Tag: Produção de café

  • Café LGBT: Irmãos transformam herança familiar em negócio

    Café LGBT: Irmãos transformam herança familiar em negócio

    Quando passeia por Três Pontas, no sul de Minas Gerais, o advogado Filipe Campos Mendonça costuma ser cumprimentado com um ‘Nhaí’, saudação utilizada pela comunidade LGBTQIAP+. A expressão, que poderia soar como provocação em alguns contextos, acabou ganhando outro significado para a família.

    Nhaí também é o nome da marca de café criada por Filipe e pelo irmão, Tiago Campos Mendonça, que pertencem à terceira geração de uma família dedicada à cafeicultura na região.

    O negócio nasceu dentro da própria propriedade rural da família e passou a unir a produção de café à torrefação e à venda dos grãos.

    Café, amor e diversidade

    A ideia de criar um café LGBT partiu de Filipe depois que ele decidiu deixar o trabalho no mercado financeiro e voltar para a casa dos pais, em 2023.

    O objetivo inicial era descansar. No entanto, o contato com a propriedade rural acabou levando o advogado a aprender a operar o maquinário da fazenda e a participar do manejo do cafezal.

    “Começou como um descanso e acabou virando uma profissão”, brinca o cafeicultor.

    A aproximação com a atividade rural também foi possível depois de uma mudança importante na relação dos irmãos com a família. Dois anos antes, Filipe e Tiago haviam decidido assumir a própria sexualidade para os familiares.

    “Tivemos muito medo, inclusive de sermos expulsos de casa, mas quando vimos que teve essa aceitação, abriram-se os horizontes para estarmos mais perto e participarmos do negócio da família”, conta Tiago, diretor financeiro da Nhaí.

    Família passou a trabalhar unida

    O cafeicultor Gláucio Garcia Mendonça, pai dos irmãos, reconhece que o processo de aceitação não foi simples.

    “Da primeira vez você leva um baque, né? Mas minha esposa tem uma cabeça muito boa e com o tempo fui amadurecendo a ideia”, afirma.

    Segundo ele, a participação dos filhos na propriedade também foi uma surpresa. “No começo, eu achei que eles não gostavam de mexer com a fazenda”, relata.

    Hoje, Gláucio fornece cerca de 800 quilos de café a cada 15 dias para os filhos. Os grãos são destinados à torrefação e posteriormente comercializados.

    O produtor conta que já havia pensado em avançar para essa etapa do negócio, mas não tinha mão de obra suficiente para fazer tudo sozinho.

    “Eu já tinha esse plano, mas aí como na fazenda era tudo por minha conta, eu me questionava se compensava fazer isso sozinho”, explica.

    Com a entrada dos filhos, a divisão das atividades também mudou: Gláucio cuida das lavouras, Filipe atua na torra e a mãe dos irmãos participa da área financeira e das vendas.

    Boom nas vendas

    Além da estrutura familiar, a qualidade do produto passou a ser um dos diferenciais da marca.

    O café produzido pela família alcança mais de 84 pontos, classificação associada aos cafés especiais.

    A estratégia ajudou a impulsionar o negócio. Em apenas um ano, a Nhaí registrou crescimento superior a 400% nas vendas.

    Parte desse avanço veio depois que os irmãos fecharam contrato com uma grande rede varejista com 45 lojas em São Paulo. Além disso, a marca também comercializa os produtos em Minas Gerais e em cafeterias de Belo Horizonte.

    Representatividade dentro do agro

    Para Tiago, a criação da marca representa mais do que uma oportunidade comercial.

    A experiência dos irmãos também passou a ocupar um espaço de representatividade dentro de um setor no qual, segundo ele, produtores gays ainda enfrentam dificuldades para se posicionar.

    “A questão da representatividade foi o que mais deu forças para nos afirmarmos como produtores gays num ambiente tão difícil como o agro e para podermos trazer mais pessoas da nossa comunidade para essa luta”, afirma.

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  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Chuvas interrompem queda dos preços do café arábica

    Chuvas interrompem queda dos preços do café arábica

    Os preços do café arábica reagiram na segunda semana de junho após um período de forte queda. O movimento ocorreu devido às chuvas nas principais regiões produtoras do país. Segundo pesquisadores do Cepea, as cotações recuaram no início do mês com o avanço da colheita da safra 2026/27. No entanto, os preços voltaram a subir a partir do dia 10.

    As chuvas dificultaram os trabalhos no campo e reduziram pontualmente a oferta da variedade. Como resultado, o mercado registrou uma recuperação das cotações.

    Chuvas preocupam os produtores

    Além de atrasar a colheita, as precipitações podem comprometer a qualidade dos grãos. O cenário preocupa agentes do setor em um momento decisivo da safra. De acordo com o Cepea, estimativas oficiais apontam para uma produção recorde de café. Apesar disso, participantes do mercado relatam qualidade inferior dos grãos. Os agentes também observam peneiras menores em comparação com a temporada anterior. Esse fator pode influenciar a valorização dos lotes de melhor qualidade.

    Café robusta mantém preços firmes

    Enquanto o arábica oscila com as condições climáticas, o café robusta apresenta maior sustentação nos preços. Pesquisadores do Cepea atribuem esse comportamento às projeções de uma safra menor que a registrada no ciclo anterior. Com expectativa de oferta mais restrita, o robusta segue negociado em patamares mais firmes no mercado.

     

     

     

     

  • AgroBrasília destaca inovação no campo e reforça valor da cafeicultura brasileira

    AgroBrasília destaca inovação no campo e reforça valor da cafeicultura brasileira

    A AgroBrasília 2026, realizada na região do PAD-DF, consolidou-se mais uma vez como uma das principais vitrines de tecnologia e inovação do agronegócio brasileiro. Ao longo do evento, a feira movimentou cerca de R$ 1,5 trilhão e apresentou novidades voltadas tanto à produção agrícola quanto à mobilidade no campo.

    Além das tradicionais máquinas agrícolas, fabricantes aproveitaram a feira para exibir novos modelos de veículos que podem atender diferentes demandas do setor produtivo. Entre os destaques esteve o Chevrolet Sonic equipado com motor turbo, além do caminhão elétrico E-Galaxus, que possui autonomia de 450 quilômetros.

    Embrapa Café leva debate sobre qualidade e inovação à feira

    Dentro da programação da AgroBrasília, a Embrapa Café participou das atividades realizadas na sexta-feira (22), promovendo duas palestras voltadas à qualidade do café, à inovação tecnológica e à valorização da origem dos grãos brasileiros.

    As apresentações ocorreram no estande da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e fizeram referência ao Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio.

    O evento recebeu os resultados de um diagnóstico sobre a produção cafeeira no Distrito Federal, com foco na estrutura produtiva, qualidade dos grãos e potencial de diferenciação por origem.

    Durante a programação da manhã, a chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, Renata Silva, apresentou a palestra “Cafés do Brasil: ciência, saberes, diversidade e inovação que transformam territórios”.

    Segundo a pesquisadora, o manejo adequado em todas as etapas da produção, desde a lavoura até o armazenamento, exerce influência direta sobre a qualidade final da bebida. Além disso, esse processo contribui para reduzir problemas relacionados à presença de fungos e toxinas.

    Renata destacou ainda que a diversidade de climas, solos, biomas e sistemas de produção representa um dos principais diferenciais competitivos da cafeicultura brasileira. Por isso, o setor tem investido cada vez mais em estratégias voltadas à agregação de valor.

    Entre essas iniciativas estão os investimentos em processos de pós-colheita, fermentações controladas e na valorização da origem dos cafés, fatores que ampliam o reconhecimento dos produtos brasileiros nos mercados nacional e internacional.

    Como exemplo dos ganhos proporcionados pela inovação, a especialista citou o caso de Rondônia, onde, segundo os dados apresentados, a produtividade média saltou de 7 sacas por hectare para aproximadamente 60 sacas por hectare ao longo de 20 anos.

    Assim, a AgroBrasília reforçou seu papel como espaço de difusão tecnológica e troca de conhecimento, conectando produtores, pesquisadores, empresas e especialistas em torno dos desafios e oportunidades do agronegócio brasileiro.

     

  • Ministério da Agricultura e Procons interditam 19 empresas por irregularidades na produção de café

    Ministério da Agricultura e Procons interditam 19 empresas por irregularidades na produção de café

    Uma operação conjunta entre Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e Procons estaduais e municipais apreendeu mais de 82 mil quilos de produtos irregulares ligados à produção de café torrado. As fiscalizações ocorreram entre os dias 25 e 28 de maio em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo e no Distrito Federal.

    Foto: Divulgação / Mapa

    Os órgãos federais, estaduais e municipais realizaram 84 ações de fiscalização. As equipes interditaram 19 estabelecimentos, o que representa 32,8% dos locais inspecionados. Os agentes apreenderam 5.944 quilos de café torrado e moído e 76.070 quilos de matérias-primas usadas na produção do produto.

    Enquanto o Mapa fiscalizou indústrias do setor cafeeiro, os Procons atuaram em supermercados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. O objetivo principal dos órgãos de defesa do consumidor consistiu em proteger os direitos dos compradores e retirar de circulação produtos com indícios de adulteração.

    Os produtos apreendidos não representam o café genuinamente produzido no Brasil, reconhecido nacional e internacionalmente pela qualidade. As mercadorias irregulares, por outro lado, podem prejudicar os consumidores e comprometer a competitividade e a credibilidade de todo o setor produtivo.

    Produtos apreendidos incluem café torrado e moído e insumos usados na adulteração. Foto: Divulgação / Mapa

    A operação integrou um amplo trabalho de monitoramento de mercado. O Mapa e os demais órgãos contaram com apoio técnico e informações da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), além de denúncias registradas na plataforma Fala.BR.

  • Dia Nacional do Café: entenda por que o Brasil celebra data diferente do resto do mundo

    Dia Nacional do Café: entenda por que o Brasil celebra data diferente do resto do mundo

    No dia 24 de maio, o Brasil comemora o Dia Nacional do Café, em uma data diferente tanto do Dia Mundial do Café (14 de abril) quanto do Dia Internacional do Café (1º de outubro), este último reconhecido oficialmente pela Organização Internacional do Café.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café instituiu a data em 2005, escolhendo o dia 24 de maio por marcar o início da colheita nas principais regiões produtoras do país. Além disso, a data coincide com o Dia do Barista, celebrando as diferentes formas de preparo da bebida e o trabalho dos profissionais do setor.

    Há também um objetivo estratégico por trás da celebração: estimular o consumo interno. Apesar de o Brasil liderar a produção mundial, respondendo por cerca de um terço do café produzido no planeta, o país não figura entre os maiores consumidores per capita. Finlândia, Suécia e Bélgica ocupam as primeiras posições nesse ranking.

    A trajetória do café no Brasil

    O café não é nativo do Brasil. O grão surgiu na Etiópia e se expandiu pela Arábia Saudita, daí o nome “arábica”, dado à espécie mais consumida.

    Apesar de o imaginário popular associar o café aos italianos, foram os holandeses e os franceses que introduziram a planta em solo brasileiro. Os holandeses realizaram o primeiro contrabando, levando o fruto para colônias como o Suriname. Por sua vez, a França enviou mudas para a Guiana Francesa, país vizinho do Brasil pelo norte. Uma dessas mudas acabou cruzando a fronteira.

    Em 1727, o Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta recebeu a missão de restabelecer os limites fronteiriços com a Guiana Francesa. Aproveitando a viagem, ele conquistou a confiança da esposa do governador local e retornou ao Brasil com uma muda escondida na bagagem. Assim, de forma clandestina, o café finalmente fincou raízes em território brasileiro.

    Hoje, segundo a Embrapa, a cafeicultura está presente em 1.448 municípios distribuídos por 16 estados das cinco regiões do país, o que representa mais de um quarto das cidades brasileiras com economia diretamente ligada ao setor.

    O peso econômico do café para o agronegócio brasileiro

    Por muito tempo, o café sustentou a principal atividade econômica do Brasil e liderou as exportações nacionais. A expansão da cafeicultura impulsionou o desenvolvimento de cidades, a implantação de ferrovias e a chegada de mão de obra imigrante europeia. Sua influência foi tão profunda que moldou a própria política nacional durante a República Oligárquica (1898–1930), período em que São Paulo e Minas Gerais alternavam o poder, a famosa política do café com leite.

    Atualmente, o Brasil mantém a liderança global na produção e exportação do grão, consolidando o café como um dos pilares do agronegócio nacional.

  • Evento no maior cafezal urbano do mundo abre safra paulista de café

    Evento no maior cafezal urbano do mundo abre safra paulista de café

    A 18ª edição do Sabor da Colheita levou visitantes ao maior cafezal urbano do mundo, no Instituto Biológico (IB-APTA), na capital paulista, neste sábado (23). Promovido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), o evento marcou o início da safra paulista de café e aproximou o público do processo produtivo do grão.

    Foto: Secretaria Agricultura SP

    Durante a programação, os participantes acompanharam todas as etapas da colheita, desde a retirada dos frutos até a degustação da bebida. A experiência incluiu atividades práticas, orientações técnicas e contato direto com os pés de café cultivados no local.

    O secretário executivo da SAA, Diógenes Kassaoka, destacou a integração entre ciência, produção e sociedade. Segundo ele, a iniciativa conecta institutos de pesquisa, assistência técnica e produtores rurais ao público urbano, fortalecendo a valorização da cafeicultura paulista.

    Além da vivência no campo, o evento apresentou cafés premiados no Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo e reuniu produtores com selo de Indicação Geográfica (IG), reforçando a qualidade e a diversidade da produção no estado.

    A coordenadora do Instituto Biológico, Ana Eugênia Campos, ressaltou o papel da ciência no cotidiano. Ela afirmou que o cafezal urbano funciona como uma vitrine tecnológica, permitindo transmitir conhecimento de forma acessível ao público.

    Pesquisa e inovação no café paulista

    Os institutos vinculados à SAA participaram com estandes técnicos e atividades educativas. O Instituto Agronômico (IAC-APTA) apresentou soluções de manejo e inovação para a cafeicultura. Já o Instituto Biológico destacou os resultados do projeto de cafezal regenerativo, baseado em práticas sustentáveis.

    A pesquisadora Harumi Hojo explicou que o projeto busca demonstrar, na prática, como o manejo adequado e técnicas regenerativas impactam diretamente na qualidade do café.

    Foto: Secretaria Agricultura SP

    O Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) trouxe análises de mercado e dados estratégicos para o setor. A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) ofereceu orientações sobre condução dos cafezais e comercializou mudas de café, frutíferas e espécies nativas.

    A Defesa Agropecuária abordou a certificação de mudas, a sanidade da produção e a importância das abelhas na polinização. Já a APTA Regional apresentou o potencial do café robusta paulista para novos mercados e produtos.

    O evento também contou com uma roda de conversa sobre cultura e ciência do café, com especialistas do IEA-APTA e da APTA Regional.

    Café impulsiona economia de São Paulo

    A realização do Sabor da Colheita reforça o peso da cafeicultura no agronegócio paulista. O café está entre as cinco principais culturas do Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado, que alcançou R$ 10,4 bilhões em 2025.

    Diretor da APTA, Nabil Ghobil, pesquisadora do Instituto Biológico, Harumi Hojo e Secretário Executivo, Diógenes Kassaoka. Foto: Secretaria Agricultura SP

    Levantamento do IEA-APTA e da CATI projeta crescimento de 15,2% na safra 2025/26, com produção estimada em 5,13 milhões de sacas.

    São Paulo também conta com seis regiões cafeeiras com Indicação Geográfica reconhecida, fator que agrega valor ao produto, fortalece produtores e impulsiona o desenvolvimento regional.

  • Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    Brasil caminha para safra recorde de café em 2026

    A safra brasileira de café em 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 kg, alta de 18% em relação ao ciclo anterior, segundo o 2º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana. Se confirmado, o volume estabelecerá um novo recorde na série histórica da estatal, superando o desempenho de 2020, quando o país colheu 63,08 milhões de sacas.

    O avanço da produção reflete o ciclo de bienalidade positiva, a expansão das áreas em produção e as condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. A área total destinada à cafeicultura deve crescer 3,9%, somando 2,34 milhões de hectares, dos quais 1,94 milhão já em produção e 401,7 mil em formação.

    A produtividade média nacional também apresenta recuperação relevante e deve atingir 34,4 sacas por hectare, avanço de 13% na comparação anual.

    Arábica lidera crescimento da safra

    A produção de café arábica deve somar 45,8 milhões de sacas, um salto de 28% em relação ao ano passado. O volume configura a terceira maior safra da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018.

    O desempenho reflete diretamente o efeito da bienalidade positiva, que favorece maior carga produtiva, além do clima mais regular ao longo do ciclo, especialmente em fases críticas como florada e enchimento de grãos.

    Conilon cresce com apoio da área cultivada

    Para o café conilon, a Conab projeta uma produção de 20,9 milhões de sacas, leve alta de 0,8% frente à safra anterior. O crescimento ocorre mesmo com a queda de 3,5% na produtividade média, estimada em 53,9 sacas por hectare.

    A expansão da área em produção, que deve atingir 388,22 mil hectares, sustenta o resultado positivo e compensa o recuo no rendimento das lavouras.

    Minas Gerais impulsiona produção nacional

    Minas Gerais, principal produtor de café do país, deve colher 33,4 milhões de sacas, considerando arábica e conilon. O volume representa um aumento de 29,8% em relação à safra passada.

    O estado se beneficia da bienalidade positiva e de uma melhor distribuição das chuvas, principalmente no período pré-florada, além de condições climáticas favoráveis até março, fatores que garantiram boa granação e elevaram a produtividade.

    Espírito Santo mantém estabilidade com destaque para arábica

    No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a produção total deve atingir 18 milhões de sacas, alta de 3%. O arábica lidera o crescimento, com avanço de 27,9% na produtividade e produção estimada em 4,4 milhões de sacas.

    Já o conilon deve registrar queda de 4,2%, com colheita prevista em 13,6 milhões de sacas. O recuo reflete o alto desempenho registrado em 2025 e as temperaturas abaixo da média durante o ciclo, que afetaram o desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, a produtividade segue como a segunda maior da série histórica no estado.

    Bahia, São Paulo e Rondônia ampliam produção

    Na Bahia, a safra deve crescer 5,9%, alcançando 4,7 milhões de sacas. O resultado combina clima regular, maior investimento em manejo e entrada de novas áreas em produção.

    Em São Paulo, onde predomina o cultivo de arábica, a produção pode atingir 5,9 milhões de sacas, alta de 24,6%.

    Rondônia, com produção exclusiva de conilon, deve colher 2,8 milhões de sacas, crescimento de 19,4%. O avanço resulta da renovação de lavouras com materiais clonais mais produtivos e das condições climáticas favoráveis desde o início do ciclo.

    Exportações caem no início do ano, mas devem reagir

    O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de café entre janeiro e abril de 2026, queda de 22,5% na comparação anual, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A redução reflete os baixos estoques internos, pressionados pela menor produção nos ciclos anteriores e pela demanda externa aquecida. Com a recuperação da safra, a expectativa é de retomada das exportações no segundo semestre.

    Produção global cresce, mas preços seguem sustentados

    No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial de 178,8 milhões de sacas no ciclo 2025/26, alta de 2%.

    Mesmo com o avanço, os preços devem permanecer firmes, sustentados pelos baixos estoques globais e pela expectativa de crescimento de 1,3% na demanda, estimada em 173,9 milhões de sacas.

  • Safra de café 2026/27 no Brasil caminha para recorde histórico

    Safra de café 2026/27 no Brasil caminha para recorde histórico

    A produção de café do Brasil na safra 2026/27 pode chegar a 75,3 milhões de sacas. A projeção consta da primeira revisão da estimativa da StoneX, empresa global de serviços financeiros, que realizou novas visitas de campo entre janeiro e março nas principais regiões produtoras do país.

    O número supera em 6,5% a projeção preliminar de novembro, quando a consultoria apontava 70,7 milhões de sacas.E representa crescimento de 20,8% frente à temporada anterior.

    “Depois da estimativa preliminar divulgada em novembro, voltamos a campo para avaliar com mais precisão as condições das lavouras. Apesar das instabilidades climáticas registradas no início do ciclo, observamos uma recuperação importante das plantas, favorecida pela melhora das chuvas, pela boa umidade no solo e por temperaturas mais amenas”, afirma Leonardo Rossetti, especialista em inteligência de mercado da StoneX.

    O técnico de pesquisa de campo João Pena explica que o pegamento da florada superou as expectativas iniciais. “De fato houve alguns problemas no início do ciclo, com irregularidade de chuvas e episódios de abortamento de flores. Mas, no retorno a campo, verificamos que o pegamento foi superior ao esperado, o que contribuiu para a revisão positiva da produção”, diz Pena.

    Arábica rumo ao recorde histórico

    Para o café arábica, a consultoria projeta produção de 50,2 milhões de sacas, o que seria um recorde absoluto para a variedade. Embora algumas lavouras ainda não operem em condições ideais, praticamente todas as principais regiões apresentaram melhora desde a última avaliação.

    Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e São Paulo devem registrar crescimento significativo na próxima colheita. A recuperação segue anos em que condições climáticas adversas limitaram o potencial produtivo das lavouras, incluindo os impactos mais severos observados na safra 2025/26.

    “Mesmo que algumas regiões ainda apresentem produtividades abaixo do potencial máximo, a safra 2026/27 mostra uma recuperação relevante em relação ao ciclo anterior”, destaca Rossetti.

    Conilon sustenta patamar elevado; Rondônia surpreende

    No caso do café robusta (conilon), a projeção elevou a estimativa para 25,1 milhões de sacas. O volume fica 2,8% abaixo do recorde do ano passado, mas ainda representa um patamar historicamente alto para a cultura.

    As projeções para Espírito Santo e Bahia subiram levemente, mas permanecem abaixo dos níveis da temporada passada, movimento esperado após a supersafra anterior. A principal surpresa positiva veio de Rondônia, onde a produção deve crescer cerca de 66% em relação à safra anterior.

    Expansão de área e tecnologia sustentam crescimento estrutural

    A empresa de consultorua atribui o avanço da produção brasileira a fatores estruturais consolidados nos últimos anos: expansão da área cultivada, entrada de novas lavouras em produção e adoção crescente de tecnologias e materiais genéticos mais produtivos, especialmente no conilon.

    Os preços elevados do café no mercado também contribuíram para que produtores mantivessem níveis adequados de adubação e manejo.

    “O conjunto formado por expansão de área, avanço tecnológico e renovação do parque cafeeiro impulsiona o crescimento da produção brasileira. Mesmo com diferenças regionais de produtividade, esses fatores estruturais ajudam a sustentar um cenário positivo para a safra”, conclui Pena.

  • Agricultura familiar impulsiona produção de café sombreado

    Agricultura familiar impulsiona produção de café sombreado

    Santa Catarina vai reforçar a tradição cafeeira do Estado com o lançamento do Projeto Café Sombreado Catarinense, uma iniciativa da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) que começa em março. O programa integra o Financia Agro SC e oferece linhas de crédito para quem aposta na produção sustentável de café arábica sob sombra, consorciado com bananeiras, palmeiras e árvores nativas.

    Foto: Divulgação/Sape

    O projeto tem foco nas regiões do Litoral e do Vale do Itajaí, onde o sistema sombreado favorece a conservação ambiental e melhora o perfil sensorial dos grãos. Segundo o secretário da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o programa atende pedidos de associações, cooperativas e pequenos produtores. “A cultura do café representa uma oportunidade de diversificação produtiva, geração de renda e valorização da agricultura familiar”, afirma.

    Embora ainda em expansão, o cultivo de café sombreado já se mantém presente nas propriedades rurais catarinenses. O especialista em cafeicultura e gerente de projetos da Sape, Thiago Leal, explica que o sistema consorciado proporciona maior vigor e longevidade às plantas. “Com a maturação mais lenta dos frutos, os grãos ganham uniformidade e qualidade superior. A combinação de clima, solo e altitude nas regiões do Estado favorece a produção de cafés com perfis diferenciados, voltados ao mercado de cafés especiais”, destaca.

    Financiamento e condições

    O apoio financeiro ao Café Sombreado Catarinense será disponibilizado pelo Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). Agricultores interessados devem procurar os escritórios da Epagri para obter orientação e acessar o crédito. Podem participar produtores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo e que comprovem condições adequadas para o cultivo.

    Os valores de financiamento chegam a R$ 50 mil por família em projetos individuais e até R$ 120 mil em iniciativas coletivas com no mínimo três famílias. O pagamento ocorre em cinco parcelas anuais sem juros, com três anos de carência. Quem quitar as parcelas em dia recebe 30% de desconto no saldo devedor. A Epagri verificará a implantação e o desenvolvimento da lavoura para liberar a carência.