Tag: produção de cacau

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    Dia Mundial do Chocolate: conheça o doce que conquistou o mundo

    O Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, homenageia um dos alimentos mais consumidos do planeta. A data faz referência à chegada do chocolate à Europa, em 1550. Desde então, o produto conquistou espaço em diferentes culturas e, ao longo dos séculos, tornou-se um dos doces mais apreciados do mundo.

    No entanto, muito antes disso, o cacau já fazia parte da rotina das civilizações maias e astecas. Esses povos consumiam a bebida conhecida como xocoatl, utilizada em rituais sagrados e considerada um símbolo de grande valor cultural. Posteriormente, com a colonização europeia, a semente atravessou o oceano e ganhou novos usos. Mais tarde, durante a Revolução Industrial, surgiram processos que popularizaram o tradicional chocolate em barra.

    Brasil se tornou referência na produção de cacau

    No Brasil, o cacau encontrou condições ideais para o cultivo, principalmente na Bahia, que se consolidou como uma das principais regiões produtoras ao longo do século XX. Apesar da crise provocada pela vassoura-de-bruxa, o setor se reinventou ao investir em chocolates premium e na valorização do cacau de origem.

    Como resultado, o chocolate brasileiro conquistou reconhecimento no mercado internacional. Um dos nomes ligados a esse movimento é o empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival e da Origem Week, iniciativas voltadas à promoção do cacau nacional em diversos países.

    Cacau representa uma atividade sustentável, rentável e com grande potencial de crescimento — Foto: Reprodução/MAPA

    Esse avanço também foi reconhecido internacionalmente. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) passou a classificar o Brasil como exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Além disso, entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de chocolate, cacau e derivados superaram US$ 1 bilhão.

    Reconhecimento internacional fortalece o futuro do setor

    Outro passo importante foi a sanção da Lei 15.404/2026, que estabelece percentuais mínimos de cacau nos chocolates comercializados no país. Dessa forma, a legislação amplia a transparência para o consumidor e valoriza ainda mais a matéria-prima brasileira.

    Além disso, em dezembro de 2026, Salvador receberá a primeira edição completa do Salon du Chocolat no Brasil, considerado o maior evento mundial do setor. A expectativa é fortalecer a imagem do país como produtor de cacau de excelência e ampliar sua presença no mercado internacional.

    Assim, o Dia Mundial do Chocolate vai muito além de celebrar um doce. A data também evidencia a importância do cacau para a economia, a cultura e a sustentabilidade, reforçando o protagonismo do Brasil em uma cadeia produtiva que une tradição, inovação e desenvolvimento sustentável.

  • Produção de cacau enfrenta nova ameaça climática

    Produção de cacau enfrenta nova ameaça climática

    O mercado global de cacau volta a acompanhar de perto os desdobramentos climáticos para os próximos ciclos produtivos após meses de forte volatilidade nos preços. A Hedgepoint Global Markets confirmou um novo episódio de El Niño, que coloca novamente o clima entre os principais fatores de risco para a commodity. O momento é sensível: a produção na África Ocidental vem se recuperando parcialmente e sustenta perspectivas mais favoráveis para o balanço global da safra 2025/26.

    Fatores técnicos e o cenário macroeconômico internacional influenciaram os movimentos recentes dos preços. Ainda assim, o mercado permanece estruturalmente sensível às condições climáticas. As chuvas e as temperaturas nas principais regiões produtoras continuarão determinando a produção dos próximos ciclos.

    Clima segue fundamental para a próxima safra

    Condições climáticas mais favoráveis nos últimos meses, especialmente o volume de chuvas acumulado, vêm sustentando a recuperação parcial da produção na África Ocidental, principal região produtora de cacau do mundo. Esse cenário reforça as perspectivas de superávit para o ciclo 2025/26.

    O mercado, porém, mantém o foco no desenvolvimento da próxima safra. Um bom volume de chuvas nas próximas semanas continuará sendo essencial tanto para os frutos que serão colhidos até o fim da safra intermediária 2025/26 quanto para o principal período de florescimento, que originará a safra principal 2026/27.

    As condições climáticas observadas nesse período decidirão o volume e a qualidade dos frutos que chegarão ao mercado ao longo do próximo ciclo.

    Infografico sobre produção de cacau

    El Niño volta ao radar das principais origens produtoras

    A confirmação do El Niño amplia as preocupações dos participantes do mercado no médio e longo prazo. O fenômeno tende a alterar padrões climáticos globais e eleva os riscos de seca, chuvas excessivas, ondas de calor e mudanças na atividade de tempestades em regiões agrícolas importantes.

    No caso do cacau, os efeitos potenciais variam conforme a intensidade do evento e a região analisada. Em linhas gerais, o El Niño pode favorecer condições mais secas em parte da África Ocidental e Central, na América Central e no norte do Brasil. Ao mesmo tempo, o fenômeno pode aumentar as chuvas no Peru, no Equador e em algumas áreas do continente africano.

    A Hedgepoint destaca que, em algumas origens, especialmente na África Ocidental, a resposta climática ao El Niño não ocorre de forma direta. Fenômenos regionais como a Monção da África Ocidental e os ventos Harmattan também influenciam o clima da região.

    A monção da África Ocidental normalmente ocorre entre maio e outubro, enquanto o Harmattan prevalece de dezembro a fevereiro. O El Niño pode alterar esses padrões, atrasar o início da estação chuvosa e prolongar a estação seca, já que influencia os sistemas atmosféricos que regulam a monção e o Harmattan. O impacto varia conforme a intensidade e o período de ocorrência do fenômeno.

    Temperaturas mostram sinal mais consistente

    Ao analisar as últimas safras impactadas pelo El Niño, a consultoria observa que os efeitos sobre as chuvas não seguem um padrão único entre os principais produtores.

    Os resultados registrados em Costa do Marfim, Gana e Equador mostram que os impactos sobre a precipitação dependem não apenas da intensidade do fenômeno, mas também das características regionais e da distribuição das chuvas ao longo do ciclo produtivo.

    Os dados de temperatura, por outro lado, apresentam um comportamento mais consistente. Nas últimas safras marcadas por El Niño, Costa do Marfim, Gana e Equador registraram temperaturas acima da média em diferentes momentos do ciclo, especialmente durante o principal período de florescimento.

    Esse comportamento pode aumentar o estresse das lavouras, sobretudo quando se combina com menor disponibilidade hídrica.

    Resposta da produção pode ocorrer de forma defasada

    A análise também observa que a resposta da produção ao El Niño não segue um padrão linear, principalmente por se tratar de uma cultura perene.

    Os dados sugerem que a produção pode reagir de forma temporalmente defasada: perdas aparecem durante a safra impactada pelo fenômeno, enquanto efeitos positivos podem surgir nos ciclos subsequentes. Esse comportamento pode estar relacionado tanto à realocação de recursos pelas plantas quanto à forma como as chuvas se distribuem ao longo do ciclo produtivo.

    Carolina França, analista de mercado na Hedgepoint Global Markets, ressalta que esse comportamento não é homogêneo entre países e safras, o que reforça que a resposta produtiva depende da interação entre clima local, calendário fenológico e condições agronômicas específicas de cada origem.

    “De forma geral, o El Niño costuma estar associado a menor produção de cacau por elevar as temperaturas e afetar a regularidade das chuvas. No entanto, seus impactos variam conforme a intensidade do evento, o momento em que ocorre no ciclo produtivo e sua interação com fases críticas como florescimento e desenvolvimento dos frutos”, destaca a analista.

  • Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    Produção de cacau em sistema integrado ganha força

    O cultivo de cacau em sistema de produção integrada já se consolida como alternativa viável para diversificação de renda no interior paulista. Durante Dia de Campo promovido pela CATI Regional São José do Rio Preto, em parceria com a Rede ILPF e a Embrapa, produtores conheceram, na prática, modelos produtivos que combinam cacau com outras culturas e ampliam a rentabilidade das propriedades.

    Foto: Divulgação

    O evento reuniu mais de 50 participantes de diferentes regiões do estado, como Jaboticabal, Jales, Votuporanga, Mogi Mirim e São José do Rio Preto. A programação incluiu visitas técnicas nos municípios de Mendonça e Adolfo, onde produtores acompanham resultados concretos do Projeto Cacau SP em áreas consideradas não tradicionais para a cultura.

    Em Mendonça, o destaque foi o Rancho do Cacau, propriedade da família Persegil. O produtor Diego Persegil adotou o cultivo de cacau integrado com banana e avançou para a produção de chocolate artesanal com matéria-prima própria. O modelo combina inovação, agregação de valor e geração de renda no campo.

    Transformação

    Segundo Diego, o projeto transformou a realidade da propriedade. A atividade, que começou como teste, hoje sustenta a família e abre novos nichos de mercado, incluindo o turismo rural e a venda de produtos com identidade local.

    Para o engenheiro agrônomo Eusébio Persegil, da CATI, o caso demonstra o potencial da cacauicultura no estado. Ele destaca que o sucesso envolve manejo técnico, capacitação contínua e participação da família em todas as etapas, desde o cultivo até o processamento do chocolate.

    Na sequência, em Adolfo, os participantes visitaram a Fazenda Fartura, onde o cacau é cultivado em integração com a seringueira. A área funciona como vitrine tecnológica e apresenta todas as etapas da cadeia produtiva, do plantio à pós-colheita.

    O roteiro incluiu ainda a Casa da Agricultura do município, que abriga uma minifábrica de chocolate utilizada em capacitações. A estrutura permite que produtores aprendam técnicas de processamento e agregação de valor, com apoio do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).

    De acordo com o engenheiro agrônomo Fioravante Stucchi Neto, o modelo integrado facilita a adoção da cultura ao mostrar resultados práticos. Ele ressalta que o suporte técnico contínuo tem sido essencial para a expansão do cacau na região.

    Sistemas integrados aumentam rentabilidade

    Durante o Dia de Campo, técnicos apresentaram dados de áreas conduzidas em Integração Lavoura-Floresta (ILF), com cacau consorciado com banana e espécies florestais, como Corymbia.

    A técnica da Rede ILPF, Estella Mantovani, explicou que os primeiros resultados já indicam viabilidade econômica. Em uma área implantada em 2023, a receita gerada pela banana no ciclo 2024/25 cobriu os custos de implantação do cacau e remunerou a mão de obra familiar.

    Além do retorno financeiro, o sistema contribui para sustentabilidade ambiental e diversificação produtiva, fatores que reduzem riscos e fortalecem a resiliência das propriedades.

    Produtores demonstram interesse crescente

    O chefe da CATI Regional Jaboticabal, Oracy Schuindt Júnior, afirma que a experiência ampliou a visão dos produtores. Segundo ele, conhecer a cadeia completa — do plantio ao chocolate — aumenta a segurança para investir na cultura.

    O Projeto Cacau SP também tem ampliado sua atuação no estado. De acordo com o engenheiro agrônomo Fernando Miqueletti, o trabalho envolve todas as etapas da cadeia produtiva, o que permite aos produtores acessar mercados mais rentáveis.

    produtores de cacau de pe na plantação
    Foto: Divulgação

    Ele destaca que o interesse crescente indica que o cacau deixou de ser apenas uma alternativa experimental e passou a ocupar espaço estratégico na diversificação agrícola paulista.

    Entre os participantes, o produtor Márcio Tonelli, de Campinas, afirmou que pretende investir na cultura. Após visitar as áreas e conhecer experiências práticas, ele considera o cacau uma opção promissora para propriedades familiares, especialmente em regiões tradicionalmente voltadas ao café e aos citros.

    Nova fronteira agrícola em SP

    Os técnicos do Grupo Cacau SP avaliam que a expansão da cultura em regiões não tradicionais confirma o potencial do cacau como nova fronteira agrícola no estado.

    A combinação entre assistência técnica, pesquisa e sistemas integrados tem permitido avanços consistentes. Para produtores, o modelo representa oportunidade concreta de diversificação, aumento de renda e produção sustentável.

  • Cacau avança no agro brasileiro, mas crédito rural ainda limita expansão do setor

    Cacau avança no agro brasileiro, mas crédito rural ainda limita expansão do setor

    O cacau voltou a ganhar força no agronegócio brasileiro nos últimos anos. Impulsionada pela alta dos preços no mercado internacional, a cultura registrou avanço na produção nacional e despertou maior interesse dos produtores. Ainda assim, o acesso ao crédito rural segue limitado e representa um dos principais obstáculos para a expansão do setor.

    De acordo com dados do IBGE, a produção brasileira da amêndoa cresceu 9% entre 2020 e 2025, alcançando uma estimativa de 294 mil toneladas. Apesar do avanço, especialistas apontam que o volume de financiamento disponível para os cacauicultores ainda é pequeno quando comparado a outras cadeias do agro.

    Um levantamento realizado pelo CocoaAction Brasil, iniciativa público-privada voltada ao fortalecimento sustentável da cadeia produtiva do cacau, mostra que o valor do crédito rural destinado ao setor saltou de R$ 143 milhões, em 2018, para quase R$ 445 milhões em 2025. Além disso, os recursos liberados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) avançaram de R$ 20 milhões para R$ 206 milhões no mesmo período.

    Mesmo com o crescimento, o montante ainda é considerado reduzido. Em 2025, por exemplo, o Brasil disponibilizou cerca de R$ 357 bilhões em crédito agrícola, mas apenas 0,12% desse total foi direcionado à cacauicultura.

    Crise da vassoura-de-bruxa ainda afeta o setor

    Segundo Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil, a principal dificuldade para ampliar o crédito está relacionada ao histórico da vassoura-de-bruxa, doença causada por fungos que devastou plantações e deixou muitos produtores endividados durante décadas.

    Além disso, ele afirma que a lembrança da crise ainda gera insegurança entre instituições financeiras, dificultando a aprovação de novos financiamentos para o cultivo.

    Ao mesmo tempo, medidas recentes do governo indicam um cenário favorável para o crescimento da atividade. A mais recente delas foi a aprovação da Lei nº 15.404, que elevou o percentual mínimo de cacau necessário para que um produto seja considerado chocolate no Brasil.

    Agora, os chocolates precisam conter pelo menos 35% de sólidos de cacau, enquanto anteriormente o mínimo exigido era de 25%. Já no caso do chocolate branco, permanece o teor mínimo de 20% de manteiga de cacau, porém com acréscimo de 14% de sólidos totais de leite.

    Crédito para o cacau ainda fica atrás de outras culturas

    Salata destaca que o crédito destinado aos produtores de cacau continua abaixo do observado em outras cadeias ligadas aos sistemas agroflorestais. Segundo ele, culturas como mandioca e banana praticamente dobraram o volume financiado em comparação ao cacau.

    Enquanto a mandioca recebeu cerca de R$ 760 milhões e a banana obteve R$ 745 milhões, o cacau acessou R$ 445 milhões. O açaí, por sua vez, movimentou aproximadamente R$ 341 milhões, mesmo possuindo, segundo Salata, uma cadeia produtiva menos estruturada.

    Mesmo com o crescimento da demanda por chocolate no Brasil, a cacauicultura ainda recebe uma fatia pequena do crédito agrícola nacional — (Foto: iStock)

    Produtora baiana conseguiu implantar lavoura com apoio do Pronaf

    Na cidade de Camamu, na Bahia, a produtora Shirlei Duarte conseguiu acessar crédito rural pela primeira vez após procurar apoio do Consórcio Intermunicipal de Águas e Resíduos do Baixo Sul da Bahia (Ciapra) em julho de 2025.

    O financiamento foi liberado em janeiro deste ano por meio do Pronaf. Com os R$ 89 mil obtidos, ela investiu em análise de solo, limpeza da área, compra de mudas, adubação e contratação de mão de obra para implantar dois hectares de cacau.

    “Eu já tinha a área, mas não tinha recurso para começar. Se não fosse esse crédito, não conseguiria implementar minha lavoura agora. E daqui três anos eu vou estar produzindo”, relata a produtora.

    O empréstimo foi contratado junto ao Banco do Nordeste, com juros de 3% ao ano e período de carência de três anos, prazo estimado para o início da produção da lavoura.

    Falta de informação também dificulta financiamentos

    Além do impacto histórico da vassoura-de-bruxa, Salata afirma que muitas instituições financeiras ainda possuem pouco conhecimento técnico sobre o cultivo do cacau. “Eles têm dificuldade de avaliar se um projeto é viável ou não”, explica.

    Por isso, ele considera a assistência técnica essencial para aproximar produtores do crédito rural. Segundo o coordenador, o suporte ajuda agricultores a identificarem as linhas disponíveis, compreenderem as finalidades de cada modalidade e avaliarem a viabilidade econômica dos investimentos.

    Rotas de Integração Nacional impulsionam a produção de cacau no Brasil — (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

    Atualmente, quatro modalidades concentram mais de 95% dos R$ 445 milhões financiados na cadeia do cacau em 2025. O Microcrédito Produtivo Rural representa mais de um terço do valor total, enquanto o Pronaf Floresta responde por quase outro terço. Já as linhas Mais Alimentos e Custeio completam o restante dos recursos liberados.

    Apesar dos desafios, Salata avalia que o setor vive um momento positivo e ainda possui amplo espaço para crescer.

    “Claramente houve um avanço expressivo no acesso ao crédito. Em culturas como a soja, que já concentram volumes muito elevados de financiamento, é mais difícil ampliar significativamente. No cacau, tanto o crédito quanto a produtividade ainda têm potencial de expansão relevante”, afirma.

  • Cursos no sul da Bahia impulsionam produção de cacau especial e chocolate artesanal

    Cursos no sul da Bahia impulsionam produção de cacau especial e chocolate artesanal

    O sul da Bahia amplia a oferta de qualificação profissional para a cadeia do cacau de alto valor, em resposta ao crescimento acelerado do mercado de chocolates especiais e bean to bar no Brasil. A demanda por profissionais capacitados já supera a oferta, em um segmento que exige domínio técnico em todas as etapas da produção.

    Processos como fermentação, secagem, torra, rastreabilidade e análise sensorial impactam diretamente o valor final do produto. Nesse cenário, o conhecimento técnico deixou de ser diferencial e passou a determinar a competitividade de produtores e empresas.

    Para atender essa demanda, o Centro de Inovação do Cacau (CIC), localizado no Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul), em Ilhéus, lançou sua programação de cursos para 2026. A iniciativa busca qualificar produtores, classificadores, técnicos, empreendedores, estudantes e profissionais da indústria.

    A nova agenda cobre diferentes etapas da cadeia produtiva, da produção ao sensorial. Os cursos combinam teoria aplicada, práticas em laboratório e experiências técnicas. O objetivo é formar profissionais capazes de tratar o cacau como produto de origem, preservando atributos que agregam valor ao longo do processo.

    Segundo Adriana Reis, gerente de Educação e Inteligência do CIC, o foco está na qualidade e na valorização do cacau brasileiro. “Nosso diferencial é oferecer formação aprofundada sobre a origem Brasil, uma região complexa que ganha reconhecimento no mercado de alta qualidade, com potencial também no cenário internacional”, afirma.

    Mudanças no comportamento do consumidor

    A expansão da qualificação acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Chocolates industrializados perdem espaço para produtos com identidade, rastreabilidade, menor processamento e destaque para a origem. Nesse contexto, o chocolate bean to bar, produzido do grão à barra, se consolida como um dos principais segmentos de valor agregado.

    Foto: Divulgação

    Para ingressar nesse mercado, dominar técnicas de produção se tornou essencial. Etapas como seleção de amêndoas, torra, moagem, conchagem, temperagem e moldagem influenciam diretamente aroma, sabor, textura e estabilidade do chocolate.

    A trajetória do produtor Gabriel Menna, de Itacaré (BA), mostra o impacto da capacitação técnica. Ele aprimorou a qualidade das amêndoas após participar do curso de Análise Sensorial com reconhecimento de defeitos, oferecido pelo CIC. “Foi a chave para avançarmos na qualidade”, afirma.

    O conhecimento adquirido também orientou decisões no campo. Menna renovou a área produtiva e adotou o clone BN34, com base em estudos do próprio centro que destacam atributos sensoriais da variedade. A escolha conecta informação técnica, manejo e estratégia de mercado.

    Conteúdo dos cursos

    A programação inclui formações em:

    • Produção de chocolate bean to bar
    • Operação de máquinas
    • Posicionamento de marca e precificação
    • Classificação física do cacau
    • Legislação do setor
    • Análise sensorial e identificação de defeitos
    • Reconhecimento de qualidade
    • Genética e análise de solo

    Os cursos atendem tanto iniciantes quanto profissionais que já atuam na cadeia e buscam aprofundar conhecimentos, padronizar processos e ampliar a competitividade.

    As informações sobre datas, inscrições e ementas estão disponíveis na nova plataforma do CIC.

    Para o diretor-presidente do PCTSul, Cristiano Villela, a qualificação também contribui para integrar os diferentes elos da cadeia. “Mais do que ensinar técnicas, os cursos ajudam a criar uma linguagem comum entre produtores, classificadores, fabricantes e compradores”, afirma.

    Segundo ele, essa transformação pode fortalecer a presença do Brasil nos segmentos de maior valor agregado do mercado global de cacau e chocolate.

  • Brasil apresenta modelo sustentável de produção de cacau em encontro global em Amsterdã

    Brasil apresenta modelo sustentável de produção de cacau em encontro global em Amsterdã

    O Brasil apresentou ao mundo novos dados sobre a viabilidade econômica da produção de cacau em sistemas agroflorestais durante o Partnership Meeting 2026, em Amsterdã, principal conferência internacional do setor cacaueiro. O estudo foi conduzido pelo Instituto Arapyaú em parceria com o CocoaAction Brasil. E indica que o modelo agroflorestal oferece retorno financeiro competitivo, reduz riscos e amplia o acesso a investimentos sustentáveis.

    Foto: Divulgação

    A delegação brasileira é composta por representantes do Arapyaú, AIPC, Abicab, produtores rurais e outras entidades do setor. E participa de uma missão institucional entre 16 e 20 de fevereiro, com compromissos nas Embaixadas do Brasil na Bélgica e na União Europeia.

    Durante o evento, os representantes apresentam experiências nacionais em cultivo sustentável, novos mecanismos de financiamento e iniciativas de fortalecimento da cadeia produtiva, integrando o movimento Cacau Brasileiro, que busca reposicionar o país como líder global em produção de cacau sustentável e de qualidade.

    O estudo, intitulado “Viabilidade econômica de sistemas agroflorestais com cacau – Modelagens na Amazônia e na Mata Atlântica”, analisou 11 modelos produtivos em Pará e Bahia. Em todos os cenários, os índices financeiros mostraram desempenho positivo, com Taxa Interna de Retorno (TIR) superior à taxa de desconto e Valor Presente Líquido (VPL) positivo. As modelagens associaram o cacau a culturas como banana, mandioca, açaí, cupuaçu, coco e dendê. Além de espécies florestais de alto valor, como seringueira, mogno e ipê.

    Segurança a investidores

    Segundo Vinicius Ahmar, diretor de programas do Instituto Arapyaú, o levantamento oferece segurança a investidores e formuladores de políticas públicas. “Os resultados ampliam a previsibilidade econômica dos sistemas agroflorestais e orientam o desenvolvimento de instrumentos de financiamento e políticas mais adequadas ao setor”, afirma.

    A versão atualizada do estudo incorporou fatores recentes, como a volatilidade dos preços internacionais, o aumento dos custos de produção e as novas exigências de mercados internacionais, como o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). As conclusões reforçam que o modelo agroflorestal está em linha com as metas climáticas e de biodiversidade. Além de se integrar ao Plano Inova Cacau 2030, que posiciona o Brasil como fornecedor global de cacau sustentável e rastreável.

    Apesar das perspectivas favoráveis, os pesquisadores apontam desafios à expansão. Como a falta de mudas e insumos, o crédito rural limitado e a carência de assistência técnica especializada. O relatório sugere ampliar o acesso a modelos inovadores de financiamento, como o Fundo Kawá, que combina recursos de mercado e filantrópicos em formato de blended finance.

    Evidências científicas do estudo

    Um relatório técnico complementar, elaborado pela professora Deborah Faria, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), reforça as evidências científicas do estudo. Encomendado pelo Governo dos Países Baixos em parceria com o Arapyaú e a Conservação Internacional, o documento reúne dados atualizados, entrevistas e análises sobre os sistemas agroflorestais de cacau no Brasil.

    Deborah destaca que a falta de assistência técnica contínua ainda limita a produtividade dos pequenos produtores. “A escassez de profissionais e os altos custos de acompanhamento dificultam o manejo adequado das lavouras e o controle de pragas e doenças”, explica.

  • Mudanças devem acabar com produção de café, chocolate e vinho

    Mudanças devem acabar com produção de café, chocolate e vinho

    Três dos produtos mais consumidos no planeta, café, chocolate e vinho, enfrentam um futuro incerto diante das mudanças climáticas. Um estudo recente da Universidade Estadual do Colorado (CSU) traz um alerta preocupante: nem mesmo tecnologias avançadas de resfriamento artificial do planeta seriam suficientes para salvar essas culturas de luxo.

    A pesquisa, liderada pela Dra. Ariel L. Morrison, testou o impacto da injeção de aerossóis na estratosfera (SAI). A técnica espalha partículas reflexivas na atmosfera para reduzir temperaturas. Em 18 das principais regiões produtoras dessas culturas, os resultados foram desanimadores: apenas seis localidades mostraram melhora consistente.

    Definidas como produtos cultivados por seu alto valor de mercado, as culturas de luxo incluem café, cacau, chá, baunilha, açafrão e trufas. Milhões de agricultores dependem dessas plantações em regiões como Gana, Brasil e França, onde condições climáticas específicas sempre foram essenciais para a produção de qualidade.

    O problema é que essas condições estão mudando rapidamente. Temperaturas em elevação, padrões de chuva alterados e umidade irregular comprometem desde pequenas propriedades familiares até grandes vinhedos comerciais.

    Por que o resfriamento artificial falha

    A equipe da CSU analisou dados climáticos projetados para o período entre 2036 e 2045, utilizando modelos climáticos avançados e métricas de adequação agrícola. Embora a técnica SAI consiga reduzir temperaturas superficiais, ela não controla outros fatores críticos.

    “Reduzir a temperatura apenas com SAI não é suficiente”, explica a Dra. Morrison. “As espécies de cacau, por exemplo, embora mais tolerantes ao calor que café e uvas, são altamente suscetíveis a pragas e doenças causadas pela combinação de altas temperaturas, chuva e umidade.”

    O estudo revelou que o resfriamento pode até baixar temperaturas, mas não garante chuvas adequadas nem previne oscilações climáticas extremas. Em vinhedos, por exemplo, o calor excessivo na primavera provoca brotação precoce, aumentando o risco de geadas tardias que destroem as plantas.

    Cacau, café e vinho: cada um com seu desafio

    Cacau: nas regiões produtoras da África Ocidental, o aumento de semanas chuvosas favorece surtos de fungos como a “podridão-parda”, que estraga as vagens antes da colheita.

    Café: uma única noite fria pode comprometer os grãos, enquanto períodos secos prolongados prejudicam floração e desenvolvimento. No leste do Brasil, simulações mostraram ganhos de confiabilidade hídrica em alguns cenários e perdas em outros – volatilidade que dificulta planejamento de longo prazo.

    Vinho: vinhedos precisam de invernos definidos para descanso adequado. Temperaturas inconsistentes causam brotação fora de época, expondo as videiras a geadas destrutivas.

    A variabilidade natural complica o cenário

    Mesmo quando condições médias parecem aceitáveis, a variabilidade climática natural pode arruinar colheitas inteiras. Uma sequência inesperada de semanas chuvosas ou uma geada surpresa anulam os benefícios de temperaturas mais amenas.

    “A intervenção climática por SAI pode oferecer alívio temporário do aumento das temperaturas em algumas regiões, mas não é uma solução garantida”, adverte Morrison.

    Segundo os pesquisadores, a salvação dessas culturas depende de estratégias localizadas de adaptação. Entre as opções estão:

    • Mudança de variedades mais resistentes
    • Alteração no manejo da copa das plantas
    • Melhoria em sistemas de drenagem
    • Ajuste nas épocas de colheita
    • Investimento em sombreamento e proteção contra vento
    • Sistemas de irrigação e armazenamento de água

    “Estratégias de adaptação adaptadas às condições locais, investimento em práticas agrícolas resilientes e cooperação global são essenciais para salvar essas culturas e as comunidades que dependem delas”, conclui a cientista.

    Impacto global

    A crise não afeta apenas produtores rurais. O setor de culturas de luxo movimenta bilhões de dólares anualmente e emprega milhões de pessoas em países em desenvolvimento. A escassez desses produtos pode elevar preços drasticamente, tornando itens do cotidiano – como uma xícara de café ou uma barra de chocolate – verdadeiros luxos inacessíveis.

    O estudo deixa claro: as mudanças climáticas não estão apenas alterando o tempo, mas reescrevendo a geografia da produção agrícola mundial. Sem ações urgentes de adaptação, café, chocolate e vinho podem se tornar cada vez mais raros e caros nas próximas décadas.

  • Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    O Norte de Minas transformou suas características climáticas adversas em oportunidade de negócio. A região, conhecida pelo clima seco, altas temperaturas e baixo índice pluviométrico, agora abriga um dos polos emergentes de cultivo de cacau no país.

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Minas Gerais (Unimontes) desenvolveram um método que viabiliza a produção do fruto em áreas não tradicionais. O projeto recebe apoio do Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e já projeta resultados expressivos.

    Área plantada cresce 525% em dois anos

    O engenheiro agrônomo Victor Martins Maia, especialista em fitotecnia da Unimontes, lidera as pesquisas. Os dados atuais registram 480 hectares ocupados com plantações de cacau em Minas Gerais. Para 2026, as projeções apontam crescimento para três mil hectares plantados.

    “A indústria mundial busca locais que ofereçam estabilidade e capacidade de fornecimento de cacau. O Brasil tem a possibilidade de crescer com produtividade e tecnologia para atender a demanda mundial”, afirma Maia.

    O pesquisador coordena o Centro Tecnológico para Cacauicultura em Regiões Não Tradicionais (CTCRNT). A Fapemig destinou aproximadamente R$ 3,5 milhões ao centro, que desenvolve estudos sobre consumo de água irrigada, tipos de mudas e adubação nas plantações.

    Técnica a pleno sol substitui modelo da cabruca

    O método desenvolvido pela Unimontes permite o plantio de cacau a pleno sol, em consórcio com lavouras tradicionais de banana que já possuem sistema de irrigação. A técnica contrasta com o cultivo “na cabruca”, modelo tradicional que produz o fruto em meio à Mata Atlântica raleada.

    Foto: Letícia Fagundes/Agência MG

    No sistema inovador, os produtores cultivam clones de cacau mais resistentes à sombra das bananeiras. As mudas crescem durante dois anos, passam por podas sucessivas e se preparam para suportar a produção em condições climáticas desafiadoras.

    Consórcio garante renda ao produtor

    A associação entre cacau e banana traz vantagens econômicas imediatas aos produtores. “Do ponto de vista econômico, o modelo garante renda constante ao produtor. Enquanto aguarda o cacau começar a produzir, ele mantém a comercialização de banana”, explica Victor Maia.

    O centro também aplica visão computacional na predição da produção e estuda sistemas agroflorestais que consorciam o cacau com macadâmia ou abacaxi.

    Trajetória de pesquisa supera desafios climáticos

    A pesquisa começou em 2011, quando a equipe analisou o cultivo de clones adaptados em Janaúba. Anos seguidos de seca severa comprometeram os primeiros experimentos. Os clones plantados na fazenda experimental, sem irrigação, não resistiram ao período de estiagem.

    A equipe reformulou a estratégia e identificou clones trazidos da Bahia mais adaptados à região. Em 2017, o projeto recebeu novo apoio da Fapemig para experimentos em campo. Naquele ano, os pesquisadores promoveram os primeiros eventos técnicos de extensão, que levaram os resultados aos produtores locais. Desde então, a Unimontes realiza eventos específicos sobre cultivo de cacau no semiárido mineiro a cada dois anos.

    Terroir do sertão: próximo passo da cacauicultura mineira

    O CTCRNT desenvolve atualmente um projeto em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) sobre fermentação do cacau para produção de chocolate. A iniciativa pode resultar no nascimento de um “terroir do sertão”, com cacau que apresenta características únicas da região.

    “Esse é apenas o começo da cacauicultura em Minas”, conclui o pesquisador Victor Maia.

  • Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    Mercado global de cacau enfrenta volatilidade

    O mercado internacional de cacau permanece sob forte volatilidade em 2025. Os preços da commodity atingiram patamares historicamente altos devido à quebra de safra nos principais países produtores da África Ocidental, região responsável por quase 70% da produção mundial. A escassez de oferta e as incertezas climáticas têm elevado o risco de um novo déficit no balanço global. E podem configurar o quarto ano consecutivo de saldo negativo.

    A safra 2024/25 na Costa do Marfim e em Gana, líderes globais na produção de cacau, foi impactada por condições climáticas adversas, resultando na menor oferta dos últimos oito anos. Estimativas apontam que a produção marfinense deve ficar entre 1,75 e 1,80 milhão de toneladas, patamar semelhante ao ciclo anterior e bem abaixo dos recordes históricos. O clima seco e as chuvas insuficientes limitaram o desenvolvimento das lavouras, frustrando expectativas de recuperação para a safra intermediária de 2025.

    Com a oferta restrita, os preços futuros do cacau dispararam. Ele chegou a  superar US$ 11 mil por tonelada em 2024 e permanecendo acima de US$ 8 mil em 2025, um aumento de 180% em dois anos. Apesar de uma leve queda recente, as cotações seguem significativamente acima da média histórica, pressionando a indústria global de chocolates e derivados.

    Novos players ganham espaço, mas não compensam queda africana

    A alta nos preços tem estimulado o crescimento da produção em países como Equador, Indonésia e Nigéria, que apresentam exportações mais robustas em 2025. No entanto, o avanço desses mercados ainda não é suficiente para suprir a lacuna deixada pela queda africana, mantendo o cenário global de oferta apertada.

    Outro fator de instabilidade é o ritmo mais lento das vendas antecipadas da safra 2025/26 por parte das entidades estatais de comercialização da Costa do Marfim e Gana, fundamentais para a definição de preços ao produtor e para sinalizar expectativas de produção. O atraso nas negociações reforça a percepção de risco sobre a próxima colheita.

    Apesar de alguns indicadores climáticos apontarem chuvas próximas à normalidade para o início da nova safra, analistas recomendam cautela. Caso o clima favorável se mantenha e os preços elevados incentivem investimentos em manejo, há potencial para recuperação. Mas ainda é cedo para prever uma reversão do quadro atual.

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