Tag: Produção Sustentável

  • Câmara aprova lei que transforma chácaras de até 2 mil m² em propriedade rural: veja o que muda

    Câmara aprova lei que transforma chácaras de até 2 mil m² em propriedade rural: veja o que muda

    Produzir alimentos em uma pequena área e não ter acesso a crédito, isenção fiscal ou assistência técnica. Essa é a realidade de milhares de produtores que trabalham em chácaras espalhadas pelo Brasil, mas que, na prática, não existem para o sistema oficial. Essa contradição pode estar com os dias contados. Um projeto de lei aprovado na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados dá um passo decisivo para mudar esse cenário de uma vez por todas.

    O que diz o PL 918/2025 e quem pode ser beneficiado

    O PL 918/2025 estabelece que chácara é a propriedade rural com área de até 2 mil metros quadrados, destinada à produção agrícola, pecuária ou agropecuária, com a finalidade de subsistência e/ou comercialização. Em outras palavras, se a área produz, ela passa a ser tratada pelo Estado como rural, independentemente do tamanho.

    O texto determina que essas propriedades poderão usufruir de benefícios como acesso a crédito e financiamento específicos para pequenos agricultores, isenção de taxas e impostos municipais relacionados à atividade rural, e programas de capacitação e assistência técnica de órgãos federais e estaduais.

    Para o público de agroemcampo.ig.com.br, o dado mais relevante está na conexão com o Pronaf. A aprovação do PL 918/2025 harmoniza a legislação com o Marco Legal da Agricultura Familiar, Lei nº 11.326/2006, fortalecendo a inclusão desses produtores em programas oficiais como o Pronaf, com acesso a linhas de crédito com juros reduzidos e condições diferenciadas.

    Uma lacuna histórica que excluía quem mais produz perto das cidades

    O problema que o projeto resolve não é novo. A medida busca corrigir uma lacuna histórica na legislação brasileira, que muitas vezes deixa pequenos imóveis produtivos fora do enquadramento formal como propriedades rurais. Na prática, isso impede que milhares de agricultores familiares tenham acesso a crédito rural, incentivos fiscais e programas oficiais de apoio à produção.

    Segundo o relator do projeto, o deputado Coronel Meira (PL-PE), “a referida proposição é meritória ao propor a inclusão formal de unidades produtivas rurais de pequena dimensão, denominadas de chácaras, no escopo das políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e de base local.”

    Por outro lado, o autor do texto, o deputado Murillo Gouvea (União-RJ), vai além do argumento jurídico. Para ele, “a definição das chácaras como pequenas propriedades rurais é essencial para reconhecer a importância da agricultura familiar na economia e na preservação ambiental.” Assim, a proposta funciona como uma virada de chave: quem estava fora do sistema passa a ter nome, endereço e direitos no sistema oficial.

    O impacto real no campo: renda, fixação e segurança alimentar

    Com acesso garantido a crédito, tecnologia e suporte técnico, as consequências para o campo se ramificam em várias direções. A formalização das chácaras como propriedades rurais garante segurança jurídica aos produtores, facilita o acesso a políticas públicas e estimula a produção sustentável em áreas periurbanas e rurais, contribuindo para a diversificação da produção agrícola, para o fortalecimento das cadeias produtivas locais e para a geração de renda familiar.

    Além disso, o projeto toca em uma ferida antiga do campo brasileiro: o êxodo rural. Com mais segurança jurídica e acesso a políticas públicas, pequenos produtores têm razão concreta para permanecer na terra. No entanto, esse impacto só se materializa quando, e se, o projeto se tornar lei de fato.

    Aprovado na comissão, mas ainda longe de virar lei: entenda o caminho

    Quem comemorou cedo precisa ter cautela. O PL 918/2025 foi aprovado pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados em dezembro de 2025 e agora tramita em caráter conclusivo, sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisará ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

    Além disso, o Poder Executivo terá prazo de 12 meses após a publicação para regulamentar a lei, estabelecendo critérios e procedimentos para o reconhecimento das chácaras. Ou seja, entre a aprovação final e a aplicação prática no dia a dia do produtor, existe uma janela regulatória que pode levar mais de um ano.

    No entanto, o avanço legislativo já sinaliza uma mudança de mentalidade dentro do Congresso: pequenos produtores que alimentam cidades merecem o mesmo respaldo legal que grandes propriedades rurais. Para o agronegócio brasileiro, que se orgulha de ser um dos maiores do mundo, reconhecer quem produz em 2 mil metros quadrados pode ser o detalhe que faltava para completar o sistema.

  • Primeira braquiária decumbens brasileira chega ao mercado

    Primeira braquiária decumbens brasileira chega ao mercado

    A Embrapa e a Unipasto lançam a BRS Carinás, primeira cultivar brasileira de *Brachiaria decumbens*.
    A novidade chega ao mercado nesta semana com foco no bioma Cerrado. A cultivar apresenta alta produção de forragem e adaptação a sistemas integrados. Além disso, ela pode atingir até 16 toneladas de matéria seca por hectare.

    A BRS Carinás também se destaca pela elevada produtividade de folhas, que possuem maior valor nutritivo.
    Ao mesmo tempo, ela exige baixa fertilidade do solo e tolera áreas ácidas e pobres em fósforo.

    Diferenciais

    A nova cultivar ainda amplia a capacidade de suporte das pastagens. Consequentemente, ela aumenta o ganho de peso vivo por área em relação à Basilisk.

    O pesquisador da Embrapa, Sanzio Barrios, afirma que a cultivar diversifica áreas ocupadas pela braquiarinha.
    Ele explica que a planta se adapta ao período seco e permite uso estratégico na entressafra.

    Segundo Barrios, o produtor pode vedar a pastagem no fim do verão. Assim, ele garante reserva de forragem para o período seco.

    A cultivar também favorece sistemas de Integração Lavoura-Pecuária. Isso ocorre porque ela produz grande volume de palhada e forragem para pastejo.

    Além disso, a BRS Carinás não interfere na produtividade de culturas anuais.
    Esse fator fortalece seu uso em sistemas agrícolas integrados.

    Até então, a Basilisk era a única cultivar da espécie disponível no Brasil. Os pesquisadores trouxeram essa variedade da Austrália na década de 1960. No entanto, o plantio extensivo e a baixa resistência a cigarrinhas limitaram seu uso. Mesmo assim, a Basilisk ainda ocupa grandes áreas de produção de sementes.

    Foco na produção sustentável

    A Embrapa destaca que a nova cultivar atende à demanda por produção sustentável.
    Além disso, ela contribui para aumentar a produtividade animal em solos de baixa fertilidade.

    Os pesquisadores também avaliam expansão futura para outros biomas e países da América Latina.

    Em comparação direta, a BRS Carinás produz 18% mais forragem na estação chuvosa. Nesse período, ela apresenta maior volume de lâminas foliares. Quando utilizada na seca, a cultivar gera 40% mais massa de forragem que a Basilisk. Além disso, mais da metade desse volume corresponde a material vivo.

    Os testes com bovinos indicam aumento da lotação das pastagens. Como resultado, o ganho de peso por hectare cresce cerca de 12%. Os pesquisadores também observaram ausência de acamamento das plantas.
    Esse comportamento ocorre mesmo em áreas vedadas ou de crescimento livre.

    Em relação ao encharcamento, a cultivar apresenta desempenho semelhante ao Marandu e ao Xaraés.
    Novos testes em solos mal drenados ainda serão realizados. Em sistemas integrados, a BRS Carinás não compete com culturas como o milho. Além disso, ela se estabelece bem com baixa taxa de semeadura.

    Na entressafra, a cultivar produz até 70% mais forragem que a *Brachiaria ruziziensis*.
    Isso garante mais alimento para o gado e melhor cobertura do solo.

    A planta também apresenta rápida rebrotação no início das chuvas. Em apenas 60 dias, ela acumula até quatro toneladas de matéria seca. Esse desempenho favorece o uso em plantio direto com formação de palhada.
    Além disso, o controle com herbicidas ocorre de forma eficiente.

    No consórcio com soja, cerca de 80% da palhada se decompõe em 120 dias. Com isso, o solo recebe nutrientes equivalentes a fertilizantes comerciais.

    Segundo os pesquisadores, esse processo reduz custos e melhora o manejo do solo. Assim, a cultivar contribui para sistemas mais eficientes e conservacionistas.

    As sementes da BRS Carinás estarão disponíveis no início do segundo semestre.
    Os produtores poderão adquirir o material por meio dos associados da Unipasto.

  • Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    Fundo Amazônia investe R$ 80 milhões para viabilizar economia da floresta em pé

    A produção sustentável de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares da Amazônia Legal ganha um reforço de R$ 80 milhões do Fundo Amazônia. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançaram, nesta terça-feira (3), um edital público para selecionar os projetos que receberão os investimentos.

    A iniciativa integra o projeto “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva” e tem como objetivo principal superar os principais obstáculos que historicamente limitam a geração de renda na região. Os recursos financiarão soluções para gargalos em logística, beneficiamento, armazenamento, adequação sanitária e, principalmente, no acesso a mercados para produtos da sociobiodiversidade.

    Como funciona o edital e quem pode participar

    Cooperativas, associações e organizações da sociedade civil da Amazônia Legal já podem apresentar suas propostas. O edital priorizará projetos com maior número de beneficiários, protagonismo feminino, participação de jovens e atuação em cadeias produtivas como açaí, castanha-do-Brasil, babaçu, mel e pesca artesanal.

    Os valores dos apoios variam entre R$ 500 mil e R$ 2,5 milhões por projeto, com previsão de selecionar pelo menos 32 propostas. Os recursos podem custear desde assistência técnica e obras civis até a aquisição de máquinas, equipamentos e a realização de consultorias especializadas.

    Foco na infraestrutura e geração de renda

    Líderes das instituições envolvidas destacam que o investimento vai direto para a ponta da cadeia produtiva. “Esse apoio do Fundo Amazônia chega à ponta, fortalecendo quem produz de forma sustentável. Ao ampliar o acesso a infraestrutura e mercados, criamos condições reais para geração de renda, redução das desigualdades e manutenção da floresta em pé”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

    A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou a conexão entre economia e conservação. “Fortalecer as atividades produtivas dessas populações significa valorizar os saberes locais e proteger a floresta”.

    Conexão com políticas públicas

    Além do mercado privado, os projetos deverão fortalecer a participação das comunidades em programas públicos de abastecimento, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

    O lançamento do edital ocorreu em um webinar transmitido pelas instituições. A íntegra do documento e todas as regras para participação já estão disponíveis para consulta pública.

  • COP30 distribui cestas da agricultura familiar aos voluntários

    COP30 distribui cestas da agricultura familiar aos voluntários

    Voluntários da COP30 recebem kits com alimentos da agricultura familiar brasileira desde o último sábado. A iniciativa beneficia 1,3 mil pessoas que atuam na conferência climática em Belém.

    A distribuição começou no dia 15 e continua até esta sexta-feira, dia 21. Nesta segunda-feira, mais um grupo recebeu as cestas. Ao todo, serão entregues duas mil unidades durante o evento.

    Alimentos regionais compõem os kits

    As cestas reúnem produtos de diferentes biomas brasileiros. Entre os itens estão doce de umbu, castanha-do-pará e farinha de baru. Além disso, os kits incluem flocão de milho, castanha de baru e amêndoa de licuri. O óleo de coco babaçu orgânico também faz parte da seleção.

    Universitária valoriza troca cultural

    Foto: divulgação – Agência Brasil/Tânia Rêgo

    Gabriella de Araújo, estudante universitária, trabalha como voluntária na COP30. Ela atua nos serviços de tradução do evento. A jovem destaca que a experiência permite praticar idiomas e conhecer pessoas.
    “Eu adoro essa possibilidade de estar sempre conhecendo pessoas novas”, afirma Gabriella. Ela explica que a troca de experiências enriquece o trabalho voluntário. Os participantes compartilham suas histórias e culturas durante a conferência.
    A universitária vê as cestas como oportunidade única de experimentar sabores regionais. “Nunca havia provado certos tipos de castanha que vieram”, conta ela. Para Gabriella, a iniciativa ajuda a entender melhor a segurança alimentar brasileira.

    Parceria reúne três órgãos federais

    O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social coordena a ação. O Programa de Aquisição de Alimentos financia a compra dos produtos. A Companhia Nacional de Abastecimento e a Secretaria Extraordinária da COP30 também participam da iniciativa.
    Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, ressalta a importância da ação. Segundo ela, a entrega valoriza os agricultores familiares do país. Além disso, demonstra como essa produção contribui para reduzir o aquecimento global.
    “A agricultura familiar alimenta o nosso país com comida de verdade”, destaca Rahal. A secretária enfatiza a relevância de mostrar essa produção na COP30. Os alimentos representam diferentes biomas e comunidades tradicionais brasileiras.

    Produção sustentável de comunidades tradicionais

    Os produtos vêm de agricultores familiares, indígenas, quilombolas e ribeirinhos. As comunidades extrativistas também contribuem com itens para as cestas. Dessa forma, a iniciativa promove a diversidade alimentar e cultural do Brasil.
    Outros trabalhadores da conferência climática também receberão os kits alimentares. A distribuição reforça o compromisso brasileiro com sistemas alimentares sustentáveis. Consequentemente, a ação une segurança alimentar e proteção ambiental no maior evento climático do ano.

     

  • Entrega de equipamentos agrícolas fortalece produção indígena

    Entrega de equipamentos agrícolas fortalece produção indígena

    Em apoio à agricultura indígena foram entregues um trator agrícola, uma grade aradora e uma carreta à comunidade Aruá, localizada na Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta d’Oeste. A iniciativa foi coordenada pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) de Rondônia. E busca impulsionar a produção sustentável e gerar mais renda para as famílias indígenas da região.

    Segundo o governo estadual, a entrega dos equipamentos tem como objetivo modernizar o trabalho no campo. Além de reduzir o esforço físico e otimizar o tempo dos produtores. Com a mecanização, a comunidade Aruá poderá ampliar a área de cultivo, especialmente na produção de café, açaí e mel – culturas que já se destacam pela excelência e sustentabilidade.

    O governador Marcos Rocha destacou a importância do desenvolvimento sustentável e do respeito à diversidade cultural. “Estamos investindo em todos os setores produtivos, promovendo autonomia e dignidade às comunidades indígenas de Rondônia”, afirmou. O secretário de Agricultura, Luiz Paulo, reforçou que a ação faz parte de um compromisso maior de inclusão produtiva e fortalecimento das cadeias agrícolas no estado.

    Incentivo à produção sustentável

    A entrega dos equipamentos também incentiva práticas agrícolas sustentáveis, alinhadas com as diretrizes do Plano Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável. O cacique Edmar Aruá agradeceu o apoio e ressaltou que os novos recursos vão impulsionar a produção de café, segmento no qual a comunidade já conquistou prêmios no Concafé, principal concurso estadual do setor.

    Além do café, a expectativa é que a mecanização facilite a diversificação de culturas e aumente a renda das famílias indígenas. O governo de Rondônia tem investido em assistência técnica, capacitação e infraestrutura para garantir que as comunidades tradicionais tenham acesso a tecnologias modernas. E além disso, possam ampliar sua participação no desenvolvimento econômico do estado.

    De acordo com dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rondônia possui cerca de 14 mil indígenas, distribuídos em 53 terras indígenas. O fortalecimento da agricultura nessas áreas é considerado estratégico para garantir segurança alimentar, geração de renda e valorização das tradições culturais.

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  • Erva-mate em agroflorestas: SC une produção e sustentabilidade

    Erva-mate em agroflorestas: SC une produção e sustentabilidade

    Em meio a araucárias, imbuias e canelas, a erva-mate cresce vigorosa, beneficiando-se da sombra da floresta. Essa é a realidade de Eurico Rocha, agricultor de Ponte Serrada (SC), que mantém 12 hectares de agrofloresta seguindo uma tradição iniciada por seu avô. Sem usar agrotóxicos e apenas com adubação orgânica, ele colhe até 15 toneladas por hectare a cada dois anos e meio – um exemplo de como a produção sustentável pode ser lucrativa.

    A cena se repete em diversas propriedades rurais de Santa Catarina, onde um terço da erva-mate é cultivada em sistemas agroflorestais. O estado, que responde por 20% da produção nacional, colheu 130 mil toneladas em 2023, movimentando R$ 176 milhões. Além de ser a base do tradicional chimarrão, a erva-mate ganha espaço em chás, sucos e até cosméticos, sustentando milhares de famílias.

    Por que a erva-mate em agroflorestas?

    A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC) tem sido peça-chave no fomento a esse sistema, que alia produtividade e conservação ambiental. Segundo Paulo Alfonso Floss, pesquisador da Epagri, a erva-mate é uma planta nativa que se adapta perfeitamente ao clima e solo da região, proporcionando:

    • Melhor qualidade da folha (mais verde, doce e com maior teor de cafeína)
    • Proteção do solo e da água
    • Redução de pragas e doenças (devido ao equilíbrio ecológico)
    • Renda complementar (já que outras espécies, como a araucária, também geram lucro)

    O diferencial do planalto norte

    A região do Planalto Norte Catarinense se destaca na produção de erva-mate em caívas – sistemas agroflorestais que mantêm apenas árvores nativas, sem espécies exóticas ou agrotóxicos. O resultado é um produto mais doce, menos amargo e com folhas mais nutritivas.

    Um terço da erva-mate produzida em Santa Catarina vem de agroflorestas. Foto: Epagri SC/Divulgação

    Essa singularidade rendeu à erva-mate da região o selo de Indicação Geográfica (IG) em 2022, concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). A certificação abrange 12 municípios e valoriza a produção local, abrindo portas para mercados premium e turismo rural.

    O trabalho da Epagri

    Há mais de 40 anos, a Epagri investe em pesquisas para fortalecer a cadeia produtiva da erva-mate. Entre as principais contribuições estão:

    • Primeiro pacote tecnológico para erva-mate no Brasil
    • Lançamento do cultivar SCSBRS Caa rari (em parceria com a Embrapa)
    • Desenvolvimento de novas variedades, incluindo uma para cultivo a pleno sol (a ser lançada em 2026)
    Nas capacitações, os produtores conhecem tecnologias que aumentam a produtividade. Foto: Epagri SC/Divulgação

    Além disso, a Epagri orienta produtores sobre:

    • Manejo ideal (poda, adubação e controle de pragas)
    • Sombreamento correto (recomendando 50 a 100 araucárias por hectare)
    • Capacitação técnica (em 2024, mais de 1.300 produtores foram atendidos)

    Histórias de sucesso

    Eurico Rocha é um dos exemplos de como a assistência técnica transforma vidas. Com mais de 20 certificados de cursos da Epagri, ele não só melhorou sua produção como se tornou consultor ambiental. “Os cursos vão muito além da técnica – abrem a mente do agricultor. Hoje, sou empreendedor graças a esse conhecimento.”

    Eurico Rocha, produtor. Foto: Epagri SC/Divulgação

    Outros agricultores, como os de Passos Maia e Vargeão, também relatam aumento de produtividade após aplicarem as técnicas aprendidas.

    A tendência é que mais produtores migrem para sistemas agroflorestais, já que a erva-mate sombreada tem maior valor de mercado. Além disso, a Indicação Geográfica e a demanda por produtos sustentáveis impulsionam novos negócios.

    Santa Catarina mostra que é possível produzir com qualidade, gerar renda e preservar a floresta – um modelo que pode inspirar todo o Brasil.

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  • Cultivo de erva-mate do Paraná é Patrimônio Agrícola Mundial

    Cultivo de erva-mate do Paraná é Patrimônio Agrícola Mundial

    A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reconheceu, em 21 de maio, o cultivo de erva-mate sombreada nas florestas de araucárias do Paraná como Patrimônio de Sistemas Agrícolas de Importância Global (Giahs). Esse título destaca sistemas produtivos sustentáveis que valorizam o conhecimento tradicional e a agrobiodiversidade. Além de reforçar o papel da FAO no combate à fome, melhoria da nutrição e promoção da segurança alimentar mundial.

    O Paraná lidera a produção nacional de erva-mate, envolvendo cerca de 30 mil famílias e movimentando aproximadamente R$ 1,3 bilhão por ano, conforme dados do Valor Bruto da Produção (VBP) de 2023. Estimativas apontam que 70% da área de cultivo no estado utiliza a técnica sombreada, que preserva a biodiversidade e mantém a qualidade da planta.

    O cultivo sombreado ocorre sob florestas nativas, principalmente de araucárias, o que proporciona uma incidência de luz diferenciada. Essa prática resulta em folhas com maior concentração de taurina e teobromina, componentes valorizados pelas indústrias de chás, energéticos e cosméticos. O engenheiro florestal Avner Paes Gomes, do IDR-Paraná, destaca que o sistema funciona como um consórcio floresta. Ou seja, ele integra a produção de erva-mate com a preservação de outras espécies nativas, o que agrega valor ao produto para o mercado internacional.

    Esse reconhecimento da FAO representa apenas o segundo título Giahs concedido ao Brasil. O outro foi para os apanhadores de flores sempre-vivas da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. No mundo, 95 sistemas agrícolas de 28 países possuem esse status.

    Tradição

    A tradição do cultivo sombreado de erva-mate no Paraná tem raízes em práticas desenvolvidas por povos indígenas e comunidades tradicionais. O sistema garante renda para milhares de famílias, especialmente na região Centro-Sul do estado, onde a topografia dificulta outras formas de agricultura.

    O Estado investe em capacitação dos produtores por meio do IDR-Paraná, que oferece assistência técnica desde a seleção das mudas até a colheita e o controle de pragas. O programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS), da Invest Paraná, também promove oficinas para profissionalizar a cadeia produtiva e conquistar novos mercados.

    Além disso, a erva-mate de São Mateus do Sul, na Região Sul, possui desde 2017 o selo de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), reconhecendo a tradição e a qualidade do produto local.

    O Paraná se destaca ainda por iniciativas de sustentabilidade, como a redução de 64% do desmatamento ilegal da Mata Atlântica entre 2023 e 2024. Além do aumento de 13% das matas ciliares, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. O estado lidera o ranking de sustentabilidade do Brasil, segundo o Centro de Liderança Pública (CLP). Isso graças a políticas de reciclagem, coleta seletiva e recuperação de áreas degradadas.

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  • Pesquisa deve impulsionar a produção do Ovino Pantaneiro

    Pesquisa deve impulsionar a produção do Ovino Pantaneiro

    Com a demanda por carne ovina em alta no Brasil, o Ovino Pantaneiro surge como uma alternativa promissora para o Pantanal. Pesquisas lideradas pela Embrapa Pantanal e Embrapa Caprinos e Ovinos indicam que essa raça, adaptada há séculos ao bioma, pode impulsionar a produção regional com sustentabilidade. O projeto “Estratégias para o desenvolvimento de soluções genéticas para sistemas de produção de carne de ovinos no Brasil” visa selecionar animais mais resistentes e produtivos, garantindo competitividade ao setor.

    Originário do ciclo das charqueadas no período colonial, o Ovino Pantaneiro descende de raças trazidas por portugueses e espanhóis. Por cinco séculos, sobreviveu a cheias, secas e geadas no Pantanal, desenvolvendo resistência a parasitas e eficiência nutricional. “São animais que dispensam suplementação intensiva e acumulam menos gordura, ideal para sistemas extensivos”, explica Adriana Mello, pesquisadora da Embrapa.

    Estudos iniciados em 2005 por uma rede de universidades e a Embrapa confirmaram seu potencial: a raça possui alta prolificidade, precocidade reprodutiva (criação ao longo de todo o ano) e adaptação a pastagens nativas, características que reduzem custos para pequenos produtores.

    Desafios da cadeia produtiva

    Apesar do potencial, a falta de abatedouros na região é um entrave. Corumbá, cidade com o maior rebanho de Mato Grosso do Sul, não tem infraestrutura para abate, obrigando produtores a depender de frigoríficos distantes. “Isso encarece o processo e limita a escala”, afirma Mello.

    Raça apresenta resistência a doenças e baixa exigência nutricional, o que reduz custos de produção da carne que é mais valorizada que a bovina. Foto: Raquel Brunelli /Embrapa

    Outro desafio é o manejo sanitário: vermifugações sem critérios técnicos geram resistência parasitária. Para resolver o problema, a Embrapa desenvolve protocolos específicos, incluindo alternativas naturais de controle.

    Carne premium e oportunidade de mercado

    A carne do Ovino Pantaneiro tem valor 30% superior à bovina, com custos de produção menores. “É uma oportunidade para agricultores familiares”, destaca João Pedro Rocha, produtor com 200 cabeças no Pantanal. O governo de MS já criou incentivos, como o Proape Ovinos, que viabiliza abates coletivos via Propriedades de Descanso de Ovinos para Abate (PDOA).

    Hoje, 50% da carne ovina consumida no Centro-Oeste é importada, segundo o produtor Carlos Henrique Evangelista. “Há espaço para substituir importações e consolidar a produção local”, reforça.

    A pesquisa também explora o conceito de “carne de terroir”, associando o sabor único do Ovino Pantaneiro às condições do bioma. “Chefs e consumidores premium buscam produtos rastreáveis e sustentáveis”, ressalta Adriana Mello. A estratégia pode agregar valor e abrir mercados internacionais.

    Características únicas da raça
    • Porte médio: adaptação à locomoção em áreas alagadas e vegetação densa.
    • Lã seletiva: concentrada no dorso, evitando umidade excessiva em pernas e pescoço.
    • Eficiência nutricional: menor exigência calórica e acúmulo de gordura.
    • Precocidade: cordeiros atingem 30 kg em 5 meses, aptos para abate.

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  • Porco Moura: Paraná preserva raça que revoluciona a carne suína gourmet no Brasil

    Porco Moura: Paraná preserva raça que revoluciona a carne suína gourmet no Brasil

    O Paraná, segundo maior produtor de suínos do Brasil (21,5% do mercado nacional), está escrevendo um novo capítulo na suinocultura: o resgate do Porco Moura, raça crioula com carne comparada a cortes bovinos premium. Com 3.500 animais registrados em 2024 – 74% deles no Estado –, a espécie, quase extinta nos anos 1970, virou símbolo de gastronomia sustentável e alavanca projetos de Indicação Geográfica (IG).

    Originário das missões jesuíticas do século XVI, o Porco Moura foi essencial no Brasil colonial: sua banha abastecia lamparinas e cozinhas até ser substituída por óleos vegetais. Com a industrialização, raças europeias de engorda rápida dominaram o mercado, quase extinguindo a Moura. “Em 2014, restavam 625 animais. O Paraná salvou a raça”, afirma Marson Bruck Warpechowski, coordenador do Projeto Porco Moura da UFPR, retomado em 2014 após décadas de esquecimento.

    Em 2024, a raça foi declarada Patrimônio Histórico, Cultural e Genético do Paraná, e uma portaria inédita da Adapar regulamenta sua criação em sistema extensivo, garantindo biosseguridade e bem-estar animal.

    Carne marmorizada e produção 100% natural: o diferencial

    Enquanto suínos industriais atingem o abate em 150 dias, o Moura leva 300 dias, criado solto e alimentado com frutas, tubérculos e pastagens. O resultado é uma carne com:

    • Marmoreio superior: Gordura intramuscular que garante maciez e suculência.
    • Coloração vermelho intenso: Similar a cortes bovinos como prime rib e T-bone.
    • Espessura de toucinho: 3 cm a 5 cm, contra 0,5 cm a 1,5 cm dos industriais.
    Projeto de IG e charcutaria premium colocam o Paraná no mapa da gastronomia sustentável. Foto: Projeto Porco Moura/UFPR

    “Sua adaptação genética ao clima sulista e dieta diversificada criam um terroir único”, destaca Warpechowski. A carne já é vendida em açougues e restaurantes de Curitiba, com rastreabilidade e preços até 30% mais altos que o convencional.

    Do abate ao selo de origem

    A falta de abatedouros adaptados ainda é um entrave. “Frigoríficos industriais não processam pequenos lotes, encarecendo a logística”, explica Warpechowski. Para viabilizar a cadeia, o Paraná discute a criação de uma marca coletiva e o registro de IG, seguindo o modelo do presunto ibérico espanhol.

    Carne do Moura tem marmoreio superior e valor 30% mais alto que a suína industrial. Foto: Projeto Porco Moura/UFPR

    Outra frente é a charcutaria gourmet: cortes como ancho steak e bochecha têm atraído chefs e consumidores premium. “Produtos diferenciados agregam valor e justificam o custo”, afirma o professor.

    Legislação pioneira e futuro sustentável

    A Adapar finaliza a primeira normativa nacional para criação extensiva, com regras claras sobre biosseguridade, espaço por animal e limites para produção de subsistência. “A portaria protege toda a cadeia, inclusive a industrial”, afirma João Humberto Teotônio de Castro, chefe de sanidade suína da agência.

    A expectativa é que o texto, publicado em abril de 2024, anteceda a Semana Estadual dos Porcos Crioulos em maio – data que celebra a tradição e impulsiona o mercado.

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  • Vinhos de inverno do sul de Minas Gerais recebem indicação geográfica

    Vinhos de inverno do sul de Minas Gerais recebem indicação geográfica

    Os vinhos de inverno do sul de Minas Gerais foram oficialmente reconhecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) como uma Indicação de Procedência (IP). Esse reconhecimento valoriza a tradição e a reputação da região na produção de vinhos elaborados exclusivamente com uvas do tipo Vitis vinifera L., cultivadas sob um método especial de dupla poda.

    Com essa nova Indicação Geográfica, o Brasil agora conta com 129 registros chancelados pelo INPI, sendo este o 13º relacionado à produção de vinhos. Os vinhos de inverno vêm de uvas colhidas entre 1º de junho e 21 de setembro, em condições climáticas que favorecem o cultivo em ciclo invertido.

    Impacto socioeconômico para pequenos produtores

    A área geográfica da IG Sul de Minas abrange os municípios de São João da Mata, Cordislândia, São Gonçalo do Sapucaí, Três Corações, Três Pontas, Campos Gerais, Boa Esperança, Bom Sucesso, Ibituruna e Ijaci.

    Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, destaca que o reconhecimento como Indicação Geográfica impulsiona o desenvolvimento socioeconômico da região. “Os pequenos produtores se tornam mais competitivos no mercado e a região ganha proteção legal contra falsificações e uso indevido dos nomes reconhecidos”, afirma Giesbrecht.

    Comparação com outras indicações geográficas

    Atualmente, apenas dois vinhos brasileiros possuem Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem: Vale dos Vinhedos (RS) e Altos de Pinto Bandeira (RS). Nesses casos, o terroir influencia diretamente as características do vinho. Os demais vinhos recebem a qualificação de Indicação de Procedência. Confira a lista das Indicações Geográficas para vinhos no Brasil:

    • Pinto Bandeira (RS)
    • Vale do São Francisco (PE/BA)
    • Vale dos Vinhedos (RS)
    • Altos Montes (RS)
    • Monte Belo (RS)
    • Farroupilha (RS)
    • Campanha Gaúcha (RS)
    • Vales da Uva Goethe (SC)
    • Vinhos de Altitude de Santa Catarina (SC)
    • Vinhos de Bituruna (PR)
    • Sul de Minas (MG)

    Portanto, o reconhecimento dos vinhos de inverno do sul de Minas Gerais como uma Indicação Geográfica não apenas valoriza a produção local, mas também abre novas oportunidades para os pequenos produtores da região. Além disso, com a proteção legal e o aumento da competitividade no mercado, espera-se que essa iniciativa traga benefícios significativos para a economia local e para a qualidade dos vinhos brasileiros.

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