Tag: produção leiteira

  • Casal transforma 11 hectares em fazenda leiteira recordista

    Casal transforma 11 hectares em fazenda leiteira recordista

    Todos os dias, antes do sol nascer sobre as pastagens da Fazenda Córrego do Monjolo, em Açucena, na região Leste de Minas Gerais, Melquisedeque Alves de Oliveira e a esposa, Rosemary Gonçalves, preparam o gado para a primeira ordenha do dia. O casal repete o processo à tarde e mantém, hoje, uma das produções leiteiras mais eficientes da região: nove vacas em lactação geram cerca de 250 litros diários, uma média de 27,7 litros por animal. Um patamar que costuma ser considerado excelente até em fazendas de grande porte.

    Foto: Arquivo Pessoal

    O resultado não veio por acaso. Melqui cresceu na mesma propriedade onde vive atualmente e viu o pai conduzir o trabalho de forma tradicional, sem o uso de técnicas de manejo. Ao assumir sua parte da fazenda, em 1998, decidiu seguir outro caminho. “Tinha em mente que precisava de planejamento e de metas para produzir mais e melhor”, afirma.

    O desafio era grande: apenas 11 hectares produtivos, em um terreno montanhoso, deixavam pouca margem para erros. Ao lado de Rosemary, que também cresceu no campo, o produtor toca a atividade e cuida de um rebanho de 33 cabeças há nove anos. “Ela gosta mais da produção de leite do que eu”, brinca Melqui. “Digo que sigo ainda mais firme na atividade porque vejo o quanto ela ama isso.”

    Genética, manejo e gestão elevam a produtividade

    Melqui investiu em cursos e capacitações para melhorar continuamente a atividade e apostou primeiro no melhoramento genético do rebanho. Em 2020, a Cooperativa dos Produtores Rurais de Virginópolis (Cooprovi) selecionou o produtor para participar do Sebraetec FIV, programa do Sebrae Minas que amplia o acesso de pequenos produtores à tecnologia de fertilização in vitro. “Ver os primeiros animais resultantes do programa crescerem e produzirem foi uma satisfação muito grande”, relata.

    Faltava, porém, um método consistente de trabalho. Em 2021, o analista do Sebrae Minas Claudinei Gomes indicou a Melqui o Educampo Leite, programa que oferece assistência técnica e gerencial com foco em indicadores de produção. A partir daí, o casal retirou o gado do pasto e adotou o regime semiconfinado, com fornecimento de silagem de milho 24 horas por dia. “Em poucos dias, observamos o resultado”, conta.

    Média

    A mudança fez a média de produção por vaca saltar de 15 para 20 litros diários logo nas primeiras semanas. Em 2025, o indicador se consolidou em 22,96 litros por vaca ao dia. Ou seja, acima da média de 18,49 litros registrada pelo grupo acompanhado pelo Educampo. A fazenda também bateu recorde de produção: 403 litros de leite por dia e 147.363 litros ao longo do ano, o equivalente a 13.362 litros por hectare. O número supera em mais do dobro a média do grupo, de 4.682 litros por hectare ao ano, e fica quase três vezes acima da referência de mercado, de 5 mil litros por hectare ao ano.

    Em picos de lactação, alguns animais chegam a produzir 52 quilos de leite, o equivalente a cerca de 50 litros por dia. O desempenho rendeu ao casal o primeiro lugar em três categorias no último torneio do grupo Educampo: produção por área, taxa de lotação (1,59 vaca por hectare, contra média de 0,63 do grupo) e teor de gordura no leite (3,98%). Os resultados chamam ainda mais atenção porque a fazenda enfrenta condições de terreno que encarecem a produção de silagem. O composto para alimentação do gado consome 26,5% da renda bruta da propriedade.

    Trabalho em família e atenção individual ao rebanho

    Na Fazenda Córrego do Monjolo, cada vaca recebe acompanhamento individual. A equipe monitora nutrição, saúde, conforto e ciclo reprodutivo dos animais 24 horas por dia. Melqui e Rosemary dividem o manejo diário com a irmã dela e o cunhado, donos da propriedade vizinha, além da mãe de Rosemary e do sobrinho do casal, que sonha em cursar Medicina Veterinária.

    Para Melqui, o maior aprendizado do processo não veio de planilhas ou indicadores, mas de uma constatação prática que o Educampo reforça no dia a dia: o animal bem cuidado produz mais, adoece menos e vive mais. “Tudo o que fazemos em termos de manejo e cuidado volta em forma de resultado. O animal responde”, diz.

    O programa também deu ao produtor ferramentas para planejar os próximos investimentos do negócio. Em 2025, Melqui reinvestiu cerca de 22% da renda bruta na propriedade, distribuídos entre mecanização (45,7%), benfeitorias (35,3%) e genética e rebanho (19%). A fazenda já conta com sete animais provenientes do Sebraetec FIV, cinco Girolando meio-sangue e dois Holandês Puro de Origem. E o produtor planeja ampliar gradualmente o rebanho para 60 cabeças da raça Holandesa, mais adaptável ao clima e ao relevo da região.

    Próximos passos miram produção de mil litros por dia

    Os planos futuros incluem a construção de um galpão com capacidade para até 30 animais em lactação, com sistema Compost Barn, autossuficiência na produção do composto de alimentação e fosso de ordenha equipado com resfriador. “A meta é chegar a mil litros de leite por dia. Como 2023 e 2024 foram muito bons, iniciamos a terraplanagem do galpão. Mas este ano resolvemos rentabilizar para retomar o projeto com recursos da própria fazenda, evitando a tomada de crédito”, explica Melqui.

    Nessa trajetória, a Cooprovi teve papel central. Há seis anos, quando laticínios encerravam operações na região, a cooperativa iniciou suas atividades e cresceu junto com os produtores locais, ampliando a captação de 400 para cerca de 4 mil litros de leite por dia. “Se não fosse a Cooprovi, hoje não existiríamos mais aqui”, resume o produtor. Para o novo ciclo de melhorias, ele aposta no lançamento do programa Qualidade do Leite, do Sebrae Minas.

    Dados da fazenda podem beneficiar toda a cadeia produtiva

    Os resultados obtidos pelo Educampo Leite na Fazenda Córrego do Monjolo devem contribuir para o aprimoramento das boas práticas na produção leiteira em todo o estado. Um acordo de cooperação firmado recentemente entre o Sebrae Minas e a Embrapa Gado de Leite prevê a análise estruturada dos dados coletados pelo programa. “O Educampo tem um acompanhamento muito próximo, que ajuda a desenvolver a nossa competitividade e atrair mercado. Hoje temos metas, acompanhamento e direção”, afirma Melqui.

    O acordo tem foco no fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Minas Gerais e vai usar os registros do Educampo como referência para o desenvolvimento de painéis e ferramentas digitais. Essas ferramentas devem identificar tendências de mercado, oportunidades de melhoria e indicadores estratégicos para a gestão de fazendas leiteiras. Na prática, os resultados conquistados pelo casal poderão embasar diagnósticos mais precisos sobre a pecuária leiteira mineira, gerando conhecimento útil para produtores, técnicos e agentes do setor em todo o estado.

  • Búfalos viram atração na Megaleite e ampliam visibilidade da produção leiteira

    Búfalos viram atração na Megaleite e ampliam visibilidade da produção leiteira

    A participação da bubalinocultura na Megaleite 2026 reforçou o interesse do público pela espécie e ampliou a visibilidade do setor no Brasil. A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) marcou presença no evento, realizado entre os dias 2 e 6 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), com uma programação voltada à divulgação técnica, produção de leite e derivados bubalinos.

    Foto: ABCB/ Divulgação

    Pelo quarto ano consecutivo na feira, organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a ABCB estruturou o Pavilhão dos Bubalinos para receber produtores, estudantes, técnicos e famílias. Escolas também participaram da programação, levando alunos para conhecer de perto os animais e os produtos derivados do leite de búfala.

    Durante os cinco dias de evento, a entidade promoveu palestras técnicas, exposição de animais, degustações e ações de relacionamento entre criadores. A programação incluiu ainda música ao vivo, churrasco com carne bubalina e atividades interativas com o público. Um dos destaques foi o passeio com búfalos, que chamou a atenção de crianças e adultos e aproximou os visitantes da realidade da criação.

    As dinâmicas realizadas dentro do pavilhão representaram uma das novidades desta edição. A iniciativa permitiu demonstrar o comportamento dos animais em contato direto com o público, além de esclarecer dúvidas e reduzir percepções equivocadas sobre a espécie.

    Informações sobre a bubalinocultura

    O presidente da ABCB, Simon Riess, avaliou positivamente a participação no evento e destacou o papel da feira na difusão de informações sobre a bubalinocultura. Segundo ele, a presença contínua na Megaleite fortalece o conhecimento sobre o setor. “Neste ano, trouxemos novas dinâmicas para mostrar a realidade da criação e a docilidade dos animais”, afirmou.

    Riess também ressaltou a importância de eventos de grande porte para conectar produtores e consumidores. “A proposta é ampliar o acesso à informação e desmistificar conceitos ainda existentes sobre o búfalo”, explicou.

    Ao final da feira, a organização reconheceu o Pavilhão dos Bubalinos como um dos estandes mais organizados da Megaleite 2026. Para a ABCB, o resultado reflete o engajamento do público e a presença expressiva de visitantes ao longo do evento.

    A entidade já projeta avanços para a próxima edição. Entre as possibilidades, está a inclusão de animais em pista para demonstrar o potencial produtivo da espécie e ampliar ainda mais a visibilidade da bubalinocultura no país.

  • Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Felipe Rezende enfrenta diariamente uma pergunta inusitada dos amigos: “búfalos são de outro planeta?” A dúvida, que pode parecer absurda para quem trabalha com bubalinocultura, revela o desconhecimento geral sobre esses animais. O produtor rural decidiu mudar esse cenário e transformou a Fazenda Cantão em um fenômeno digital.

    Foto: Arquivo Pessoal

    Com menos de 900 publicações no feed, o perfil @fazendacantao ultrapassou 200 mil seguidores no Instagram. O número cresce rapidamente – apenas algumas horas após comemorar a marca, a página ganhou outros 11 mil inscritos.

    Rezende dedica o conteúdo a mostrar o dia a dia da propriedade em Piumhi, interior de Minas Gerais. O criador foca especialmente na docilidade e no comportamento afetuoso dos búfalos, características que surpreendem quem nunca teve contato com a espécie.

    “Comecei a perceber que poderia mostrar às pessoas aquilo que vivi na prática. Gravei minhas rotinas na fazenda, principalmente com os búfalos. A receptividade foi crescendo, passei a dar nomes aos animais, e a galera começou a reagir e interagir. Isso tomou grandes proporções”, explica o produtor.

    Catarina: a búfala blogueira que rouba a cena

    A estrela absoluta dos perfis é Catarina, uma búfala que possui centenas de quilos e carisma de sobra. A “blogueirinha” ganhou perfil próprio no Instagram (@bufalacatarina) e encanta seguidores com poses diferentes em cada publicação.

    “No topo da lista está a Catarina, que desperta um amor realmente muito grande. Ela foi pioneira nessa história toda. Quando bezerra, ficou doente e quase morreu. Cuidei dela e desenvolvemos uma conexão muito forte. As pessoas percebem isso. A Catarina é uma búfala diferenciada”, conta Rezende.

    https://www.instagram.com/p/Cl9SGREptJQ/

    Cada postagem da “atriz” mostra a diversão e o respeito com que os animais vivem na propriedade. O conteúdo atrai especialmente pessoas que nunca entraram em uma fazenda onde o bem-estar animal é prioridade.

    Da pecuária tradicional à bubalinocultura leiteira

    Felipe Rezende e o pai decidiram abandonar a criação de vacas holandesas para investir na produção leiteira com búfalos. Hoje, o produtor integra a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e reconhece sua influência na cadeia produtiva.

    “Acredito que influencio a cadeia leiteira, principalmente nas boas práticas de manejo e nos bons tratos aos animais”, pondera.

    O receio inicial do próprio Rezende quanto ao tamanho e à aparência dos búfalos motivou sua atuação digital. Ao perceber que outras pessoas compartilhavam os mesmos preconceitos, o criador viu a oportunidade de educar o público sobre a espécie.

    Conteúdo para todas as idades conquista internet

    Os perfis da Fazenda Cantão e da búfala Catarina oferecem conteúdo adequado para todas as idades. A descrição do perfil da propriedade traz um alerta bem-humorado: “Cuidado! Você vai se apaixonar por búfalos”.

    A estratégia de mostrar a realidade da bubalinocultura com leveza e autenticidade transforma seguidores em admiradores da espécie. O trabalho de Rezende prova que desmistificar preconceitos e promover boas práticas de manejo pode gerar engajamento genuíno nas redes sociais.

  • Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    Lei em Goiás proíbe leite feito de pó importado e fortalece produção regional

    O estado de Goiás deu um passo importante na defesa da produção leiteira regional. O governador Ronaldo Caiado sancionou a Lei nº 23.928/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no território goiano. A medida atende antigas reivindicações do setor produtivo e estabelece regras mais rígidas para a cadeia láctea estadual.

    A nova legislação surge em resposta ao crescimento das importações, principalmente de países do Mercosul, que pressionam a competitividade dos produtores locais e levantam questionamentos sobre a procedência e qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor.

    Proteção ao produtor e qualidade para o consumidor

    “Essa é uma iniciativa determinante para a manutenção dos empregos na cadeia produtiva do leite, para a proteção dos pequenos produtores e, principalmente, para a população: que terá sempre um produto de alto valor nutricional, com padrão de qualidade e brasileiro em sua casa”, declarou o governador Ronaldo Caiado.

    A reconstituição de leite consiste em adicionar água ao leite em pó para obter um produto líquido destinado à venda. A partir de agora, essa prática está vetada para indústrias, laticínios e qualquer pessoa jurídica estabelecida em Goiás.

    Fiscalização e penalidades

    As empresas que descumprirem a norma enfrentarão consequências severas: multas, apreensão de produtos e até suspensão do registro sanitário. O objetivo é garantir transparência, qualidade e valorização do produto goiano.

    “Essa lei é mais um passo na defesa da nossa agropecuária, do nosso emprego no campo e também da qualidade do alimento que chega à mesa do nosso povo”, reforçou Caiado.

    O projeto foi proposto pelo deputado estadual Amauri Ribeiro, que identificou a necessidade de regulamentação específica para proteger a cadeia produtiva local. “Essa lei assegura maior controle sanitário e evita que pequenos produtores abandonem a cadeia láctea”, afirmou o parlamentar.

    Impacto das importações na economia goiana

    Dados de 2024 revelam que Goiás importou 649 toneladas de leite em pó, representando 0,35% do volume total adquirido pelo Brasil. O produto veio integralmente de países do Mercosul e movimentou US$ 1,99 milhão que deixaram de circular na economia estadual.

    Esse valor poderia ter sido direcionado aos produtores de leite e ao comércio goiano, o que fortaleceria a economia regional e manteria empregos no campo. A falta de regras específicas para o uso de leite em pó importado facilitou esse cenário, mas a nova legislação vai reverter a situação.

  • Mudanças climáticas elevam consumo de água na produção de leite

    Mudanças climáticas elevam consumo de água na produção de leite

    O aquecimento global aumenta o consumo de água e pressiona a sustentabilidade da produção de leite no Brasil. Um estudo realizado por instituições brasileiras e alemãs revelou que boas práticas de manejo e melhorias produtivas reduzem significativamente a pegada hídrica da atividade.

    Os pesquisadores analisaram 67 propriedades leiteiras no Rio Grande do Sul e cruzaram dados de produtividade, uso de recursos e cenários climáticos. O resultado mostrou que é possível reduzir o consumo de água com ajustes simples no manejo e na eficiência do rebanho.

    Boas práticas reduzem a pegada hídrica do leite

    A equipe científica realizou 192 combinações entre boas práticas e cenários climáticos para avaliar o consumo hídrico em diferentes sistemas produtivos. As simulações mostraram variação média de 299 a 1.058 litros de água por quilo de leite corrigido.
    Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste, fatores como maior produtividade de milho e soja, eficiência na lavagem das salas de ordenha e tratamento de efluentes ajudam a reduzir o consumo de água. “Melhorar a eficiência produtiva e o manejo é essencial para diminuir a pegada hídrica”, destacou o pesquisador.

    Como o clima afeta a eficiência hídrica

    Foto: divulgação – Embrapa/Gisele Rosso

    O estudo apontou que o aquecimento global amplia o uso de água verde e azul na produção. As temperaturas mais altas aumentam a evapotranspiração das plantas e o consumo hídrico dos animais.
    Nas fazendas analisadas, sistemas a pasto apresentaram pegadas hídricas maiores que os confinados, devido à menor produtividade por vaca. Mesmo assim, propriedades bem gerenciadas mostraram bons resultados. “Independentemente do modelo, o manejo correto garante sustentabilidade”, afirmou Palhares.

    Desempenho produtivo e uso racional da água

    Os pesquisadores calcularam a pegada hídrica seguindo as diretrizes do Manual de Avaliação da Pegada Hídrica, que considera o uso direto e indireto de água.
    A água verde corresponde à utilizada na produção de alimentos para o gado. A azul vem de fontes superficiais ou subterrâneas, usadas na dessedentação e limpeza. Já a água cinza representa o volume necessário para diluir resíduos e efluentes.
    Nos sistemas a pasto, a pegada verde representou 98,8% do total. Nos confinados, o índice chegou a 99%, reforçando a influência da dieta animal na sustentabilidade da produção.

    Eficiência produtiva é o caminho para reduzir impactos

    A combinação ideal para menor pegada hídrica inclui aumento da produtividade do milho e da soja, maior produção de leite por vaca e redução do uso de água nas ordenhas.
    Nas simulações, o aumento de 25% no rendimento das culturas agrícolas reduziu consideravelmente a pegada hídrica verde. Já o tratamento dos efluentes foi essencial para diminuir a pegada cinza.
    O estudo mostrou que vacas mais produtivas e dietas equilibradas resultam em menor uso de água por litro de leite. Essa eficiência também reduz o impacto climático e melhora o desempenho econômico das fazendas.

    Aquecimento global desafia a sustentabilidade do setor

    O aquecimento global tende a elevar o consumo de água verde e azul entre 1% e 2%. As temperaturas mais altas aumentam a sede dos animais e reduzem a produtividade das lavouras, especialmente de milho e soja.
    Palhares explica que o desafio cresce a cada ano. “O aumento da temperatura e a queda da produtividade das culturas reduzem as opções de mitigação disponíveis aos produtores”, alertou o pesquisador.

    Produção eficiente apoia metas da ONU

    As ações para reduzir a pegada hídrica nas fazendas contribuem diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Entre eles, estão o ODS 2, sobre agricultura resiliente; o ODS 12, que incentiva o uso eficiente dos recursos naturais; e o ODS 13, voltado ao combate às mudanças climáticas.
    Os resultados reforçam que eficiência produtiva e manejo sustentável são estratégias-chave para garantir a segurança alimentar e a preservação dos recursos hídricos no futuro da pecuária leiteira brasileira.

  • 3º Dia do Búfalo na UFRGS: manejo e produção leiteira em destaque

    3º Dia do Búfalo na UFRGS: manejo e produção leiteira em destaque

    A produção leiteira e o manejo de búfalos serão os temas centrais do 3º Dia do Búfalo, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na Estação Experimental Agronômica (EEA), em Eldorado do Sul (RS), no próximo dia 25. Com apoio da Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu), o evento contará com palestras, mesa redonda e visitas técnicas, reunindo pesquisadores, estudantes e produtores rurais.

    Um dos destaques da programação será a apresentação do Tambo EEA, um projeto pioneiro de sala de ordenha especializada para búfalas, desenvolvido em parceria com uma consultoria técnica. Vitória Di Domênico, uma das organizadoras, explica que a iniciativa visa aprimorar a produção leiteira no rebanho da universidade, que atualmente conta com 42 animais, sendo 20 fêmeas em lactação até julho.

    A presidente da Ascribu, Desireé Möller, reforçou a importância do projeto. Destacando que o rebanho da UFRGS é o quarto fornecedor de leite de búfala para o Laticínios Kronhardt. “Essa parceria fortalece a cadeia produtiva e abre novas perspectivas para a bubalinocultura no RS”, afirmou.

    Estudantes apresentam pesquisas em bubalinocultura

    O evento também dará espaço para alunos de graduação e pós-graduação apresentarem seus trabalhos em áreas como produção leiteira, sanidade, reprodução e nutrição. Amanda Motta, professora da UFRGS e organizadora, ressaltou que a participação dos estudantes é fundamental para o desenvolvimento do setor.

    Atualmente, a Estação Experimental conta com oito alunos de graduação e cinco de pós-graduação dedicados à pesquisa em bubalinocultura, além de professores e técnicos especializados.

    Serviço

    Evento: 3º Dia do Búfalo

    Data: 25 de abril

    Local: Estação Experimental Agronômica da UFRGS – Eldorado do Sul (RS)

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  • Produtores gaúchos recebem título de “Criador Supremo”

    Produtores gaúchos recebem título de “Criador Supremo”

    O Rio Grande do Sul consolidou sua posição como polo de excelência na pecuária leiteira com a premiação de oito criadores gaúchos como Criadores Supremos da raça Holandesa. A honraria, concedida pela Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH), destaca o compromisso com a qualidade genética, manejo reprodutivo e produção leiteira de alto padrão.

    Critérios de excelência

    A premiação avalia desde a gestão de lactações até a reprodução de animais, com foco em ciclos completos de criação que garantem qualidade desde a ternerinha até a fase adulta. “Ser Criador Supremo é a coroação do trabalho árduo das famílias envolvidas na atividade, que priorizam criar bem, reproduzir bem e produzir leite de excelência para o consumidor final”, destacou Marcos Tang, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).

    Os premiados representam municípios como Carlos Barbosa, Salvador do Sul, Cotiporã e Erebango, reforçando a tradição gaúcha na pecuária de precisão. A lista de ganhadores do “Criador Supremo” inclui:

    • João Marcos Grespan (Granja J. M. Grespan)
    • Dieter Roese (Agropecuária Roese)
    • Selvino Stefini (Fazenda Stefini)
    • Tiago Pitol Frizon (Granja T. Frizon)
    • Fabio Bresolin (Cabanha Sonho Meu)
    • Beatriz, Jean e Eloi Gallina (Granja Letícia)
    • Evandro José Cichelero (Granja Cichelero)
    • Valdir, Isolete, Henrique e Felipe Zaro (Granja Nini).

    Contexto histórico

    A raça Holandesa, presente no Brasil desde o século XVI, teve seu rebanho nacional reduzido nas décadas de 1980 devido à escassez de reprodutores comprovados. Hoje, o Rio Grande do Sul se destaca como um dos estados com maior tradição na preservação e aprimoramento genético da espécie.

    A premiação alinha-se ao Regulamento Suprema 2024/2025, que estabelece parâmetros rigorosos para a seleção de criadores. Para Tang, o título reflete a excelência técnica e o compromisso familiar com a cadeia produtiva, essencial para a competitividade do setor.

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  • Gado holandês em destaque na ExpoAgro Cotricampo

    Gado holandês em destaque na ExpoAgro Cotricampo

    A ExpoAgro Cotricampo, que chega à sua 9ª edição em Campo Novo (RS) de 19 a 22 de fevereiro, terá a presença marcante do gado holandês, raça de destaque na produção leiteira. O último dia do evento será dedicado ao Dia do Leite, com a realização da 3ª Exposição Leiteira e concursos como a Vaca do Futuro e o Jovem Puxador. O acesso ao parque da ExpoAgro e o estacionamento serão gratuitos.

    Além da programação do leite, a feira oferecerá aos produtores rurais e visitantes em geral um pavilhão da agricultura familiar, painéis e inovações tecnológicas.

    ExpoAgro integrada ao circuito exceleite

    O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, ressalta o crescimento do evento a cada edição e o seu reconhecimento como parte do circuito Exceleite. “A ExpoAgro Cotricampo está se consagrando como a primeira feira oficial que temos, integrando já o circuito Exceleite”, informa.

    Tang destaca que a feira acontece em uma região do estado onde a produção de leite está em franco crescimento.

    Destaques da programação

    A programação inclui:

    • Torneio leiteiro, demonstrando as altas produções da raça holandesa.
    • Julgamento do gado jovem (terneiras e novilhas).
    • Julgamento das vacas leiteiras (vacas em lactação), de onde sairá a grande campeã de pista.

    Tang expressa a expectativa de que a ExpoAgro Cotricampo se consolide como um grande evento da raça no estado e no país, buscando se tornar a etapa nacional.

    Tang finaliza expressando a satisfação da Gadolando em participar da iniciativa e a confiança no sucesso do evento, fruto do trabalho e dedicação dos organizadores.

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  • RS: criadores de gado leiteiro preocupados com clima

    RS: criadores de gado leiteiro preocupados com clima

    A combinação de calor excessivo e a falta de chuvas no Rio Grande do Sul está gerando apreensão entre os criadores de gado leiteiro. De acordo com Marcos Tang, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), a estiagem pode resultar em uma redução de até 10% na produção de leite no estado.

    A escassez de chuvas tem afetado diretamente a produção de alimentos para o gado, com lavouras de soja e milho nas regiões oeste e noroeste enfrentando condições climáticas extremas. “O estresse térmico nas vacas leva a uma diminuição na produção de leite e aumenta os custos operacionais devido à necessidade de condicionamento das animais”, explica Tang. Ele estima que a produção diária pode cair entre 600 mil e 1 milhão de litros.

    Apesar dos desafios, Tang ressalta que muitos produtores têm investido em melhorias nas propriedades, garantindo que as vacas sejam bem aclimatadas. “Em propriedades que adotaram essas práticas, a redução na produção é bem menor, pois as vacas mantêm uma boa qualidade e volume de leite”, afirma.

    Consequências da queda na produção de milho

    A diminuição na produção de milho impacta diretamente os custos de alimentação do gado. “Cada percentual perdido na colheita do milho para silagem resulta em um aumento nos custos. Já que isso afeta a eficiência alimentar das vacas”, analisa Tang. A falta de alimentos nutritivos e em quantidade suficiente pode comprometer ainda mais a saúde e a produtividade dos rebanhos.

    Diante desse cenário preocupante, o presidente da Gadolando espera que chuvas consistentes retornem ao estado para mitigar as perdas na produção leiteira. “Precisamos que as condições melhorem para reduzir o estresse térmico e evitar grandes perdas na produção de milho. Que é essencial para a alimentação das nossas vacas”, conclui.

    Com as previsões climáticas incertas e o impacto já sentido nas lavouras e na produção de leite, os criadores de gado leiteiro do Rio Grande do Sul permanecem vigilantes, buscando soluções para enfrentar os desafios impostos pela estiagem e pelo calor excessivo.