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  • Produção de uva cresce em Goiás e impulsiona turismo

    Produção de uva cresce em Goiás e impulsiona turismo

    A produção de uva em Goiás mais que dobrou entre 2020 e 2024, consolidando o avanço da vitivinicultura no Cerrado e impulsionando o surgimento de novos destinos turísticos no Centro-Oeste.

    Dados da Embrapa, reunidos no Panorama da Viticultura no Brasil (2020–2024), mostram que o estado saiu de 1.516 toneladas para 3.264 toneladas no período. Embora ainda distante do Rio Grande do Sul, líder nacional, o crescimento marca uma mudança estrutural na produção agrícola goiana.

    Segundo a Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), Goiás já responde por 7% da produção de vinhos no Brasil, com destaque para rótulos elaborados em condições tropicais.

    Tecnologia impulsiona cultivo no Cerrado

    A expansão da viticultura para regiões de clima tropical ganhou força com a adoção da técnica de dupla poda. O método altera o ciclo natural da videira e induz a maturação no inverno, período mais seco e favorável à qualidade das uvas.

    Foto: Divulgação

    Com isso, o Brasil alcançou produção anual próxima de 1,8 milhão de toneladas de uva, ao mesmo tempo em que regiões como o Cerrado passaram a investir no cultivo e na produção de vinhos finos.

    Em Goiás, áreas como o entorno do Distrito Federal, Paraúna e Hidrolândia já cultivam a fruta, mas a principal vitrine do setor hoje é a Rota dos Pirineus.

    Rota dos Pirineus lidera vitivinicultura em Goiás

    Localizada entre Pirenópolis, Cocalzinho e Corumbá, a Rota dos Pirineus reúne nove vinícolas e se consolida como o principal polo de vinhos finos do Centro-Oeste.

    A região combina produção vitivinícola com gastronomia artesanal, especialmente queijos, e fortalece um roteiro turístico que inclui visitas guiadas, degustações e experiências diretamente com produtores.

    Cachoeira do Salto
    Cachoeira do Salto. Foto: Divulgação

    Esse modelo tem ampliado a visibilidade dos vinhos do Cerrado e estimulado o desenvolvimento econômico local.

    Turismo cresce e atrai novos investimentos

    O avanço da vitivinicultura se soma aos atrativos naturais da região, como serras, cachoeiras e clima ameno, elevando o fluxo turístico.

    A Rota dos Pirineus recebe cerca de 80 mil visitantes por mês na baixa temporada e até 120 mil na alta temporada. Esse movimento impulsiona o mercado imobiliário e a oferta de hospedagens de curta duração.

    Empreendimentos como o condomínio Salto Imperial surgem nesse contexto. Localizado próximo ao Salto Corumbá, o projeto vendeu 93% dos lotes na primeira fase e já iniciou a segunda etapa.

    Segundo o coordenador de vendas Rodrigo Ribeiro, terrenos com topografia acidentada lideram a procura, impulsionados pela demanda por imóveis com apelo visual e potencial para locação.

    Novo perfil de moradores e estilo de vida

    Além do turismo, a região também atrai novos moradores, especialmente profissionais que adotaram o teletrabalho.

    De acordo com o especialista imobiliário Robério Siquiero, cresce a busca por segunda residência entre profissionais de tecnologia e outros setores, interessados em conciliar trabalho remoto e qualidade de vida.

    Para os desenvolvedores, o interesse vai além do investimento imobiliário. “As pessoas buscam experiências, contato com a natureza e um estilo de vida mais equilibrado”, afirma Rodrigo Estivallet, sócio do projeto.

  • Sul de Santa Catarina mantém tradição vinícola italiana

    Sul de Santa Catarina mantém tradição vinícola italiana

    O Sul de Santa Catarina construiu sua identidade vitivinícola a partir de 1877, quando imigrantes italianos fundaram a Colônia Azambuja e trouxeram para a região um conhecimento ancestral sobre o cultivo de uvas. Essa herança consolidou o território como referência estadual na produção da fruta, condição que a região mantém até os dias atuais.

    O levantamento mais recente da Epagri, referente à safra 2020/21, revela que as regiões de Criciúma e Tubarão reúnem 118 produtores de uva. Isso tanto de mesa quanto destinada à produção de vinho. Juntos, eles cultivam 290,6 hectares e colhem 4.685,50 toneladas por safra, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 11.925.450,00.

    Eusébio Pasini Tonetto, extensionista e responsável pelo Programa de Fruticultura da Epagri no Sul Catarinense, explica que a empresa está atualizando esse levantamento neste ano. Mas destaca que os dados de 2021 ainda retratam bem a realidade regional.

    Curso capacita produtores em duas etapas

    A Epagri promoveu recentemente o Curso de Produção de Uvas, iniciativa que reuniu tanto produtores iniciantes quanto profissionais experientes. A extensionista Maria Eduarda Botelho de Souza, do escritório municipal da Epagri em Urussanga, organizou o evento em parceria com Eusébio Tonetto, dividindo a programação em duas etapas realizadas abril e maio.

    Na primeira etapa, voltada a produtores iniciantes, profissionais ministraram o Curso Básico de Produção de Uva. Stevan Arcari, gerente da Estação Experimental em Urussanga, o extensionista rural Henrique Viana e os pesquisadores Leandro Hahn e Mauro Ferreira apresentaram os fundamentos essenciais para implantação e condução de vinhedos.

    A segunda etapa, o Curso Avançado de Produção de Uva, aprofundou temas como estratégias de adaptação ao clima regional, técnicas de vinificação e o projeto de pesquisa Uvas Piwi, que desenvolve variedades adaptadas a Santa Catarina para produção de vinhos mais sustentáveis. Os pesquisadores da Epagri Henrique Petry, André Kulkamp, Valdecir Perezolli e Nelson Weber conduziram as apresentações, ao lado de Alberto Fontanella Brighenti, professor do Núcleo de Estudos da Uva e do Vinho (Neuvin), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

    Segundo Tonetto, as discussões incentivaram os participantes a implantar alternativas adaptadas às condições climáticas locais e às novas demandas da vitivinicultura.

    Degustação encerrou atividades com vinhos Piwi

    Ao final do curso, os participantes degustaram vinhos elaborados com variedades Piwi cultivadas em Urussanga e vinificadas na Estação Experimental da Epagri em Videira. Viveiristas, produtores de uva e de vinho, além de pesquisadores do projeto Piwi, acompanharam a atividade. Entre eles Rubens Onofre Nodari e Emilio Dalla Bruna, referências na área de vitivinicultura.

    Tonetto afirma que iniciativas como essa “reforçam o compromisso da Epagri com o fortalecimento da cadeia produtiva da uva e com o desenvolvimento da vitivinicultura regional”.

    A busca histórica por variedades adaptadas

    Segundo o extensionista, produtores do Sul catarinense buscam variedades de uva adaptadas ao clima local desde o período da colonização italiana. Coautor da obra “Colônia Azambuja: a imigração italiana no sul de Santa Catarina”, Tonetto conta que os primeiros colonos já testavam variedades adequadas às condições climáticas e de solo da região.

    Entre as diversas uvas cultivadas pelos imigrantes, a Goethe se adaptou especialmente bem ao território e sofreu até uma mutação genética espontânea na região. Um processo que Tonetto descreve como “a uva se adaptando”. Ele explica que essa variedade permaneceu no Sul catarinense porque produzia um vinho muito semelhante ao que os imigrantes conheciam no Norte da Itália. Portanto, criando um vínculo direto entre a fruta e as pessoas que colonizaram a região.

    Uva Goethe carrega valor histórico e cultural

    Para Tonetto, o vinho produzido com a uva Goethe ultrapassa o valor material e carrega um significado histórico importante, já que representa o processo de colonização italiana e a ocupação do território sul-catarinense.

    Com base nesse patrimônio histórico e cultural, o extensionista projeta um futuro promissor para a produção de uva na região. Impulsionado também pelo potencial de crescimento do turismo rural local.