Tag: produção de tomate

  • Tomates ancestrais conquistam agricultores e chefs de cozinha

    Tomates ancestrais conquistam agricultores e chefs de cozinha

    Já pensou poder experimentar o mesmo sabor de tomate que seus avós colhiam, comiam — e, depois de décadas, elogiam? É justamente essa experiência que variedades antigas de tomate estão proporcionando no Rio de Janeiro.

    Conhecidos como tomates históricos, tradicionais ou heirloom, esses frutos carregam características que foram preservadas ao longo de gerações. Muitos apresentam formatos, cores e sabores bem diferentes dos tomates encontrados atualmente nos supermercados.

    Há exemplares amarelos, alaranjados, rosados e até frutos com combinações de cores. Os formatos também chamam atenção. Alguns são pequenos e arredondados. Outros podem ser grandes, achatados ou bastante irregulares.

    Mas a aparência não é o único diferencial.

    Sabor que atravessa gerações

    O principal atrativo dessas variedades está no sabor. Muitos tomates antigos são conhecidos pelo aroma intenso, pela polpa suculenta e pelo equilíbrio entre doçura e acidez.

    Na cozinha, os frutos ganham espaço em saladas, entradas, molhos e outras receitas. Assim, ingredientes que durante anos ficaram restritos a pequenas plantações voltam a aparecer em restaurantes.

    Para os agricultores, a procura também cria uma nova oportunidade.

    Em vez de competir apenas pelo volume produzido, o produtor pode apostar em variedades diferenciadas. Nesse caso, sabor, aparência, origem e exclusividade passam a ter valor.

    Acervo com mais de mil variedades

    Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), um acervo com mais de mil variedades do fruto chama atenção pela diversidade. Segundo o professor Antônio Carlos de Souza Abboud, os cultivos resultam em frutos de diferentes cores, formatos, sabores e texturas.

    Tudo começou quando Abboud, professor e agrônomo especializado em ciência do solo, recebeu uma pequena coleção de sementes da França. Ele decidiu plantá-las e, o que começou como um hobby, ganhou novas proporções.

    Com o tempo, chegaram novas sementes por meio de doações, trocas com outras instituições e coletas realizadas no Brasil e no exterior. Assim, a coleção foi crescendo e passou a reunir materiais de diferentes origens.

    Coleção da UFRRJ é algo raro no Brasil e impressiona pela diversidade de tons, sabores, formatos e aromas (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/Antônio Carlos de Souza Abboud)

    Hoje, segundo Abboud, o acervo reúne tomates históricos provenientes de países como Itália, França, Espanha e Estados Unidos. Também há variedades coletadas em diferentes regiões brasileiras, incluindo a Bahia, a Amazônia e Roraima.

    “Tem tomate doce, azedo, frutado, mais ácido, com pouca semente, com textura crocante, textura macia. A gente tem todas as nuances de sabor, de gosto e de textura.”

    Rio de Janeiro tem tradição na produção

    O estado do Rio de Janeiro possui uma longa relação com o cultivo desse fruto.

    Um dos destaques é Paty do Alferes, município localizado na região Centro-Sul Fluminense. A cidade é tradicionalmente ligada à produção do tomate e mantém a agricultura como uma atividade importante.

    Portanto, a valorização dos tomates históricos cria uma possibilidade de diversificação. Pequenos produtores podem cultivar variedades específicas e estabelecer relações mais próximas com restaurantes, feiras e consumidores.

    A estratégia também acompanha uma mudança no comportamento na gastronomia:  Cada vez mais, chefs procuram ingredientes com história, identidade e origem conhecida. O tomate deixa, então, de ser apenas um acompanhamento e passa a contar uma história.

  • Genética se torna aliada estratégica na produção de tomate

    Genética se torna aliada estratégica na produção de tomate

    A combinação entre genética avançada, cultivo protegido e manejo tecnológico tem transformado a produção de tomate no Brasil. Durante visita técnica promovida pela BASF Nunhems na Mikami Agrobusiness, em Louveira (SP), produtores e especialistas apresentaram como a inovação vem contribuindo para aumentar a produtividade, garantir maior qualidade dos frutos e reduzir os impactos das variações climáticas sobre a cultura.

    A Mikami Agrobusiness é um grupo agrícola familiar liderado pelos irmãos Ricardo e Eduardo Mikami, representantes da terceira geração de descendentes de imigrantes japoneses. Com operações em Louveira e Vinhedo, a empresa cultiva cerca de 70 produtos diferentes para abastecer a rede Quitanda QMaria e o QMaria Restaurante & Sushi, ambos pertencentes à própria família. Entre as culturas, o tomate saladete ocupa posição estratégica na operação.

    Da avaliação ao cultivo em larga escala

    Atualmente, toda a produção de tomate italiano da empresa utiliza o híbrido Strongton, desenvolvido pela BASF Nunhems. Segundo Ricardo Mikami, a adoção da variedade ocorreu após testes em pequena escala que demonstraram resultados superiores aos materiais anteriormente utilizados.

    “Nossa busca não é só por algo que seja bom para produzir, é o que o cliente quer. Buscamos variedades resistentes, que nos ajudem a usar o mínimo possível de produto, buscando eficiência e atendendo a demanda que encontramos no Strongton”, afirmou.

    De acordo com o produtor, um dos principais desafios da cultura era a perda de uniformidade dos frutos na parte superior das plantas.

    “Nossa dificuldade sempre foi do meio para cima. Ou ficava pequeno ou ficava oco, não enchia e não dava peso. Quando tivemos a oportunidade de testar o Strongton, já vimos diferença. Começamos com seis vasos e hoje 100% da nossa produção de tomate italiano é dessa variedade”, relatou.

    Além disso, a empresa trabalha atualmente com 17 lotes produtivos e pretende incorporar mais três áreas ao longo deste ano. Cada lote produz entre 10 e 12 toneladas, totalizando aproximadamente 180 toneladas anuais de tomate italiano.

    Genética como diferencial competitivo

    Segundo Leonardo Terron Ferreira, representante técnico de vendas da BASF Nunhems, a proposta da nova genética é garantir uniformidade de produção durante todo o ciclo da planta.

    “A genética traz para o produtor melhor sanidade, vigor de planta, pegamento desde as primeiras pencas e qualidade até o ponteiro. O objetivo é oferecer o mesmo calibre de fruto em toda a planta, com uniformidade e padrão comercial”, explicou.

    De acordo com o especialista, o desempenho está diretamente ligado ao sistema radicular desenvolvido pelo híbrido.

    “Para obter uniformidade, o segredo está na genética. Com um sistema radicular robusto, toda a adubação realizada consegue ser aproveitada pela planta, garantindo a formação das pencas e a qualidade dos frutos.”

    Além da uniformidade, o material apresenta resistência a importantes desafios fitossanitários da cultura, como nematoides, fusarium, verticillium, vírus rugoso, vira-cabeça e geminivírus. Dessa forma, o produtor ganha mais estabilidade produtiva e maior segurança no manejo da lavoura.

    Tecnologia reduz riscos e amplia previsibilidade

    Além da genética, a tecnologia aplicada ao sistema de produção tem papel decisivo nos resultados obtidos pela propriedade. A Mikami Agrobusiness conta com cerca de 40 mil metros quadrados de estufas em Louveira, além de estruturas semelhantes em outras regiões do País.

    Segundo Ricardo Mikami, a migração do cultivo tradicional para a plasticultura permitiu reduzir significativamente os impactos das condições climáticas.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    “Diminuímos as variáveis climáticas como excesso de chuva, luminosidade e temperatura. Conseguimos entregar mais produtividade, qualidade, previsibilidade e reduzir aplicações de produtos. A plasticultura diminui as rupturas de produção.”

    Além disso, o sistema adotado utiliza cultivo em vasos preenchidos com turfa, um substrato que permite maior controle do ambiente radicular. Toda a irrigação e nutrição das plantas ocorre por meio de fertirrigação automatizada.

    “Trabalhamos em campo protegido. O plantio é feito em vasos com substrato e toda a fertirrigação é realizada por uma injetora que fornece água e nutrientes preparados pelos nossos agrônomos de acordo com a necessidade da planta durante o ciclo”, explicou Juliano Godoi, gerente de produção da Mikami Agrobusiness.

    Para os produtores, a incorporação de novas tecnologias tornou-se fundamental diante dos desafios climáticos e das exigências de mercado.

    “Se continuássemos produzindo da maneira que era feita no passado, seria muito difícil aumentar a produção. A tecnologia veio para agregar. Hoje utilizamos recursos que vão desde sementes híbridas e irrigação até estufas mais modernas e implementos agrícolas”, destacou Godoi.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Desafios e perspectivas para o futuro

    Apesar dos avanços, a produção de tomate continua enfrentando desafios importantes, principalmente durante o verão, quando as altas temperaturas podem comprometer produtividade e qualidade.

    Ainda assim, a demanda do mercado exige regularidade no abastecimento ao longo de todo o ano.

    “O consumidor quer tomate independentemente de estar frio, chovendo ou fazendo calor. Precisamos garantir esse fornecimento constante”, observou Ricardo Mikami.

    Para ele, o futuro da tomaticultura passa pela combinação entre sustentabilidade, genética e adaptação climática.

    “As temperaturas estão cada vez mais altas e as mudanças climáticas são uma realidade. A genética precisará acompanhar esse cenário, entregando materiais mais resistentes e que facilitem o manejo. A automação também deve avançar, mas sem perder a sensibilidade humana, que continua sendo determinante para o resultado final.”

  • Brasil aumenta produção de tomate com combate à mosca-branca

    Brasil aumenta produção de tomate com combate à mosca-branca

    A produção brasileira de tomate registrou um salto histórico em 2024, consolidando o país entre os líderes globais do setor. Segundo dados do IBGE, a safra alcançou 4,7 milhões de toneladas, com crescimento de 19,2% frente a 2023, além de expansão de 10,6% na área colhida (3.543 hectares). O avanço, porém, esbarra em um desafio crítico: o controle da mosca-branca, praga que ameaça produtividade e qualidade dos frutos.

    Mosca-branca: inimiga Nº 1 do tomate brasileiro

    Responsável por ataques a mais de 700 espécies de plantas, a mosca-branca (Bemisia tabaci) é uma das maiores preocupações dos produtores de tomate. De acordo com Fábio Kagi, gerente do Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), o inseto causa danos diretos e indiretos:

    • Sucção de seiva, que pode levar à morte da planta em infestações severas;
    • Liberação de toxinas que provocam amadurecimento irregular dos frutos;
    • Transmissão de vírus associados a nanismo, folhas enrugadas e amarelecimento;
    • Fumagina, fungo que se desenvolve a partir de substâncias excretadas pelo inseto, bloqueando a fotossíntese.

    “Sem controle preventivo, a praga compromete até 70% da colheita em casos extremos. O manejo deve ser contínuo, do plantio à colheita”, alerta Kagi.

    Defensivos agrícolas e manejo integrado: chaves para a produtividade

    Para frear a mosca-branca, especialistas reforçam a adoção de estratégias integradas, combinando:

    • Monitoramento constante das lavouras;
    • Rotação de culturas para quebrar o ciclo reprodutivo da praga;
    • Aplicação responsável de defensivos agrícolas, seguindo orientações técnicas e intervalos de segurança.

    “Produtores incluem esses custos no planejamento porque sabem que, sem controle, os prejuízos são incalculáveis. O Brasil não pode perder seu protagonismo no mercado global por falhas no manejo”, destaca Kagi.

    Por que o Brasil é destaque na produção de tomate?

    Além do clima favorável e da tecnologia no campo, o país investe em pesquisa e regulamentação de defensivos. Segundo o Sindiveg, produtos aprovados pela Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura são essenciais para garantir segurança alimentar e eficácia no combate a pragas.

    “Defensivos modernos são desenvolvidos para atuar com precisão, preservando a planta e reduzindo impactos ambientais. É um equilíbrio delicado, mas possível”, explica Kagi.

    Com a demanda global por alimentos em alta, o Brasil tem oportunidade de ampliar exportações de tomate — desde que mantenha o rigor no controle fitossanitário. Para isso, a capacitação técnica dos produtores é fundamental.

    “O manejo integrado não é custo, é investimento. Cada real gasto em prevenção retorna em produtividade e qualidade”, conclui o especialista.

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