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  • Bahia se consolida como potência na produção de queijos de qualidade

    Bahia se consolida como potência na produção de queijos de qualidade

    A Bahia vem se destacando no cenário nacional pela excelência e diversidade de seus queijos, conquistando prêmios dentro e fora do país. Com uma tradição que remonta ao século XVI, quando os colonizadores europeus introduziram as primeiras técnicas de produção, o estado mantém viva a herança artesanal ao mesmo tempo em que impulsiona a modernização do setor de laticínios.

    Em 2024, a Bahia produziu cerca de 1,3 bilhão de litros de leite, volume que alimenta uma cadeia diversificada de agroindústrias e produtores artesanais. A variedade de biomas, como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Cerrado, também contribui para a ampla gama de queijos baianos, que incluem desde tipos tradicionais — como requeijão, queijo coalho, de cabra e muçarela de búfala — até criações inovadoras com insumos locais, como umbu, araçá e licuri.

    Leite e derivados: base da agroindústria baiana

    Segundo Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura), a cadeia do leite é uma das mais robustas da Bahia. O estado conta com 185 agroindústrias de beneficiamento de leite e derivados. Número que supera segmentos como o de carne, ovos, pescado e produtos de abelhas.

    “O setor demonstra a força da agroindustrialização do leite e o papel estratégico do queijo na geração de renda e na valorização das economias locais”, explica Torres. Ele destaca que essas unidades operam sob inspeção sanitária formal, principalmente através do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), garantindo padrões de qualidade e segurança alimentar.

    Queijo artesanal ganha espaço e valor cultural

    Além das indústrias, a produção artesanal de queijo cresce como uma alternativa de inclusão social e valorização cultural. De acordo com Torres, essa produção se consolida como política pública de fortalecimento da agricultura familiar, preservando saberes tradicionais e resgatando identidades territoriais.

    “O movimento mostra a evolução técnica, o reconhecimento do saber fazer local e a consolidação da identidade gastronômica dos queijos baianos”, afirma o gestor.

    Tradição milenar e curiosidades sobre o queijo

    A origem do queijo remonta a um acaso histórico. Acredita-se que pastores descobriram o alimento ao armazenar leite em recipientes feitos com o estômago de animais, onde o líquido se transformava naturalmente em massa sólida e soro. Desde então, o produto evoluiu com o avanço científico e cultural, tornando-se um dos alimentos mais consumidos do mundo.

    Hoje, há queijos de alto valor, como o Pule, feito com leite de jumentas da raça Balkan, na Sérvia. São necessários mais de 25 litros de leite para produzir apenas 1 quilo da iguaria, que pode custar até 5 mil euros.

    Produção nacional em expansão

    No Brasil, a produção de queijo começou no período colonial, com a chegada de vacas leiteiras à Bahia, trazidas das ilhas de Cabo Verde por Tomé de Sousa, em meados de 1550. O queijo surgiu como método de conservação do leite em regiões sem refrigeração e se transformou em alimento essencial da culinária brasileira.

    Atualmente, o país produz cerca de 1 milhão de toneladas de queijo por ano, segundo a Embrapa. Portanto ficando atrás apenas da União Europeia, Estados Unidos e Rússia. Com ampla presença regional e diversidade de sabores, o queijo brasileiro e especialmente o queijo baiano continua a ganhar espaço nas mesas e premiações do mundo.

  • Primeira escola de laticínios da América Latina completa 90 anos

    Primeira escola de laticínios da América Latina completa 90 anos

    O Instituto Cândido Tostes (ILCT), unidade da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), completa 90 anos como referência nacional em pesquisa e desenvolvimento de produtos lácteos. A instituição, primeira escola de laticínios da América Latina, concentra a maior equipe de pesquisadores especializados em leite e derivados do Brasil.

    Durante a Semana Comemorativa dos 90 anos, o pesquisador Junio de Paula, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da Epamig, apresentou a palestra “Queijos artesanais: qualidade, segurança e apoio ao produtor”. O especialista detalhou projetos que abrangem desde pequenas queijarias até indústrias de grande porte.

    “Desenvolvemos trabalhos em diferentes regiões produtoras, com foco na qualidade do leite e na produção de derivados como iogurtes, sorvetes e bebidas lácteas”, explicou Junio de Paula.

    Pesquisas vão além dos queijos tradicionais

    O ILCT ampliou seu escopo de atuação com projetos inovadores. A instituição mantém parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para pesquisas com leite humano e desenvolve estudos com leite de caprinos e ovinos.

    Entre as iniciativas mais recentes, destaca-se o aproveitamento do soro de leite para produção de bebida fermentada e de um fermentado acético com características de vinagre. “Estamos vivenciando um momento histórico, com melhoria da infraestrutura, fortalecimento da equipe e maior apoio financeiro”, afirmou o coordenador.

    Lei estadual impulsiona investimentos em pesquisa agropecuária

    A diretora-presidente da Epamig, Nilda Soares, ressaltou os avanços proporcionados pela Lei 24.821/2024. A legislação garante que 8% dos recursos destinados à pesquisa pela Fapemig sejam aplicados especificamente no setor agropecuário.

    Diretora-presidente da Epamig, Nilda Soares. Foto: Divulgação/Epamig

    “É gratificante demonstrar à sociedade que o investimento na pesquisa da Epamig tem gerado resultados concretos. Além do leite, trabalhamos em diversas áreas, gerando tecnologias, inovações e patentes”, declarou Nilda Soares.

    Fapemig anuncia novos editais para difusão tecnológica

    O presidente da Fapemig, Carlos Arruda, destacou o compromisso da fundação com a ciência aplicada. “Nossa proposta é valorizar a pesquisa que gera impacto real e desenvolver infraestrutura tecnológica. Os próximos anos exigirão ainda mais parceria e cooperação”, afirmou.

    O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Luiz Gustavo Cançado, anunciou para dezembro o lançamento de novos editais. Os recursos apoiarão a difusão do conhecimento gerado pela Epamig em cinco linhas tecnológicas, beneficiando todas as unidades da empresa.

    “O valor da ciência está em formar pessoas. O agronegócio mineiro forma muitos profissionais, o que justifica a atenção do governo com a Epamig”, concluiu Cançado.

    Localizado em Juiz de Fora (MG), o ILCT é reconhecido por sua excelência em pesquisa e capacitação profissional no setor de laticínios. A instituição contribui diretamente para a melhoria de técnicas, processos e qualidade dos derivados lácteos consumidos em todo o país.