pecuária brasileira: tornou-se a segunda raça, após a Angus, a receber um selo Beef on Dairy (carne no leite) no país. A certificação, batizada de Canchim on Dairy, identifica touros da raça aptos ao cruzamento com vacas leiteiras mestiças da raça Girolando, assegurando qualidade genética aos bezerros gerados e abrindo uma nova frente de negócio para produtores de leite.

    A estratégia é direta: usar sêmen de touros de corte selecionados para gerar animais com maior valor comercial. Bezerros que antes tinham baixo valor de mercado, ou eram descartados logo após o nascimento, passam a ser criados e destinados ao abate, com carne de qualidade superior e carcaças de melhor rendimento.

    “O objetivo é atender ao produtor que deseja uma segunda fonte de faturamento, vendendo esses animais para corte. Canchim é uma raça terminal que traz melhor qualidade de carcaça, mais peso ao desmame e ao sobreano. Além disso, é uma alternativa que agrega bem-estar animal, evitando o descarte de machos recém-nascidos”, explica Cintia Righetti Marcondes, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste (SP).

    Por que o Canchim é ideal para regiões tropicais?

    Em regiões quentes como o Centro-Oeste e o Norte do Brasil, o Canchim se destaca pela pelagem clara e alta adaptação ao calor. Uma vantagem que a raça Angus, por exemplo, não oferece para uso a campo. Sua genética transmite precocidade e padronização aos descendentes: bezerros cruzados podem superar o Nelore entre 10% e 15% no peso à desmama, com carcaças de maior rendimento e acabamento de gordura adequado para o mercado consumidor.

    Outro diferencial é o valor de mercado das fêmeas. Ao contrário do que ocorre em sistemas puramente leiteiros, fêmeas jovens resultantes do cruzamento com Canchim são valorizadas por depositarem gordura na carcaça precocemente, permitindo abate com excelente qualidade.

    Como um touro obtém o selo Canchim on Dairy?

    A certificação é rigorosa e baseada em avaliações genéticas do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). O touro deve atender a critérios técnicos em cinco características-chave, medidas pelo sistema de Decas, uma escala que divide os animais em dez grupos, do mais superior (Deca 1) ao mais inferior (Deca 10).

    Imagem: Divulgação

    No peso ao nascer, exige-se Deca igual ou menor que 4, selecionando os 40% melhores da raça para reduzir riscos de parto difícil. No ganho de peso, do nascimento ao sobreano, o critério é Deca até 5. Na conformação ao sobreano, somente os 30% mais musculosos passam (Deca ≤ 3). Para o tamanho do animal (frame), busca-se uma faixa intermediária, entre Deca 3 e 5, evitando animais excessivamente grandes ou pequenos. Por fim, na área de olho de lombo, são selecionados os 40% superiores (Deca ≤ 4), garantindo rendimento de carcaça e qualidade de cortes nobres.

    Simulações na base de dados do Promebo já apontam que diversos touros da raça atendem aos critérios e estão aptos à certificação imediata.

    Benefícios em cadeia: do pasto ao mercado

    Com o selo estampado no certificado de avaliação genética, o touro certificado passa a ser referência para produtores de leite, centrais de inseminação e leilões especializados. Na prática, os ganhos se distribuem por toda a cadeia. Menor risco de partos difíceis para as vacas leiteiras, maior valor de venda dos bezerros e produção de carne com menor pegada ambiental por quilo. Um argumento crescente no mercado consumidor global.

    Além disso, para pequenos produtores, a iniciativa abre ainda outra possibilidade. A aquisição compartilhada de um touro certificado em consórcio, viabilizando acesso à genética de qualidade sem o custo total recair sobre um único criador.

    “A criação de um selo oficial traz reconhecimento, padronização e segurança ao mercado. Essa iniciativa fortalece a integração entre pecuária de leite e de corte. Ao mesmo tempo em que apoia o produtor leiteiro com alternativas mais eficientes para o aproveitamento de seus animais”, destaca Cristina Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCCAN).

    A Embrapa liderou a iniciativa em parceria com a ABCCAN, a Associação Nacional de Criadores Herdbook Collares e o Promebo.

  • Governo orienta renegociação de créditos do Pronaf e amplia suporte aos produtores de leite

    Governo orienta renegociação de créditos do Pronaf e amplia suporte aos produtores de leite

    O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) divulgou, nesta quarta-feira (28), novas orientações para apoiar agricultores familiares da cadeia do leite. O objetivo é facilitar o uso dos instrumentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). E assim, garantir a continuidade da produção, a renda e a capacidade de pagamento das famílias produtoras.

    As diretrizes foram publicadas por meio do Ofício Circular nº 185/2026. E explicam como as instituições financeiras e técnicas podem aplicar as regras do Manual de Crédito Rural (MCR) para renegociar dívidas e prorrogar prazos de custeio ou investimento. As medidas permitem ajustar contratos e ampliar prazos de reembolso em casos de dificuldade temporária de pagamento, sustentando as atividades produtivas sem comprometer a viabilidade dos empreendimentos.

    Negociação

    De acordo com o MCR, os bancos podem renegociar parcelas do Pronaf mediante solicitação do agricultor e avaliação técnica da operação. Comprovada a recuperação da capacidade financeira, o crédito de custeio pode ser prorrogado por até 36 meses. Enquanto os investimentos podem ganhar prazo adicional de até um ano após o vencimento do contrato. As regras também autorizam redistribuir os valores das parcelas futuras.

    O MDA orientou ainda que, em situações que atingem muitos produtores de uma mesma região, as instituições podem usar laudos técnicos coletivos, mantendo a análise individual de cada caso. A medida busca dar agilidade ao atendimento e adequar as decisões à realidade local.

    O ministério também destacou a importância de manter canais de comunicação abertos com os agricultores familiares para evitar inadimplência. As instituições financeiras devem prestar informações claras sobre prazos e procedimentos, preferencialmente antes do vencimento das parcelas.

    Segundo o MDA, as orientações reforçam o compromisso do governo com o fortalecimento da cadeia do leite e o uso responsável de instrumentos de crédito voltados à agricultura familiar, em alinhamento com o Conselho Monetário Nacional e o Manual de Crédito Rural.

    Apoio contínuo ao setor leiteiro

    Mesmo diante de desafios econômicos, o Pronaf movimentou R$ 7 bilhões em crédito para a produção leiteira da agricultura familiar nos seis primeiros meses do Plano Safra 2025/2026. Um aumento de 15% em relação à safra anterior. O número de contratos também cresceu 1,3%, totalizando 122.845 operações.

    Em 2025, o MDA criou o Grupo de Trabalho do Leite (GT Leite), que reúne órgãos públicos, entidades representativas e instituições de pesquisa. O objetivo é desenvolver estratégias para fortalecer a cadeia produtiva e enfrentar as dificuldades do setor.

    De acordo com o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do MDA, Vanderley Ziger, as novas orientações consolidam o Pronaf como um instrumento essencial de sustentação da produção. “Essas medidas garantem que agricultores possam reorganizar seus compromissos financeiros e manter a renda. Enquanto o ministério continua a construir soluções para o fortalecimento do setor leiteiro”, destacou.

  • Crise no setor leiteiro ameaça a sobrevivência dos produtores familiares

    Crise no setor leiteiro ameaça a sobrevivência dos produtores familiares

    Produtores de leite de todo o país levaram suas preocupações a uma audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nesta semana. Eles apontaram a concorrência com o leite em pó importado, principalmente da Argentina e do Uruguai, como a principal causa da grave crise que assola o setor.

    O deputado Cobalchini (MDB-SC), que solicitou o debate, afirmou em entrevista à Rádio Câmara na quarta-feira (5) que a reunião, com quase seis horas de duração, revelou relatos dramáticos sobre o impacto da queda nos preços para as famílias. O parlamentar fez um alerta: a crise está forçando muitos produtores, especialmente os de pequeno porte, a abandonarem a atividade.

    “A realidade que se impõe é o abandono da atividade, especialmente dos pequenos agricultores”, lamentou Cobalchini. “Recebemos depoimentos emocionados de jovens que substituíram os seus pais na atividade, mas que hoje se veem sem qualquer perspectiva.”

    O deputado destacou a contradição na situação. O Brasil é o terceiro maior produtor de leite do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. Mas os produtores nacionais enfrentam sérias dificuldades para se manterem no mercado. Estados como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás, que lideram a produção nacional, são os mais afetados pela pressão dos preços baixos.

    A situação preocupa especialistas e lideranças do agronegócio, que buscam soluções para equilibrar o mercado e proteger a cadeia produtiva local.

  • Presidente da CNA alerta para crise dos produtores de leite

    Presidente da CNA alerta para crise dos produtores de leite

    Os produtores de leite do Brasil atravessam uma “crise profunda e injusta” provocada pela importação desleal de leite em pó. O alerta vem de João Martins, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que denuncia a prática de dumping por países vizinhos.

    “Isso significa perda de renda no campo, propriedades ameaçadas, famílias desamparadas e um risco real de o Brasil perder sua base produtiva de leite”, afirma Martins.

    A CNA atua desde agosto de 2024 na defesa do setor. Naquele mês, a entidade protocolou uma petição no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) solicitando a investigação da prática de dumping na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai. O governo abriu a investigação em dezembro.

    CNA cobra medidas de Alckmin

    O presidente da confederação pede ao vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, que combata a prática desleal e aplique direitos antidumping contra os países vizinhos. “Precisamos proteger os produtores de leite do nosso país”, defende.

    O dumping consiste na exportação de produtos a preços abaixo do “valor normal” – aquele praticado no mercado interno de um país. A CNA argumenta que essa prática compromete o mercado interno brasileiro, reduz as margens dos pecuaristas e contribui para o abandono da atividade leiteira.

    Governo muda entendimento sobre produtos lácteos

    O MDIC publicou recentemente uma circular com um novo entendimento que pode inviabilizar a defesa dos produtores. O documento justifica a não aplicação de direitos antidumping provisórios alegando que o leite in natura não é similar ao leite em pó.

    Na prática, essa interpretação impede que os produtores rurais, representados pela CNA, questionem o processo – já que não produzem leite em pó, apenas o produto in natura. A mesma circular informa que o ministério não conseguiu constatar dano por falta de dados sobre a indústria nacional de leite em pó.

    Confederação apresenta argumentos técnicos

    Em reunião com o governo em agosto, a CNA apresentou argumentos técnicos que reforçam a similaridade entre leite in natura e leite em pó. A entidade se colocou à disposição para fornecer dados que comprovem a tese e demonstrem os impactos das importações do Mercosul sobre a produção nacional.

    O novo entendimento do MDIC contraria a própria posição histórica do governo brasileiro. Desde a primeira investigação de dumping contra o leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia, em 1999, o Brasil sempre considerou os dois produtos similares. Esse entendimento levou à aplicação de tarifas antidumping, renovadas em 2007 e em 2013, baseadas na mesma interpretação.

    A mudança de posição do governo ocorre justamente quando os produtores nacionais mais precisam de proteção contra a concorrência desleal dos vizinhos do Mercosul.

  • PL busca compensação fiscal para produtores de leite no Brasil

    PL busca compensação fiscal para produtores de leite no Brasil

    O Projeto de Lei (PL) 228/25 propõe uma compensação financeira para os produtores de leite brasileiros, visando mitigar os impactos da redução do Imposto de Importação sobre o produto. A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados, será analisada por três comissões antes de seguir para o Senado.

    O PL 228/25 prevê que o percentual de redução da alíquota do Imposto de Importação para leite e derivados seja revertido em compensação e equiparação para o produto industrializado nacional, dentro da mesma categoria. A Receita Federal será responsável por calcular o montante da redução e a equiparação fiscal entre o produto nacional e o importado.

    De autoria do deputado Lebrão (União-RO), o projeto busca proteger os empregos e a indústria leiteira nacional, sem interferir na dinâmica do mercado. Segundo o deputado, a medida visa evitar que a indústria nacional, já em crise devido a problemas de infraestrutura, seja ainda mais prejudicada pela redução da alíquota do Imposto de Importação concedida pelo governo federal em 2022.

    O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Para se tornar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

    A aprovação do PL 228/25 pode trazer alívio para os produtores de leite brasileiros, que enfrentam dificuldades com a concorrência de produtos importados. A medida busca equilibrar as condições de mercado e garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

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