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  • Brasil produz mais café do que os seus três maiores rivais somados

    Brasil produz mais café do que os seus três maiores rivais somados

    O café faz parte da rotina matinal de bilhões de pessoas e figura como uma das commodities agrícolas mais negociadas do planeta. Atualmente, a produção mundial se concentra em um grupo seleto de países localizados no chamado “cinturão do café”, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio.

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    Os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o ano comercial 2025/2026 revelam um cenário de hegemonia brasileira. O Brasil produziu 63 milhões de sacas de 60 kg, o que representa 35% de toda a produção global de café verde.

    Para se ter uma ideia da escala, a colheita brasileira supera a soma total da produção do Vietnã, Colômbia e Indonésia juntas. A maior parte desse volume consiste em café arábica, variedade valorizada em mercados de especialidades e produtos premium devido ao seu cultivo em altitudes elevadas.

    A ascensão asiática e o fenômeno do Vietnã

    Embora a América do Sul ainda lidere o suprimento global, o eixo de produção está mudando para a Ásia. Desde a década de 1960, a participação asiática no mercado saltou de menos de 5% para atuais 32%.

    O grande protagonista dessa mudança é o Vietnã, que consolidou sua posição como o segundo maior produtor mundial em 1999, ao ultrapassar a Colômbia. Com uma produção de 31,7 milhões de sacas (18% do total global), o país foca na variedade robusta, grão mais resistente e com maior teor de cafeína, essencial para cafés instantâneos e misturas de café expresso.

    O top 5 da produção mundial

    Apenas cinco países controlam quase três quartos de todo o café cultivado no mundo. Confira os líderes:

    Brasil: 63 milhões de sacas (35%)

    Vietnã: 31,7 milhões de sacas (18%)

    Colômbia: 12,5 milhões de sacas (7%)

    Indonésia: 12,4 milhões de sacas (7%)

    Etiópia: 11,6 milhões de sacas (6%)

    A Etiópia, reconhecida como o berço do café arábica, mantém sua relevância histórica e econômica fechando o grupo dos cinco maiores.

    Riscos no horizonte: clima e preços

    Apesar dos números robustos, o setor enfrenta desafios crescentes. As mudanças climáticas impactam diretamente a qualidade das safras e reduzem as áreas viáveis para o cultivo, além de aumentarem a pressão de pragas.

    Como a oferta global depende de poucos países, qualquer evento climático extremo nessas regiões gera volatilidade imediata no mercado. Isso pressiona os preços ao consumidor final, tornando o cafezinho diário mais caro em todo o mundo.

  • Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    Europa coloca o café no foco do debate sobre sustentabilidade

    A xícara de café que chega às mesas dos europeus está no centro de uma nova discussão global. A União Europeia quer que as maiores empresas do setor adotem medidas concretas para garantir que os cafeicultores recebam uma remuneração considerada digna até 2029.

    Um relatório divulgado nesta semana mostra, porém, que nenhuma das principais companhias mundiais de café está preparada para atender plenamente às novas exigências.

    A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do bloco europeu para tornar as cadeias de abastecimento mais sustentáveis e socialmente responsáveis. O objetivo é reduzir desigualdades históricas e assegurar que produtores rurais tenham condições de vida adequadas, especialmente em países em desenvolvimento.

    Produção de café convive com desafios econômicos

    Embora o café seja uma das commodities agrícolas mais valiosas do planeta, milhões de pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades para manter a atividade economicamente viável.

    A produção está concentrada em países tropicais, como Brasil, Vietnã, Colômbia e Etiópia, onde fatores como oscilações de preços, eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção e baixa capacidade de negociação frequentemente comprimem a renda das famílias produtoras.

    A situação cria um paradoxo. O consumo mundial de café segue em expansão, cafeterias se multiplicam e a bebida movimenta bilhões de dólares todos os anos. Na outra ponta da cadeia, muitos cafeicultores continuam operando com margens apertadas.

    Mudança pode alterar a relação entre indústrias e produtores

    As novas regras europeias podem acelerar transformações na maneira como empresas compram café e se relacionam com seus fornecedores.

    Especialistas avaliam que as companhias poderão ser pressionadas a ampliar programas de rastreabilidade, investir em assistência técnica, revisar contratos de fornecimento e desenvolver mecanismos que assegurem maior previsibilidade de renda aos produtores.

    Na prática, o mercado global do café passa a incorporar critérios sociais cada vez mais rigorosos e deixa de tratar a bebida apenas como uma commodity agrícola.

    A tendência também reforça um movimento já observado em outros mercados. Consumidores, principalmente nos países desenvolvidos, estão mais atentos à origem dos alimentos e às condições em que eles são produzidos.

    O que a nova regra pode significar para o Brasil

    Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil acompanha as discussões com atenção.

    Foto: Wenderson Araújo/Trilux/Sisterma CNA/Senar

    O mercado europeu é um dos principais destinos do café brasileiro e qualquer mudança regulatória tende a repercutir diretamente na cadeia nacional. Embora o País tenha avançado em práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e certificações, especialistas apontam que novas exigências poderão demandar adaptações adicionais de produtores, cooperativas e exportadores.

    Ao mesmo tempo, o cenário também abre oportunidades.

    A crescente valorização de critérios socioambientais pode favorecer regiões e produtores que já investem em boas práticas, agregam valor ao produto e conseguem demonstrar compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social.

    No fim das contas, a discussão que começou na Europa ultrapassa as fronteiras do continente. Ela levanta uma pergunta que deve ganhar cada vez mais espaço no agronegócio global: quem produz o café que o mundo consome está recebendo uma remuneração suficiente para continuar produzindo no futuro?

  • Colheita de café avança nas principais regiões produtoras

    Colheita de café avança nas principais regiões produtoras

    A colheita de café ganhou ritmo nas principais regiões produtoras do Brasil neste início de junho. O avanço ocorre após um período de trabalhos mais lentos nas lavouras.

    Até meados de maio, as chuvas frequentes dificultaram as atividades no campo. Além disso, grande parte dos cafezais ainda apresentava grãos em diferentes estágios de maturação.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o clima mais seco registrado no começo deste mês favoreceu o desenvolvimento da colheita. As temperaturas mais baixas também contribuíram para a maturação dos grãos.

    Produtores acompanham tamanho dos grãos

    Apesar do avanço dos trabalhos, produtores demonstram preocupação com a peneira do café colhido até agora. Os primeiros resultados indicam tamanho inferior ao observado na safra passada.

    A situação preocupa principalmente cafeicultores do Sul de Minas e da Mogiana Paulista. No entanto, especialistas avaliam que ainda é cedo para conclusões definitivas. Isso porque apenas um pequeno volume de café passou pelo beneficiamento. Além disso, a safra segue em estágio inicial nas principais áreas produtoras.

    Comercialização mantém bom ritmo

    Ao mesmo tempo, produtores têm demonstrado interesse em negociar os lotes já colhidos. Muitos buscam reforçar o caixa neste começo de temporada. Além disso, os atuais preços do café incentivam novas vendas. Como resultado, o mercado deve manter um ritmo aquecido de comercialização nas próximas semanas.

  • Expedição leva ciência e inovação para pequenos produtores de café em Mato Grosso

    Expedição leva ciência e inovação para pequenos produtores de café em Mato Grosso

    A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) lançam a Expedição Rota do Café – MT: “Pelos Caminhos do Café Mato-grossense”. O circuito itinerante de encontros técnicos leva resultados de pesquisas diretamente aos cafeicultores familiares das regiões Norte e Noroeste do estado.

    A programação começa por Colniza e segue para Aripuanã, Cotriguaçu, Juína, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde. Estes municípios destacam-se como referências na produção de café robusta em Mato Grosso.

    Atualmente, o estado produz cerca de 270 mil sacas por ano em mais de 30 municípios. A agricultura familiar e a assistência técnica rural impulsionam este crescimento, colocando Mato Grosso entre os estados com maior potencial para produção de cafés robustas, segundo pesquisadores da Empaer.

    Pesquisadores compartilham conhecimento técnico no campo

    Na reunião de planejamento nesta semana, a equipe de pesquisadores apresentou o roteiro da expedição à secretária da Seaf, Andreia Fujioka, e ao presidente da Empaer, Suelme Fernandes. Durante os encontros, técnicos e pesquisadores compartilharão resultados de pesquisas sobre validação de clones de café robusta mais adaptados às condições locais.

    Foto: Assessoria Empaer

    “A proposta é levar mais conhecimento ao produtor. O projeto busca estimular a adoção de tecnologias, melhorar a produtividade e garantir qualidade ao café produzido nas pequenas áreas rurais”, explica a engenheira agrônoma e pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, Danielle Müller.

    O presidente da Empaer, Suelme Fernandes, reforça o compromisso da instituição: “Nosso compromisso é transformar a pesquisa em ações práticas que beneficiem diretamente o agricultor familiar. Cada etapa da programação foi pensada para transformar conhecimento em ação. Queremos inspirar o produtor a ver o potencial do nosso café”.

    Instituições se unem para fortalecer cafeicultura familiar

    A Rota do Café reúne parceiros institucionais que oferecem suporte técnico, científico e logístico às atividades. Participam da iniciativa a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), prefeituras municipais, sindicatos rurais, associações de produtores, cooperativas e instituições de ensino e pesquisa.

    “Entre os resultados esperados estão a integração entre pesquisa, extensão rural e produtores, a ampliação das oportunidades de comercialização e a valorização da identidade do café mato-grossense”, afirma a engenheira agrônoma e pesquisadora em Sistemas Produtivos da Empaer, Dalilhia Nazaré dos Santos.

    A secretária da Seaf, Andreia Fujioka, destacou a importância da união entre as instituições: “Acreditamos que o fortalecimento da agricultura familiar passa pela união entre instituições e produtores. Projetos como este reforçam o compromisso do Estado em gerar conhecimento, qualidade e renda para quem vive do que produz”.

    Qualidade e renda garantem permanência no campo

    Para a agricultura familiar, os benefícios vão além do aumento da produtividade. A expectativa da expedição é consolidar a marca “Café de Mato Grosso” como produto de origem, qualidade e valor social. Assim, gerarrenda e incentivando a permanência das famílias no campo.

    “Com assistência técnica, acesso à inovação e orientação adequada de manejo, pequenos produtores têm a oportunidade de produzir mais e melhor. Antes visto como cultura secundária em algumas regiões, o café ganha protagonismo na economia rural do estado”, pontua o engenheiro agrônomo e pesquisador em Solos da Empaer, Wininton Mendes.

    A inscrição para o evento é gratuita e está disponível no link da Empaer: https://forms.gle/GXBT2Ro8WGZfmn3N9

    Confira a programação completa

    Colniza: 11/3 (qua) – Câmara Municipal, 7h às 11h45;

    Aripuanã: 12/3 (qui) – Balneário Oasis, 7h às 11h45;

    Cotriguaçu: 25/3 (qua) – Centro de Eventos, 7h às 11h45;

    Juína: 26/3 (qui) – Barracão da Feira Municipal, 7h às 11h45;

    Nova Bandeirantes: 08/4 (qua) – local a definir, 7h às 11h45;

    Nova Monte Verde: 09/4 (qui) – Estância Villa Bella, 7h às 11h45.

  • Justiça de SP julga casal acusado pelo desaparecimento de 63 milhões em sacas de café

    Justiça de SP julga casal acusado pelo desaparecimento de 63 milhões em sacas de café

    A Justiça de São Paulo iniciou o julgamento de um casal acusado de envolvimento no sumiço de mais de 63 milhões de reais em sacas de café, um dos maiores escândalos do agronegócio brasileiro. O caso afeta produtores de várias regiões do estado e ganhou destaque pelo impacto econômico e jurídico no setor cafeeiro.

    Cerca de 20 mil sacas de café estavam armazenadas em depósitos sob controle do casal em Altinópolis, interior de São Paulo. Produtores afirmam que as sacas não estavam nos depósitos conforme contratado, e os responsáveis não apresentaram explicações ou documentos que comprovassem a movimentação da mercadoria.

    As investigações identificaram indícios de fraude, apropriação indevida e possível associação criminosa. O casal nega as acusações. Durante o processo, a Justiça ouviu depoimentos de produtores prejudicados e analisou documentos fiscais e contratuais.

    A advogada Ana Franco Toledo, sócia do escritório Dosso Toledo Advogados, explica que, caso seja comprovada a movimentação irregular da mercadoria, as vítimas podem pedir reparação civil e solicitar medidas urgentes, como o bloqueio de bens dos acusados.

    “Em situações como essa, os produtores devem apresentar certificados de depósito, contratos, notas fiscais e registros de entrega para comprovar a posse e a responsabilidade dos depositários”, orienta Ana Franco Toledo.

    Ela destaca que a informalidade nos contratos do setor dificulta a responsabilização e aumenta o risco de prejuízos.

    Contratos formalizados

    O advogado Ricardo Dosso, também sócio do Dosso Toledo Advogados, alerta para a importância de formalizar contratos de depósito agrícola e os títulos relacionados. Ele ressalta que muitos produtores ainda entregam a produção a terceiros confiando apenas na tradição ou em relações pessoais, o que pode gerar grandes perdas. “A informalidade é um risco real no agronegócio, e o caso de Altinópolis mostra como a falta de proteção jurídica pode custar milhões”, afirma Dosso.

    Com o andamento do julgamento, os produtores lesados aguardam uma decisão da justiça que garanta ao menos parte do ressarcimento das perdas. O caso reacende o debate sobre a necessidade de modernizar mecanismos de armazenagem, rastreabilidade e segurança jurídica no agronegócio brasileiro.

    A expectativa é que o julgamento, além de responsabilizar criminalmente os envolvidos, estabeleça precedentes para reforçar o uso de contratos especializados e ampliar a fiscalização sobre operadores logísticos do setor.

    “O agronegócio é o coração da economia brasileira. Proteger o produtor é proteger toda a cadeia”, conclui Ana Franco Toledo.

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  • Cooxupé: Romeu Zema destaca importância da cafeicultura

    Cooxupé: Romeu Zema destaca importância da cafeicultura

    O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, visitou a cidade de Guaxupé no dia 23 de janeiro, onde se encontrou com produtores de café durante um evento organizado pela Cooxupé. A visita faz parte de uma agenda que Zema está realizando em municípios da região, e teve como foco a importância da produção sustentável e os investimentos em infraestrutura para o setor.

    Na manhã do evento, realizado no Centro de Distribuição de Insumos da cooperativa, Zema destacou a relevância da cafeicultura para a economia do estado. “Hoje, a cafeicultura tem um peso como nunca teve na atividade econômica de Minas Gerais. Quero que o homem do campo tenha paz para trabalhar. O Brasil, especialmente Minas, é referência na produção de café sustentável”, afirmou o governador.

    Zema anunciou investimentos significativos no estado, incluindo a construção de 130 novas subestações elétricas e melhorias nas rodovias locais. “Estamos investindo R$ 1,5 bilhão por ano na recuperação das nossas estradas”, acrescentou.

    Apoio das autoridades locais

    O prefeito de Guaxupé, Jarbas Corrêa Filho, enfatizou a necessidade dessas melhorias para garantir maior segurança nas estradas da região. “Isso contribuirá muito para a economia da nossa cidade e para a segurança daqueles que trafegam aqui”, avaliou.

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    O secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, também ressaltou a força da cafeicultura mineira nas exportações e sua contribuição para práticas sustentáveis. “Estamos implantando unidades para trabalharmos a cafeicultura regenerativa em propriedades de cooperados”, disse.

    Importância da Cooxupé

    O presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, destacou que Minas Gerais representa 52% da produção nacional de café e ressaltou o papel da cooperativa no mercado internacional, exportando café para 50 países. “Temos orgulho de sermos produtores de café e admiramos o trabalho do governador por Minas Gerais”, concluiu.

    A visita do governador Romeu Zema à Cooxupé reafirma o compromisso do governo mineiro com o fortalecimento da cafeicultura no estado. Com investimentos em infraestrutura e apoio às práticas sustentáveis, Minas Gerais continua se consolidando como um dos principais polos produtores de café do Brasil.