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  • Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    As ondas de calor que atingem a Itália em 2026 já afetam diretamente a produção do Parmigiano Reggiano, queijo com mais de 800 anos de história e um dos símbolos gastronômicos mais conhecidos do país.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Gelisite/Flickr

    Temperaturas acima de 40 °C fazem as vacas comerem menos, permanecerem mais tempo deitadas e produzirem menos leite. Essa combinação preocupa produtores, fabricantes e administradores dos armazéns responsáveis pelo envelhecimento do queijo.

    A indústria do Parmigiano Reggiano movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano e sustenta milhares de empregos na Itália. A Reuters mostrou, em reportagem publicada em 13 de julho de 2026, como o calor extremo passou a pressionar toda a cadeia produtiva, da fazenda ao armazém.

    Calor acima de 40 °C reduz em até 10% a produção de leite

    Há cerca de 50 anos, os agricultores da região da Emília-Romanha abriam as janelas dos celeiros apenas durante as noites de verão. Hoje, essas mesmas janelas permanecem abertas 24 horas por dia para proteger o gado das temperaturas recordes que atingem a região.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Crissy Terawaaki/Flickr

    Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, afirma que o calor compromete tanto a qualidade quanto a quantidade do leite. As vacas passam mais tempo deitadas nos períodos mais quentes e reduzem o consumo de alimento, o que pode derrubar a produção de leite em até 10%.

    O impacto preocupa porque o Parmigiano Reggiano usa apenas três ingredientes:

    • Leite cru de vaca
    • Sal
    • Coalho

    Portanto, qualquer redução na oferta de leite interfere diretamente no ritmo da fabricação.

    Produtores só podem fabricar o autêntico Parmigiano Reggiano em cinco províncias italianas, a maioria delas na Emília-Romanha, e precisam alimentar as vacas exclusivamente com capim e feno cultivados dentro dessa área autorizada. Períodos prolongados sem chuva representam, portanto, outra ameaça à cadeia produtiva: sem água, o capim não cresce, o que compromete a produção de feno e reduz ainda mais a quantidade de leite disponível para o queijo.

    Ventiladores e nebulizadores fazem os custos dispararem

    Para reduzir a temperatura dentro dos celeiros, os produtores instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água, medidas que ajudam a proteger os animais, mas que também aumentam significativamente o consumo de energia elétrica.

    Os gastos também cresceram nos depósitos onde as rodas de queijo permanecem durante a maturação, processo que dura pelo menos 12 meses e que, em alguns casos, se estende por três anos ou mais. Durante todo esse período, as instalações precisam manter temperatura e umidade controladas.

    Mais de 500 mil rodas aguardam maturação em depósitos climatizados

    Dois grandes depósitos especializados guardam mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, em um estoque avaliado em mais de 300 milhões de euros. A Magazzini Generali delle Tagliate, unidade ligada ao banco Credito Emiliano, opera as estruturas, localizadas nas províncias de Reggio Emilia e Modena.

    Segundo o diretor Giancarlo Ravanetti, o consumo diário de energia aumentou cerca de 30% durante os picos de calor de 2026. Para conter os custos, a empresa modernizou os sistemas de refrigeração e as caldeiras, melhorou o isolamento dos edifícios e ampliou a geração de energia renovável.

    Tecnologia e tradição protegem a qualidade do queijo

    Produtores e especialistas apelidaram coletivamente esses armazéns climatizados de “Banco do Parmigiano”. As instalações combinam tecnologia moderna e métodos tradicionais de inspeção. Assim, cada roda passa por controles rigorosos de qualidade durante a maturação, incluindo exames de raio X que ajudam a identificar defeitos internos.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Scott Dickey/Flickr

    Além disso, especialistas também batem pequenos martelos nas peças e analisam o som produzido, técnica que permite detectar falhas surgidas durante o envelhecimento. Ravanetti reforça que o trabalho humano continua essencial para garantir a qualidade final do produto.

    Tarifas dos EUA agravam o cenário para as exportações

    As exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano em 2025, com os Estados Unidos como principal mercado internacional. Mas esse mercado ficou mais instável: no fim de 2025, novas tarifas elevaram a carga tributária total sobre o queijo importado nos EUA para 25%, com possibilidade de novos aumentos.

    Diante da incerteza regulatória, importadores americanos suspenderam pedidos no início de 2026 para avaliar o impacto das tarifas e das pressões econômicas. Assim, essa decisão ajudou a derrubar em 10% o volume de vendas da Itália em 2025.

    Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas da GranTerre, que registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025, afirma que eventos climáticos mais intensos podem elevar ainda mais os custos e afetar a quantidade e a qualidade do leite nos próximos anos.

    O que pode acontecer com o Parmigiano Reggiano nos próximos anos?

    O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos e representa uma das tradições alimentares mais conhecidas da Itália. As ondas de calor mostram que até processos preservados por séculos podem enfrentar dificuldades diante de temperaturas extremas, secas e agora também de barreiras comerciais.

    Portanto, produtores precisam equilibrar tradição, tecnologia e custos crescentes para manter a fabricação do queijo. Ganzerli resumiu a preocupação do setor com uma declaração direta:

    “Não queremos ser a última geração a comer esse queijo.”

  • Antes da fama, Ancelotti trabalhou na roça: “Sei fazer queijo até hoje”

    Antes da fama, Ancelotti trabalhou na roça: “Sei fazer queijo até hoje”

    O novo comandante da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti, é conhecido mundialmente pelo sucesso à frente de grandes clubes do futebol europeu. No entanto, além dos títulos conquistados por equipes como Real Madrid e Milan, o treinador italiano de 66 anos traz uma história fortemente ligada ao agro.

    Contratado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em maio de 2025, Ancelotti cresceu em uma família dedicada à produção agropecuária no norte da Itália.

    Herança da terra

    Nascido em 1959 na pequena cidade de Reggiolo, que atualmente possui cerca de 8,5 mil habitantes, Ancelotti passou a infância e parte da adolescência ajudando nas atividades da propriedade rural da família. Seu pai atuava na produção de queijo, e o futuro treinador participava diretamente da rotina de trabalho.

    Com o passar dos anos, o jovem “Carletto” ganhou destaque nos gramados defendendo clubes como Parma, Roma e Milan. Ainda assim, nunca deixou de reconhecer a importância das experiências vividas no campo.

    “Aquele período moldou meu caráter. Minha família trabalhava na terra, eram agricultores. Nós fazíamos queijo parmesão. Eu ainda sei fazer queijo até hoje. Todas as manhãs, levávamos o leite das vacas para produzir queijo”, destaca o técnico.

    Desde que assumiu o cargo, o técnico italiano tornou-se peça central no futebol brasileiro — Foto: Reprodução/CBF

    Além disso, o treinador frequentemente associa os ensinamentos adquiridos na fazenda aos valores que levaram ao sucesso no futebol. Segundo ele, a disciplina e a dedicação exigidas na atividade rural tiveram papel fundamental em sua formação.

    Minha infância foi muito boa, muito tranquila. Havia um bom ambiente na minha família. Meu pai era dedicado a isso. Não havia dinheiro, preciso dizer. Mas era um trabalho duro. E aos 15 anos saí para a academia do Parma.”

    Antes de assumir o desafio de liderar a Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti já carregava uma bagagem construída longe dos grandes estádios.

    Sua história mostra que os valores do agro, como trabalho, perseverança e comprometimento, também ajudaram a formar um dos técnicos mais vitoriosos do futebol mundial.

  • Nova portaria libera queijos artesanais autorais em todo o Brasil

    Nova portaria libera queijos artesanais autorais em todo o Brasil

    Os queijos artesanais, símbolos da gastronomia mineira e Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro (IPHAN, 2008), ganharam uma atualização significativa em sua regulamentação. A Portaria 2373, publicada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), facilita a produção e comercialização de queijos autorais – aqueles que incorporam ingredientes extras, como café, vinho e doce de leite – em todo o território nacional.

    A medida foi anunciada pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, durante a 90ª Expozebu, em Uberaba. Segundo André Almeida Santos Duch, diretor técnico do IMA, a nova norma estabelece regras claras para garantir a qualidade e segurança dos produtos, sem impedir a criatividade dos produtores.

    O que muda com a nova Portaria?

    Antes da atualização, apenas produtores com Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade podiam comercializar queijos artesanais em todo o país. Agora, qualquer produtor que seguir as normas sanitárias poderá vender seus queijos em escala nacional. Os principais pontos são:

    • Ordenha higiênica
    • Controle de doenças
    • Bem-estar animal
    • Uso regulamentado de medicamentos

    A regra vale para todos os queijos artesanais mineiros, incluindo os tradicionais Queijos Minas Artesanal (QMA).

    Legislação atualizada pelo IMA permite que produtores mineiros inovem com ingredientes como café, vinho e doce de leite, mantendo tradição e segurança alimentar. Diego Vargas – ASCOM/SEAPA

    Outra novidade é a permissão do uso de madeira nas bancadas de produção, desde que o material seja facilmente higienizável e essencial no processo.

    Queijos autorais: uma tendência em crescimento

    De acordo com André Duch, os queijos autorais são uma tendência de mercado, impulsionada pela busca por produtos exclusivos que mantenham a tradição, mas com um toque pessoal. “Essa portaria permite que os queijeiros individualizem suas produções, sem perder a possibilidade de obter o registro sanitário, garantindo um produto seguro para o consumidor”, afirmou o diretor.

    Regulamentos específicos serão mantidos

    O subsecretário de Política e Economia Agropecuária, Gilson de Assis Sales, explicou que as normas anteriores (de 2002 a 2008) estavam defasadas. A nova Portaria unifica as regras gerais, mas cada variedade de queijo terá seu próprio regulamento. “Já publicamos os regulamentos do Queijo d’Alagoa, Mantiqueira de Minas e Casca Florida. Em breve, lançaremos os do Queijo Cabacinha, Requeijão Moreno e Queijo Cozido do Vale do Suaçuí”, adiantou Gilson.

    Diego Vargas – ASCOM/SEAPA

    Minas Gerais: celeiro dos queijos artesanais

    Atualmente, o Governo de Minas Gerais reconhece 16 regiões produtoras de queijos artesanais, sendo:

    • 10 produtoras de Queijo Minas Artesanal (QMA): Araxá, Canastra, Cerrado, Serro, Triângulo Mineiro e outras.
    • 6 produtoras de queijos típicos diferentes: Alagoa, Mantiqueira de Minas, Vale do Jequitinhonha (Queijo Cabacinha) e Vale do Mucuri (Requeijão Moreno).

    A nova Portaria reforça o respeito às tradições enquanto abre espaço para inovação, fortalecendo um dos setores mais icônicos da gastronomia brasileira.

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