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  • Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Crise no leite: Câmara debate criação de fundo nacional e tarifas

    Representantes do setor de produção de leite pressionaram o Congresso Nacional nesta quinta-feira (7) por medidas urgentes de proteção à produção nacional. Em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, produtores, cooperativas e entidades rurais defenderam a criação de um fundo nacional financiado com recursos do Imposto de Importação de produtos lácteos, além de tarifas compensatórias contra o que chamam de concorrência desleal de países do Mercosul.

    Deputado Welter (PT-PR). Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    No centro do debate está o Projeto de Lei 431/26, apresentado em fevereiro pelo deputado Welter (PT-PR). A proposta cria um fundo destinado a financiar ações de fortalecimento da produção nacional, estabilidade econômica dos produtores e desenvolvimento sustentável do setor.

    Para o coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodolfo Jordão, o mecanismo é essencial para garantir resiliência ao setor. “É um instrumento para que, nos momentos de crise, a gente consiga reagir e, nos de bonança, fortalecer a cadeia produtiva”, afirmou.

    Das 1.200 cooperativas agropecuárias existentes no país, 150 atuam na produção de leite e respondem por mais de 50% da produção nacional, o que evidencia o peso estratégico do setor para o agronegócio brasileiro.

    Dumping e importação clandestina: a ameaça que vem de fora

    O consultor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi, revelou que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolou, há dois anos, um pedido formal de investigação antidumping junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sem resposta até o momento.

    Dumping é a prática de exportar produtos abaixo do custo de produção para conquistar mercados e eliminar concorrentes locais. “Se houve dumping, nós precisamos, antes tarde do que nunca, impor tarifas compensatórias para a importação do leite”, cobrou Volpi.

    Luis Corti: setor enfrenta custos elevados de produção e baixos preços pagos aos produtores. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A situação é ainda mais grave no Paraná. O deputado estadual Luis Corti (PSD) informou que o estado, segundo maior produtor de leite do Brasil, já perdeu 40% de seus produtores. Ele denunciou que o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai chega ao Brasil para ser reidratado e, em alguns casos, entra clandestinamente próximo ao vencimento ou já vencido. “Como a polícia já denunciou, isso representa riscos reais à saúde pública”, alertou.

    Projetos em tramitação: o que muda para o produtor

    Além do fundo nacional, outros dois projetos foram debatidos na sessão:

    • PL 5738/25 — Já aprovado pela Comissão de Agricultura, proíbe a reconstituição de leite em pó importado para produção de leite líquido e queijo no Brasil.
    • PL 20/26 — Propõe a criação do Instituto Nacional do Leite, com foco no planejamento estratégico de toda a cadeia produtiva.
    • PLP 4/26 — Proíbe incentivos fiscais a empresas que utilizem leite em pó ou derivados importados em sua produção.
    Vânia Marques apontou riscos para agricultores familiares. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

    A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), Vânia Marques Pinto, foi enfática ao defender o instituto. “Se não houver medidas que garantam a criação de um fundo e de um instituto que planeje essa cadeia produtiva, num futuro próximo teremos uma redução significativa dos agricultores familiares que hoje produzem leite.”

    O que o governo já faz e o que o setor ainda cobra

    O diretor do Departamento de Assistência Técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marenilson Batista da Silva, destacou iniciativas em andamento, como a Rede ATER Leite, parceria entre o ministério e a Embrapa para transferência de tecnologias ao setor, e o programa Da Terra à Mesa, lançado no ano passado para fortalecer a agricultura familiar.

    Ainda assim, para o deputado Welter, as medidas em vigor são insuficientes diante da crise. “Temos que achar o caminho para uma política nacional do leite. A Câmara dos Deputados tem que dar uma resposta para esse setor”, disse o parlamentar.

    Os projetos seguem em análise nas comissões temáticas da Câmara.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Agro ganha nova faixa de potência com motor produzido no Brasil

    Agro ganha nova faixa de potência com motor produzido no Brasil

    A Cummins anunciou a nacionalização do motor QSF 2.8 e sua entrada estratégica no segmento de tratores durante a 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). A iniciativa visa ampliar a atuação da multinacional em equipamentos compactos, integrando motorização, sistemas de emissões e geração de energia em uma abordagem única para o setor. O movimento sinaliza um reforço na competitividade da engenharia brasileira e prepara a empresa para futuros requisitos regulatórios no país.

    Durante a coletiva de imprensa no evento, Mauricio Biadola, Daniel Malaman e Cora Reis apresentaram os detalhes da operação. Segundo os executivos, a estratégia combina o aumento da capacidade produtiva em solo nacional com uma evolução tecnológica voltada para a eficiência operacional e a redução do impacto ambiental. Além disso, a estreia em novos nichos de mercado demonstra o amadurecimento das soluções voltadas ao chamado “novo agro”.

    Potência nacionalizada e foco industrial

    A fabricação do modelo QSF 2.8 na planta de Guarulhos (SP) marca o ingresso da Cummins em uma faixa de potência inédita para a manufatura local. Este motor, que entrega entre 49 e 74 hp com torque de até 300 Nm, atende projetos de pequeno porte que demandam alta densidade energética. Consequentemente, a empresa fortalece a integração com fabricantes locais e reduz a dependência de componentes importados.

    Conforme explicou Mauricio Biadola, diretor de Vendas Off-Highway: “Nosso objetivo é viabilizar a evolução da mecanização no campo com soluções que entreguem resultado no presente e estejam preparadas para o futuro. A produção nacional amplia a integração com fabricantes e fortalece a competitividade no setor agrícola”.

    Mauricio Biadola, diretor de Vendas Off-Highway da Cummins Brasil – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Além do ganho industrial, o motor já chega ao mercado adaptado para diferentes níveis de emissões. Essa flexibilidade permite que fabricantes utilizem o mesmo bloco em diversas configurações, simplificando a logística e a manutenção dos equipamentos no campo.

    Engenharia brasileira e inovação em tratores

    Outro anúncio relevante foi a entrada oficial da Cummins no segmento de tratores através de um projeto estrutural. A equipe de engenharia brasileira desenvolveu uma aplicação baseada na plataforma de 4,5 litros com cárter estrutural integrado. Nesse modelo, o motor deixa de ser apenas o propulsor e passa a integrar a própria sustentação do veículo agrícola.

    Essa mudança arquitetônica permite otimizar o design das máquinas e melhorar o desempenho estrutural geral. Para garantir a robustez necessária ao trabalho pesado, a companhia utilizou simulações avançadas e validações técnicas rigorosas. Dessa forma, as máquinas estão prontas para enfrentar as condições severas de operação comuns no agronegócio nacional.

    Estratégia para emissões e infraestrutura de energia

    No campo da sustentabilidade, a Cummins detalhou sua rota tecnológica para sistemas de pós-tratamento. Daniel Malaman, gerente geral da Cummins Emission Solutions, ressaltou que a previsibilidade nas regras do setor é fundamental para a indústria. Segundo ele: “Um avanço regulatório conduzido com base técnica e previsibilidade contribui para reduzir distorções no mercado e fortalecer a competitividade da indústria nacional”.

    Paralelamente, a divisão de Power Generation atualizou sua linha de grupos geradores. Agora, os equipamentos contam com motores eletrônicos de maior eficiência e são compatíveis com misturas de biodiesel. Cora Reis, gerente de vendas da área, defende que parâmetros técnicos claros auxiliam quem produz: “Parâmetros técnicos bem definidos ampliam a previsibilidade para quem investe no campo e incentivam a adoção de tecnologias mais eficientes”.

    Por fim, a Cummins reforçou sua estratégia de pós-venda utilizando análise de dados em tempo real. O sistema identifica as regiões com maior concentração de máquinas para otimizar o estoque de peças e o treinamento de técnicos. A empresa também investe na economia circular por meio de sua linha de remanufaturados, que promove o reaproveitamento de materiais e reduz o consumo de energia no ciclo industrial

  • Brasil é o primeiro país fora da Alemanha a produzir a cerveja original da Oktoberfest

    Brasil é o primeiro país fora da Alemanha a produzir a cerveja original da Oktoberfest

    O Brasil acaba de entrar para a história da cerveja alemã. Pela primeira vez em mais de quatro séculos de existência, a Hofbräu München (HB), cervejaria fundada em 1589, pertencente ao Estado da Baviera e fornecedora oficial da Corte Real Bávara, produzirá sua famosa Weissbier fora da Alemanha. O país escolhido para esse marco histórico é o Brasil, terceiro maior mercado consumidor de cerveja do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos.

    Foto: Divulgação

    O primeiro lote das cervejas Hofbräu Lager e Hofbräu Weiss de produção nacional estará disponível para comercialização em março de 2026.

    Parceria com fabricante do interior de São Paulo

    A operação será coordenada pela Bier Wein, importadora fundada em 1986 e especializada em cervejas especiais desde 1993. A fábrica escolhida para receber a produção é a NewAge Bebidas, instalada na cidade de Leme, interior de São Paulo.

    A seleção do parceiro fabril não foi aleatória. O processo de homologação foi conduzido pessoalmente pelo diretor industrial e mestre cervejeiro da HB, Thorsten, que visitou o Brasil em meados de 2025 e avaliou diversas plantas industriais antes de bater o martelo.

    Foto: Divulgação

    Fundada em 1988, a NewAge possui uma planta fabril de 20.000 m² instalada em uma área de 56.000 m², com capacidade de produção de 300.000 hectolitros por ano. A empresa já é responsável por marcas consagradas como Schweppes, Crush e Gini, além do Guaraná Cruzeiro.

    “A chegada da Hofbräu München ao Brasil representa um marco histórico para o mercado cervejeiro nacional. Sermos escolhidos para conduzir a produção no país é uma responsabilidade grandiosa e, ao mesmo tempo, motivo de imenso orgulho”, afirma Fabio Violin, diretor comercial da NewAge.

    Supervisão alemã do início ao fim

    Para garantir que o produto brasileiro seja idêntico ao original de Munique, a HB enviou o mestre cervejeiro Max Müllner ao Brasil, onde ele acompanhou presencialmente toda a produção por quase dois meses na planta da NewAge.

    Ingredientes como levedura, maltes especiais e lúpulos serão importados da Alemanha. Apenas a água e os maltes pilsen e de trigo utilizados no processo serão de origem nacional, segundo Marcelo Stein, sócio da Bier Wein.

    Rudolf Seider, diretor comercial da HB, que esteve no Brasil no ano passado e acompanhou de perto todo o projeto, destaca o impacto estratégico da decisão: “A mudança para a produção local contribui para a sustentabilidade ambiental, reduzindo o transporte de contêineres e a pegada de carbono. Pela primeira vez, a Hofbräu Weissbier será produzida para o mercado externo, garantindo que os consumidores brasileiros possam desfrutar de uma das marcas de cerveja premium mais icônicas da Alemanha.”

    Preço menor e mais produto nas prateleiras

    Para o consumidor, os benefícios são concretos. Com a eliminação das taxas de importação e dos custos logísticos internacionais, a expectativa é de uma redução de até 20% no preço final da bebida.

    Além do custo, Stein aponta outros ganhos: “Os consumidores terão mais facilidade em encontrar a cerveja nos pontos de venda. Pois o processo de abastecimento será mais contínuo e o produto chegará mais fresco ao mercado.”

    Os dois estilos que chegam primeiro

    Inicialmente, dois rótulos serão produzidos em solo brasileiro:

    • HB Weissbier: cerveja de trigo com aromas frutados de banana e damasco, com notas características de cravo, típicas do estilo alemão.
    • HB Lager: do estilo Helles, com lupulagem equilibrada, é um dos rótulos mais populares da Alemanha.

    A HB acumula mais de 20 anos de exportação bem-sucedida para o Brasil, mas a decisão de iniciar a produção local sinaliza uma nova fase. E uma aposta clara no potencial de crescimento do mercado cervejeiro brasileiro.

  • Paraná amplia liderança na produção nacional de peixes

    Paraná amplia liderança na produção nacional de peixes

    O Paraná consolidou sua posição como líder nacional na produção de peixes em 2025, alcançando o recorde de 273 mil toneladas de pescados. O volume representa um crescimento de 9,1% em relação a 2024 e garante ao Estado 27% da produção total brasileira, segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, divulgado nesta semana.

    Foto: Anuário Peixe BR

    Com esse desempenho, o Estado ampliou a distância sobre os demais produtores. São Paulo ocupa o segundo lugar, com 93,7 mil toneladas, seguido por Minas Gerais (77,5 mil t), Santa Catarina (63,4 mil t) e Maranhão (59,6 mil t), que subiu uma posição no ranking.

    Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados, chegando a 1,011 milhão de toneladas. Um avanço de 4,41% sobre o ano anterior. Nos últimos dez anos, o crescimento acumulado da piscicultura nacional foi de 58,6%, refletindo o amadurecimento e a expansão do setor.

    Tilápia puxa alta na piscicultura

    A tilápia segue como o principal motor do crescimento, liderando a produção tanto no Paraná quanto no país. O Estado produziu 273,1 mil toneladas, seguido por São Paulo (88,5 mil t), Minas Gerais (73,5 mil t), Santa Catarina (52,7 mil t) e Mato Grosso do Sul (38,7 mil t). No total nacional, foram 707,4 mil toneladas, o maior volume dos últimos dez anos.

    Entre os municípios paranaenses com maior produção estão Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon. Já na quantidade de tanques, Itambaracá se destaca com 1.564 unidades, à frente de Alvorada do Sul, Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Boa Esperança do Iguaçu.

    Investimentos e novos modelos de produção

    De acordo com o anuário, o Paraná vem atraindo investimentos crescentes em inovação e integração produtiva, impulsionados pela atuação de grandes cooperativas. O modelo de integração, que conecta produtores a frigoríficos e exportadores, tem se consolidado no Estado, enquanto o sistema independente, baseado em pequenos frigoríficos, perde espaço.

    Foto: Anuário Peixe BR

    O relatório também destaca a necessidade de manter o ritmo de expansão: “Além dos fatores favoráveis ao crescimento constante, é essencial fortalecer os investimentos em inovação, certificação e abertura de novos mercados internacionais”, aponta a publicação.

    Exportações crescem em valor e consolidam o Paraná

    As exportações brasileiras de piscicultura cresceram 2% em valor em 2025, totalizando US$ 60 milhões, embora tenham registrado queda de 1% em volume, passando de 13.792 para 13.684 toneladas. A tilápia respondeu por 94% das exportações, seguida por tambaqui e curimatás.

    O Paraná manteve a liderança nacional também nas exportações, com US$ 28 milhões, o equivalente a 50% do total brasileiro. Na sequência aparecem São Paulo (US$ 16 milhões, 29%) e Mato Grosso do Sul (US$ 10,7 milhões, 19%).

    Mesmo com o aumento de tarifas, os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos pescados brasileiros, absorvendo 87% das vendas externas (US$ 52 milhões). Outros mercados relevantes foram Canadá (4%), Peru (4%), China (2%) e Vietnã (1%). Em 2025, 21 novos destinos passaram a importar peixes brasileiros, entre eles o México, segundo maior importador de tilápia das Américas.

  • Queda na safra de trigo leva Brasil ao maior déficit em uma década

    Queda na safra de trigo leva Brasil ao maior déficit em uma década

    O Brasil enfrentará em 2025 seu maior déficit de trigo em mais de dez anos. A produção nacional deve despencar para cerca de 7,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno se mantém firme entre 12 e 13 milhões de toneladas. A combinação força o país a importar até 7 milhões de toneladas, volume que expõe a cadeia produtiva às incertezas do câmbio e da política comercial de países vizinhos, como a Argentina.

    Para o economista Adenauer Rockenmeyer, Delegado do Corecon-SP, a volatilidade afeta toda a cadeia. “Produtores enfrentam margens comprimidas, e a indústria precisa lidar com custos imprevisíveis. A decisão da Argentina de reduzir alíquotas de exportação para 9,5% em 2025 aumentou a competição no mercado brasileiro”, afirma. Ele defende que a forte demanda por pães e massas exige um reajuste produtivo urgente, focado em eficiência e redução de custos.

    Tecnologia de precisão vira ferramenta essencial para sobrevivência

    Diante do cenário desafiador, a adoção de tecnologia deixou de ser um diferencial para se tornar condição de sobrevivência. Produtores e indústrias aceleram a implementação de ciência de dados, sensores inteligentes e automação para tomar decisões baseadas em evidências e não em tentativa e erro.

    Empresas como a Pensalab fornecem soluções como o Mixolab e o SpectraStar XT-F, que realizam análises rápidas desde o grão até a massa final. Esses instrumentos monitoram parâmetros como teor de água e estabilidade da massa, garantindo padronização e reduzindo desperdícios.

    “Mais do que medir qualidade, essas tecnologias ajudam a antecipar desvios, permitindo ações preventivas”, explica Rafael Soares, diretor da Pensalab. Para ele, o monitoramento em tempo real e a inteligência de dados inauguram uma nova lógica produtiva, mais previsível e menos exposta a volatilidades externas.

    Financiamento é peça-chave para a transformação do setor

    A transição para uma produção mais tecnológica e eficiente exige investimentos robustos. Adenauer Rockenmeyer ressalta a necessidade de capital para financiar a transformação e modernizar o setor. “Além das fontes tradicionais, o agronegócio deve buscar recursos de médio e longo prazo no mercado de capitais e em fundos de investimento, uma tendência crescente”, observa.

    Em um cenário de juros elevados, diversificar as fontes de financiamento se torna estratégico. O acesso a esse capital é crucial não apenas para a recuperação da competitividade, mas também para impulsionar a sustentabilidade e a adaptação do setor aos desafios climáticos, conclui o especialista.

  • Entrega de fertilizantes ao mercado brasileiro cresce 9,3% no ano

    Entrega de fertilizantes ao mercado brasileiro cresce 9,3% no ano

    O mercado brasileiro de fertilizantes mantém ritmo de crescimento em 2025. Dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) revelam que as entregas ao agricultor totalizaram 35,86 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a setembro. O número representa um aumento de 9,3% frente ao mesmo período de 2024, quando o volume foi de 32,80 milhões de toneladas.

    Apenas em setembro, o setor comercializou 5,38 milhões de toneladas, uma alta expressiva de 11,3% na comparação com setembro do ano anterior.

    A análise por estado confirma Mato Grosso como o maior consumidor do país. O estado respondeu sozinho por 22,5% do total nacional, com 8,08 milhões de toneladas entregues. A sequência dos maiores mercados ficou com Paraná (4,51 milhões t), São Paulo (3,74 milhões t), Rio Grande do Sul (3,54 milhões t), Goiás (3,53 milhões t), Minas Gerais (3,22 milhões t) e Bahia (2,43 milhões t).

    Produção nacional avança, mas importações seguem altas

    A indústria nacional de fertilizantes intermediários também registrou desempenho positivo. A produção acumulada nos nove meses chegou a 5,57 milhões de toneladas, com crescimento de 6,6%. Em setembro, a fabricação cresceu 6,3%, para 713 mil toneladas.

    No entanto, o país ainda depende significativamente do mercado externo para suprir a demanda. As importações somaram 31,49 milhões de toneladas no período, um avanço de 8,4%. O Porto de Paranaguá (PR) consolidou sua posição como principal porta de entrada, com 8 milhões de toneladas movimentadas – o que representa 25,5% de toda a importação pelo país e um crescimento de 9,9% ante 2024.

    Os dados reforçam a forte demanda do agronegócio brasileiro por insumos na reta final do ciclo de culturas, com destaque para as regiões produtoras de grãos.

  • Entregas de fertilizantes no Brasil crescem 11,4% em 2025

    Entregas de fertilizantes no Brasil crescem 11,4% em 2025

    As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro apresentaram crescimento expressivo nos primeiros cinco meses de 2025, segundo dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Entre janeiro e maio, o volume chegou a 15,83 milhões de toneladas, um aumento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram comercializadas 14,20 milhões de toneladas.

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    Apenas em maio, o setor registrou 3,70 milhões de toneladas entregues, com alta de 13,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O desempenho reforça a tendência de crescimento do agronegócio brasileiro, que segue como um dos principais motores da economia nacional.

    Mato Grosso lidera as entregas

    O estado de Mato Grosso se destacou como o maior consumidor de fertilizantes no período, respondendo por 24% do total nacional, com 3,80 milhões de toneladas. Na sequência, aparecem:

    • Paraná (2,32 milhões de toneladas)
    • Goiás (1,62 milhão)
    • São Paulo (1,55 milhão)
    • Minas Gerais (1,35 milhão)
    • Rio Grande do Sul (1,09 milhão)
    • Bahia (924 mil toneladas)

    Produção nacional e importações em alta

    A produção brasileira de fertilizantes intermediários também registrou crescimento. Em maio, foram 658 mil toneladas, um salto de 20,1% ante 2024. No acumulado do ano, a produção chegou a 2,91 milhões de toneladas, alta de 11,4%.

    Já as importações mantiveram a trajetória de alta, com 3,66 milhões de toneladas em maio (+19,2%). No ano, o volume total importado foi de 14,92 milhões de toneladas, crescimento de 13,9%. O Porto de Paranaguá (PR) se consolidou como principal porta de entrada, recebendo 4,03 milhões de toneladas (+12,5%), o que representa 27% do total nacional.

    Os números reforçam a força do agronegócio brasileiro e a crescente demanda por insumos agrícolas. Com safras recordes e aumento da produtividade, o mercado de fertilizantes deve manter ritmo acelerado nos próximos meses.

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  • Dendê: palmeira de origem africana é opção lucrativa para produtor

    Dendê: palmeira de origem africana é opção lucrativa para produtor

    O dendê, uma palmeira originária da África, é uma cultura agrícola de grande importância no Brasil, especialmente no Pará, que concentra 98% da produção nacional. A planta é fonte de óleo de palma, utilizado principalmente na indústria alimentícia e cosmética. Além disso, o dendê é um símbolo das raízes africanas na agricultura brasileira e desempenha um papel crucial na economia local.

    Em 2023, o Pará colheu 2,8 milhões de toneladas de cachos de dendê, um volume significativamente maior do que o de dez anos antes, quando a produção era de aproximadamente 1 milhão de toneladas. A área destinada à colheita também aumentou, passando de 72.370 hectares para 186.240 hectares no mesmo período. A Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma) estima que a indústria alimentícia utiliza cerca de 90% do óleo de palma produzido no Brasil.

    Além de garantir renda para muitas famílias, o dendê se destaca pela versatilidade, sendo empregado em diversas aplicações, como na produção de óleo e na fabricação de cosméticos. Na Bahia, o dendê é uma parte importante da cultura local, com técnicas tradicionais de processamento que convivem com métodos mais modernos.

    Desafios na produção

    No entanto, a produção de dendê enfrenta desafios significativos. Na Bahia, por exemplo, a área destinada à colheita de dendê caiu drasticamente. Passou de 53.700 hectares em 2013 para 12.700 hectares em 2023, refletindo uma queda de 76,35% na produção. Isso se deve, em parte, ao baixo rendimento das variedades selvagens de dendê, que têm um rendimento 50% menor do que as variedades geneticamente melhoradas utilizadas em plantios industriais no Norte do país.

    Foto: Maria Goreti Braga dos Santos/Embrapa

    No Pará, apesar do crescimento da produção, produtores enfrentam problemas com a assistência técnica e financeira, levando alguns a romper contratos com agroindústrias. Ainda assim, o cultivo sustentável do dendê é visto como uma oportunidade para o desenvolvimento econômico e ambiental na região.

    O dendê na indústria alimentícia

    O dendê, uma palmeira originária da África, é amplamente utilizado na indústria alimentícia devido às suas propriedades únicas e versatilidade. O óleo extraído do dendê, conhecido como azeite de dendê ou óleo de palma, é uma das principais fontes de gordura vegetal no mundo.

    • Estabilidade e textura: o azeite de dendê é estável a altas temperaturas, tornando-o ideal para frituras e processos de cozimento intensos. Além disso, ele proporciona uma textura agradável em produtos como margarinas, sorvetes e chocolates.
    • Conservação de alimentos: atua como conservante natural em alimentos processados, ajudando a prolongar a vida útil dos produtos.
    • Fortificação nutricional: rico em carotenoides, precursores da vitamina A, o azeite de dendê contribui para a fortificação de alimentos e ajuda no combate à hipovitaminose A.
    • Culinária tradicional: é um ingrediente essencial na culinária afro-brasileira, especialmente na Bahia, onde é usado em pratos como acarajés e vatapás.
    • Aplicação em diversos produtos: além de ser usado em alimentos, o óleo de palma também é empregado na fabricação de cosméticos e biocombustíveis.

    O azeite de dendê é fonte de ômega 6 e 9, vitaminas A e E, e antioxidantes. Assim, pode promover a saúde da pele e dos olhos, fortalecer o sistema imune e prevenir o envelhecimento precoce.

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