Tag: produção de mel

  • Impressionante: abelhas voam mais de 80 mil km para produzir mel

    Impressionante: abelhas voam mais de 80 mil km para produzir mel

    Para produzir uma única libra de mel, as abelhas de uma colmeia visitam cerca de dois milhões de flores e voam mais de 80 mil quilômetros. Essa é uma distância equivalente a mais de duas voltas ao redor do planeta. A conta transforma um item comum de supermercado em um verdadeiro recibo de trabalho coletivo.

    Foto: Cistina Gallo/Epagri SC

    Organizações de apicultura repetem amplamente esse número, mas ele funciona como aproximação, não como medida exata. O Canadian Honey Council calcula um valor mais próximo de 2,6 milhões de flores, a partir de estudos de campo mais antigos, e destaca que os valores usados nesse cálculo representam médias. A ordem de grandeza, porém, permanece a mesma.

    Cada abelha coletora visita entre 50 e 100 flores por viagem antes de retornar à colmeia para descarregar o néctar. Nesse ritmo, as operárias somam entre 20 mil e 40 mil viagens de coleta para completar os dois milhões de visitas.

    A escala individual revela a dimensão do esforço: ao longo de toda a vida, uma abelha operária produz apenas um doze avos de colher de chá de mel.

    Uma vida curta dedicada ao trabalho coletivo

    As abelhas nem dedicam toda a vida à coleta de néctar. Uma operária de primavera ou verão vive, em geral, entre seis e oito semanas. Ela passa as primeiras três semanas realizando tarefas dentro da colmeia e só começa a forragear mais tarde, embora esse tempo varie conforme as necessidades da colônia.

    Os dois milhões de flores, portanto, não resultam do esforço de uma única abelha incansável. Eles representam o trabalho de uma força coletiva, rotativa e de vida curta.

    As distâncias dividem opiniões entre pesquisadores

    A distância percorrida gera mais controvérsia entre as fontes. Um número frequentemente citado aponta que as abelhas de uma colmeia voam mais de 88 mil quilômetros para produzir uma libra de mel. Ou seja, o equivalente a pouco mais de duas voltas completas ao redor da Terra, cuja circunferência soma cerca de 40 mil quilômetros no equador.

    Foto: divulgação – Secretaria de Agricultura de SP

    Outras fontes citam números ainda maiores, próximos de 145 mil quilômetros. Essa diferença resulta de estimativas distintas, não de métodos de medição diferentes. Diversas publicações apresentam o valor maior como a distância que uma única abelha precisaria voar, mas nenhuma abelha produz uma grama de mel sozinha. Trata-se de outra estimativa do voo total agregado da colônia, baseada em médias arredondadas diferentes.

    Fatores como a quantidade de néctar transportada por viagem, o teor de açúcar do néctar, a distância das flores em relação à colmeia e a quantidade de água que precisa evaporar durante a produção do mel alteram o resultado em dezenas de milhares de quilômetros.

    A dança que reduz o esforço das abelhas

    Uma colônia perderia muito mais energia de voo se cada abelha precisasse descobrir boas flores sozinha. Para evitar esse desperdício, as abelhas compartilham informações por meio da chamada dança do requebrado (waggle dance), um movimento em formato de oito decifrado pelo cientista Karl von Frisch, descoberta que lhe rendeu parte do Prêmio Nobel em 1973.

    A dança transmite informações sobre direção e distância. Experimentos modernos confirmam que a duração da parte vibratória do movimento varia conforme a distância até o alvo, enquanto o ângulo indica a direção do alimento em relação ao sol.

    Foto: Fernando Vivas / GOVBA

    Esse sistema de comunicação evita que os números fiquem ainda maiores. Quando pesquisadores impediram colônias de acessar as informações úteis da dança, as abelhas passaram a forragear mais longe das colmeias. A dança recruta operárias para áreas de coleta mais próximas e concentra o esforço coletivo.

    Assim, independentemente do número exato adotado, o panorama geral não muda. Um pote de mel na prateleira da cozinha carrega uma libra de voo concentrado: cerca de dois milhões de visitas a flores e quilômetros suficientes para dar ao menos duas voltas no planeta, produzidos fração por fração de colher de chá por gerações de operárias de vida curta.

  • Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    A produção de mel no Amapá vive um novo ciclo. Entre florestas preservadas e comunidades rurais dedicadas, apicultores do Estado têm aumentado produtividade e qualidade, graças à adoção de práticas mais eficientes e à organização cooperativa. A mudança, que começou nos municípios de Porto Grande e Itaubal, tem transformado o modo de trabalho e fortalecido a economia local.

    Nos últimos meses, produtores ligados à Coopermel Amapá passaram a utilizar kits de produção com equipamentos modernos para manejo das colmeias, extração e armazenamento. O que antes dependia de processos manuais e demorados agora flui com mais eficiência e segurança, permitindo maior aproveitamento da safra e melhor conservação do produto.

    Segundo Júlio Avelar, presidente da cooperativa, a inovação representa um divisor de águas para quem vive da apicultura. “Antes, tudo era mais lento e difícil. Agora produzimos mais, armazenamos melhor e mantemos o ritmo da colheita. O produtor se sente valorizado e acredita mais no próprio trabalho”, relata.

    Mel de qualidade e processo sustentável

    O avanço tecnológico não apenas impulsionou a produção, mas também elevou o padrão de qualidade do mel amapaense, que hoje começa a se destacar no mercado regional. Para Edicleuma Santana, apicultora e integrante da agroindústria local, os ganhos vão além do volume produzido. “Os equipamentos trouxeram mais segurança no processamento e garantem um produto de excelência. Isso é essencial para conquistar o consumidor e abrir novos mercados”, destaca.

    Foto: Divulgação Júlio Avelar

    Ela reforça que a base desse sucesso está na assistência técnica e nas boas práticas de manejo, garantindo que o mel mantenha características naturais e seguras desde o campo até o envase.

    Cooperação e sustentabilidade

    A organização dos produtores através da Coopermel tem sido fundamental para enfrentar desafios logísticos e naturais da Amazônia. A cooperativa já reúne dezenas de apicultores em expansão por diferentes municípios, fortalecendo a cadeia produtiva e criando oportunidades de renda.

    Além do impacto econômico, a atividade tem papel direto na preservação ambiental. Como depende das abelhas e da conservação da flora nativa, a apicultura incentiva o cuidado com a floresta e contribui para o equilíbrio do ecossistema amazônico.

    Com resultados cada vez mais visíveis, o mel do Amapá se consolida como símbolo de resistência, qualidade e sustentabilidade. Mostrando que inovação e cooperação podem transformar comunidades rurais e abrir novas perspectivas para o campo amazônico.

  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Produção de mel cresce e impulsiona renda de agricultores familiares

    Produção de mel cresce e impulsiona renda de agricultores familiares

    A apicultura vem ganhando espaço no município de Carlinda, no norte de Mato Grosso, onde famílias da agricultura familiar estão descobrindo no mel uma fonte de renda sustentável e uma aliada da conservação ambiental. Em uma região já conhecida pela pecuária leiteira e fruticultura, a produção de mel vem se consolidando como nova frente econômica e fortalecendo o campo com mais oportunidades.

    Foto: Seaf/Empaer

    Nos últimos anos, o avanço da atividade tem sido impulsionado por investimentos e pelo acompanhamento técnico que ajudam produtores a aprimorar suas práticas. Apenas em Carlinda, a agricultura familiar recebeu R$ 3,8 milhões entre 2019 e 2025 em equipamentos, insumos e maquinários. Parte desse investimento foi destinada à apicultura. Com a entrega de 6 mil caixas de abelha e mil kits completos de apicultor. Cada kit contém traje, luvas, formão, botas e fumegador, para pequenos produtores em todo o estado.

    Segundo o extensionista da Empaer, Antônio Carlos Carneiro, a chegada dos equipamentos transformou a atividade local. “A apicultura está ganhando força na região. Conseguimos organizar um grupo de produtores, unir famílias e estimular trocas de conhecimento. Hoje, já são 35 apicultores no município, com 180 caixas distribuídas e produção crescente”, afirma.

    Parceria

    A extensionista Viviane Saches Passos ressalta que a parceria entre a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) e a Empaer fortalece a cadeia produtiva. “As políticas públicas da Seaf, somadas à assistência técnica da Empaer, estão gerando resultados concretos. Pequenos apicultores, como o senhor Valdete, passaram a comercializar o mel de forma estruturada e ampliar a renda”, explica.

    Foto: Seaf/Empaer

    Exemplo disso é o Sítio Salmos 24, onde o produtor Valdete Pimenta Lopes e sua esposa, Ângela Maria Rodrigues da Silva, fizeram da apicultura mais do que uma profissão, mas um novo modo de vida. Com dois apiários e 60 colmeias espalhadas em 45 hectares, o casal produz mel de qualidade, em meio a áreas de mata nativa e frutíferas. “O mel trouxe renda e satisfação. Aprendemos muito com o acompanhamento técnico e hoje conseguimos investir mais na produção”, conta o produtor.

    A expansão da apicultura em Mato Grosso reforça um modelo produtivo de baixo impacto ambiental, que incentiva a polinização e contribui para o equilíbrio ecológico. Além de gerar renda no campo, o mel vem se firmando como símbolo de um futuro mais sustentável para centenas de famílias da agricultura familiar no estado.

  • Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    A apicultura vem se consolidando como uma alternativa sustentável de renda para agricultores familiares no município de Couto Magalhães de Minas e em outras comunidades do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais. O avanço é resultado do projeto “Produção de Mel e Própolis Verde no Alto Jequitinhonha”. Desenvolvido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado (Emater-MG), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a Codevasf e a Associação dos Apicultores de Couto de Magalhães de Minas (Apicouto).

    O projeto tem transformado a realidade local. Desde 2015, cerca de 100 apicultores da região foram beneficiados com assistência técnica, equipamentos e capacitações voltadas ao fortalecimento da atividade. Segundo o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Assis Antônio Vieira, o apoio foi essencial para superar desafios como a falta de recursos e as dificuldades na comercialização do mel e da própolis. “A parceria tem gerado emprego, renda e valorização dos produtos locais”, destaca.

    Geografia propícia

    De acordo com o extensionista da Emater-MG, José Dilson Pereira Coelho, as condições geográficas da região são ideais para a criação de abelhas e a qualidade da produção. “O aproveitamento da florada nativa e a diversificação da produção têm garantido um mel de alto valor agregado, com sabor e aroma únicos, representando a biodiversidade local”, afirma.

    Na atividade há mais de 10 anos, o presidente da Apicouto, André Marcos da Silva, reforça os resultados positivos. A associação, que hoje reúne 20 produtores e mais de 400 colmeias de abelhas africanizadas, é responsável pelo beneficiamento e pela comercialização dos produtos. “A capacitação reduziu o desperdício, aumentou a qualidade e abriu novos mercados, especialmente nas feiras da região”, comenta.

    Outro beneficiado é Osvaldo Aparecido de Meira, do Apiário Paineira. Ele relata que o apoio recebido permitiu dar continuidade ao negócio. “A doação de equipamentos veio em boa hora e ajudou muito a manter a atividade”, afirma.

    Sustentabilidade e fortalecimento da economia local

    Além de promover geração de renda, o projeto também incentiva práticas sustentáveis no campo. As ações da Emater-MG incluem manejo orgânico, preservação da vegetação nativa e diversificação de floradas, fortalecendo a atividade apícola e a agricultura familiar.

    O secretário Assis Antônio reforça que o trabalho em parceria consolida a apicultura como um dos setores mais promissores da economia local. “A união entre Emater, prefeitura, Senar, Codevasf e Apicouto é essencial para garantir continuidade, apoio técnico e segurança aos produtores”, ressalta.

  • ES: mel gera R$ 12,3 milhões com alta de 55% na produção

    ES: mel gera R$ 12,3 milhões com alta de 55% na produção

    A produção de mel no Espírito Santo deu um salto. Dados do IBGE mostram que o estado produziu 846 mil quilos do produto em 2024, um crescimento expressivo de 55% em comparação com 2016. O valor da produção mais que dobrou no período, saltando de R$ 6,2 milhões para R$ 12,3 milhões.

    Atrás desses números, está o trabalho da agricultura familiar. Municípios como Aracruz (10,6%), Fundão (9,7%) e Marechal Floriano (9,5%) se destacam como os maiores produtores do estado, consolidando a apicultura como uma atividade econômica vital para o interior capixaba.

    De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, a apicultura é uma prioridade no Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG 4). “A apicultura capixaba tem grande potencial para gerar renda e diversificar a produção. Estabelecemos objetivos claros, como ampliar a assistência técnica e fortalecer o cooperativismo. Nosso grande desafio é chegar a 2032 produzindo mil toneladas de mel”, projetou Bergoli.

    Abelhas nativas impulsionam mercado de alto valor

    Além da apicultura tradicional, a meliponicultura – criação de abelhas nativas sem ferrão – ganha espaço nas propriedades rurais. Espécies como jataí, uruçu e mandaçaia produzem um mel com características únicas e alto valor agregado, muito procurado por suas propriedades medicinais. Esta prática não só oferece uma alternativa de renda interessante para os pequenos produtores, mas também é crucial para a conservação da biodiversidade local.

    A importância das abelhas vai além da produção de mel. Elas exercem um papel estratégico na sustentabilidade e na segurança alimentar. Como principais polinizadoras de diversas culturas agrícolas, as abelhas aumentam a produtividade das lavouras e mantêm o equilíbrio dos ecossistemas, unindo geração de renda e preservação ambiental.

  • Minas reúne setor para discutir soluções contra efeitos da crise climática na produção de mel

    Minas reúne setor para discutir soluções contra efeitos da crise climática na produção de mel

    Mais de 1.500 pessoas ocupam o Parque João Alencar Athayde, em Montes Claros, até esta sexta-feira, para debater um dos maiores desafios da apicultura brasileira: os impactos da crise climática na produção de mel e na polinização. O 5º Congresso Mineiro de Apicultura e Meliponicultura e o 22º Seminário de Apicultura do Norte de Minas acontecem em um contexto estratégico, às vésperas da COP-30.

    A Federação Mineira de Apicultura (Femap) organiza o evento em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de entidades trocam experiências e buscam soluções conjuntas para proteger o setor.

    O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, recebeu homenagem durante a abertura do congresso pelo apoio ao desenvolvimento da apicultura em Minas Gerais. Ele destacou a relevância da atividade para a agricultura familiar.

    “Milhares de produtores trabalham nesta cadeia e agregam valor no mel e no propólis. A Secretaria de Agricultura está presente, com a Emater, o IMA e a Epamig, trabalhando junto aos produtores e à Femap para fortalecer cada vez mais este setor”, afirmou Fernandes.

    O evento também homenageou líderes do Sebrae-MG, Faemg/Senar, Codevasf e Ocemg, parceiros da iniciativa.

    Mudanças climáticas ameaçam abelhas e segurança alimentar

    Os efeitos negativos da crise climática dominam as discussões do congresso. O vice-presidente da Femap, Elizeu Araújo, alerta para a urgência do tema.

    “A mudança climática prejudica a produção de mel e afeta negativamente a biodiversidade e a segurança alimentar global, devido à dependência da polinização para a produção de alimentos. Precisamos debater e encontrar uma saída”, destacou Araújo.

    O evento oferece palestras, painéis, oficinas e uma feira de produtos apícolas e novas tecnologias para o setor.

    A escolha de Montes Claros como sede reflete a importância histórica e produtiva do Norte de Minas para a apicultura. A região, junto com o Vale do Jequitinhonha, concentra o maior número de abelhas do estado e produz o mel de aroeira, reconhecido por seus comprovados poderes medicinais.

    A apicultura mineira movimenta números expressivos. O estado produz, em média, 7,67 mil toneladas de mel por ano, segundo dados da Emater-MG. A região Central lidera a produção estadual com 1.757.993 kg de mel, o que representa 22,90% do total. O Centro-Oeste mineiro vem em segundo lugar, com 1.415.230 kg (18,43%), seguido pelo Norte de Minas com 1.099.954 kg (14,33%) e Jequitinhonha/Mucuri com 1.053.190 kg (13,72%).

    Agricultura familiar sustenta 80% da produção de mel

    A agricultura familiar responde por aproximadamente 80% da produção de mel em Minas Gerais e cerca de 70% da produção de própolis. Dos 9.229 produtores do estado, 7.526 são agricultores familiares.

    O mel mineiro alcança mercados internacionais exigentes, como União Europeia, Reino Unido, Japão e Canadá.

    A Seapa apoia o setor com ações concretas. Em 2025, o governo estadual investiu mais de R$ 1,6 milhão na compra de 455 kits de apicultura, distribuídos em várias regiões mineiras.

    Cada kit inclui cinco colmeias, carretilhas, cera de abelha, formão, fumigador, garfo desoperculador e equipamentos de segurança. A estrutura pode produzir entre 100 e 125 kg de mel por ano, além de própolis, pólen, cera e geleia real.

    A diversificação também fortalece a rentabilidade da apicultura mineira. Em 2023, o estado produziu cerca de 260 toneladas de própolis, conquistando o primeiro lugar nacional na produção de própolis verde.

  • Capital do Mel: Piauí lidera produção de mel no Nordeste

    Capital do Mel: Piauí lidera produção de mel no Nordeste

    Conhecida como a “Capital do Mel”, a cidade de Picos tornou-se um polo de pesquisas acadêmicas que impulsionam a apicultura e a preservação de abelhas no estado. Estudos conduzidos no Campus Professor Barros Araújo, da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), mapeiam espécies nativas e desenvolvem estratégias para fortalecer a produção e a biodiversidade no semiárido.

    Coleta de abelhas. Foto: Ascom Uespi

    A polinização por abelhas é fundamental para a reprodução de grande parte das plantas e para a manutenção da biodiversidade. Esses insetos são responsáveis pela polinização de 73% das plantas cultivadas que compõem a alimentação humana em escala global.

    Esse serviço ambiental tem reflexo direto na economia. Em 2024, o Piauí consolidou sua liderança regional no Nordeste, com uma produção de 8.614,2 toneladas de mel. Isso de acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Pesquisas preenchem lacuna sobre abelhas no estado menos amostrado do país

    A professora Dra. Milena Vaz, do curso de Agronomia da UESPI, explica que o estado é um dos menos estudados do Brasil em diversidade de abelhas. “Levantamentos da fauna local são fundamentais para subsidiar planos de manejo e estratégias de conservação”, destaca a pesquisadora, que estuda o tema desde sua graduação em Agronomia na universidade.

    Triagem e identificação das abelhas no Laboratorio de Biologia da Uespi. Foto: Ascom Uespi

    Sob sua orientação, cinco trabalhos investigaram a diversidade de abelhas nativas em áreas de cultivo de caju e em sistemas de agricultura familiar, além de ambientes urbanos. Uma dessas pesquisas em Picos registrou cinco gêneros de abelhas nativas, como Centris spp. e Xylocopa spp.. Esse trabalho expandiu-se em sua tese de doutorado, que catalogou 432 tipos diferentes de abelhas.

    “A partir das informações obtidas, podemos orientar políticas públicas de proteção e manejo adequadas aos ambientes agrícolas do semiárido”, afirmou a professora Milena Vaz. Mesmo sem uma disciplina específica sobre polinizadores na grade de Agronomia, docentes abordam o tema em aulas de Agroecologia e Animais Não Ruminantes, enriquecendo a formação acadêmica com um debate de relevância social e ambiental.

  • Família de apicultores transforma tradição em negócio sustentável

    Família de apicultores transforma tradição em negócio sustentável

    O apicultor Rogério Rodrigo de Freitas Gouvêa descobriu sua vocação aos sete anos. Naquela época, observava o avô manejar as abelhas na propriedade rural do município de Três Marias, região Central de Minas Gerais. Hoje, três décadas depois, comanda um dos apiários mais produtivos da região.

    “Observar meu avô era uma experiência gratificante. Já nascia em mim uma vontade fervorosa de dar continuidade ao negócio”, conta o produtor. Seu pai também trabalhava na atividade, mas nenhum dos dois teve a iniciativa de montar um entreposto próprio de mel.

    Há 18 anos, Rogério Rodrigo iniciou a construção de seu próprio entreposto. O investimento transformou completamente os negócios da família. “Com a ajuda da minha esposa pude realizar meu sonho. Deixei de atuar como atravessador, registrei minha marca e me tornei protagonista no mercado”, celebra.

    A família recebeu apoio técnico da Emater-MG para concretizar o projeto. A extensionista Poliana Guimarães Ribeiro acompanha os apicultores nos processos de rotulagem, comercialização e gestão da agroindústria instalada na propriedade.

    Apiário Apis Bela Flor sustenta família com produção diversificada

    O casal obtém crescimento constante no negócio. Atualmente, mantém mais de 600 colmeias ativas. A apicultura familiar sustentável representa o principal diferencial do apiário Apis Bela Flor, segundo a extensionista.

    A produção anual alcança 20 mil quilos de mel e 300 quilos de extrato de própolis e derivados. A família comercializa os produtos através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), farmácias e mercados locais e estaduais.

    Setor enfrenta desafios mas apresenta perspectivas positivas

    Rogério Rodrigo identifica dois principais desafios no setor: a escassez de mão de obra qualificada e o uso inadequado de agrotóxicos em propriedades vizinhas. Apesar das dificuldades, avalia a experiência como gratificante.

    “A vantagem da atividade é trabalhar no campo, em contato direto com a natureza, contribuindo para a preservação ambiental”, destaca o apicultor.

    O mercado da apicultura permanece aquecido. A maior demanda acontece durante os períodos de outono e inverno, quando o consumo de mel e própolis aumenta significativamente.

    Três Marias produz 40 toneladas de mel anualmente

    O município de Três Marias produz cerca de 40 toneladas de mel por ano, revelando tradição consolidada na atividade. A Associação dos Apicultores de Andrequicé (APIS Minas) fortalece o empreendedorismo sustentável e gera renda para 16 apicultores da cidade.

    O técnico agropecuário da Emater-MG, Magno Gomes da Rocha, orienta os produtores sobre o manejo correto do apiário. Ele acompanha a trajetória de Rogério Rodrigo há vários anos.

    Segundo Magno, a instalação do apiário deve ocorrer em local seco, arejado e protegido de ventos fortes. As proximidades precisam ter água limpa e plantas que produzem néctar e pólen em abundância.

    O técnico ressalta a importância de manter o ambiente roçado para facilitar o manejo. Esta prática evita incêndios e ataques de pragas e invasores às colmeias.

    Cuidados essenciais para o sucesso da atividade

    Outros pontos fundamentais destacados pelo especialista incluem a verificação de alergias do apicultor ao veneno das abelhas. As colmeias não podem ficar próximas a residências ou instalações destinadas a animais domésticos.

    O planejamento adequado do apiário e o acompanhamento técnico constante garantem a sustentabilidade do negócio e a geração de renda no campo, mantendo viva a tradição familiar na apicultura mineira.