Tag: produção de grãos

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    Brasil amplia protagonismo na segurança energética

    As recentes tensões geopolíticas em importantes rotas globais de transporte de petróleo reacenderam o debate sobre segurança energética. Em um cenário de incertezas, países capazes de combinar produção agrícola em larga escala e fontes renováveis de energia ganham relevância estratégica.

    O Brasil aparece entre os protagonistas dessa discussão. Com previsão de safra recorde de grãos em 2025/26, liderança mundial na produção de soja e avanço dos biocombustíveis, o país reúne condições para ampliar sua participação na transição energética global.

    Para Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro, o desafio vai além de produzir mais alimentos. Segundo ele, o setor precisa transformar sua escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Em entrevista, o executivo analisa as oportunidades e os desafios para o agronegócio brasileiro nos próximos anos.

    A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde em 2025/26. Qual é a importância desse resultado para o agronegócio?

    A projeção de 358 milhões de toneladas mostra a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro. Mais do que um número expressivo, ela demonstra a eficiência do setor e sua capacidade de atender tanto a demanda por alimentos quanto por matérias-primas destinadas à produção de energia renovável.

    De que forma essa produção recorde pode fortalecer o setor energético brasileiro?

    A expansão da produção agrícola fortalece cadeias ligadas ao biodiesel, etanol, biometano e combustível sustentável de aviação, o SAF. À medida que o mundo busca reduzir emissões e diversificar fontes de energia, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nesse mercado.

    O que diferencia o Brasil nesse cenário global?

    Poucos países conseguem combinar liderança agrícola, disponibilidade de recursos naturais, matriz energética renovável e capacidade crescente de produção de biocombustíveis. Essa combinação coloca o Brasil em uma posição privilegiada diante das transformações que estão ocorrendo no mercado global de energia.

    Qual é o papel da soja nessa estratégia?

    A soja tem enorme relevância porque o Brasil é o maior produtor mundial. Além da exportação do grão, ela é uma matéria-prima fundamental para a cadeia do biodiesel. Isso amplia sua importância não apenas para o agronegócio, mas também para a agenda energética.

    E qual é a importância do milho nesse contexto?

    O milho vem ganhando protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de cereais, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento agrega valor à produção dentro do país, fortalece a indústria de biocombustíveis e contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O Plano Safra 2025/26 é aguardado com expectativa pelo setor. O que está em jogo para os produtores?

    O Plano Safra será determinante para a próxima temporada. O setor aguarda definições sobre volume de recursos, taxas de financiamento, linhas de investimento e mecanismos de apoio à modernização tecnológica. Em um cenário de juros elevados, essas definições influenciam diretamente a capacidade de financiamento da atividade agrícola.

    Daniel Barbosa, CEO da FEX Agro – Foto: Arquivo Pessoal

    O seguro rural também tem sido tema recorrente nas discussões do agro. Por quê?

    Os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes. Por isso, fortalecer instrumentos de gestão de risco é fundamental. O seguro rural oferece mais previsibilidade ao produtor e contribui para preservar a estabilidade produtiva e a segurança dos investimentos.

    Apesar da perspectiva positiva para a produção, quais desafios permanecem para o produtor rural?

    Os custos continuam sendo um fator importante. Fertilizantes, defensivos, logística e despesas financeiras ainda pressionam as margens. Além disso, o mercado internacional vive uma fase de maior oferta e recomposição de estoques, o que exige mais eficiência operacional e gestão de risco.

    Crédito mais seletivo

    O acesso ao crédito mudou nos últimos anos?

    Sim. O capital continua disponível, mas as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos de análise. Hoje, governança, capacidade de gestão e qualidade das garantias fazem cada vez mais diferença na obtenção de recursos.

    A China segue como um fator importante para o mercado brasileiro de soja?

    Sem dúvida. A China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Isso faz com que o mercado acompanhe com atenção fatores como decisões de compra, questões diplomáticas e movimentos geopolíticos.

    O Brasil está preparado para assumir um papel ainda mais relevante na segurança energética global?

    O país já demonstrou capacidade de expandir sua produção agrícola e consolidar sua liderança em biocombustíveis. O próximo desafio é transformar essa escala produtiva em ganhos sustentáveis de competitividade, renda e segurança energética. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá ocupar uma posição ainda mais estratégica em um mundo que busca fontes de energia mais seguras e de menor emissão de carbono.

  • Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    Disparada nos fertilizantes ameaça crescimento da agricultura no Brasil

    O avanço dos preços dos fertilizantes no mercado internacional começa a comprometer a competitividade do agronegócio brasileiro frente aos Estados Unidos, especialmente em um momento de margens apertadas e aumento dos custos de produção.

    Historicamente beneficiado por terras abundantes e mais baratas, o Brasil expandiu sua área agrícola em cerca de 50% nas últimas décadas, consolidando-se como uma potência global na produção de grãos. Esse crescimento permitiu ao país ganhar espaço em mercados estratégicos, como a China, principalmente após as disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos durante os governos de Donald Trump.

    A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã provocou um choque no mercado global de fertilizantes. Cerca de um terço do fluxo mundial desses insumos ficou comprometido no Estreito de Ormuz, pressionando os preços para cima.

    Dependente de importações, o Brasil sente o impacto de forma mais intensa. Diferentemente dos Estados Unidos, que produzem grande parte dos fertilizantes que consomem, produtores brasileiros já reduziram compras e enfrentam dificuldades para manter a produtividade.

    Pressão sobre custos e margens

    O aumento nos custos dos insumos chega em um momento delicado. Apesar da alta nos fertilizantes, os preços de commodities como soja e milho não acompanharam o mesmo ritmo, devido à formação de estoques globais elevados.

    A rentabilidade simplesmente não existe neste momento, pois os custos elevados já inviabilizam planos de expansão, mesmo diante de oportunidades de arrendamento.

    Especialistas alertam que o impacto pode ir além do curto prazo. A tendência é de desaceleração no crescimento da área agrícola, com produtores priorizando a redução de custos e o controle do endividamento.

    Solo, tecnologia e desvantagem estrutural

    Outro fator que amplia a vulnerabilidade brasileira é a qualidade do solo. Em muitas regiões, a produtividade depende fortemente do uso contínuo de fertilizantes, devido à degradação causada por anos de expansão sem manejo adequado.

    Nos Estados Unidos, parte dos produtores consegue manter níveis razoáveis de produtividade mesmo reduzindo a aplicação de insumos por uma safra. No Brasil, essa flexibilidade é limitada.

    Além disso, o calendário agrícola amplia a pressão. O plantio da safra de verão no Brasil começa em setembro, período em que os produtores ainda estarão expostos aos preços elevados. Já nos EUA, muitos agricultores haviam adquirido insumos antes da escalada recente. A sazonalidade coloca os produtores norte-americanos em uma posição mais confortável.

    Dependência externa preocupa

    O Brasil segue altamente dependente da importação de fertilizantes, especialmente de produtos como ureia e fosfato diamônico (DAP). Em resposta, a Petrobras iniciou a retomada de unidades de produção, com a meta de atender até 35% da demanda nacional de nitrogenados nos próximos anos. Ainda assim, o alívio deve ser limitado no curto prazo.

    Dados de mercado indicam que produtores brasileiros haviam adquirido apenas cerca de 50% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/27 até o fim de maio, abaixo da média histórica superior a 60% para o período. Esse atraso nas compras pode impactar diretamente a produtividade.

    Endividamento e decisões no campo

    Com custos elevados e margens comprimidas, cresce o nível de endividamento entre produtores brasileiros. Analistas apontam que muitos já operam com alavancagem elevada, o que limita novos investimentos. Diante desse cenário, decisões estratégicas começam a mudar.

    Mesmo em caso de uma resolução rápida do conflito no Oriente Médio, a expectativa é que os preços dos fertilizantes permaneçam elevados por pelo menos seis meses, mantendo a pressão sobre o setor.

  • Existe uma fazenda no Brasil maior que vários países

    Existe uma fazenda no Brasil maior que vários países

    A área que deixa países para trás

    No sudeste do Pará, existe uma área operacional que ocupa cerca de 646 mil hectares, o equivalente a 6.460 km². Esse número ganha outro significado quando comparado ao mapa mundial.

    Para começar, essa extensão supera com folga o território de Luxemburgo, que possui apenas 2.586 km². Além disso, equivale a 85% da Bélgica inteira, país com 30.528 km². Em termos urbanos, a área é 30 vezes maior que a cidade de São Paulo.

    Mas o dado mais impressionante vem do cenário global: essa única área no Brasil é maior que pelo menos 15 países membros da ONU. Não é exagero, é geografia.

    Mineração, pasto e sustentabilidade no mesmo território

    A área em questão abriga o projeto S11D, operado pela Vale, um dos maiores projetos de extração de minério de ferro do mundo. Contudo, a operação vai muito além da mineração.

    Dentro desse território, cerca de 150 mil hectares são destinados a atividades agropecuárias. O rebanho estimado chega a 45 mil cabeças de gado. Além disso, a área conta com projetos de recuperação ambiental e sistemas silvipastoris, que integram pecuária e vegetação nativa.

    Ou seja: dentro de uma única área no Pará, coexistem mineração, pecuária e preservação ambiental: tudo monitorado por satélites e drones em tempo real.

    (Imagem: Vale)

    O Brasil tem outras gigantes também

    O S11D não está sozinho nesse ranking. O Brasil concentra algumas das maiores propriedades rurais do planeta.

    A Fazenda Anna, localizada entre Mato Grosso e Pará, possui cerca de 575 mil hectares. Ela também supera o território de vários países europeus e integra produção de grãos e pecuária em larga escala.

    Já no oeste da Bahia, o Grupo Vanguarda administra aproximadamente 280 mil hectares, com forte investimento em irrigação e produção de soja. Juntas, essas três operações ilustram a escala impressionante do agronegócio brasileiro.

    Por que isso importa

    Essas áreas não são apenas grandes, elas são estratégicas. Combinam tecnologia avançada, produção diversificada e crescente preocupação com sustentabilidade.

    Portanto, quando o mundo debate segurança alimentar e produção sustentável, o Brasil aparece no centro dessa conversa. E não por acaso: o país tem terra, tecnologia e capacidade produtiva que poucos territórios no mundo conseguem reunir.

    O gigante do agro, afinal, é maior do que parece.

  • Soja, milho e arroz puxam safra recorde no Brasil

    Soja, milho e arroz puxam safra recorde no Brasil

    O agronegócio brasileiro confirma sua força e projeta um novo marco histórico para 2025. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de grãos no Brasil deve atingir o recorde de 341,9 milhões de toneladas. Um volume 63% superior ao registrado há dez anos. O desempenho é resultado da expansão da área plantada, que cresceu 41% na última década. E de significativos ganhos de produtividade, que subiu 15,6% no mesmo período.

    A evolução do setor fica clara ao comparar os dados. Em 2015, o país colheu 209,5 milhões de toneladas em 57,6 milhões de hectares, com uma produtividade média de 3,64 toneladas por hectare. Para 2025, a estimativa é de uma colheita de 341,9 milhões de toneladas, espalhadas por 81,3 milhões de hectares. Com uma produtividade média saltando para 4,21 toneladas por hectare.

    Um dos motores desse crescimento é a demanda internacional aquecida. Conforme a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), as exportações brasileiras de soja devem atingir 102,2 milhões de toneladas, superando os volumes de anos anteriores. A China se mantém como o principal destino, tendo importado 6,5 milhões de toneladas apenas em setembro, o que representa 93% do total exportado pelo Brasil no mês.

    Por trás dos números, está o investimento contínuo em inovação. Renato Francischelli, country director da Ascenza Brasil, destaca que “o uso de tecnologias, melhores sementes, insumos e práticas de manejo melhoradas são os condutores desse ganho de produtividade”. Ele ressalta que a proteção correta das plantas e o respeito ao meio ambiente são fatores decisivos para que o Brasil siga como líder na produção global de alimentos.

    Soja, milho e arroz lideram com 92,6% da produção

    A tríade de grãos que sustenta a produção nacional é formada por soja, milho e arroz. Juntos, eles respondem por 92,6% da estimativa da produção total e 88,0% da área colhida. As projeções do IBGE para 2025 são:

    • Soja: 165,9 milhões de toneladas
    • Milho: 138,4 milhões de toneladas
    • Arroz: 12,4 milhões de toneladas

    No mapa da produção, Mato Grosso se mantém como o maior produtor nacional, com participação de 32,4%. O estado é seguido pelo Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,4%), Mato Grosso do Sul (7,4%) e Minas Gerais (5,5%).

    Com expectativas de crescimento contínuo, inclusive com previsão do Ministério da Agricultura (Mapa) de expansão de 40% na área de soja na próxima década, o setor de grãos se consolida como um dos principais motores da economia brasileira, reforçando a resiliência e a competência do produtor rural nacional.

  • Brasil alcança produção recorde de 350,2 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25

    Brasil alcança produção recorde de 350,2 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25

    O Brasil estabeleceu um novo marco histórico na produção de grãos com a safra 2024/25, alcançando 350,2 milhões de toneladas, o que representa um crescimento expressivo de 16,3% em comparação ao ciclo anterior.

    O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11) durante cerimônia na sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Brasília, com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

    O incremento de 49,1 milhões de toneladas na produção atual coloca o Brasil em posição ainda mais estratégica no cenário mundial do agronegócio. Segundo dados da Conab, as culturas de milho, soja, arroz e algodão foram responsáveis por aproximadamente 47 milhões de toneladas desse crescimento, evidenciando a diversificação e força do setor.

    “Como disse o presidente Lula, 2025 começa o ano da colheita. E que boa redundância é essa: falar em colheita farta”, destacou o ministro Carlos Fávaro durante o evento, ressaltando que os resultados são fruto de planejamento estratégico e políticas públicas eficazes.

    Agropecuária brasileira ultrapassa 1,2 bilhão de toneladas

    Além dos grãos, a produção agropecuária brasileira total em 2024/2025 superou a marca de 1,2 bilhão de toneladas. Incluindo aproximadamente 650 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 70 milhões de toneladas de proteínas animais, 70 milhões de toneladas de frutas, além de celulose e outros produtos agrícolas.

    “Não se trata apenas dos 350 milhões de toneladas de grãos. Tudo isso sai do campo, abastece a mesa dos brasileiros. E também chega às mesas de consumidores em todo o mundo”, enfatizou Fávaro, destacando a importância do setor para a segurança alimentar nacional e internacional.

    O presidente da Conab, Edegar Pretto, apresentou três recordes específicos que contribuíram para o resultado extraordinário:

    • Soja: 171,47 milhões de toneladas (crescimento de 13,3%)
    • Milho: 139,47 milhões de toneladas (aumento superior a 20%)
    • Algodão em pluma: 4,06 milhões de toneladas (crescimento de 9,67%)

    Arroz apresenta recuperação significativa

    A produção de arroz alcançou 12,8 milhões de toneladas. Assim, registrando crescimento expressivo de 20,6% em relação à safra anterior, tornando-se a 4ª maior produção já registrada. O aumento reflete a expansão de 9,8% na área semeada e condições climáticas favoráveis, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor.

    O crescimento da safra atual é atribuído à expansão de 1,9 milhão de hectares na área cultivada. Passando de 79,9 milhões para 81,7 milhões de hectares em 2024/25. As condições climáticas favoráveis, principalmente no Centro-Oeste com destaque para Mato Grosso, contribuíram para a recuperação da produtividade média nacional em 13,7%, estimada em 4.284 quilos por hectare.

    Trigo enfrenta desafios específicos

    Diferentemente das demais culturas, o trigo apresentou redução de 19,9% na área destinada ao plantio, totalizando 2,4 milhões de hectares. Apesar da recuperação na produtividade, que passou de 2.579 kg/ha para 3.077 kg/ha, a produção está estimada em 7,5 milhões de toneladas. Registrando queda de 4,5% em relação à temporada anterior.

    A Conab implementou nova metodologia baseada na integração de sensoriamento remoto e informações de campo para aprimorar as estimativas de produtividade da soja. A iniciativa incorpora sinais observados por satélite que refletem o vigor vegetativo das culturas, mantendo o conhecimento de campo e a experiência dos técnicos da companhia.

    A produção recorde de soja permite aumento nas exportações, com expectativa de comercialização de 106,25 milhões de toneladas no mercado internacional. Simultaneamente, o consumo interno deve alcançar 57 milhões de toneladas destinadas ao processamento doméstico. Com estoques de passagem estimados em 9,3 milhões de toneladas ao final do ciclo.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin atribuiu o recorde à combinação de competência técnica, tecnologia avançada e políticas públicas eficazes. “A gente fica muito feliz e destaca o papel da Conab, uma política essencial para garantir preços mais estáveis e segurança alimentar”, ressaltou durante a cerimônia.

    O 12º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25, com informações detalhadas sobre cultivo e condições de mercado das principais culturas nacionais, está disponível no site oficial da Conab para consulta pública.

  • Sistemas integrados aumentam produção de grãos no Matopiba

    Sistemas integrados aumentam produção de grãos no Matopiba

    Um estudo recente da Embrapa Meio-Norte revela que a adoção de sistemas integrados de lavoura-pecuária (ILP) é a estratégia mais eficiente para garantir a sustentabilidade da produção de grãos no Matopiba, região que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

    A pesquisa avaliou o estoque de carbono orgânico e nitrogênio no solo em diferentes sistemas de uso da terra: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), ILP com plantio direto, ILP com aração recente, pastagem e vegetação nativa do Cerrado. Os resultados mostraram que os sistemas ILP e as pastagens apresentaram os maiores estoques de carbono e nitrogênio, além de maior presença de substâncias húmicas, essenciais para a fertilidade do solo, retenção de água e nutrientes, estrutura do solo e atividade microbiana.

    O pesquisador Edvaldo Sagrilo destaca que o manejo adequado é fundamental para maximizar esses benefícios. Tanto pecuaristas com pastagens bem conduzidas quanto agricultores que investem em ILP podem aumentar o estoque de carbono no solo, melhorando a fertilidade e a produtividade de forma sustentável.

    Mudanças climáticas

    Além do ganho produtivo, o aumento do carbono no solo contribui para a mitigação das mudanças climáticas ao reduzir a emissão de gases para a atmosfera. Com a regulamentação do mercado de carbono, produtores poderão futuramente receber créditos por serviços ambientais, incentivando práticas sustentáveis na agricultura.

    A pesquisa foi realizada em São Raimundo das Mangabeiras (MA), em áreas com características climáticas e de solo semelhantes. Foram analisados sistemas implantados há mais de uma década, incluindo ILPF com braquiária por 13 anos, ILP com milho e soja consorciados, e pastagem para produção de carne bovina. Em todas as profundidades do solo, os sistemas ILP e pastagem apresentaram estoques de carbono superiores aos da vegetação nativa do Cerrado.

    Estudo da Embrapa revela que pastagens bem manejadas superam vegetação nativa em estocar carbono no solo. Foto: Edvaldo Sagrilo/Embrapa

    Produtores locais confirmam os benefícios práticos. Fernando Devicari, de Brejo (MA), adotou ILP há 15 anos e ILPF há nove. Ele relata que o sistema ajudou a dobrar a matéria orgânica do solo e aumentou a produtividade da soja em 7,8 sacas por hectare.

    Matopiba

    O Matopiba é uma das regiões que mais cresce na produção de grãos no Brasil, com previsão de superar 32 milhões de toneladas em 2025. A integração lavoura-pecuária tem papel central na recuperação de solos degradados e no aumento da eficiência produtiva da região. Que também se destaca pela expansão da agricultura sustentável.

    A Embrapa destaca que é possível replicar em outras áreas do Cerrado os conceitos de sustentabilidade e manejo conservacionista adotados no Matopiba. Desta forma, contribuindo para a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico regional.

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  • Governo de Roraima intensifica mapeamento agrícola

    Governo de Roraima intensifica mapeamento agrícola

    O Governo de Roraima está avançando no fortalecimento do agronegócio estadual com a intensificação do mapeamento das áreas de produção agrícola. A Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) coordena a iniciativa por meio da Rota dos Grãos. E conta com a parceria técnica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e abrange visitas a mais de 250 propriedades rurais em todo o estado.

    O objetivo principal é consolidar dados confiáveis sobre a produção de grãos, especialmente soja, milho, arroz e, pela primeira vez, algodão. Além de estimar a produtividade da safra de 2025. O levantamento foi dividido em duas etapas. E servirá de base para a publicação do relatório “Grãos em Roraima”, que trará um panorama detalhado do potencial agrícola local.

    Segundo Frankarlos Lopes, coordenador de campo da ação, a equipe formada por técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos percorre as principais áreas produtoras para coletar informações precisas. “Esses dados fortalecem o agronegócio e orientam políticas públicas, como o crédito rural. Além de ajudar o Governo de Roraima a agir com mais eficiência em áreas como infraestrutura e logística”, destacou.

    Potencial produtivo do estado

    O secretário de Agricultura, Márcio Grangeiro, ressaltou que a iniciativa é fundamental para divulgar o potencial produtivo do estado e identificar demandas específicas dos produtores. “Com esses dados, conseguimos atuar com mais agilidade e fortalecer o agronegócio roraimense”, afirmou.

    A parceria com a Conab busca padronizar metodologias, alinhar processos e construir uma base de dados representativa da realidade agrícola local. O acordo de cooperação técnica, em fase de articulação, deve ampliar o monitoramento agropecuário e as estratégias de armazenagem, reforçando o compromisso do estado com o desenvolvimento sustentável da agricultura.

    Em 2025, a expectativa da Seadi é de crescimento de 7% na área de plantio, totalizando cerca de 163 mil hectares. O destaque vai para a introdução do algodão como nova cultura comercial do estado. Só a soja deve ocupar 128 mil hectares, seguida por arroz (13 mil ha), milho (16 mil ha), feijão (5 mil ha) e algodão (1 mil ha).

    A atuação conjunta entre Seadi e Conab também contribui para o alinhamento das políticas públicas e para a atração de investimentos, beneficiando tanto grandes produtores quanto a agricultura familiar. A coleta de dados estratégicos impulsiona a competitividade do setor e garante o desenvolvimento sustentável do agronegócio roraimense nos próximos anos.

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  • Pecuária lidera agronegócio catarinense em 2024

    Pecuária lidera agronegócio catarinense em 2024

    A pecuária consolidou-se como o principal motor do agronegócio de Santa Catarina em 2024, respondendo por 60% do Valor de Produção Agropecuária (VPA) do estado, segundo dados do estudo “Desempenho da Agropecuária e do Agronegócio de Santa Catarina”, divulgado nesta quinta-feira pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). O relatório, apresentado em evento online transmitido pelo YouTube da Epagri, revela ainda que as exportações do setor atingiram US$ 7,51 bilhões – 64,3% do total vendido por SC ao exterior.

    Pecuária em alta: bovinos, suínos e leite puxam crescimento de 6,6%

    O coordenador do estudo, Luiz Toresan, analista de socioeconomia da Epagri/Cepa, destacou que a produção animal registrou aumento de 6,6% no valor gerado em 2024, impulsionada por avanços nos segmentos de bovinos, suínos, leite e ovos. “Santa Catarina mantém sua liderança nas exportações brasileiras de carnes suína e de frango, além de madeira e soja, com destaque para mercados como China, EUA e Japão”, explicou.

    Apesar dos desafios logísticos e tarifários, o estado segue competitivo graças à qualidade sanitária reconhecida globalmente e à infraestrutura portuária eficiente, segundo Toresan.

    Grãos em crise: clima e preços derrubam produção catarinense

    Enquanto a pecuária avança, os grãos enfrentaram um ano turbulento. Milho, soja e feijão tiveram quedas significativas devido à combinação de preços baixos e redução na produção, agravada por chuvas intensas em outubro e novembro de 2023. A área cultivada recuou 1,13%, e o valor das lavouras caiu 6%.

    “A cebola teve boa colheita, mas preços deprimidos. Já o tabaco registrou preços altos, mas produção baixa”, detalhou Toresan. Entre as frutas, banana e uva se destacaram com resultados positivos, enquanto maçã e maracujá sofreram com perdas climáticas.

    Exportações: SC consolida protagonismo no agronegócio nacional

    Com US$ 7,51 bilhões em vendas externas em 2024, o agronegócio catarinense mantém o estado na 8ª posição do ranking nacional de produção agropecuária, conforme dados do Ministério da Agricultura (Mapa). O secretário estadual da Agricultura, Valdir Colatto, reforçou a importância da diversificação produtiva: “Incentivamos políticas públicas para que os produtores tenham ferramentas para investir em segurança e geração de renda”.

    Transparência de dados como base para o futuro catarinense

    O presidente da Epagri, Dirceu Leite, enfatizou o compromisso da instituição em fornecer informações confiáveis para embasar decisões estratégicas. “Só com dados sólidos construímos um agronegócio sustentável e competitivo”, afirmou. A publicação detalha ainda custos, produtividade por área e relações de preços, servindo como guia para gestores e produtores.

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