Tag: produção rural

  • Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil

    O verão de 2026 está impondo um dos maiores desafios já enfrentados pela agricultura britânica. A combinação de calor extremo e escassez de chuvas comprometeu a produção de hortaliças em diversas regiões do Reino Unido, reduziu a oferta de alimentos e obrigou supermercados, restaurantes e distribuidores a recorrerem às importações justamente no período em que o país costuma abastecer o próprio mercado.

    Os efeitos já chegaram às prateleiras. Segundo representantes do setor ouvidos pelo jornal britânico The Guardian, os preços no atacado dispararam nas últimas semanas. O tomate ficou mais de 60% mais caro, a alface americana registrou alta próxima de 90% e a batata acumula valorização superior a 40%.

    O cenário também preocupa autoridades, varejistas e produtores, que classificam a atual temporada como uma das mais difíceis das últimas décadas.

    Brócolis perde metade da produção

    Entre as culturas mais afetadas está o brócolis. Em algumas propriedades, a produtividade caiu cerca de 50%, consequência direta das temperaturas elevadas e da falta de água para irrigação.

    David Simmons, produtor da Riviera Produce e integrante da diretoria da Brassica Growers’ Association, afirmou ao The Guardian que os agricultores passaram a unir duas cabeças de brócolis para atingir o peso mínimo exigido pelo mercado.

    “O Reino Unido enfrenta uma grande escassez de brócolis neste momento. Estamos importando produtos da Espanha e da Holanda para atender aos pedidos”, afirmou.

    Segundo ele, a preocupação agora se concentra na couve-flor, que também pode apresentar redução significativa de oferta nas próximas semanas caso o clima permaneça seco.

    Importações voltam ao centro do abastecimento

    A queda da produção obrigou distribuidores a fazer um movimento considerado incomum para esta época do ano.

    Tradicionalmente, durante o verão, boa parte das hortaliças consumidas no Reino Unido é produzida internamente. Desta vez, porém, empresas voltaram a comprar grandes volumes na Espanha para evitar desabastecimento.

    Tim O’Malley, presidente da distribuidora Nationwide Produce, afirmou ao The Guardian que a situação é mais grave do que muitos consumidores imaginam.

    “A situação é pior do que o público imagina. Estamos ficando sem água”, disse.

    Segundo o executivo, verduras folhosas, alface americana e brócolis foram as culturas mais prejudicadas. Mesmo enfrentando temperaturas elevadas, produtores espanhóis conseguem manter parte da produção graças à infraestrutura de irrigação desenvolvida ao longo de décadas.

    Cenouras enfrentam o pior ano da história

    A situação também preocupa os produtores de cenoura.

    Rodger Hobson, agricultor de Yorkshire responsável por cerca de 4% da produção britânica da cultura, classificou 2026 como o pior ano já registrado em sua propriedade.

    “É de partir o coração e para o bolso”, afirmou ao The Guardian.

    Segundo Hobson, temperaturas acima de 25°C já reduzem significativamente o desenvolvimento das plantas. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, praticamente todo o crescimento da cultura é interrompido.

    Caso não ocorram chuvas consistentes nas próximas semanas, a produção nacional poderá acabar meses antes do previsto, obrigando o país a ampliar as importações durante a primavera europeia.

    Colheitas antecipadas preocupam agricultores

    Além das hortaliças, outras culturas também apresentam perdas importantes.

    A safra inglesa de ervilhas caiu cerca de um terço em relação ao esperado. Já a colheita de cereais começou mais cedo do que o habitual, reflexo direto das altas temperaturas e da rápida perda de umidade do solo.

    Produtores estudam adotar variedades mais resistentes ao calor, semelhantes às cultivadas no sul da Europa. No entanto, representantes do setor defendem que apenas mudanças tecnológicas não serão suficientes.

    Entre as principais reivindicações está o aumento dos investimentos em reservatórios para armazenar água das chuvas do inverno e da primavera, garantindo irrigação durante os meses mais secos.

    Supermercados cobram ação do governo

    A preocupação extrapolou o campo.

    As maiores redes varejistas do Reino Unido, juntamente com fabricantes, distribuidores e atacadistas de alimentos, enviaram um documento ao governo britânico alertando que incêndios florestais, secas prolongadas e eventos climáticos extremos passaram a representar uma ameaça concreta à segurança alimentar nacional.

    As empresas defendem políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção doméstica e à redução da dependência das importações.

    Calor atinge toda a Europa

    Os impactos não se restringem ao Reino Unido.

    Diversos países europeus registram perdas em culturas como trigo, batata, tomate e oliveiras, pressionados pela combinação de seca prolongada, incêndios florestais e sucessivas ondas de calor.

    Especialistas avaliam que a tendência aumenta a volatilidade do mercado internacional de alimentos e pode influenciar o comércio agrícola nos próximos meses, principalmente se as condições climáticas extremas persistirem até o fim do verão no Hemisfério Norte.

  • Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    Tecnologia sustenta produtividade da citricultura diante do clima

    A busca por maior produtividade e qualidade tem levado os citricultores a ampliar o uso de tecnologias nutricionais nos pomares. Além disso, a necessidade de enfrentar períodos de estiagem, altas temperaturas e outros eventos climáticos extremos reforça a adoção de ferramentas que aumentam a eficiência do manejo e a resistência das plantas.

    O tema ganha relevância em um momento de desafios para a produção agrícola. Por isso, soluções como fertirrigação, bioinsumos e programas de nutrição balanceada passaram a ocupar espaço estratégico na citricultura brasileira.

    Segundo Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, a produtividade dos pomares depende diretamente do fornecimento adequado de nutrientes ao longo de todo o ciclo produtivo.

    “Para obter maior produtividade e qualidade das frutas cítricas é preciso investir em uma combinação equilibrada de nutrientes. O produtor precisa trabalhar com soluções específicas para cada etapa de desenvolvimento da planta, desde o manejo do solo e desenvolvimento radicular até o enchimento final dos frutos”, afirma.

    De acordo com a empresa, programas nutricionais voltados especificamente para a cultura dos citros apresentam resultados expressivos quando o produtor adota um manejo técnico e integrado. Em áreas acompanhadas pela companhia, técnicos registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare.

    Brasil mantém liderança mundial

    O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de citros. Atualmente, o país responde por cerca de 30% da produção mundial de laranjas. Além disso, lidera as exportações globais de suco de laranja, concentrando aproximadamente 85% do comércio mundial do produto.

    Esse protagonismo resulta de décadas de investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, a integração entre produtores, empresas e instituições de pesquisa fortalece a competitividade do setor.

    Para especialistas, a manutenção dessa liderança depende da adoção contínua de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos frutos. Dessa forma, a cadeia produtiva consegue atender às exigências dos mercados nacional e internacional.

    Clima exige manejo mais eficiente

    As mudanças climáticas também influenciam as decisões dentro das propriedades rurais. Ondas de calor, estiagens prolongadas e oscilações nas condições climáticas afetam diretamente o desenvolvimento dos pomares.

    Por isso, produtores têm buscado soluções que aumentem a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos. Entre elas estão tecnologias que combinam nutrição mineral, bioinsumos e ferramentas de monitoramento.

    “Hoje, a nutrição precisa ser tratada como um componente estratégico do manejo. As soluções integradas ajudam os citricultores a mitigar os efeitos da seca e das altas temperaturas, além de contribuir para a saúde e longevidade dos pomares”, explica Dittrich.

    Além disso, o fortalecimento do sistema radicular permite que as plantas aproveitem melhor a água e os nutrientes disponíveis no solo. Como resultado, os pomares conseguem manter o desenvolvimento mesmo durante períodos de maior estresse hídrico.

    Fertirrigação amplia eficiência no campo

    A fertirrigação também avança na citricultura brasileira. A técnica permite aplicar água e nutrientes ao mesmo tempo, de forma precisa e alinhada às necessidades da planta em cada fase do desenvolvimento.

    Dessa maneira, o produtor reduz perdas, melhora o aproveitamento dos fertilizantes e aumenta o controle sobre o manejo nutricional. Além disso, a tecnologia diminui a dependência da regularidade das chuvas, fator cada vez mais importante diante das alterações climáticas.

    Um estudo realizado pela Yara em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) identificou ganhos relevantes com o uso da fertirrigação em pomares cítricos. Segundo a empresa, a técnica elevou a produtividade em aproximadamente um terço e reduziu em cerca de 30% a incidência de podridão floral.

    Os pesquisadores também verificaram aumento da estrutura reprodutiva das plantas. Consequentemente, os pomares apresentaram maior potencial produtivo e melhor uniformidade dos frutos.

    Bioinsumos ganham espaço nos pomares

    Os bioinsumos também conquistam espaço na citricultura. Esses produtos contribuem para a fertilidade do solo e aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.

    Além disso, a tecnologia fortalece o desenvolvimento vegetal e auxilia o produtor na busca por sistemas mais sustentáveis. Por esse motivo, especialistas apontam crescimento contínuo da utilização desses insumos nos próximos anos.

    A combinação entre nutrição equilibrada, fertirrigação, bioinsumos e agricultura de precisão deve ganhar ainda mais relevância. Assim, os produtores poderão enfrentar os desafios climáticos com maior eficiência, preservar a produtividade e manter a competitividade da citricultura brasileira.

  • El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    El Nino pode desacelerar agropecuária até 2027, mesmo com avanço do PIB do Brasil

    Após iniciar o ano em alta, a agropecuária brasileira tende a perder força nos próximos meses e pode entrar em trajetória de desaceleração até 2027. O cenário é pressionado principalmente pelo risco de perdas nas colheitas associadas ao fenômeno El Nino, além do aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes.

    Segundo o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, o comportamento climático deve impactar diretamente o desempenho das safras. “Não se faz safra recorde em ano de El Nino”, afirma.

    Além disso, Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, lembra que eventos anteriores servem de alerta ao setor produtivo.

    “O último El Nino de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história”, destaca.

    O fenômeno climático, por sua vez, provoca efeitos diferentes no território nacional, já que causa secas intensas no Centro-Norte e, em contrapartida, chuvas mais fortes no Sul. Dessa forma, há alta probabilidade de formação entre junho e julho. Se confirmado, o evento pode atrasar o plantio e reduzir as colheitas previstas para 2027.

    El Niño pode se consolidar já nas próximas semanas, alertam especialistas — Foto: Curiosity/CuriosityonX/X

    Para Cogo, o impacto tende a ser amplo sobre diferentes culturas.

    “Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Nino. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas”, ressalta.

    PIB do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026

    Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os três últimos meses de 2025. Além disso, em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,3 trilhões no período.

    O resultado indica aceleração em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a alta foi de 0,3%. Dessa forma, trata-se do maior avanço trimestral desde o primeiro trimestre do ano anterior, quando a economia havia crescido 1,3%.

    Agro lidera avanço econômico

    De acordo com o IBGE, os setores que mais contribuíram para o crescimento foram a agropecuária, a indústria extrativa mineral e outras atividades de serviços. Assim, o campo volta a se destacar como um dos principais motores da economia brasileira.

  • Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Protagonista de ‘Quem Ama Cuida’ tem fazenda voltada à produção de grãos no interior de SP

    Na última quinta-feira (28), a novela “Quem Ama Cuida” ganhou forte repercussão na programação da Globo. A obra atingiu momentos de alta tensão entre os personagens Otoniel e Arthur Brandão, interpretados por Tony Ramos e Antonio Fagundes.

    A  produção alcançou 22,9 pontos de audiência na Grande São Paulo, registrando seu melhor desempenho semanal até o momento.

    No entanto, o que pouca gente sabe, é que o protagonista da trama também tem um “pézinho” no agro. Antonio Fagundes é proprietário de uma fazenda no interior paulista, onde atua no cultivo de soja e milho, dois pilares fundamentais do agronegócio nacional.

    Fazenda Fama I

    A participação do ator no setor rural ocorre através da Fazenda Fama I, localizada entre os municípios de Ourinhos e Salto Grande.

    Antonio afirma exercer posse mansa, pacífica e contínua da propriedade desde 1998. Coincidentemente, esse mesmo período marcou sua atuação na icônica novela “O Rei do Gado”, o que reforça ainda mais sua associação simbólica com o universo rural.

    Imagens aéreas da ‘Fazenda Fama I’ — Foto: Reprodução/Youtube

    Diante do uso produtivo constante da terra e da ausência de contestação, Fagundes ingressou com uma ação de usucapião extraordinária para regularizar o registro oficial do imóvel. O processo ganhou repercussão quando veio a público em 2023.

    Eterno ‘Rei do Gado’ 

    A relação do ator com o universo rural já é antiga. Antonio Fagundes foi protagonista da novela “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa, uma das obras mais marcantes da teledramaturgia brasileira.

    Na trama, ele interpretou duas fases do personagem Antonio Mezenga e, posteriormente, seu neto Bruno Mezenga, figura central do enredo.

    Antonio Fagundes como Bruno Mezenga em ‘O Rei do Gado’ (1996) — Foto: Globo

    Além disso, o próprio ator reconhece o impacto duradouro da produção em sua carreira.

    “Eu sou ‘o rei do gado’ para muita gente, ainda hoje. A novela me marcou pelo resto da vida”, afirmou o veterano.

  • SC tem o 5º maior agronegócio do Brasil e lidera país em agroindustrialização

    SC tem o 5º maior agronegócio do Brasil e lidera país em agroindustrialização

    O agronegócio de Santa Catarina voltou a ganhar destaque nacional após a divulgação do Mapa do Agro Catarinense 2026, estudo lançado pela FACISC nesta quinta-feira (28), em Florianópolis. O levantamento revela que o estado ocupa atualmente a 5ª posição entre os maiores agronegócios do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

    Com uma produção estimada em R$ 144 bilhões, Santa Catarina já representa 6% de todo o agronegócio brasileiro. Além disso, o estado apresentou crescimento acima da média nacional nos últimos anos, reforçando sua relevância econômica no setor.

    Segundo os dados divulgados, o agronegócio responde por 35% da economia catarinense, movimenta aproximadamente 470 mil empresas, gera emprego para 1,6 milhão de pessoas e ainda contribui com cerca de R$ 12 bilhões em arrecadação estadual.

    O presidente da FACISC, Elson Otto, afirmou que o estudo comprova a força produtiva catarinense mesmo diante da concorrência com estados territorialmente maiores.

    Agroindústria fortalece modelo catarinense

    O levantamento aponta que um dos maiores diferenciais de Santa Catarina está justamente na forte presença da agroindústria. Diferentemente de estados como Mato Grosso e Goiás, onde a produção primária concentra a maior parte da atividade econômica, o modelo catarinense aposta na agregação de valor.

    Atualmente, cerca de 40% do agronegócio catarinense está diretamente ligado à indústria, o maior índice entre os principais estados produtores do país.

    O diretor de Agronegócio e Ferrovias da FACISC, Lenoir Broch, ressaltou que essa característica tornou o estado mais competitivo e resiliente.

    “Santa Catarina construiu um modelo baseado em agregação de valor. O estado não apenas produz, mas industrializa, exporta, desenvolve tecnologia e gera empregos em toda a cadeia produtiva. Isso torna o agro catarinense mais diversificado e resiliente”, afirmou.

    Além disso, o estudo mostra que Santa Catarina possui a 6ª maior quantidade de trabalhadores do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. Nos últimos dez anos, o número de empregos no agro cresceu 19%, o terceiro maior avanço nacional.

    Quando o índice é proporcionalmente comparado à população, o estado lidera o ranking brasileiro, com 195 trabalhadores do agronegócio para cada mil habitantes.

    Estado lidera produção em diversos segmentos

    O Mapa do Agro Catarinense também revela que Santa Catarina ocupa posição de liderança em pelo menos 12 segmentos produtivos. O estado responde atualmente por:

    • 50% da produção brasileira de maçã;
    • 23% da produção nacional de carne suína;
    • 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
    • 44% das conservas de peixe;
    • 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.

    Além disso, Santa Catarina ampliou investimentos em áreas consideradas menos tradicionais no agronegócio nacional. O estado se destaca em setores como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos, máquinas para alimentos, papel, confecção e indústria têxtil.

    Segundo o estudo, esses segmentos apresentam maior risco produtivo, porém oferecem elevado valor agregado e fortalecem a diversificação econômica catarinense.

    Exportações batem recorde histórico

    No cenário internacional, Santa Catarina alcançou resultados históricos. O estado aparece como o 8º maior exportador do agronegócio brasileiro e figura entre os cinco maiores exportadores quando considerada apenas a agroindústria.

    Em 2025, o agronegócio catarinense registrou um recorde de US$ 8,4 bilhões em exportações. O desempenho ocorreu mesmo diante do chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos e dos embargos chineses sobre proteínas animais.

    Ainda assim, o estado ampliou vendas para mercados da América do Sul e do Oriente Médio. Além disso, recuperou níveis importantes de exportação para continentes como Europa, África e Oceania.

    Santa Catarina também ocupa a segunda posição nacional em importações do setor, com cerca de US$ 7,3 bilhões em compras internacionais. O estado concentra grande parte da entrada de fertilizantes e insumos industriais utilizados não apenas localmente, mas também em outras regiões do país.

    A economista da FACISC, Mariana Guedes, destacou que a diversidade produtiva catarinense fortalece a competitividade internacional.

    “O diferencial de Santa Catarina está na diversidade produtiva e na capacidade de industrialização. Todas as regiões do estado se destacam na produção nacional em vários setores, o que amplia a competitividade internacional e faz o estado se beneficiar de diferentes ciclos econômicos, com a capacidade de atender vários mercados ao mesmo tempo, com altas exigências sanitárias e qualidade ímpar”, explicou.

    Tecnologia impulsiona competitividade no campo

    O estudo também apontou o avanço tecnológico do agronegócio catarinense. Atualmente, Santa Catarina possui 85 startups agtechs e ocupa a 7ª posição nacional nesse segmento.

    Quando o foco recai sobre empresas que desenvolvem softwares voltados ao agro, o estado sobe para a 4ª colocação nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

    Segundo o levantamento, o ecossistema catarinense se destaca por criar soluções tecnológicas voltadas a problemas reais do produtor rural, com potencial de expansão em larga escala.

    As startups estão distribuídas em diferentes regiões do estado, com destaque para Florianópolis, Chapecó, Concórdia, Lages e Joinville.

    Estudo alerta para desafios do setor

    Apesar dos resultados positivos, o Mapa do Agro Catarinense também chama atenção para alguns desafios enfrentados pelo setor. Eventos climáticos extremos, gargalos logísticos e altos custos de produção fizeram Santa Catarina perder posições nacionais em culturas como cebola, alho, tomate, milho, uva e pêssego.

    O estudo destaca ainda a necessidade de ampliar políticas de prevenção climática e facilitar o acesso a insumos biotecnológicos, produzidos com matérias-primas menos dependentes dos grãos tradicionais e menos vulneráveis às oscilações do mercado internacional.

    Mesmo diante desses obstáculos, Santa Catarina registrou recordes de produção, emprego e comércio exterior entre 2024 e 2025, reforçando a capacidade de adaptação do setor.

  • São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo publicou nesta quinta-feira (28) uma nova resolução com medidas voltadas à prevenção e ao controle do HLB/Greening, considerada a principal doença da citricultura brasileira.

    A pasta oficializou as mudanças por meio da Resolução SAA nº 32 de 2026, divulgada no Diário Oficial do Estado. Além disso, o texto segue as diretrizes da Portaria SDA/MAPA nº 1.326, publicada em julho de 2025 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, para reforçar as ações de defesa agropecuária no estado.

    Municípios passam a ter classificação por incidência

    Entre as principais novidades, a resolução cria uma divisão dos municípios paulistas conforme o nível de contaminação pelo greening.

    A partir de agora, cidades com até 10% de pomares contaminados entram na categoria de baixa incidência. Já os municípios que ultrapassarem esse índice passam a integrar a classificação de alta incidência da doença.

    Segundo a secretaria, a medida busca direcionar as estratégias de combate e tornar o controle mais eficiente em cada região produtora.

    Monitoramento do psilídeo será quinzenal

    Além da nova classificação, o governo paulista também determinou o monitoramento quinzenal do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão do greening.

    Os produtores deverão acompanhar a presença do inseto em pomares de qualquer idade. Dessa forma, as autoridades pretendem impedir que o psilídeo complete o ciclo entre as fases de ovo e adulto.

    Regra para erradicação de plantas muda em áreas críticas

    A resolução também alterou as exigências para eliminação de plantas contaminadas.

    Nos municípios classificados com alta incidência, produtores que possuem árvores adultas doentes não precisarão mais arrancar essas plantas obrigatoriamente.

    Por outro lado, a erradicação continuará obrigatória para plantas novas com até três anos de idade nessas localidades.

    Enquanto isso, cidades enquadradas como áreas de baixa incidência deverão manter a eliminação de plantas contaminadas em todas as faixas etárias.

    Transporte de frutas terá novas exigências

    O governo paulista também modificou as regras para o transporte interestadual de frutas cítricas.

    A partir da nova norma, produtores e empresas precisarão realizar o processamento e a escovação das frutas antes do envio para outros estados.

    Segundo a secretaria, o objetivo é retirar folhas e ramos que possam transportar vetores da doença durante o trânsito da carga. A única exceção prevista pela medida vale para a Tangerina Ponkan.

    Por fim, a secretaria informou que as novas regras valem para plantas dos gêneros Citrus spp., Fortunella spp. e Poncirus spp.

  • Cadeia de carnes impulsiona crescimento do agronegócio mineiro

    Cadeia de carnes impulsiona crescimento do agronegócio mineiro

    O agronegócio de Minas Gerais registrou forte crescimento em 2025, impulsionado principalmente pela cadeia de carnes. Entre os segmentos de destaque, a bovinocultura de corte alcançou um dos melhores desempenhos do setor, com Valor Bruto da Produção (VBP) estimado em R$ 18,1 bilhões. O resultado representa um avanço de 14% em comparação ao ano anterior.

    Os números integram o Relatório Executivo do Agronegócio de Minas Gerais 2025, divulgado pelo Governo de Minas por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Além disso, o documento reúne indicadores econômicos e análises das principais cadeias produtivas do estado.

    Segundo o levantamento, o desempenho positivo reforça a relevância da pecuária mineira para a economia estadual. Ao mesmo tempo, evidencia o fortalecimento do setor agropecuário, que segue como um dos motores do desenvolvimento em Minas Gerais.

    O estudo contempla diferentes áreas da produção agroindustrial. Entre elas estão as cadeias do café, cana-de-açúcar, etanol, açúcar e dos grãos, incluindo algodão, feijão, milho, soja e sorgo.

    Além disso, o relatório também analisa a fruticultura, com destaque para culturas como abacate, banana, laranja, limão e morango. Já no segmento da olericultura, aparecem produtos como alho, batata inglesa, cebola, cenoura e tomate.

    Na área da pecuária, o levantamento aborda atividades como bovinocultura de corte, produção de leite, avicultura, suinocultura, equideocultura e criação de tilápia. Por outro lado, o documento também inclui dados da silvicultura, especialmente relacionados ao cultivo de eucalipto.

    Com isso, o relatório reforça a diversidade e a força do agronegócio mineiro, que mantém participação estratégica na produção nacional de alimentos e matérias-primas.

  • Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Galinha Sertaneja Balão (GSB) repercutiu nos últimos dias após ele afirmar, durante a chegada de novas aves à Granja do Torto, que a espécie seria a “única raça genuinamente brasileira”. Apesar da fala, o Brasil possui mais de dez raças de galinhas catalogadas, estudadas e preservadas em diferentes regiões do país.

    A definição de uma raça genuinamente brasileira, porém, ainda gera debate. Isso porque o Ministério da Agricultura não reconhece oficialmente aves como nativas da mesma forma que ocorre com bovinos, por exemplo.

    Nesse contexto, a definição mais aceita é a da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Segundo a entidade, aves nativas são populações domésticas que, ao longo de várias gerações, se adaptaram a ambientes específicos, condições climáticas locais e sistemas de criação utilizados por pequenos produtores.

    Atualmente, o mercado avícola comercial brasileiro trabalha majoritariamente com linhagens de origem estrangeira, principalmente dos Estados Unidos. Essas aves são selecionadas para oferecer maior produtividade e volume de produção.

    Por outro lado, as raças nativas brasileiras apresentam características valorizadas por pequenos criadores. De acordo com Marcos Jacob, analista de transferência de tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, essas aves se destacam pela resistência ao clima quente e seco das regiões Norte e Nordeste, além de exigirem menos insumos para criação.

    Segundo o especialista, embora tenham produção em menor escala, essas galinhas desempenham papel importante na segurança alimentar de comunidades locais. Além de garantirem fonte de proteína para pequenos produtores, elas também fazem parte da culinária tradicional brasileira, sendo utilizadas em pratos típicos como galinha ao molho pardo e pirão de parida.

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária mantém projetos de conservação genética dessas aves em diferentes estados brasileiros. O objetivo é preservar materiais genéticos considerados estratégicos para a segurança alimentar e para a manutenção da biodiversidade avícola nacional.

    Conheça algumas das principais raças brasileiras de galinha

    • Carijó
    • Pescoço Pelado
    • Pedrês
    • Rabo de Leque
    • Sura
    • Canela-Preta
    • Barbuda
    • Peloco
    • Frisada
    • Caneluda do Catolé
    • Perna Curta
    • Azulega
    • Caracuta
  • Girassol: opção rentável para diversificar a produção agrícola

    Girassol: opção rentável para diversificar a produção agrícola

    Quem busca diversificação na lavoura tem encontrado no girassol uma alternativa cada vez mais atraente, e os dados confirmam esse movimento.

    Segundo a Conab, a área plantada na safra 2022/23 chegou a 70 mil hectares, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior. A cultura reúne uma combinação rara de baixo custo de manejo, ciclo curto e múltiplas fontes de receita.

    Encaixe perfeito no calendário agrícola

    O ciclo de aproximadamente 120 dias é um dos grandes trunfos da cultura. Ele permite o plantio justamente nos períodos de entressafra, ocupando a terra em janelas que normalmente ficariam ociosas. Combinado com soja e milho na rotação, o girassol ainda contribui para a saúde do solo, quebrando o ciclo de pragas e doenças, o que traz benefícios que vão além da safra atual.

    Para pequenos e médios produtores, essa flexibilidade é especialmente valiosa.

    Girassol: uma oportunidade lucrativa para agricultores
    Uma oportunidade lucrativa para agricultores

    Números que explicam o interesse crescente

    A produtividade média no Brasil fica entre 1.500 e 2.000 kg por hectare, de acordo com a Embrapa. Com manejo adequado e condições favoráveis de solo e clima, esse número pode ultrapassar os 2.500 kg/ha.

    No mercado, as cotações têm se mantido atraentes, em torno de R$ 100 por saca de 60 kg. Considerando uma produtividade média de 1,8 tonelada por hectare e preço médio de R$ 1.700 por tonelada, um produtor pode alcançar receita bruta de aproximadamente R$ 3.060 por hectare. Dependendo da eficiência do manejo e das condições de mercado, esse valor pode ser ainda maior.

    Mais de uma fonte de renda na mesma planta

    Um ponto que chama atenção é a diversidade de produtos que a cultura gera. O óleo é o mais conhecido, com ampla aplicação na indústria alimentícia e cosmética, além do crescente interesse para a produção de biodiesel, um mercado em expansão no Brasil.

    Além disso, há outro produto que muitos ignoram: o farelo. Subproduto do processo de extração de óleo, ele é altamente valorizado na alimentação animal, especialmente na pecuária leiteira, pelo alto teor proteico.

    Onde a produção acontece

    Estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná concentram a maior parte da produção nacional, destacando-se pela alta eficiência. Mas a Embrapa reforça que a cultura tem boa adaptação a diferentes tipos de solo e clima, incluindo regiões mais secas, o que abre espaço para expansão em áreas onde outras culturas têm dificuldade de prosperar.

    Nem tudo são facilidades, é claro. A colheita exige máquinas específicas, o que representa um investimento inicial que pode pesar no orçamento de quem ainda não tem esse maquinário. Em algumas regiões, a escassez de sementes de qualidade e a falta de assistência técnica especializada também travam a expansão.

    No entanto, com o suporte de instituições de pesquisa como a Embrapa e o acesso a programas de assistência técnica, muitos produtores têm conseguido superar essas barreiras e colher bons resultados já nas primeiras safras.

  • Monitoramento via satélite identifica áreas irrigadas a partir da umidade do solo

    Monitoramento via satélite identifica áreas irrigadas a partir da umidade do solo

    Imagine tentar descobrir se um campo foi irrigado olhando apenas para uma foto tirada do espaço. Parece simples, mas não é. Aquele círculo perfeito no solo, formado pelo pivô central, pode estar ali há anos sem que uma gota d’água tenha passado por ele na última safra. Era exatamente esse o problema que o governo federal precisava resolver, e a Embrapa Territorial acaba de entregar a solução.

    Um método desenvolvido pela Embrapa combina imagens do satélite Sentinel-2 com inteligência artificial para mapear, ano a ano, o crescimento ou a redução das áreas agrícolas efetivamente irrigadas no Brasil. Não as que têm estrutura de irrigação, não as que parecem irrigadas. As que, de fato, receberam água durante a safra.

    O problema que os círculos no solo não conseguem resolver

    O engenheiro agrônomo Rafael Mingoti, analista da Embrapa Territorial e responsável pelo mapeamento dos primeiros polos em Goiás, explica que o desafio inicial era gerar um mapeamento que permitisse verificar as diferenças entre as safras. E registrar os famosos círculos dos pivôs centrais simplesmente não funcionava para isso.

    “Registrar os tão conhecidos círculos formados no solo pelos pivôs centrais, por exemplo, não seria eficaz, pois são como uma cicatriz no solo que permanece de um ano para outro”, explica Mingoti.

    Além disso, buscar os equipamentos físicos de irrigação no campo também não resolvia o problema. Esses equipamentos podem estar presentes, mas desativados. “O objetivo é identificar as terras que foram efetivamente irrigadas no ano em questão e não as que apenas têm a infraestrutura”, enfatiza o pesquisador.

    Foi a partir daí que a equipe virou o jogo: em vez de procurar os equipamentos ou as marcas deixadas no solo, passou a analisar a umidade do solo diretamente. Os índices são extraídos de imagens do satélite Sentinel-2, de média resolução e acesso gratuito, fornecido pela Agência Espacial Europeia.

    Chuva ou irrigação? A IA entra em cena para distinguir os dois

    Resolver a questão da umidade trouxe um novo obstáculo, ainda mais sutil. Em Goiás, predominantemente, a irrigação não é utilizada no período de estiagem e sim durante o verão, quando as chuvas ocorrem e quando há vazão disponível nos cursos d’água. Especialmente por causa das mudanças climáticas e do aumento da duração dos veranicos, os agricultores recorrem à irrigação para evitar perdas.

    Mas se a irrigação acontece justamente quando chove, como saber de onde veio a umidade do solo?

    “Nós usamos outros indicadores. Geralmente as áreas irrigadas não são muito pequenas e têm formatos regulares, retângulos, círculos ou triângulos”, esclarece Mingoti. A inteligência artificial entra para cruzar esses padrões geométricos com os dados de umidade, separando o que é chuva do que é irrigação humana. Uma distinção que, antes desse método, simplesmente não existia em escala territorial.

    No entanto, identificar onde se irriga era só metade da demanda. O governo também precisa saber quanto, exatamente, está sendo irrigado.

    Vetorização: a técnica que mede com muito mais precisão

    Como inovação, o método utiliza recursos derivados do sensoriamento remoto com radar para chegar à área total. Diferentemente do método tradicional, que calcula a área somando pixels (quadros que compõem a imagem), a técnica de vetorização desenha o contorno real do terreno, como se seguisse a linha exata do local irrigado. Na contagem por pixels, o sistema considera o quadro inteiro, mesmo que parte do terreno que ele cobre não seja irrigada.

    O resultado, nas palavras do próprio Mingoti: “Quando os terrenos são vetorizados, eliminamos possíveis erros dentro e fora da área irrigada. Então, a medição é muito mais acurada.”

    Não é detalhe técnico por vaidade científica. Mais precisão significa políticas públicas melhores, investimentos mais bem direcionados e uso da água monitorado de verdade.

    7 mil hectares a mais: o dado que já chegou ao Ministério

    A Embrapa Territorial já aplicou o método no mapeamento de dois polos de irrigação em Goiás (Planalto Central e Vale do Araguaia) e de três no Mato Grosso (Sul, Médio Norte e Araguaia-Xingu). Os mapeamentos dos dois primeiros já foram entregues ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e os outros estão em fase de validação.

    O mapeamento no polo Central de Goiás mostrou um aumento de 7 mil hectares nas áreas irrigadas entre 2023 e 2024. Houve crescimento em todos os 24 municípios que integram a região.

    Além de servir para a avaliação das políticas públicas, os dados do mapeamento têm um destino claro: a intenção é que sejam integrados ao Sistema Nacional de Informações sobre Irrigação, o Sinir.

    Coordenador-geral de sustentabilidade de projetos e polos de irrigação do MIDR, Antônio Guimarães Leite lembra ainda que a irrigação no período chuvoso cumpre um papel estratégico que vai além de compensar a falta de chuva. “Em algumas situações, isso permite estender a janela de cultivo e viabilizar até três colheitas no mesmo ano agrícola”, aponta.

    Com satélite, IA e dados precisos nas mãos, o agro brasileiro passou a enxergar o que antes ficava invisível. E o governo, finalmente, tem uma ferramenta à altura do desafio de gerir a água do campo.