Tag: Produtividade No Campo

  • Locação de máquinas fortalece atuação em polos agrícolas

    Locação de máquinas fortalece atuação em polos agrícolas

    A locação de máquinas voltadas à linha amarela ganha força no Brasil com a ampliação da presença em polos agrícolas estratégicos. Em sua segunda participação na Agrishow, a Armac apresentou seu plano de expansão, que prevê superar 30 unidades em operação até o fim do ano, com foco em regiões de alta demanda do agronegócio, onde agilidade no atendimento e suporte técnico são determinantes para a produtividade.

    O avanço ocorre após a abertura de 18 unidades nos últimos dois anos, consolidando a maior rede multimarcas do segmento no País. A expansão contempla cidades com relevância no agro, como São José do Rio Preto, Presidente Prudente e São José dos Campos (SP), além de Cascavel (PR), Cuiabá e Lucas do Rio Verde (MT) e Rio Verde (GO). Em Cravinhos (SP), na região de Ribeirão Preto, uma das unidades completou recentemente um ano de operação.

    A estrutura de suporte ac6ompanha esse crescimento. Com mais de 20 oficinas próprias e um complexo de manutenção de 300 mil metros quadrados na Grande São Paulo, considerado o maior da América Latina, a Armac deve alcançar mais de 50 pontos entre lojas, bases logísticas e centros de serviço até o final do ano. A estratégia busca ampliar a capilaridade, reduzir o tempo de resposta e garantir maior proximidade com o cliente.

    Frota ampliada sustenta crescimento no campo

    O movimento de expansão territorial está diretamente ligado ao aumento da frota. Apenas no primeiro trimestre, mais de mil equipamentos foram incorporados, entre máquinas de linha amarela e caminhões. O investimento total em ativos no último ano chegou a R$ 845,4 milhões, crescimento de 19,8% na comparação anual.

    Jornalistas participam de coletiva de imprensa da Armac

    Com um portfólio superior a 12 mil equipamentos, a companhia combina renovação constante da frota com a oferta de seminovos de baixo horímetro. “Nosso portfólio multimarcas reúne mais de 12 mil equipamentos e oferece soluções para os clientes que alugam ou optam pela compra de máquinas seminovas”, afirma Rafael Kuhl, diretor de Negócios para Seminovos. “Na posição de principal comprador de Linha Amarela do Brasil, conseguimos manter uma frota renovada para locação, com tecnologias atuais e equipamentos em condições ideais de uso.”

    A descentralização das unidades também impacta o atendimento. A presença regional permite maior rapidez desde o primeiro contato até o pós-venda, incluindo manutenção em contratos de locação. “Estamos cada vez mais próximos dos clientes, falando os sotaques de cada região e oferecendo soluções personalizadas para cada necessidade”, completa Kuhl.

    Agro sustenta avanço e profissionaliza operações

    O agronegócio segue como um dos principais motores dessa expansão. Em 2026, a Armac completa dez anos de atuação no setor, com crescimento de 28% no comparativo recente. Atualmente, mais de 500 máquinas operam diretamente em atividades ligadas ao campo, com equipes atuando 24 horas por dia.

    As operações envolvem movimentação de biomassa, grãos, açúcar, farelo e proteína animal, totalizando mais de 15 milhões de toneladas por ano. A presença em fazendas, usinas, portos e terminais reforça a integração com cadeias produtivas estratégicas.

    Além da disponibilidade de equipamentos, o modelo inclui profissionais especializados, como operadores e mecânicos, que atuam diretamente nas operações. “Nossos diferenciais vão além da alta disponibilidade de máquinas. Contribuímos para profissionalizar um setor que historicamente foi informal, garantindo eficiência e produtividade aos clientes”, afirma Mairon Karr, diretor de Negócios da Armac.

  • Produtividade no agro ganha força com tecnologia e suporte

    Produtividade no agro ganha força com tecnologia e suporte

    A busca por eficiência operacional no campo ganhou novos contornos durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). Em coletiva, executivos do setor detalharam uma estratégia que combina tecnologia embarcada, fortalecimento do pós-venda e soluções financeiras para sustentar o crescimento no agronegócio brasileiro. O movimento ocorre em meio à necessidade de reduzir custos, evitar paradas e aumentar a previsibilidade das operações.

    Participaram da apresentação Adriano Merigli, presidente da JCB América Latina; Rafael Cardoso, diretor comercial do Agronegócio; Felipe Battistella, diretor de Pós-Venda; e Carlos França, diretor de Vendas e Marketing. O grupo destacou que o avanço da conectividade e da estrutura de suporte já impacta diretamente a produtividade no campo.

    Logo no início do ano, os resultados reforçaram essa tendência. O setor registrou crescimento nas vendas de máquinas, com destaque para o avanço de escavadeiras no agro e de manipuladores telescópicos, indicando maior demanda por soluções voltadas à infraestrutura dentro das propriedades.

    Segundo Adriano Merigli, o cenário exige adaptação estratégica. “Nosso plano de crescimento está baseado em inovação constante e no fortalecimento da nossa capacidade produtiva, mesmo diante de desafios macroeconômicos”, afirmou.

    Representantes da JCB durante coletiva de imprensa na Agrishow 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Pós-venda e tecnologia ganham protagonismo

    A estrutura de pós-venda foi apontada como um dos principais pilares para garantir eficiência operacional. O aumento no estoque de peças e a ampliação da capacidade logística buscam reduzir o tempo de máquina parada, um dos fatores que mais impactam o custo no campo.

    De acordo com Felipe Battistella, o foco está na disponibilidade. “Manter um alto nível de estoque e garantir rapidez no atendimento são fundamentais para assegurar que o equipamento permaneça operando”, disse.

    Outro destaque é o uso da telemetria para monitoramento em tempo real. A tecnologia permite diagnósticos preventivos e ações mais rápidas, evitando falhas inesperadas. Esse sistema é integrado a centros de monitoramento e a uma rede de técnicos especializados, que atuam diretamente na resolução de problemas.

    A conectividade, nesse cenário, deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico para operações mais eficientes e previsíveis.

    Agro impulsiona demanda por máquinas

    O agronegócio segue como um dos principais motores de crescimento do setor. A expansão da infraestrutura nas propriedades rurais tem aumentado a demanda por equipamentos capazes de otimizar processos e reduzir tempo de operação.

    Rafael Cardoso destacou o avanço das escavadeiras no campo. “O crescimento foi expressivo, refletindo a intensificação dos investimentos em infraestrutura agrícola”, afirmou.

    Os manipuladores telescópicos também ganham espaço. Segundo o executivo, esses equipamentos conseguem reduzir significativamente o tempo de movimentação de materiais, o que impacta diretamente a produtividade.

    Além disso, o segmento governamental apresentou aumento nas aquisições, impulsionado por obras e projetos de infraestrutura.

    Crédito e estratégia comercial ampliam acesso

    Em paralelo à tecnologia e ao suporte, as condições comerciais passaram a ter papel relevante na decisão de compra. Diante de juros elevados, o setor aposta em alternativas como consórcio e modelos de financiamento mais flexíveis.

    Carlos França explicou que as estratégias buscam facilitar o acesso às máquinas. “Estamos criando condições que permitam ao cliente investir sem comprometer o fluxo de caixa, mantendo a operação saudável”, afirmou.

    Durante a feira, também foram apresentadas campanhas promocionais e ações de marketing que conectam o universo do agro a outras áreas de interesse do público, ampliando o alcance das marcas.

    Outro ponto destacado foi a previsibilidade na aquisição de equipamentos, com planos que permitem ao produtor programar investimentos ao longo do tempo.

    Com a combinação de tecnologia, suporte estruturado e soluções financeiras, o setor reforça uma mudança de paradigma no campo. A produtividade passa a depender não apenas da máquina, mas de todo o ecossistema que garante sua operação contínua.

  • Trator que “conversa” será destaque na Agrishow 2026

    Trator que “conversa” será destaque na Agrishow 2026

    A Valtra apresenta na Agrishow 2026, pela primeira vez no Brasil, o “Talking Tractor”, um conceito de trator com Inteligência Artificial capaz de interagir com o produtor rural por voz e texto. A tecnologia estreou globalmente na Agritechnica 2025, na Alemanha, e agora chega ao País como uma proposta de transformar o maquinário agrícola em um assistente digital. Com isso, o sistema interpreta dados operacionais e entrega respostas práticas para a gestão da fazenda.

    Por meio de comandos simples, o produtor consulta métricas de desempenho, consumo de combustível e emissões de carbono diretamente com a máquina. Assim, o sistema fornece respostas em tempo real com insights que ajudam na tomada de decisão, tanto no aspecto financeiro quanto operacional.

    Esse avanço ocorre em um cenário de forte digitalização no campo. Segundo a McKinsey & Company, 54% dos produtores brasileiros acreditam que a tecnologia aumenta a rentabilidade. Além disso, dados da Universidade de Brasília (UnB) indicam que mais de 95% dos produtores já utilizam ferramentas digitais. Entre eles, 70% adotam softwares de gestão rural.

    Inteligência artificial transforma dados em linguagem simples

    O Talking Tractor funciona integrado ao aplicativo Valtra Coach e opera por meio de dispositivos móveis. Dessa forma, responde a comandos em diferentes idiomas, como português, espanhol, inglês, alemão, francês e finlandês. Para viabilizar a solução, a Valtra treinou o sistema com manuais de operação, guias de agricultura inteligente, dados de telemetria e registros reais de uso no campo.

    Além disso, o conceito já recebeu reconhecimento internacional. A tecnologia foi finalista do prêmio DLG-Agrifuture Concept Winner 2025, na Alemanha, que destaca inovações voltadas ao futuro da agricultura.

    “O trator é mais do que uma voz, ele conta com inteligência para a análise de dados em respostas visuais e práticas. É a tecnologia aplicada no campo, trazendo o futuro para hoje”, afirma Fabio Dotto, diretor de Marketing de Produto da Valtra.

    Segundo o executivo, o diferencial está na capacidade de simplificar informações técnicas. Nesse sentido, o sistema gera ilustrações de manuais, checklists operacionais e infográficos com base na telemetria da máquina. Além disso, os conteúdos são otimizados para tablets e smartphones.

    Integração e operação segura no campo

    O Talking Tractor se integra ao sistema de telemetria Valtra Connect. Assim, produtores podem utilizar a tecnologia em modelos compatíveis da marca, sejam novos ou adaptados.

    Ao mesmo tempo, a solução mantém foco na segurança operacional. O operador interage com o sistema por voz enquanto dirige, utilizando conexão via Bluetooth no próprio trator ou fones de ouvido. Dessa maneira, a atenção permanece voltada à lavoura.

    Apresentado como o principal destaque tecnológico da marca na Agrishow 2026, o Talking Tractor ainda é uma prova de conceito. Por enquanto, não há previsão de lançamento comercial no Brasil.

    “Mais do que uma nova ferramenta, o Talking Tractor mostra como a inteligência artificial pode humanizar a tecnologia e torná-la acessível e prática para quem realmente importa, que é o agricultor. Estamos trazendo para a Agrishow, junto ao trator Q5, não apenas uma máquina que fala, mas um conceito que redefine a produtividade por meio da colaboração entre homem e inteligência de dados”, conclui Dotto.

    Presente no Brasil desde 1960, a Valtra oferece tratores de 57 a 425 cavalos, além de colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores. Atualmente, a marca mantém mais de 220 pontos de venda e assistência técnica na América Latina, sendo 156 no mercado brasileiro.

  • Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    Segunda safra ganha peso e exige estratégia no campo

    O calendário agrícola no Sudoeste de Goiás mudou de lógica: já não se fala mais em “safrinha”, mas em segunda safra como parte essencial da renda do produtor. Em 2026, o ciclo começou sob pressão, com atraso de até 15 dias no plantio e mais nove dias perdidos na colheita por excesso de chuvas em fevereiro, cenário que tirou parte das lavouras da janela ideal. Ainda assim, a expectativa é de recuperação com clima favorável em abril e início de maio, mantendo o potencial produtivo das áreas.

    A avaliação é de Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura, que acompanha de perto a dinâmica da região durante a Tecnoshow Comigo 2026, realizada em Rio Verde. Segundo ele, o produtor conseguiu reagir rapidamente aos imprevistos, reduzindo um atraso superior a 20 dias para cerca de uma semana.

    “O agricultor hoje está muito bem estruturado e equipado. Mesmo com adversidades, ele conseguiu encurtar esse intervalo e manter a operação dentro de um limite aceitável”, afirma.

    O impacto inicial veio do atraso no plantio da soja, provocado por chuvas no início da safra e períodos nublados que prolongaram o ciclo da cultura. Isso empurrou a colheita para além da janela ideal, coincidindo com chuvas intensas na primeira quinzena de fevereiro, período crítico para a retirada dos grãos do campo.

    Segunda safra deixa de ser complemento e vira pilar

    Mais do que um ajuste de calendário, a mudança reflete uma transformação estrutural no agronegócio. A segunda safra deixou de ser uma cultura de cobertura e passou a ser determinante para a rentabilidade anual.

    “O produtor não pensa mais em culturas isoladas. Ele trabalha com um calendário produtivo completo, seja soja e milho ou soja e sorgo. A segunda safra é fundamental para fechar essa conta”, explica Castro.

    Dyogo Fonseca de Castro, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Com custos elevados, especialmente de fertilizantes, a margem do produtor está mais apertada. Nesse contexto, manter produtividade nas duas safras tornou-se condição básica para viabilidade econômica.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento reforçam a relevância do estado no cenário nacional. Goiás deve produzir mais de 36 milhões de toneladas de grãos, ocupando posição de destaque no país, embora com leve recuo na produtividade nesta temporada.

    Pressão de pragas cresce com “ponte verde”

    Outro desafio típico da região é a chamada “ponte verde”, resultado da sucessão contínua de culturas ao longo do ano. Esse cenário favorece a sobrevivência e multiplicação de pragas.

    No milho, a cigarrinha segue como principal preocupação, mas divide espaço com um novo protagonista: o pulgão, que ganhou relevância, especialmente em regiões mais quentes do Cerrado.

    “Hoje, o pulgão já está no mesmo nível de importância da cigarrinha. É uma praga que aparece cedo e exige atenção redobrada”, alerta.

    Para enfrentar esse cenário, a aposta está em tecnologia e inovação. Entre as soluções, o inseticida Efficon se destaca pelo efeito imediato no controle de pragas vetoras, reduzindo a transmissão de doenças como o enfesamento. No campo das doenças, o foco está no controle da Bipolaris, com novos fungicidas baseados na tecnologia Revysol.

    Além da proteção química, a escolha de sementes com genética avançada também é estratégica. Cultivares mais resistentes a estresses climáticos e doenças ajudam a garantir estabilidade produtiva, mesmo em anos adversos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Clima pode aliviar pressão no fim do ciclo

    Apesar dos desafios iniciais, a previsão climática traz alívio. A expectativa é de chuvas dentro da normalidade em abril e início de maio, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras que ficaram fora da janela ideal.

    Esse cenário reforça a importância do manejo integrado e da tomada de decisão baseada em dados, prática cada vez mais comum entre produtores da região.

    Durante a feira, considerada uma das principais vitrines tecnológicas do país, empresas apresentam soluções que vão desde sementes até plataformas digitais de monitoramento, consolidando o evento como referência na difusão de conhecimento técnico.

    “A agricultura é dinâmica e cada região tem sua particularidade. Aqui, a intensidade do sistema produtivo exige soluções específicas e um olhar atento para cada detalhe”, conclui Castro.

    A Tecnoshow segue até o dia 10 de abril, reunindo produtores, técnicos e empresas em busca de alternativas para elevar a produtividade e garantir a sustentabilidade econômica das lavouras.

  • Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    Mais produção, menos área: integração ganha espaço no campo

    A Cargill Nutrição e Saúde Animal apresentou, nesta terça-feira (31), em Campinas (SP), cidade a aproximadamente 100 km da capital paulista, o Probeef ILP, nova formulação voltada a sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP). O produto chega ao mercado com a proposta de melhorar o desempenho nutricional de bovinos de corte em pastagens integradas, ampliando a eficiência produtiva por área e atendendo a uma demanda crescente por soluções sustentáveis no campo.

    O lançamento, exclusivo para imprensa especializada, ocorreu no Centro de Inovação da empresa e reuniu executivos e representantes do setor, em um momento que reforça o posicionamento estratégico da companhia no segmento de nutrição animal. Atualmente, essa área responde por cerca de 80% dos negócios da Cargill no Brasil, mercado considerado prioritário pela companhia devido ao potencial da pecuária nacional.

    Segundo o diretor de Negócios Probeef, Tiago Galafassi Zarpelon, o país reúne condições únicas para expansão da bovinocultura. “O Brasil está muito bem posicionado globalmente. A demanda por carne cresce, e temos capacidade de atender com eficiência e escala”, afirmou.

    Integração e tecnologia no centro da estratégia

    Desenvolvido especificamente para sistemas ILP, o Probeef ILP busca otimizar a absorção de nutrientes e o aproveitamento da fibra dos pastos, contribuindo para ganhos de produtividade tanto individuais quanto por área. A tecnologia também se insere em um contexto de expansão desses sistemas no país, que já ocupam milhões de hectares e permitem até três safras anuais na mesma área.

    De acordo com o gerente de Tecnologia para Gado de Corte, Felipe Bortolotto, a inovação parte de uma escuta ativa do campo. “Inovação é como um esporte coletivo, pautado no que o cliente precisa. Não existe uma solução única para a pecuária brasileira, que é diversa e desafiadora”, disse.

    Dados apresentados pela empresa indicam avanços significativos na eficiência da produção nas últimas décadas. Em cerca de 20 anos, o peso médio de abate aumentou em aproximadamente três arrobas, enquanto a idade dos animais caiu de forma relevante, refletindo ganhos em produtividade e manejo.

    Além do novo produto, a linha Probeef Pasto passa por ajustes nas formulações, com níveis otimizados de macro e microminerais, ampliando a cobertura para diferentes perfis de produtores, do pequeno ao altamente intensivo.

    Produtividade exige planejamento e gestão

    Para o pecuarista José Leandro Olivi Peres, da Fazenda Alegria, em Mato Grosso, a tecnologia só gera resultado quando alinhada a objetivos claros. “O produtor precisa saber onde quer chegar. Quando isso está definido, o técnico consegue entregar a solução certa, no momento certo”, afirmou.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Ele destacou ainda que a busca por maior produtividade deve estar associada à sustentabilidade econômica da propriedade. “Eu queria aumentar a produção por área e agregar mais arrobas, desde que o negócio fosse sustentável”, disse.

    A empresa também aposta em ferramentas digitais para apoiar o produtor na tomada de decisão, incluindo softwares de gestão, monitoramento por imagens de satélite e tecnologias de ajuste nutricional. A proposta é integrar produtos, pessoas e plataformas, os chamados “três Ps”, como base da estratégia.

    Reorganização do portfólio e foco no mercado

    O lançamento do Probeef ILP faz parte de um movimento mais amplo de reorganização do portfólio da companhia. As marcas passam a ser segmentadas por cadeia produtiva, com foco em soluções completas para cada área.

    No segmento de bovinos de corte, a marca Probeef assume papel central, com a proposta de oferecer desde produtos até suporte técnico especializado. A estratégia também inclui a atualização da identidade visual, baseada no conceito de confiança, elemento considerado essencial na relação com o produtor.

    Segundo o diretor de Marketing e Tecnologia, Marcelo Dalmagro, o objetivo é contribuir para a evolução da pecuária brasileira. “Queremos ajudar o produtor a dar o próximo passo, independentemente do tamanho da operação”, afirmou.

    A expectativa da empresa é ampliar participação em um mercado ainda fragmentado, mas em crescimento contínuo, impulsionado pela demanda global por proteína animal. Nesse cenário, a integração entre lavoura e pecuária surge como caminho para aumentar a eficiência produtiva e atender às exigências ambientais e econômicas do setor.

  • Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Decisões tomadas ainda no início do ciclo da lavoura podem definir o sucesso da safra. Esse foi um dos principais recados apresentados por especialistas da IHARA durante a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. A empresa levou à feira um conjunto de tecnologias voltadas ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, três fatores que seguem entre os principais desafios enfrentados pelo produtor nas culturas de soja, milho e trigo.

    De acordo com o engenheiro agrônomo Rudimar Spannemberg, que atua no desenvolvimento de mercado da companhia, o cenário atual da agricultura exige planejamento técnico cada vez mais preciso. Segundo ele, reduzir investimentos em momentos críticos pode comprometer toda a produtividade da lavoura.

    “Em um cenário de custos pressionados, pode parecer tentador reduzir investimentos. No entanto, insetos, doenças e plantas daninhas precisam ser controlados desde o início do ciclo da cultura. O manejo realizado no momento adequado garante estabilidade produtiva e evita perdas que comprometem os resultados”, afirma.

    Além disso, o especialista lembra que o Rio Grande do Sul ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos. O estado aparece entre os principais polos agrícolas do país e é o segundo em área plantada de soja no Brasil, o que reforça a importância de decisões técnicas bem planejadas.

    Fernando Socolovski e Rudimar Spannemberg – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Plantas daninhas avançam e preocupam produtores

    Entre os temas que mais despertaram atenção na apresentação está o avanço das plantas daninhas resistentes. Estudos técnicos indicam que algumas espécies já estão presentes em mais de 50% das áreas agricultáveis do Brasil.

    Entre as mais comuns estão o capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, azevém, corda-de-viola, capim-colonião, caruru e capim-braquiária.

    Segundo o gerente comercial distrital da empresa, Fernando Socolovski, a presença dessas espécies pode provocar impactos significativos na produtividade.

    “O potencial de perdas causado pela matocompetição pode ultrapassar 90% quando o manejo não é feito de forma adequada”, explica.

    No Rio Grande do Sul, uma das plantas daninhas que mais preocupam os agricultores é o caruru. Em algumas regiões, a espécie já está presente em metade das áreas cultivadas. Além disso, a resistência ao glifosato tem dificultado o controle, reduzindo o rendimento das lavouras de soja e outras culturas.

    Nesse cenário, o manejo antecipado torna-se fundamental. Entre as tecnologias apresentadas na feira está o herbicida Yamato SC, desenvolvido para atuar ainda na fase de germinação das plantas daninhas.

    O produto funciona como pré-emergente. Ou seja, ao absorver água no solo, a planta daninha também absorve o produto, o que permite o controle ainda no início do desenvolvimento, antes que a competição com a cultura principal se intensifique.

    Doenças e insetos pressionam a produtividade

    Ao mesmo tempo, as doenças continuam representando um dos maiores riscos à produção agrícola. Entre elas, a ferrugem asiática da soja segue como uma das mais temidas pelos produtores.

    De acordo com especialistas, quando o manejo não é realizado de forma adequada, as perdas podem chegar a 90% da produção.

    Além da ferrugem, outras doenças aparecem em diferentes fases do ciclo da cultura. No início da safra, por exemplo, são comuns problemas como mancha parda, oídio, cercosporiose, crestamento bacteriano e fitóftora.

    Já durante o meio do ciclo surgem doenças como míldio, antracnose, mancha-alvo e mofo branco. No fim do desenvolvimento da lavoura, por sua vez, podem aparecer novamente mancha parda, cercospora, crestamento e ferrugem.

    Nesse contexto, o uso de fungicidas com diferentes mecanismos de ação torna-se uma estratégia importante para garantir eficiência no controle e reduzir o risco de resistência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia e inovação no campo

    Outro desafio recorrente nas lavouras brasileiras é o ataque de insetos, especialmente percevejos. Esses insetos podem comprometer diretamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade final.

    Segundo dados apresentados pela empresa, testes realizados em campo indicaram que o inseticida Zeus alcançou até 95% de eficácia no controle do percevejo-marrom em lavouras de soja.

    Além disso, o portfólio da companhia inclui o inseticida Terminus, desenvolvido para o controle de diferentes espécies de percevejos, como o percevejo-marrom e o percevejo barriga-verde.

    A empresa, que possui 62 anos de atuação e sede em Sorocaba, no interior de São Paulo, destaca ainda sua forte ligação com a pesquisa agrícola japonesa. Atualmente, cerca de 60% das novas moléculas que chegam à agricultura brasileira têm origem em empresas japonesas.

    Segundo Socolovski, esse perfil inovador deve resultar em uma nova geração de tecnologias para o campo.

    “Nos próximos anos, a companhia tem potencial para lançar cerca de 240 novos produtos, entre herbicidas, fungicidas e inseticidas”, afirma.

    Por fim, os especialistas reforçam que a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e planejamento estratégico. A natureza é dinâmica, novas pragas surgem e a resistência a moléculas já conhecidas avança.

    Por isso, o produtor que antecipa decisões e investe em tecnologia tende a proteger melhor sua lavoura e garantir maior estabilidade produtiva nas próximas safras.

  • Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    A Ihara apresentou suas principais apostas em inovação, novos produtos e estratégias para ampliar a produtividade agrícola no Brasil durante a 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Em coletiva de imprensa no evento, o gerente distrital e comercial da empresa, Rafael Scapini, detalhou tendências de mercado, desafios do manejo e os próximos lançamentos previstos no portfólio da companhia.

    Inovação japonesa aplicada ao campo brasileiro

    Reconhecida como uma das principais plataformas de inovação agrícola do Japão no Brasil, a Ihara atua com acionistas majoritariamente ligados ao fornecimento de moléculas. Esse modelo permite que soluções desenvolvidas no maior polo de pesquisa agrícola do mundo cheguem ao campo brasileiro de forma direcionada às necessidades do produtor.

    Rafael Scapini, gerente distrital e comercial da Ihara – Foto: Pedro H, Lopes

    Além disso, a empresa mantém o foco em transformar tecnologia em resultado prático na lavoura. O objetivo, segundo Scapini, é garantir que a inovação chegue até o produto final, com impacto direto na produtividade e na rentabilidade.

    Crescimento do portfólio e novos lançamentos

    O avanço da Ihara no País ocorre de forma consistente. Em 2017, a empresa registrou seu maior crescimento histórico, com o lançamento de 15 produtos em um único ano. Já em 2025, o portfólio alcançou 79 produtos disponíveis, atendendo todas as culturas e segmentos do agronegócio.

    Atualmente, a companhia avalia e desenvolve 22 moléculas, com potencial para originar até 240 novos produtos. Além disso, quatro soluções — dois fungicidas e dois inseticidas — avançam para a fase final de desenvolvimento. “Tem muita coisa nova para vir por aí”, afirmou Scapini.

    Entre os produtos que devem chegar em breve ao agricultor estão o Fusão Fix, fungicida voltado à cultura da soja; o Alecto, inseticida com molécula inédita para o controle de lagartas; e o Olympo, mistura tripla para soja, com ação contra lagartas, percevejos e outras pragas.

    Recentemente, a Ihara também lançou o SEIV, fungicida desenvolvido com tecnologia própria para o controle da mancha-alvo. Segundo a empresa, o produto permite máximo controle da doença e pode elevar a produtividade em até quatro sacas por hectare.

    Custos de produção e busca por eficiência

    De acordo com Scapini, o produtor rural tem ampliado o investimento em tecnologia como resposta às margens cada vez mais apertadas. Atualmente, cerca de 20% dos recursos vão para fungicidas, 25% para inseticidas, 20% para herbicidas e 7% para tratamento de sementes, além de outros custos de manejo.

    No custo total de produção, os fertilizantes representam aproximadamente 25%, enquanto os defensivos somam 15% e as sementes ficam entre 7% e 8%. Para alcançar o ponto de equilíbrio, o produtor precisa colher cerca de 55 sacas de soja por hectare ao adotar um pacote tecnológico completo.

    Nesse contexto, o investimento em manejo adequado deixou de ser opção e passou a ser necessidade. “Novos patamares de produtividade exigem capricho e planejamento”, destacou o gerente.

    Manejo de plantas daninhas e resistência

    O manejo de plantas daninhas se consolidou como um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ao glifosato acelerou o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente no Sul do País. Espécies como caruru, buva e capim-pé-de-galinha ganharam espaço com as condições climáticas favoráveis.

    Diante desse cenário, o herbicida Yamato SC ganhou importância no manejo da resistência. O produto oferece maior período de controle, alta seletividade e segurança para o agricultor iniciar a lavoura no limpo.

    Enquanto isso, a evolução genética também transformou o campo. Se antes uma mesma genética atendia grandes regiões, hoje a escolha ocorre por propriedade. Assim, o produtor alia genética, seletividade e tecnologia para alcançar maior eficiência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças e controle de pragas

    Entre as doenças da soja, a ferrugem asiática segue como a principal preocupação. Dados da Aprosoja indicam que a doença pode comprometer até 90% da produção. Na última safra, o Brasil registrou mais de 240 focos, o maior número já observado.

    Para enfrentar esse desafio, a Ihara destaca os fungicidas Sugoy e Fusão. O Sugoy reúne uma mistura tripla com ação contra ferrugem, mancha-alvo, antracnose e outras doenças. Dessa forma, o produtor não precisa adicionar outros produtos ao manejo. Já o Fusão combina alta performance com baixo investimento, o que o torna indispensável na rotina do campo.

    No controle de insetos, o Zeus se consolidou como referência no manejo de percevejos. Segundo dados apresentados, apenas um percevejo por metro quadrado pode gerar prejuízos superiores a R$ 11 mil em uma área de 100 hectares. “Não é promessa, é resultado de campo”, reforçou Scapini.

    Com foco em inovação contínua, tecnologia japonesa e soluções adaptadas à realidade brasileira, a Ihara projeta um novo ciclo de crescimento no País. A estratégia prioriza eficiência no manejo, controle preciso de pragas e doenças e aumento da rentabilidade. “É o detalhe que faz a diferença dentro do manejo produtivo”, concluiu o gerente.

  • Cargill troca estimativa por precisão no manejo da ração

    Cargill troca estimativa por precisão no manejo da ração

    A Cargill Nutrição e Saúde Animal apresentou ao mercado brasileiro o Cargill FeedView powered by BinSentry, solução digital voltada à gestão inteligente da ração em sistemas de produção de aves e suínos. O lançamento foi detalhado em entrevista coletiva com Celso Mello, diretor-geral da Cargill Nutrição Animal Latam, e Ana Paula Maia, gerente de Soluções Digitais da companhia. Na ocasião, os executivos reforçaram a estratégia da empresa de apoiar o produtor rural com tecnologia, dados e acompanhamento técnico.

    A ferramenta integra hardware, software em nuvem e consultoria especializada. Com isso, permite que produtores e indústrias acompanhem, em tempo real, o estoque e o consumo de ração, do planejamento da fábrica até o cocho. O objetivo é claro: reduzir perdas, evitar falhas de abastecimento e apoiar decisões mais precisas em um dos principais custos da produção animal, que pode representar até 70% do custo total.

    Gestão da ração baseada em dados

    Desenvolvido em parceria com a BinSentry, o sistema utiliza sensores de imagem 3D de alta precisão, instalados diretamente nos silos de ração. Esses sensores se conectam a uma plataforma inteligente em nuvem, que oferece visibilidade instantânea dos níveis de ração, previsões de consumo, alertas de desabastecimento e relatórios personalizados.

    Além disso, a tecnologia reduz a dependência de medições manuais e elimina decisões baseadas apenas em estimativas. Essa prática ainda é comum em muitas granjas, onde o produtor recorre a métodos empíricos, como bater no silo para identificar o nível de ração. Dessa forma, o FeedView permite trabalhar com informações confiáveis, atualizadas e acessíveis, fortalecendo o planejamento da produção e da logística.

    Segundo Celso Mello, o FeedView representa um avanço relevante na gestão da cadeia de ração. “Estamos falando de uma solução que conecta fábrica, logística e granja, colocando o dado no centro das decisões e ajudando o produtor a ganhar eficiência de forma consistente”, destacou durante a coletiva.

    Ana e Celso durante apresentação do novo sistema de monitoramento – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia de precisão no silo

    Na prática, o sistema possibilita controlar o estoque de ração com até 98% de precisão. Esse desempenho é alcançado graças a sensores com carregamento solar, câmera 3D autolimpante e mais de nove mil pontos de leitura por silo. A comunicação ocorre via LTE-M ou wi-fi, o que garante estabilidade e atualização contínua das informações.

    Além disso, a plataforma permite criar alertas automáticos para falta ou excesso de ração e gerar relatórios por granja, lote ou unidade produtiva. Esses dados apoiam o planejamento de entregas, reduzem pedidos emergenciais e contribuem para uma operação mais organizada e previsível.

    Resultados comprovados no campo

    Em operações já monitoradas pela tecnologia, os resultados são expressivos. Os dados apontam redução de até 75% nos eventos de falta de ração. Também indicam queda de até 80% em sobras e retornos, diminuição de 95% nos pedidos de urgência e redução de 15% nas entregas. Esses números geram impacto direto nos custos logísticos e na eficiência industrial.

    Além do ganho operacional, o FeedView ajuda a evitar misturas de fases, sobras e falhas de abastecimento. Com isso, favorece o uso mais eficiente dos nutrientes, melhora a conversão alimentar e amplia a segurança na oferta de aditivos e medicamentos nos momentos corretos da produção.

    Abordagem consultiva e suporte ao produtor

    Mais do que uma plataforma tecnológica, o Cargill FeedView conta com um modelo consultivo estruturado. A solução é sustentada por especialistas em nutrição, produção animal, fábrica de ração e logística. O acompanhamento começa na prova de valor e segue até a implementação em escala, sempre com foco na captura efetiva de resultados.

    A metodologia inclui diagnóstico, definição de indicadores, implantação gradual, treinamento das equipes e apoio à gestão da mudança. Dessa forma, envolve todos os elos da operação, do nutricionista ao produtor, passando por logística, planejamento e TI.

    Para Ana Paula Maia, líder de soluções digitais da Cargill Nutrição e Saúde Animal, a proposta é transformar a rotina no campo. “O Cargill FeedView inaugura uma nova jornada na gestão da cadeia de ração, em que as decisões deixam de ser baseadas em suposições e passam a ser orientadas por dados. Isso se traduz em menos desperdício, mais eficiência e bem-estar animal, com retorno claro sobre o investimento”, afirmou.

    Histórico e expansão no Brasil

    A tecnologia que sustenta o FeedView já está presente em cerca de 80 empresas na América do Norte, com mais de 50 mil sensores ativos. Ao longo do tempo, acumulou um histórico consistente de ganhos operacionais. No Brasil, a Cargill Nutrição e Saúde Animal pretende expandir gradualmente a oferta da solução para diferentes segmentos da cadeia de proteína animal.

  • Genética e agricultura digital impulsionam o milho brasileiro

    Genética e agricultura digital impulsionam o milho brasileiro

    A combinação entre genética avançada e agricultura digital vem mudando, na prática, a forma como o milho é cultivado no Brasil. Ao integrar dados de campo, pesquisa genética e híbridos de alto desempenho, produtores têm conseguido extrair mais produtividade por hectare, com maior previsibilidade e melhor retorno econômico, mesmo em cenários climáticos desafiadores.

    Esse movimento marca uma nova fase no mercado de sementes de milho, baseada menos em volume e mais em eficiência. Em vez de soluções genéricas, a aposta está em recomendações personalizadas, ajustadas à realidade de cada talhão. O resultado aparece diretamente na lavoura, com ganhos consistentes de rendimento e uso mais racional de insumos.

    Dados e genética no centro das decisões

    Um dos exemplos dessa transformação é o uso combinado de agricultura digital e portfólio genético para definir densidade de semeadura, posicionamento de híbridos e manejo nutricional. Com base em dados históricos, variabilidade do solo e potencial produtivo de cada área, o sistema orienta o agricultor a tomar decisões mais precisas desde o plantio.

    Na prática, isso significa abandonar médias gerais e trabalhar com recomendações específicas para cada parte da lavoura. Ao considerar o comportamento individual dos híbridos e as condições locais, a tecnologia permite explorar melhor o potencial genético das sementes, reduzindo riscos e desperdícios.

    Segundo especialistas do setor, a estabilidade produtiva passa a ser tão importante quanto o teto de produtividade. “A integração entre genética, posicionamento e ferramentas digitais cria um sistema mais equilibrado, que responde melhor às variações do ambiente”, avalia Marco Túlio, líder do negócio de milho da Bayer no Brasil.

    Resultados comprovados na lavoura

    Os efeitos dessa abordagem já aparecem nos números. Na última safra de inverno, áreas que adotaram o modelo somaram mais de 180 mil hectares e registraram ganhos médios entre quatro e sete sacas por hectare. Além disso, a taxa de sucesso superou 80%, indicador considerado elevado para uma cultura altamente sensível a clima e manejo.

    Para Marlon Denez, líder de soluções digitais para milho, os dados confirmam a maturidade da tecnologia. “Os resultados mostram que não se trata mais de promessa. Há retorno claro sobre o investimento, mesmo em safras desafiadoras”, afirma. Segundo ele, a combinação entre dados, genética e recomendações personalizadas tem se mostrado decisiva para aumentar produtividade e rentabilidade.

    Flexibilidade no manejo é diferencial

    Outro ponto que tem impulsionado a adoção da agricultura digital no milho é a flexibilidade. O agricultor pode escolher em quais áreas aplicar as recomendações e comparar os resultados com o manejo tradicional. Dessa forma, a tecnologia se adapta ao sistema produtivo da fazenda, e não o contrário.

    Além disso, o uso de plataformas digitais permite integrar informações de plantio, colheita e fertilização, facilitando ajustes ao longo do ciclo. Com isso, o produtor ganha autonomia para testar estratégias, escalar a tecnologia gradualmente e tomar decisões baseadas em dados reais da própria operação.

    Agilidade acompanha o ritmo do campo

    Atenta à dinâmica da lavoura, a entrega das prescrições passou a ocorrer em até 24 horas. Em muitos casos, as recomendações são geradas quase em tempo real. Essa agilidade faz diferença em um cenário de janelas curtas de plantio, no qual decisões atrasadas podem comprometer o desempenho da safra.

    “Sabemos que o tempo do campo é diferente. Por isso, a tecnologia precisa acompanhar o ritmo do produtor”, destaca Denez. A rapidez no acesso às informações reduz gargalos operacionais e aumenta a eficiência no momento mais crítico da cultura.

    Caminho para uma produção mais sustentável

    Ao integrar genética e agricultura digital, o cultivo do milho avança também no uso mais consciente de recursos. A aplicação de insumos em taxa variável e o melhor aproveitamento do potencial produtivo ajudam a reduzir excessos, melhorar a eficiência e contribuir para uma produção mais sustentável.

    Nesse contexto, a tendência é que soluções baseadas em dados ganhem cada vez mais espaço no campo. A expectativa do setor é ampliar significativamente a área cultivada com esse modelo nos próximos anos, consolidando a agricultura digital como um dos principais motores de competitividade do milho brasileiro.

  • Michelin aposta em tecnologia e produção nacional para ampliar produtividade no campo

    Michelin aposta em tecnologia e produção nacional para ampliar produtividade no campo

    Com foco em produtividade, inovação e presença local, a Michelin apresentou novidades importantes na 30ª edição da Agrishow, realizada em Ribeirão Preto. Em entrevista ao Agro em Campo, o diretor comercial Fora de Estrada da empresa, Pedro Fernandes, falou sobre a nacionalização dos pneus TrailXBib, as tecnologias que ajudam a preservar o solo e aumentar a rentabilidade do produtor, além da parceria estratégica com a Grunner.

    A Michelin vê o agronegócio como essencial para o futuro da alimentação?
    Sem dúvida. Acreditamos fortemente no crescimento do mercado agrícola, que será fundamental para alimentar o mundo. A população vai crescer bastante nos próximos anos e a produção de alimentos será cada vez mais estratégica. O agro será um dos pilares para sustentar esse avanço.

    Pedro Fernandes, diretor comercial Fora de Estrada, Michelin, junto de uma esteira Camso CTS High Speed
    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Quais são os principais investimentos da Michelin no Brasil?
    Estamos investindo fortemente no mercado agrícola brasileiro, especialmente na nossa capacidade industrial local. Isso significa fabricar aqui os pneus que o produtor brasileiro realmente precisa. Um exemplo é a nacionalização do TrailXBib, nosso pneu de transbordo, que agora será produzido no Brasil.

    Pneu TrailXBib terá produção nacional
    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    E qual o impacto dessa nacionalização?
    É um avanço importante. Com o TrailXBib nacional, o agricultor não precisa mais esperar a chegada de um pneu importado. Ele terá o produto certo, na hora certa, sem o risco de perder uma colheita. É mais agilidade e eficiência para o campo.

    Tecnologia no solo: pneus e esteiras pensados para produtividade

    A Michelin também trouxe tecnologias já conhecidas, certo?
    Sim. Um bom exemplo é a tecnologia Ultraflex, que permite operar com pneus de baixíssima pressão. Isso aumenta a área de contato com o solo e reduz significativamente a compactação. O resultado é mais tração, menor consumo de combustível e aumento da produtividade — tudo isso com um cuidado maior com o solo.

    Vocês também apresentaram esteiras para colheitadeiras?
    Exato. Trouxemos as esteiras Camso, do grupo Michelin, voltadas especificamente para colheitadeiras. Elas ampliam a capacidade de operação em terrenos difíceis, inclusive em situações de chuva. Isso garante ao produtor a colheita completa, sem perdas causadas por condições climáticas adversas.

    Outro destaque foi o lançamento do KO3?
    Sim, o KO3 da BFGoodrich. É uma gama que muitos aguardavam. Lançamos justamente durante a Agrishow, pensando no agricultor que precisa acessar o campo com sua caminhonete com a mesma performance e confiabilidade que exige das máquinas agrícolas. É produtividade também fora da lavoura.

    Pedro Fernandes participa de coletiva no estande da Grunner na Agrishow
    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Como a Michelin vê parcerias com empresas inovadoras como a Grunner?
    A Grunner é um grande exemplo de parceria natural. Eles trouxeram uma inovação para o mercado e nós conseguimos oferecer pneus que sustentassem essa inovação. Os nossos pneus foram os únicos capazes de suportar a carga e a velocidade dos caminhões da Grunner, sem comprometer o solo. Essa parceria elevou a produtividade e mostrou como tecnologia e inovação podem caminhar juntas no campo.

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